Meditação

domingo, 28 de setembro de 2014

Qual o alimento da mente?

O corpo físico precisa de comida. O corpo mental também.

A mente se alimenta de pensamentos.

Boa comida traz saúde física.

Bons pensamentos trazem saúde mental.

"Deus é a saúde do corpo e da mente".

Assim como você escolhe o que comer você deve escolher o que pensar.

O corpo e a mente devem descansar, ter uma pausa do processo de alimentação.

O jejum purifica o corpo. O silêncio mental purifica a mente.

O jejum da mente, o silêncio interior, é a meditação.

A meditação é o alimento do espírito.

A satisfação do espírito é a própria iluminação.

Esta substância espiritual pode ser chamada de amor, a consciência de nossa unidade com toda a Existência.

F.A.

Osho, política e meritocracia

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Introdução

Em fevereiro de 1985, quando ainda estava no Oregon, Osho fez um discurso em que explicitou sua visão da meritocracia, explicando em detalhes como esse sistema poderia funcionar para uma transformação da triste realidade com a qual convivemos.

Os sinais mostram que a morte dos políticos está cada vez mais próxima e, de acordo com Osho, estes precisam ser substituídos pela intelligentsia. O problema é que a intelectualidade de nossos dias está tão envolvida em políticas de poder quanto os políticos.

Osho diz que a solução passa por um tipo completamente diferente de formação nas universidades. Em sua visão de uma nova humanidade, Osho diz que as novas universidades devem incluir, paralelamente ao estudo acadêmico, um Instituto de Desprogramação e um Instituto de Meditação, de forma que as pessoas que estejam indo para o poder, possam ser preparadas para servir e compartilhar.

E em relação ao sistema eleitoral, Osho explicita a necessidade de se mudar o próprio fundamento do que concebemos como democracia, logo de início abandonando "a idéia de que todo homem, só por ter vinte e um anos" - aqui, 16 nos - "seja capaz de escolher quem é a pessoa certa para decidir a sorte das nações". E, em detalhes, apresenta os pré-requisitos para aqueles que vão votar e para aqueles que vão concorrer a cargos eletivos nos mais diferentes níveis de poder.

Tudo isso você pode ler no discurso que apresentamos nas cinco partes abaixo.



1.

O fim dos políticos; as condições para votar e se eleger




Da Idiocracia à Meritocracia

5 de fevereiro de 1985, Lao Tzu Grove, Oregon

Osho, como a idéia da meritocracia pode ser realizada na prática?

Uma coisa é absolutamente certa: os dias dos políticos já terminaram.

Eles já fizeram muito bem seu papel sendo destrutivos, violentos. Eles atingiram um ponto no qual a humanidade tem de decidir: ou morrer permanecendo com os políticos - cometer um suicídio global -, ou livrar-se dos políticos e salvar a humanidade, a civilização, a cultura, a vida.

Nada é favorável aos políticos e, à medida que se passam os dias, a morte deles está cada vez mais próxima. Eles próprios são os responsáveis. Eles aperfeiçoaram as armas a tal ponto, que podem trazer a morte ao mundo todo sem nenhum caminho de volta. Ou haverá uma última guerra - que significa a morte para todos e para todas as coisas -, ou uma mudança total em toda a estrutura da sociedade humana. Eu estou chamando essa mudança de meritocracia.

Primeira coisa: temos de abandonar a idéia de que todo homem, só porque tenha vinte e um anos, seja capaz de escolher quem é a pessoa certa para decidir a sorte das nações. A idade não pode ser o fator decisivo. Temos de mudar o fator decisivo - isto é, mudar o próprio fundamento.

Minha sugestão é que somente uma pessoa que esteja pelo menos matriculada em um curso superior, deve poder votar. A idade dessa pessoa não importa.

À medida que eu for lhes explicando a coisa toda, ficará mais fácil compreender.

Para o governo local, a matrícula seria a qualificação para os votantes. E a graduação na universidade - pelo menos o grau de bacharel - deve ser uma qualificação necessária para os candidatos, para qualquer um que queira disputar a eleição. E um grau de mestrado deve ser a qualificação mínima para quem estiver disputando o cargo de prefeito.

Para as eleições estaduais, a graduação com grau de bacharel deve ser a qualificação mínima para os votantes. Um mestrado em ciências, artes, economia, deve ser o grau necessário para os candidatos.

Para os ministros, um grau de Mestre, de primeira classe , deveria ser a qualificação mínima - um grau maior seria, naturalmente, melhor. E qualquer um que pleiteie o cargo de ministro, deverá saber algo sobre o assunto. Sua qualificação deve estar relacionada ao campo do assunto que ele irá lidar em seu ministério.

Por exemplo: eu já vi ministros da educação que nunca estiveram na universidade... Antes de se tornarem ministros da educação, nunca tinham visto um campus universitário. Sim, depois de se tornarem ministros da educação, eles começam a fazer discursos nas assembléias das universidades. As universidades começaram a lhes dar graus, graus honorários, porque, de fato, eles nunca estiveram sequer matriculados. Alguns deles sabem somente assinar seus nomes, e outros nem isso: eles têm de assinar com a marca do polegar sobre o papel.

Dessa forma, se alguém vai ser um secretário de educação, então, suas qualificações devem torná-lo capaz de ser um secretário de educação. Ele deve ter pelo menos um grau de Mestre em Educação, de primeira classe - com menos do que essa classificação de primeira classe, ninguém deveria ser um secretário estadual. Sim, se tiver graduações melhores - Doutor em Educação, Ph.D. em Educação - seria bom, pois isso o tornaria mais qualificado.

O Procurador Geral deve ter pelo menos o grau de doutorado em leis - não menos que isso, porque ele vai defender a lei do estado, os direitos dos cidadãos. Ele deve ter o melhor grau possível, de modo que saiba tudo sobre o assunto.

O governador deve ter o melhor de todos os graus que lhe for possível: Grau de Mestre de primeira classe, Ph.D. - a matéria do Ph.D. deve ser em Ciências Políticas - e pelo menos um grau honorário, um Doutorado em Letras, ou em Leis.

Para o governo federal, um grau de mestre será a qualificação mínima para ser um eleitor. Um grau de mestre de primeira classe e um Ph.D. devem ser o mínimo para os candidatos que disputarem as eleições. E os ministros devem todos ter o mais alto grau nos assuntos referentes à cadeira que irão ocupar como ministros. Se for de educação, então, os mais altos graus disponíveis no país; se for de saúde, então, os mais altos graus disponíveis no país.

O presidente deve ter pelo menos dois doutorados em filosofia, Ph.D., e um doutorado em Letras ou em Leis - e o mesmo para o vice-presidente, porque ele pode se tornar presidente a qualquer dia.

Deste modo, a oclocracia[1] é destruída. Então, só porque você tem vinte e um anos não significa que você é capaz de escolher o governo. Escolher o governo deve ser um trabalho muito habilidoso, inteligente. Só por ter vinte e um anos, você pode ser capaz de produzir filhos - isso não necessita de nenhuma habilidade, até os animais o fazem perfeitamente bem: não precisa de nenhuma instrução, a biologia já o manda bem preparado. Mas para escolher o governo, para escolher a pessoa que vai ter todos os poderes sobre você e sobre todo mundo e que vai ter de decidir o destino do país e do mundo... o modo como temos escolhido essas pessoas é simplesmente idiota.

Ainda outro dia eu recebi esta informação... - e eu felicitei a Universidade de Oxford por isso; talvez esta seja a única felicitação que receberão. Na Inglaterra, como em todo país, há convenções. Todo primeiro-minstro da Inglaterra, convencionalmente, ganha um doutorado honorário de Oxford. Desta vez - é algo sem precedentes em toda a história da Inglaterra - a Universidade de Oxford decidiu não dar o grau a Margaret Thatcher. Eu os felicitei, porque é assim que toda universidade do mundo deveria agir. Naturalmente, a razão pela qual eles negaram não é muito boa, mas isso é irrelevante. Pelo menos, eles mostraram bastante coragem. E Margaret Thatcher também será uma pessoa histórica, porque nenhum primeiro-ministro da Inglaterra saiu sem um doutorado honorário de Oxford. A razão pela qual eles decidiram negar foi ela ter cortado a verba para a universidade de Oxford, principalmente para pesquisa em literatura. A razão não é muito boa, mas, ainda assim, é significativa. Uma mulher que pensa que a literatura não merece nenhuma pesquisa, certamente não merece nenhum doutorado da universidade.

Eu gostaria que todas as universidades do mundo repensassem: não continuem simplesmente honrando com doutorados, de modo convencional, estúpidos políticos idiotas. Desse modo, vocês estão simplesmente se insultando. Desse modo, vocês estão degradando o status da educação.

Ao contrário, eu gostaria que todas a universidades - primeiro de apenas um estado - convocassem uma convenção de todos os reitores e professores eminentes; da intelligentsia eminente que não faz parte da universidade: pintores, artistas, poetas, dançarinos, atores, músicos... Essa convenção incluiria todas as espécies de pessoas que tenham atingido uma certa eminência e já tenham mostrado seu calibre - excluindo os políticos completamente.

Todos os vencedores do Prêmio Nobel deveriam ser convidados - novamente excluindo os políticos, porque nos últimos anos alguns políticos deram um jeito de receber o Prêmio Nobel, e isso tem degradado o valor do Prêmio Nobel.

Isso não acrescentou nenhum valor ao político: ele ainda permanece na sarjeta, e permanecerá na sarjeta, porque é lá o lugar a eles que pertencem. Ele não pode viver fora da sarjeta - ele morreria. E se você lhe der um Prêmio Nobel, ele arrastará o Nobel também para a sarjeta: é claro, onde quer que ele more, ele irá levar o Prêmio Nobel, os doutorados e todas as espécies de graduação com ele.

Cada estado deve convocar uma convenção de toda a intelectualidade, quer essas pessoas façam ou não parte das universidades - jornalistas, romancistas, todas as dimensões de talentos - e elas devem escolher uma delegação para a convenção nacional. Assim, oriunda de todos os estados, uma convenção nacional se constitui e entra nos detalhes de como a meritocracia deve funcionar.

Para os candidatos nacionais, pode haver uma convenção internacional com participação de todas as universidades do mundo e da intelligentsia. Esta seria a primeira da espécie, porque jamais toda a intelectualidade do mundo juntou-se para decidir a sorte da humanidade.

Esta convenção deveria escrever a primeira constituição do mundo. Esta não será norte-americana, não será indiana, não será chinesa: ela será simplesmente a constituição de toda a humanidade. Não há necessidade de leis diferenciadas. Não há nenhuma necessidade, todos os seres humanos precisam da mesma espécie de lei.

E uma constituição mundial será uma declaração de que as nações não têm mais significado. Elas podem existir como unidades funcionais, mas não mais serão poderes independentes. E se toda a intelligentsia do mundo estiver por trás dessa convenção, não será muito difícil convencer as pessoas em geral a se afastarem dos políticos.

[1] Oclocracia - Governo em que prepondera a plebe, a multidão, ou em que o poder é por ela exercido. (N.daT.)



2.

A função da intelligentsia
E que poder têm os políticos? Todo o poder que eles têm, fomos nós que lhes demos. Nós podemos tomá-lo de volta. Temos apenas de descobrir um meio de tomá-lo de volta - porque dar é muito fácil, tomar é um pouco mais difícil. Eles não serão tão simples e inocentes, quando vocês tomarem o poder de volta, como foram quando o pediram a vocês. É nosso poder, mas eles continuarão a possuí-lo se as massas permanecerem dando-lhes o poder - as massas podem ser convencidas de tudo.

Isso é função da intelligentsia... Eu gostaria de dizer que se acontecer algo à humanidade agora, toda a condenação irá para a intelligentsia: "O que vocês estiveram fazendo? Se aqueles idiotas estavam prontos para matar a humanidade, o que vocês estavam fazendo? Vocês não conseguiram nem mesmo manobrar esses idiotas? Vocês simplesmente ficaram rosnando, ficaram resmungando, mas não fizeram mais nada!?".

E o tempo está ficando curto. Uma vez que decidamos que o poder do voto não é direito de nascimento de todo ser humano, mas sim um direito que se tem de adquirir... - tem-se de fazer a distinção. Não se trata de um direito de nascimento, trata-se de um direito que você tem de adquirir pela sua inteligência. A todos deve ser dado a oportunidade de adquiri-lo; deverá haver igual oportunidade para todos adquirem esse direito, mas ele não é algo dado pelo nascimento, de graça: você tem de provar que tem o direito.

Passemos o poder da turba para as mãos de algumas pessoas inteligentes e para pessoas que saibam o que estão fazendo. Se um homem devotou toda a sua vida para pensar sobre educação e seus problemas - um homem que fez tudo o que era possível fazer para descobrir cada detalhe, cada fundamento da educação, todas as possíveis filosofias da educação -, se ele se torna um ministro da educação, há toda a possibilidade de ele fazer alguma coisa. E, ao mesmo tempo, eu desejo a transposição completa das massas para os poucos escolhidos.

Eu não sou contra o povo. Na verdade, nas mãos desses políticos, as pessoas estão contra elas mesmas. Eu sou a favor das pessoas, e o que eu estou dizendo pode ser dito exatamente como se diz com referência à democracia: para o povo, pelo povo, do povo - apenas terei de mudar o "pelo povo". Essa intelligentsia será para o povo, do povo. Ela servirá às massas.

É uma coisa tão simples! Vocês não elegem um médico. Alguém simplesmente se apresenta, por direito de nascimento, e as pessoas votam. Duas pessoas lutando para ser o médico ou o cirurgião. O que há de errado nisso!? As pessoas escolhem por si mesmas: para o povo, pelo povo, do povo. Elas escolhem uma pessoa, um cirurgião, porque ele fala melhor, fica bem na televisão e faz grandes promessas.

Mas ele não é nem mesmo um açougueiro! E vai se tornar um cirurgião...! Ele não é nem sequer um açougueiro. Até um açougueiro teria sido melhor... - pelo menos ele saberia como cortar, acabar com você. E esse homem...

Entretanto, você não escolhe um cirurgião por eleição.
Como você pode então escolher um presidente por eleição? Como você pode escolher um governador por eleição? Você está dando demasiado poder ao poder - a pessoas famintas. Com suas próprias mãos, as pessoas estão dizendo para enforcá-las! Isso não é democracia. Em nome da democracia, essas pessoas têm explorado as massas.

Só para fazer uma distinção, eu estou chamando meu sistema de meritocracia. Mas mérito para quê? O mérito é para servir e compartilhar. E uma vez que vocês tenham decidido passar o poder dos políticos para a intelligentsia, tudo é possível - tudo se torna simples.



3.

A formação nas universidades
Então, eu quero que toda universidade tenha duas instituições compulsórias, porque este é o modo pelo qual eu gostaria que as pessoas que estão se encaminhando para serem poderosas, fossem preparadas.

Até os dias de hoje, durante milhares de anos, vocês nunca prepararam ninguém.

Se alguém vai ser um boxeador, vocês não o empurram para dentro do ringue e dizem: "Comece!". Ele tem de aprender. Se alguém vai ser um espadachim, isso levará anos. Caso contrário, ele não saberá nem como segurar a espada - usá-la e lutar com ela será impossível. Primeiramente, ele terá de descobrir como tirá-la da bainha, como embainhá-la. Isso precisa de treinamento. Vocês simplesmente não dão uma guitarra para alguém que nunca viu o instrumento antes, e esperam que ele seja um Yehudi Menuhin ou um Ravi Shankar.

Isso é falha de vocês: essas pessoas que estão no poder, vocês as treinaram? Alguma vez alguém pensou que as pessoas que terão tanto poder, precisam de certas qualidades de modo a não cometerem abuso de poder? Isso não é culpa delas.

Assim, eu proponho dois institutos em cada universidade. Um instituto é para desprogramação. Todo mundo que consiga um certificado de graduação, primeiramente terá de conseguir um certificado de liberação vindo do instituto de desprogramação - o que quer dizer: o instituto o desprogramou como um cristão, como um hindu, como um muçulmano, como um judeu... - porque esse têm sido o nosso problema.

E quatro anos são suficientes. A desprogramação não leva tanto tempo assim: bastam algumas horas por mês durante quatro anos e vocês estarão desprogramados. E vocês não receberão nenhum certificado do instituto educacional, a menos que tenham sido liberados pelo instituto de desprogramação, dizendo que: "Este homem agora é um simples ser humano. Ele não mais é um cristão, não mais é um hindu, um muçulmano, um judeu.".

O segundo instituto será um instituto para meditação, porque simplesmente desprogramar não é o suficiente. A desprogramação tira o lixo de você, mas você é deixado vazio - e é difícil ficar vazio: você começará a juntar lixo novamente. Vocês não conseguem por si mesmos aprender a viver alegremente na sua vacuidade. Eis toda a arte da meditação.

Assim, por um lado o instituto de desprogramação o libera, esvazia-o, torna-o um vácuo; e o instituto de meditação vai ajudando-o a desfrutar o seu nada, a sua vacuidade, o seu vácuo interno, a limpeza que ele tem, o frescor que ele tem. E, à medida que você começa a desfrutar isso, você começa a sentir que aquilo não mais é vazio, absolutamente: aquilo está cheio de alegria. Parece vazio inicialmente, porque você estava acostumado a ter muito lixo ali, e aquele lixo foi removido; assim, você diz que parece vazio.

É como uma sala cheia de mobília: você sempre a viu cheia de mobília; então, um dia, você entra e toda a mobília foi removida e você diz: "Esta sala parece vazia.". A sala não está vazia, a sala está simplesmente limpa. A sala está espaçosa pela primeira vez. Ela estava atravancada antes, sobrecarregada, cheia de lixo; agora, ela é puro espaço.

Você tem de aprender meditação para desfrutar sua vacuidade.

E esse é um dos maiores dias na vida de uma pessoa - quando ela começa a desfrutar a vacuidade, a solitude, o nada.

Então, ninguém pode reprogramá-la, ninguém no mundo. Mesmo que Jesus venha e diga a você "Você é abençoado. Venha e me siga, e eu o levarei a Deus.", você dirá: "Vá para o inferno com seu Deus. Onde eu estou, aqui é o paraíso. Onde quer que eu esteja, aqui é o paraíso. Vá, siga a si mesmo - e leve sua cruz também. E se ninguém o crucificar, crucifique-se a si mesmo, porque sem a crucificação você não será o verdadeiro messias.".

Foi isso o que Buda disse realmente aos seus discípulos: "Se eu entrar no caminho, corte minha cabeça imediatamente. Eu não posso atravancar sua limpeza. Eu não devo estar ali, ninguém deve estar ali - nenhum deus. Você sozinho é o bastante, mais do que bastante... É tão transbordante!".

Assim sendo, um segundo instituto é necessário em toda universidade, que lhe dará uma simples meditação. Não há nenhuma necessidade de nenhuma complexidade. As universidades, a intelectualidade, tendem à complexidade, tendem a tornar as coisas complexas. Um método simples de apenas observar sua respiração é o suficiente. Mas todo dia, por uma hora, você tem de ir para o instituto. A menos que o instituto de meditação lhe dê sua graduação, a universidade não lhe dará a dela.

A graduação da universidade virá somente quando um certificado de liberação, vindo do instituto de desprogramação e um certificado de graduação vindo da universidade de meditação, estiver garantido. Isso dependerá de você - você pode se graduar em um ano, pode se graduar em dois anos, em três, quatro anos. Mas quatro anos já são demais. Qualquer imbecil, se ele apenas sentar-se durante uma hora, todo dia, sem fazer nada, durante quatro anos, está fadado a descobrir o que Buda e Lao Tzu descobriram, o que eu descobri.

Não é uma questão de inteligência, talento, gênio. É somente uma questão de paciência.

Assim, do instituto de meditação da universidade, você consegue uma graduação, um bacharelado em meditação; então, você consegue um bacharelado em artes ou economia ou ciência, mas não antes disso. E assim por diante. Você consegue um grau de mestre em meditação, e de novo você deverá continuar com o instituto de desprogramação por dois anos, porque você não pode ser deixado sozinho tão facilmente. As pessoas são, de um certo modo estranho, colecionadoras de todas as espécies de coisas. Umas pessoas colecionam antigüidades, outras colecionam selos...

As pessoas são colecionadoras... Eu penso que existe alguma necessidade psicológica. Devido a sentirem-se insignificantes, porque sentem que em si mesmas não têm nenhum valor, elas tentam encher esse buraco juntando coisas. Juntando conhecimento, juntando qualquer espécie de coisa: elas querem de algum modo sentir que não estão vazias e que têm algo valioso, que têm valor, que não desperdiçaram a vida...



4.

Uma utopia?
Assim, se você for continuar para alcançar o grau de mestre, então, durante dois anos você continuará com o instituto de desprogramação - porque não há término para a sua limpeza. Todos os dias a poeira se ajunta. Não é uma questão de você colecioná-la; é como um espelho: toda manhã você tem de limpá-lo e a poeira continua se ajuntando sobre ele.

A mente é quase como um espelho, um refletor. As memórias se adicionam, as experiências se adicionam - esta é a poeira que está acontecendo durante vinte e quatro horas por dia. Dessa forma, a menos que você a permaneça limpando continuamente, logo, logo, você estará recoberto de poeira novamente.

Assim, esta é uma boa experiência: durante dois anos, novamente, você estará sendo desprogramado; e durante dois anos novamente, você estará meditando.

Esses processos continuam simultaneamente, desprogramação e meditação. Uma vai limpando-o, esvaziando-o; a outra vai enchendo-o não com COISAS, mas com certas qualidades: serenidade, amorosidade, compaixão, uma tremenda sensação de dignidade sem nenhum motivo absolutamente. Só por estar vivendo, respirando, já é prova suficiente de que a existência acha que você é digno de viver, de que a existência acha que você é digno de estar aqui.

Você é indispensável para a existência.

Esta indispensabilidade é descoberta somente através da meditação; não há outro meio. E a menos que você descubra esta sua indispensabilidade para a existência, você irá continuar fazendo algo estúpido para se sentir digno.

Mas quando a existência o cobre, derrama todas as suas bênçãos sobre você, então, o ímpeto para juntar lixo simplesmente desaparece.

Então, você vive cada momento e morre a cada momento. Essa é a hora em que a meditação chegou à sua perfeição: VIVENDO A CADA MOMENTO, MORRENDO A CADA MOMENTO.

Morrendo para a memória com a qual você viveu.

Morrendo para o momento que está passando.

Ele pode deixar seus traços, seu conteúdo, sua assinatura, suas memórias... Mas não, morra para tudo isso; assim, você fica novo outra vez, pronto para espelhar a existência com um reflexo límpido.

Assim, se uma pessoa continua a estudar na universidade, então, ela continua indo para o Instituto de Meditação, durante uma hora todo dia; e, antes de pegar seu M.A. - mestrado em artes -, ela pega seu M.M. - isto é, mestrado em meditação. Ela pode consegui-lo em um ano, pode consegui-lo em dois anos; ou pode levar mais tempo se não estiver meditando, porque não haverá nenhum exame verbal - vai depender do Mestre.

Se o Mestre sentir, observando a pessoa vir todos os dias e sentar-se em meditação, continuamente - por dois anos ele a observa, procura saber como ela está se sentindo, como as coisas estão indo -, se ele nunca vê qualquer tensão na pessoa, nunca sente que ela está apressada, angustiada, preocupada, mas que ela está sempre relaxada, à vontade, em casa, que ela não se sente nervosa sobre nada, que ela não está interessada no passado e não está interessada no futuro...

Todas essas coisas ele vai observando, e se ele sentir... - e não existe a possibilidade de julgar mal. Se ele é um meditador, ele não vai julgar ninguém mal - isso é impossível. Ele saberá certamente que a pessoa realmente experienciou, e ele lhe dará o certificado.

Esses são os certificados de liberação para o grau de mestrado, para o Mestrado em Artes. E eu quero que isto continue: se você for fazer seu Ph.D., então, você fará três anos de desprogramação e três anos de meditação. Essas são formações compulsórias até o fim. Assim, quando você sair da universidade, você não será somente uma pessoa inteligente, bem informada: você será também um meditador - relaxado, observador, intuitivo. E você não mais será um cristão, não mais um hindu, não mais um norte-americano, não mais um russo. Toda essa bobagem terá sido completamente queimada, não sobrou nada disso tudo.

Este é o único jeito: trocar os políticos pela intelligentsia. Mas como a intelectualidade está agora, não iria adiantar muito, porque eles estão todos tão envolvidos em políticas de poder quanto os políticos. Eis por que eu torno essas duas condições necessárias. Se você tem um Ph.D., simultaneamente você terá um Ph.D.M., um grau de doutor em meditação. E se o Instituto de Meditação sente que alguém chegou a um ponto onde a pessoa deva ser honrada, então, eles podem lhe dar um D.Litt.M.

[1]
Assim, enquanto a pessoa está sendo instruída, ela também está, de um modo muito silencioso e sutil, sendo preparada para estar no poder, de tal modo que o poder não possa corrompê-la, que ela não possa usá-lo mal.

Assim, a meritocracia é um programa inteiro de transformação da estrutura da sociedade, da estrutura do governo, da estrutura da educação.

Parece utópico. Quem vai fazer isso? Como isso vai acontecer? Eis a questão - como vamos tornar isso realidade? É utópico, mas a situação é tal que dentro de vinte anos os políticos levarão vocês à beira da morte. Então, vocês terão de escolher; e, nessa altura, quando vocês tiverem de escolher entre a morte e a meditação, eu penso que vocês escolherão a meditação - vocês não escolherão a morte.

Se nessa hora vocês tiverem de escolher entre a morte e a desprogramação, vocês escolherão a desprogramação: "Deixe o cristão morrer, mas eu posso viver.", "Deixe o judeu morrer, eu posso viver.". E quem se importa quando é uma questão de você ser você ou ser judeu? Se você puder escolher apenas um - ou você ou um judeu -, eu não penso que você vá escolher ser judeu; nem Moisés teria feito isso. Eu confio em que ele tenha tido pelo menos essa inteligência.

Os políticos trouxeram esse grande desafio para o todo da humanidade. Por um lado, devemos ser gratos a esses tolos: eles arrastaram toda a humanidade para o ponto onde a humanidade tem de decidir: "Agora, ou vivemos ou esses políticos ficam no poder - as duas coisas são impossíveis.".

Os políticos estão levando vocês até esse ponto - eles já os levaram até aí. Assim, eu digo que agora as universidades têm de se tornar mais audazes, corajosas, unidas; e elas têm de reunir toda a intelectualidade ao redor de si - o que não é difícil, porque, por toda parte, eu vi que toda espécie de pessoa inteligente é contra esses políticos tolos. Mas elas não podem fazer nada sozinhas - o que a pessoa pode fazer? E elas não vêem que haja alguma alternativa.

Eu me admiro que vocês não possam ver nenhuma alternativa: vocês têm tantas universidades de grande prestígio! Por exemplo: se a Oxford pôde juntar coragem para recusar, para dizer que a universidade não iria dar à Thatcher um doutorado honorário, por que uma universidade como a Oxford - que é prestigiosa, suficientemente antiga, respeitada em todo o mundo - não pode começar a convocar essas convenções? Por que a Oxford não pode começar a se tornar o centro de um novo poder, o poder da intelectualidade?

E não é tão difícil como parece.

[1] D.Litt.M. – Um dos títulos criados por Osho na Multiversity, este: Doutor de Letras de Meditação. (N.daT.)



5.

A democracia ainda não aconteceu
Uma coisa eu esqueci de dizer. Eu disse: excluam os políticos. Eu quero incluir mais uma coisa: excluam os sacerdotes, o papa, porque o poder religioso sempre deu apoio ao poder político. Eles estão unidos em profunda conspiração, eles se apóiam mutuamente. E eles se apóiam em condições tão absurdas, que não se pode tirar nenhum sentido disso.

Adolf Hitler foi abençoado para a vitória, pelo alto sacerdote cristão na Alemanha: ele orava para Adolf Hitler ser vitorioso. E ele estava muito feliz porque Adolf Hitler estava acabando com os judeus: talvez ele tenha feito um grande serviço aos cristãos, mais que todos os outros - milhões de judeus morreram. Assim, os sacerdotes cristãos podiam sentir que estavam fazendo a coisa certa ao abençoá-lo: a vingança contra os judeus tinha de ser feita. Mas ele se esqueceu completamente de que Churchill também estava sendo abençoado para a vitória, pelo arcebispo cristão, na Inglaterra; que, nos Estados Unidos, o presidente norte-americano estava sendo abençoado... estranho! E estavam todos orando a um único Deus!

Ora, Deus deve ter ficado numa dificuldade: a quem ouvir? Mas Ele, sendo um velho judeu como parece, ouviu a Churchill, que absolutamente não era um homem religioso. Ele não parecia ser religioso, nem inteligente. Se Churchill tivesse sido enviado para o lugar certo, ele teria estado num circo ou num carnaval em algum lugar, vendendo hot-watchdog

[1] ; aquele homem não parecia uma pessoa inteligente.
Assim, todos esses bispos e papas têm de ser excluídos: eles não têm nada a ver com isso. E temos de excluí-los porque vamos desprogramar, e a desprogramação é uma das coisas mais significativas a serem feitas; caso contrário, o mundo não pode ser salvo.

Essas pessoas - sacerdotes, papas, shankaracharyas, imãs... - estiveram fazendo as coisas mais horrorosas no mundo, mas, devido à fachada de religião, vocês os deixaram livres. Se qualquer outra pessoa estivesse fazendo essas coisas, ela iria presa imediatamente.

Assim, os políticos e os sacerdotes têm de ser evitados. Os políticos vão dizer que o que eu estou dizendo é antidemocrático. Não é, porque a democracia não existe em lugar nenhum.

Eu gosto muito da afirmação de H.G.Wells. Alguém lhe perguntou: "O que você pensa sobre democracia?".
Ele disse: "É uma boa idéia.".
O homem espantou-se: "Uma boa idéia?!".
Ele disse: "Sim, ela ainda tem de acontecer."

Ela ainda não aconteceu. Em nome da democracia, outra coisa está em funcionamento.

Enquanto eu estive na Índia, eu pensava que talvez nos Estados Unidos alguma coisa de democracia estivesse acontecendo. Mas, vir para os Estados Unidos foi um tremendo desapontamento. Não há democracia em lugar nenhum - nem nos Estados Unidos, nem na União Soviética, nem em nenhum outro lugar. Trata-se somente de uma palavra que os políticos vivem explorando.

Assim, em primeiro lugar, ela não existe; dessa forma, não existe o problema de eu ser contra a democracia, ser antidemocrático. Não existe nenhuma democracia; assim, como posso ser antidemocrático? O que estou propondo é o caminho certo para mudar toda a estrutura, de modo que um dia a meritocracia possa incorporar a democracia - porque, mais cedo ou mais tarde, todos podem estar instruídos e capacitados. Não estou impedindo ninguém; estou simplesmente dizendo que, neste momento, se dê o poder de governar somente àqueles que estejam habilitados para isso e preparados para isso. Paralelamente continuem preparando as pessoas.

Nós poderemos não estar aqui, isso não importa. Mas dentro de três ou quatro gerações, todo mundo pode passar pelo processo de desprogramação, de meditação e de instrução. Então, todas as pessoas ficam habilitadas - porque, por volta dos vinte e um anos, a maioria das pessoas já dever estar matriculada em curso superior: elas poderão participar da eleição local. Algumas delas já terão se formado: elas poderão participar da eleição do estado. E aos vinte e quatro anos, a maioria já estará formada - e podem participar, então, de todas as eleições. E antes dos trinta, vocês podem estar aptos a concorrer à presidência do país.

Eu não estou pedindo muito, somente dez anos de preparação. E se todo o governo for formado por pessoas meditativas, desprogramadas, sem preconceitos - visualize isso! -, então, a burocracia desaparece, a hierarquia desaparece; então, as coisas que levam anos podem ser efetivadas em segundos.

(...)

Assim, os políticos e os sacerdotes, ambos, têm de ser afastados de seu poder de controle e influência estabelecido há tão longo tempo, e uma espécie totalmente nova de administração tem de ser desenvolvida. É um trabalho difícil, árduo, mas não impossível - principalmente em tal situação, quando a morte é a única alternativa.

[1] Hot-watchdog – Cão de guarda. No Óregon, há uma organização chamada THOUSAND FRIENDS OF OREGON. Esta é uma organização Land Use Watchdog. Eles se tornaram os principais oponentes da comuna de Osho no Óregon o tempo todo. Ocasionalmente, Osho costumava mexer com eles e é isto o que ele está fazendo aqui.

OSHO, From Misery to Enlightenment, # 8, Q 1

A Reconsagração do Falo - parte 2

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Os homens e as mulheres são seres diferentes.

Como dizem, "viva a diferença".

Pelas nossas diferenças podemos ser instigantes, interessantes e nos ampliarmos, nos estimularmos a ir cada vez mais longe.

O primeiro ponto importante é notar que existem energias femininas e masculinas na ETERNIDADE, os Taoístas chamam de Yin e Yang.

Como homens e mulheres somos a personificação dessas energias, mas pode acontecer de um homem ter muita energia Yin e uma mulher ter muita energia Yang.

Organicamente as diferenças são claras.

As mulheres possuem um órgão mágico por excelência, o útero.

Nós homens temos outro caminho para a magia, temos um caminho que se desenvolve em nós por um trabalho diferente do da mulher, diferente não quer dizer antagônico como tantos quiseram fazer crer.

Diferente não é superior nem inferior, é só diferente, homens e mulheres tem nuances muito próprias em seu caminhar pelas trilhas da magia, nuances determinadas pelas diferenças orgânicas que tem.

A mulher menstrua, tem um ciclo lunar claro, gera a vida, portanto seus ciclos de transformação são muito claros e bem marcados.

Uma menina começa a menstruar e isso muda a posição dela no grupo onde vive, agora ela é fértil, depois de ser mãe, claramente muda novamente sua posição no grupo.

Assim os "ritos de passagem" da mulher continuam ainda presentes mesmo em nossa cultura.

Até aquele piegas baile de "debutante" tem seu papel nesse transitar da mulher por suas fases da existência.

Mas nós homens temos outro caminho.

E este caminho foi um pouco perdido na nossa civilização. Por esta razão, a meu ver, é mais fácil alienar um homem de si mesmo e o colocar como "conquistador e mercenário", onde devia viver o guerreiro, fazer de nós o imaturo consumista, preocupado com metas que o fazer servil às grandes corporações que dominam o mundo, as novas companhias "das índias ocidentais e orientais" que mercantilistamente continuam usando o mundo para seus fins, fazendo de pessoas apenas os prolongamentos biológicos de suas engrenagens.

Nós perdemos muitos ritos de passagem em nossa cultura. Hoje quando um garoto começa a entrar numa idade que seus pais ou professores consideram como "sexualmente ativa", recebe orientação sexual baseada no medo da morte, pela contaminação pela SIDA ou uma educação baseada em uma abordagem do sexo que foi dada por igrejas, para as quais a negação do corpo e da sexualidade é tema fundamental, ou uma abordagem tida por cientifica, onde se explica o processo orgânico da sexualidade de forma fria, racional e mecânica.

Mas sabemos que sexualidade é muito mais que uma explicação orgânica e não pode ser contida nem pelo medo da morte, vejam quantas pessoas ainda contaminadas no mundo de hoje, onde todos sabem dos riscos da AIDS, ou seja mais forte que o medo da morte é o desejo sexual, um tema para meditar, ancestral tema Eros e Tanathos.

O caminho fálico é um caminho masculino. Viril, ele é sentido na força do Sol e também da Terra. O primeiro e importante ponto aqui é ressaltar que tanto o Sol, como a Terra são ao mesmo tempo masculinos e femininos. O caminho masculino, o caminho fálico é despertar o poder do Sol e da Terra que existe também em nós. E isto é muito importante de ser compreendido, pois mesmo que a pessoa tenha uma sexualidade não convencional, ainda assim, se tem excalibur entre as virilhas, trilha o caminho fálico.

Aprender a lidar com esse poder é fundamental, somos todos "Arthur", "Arcturus", que precisa resgatar a espada que dorme na pedra para com ela unificar nosso "reino", isto é, nosso interior.

E como Arthur podemos não resolver nosso lado feminino, rejeitando a via do poder da TERRA (Morgana) e se aliando a via do poder que serve o dominador (Guenevere) e rejeitando "Mordred" nossa sombra e filho, deixamos que ela seja forte mas descontrolada e perdemos a força da vida e falhamos em nossa aventura existencial.

O caminho do falo é o caminho do poder masculino, mas o que sabemos do poder masculino?

 Se o poder masculino é a contraparte do poder feminino, a forma profundamente desequilibrada com que tratamos o poder feminino em nosso mundo revela também que nossa abordagem do poder masculino não deve lá estar muito equilibrada e sensata.

Todo extremo é danoso, o equilíbrio é sempre um ponto de síntese entre tese e antítese, isto é demonstrado pela vida, pela realidade a nossa volta, assim os caminhos que estão aí não são caminhos "solares" ou "patriarcais" mas caminhos "pseudo-solares" e "pseudopatriarcais".

Há uma luta entre seres humanos querendo dominar seres humanos e esta é a divisão fundamental na humanidade há já algum tempo, os dominadores e os dominados.

Os que querem dominar, exercer o poder sobre outros, subjugar, escravizar e fazer o mundo, enquanto natureza e enquanto outros seres humanos, servirem a seus caprichos.

Esse caminho é só um dos caminhos possíveis, podemos desenvolver modelos mais harmônicos de existência, onde simbiose e mutualismo podem ser formas mais adequadas de viver que o parasitismo e a ação predadora e degradante que temos hoje como modelo oficial.

Assim o caminho do Falo é um caminho de amplitude e não de limitação; de força, não de "dominação", onde o poder "se manifesta" e não é imposto.

Portanto para entender o caminho do Falo temos que compreender também que o "pseudo patriarcalismo" não é o patriarcalismo, e que as abordagens dentro destes paradigmas dos caminhos solares, são caminhos pseudo-solares, não efetivamente solares.

Quando começamos a sentir nosso falo acordando isto vem aos poucos, em diferentes fases para diferentes pessoas.

Tocar aquela área pode começar até incidentalmente, mas vai ficando cada vez mais evidente que há "algo" diferente que irradia dali.

A masturbação na maioria dos homens é apenas fálica, é o estimular do falo até que um limiar é atingido e então vem a ejaculação, com os disparadores de prazer que estão ligados a ela.

É importante perceber que esta fase é "programada", instintiva.

Masturbar-se, sentir prazer, ter algumas fantasias eróticas, são coisas que apenas tocam de leve a sexualidade e seu poder, são a ponta do iceberg.

Para os fins da Existência importa que um homem se torne sexualmente ativo e gere a continuidade na mulher.

Assim a sexualidade é a função humana mais ligada a estímulos de resposta prazerosa, o que pode torná-la uma verdadeira obsessão para alguns.

Mas a sexualidade pode ser ampliada além dessa função reprodutora, podemos ir além de sermos os "reprodutores" da espécie e ampliarmos nossa expressão sexual.

Assim como a espada tem seu poder não apenas no material que é forjada, mas principalmente no punho que a manobra, também o falo tem seu poder não apenas nessa concepção do ato sexual, mas em toda a realidade existencial de quem faz parte desse falo.

O caminho fálico não se resume ao falo, um homem pleno em sua sexualidade tem a força do falo em sua língua, quer fale, quer a use para explorar o corpo desejado, a boca de quem nos atraí, o corpo é fálico, o olhar, cada gesto, cada ação é profundamente "fecundadora" e "prazerosa".

Nosso corpo é nosso maior templo, como xamã e bruxo só reconheço dois templos de poder inesgotável, o corpo e a natureza, tudo mais é de poder relativo.

Descobrimos o nosso falo quando transformações metabólicas tremendas ocorrem em nosso corpo, por ocasião da puberdade, quando nos tornamos uma "usina de hormônios" que nos despertam sensações até então insuspeitas.

Se partirmos da perspectiva mágica, cada momento em nossas vidas estamos "ressonando" a energias tremendas, como se fôssemos um aparelho de rádio, recebendo diversas estações.

Como ocorre em nossa cultura o despertar da sexualidade?

Na maior parte das vezes esse "jogo" com nosso corpo, acontece para muitos no banheiro, às vezes apenas durante o banho e isto gera uma "pressa", uma certa tensão de que alguém perceba ou interrompa e esta abordagem ainda vem às vezes mais prejudicada por crenças que está "pecando", agindo errado e coisas do gênero que são implantadas pelos caminhos não pagãos.

Nosso corpo é um portal natural, trazemos a este mundo energias diversas, ritualizando reatualizamos o mito e isso nos faz canais dos Deuses e Deusas.

Pã e tantos outros deuses que representam a complexa teia de energias da sexualidade estão quase perdidos hoje. O galhudo é associado ao mal, coloquem uma imagem do galhudo para a maioria das pessoas e elas vão querer te exorcizar, vão ver ali o "mal" e com medo fugirão.

Percebem como é complexo recuperar mesmo o caminho fálico? Pois ele está terrivelmente prejudicado por séculos de condicionamento limitador, onde sexualidade foi associada ao pecado e hoje, com o risco da SIDA acabam usando o medo, agora bem objetivo, como meio de impedir uma abordagem tranqüila e harmônica da sexualidade.

O caminho da sexualidade possui muitas ramificações.

Alguns se limitam a uma exploração solitária de sua sexualidade, por vezes caindo no risco de deixar a fantasia substituir a realidade. Por inseguranças diversas podem limitar a expressão de sua sexualidade ao fantasiar e ao masturbar-se, que são caminhos de iniciação, pontes ao universo da sexualidade, mas não podem ser substitutos de uma sexualidade plena. A quantidade de material sexual como revistas e a Internet faz com que alguns tenham uma rica sexualidade imaginária, virtual e nada de real acontece.

Isto é incompleto e só na "fantasia" nenhum poder real se manifesta.

Alguns se liberam na questão sexual, se assumem seres sexuais e partem para as "caçadas" e "conquistas", expandem a sexualidade além de sua esfera pessoal e conhecem o prazer, o ter e promover prazer e muitos caminhos e faces da sexualidade serão vivenciadas e experimentadas repetidas vezes até que a "persona sexual" isto é nossa forma pessoal de viver a sexualidade se manifeste em nós.

Como em todos nossos talentos, só seremos singulares, isto é, plenos, em nossa sexualidade, se a desenvolvermos e lapidarmos pela prática e pelo auto conhecimento nosso próprio jeito de viver a sexualidade.

Senão seremos apenas "repetidores", seremos caçadores frustrados que vivem em busca de algo que sabem existir mas que nunca atingem na prática.

O prazer pleno exige um nível de dedicação que só quando somos plenamente nós mesmos o atingimos, do contrário este tremendo poder será sempre "intuído" mas não vivenciado como ATO.

Nesse ponto considero o excesso de imagens e apelos sexuais de hoje uma deturpação. Na falta do ATO, fica a imagem, o imaginário. Como em muitos outros campos o ser humano está trocando "viver" pelo simulacro, pela fantasia, tornando-se pouco a pouco uma "pilha" da MATRIX, o sistema que tudo domina para extrair nossa energia apenas para ele.

A fantasia pode ser um acessório numa fase da vida sexual, mas viver na fantasia me parece estar ausente da realidade e onde mais podemos existir como seres mágicos senão na realidade?

Magia é ato, não imaginação, magia é a ação incisiva na realidade, com nossa vontade, causando modificações.

Assim, por definição, ficar só em fantasias é estar fora da realidade, é subparticipar da vida.

Portanto o poder do falo para ser compreendido em toda sua tremenda energia precisa ser trabalhado com amplitude, não nos limites dos condicionamentos que as religiões dogmáticas e as abordagens cientificistas da questão forjaram.

Notem que o momento exato que começamos a ejacular é muito impreciso, temos todo um tempo com um líquido mais ralo que pouco a pouco vai mudando e de repente o grosso esperma é que jorra.

Também a questão do prazer precisa ser muito meditada e compreendida, pois essa tremenda força tem duas naturezas. Num primeiro momento o prazer pelo ato sexual está implantado em nós como uma "garantia" para a sobrevivência da espécie, pois com este tremendo estímulo os seres humanos continuam a perpetuar a espécie e a transmitir adiante uma linguagem, uma mensagem que temos nos genes, que passa através de nós em direção a algum momento no tempo e espaço.

Essa tremenda energia do prazer pode ser trabalhada e muitos caminhos ensinam que ejacular e o orgasmo são coisas distintas, associadas em nós para fins de continuidade da espécie, mas que podem ser trabalhadas de outras formas.

Aí entramos também na questão da forma de manifestar essa sexualidade. As religiões que vieram de povos conquistadores ou povos que desejavam se fortalecer pela multiplicação sempre tiveram severos dogmas contra as posturas homossexuais, quer masculinas quer femininas, porque tais posturas ameaçavam" a continuidade e a expansão". Porém vivemos numa época hoje onde o excesso e não a falta de pessoas é o problema, assim tais preconceitos precisam ser revistos e superados para que cada homem e cada mulher expresse sua sexualidade como sente, como é, sem querer negar-se para servir a modelos por outros implantados.

Na nossa sociedade as pessoas aprendem sobre sexualidade em duas abordagens principais.

Entre amigos e nas aulas "formais" onde professores e professoras falam "cientificamente" sobre sexualidade, já criando um problema muito sério:

A "racionalização do sexo".

Entre amigos há uma abordagem do semiconhecimento, uma mistura de idéias próprias com preconceitos herdados e desta confusão emerge uma abordagem "marginal" da sexualidade.

Assim o tremendo poder do Sexo pode ser confundido e ainda mais se viemos de famílias com formação católica ou similar, podemos ter em nós, enraizadas, concepções tacanhas e tolas sobre sexualidade.

Pois para a formação oficial das pessoas sexo ainda é visto como pecado, por isso é algo meio proibido, algo tabu, algo que se fala pouco e os conservadores e conservadoras de plantão, que estavam assustados e amedrontados porque o mundo não os (as) levava mais a sério, tiveram na Sida um aliado para suas batalhas moralistas, pois agora ameaçam não com o fogo do inferno, mas com a "morte".

O sexo é um poder tremendo, gera a vida, basta dizer isso. E um veículo de expressão dessa energia sexual é o falo.

Por isso no caminho mágico temos que resgatar nosso falo, para que ele seja nossa "excalibur" nossa "vara mágica", para que o poder nele contido não possa ser perdido em "fantasias eróticas", mas REALIZADO, no mágico casamento, primeiro do feminino e do masculino em nós, em nosso interior e depois no Deus e Deusa fora de nós.

O trabalho de transformação de nossa energia sexual é uma das chaves, um dos arcanos mais delicados dos caminhos iniciáticos, porque pessoas bem resolvidas sexualmente têm uma energia tremenda, inquebrantável, portanto não é de admirar que é na frustração e na crise quanto a sexualidade que este sistema dominador que aí está tem uma de suas forças.

Alguns pontos para meditarmos sobre o tema.

Nuvem que passa

A palavra como goécia: uma reflexão

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto. Provérbios 18:21

Será a fofoca o pecado original? Talvez...

Ou será o comentário alheio sobre a história da vida PRIVADA?

Digamos que a fofoca é a assessoria de imprensa das emoções negativas: inveja, vaidade, ira, auto-importância, covardia e medo. Cada um dos membros desta assessoria de imprensa merece um estudo de caso particular, pois cada emoção negativa é um agregado psíquico de um mosaico monstruoso.

Por exemplo, o fofoqueiro é como o cão covarde que ladra furioso quando se está de costas, mas basta encarar-lhe para que saia com o rabo entre as pernas e o olhar cabisbaixo.

Outro exemplo, um caso mítico, a expulsão de Adão e Eva do paraíso não ocorreu devido a uma fofoca feita pela serpente tentadora? Oh! A fofoca é o pecado original... e o mito é a fofoca dos deuses feita pelos homens.

Mas o próprio mosaico hediondo revela a sua essência malsã através do mau uso do verbo, este poder criador da palavra polarizado negativamente e, portanto, destruidor, doentio, virótico e epidêmico.

O carma do mau uso da palavra é evidente por si mesmo, revelando-se como câncer laríngeo, como demandas verbais e mentais que atormentam a atmosfera psíquica de seus criadores, como a instabilidade mental que rouba a paz interior e até a surdez psicológica que apresenta-se como incapacidade de ouvir verdadeiramente, onde esta incapacidade é óbice para a meditação, para o êxtase e para a felicidade.

É sabido que a palavra é usada como feitiço, os seres humanos usam a palavra como feiticeiros e ela é um dom mágico, criador, espiritual e sagrado. A própria palavra, o verbo em si é Deus (quão afastados não estamos deste entendimento?) Mantras, encantamentos, louvores, cantos sagrados são usados devido ao seu poder vibracional para curar, enfeitiçar e movimentar energias específicas.

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. João 1:1

Pode-se dizer que o uso do verbo como fofoca, calúnia e intriga é uma das formas de magia negra mais comuns presente em todos os grupos e níveis sociais.

Já uma das técnicas espirituais mais efetivas divulgadas no século passado são os apelos e decretos do mestre Saint Germain que assenta-se no poder do verbo, da presença interior Eu Sou e no princípio hermético da vibração. Aqui nós temos a magia positiva do Verbo.

São estes Mestres, verdadeiros seres divinos, de pretensos seguidores como nós, que dizem que não devemos julgar, criticar e nem se quer ter opinião, contudo, porém, todavia quem refreia a língua e o pensamento? Quem não tece comentários da vida alheia? Quem não chicoteia a alma do outro usando o poder vibracional do verbo consciente ou inconscientemente? Quem domina o seu diálogo externo e interno?

Vejam, não quero acabar com o facebook, nem impedir a maior parte das conversas estabelecidas no convívio social, mas será que não há uma outra ocupação mais nobre para o uso do verbo tal como o elogio, a oração ou simplesmente o silêncio?

A língua benigna é árvore de vida, mas a perversidade nela deprime o espírito. Provérbios 15:4

A fofoca, a intriga, a maledicência perpassam todas as relações de nossa cultura e está especialmente presente nos grupos religiosos tendo a serpente edênica como santa padroeira ou animal de poder, e que me perdoe a serpente pois isto não lhe faz jus, mas não quero perder o gancho exotérico da associação entre os fofoqueiros e a língua serpentina enganadora.

Senhor, livra a minha alma dos lábios mentirosos e da língua enganadora. Salmos 120:2

Pois no caso da fofoca, que é um tráfico de "drogas" baseado em informações deformadas, o problema está em quem fala e em quem escuta, pois se não há ouvidos penicos não há a língua fofoqueira.

O ímpio atenta para o lábio iníquo, o mentiroso inclina os ouvidos à língua maligna. Provérbios 17:4

Assim, a fofoca num grupo religioso ou espiritual cria uma rachadura, uma fenda, uma fissura no campo energético ou na egrégora por onde entra a negatividade destruindo ou causando prejuízos a uma obra que não foi devidamente firmada na rocha. Ela dissolve amizades, relações, negócios e o seu prejuízo não pode ser estimado facilmente pois o custo é tanto objetivo quanto subjetivo.

A fofoca como arauto da inveja é puro veneno, como expressão da vaidade arroga-se de crítica sabichona, como serva da ira traveste-se ofensas e impropérios, como expressão da hipocrisia faz-se de conselheiro bem intencionado cheio de ardis, pavimentando o caminho do inferno com a embalagem das boas intenções.

A palavra é a essência das religiões pregadoras e proselitistas. Há religiões que se assentam no poder da palavra, são as religiões do livro: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Podemos observar pela História como a palavra serviu a dois senhores: a paz e a guerra. Podemos constatar como em torno da palavra a espada da demanda foi erguida.

Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Mateus 10:34

A palavra é uma espada de dois gumes: de um lado o verbo que abençoa e de outro o que amaldiçoa, o mesmo poder e sua polaridade.

Como temos usado o poder da palavra?

O poder da palavra emana do ser, a palavra de poder deriva do amor.
A palavra, o ser e o amor são a verdadeira trindade comunicadora do divino.

Tenho sido a expressão trina deste poder? Tenho manifestado, criado e fecundado o mundo com este poder criador? Tenho honrado o primeiro compromisso? Tenho sido digno do poder criador do Verbo?

"O primeiro compromisso é o mais importante e também o mais difícil de cumprir. É tão importante que apenas com esse primeiro compromisso você será capaz de transcender ao nível de existência que chamo de céu na Terra".

"O primeiro compromisso é ser impecável com sua palavra".

Leia mais em http://pistasdocaminho.blogspot.com.br/2011/08/os-seres-humanos-usam-palavra-como.html

A Reconsagração do Falo - parte 1

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

As mulheres possuem um órgão mágico por excelência, o útero. Nós homens temos outro caminho para a magia, temos um caminho que se desenvolve em nós por um trabalho diferente do da mulher, diferente não quer dizer antagônico como tantos quiseram fazer crer. E este caminho foi um pouco perdido na nossa civilização...

O caminho do masculino.

É muito importante, no meu entender, que percebamos que o caminho de um homem e uma mulher seja na Wicca, bruxaria tradicional ou outro caminho similar é marcado pelo despertar, pelo trabalhar e pelo fortalecer da Deusa e do Deus no interior e no exterior, isto é, ao mesmo tempo em que fortalecemos o Deus e a Deusa em nós, fortalecemos também suas manifestações efetivas na realidade circundante.

Quando ritualizamos, quando cuidamos da Terra, quando nos tornamos seres conscientes que recebem e transmitem as energias que nos chegam da Eternidade para a Terra e da Terra para a Eternidade, vamos ampliando a manifestação de aspectos mais plenos e sutis da própria ETERNIDADE.

A Wicca, assim como vários caminhos pagãos, tem uma proposta de resgatar o feminino, a Deusa e isto pode confundir algumas pessoas levando a crer que "dá-se menos importância ao masculino", "prega-se uma superioridade do feminino sobre o masculino".

Talvez algumas pessoas até pensem e ajam assim e isto apenas indica que elas, sejam homens ou mulheres, estão presas ainda ao mesmo paradigma que tentamos superar, o paradigma da luta pela superioridade, pela imposição de uma posição sobre outra. Como uma Margareth Thatcher prova não é ser mulher que torna alguém feminina, nem sensível. O poder exercido por muitas mulheres nas empresas que trabalho me mostra isso claramente, elas seguem os modelos de pais e irmãos e tentam muitas vezes esconder sua própria sensibilidade.

Assim temos que começar a entender que existem energias femininas e masculinas na realidade e nós as temos em nós, independente de nosso sexo. Agora quando somos homens somos canais e expressão da energia masculina. Existem homens que canalizam e expressam a energia feminina, podem ser ou não homossexuais, existem mulheres que canalizam e expressam a energia masculina e podem ou não ser homossexuais. Creio que este é o primeiro ponto importante pra gente compreender a questão, existe no interior de cada um de nós um aspecto do Deus e da Deusa. Não foi o Deus que tentou dominar a Deusa, não foi o Deus em nós que gerou esta civilização que estamos. Foi termos sido isolados desses aspectos da eternidade, foi termos deixado de fluir com o Yang e o Yin, de sentir os ciclos da vida, que nos colocou neste estado que estamos.

É importante entender isso nesse ponto, senão caímos em algum tipo esdrúxulo de "guerra dos sexos", onde vamos ficar brigando dentro dos mesmos paradigmas que são justamente a negação de tudo que o paganismo apresenta. Só essa idéia de superioridade, de ser mais importante, de querer ser "mais", "melhor”, tudo isso é claramente a mesma armadilha que chamamos de pseudo patriarcalismo. Porque para começar nosso estudo desse tema é importante notar que o que domina o mundo hoje não são as tradições solares, nem o patriarcalismo. As tradições solares, o patriarcalismo, assim como as tradições matriarcais, da Terra, não precisam se impor uma sobre as outras, se são tradições sabem que a noite não existe sem o dia, o frio tem seu tempo, assim como o calor e para cada amanhecer virá um anoitecer, que por sua vez será prelúdio de um novo amanhecer. O fundamental num caminho mágico é compreender o equilíbrio desses poderes e forças que se manifestam nessa polaridade que o Taoísmo brilhantemente apresenta, Yin e Yang.

O que domina o mundo hoje é um bando de mercantilistas sequiosos de lucro que transformaram tudo e todos em coisas e coisificados fomos condicionados a ser, negando a nós mesmos a condição de seres mágicos e integrados a Vida e a ELA. Os sacerdotes transformados em mercadores de almas, os guerreiros em mercenários, assim temos que notar que da mesma forma que a mulher foi alijada de seus arquétipos e presa numa limitadora visão da Virgem e da "Mãe da semente masculina de um deus masculino", nós homens também perdemos nossos referenciais arquetipais, tendo apenas estereótipos para nos basear.

Assim, caminhos como o Xamanismo e a Wicca pretendem trabalhar para um resgate de uma nova harmonia com a Existência, para um resgate de nossa sintonia com essas forças arquetipais, que para nós não são apenas "forças do inconsciente coletivo" limitadas a uma esfera psicológica, mas forças vivas, atuantes, que surgiram em conjunto com a humanidade, que criaram a humanidade a partir de si mesmas, pois somos partes dos Deuses e Deusas. Temos um caminho a trilhar de volta ao estado de liberdade e realidade perceptiva de nossos ancestrais remotos, há muito tempo estamos presos neste modelo de realidade dominador e explorador, desfocado da sintonia com a natureza e sem nenhuma sensibilidade para o fato de nossa profunda conexão com a Vida.

Somos parte da Teia da vida, tudo que fizemos a ela fazemos a nós mesmos.

E esse caminho começa por voltarmos a nos sensibilizar quanto à realidade da natureza ser uma das faces da DEUSA. Sensibilizar já é algo Dela, porque nossa natureza sensível foi confundida por um racionalismo estéril, que nunca resolveu os problemas fundamentais da humanidade, que está levando o mundo a beira da autodestruição e, ainda assim, se arroga o controle da verdade, vejam o modelo de ciência ainda adotado, onde deveriam dizer: não compreendemos, como no campo dos fenômenos psíquicos, tantos preferem dizer: "não existe". Essa batalha para dominar outros, para reduzir outros a servos de si mesmos, caracteriza o poder dominante, tudo que discorda desse modelo é perseguido e destruído.
Assim temos que entender o contexto onde vivemos estamos numa sociedade muito tacanha, que só se preocupa com consumir e produzir futilidades. Passem por uma banca de revista e vejam quais são as revistas e temas apresentados, dêem uma olhada nos programas que a TV apresenta, o conteúdo de tais programas. Este é o mundo que estamos, este é o "estado de consciência coletiva" no qual estamos imersos. Aqui nos desenvolvemos, homens e mulheres, aqui nascemos, aqui recebemos nossa educação. A qualidade dessa educação recebida nos leva a formarmos nossa visão de mundo e esta visão de mundo determinará nossa percepção da realidade.

O primeiro ponto da magia é que o mundo que percebemos é fruto de uma convenção perceptiva, fomos condicionados a perceber o mundo desta forma, um (a) magista aprende a perceber o mundo a partir de outros referenciais. E então chegamos na questão do masculino e do feminino e dos caminhos que tem para descobrirem a si e se encontrem na vastidão da realidade onde estamos inseridos.
Nuvem que passa

obs: a imagem da sagrada Espada Excalibur veio daqui.

Tempo de Lembrar : o povo encantado

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Pouco se tem falado do povo encantado nestes tempos. Mas o povo encantado está voltando. Não são ufonautas; Não são anjos. Nem fadas, duendes, sílfides ou salamandras; Não são entes que já morreram embora alguns deles tenham vivido aqui entre nós em outros tempos ou mesmo nesse. Isso é de grande interesse, pois outros humanos como nós podem nos dar pistas sutis e importantes para melhor compre-endermos e nos comunicarmos com o Povo Encantado. Ao contrário de outros povos que também passam certas vezes por essa dimensão da realidade o Povo Encantado tem vivo interesse pela Terra e seus ciclos. São muito ligados as árvores e medito como devem estar se sentindo agora que sabem que o ser humano declarou guerra ao mundo das árvores, nossas ancestrais guardiãs contra certos tipos de parasitas que vagam entre os mundos, roubando energia de organismos imaturos.

Fomos educados a ser subservientes. Nietzsche frisa isso falando da moral de escravos que nos regula.

Libertar-se dessa subserviência implica em vencer certos medos e certos pré-conceitos sobre nós mesmos e sobre a realidade a nossa volta. É importante que encaremos o Povo Encantado sem subserviência, do contrário seremos presos em armadilhas sutis de ficarmos eternamente tutelados por seres que apreciam esse tipo de postura, os quais há entre os muitos tipos de seres que compõe o Povo Encantado. A base de toda liberdade de um (a) xamã vem da liberdade perceptiva. Liberdade em perceber, pragmaticamente, a realidade a sua volta de forma que lhe aprouver.

O povo encantado está voltando para este plano da realidade. O que terão visto em sua viagem? Como reagirão ao notar a decadência desse mundo que deixaram há alguns ciclos? O povo encantado está voltando. Mais uma vez, em sua jornada existencial, como povo nômade que é, passa por uma planície que já passou outras vezes. Esta planície da Eternidade que tomamos por realidade única. Os primeiros emissários da tribo mostram-se perplexos frente à irrealidade deste mundo, a destruição, extinção, guerras de dominação e extermínio. Como um organismo surtado em total perda da homeostase a espécie humana neste planeta entrou numa trilha de auto-destruição e agora, com o poderio nuclear, ameaça concretamente, levar todo o Ser Mundo consigo.

São fatos, apenas sensíveis a quem está aqui e agora presente. E como o grau de alienação da grande maioria é tremendo fica apenas o fato sem se tornar ato. O ato de poder que precisamos realizar é tornar efetiva nossa realidade de praticantes do xamanismo. E entre outros atos concretos fica a forte intenção de VER energia, de começar a sentir as coisas em si e não apenas a convenção social descritiva que temos das mesmas. É fundamental isso para que mudemos o SONHAR coletivo do planeta no qual vivemos. Pois o que muitos dos seres que moram em outros mundos, entre eles o povo encantado que por muitos mundos peregrina, pretendem fazer é "acordar" o SER Mundo deste sonho, no qual vivemos. Este sonho que se tornou pesadelo do ser mundo, a idéia que corre pelos mundos outros que coexistem com este, é "acordar" deste fragmento da realidade, tirar a energia, tirar a intenção dessa realidade. Não sei se consigo passar a extensão disso, mas nós, de repente, nos tornaríamos habitantes de um mundo que não mais geraria energia mas tão somente um mundo espectro que se dissolveria sob os ventos da eternidade.

Quando o Grande Sonhador acorda nós nos tornamos meras entidades espectrais, terminando um drama patético de seres aspirantes a Eternidade, condenados a destruição covarde por ideologias dominantes e armas de grande poder manipuladas por poucos. Como xamãs podemos evitar que o Grande Sonhador nos abandone em seu sonhar, podemos intentar sonhar junto com o grande Sonhador um sonho novo, um sonho ponte.

Os da corrente Aesir em nosso meio chamam este sonho de sonho Bifrost, o sonho que une este mundo intermediário de Midgard à Asgard e aos mundos além, ao mundo dos Deuses e Deusas. Este sonho ponte precisa ser realizado e ampliado. Por esta ponte poderemos atravessar para uma condição alternativa da realidade onde o mundo tal qual o conhecemos amadurece para a próxima fase de sua existência em equilíbrio. Há os cultores do Caos, que dizem ser necessário tudo que está acontecendo, que temos de deixar tudo como está. A proposta da Tribo do Arco Íris e dos movimentos a ela coligados, é sutil nisso, sutil pois pretende agir para fortalecer o Ser Terra, já que trilhando o caminho xamânico temos a força da cura como uma de nossas armas.

É sutil isso, não se trata de interferir, é balanceamento, por isso sutil. Lidamos com margens, não com limites ao lidar com esse tipo de fluxo. Não estamos querendo impor o nosso jeito de ser ao mundo. Apenas cuidando para que a homeostase fique em padrões aceitáveis a vida. Por esta razão a base de nosso trabalho é a auto realização. E que conceito sutil é este, que possibilidades ricas em armadilhas vem por detrás dessas palavras.

Auto realização.

Quem vai se realizar?

Um EU nascido do lugar silencioso interior ao qual peregrinaste em caminho consciente?

Ou o conjunto de estilos de reagir, raciocinar e emocionar-se que tens como "eu"?

O que levou a queda de todo o Império Tolteca histórico (o de 4.000 anos atrás aproximadamente) foi justamente a possibilidade de realizar atos de grande poder por parte dos (as) praticantes da ARTE, mas eles(as) usavam tais poderes a partir de seus "eus" indisciplinados e caprichosos. Então receberam recompensas a seus caprichos, receberam confusas informações sobre as assombrosas vastidões que visitavam. Pelo que sabemos grande parte deles está no mundo das cavernas vivas, creio que é o mesmo mundo que o novo nagual chama de mundo dos seres inorgânicos. Minha experiência ali coincide muito com o que o novo nagual relata por isso creio que são o mesmo lugar. Um lugar paralelo a este, contraparte mesmo deste, mas só acessível sob influência dos seres que ali vivem, em complexa relação mutualística com as "cavernas vivas". Tema necessário de ser citado aqui mas que prefiro me abster de alongá-lo para evitar fantasias.

Outros (as) xamãs e povos antigos por aí estão, pela vastidão da Eternidade. De tempos em tempos alguns reaparecem sobre a Terra, há lendas e histórias deturpadas sobre tais eventos. Muito do que a literatura ufológica se apropriou, tendo alguns precipitadamente interpretado como seres de outros mundos, tem relação com estes povos e pessoas que voltam para esta realidade após navegarem por diferentes camadas da vasta cebola onde existimos.

Mas a LIBERDADE é bem mais que a busca do desconhecido. Exige equanimidade, pois há que se buscar aquele momento sutil, entre o aqui e o transcendente e por ele lançar-se, com coragem e desprendimento. A Liberdade exige uma paixão suprema, ao lado de um desprendimento total, paradoxo que só na prática se resolve.

O povo encantado está voltando, está novamente caminhando em nossas ruas, andando em nossos passeios, misturados como se fossem também daqui, mas os que sabem VER , mesmo os que sabem "NOTAR" vão perceber que são alienígenas, que podem nos seus primórdios terem até mesmo brotado deste mundo, mas hoje são entes, seres diferentes , em sua forma de existir que prolonga suas vidas por tempos inconcebíveis a nossa mente, mas ainda assim um dia terá um fim.

Acender as fibras uma a uma como faziam e fazem muitos (as) xamãs tem esse inconveniente, te prende da mesma forma ao mundo fenomenal, mesmo que em outras instâncias de consciência. Os xamãs atuais, que trilham este caminho, descobriram que as fibras devem ser visitadas, isto é o ponto de aglutinação deve ser deslocado para posições distantes e diferentes de onde está, mas sempre voltar para esta condição de percepção que chamam de Consciência intensificada, ou ainda "estar ciente de si" pois tal posição permite a essência percpetiva notar-se enquanto tal, ao invés de ficar diluída no que é percebido.

Ao final da vida libertado o ponto de aglutinação com o auxílio da força do "derrubador" este passa por todas as fibras que um dia foram ativadas, naquele momento que todos tem de ver a vida passando de novo. Mas os (as) xamãs tem uma capacidade de fazer isso subir algumas oitavas e usam desse momento para gerar uma explosão de energia, com o apoio da própria consciência da Terra. Essa explosão de energia é chamada de consciência total e de fato é a fusão da consciência humana com todas as fibras de consciência ambarina do Ser Terra. É a totalidade da consciência de nosso estado de SER.

Onde começamos esse caminho?

Aqui e agora fazendo de cada ato um ato de poder, de cada momento um momento memorável. O povo encantado está voltando e entre eles circulam os mais diferentes tipos, alguns te darão conhecimento pelo simples prazer de dar, outros poderão negociar com tua alma, a escolha é sempre nossa. Quem não se resolveu, quem não está bem aqui e agora, melhor que não se envolva com o povo encantado, como os djins do deserto, os gênios das lâmpadas, alguns (as) deles (as) tem a peculiaridade de atender os pedidos de acordo com o nível mesmo que o pedinte formula sua necessidade. E basta notar o quanto somos inconscientes de nós mesmos a maior parte do tempo, como ficamos muito presos em indolências, vaidades e auto piedades, enfim, em sentimentos que nos minam as forças. E assim, para sanar carências, para sanar inseguranças, para sanar "revoltas " com o mundo, para sanar fraquezas interiores, ao invés de resolverem-se, alguns preferem tomar o poder para exercê-lo de forma a provar algo, a se auto afirmar de alguma forma perante o grupo ao qual está escravizado.

É interessante que poucos notem isso, mas o sistema criou um sistema de senzalas muito inteligente. Com modismos, com carências ampliadas, com crenças em medos e pecados, com rancores, com sensações constantes de frustração, conseguiu criar uma aura de medo e desconfiança que leva a um hipofuncionamento da maior parte dos seres humanos. Aí, tais seres, passam a depender da aprovação de certo grupo que elegem para seus "capatazes". Estar na moda, ter certos símbolos de status e poder passa a ser uma necessidade. E então se comprazem em "se matar" para passar uma "imagem". E sobrevivem em ocupações que lhes escravizam para poder manter tal imagem, para poder manter um carro, um celular, uma roupa, tudo de certas grifes, o que é algo que merecia internação psiquiátrica, sob a ótica do xamanismo.

Uma pessoa que sacrifica o dom da vida para servir a este esquema de imagens está tão fora de seu centro, é tão alienada de sua realidade que pode ser usada como massa de manobra para qualquer processo bem realizado de manipulação grupal. O interessante é que como xamãs guerreiros (as) podemos transformar tudo isso em campo de treino e desenvolvimento de nossas habildades. Por isso é perigoso este tipo de conhecimento, o grau de desprendimento que tais conhecimentos revelam pode gerar a armadilha oposta, aí teremos este conhecimento sendo usado por pessoas que querem justificar sua própria preguiça ou inabilidade em lidar com o mundo tal qual existe. Ora, como querer ir a outros mundos e realidades complexas se nem houve realização efetiva, demonstração de habilidades estratégicas para ser livre e auto-suficiente no aqui e agora?

Assim como tem gente que lê A Erva do Diabo ou "Uma estranha realidade" para ficar justificando sua necessidade de ficar se drogando, tem pessoas que usam de todo saber mais amplo para justificar seus estreitos posicionamentos. Isto é o risco, inquisições e perseguições irracionais não abandonaram o mundo ainda, devemos tomar muito cuidado, há um momento de tensão planetária, os sucessivos alinhamentos planetários, a energia do eclipse, tudo isso está ainda em atividade e começa agora a chegar no campo físico do mundo, depois de ter passado pelos campos mais sutis do planeta. E é neste momento que nós xamãs das mais diversas tradições podemos nos unir para uma dança e um canto, um festejo à Terra e a transformação dessas energias. Urge que façamos isso, que transmutemos com nossas fogueiras, com nossos cantos, com nossas pedras, com nossas ervas, com nossos aliados animais e seres de mundos outros, que juntos transmutemos a energia bruta que está chegando dos astros para o plano desta realidade.

Somos surfistas do Zuvwuia, temos que pegar essa onda que aí vem e nela “dropar” com foco e tenacidade, para que o vibrar de nossa alegria interior transmute as energias intensas que chegam a este plano da realidade. Se criarmos uma rede desse propósito pelo planeta poderemos usar este momento como o primeiro salto consciente rumo a grande transmutação de 2012 (datas aqui só prá dar uma idéia, esse calendário de números é furado, criado para gerar dessincronia). Este é um desafio, nos unirmos ao povo natural para gerarmos uma onda de transmutação nas energias que estão chegando ao planeta resultantes dos grandes alinhamentos vividos recentemente.

Há sempre duas opções ao ser humano:

Viver a história ou sofrer a história.

Nós fazemos essa escolha. Quando deixamos de ser alienados de nós mesmos, quando nos lembramos.

Lembramos que somos mais que o que nos disseram que deveríamos ser.

Quando nos lembramos que somos entes perceptivos.

Percebemos, é um fato, mas o que julgamos perceber é interpretação baseada em convenção imposta.

Podemos ir além disso.

Trabalho é o que não falta neste momento.

Estamos na batalha tão esperada, sutil, constante, onde cada triunfo sobre nossas falsidades interiores é também uma vitória rumo a um mundo equilibrado.

O ciclo termina.

O garoto do Pólen surge com a luz do sol e caminha despertando sua face em meu interior.

É um novo começo, é um novo momento.

Temos um trabalho.

Que só pode ser realizado por quem está presente aqui e agora.

Fugir do mundo em causas arrebatadoras é uma fraqueza bem explorada pelos que precisam que as coisas mudem de uma forma que continuem as mesmas.

A tribo do Arco Íris, o Povo Encantado e outras tradições que partilham desse combate por um novo estado de consciência atuam a partir da irradiação, isto é, que cada ser realize-se plenamente dentro de suas próprias fronteiras.

Aí sim sua ação não será um proselitismo exigindo de outros níveis de realização que "julga" serem os corretos.

Para quem se realizou o trabalho é radiante, a realização transborda e então impregna tudo a sua volta.

São formas completamente diferentes de encarar o trabalho de estar nesse complexo momento da realidade que intentamos aqui, usando mecanismos sutis como este, num mundo já paralelo, onde fótons virtuais correm junto aos fotons efetivos, ampliando os mundos onde esta mensagem chega.

O povo encantado está voltando e urge que recuperemos nosso encanto.
Tão desencantados da vida seguem tantos pelo mundo.
Tão desencantadas da vida seguem tantas pelo mundo.
Encantamentos precisam ser recitados e realizados.
Encantar o instante, o aqui e agora, encantar com a presença.
Então o mundo encantado se mostrará, oculto sutilmente, presente onde sempre esteve, atrás da cortina chamada realidade que colocaram para nos cegar com sua clareza.
E saberemos que nunca caímos, nunca fomos alijados de lugar algum, apenas nos esquecemos.

E agora é tempo de lembrar.

Nuvem que passa

Como obter mais energia? Aja visceralmente, pense com a barriga!

Dentro de nós

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Um homem e uma mulher em busca da verdade precisa saber que esta busca é antes de tudo a busca por ver-se tal como se é. Olhar de frente para si é fundamental. Ser terrivelmente honesto consigo próprio, não mentir para si mesmo, não iludir-se, perceber suas fantasias, projeções e sonhos absurdos.

Neste caminho é preciso saber que isto é impossível por si mesmo. É no contato com os outros e nas circunstâncias da vida que temos o espelho perfeito para nos percebermos. Todas as nossas relações indicam a nossa verdade interior. A qualidade de nossas relações indica o nosso nível de ser.

Se no teu caminho você encontra muitos demônios é por que está no inferno e se está no inferno é por que você mesmo é um demônio. Não crie a fantasia de que você é um anjo em missão de misericórdia, a vaidade fantasia-se de muitas maneiras.

 Se no teu caminho você encontra pessoas que são como anjos então você caminha pelo céu.

Se você encontra em seu caminho anjos e demônios saiba que caminhas no limiar de tua própria alma.

Céu e inferno não são lugares, é apenas um lugar: dentro de você.

 "Mullá Nasrudin sonhou que estava no céu e que tudo a sua volta era muito bonito e fácil. Só encontrava beleza e não precisava fazer esforço para nada, bastava desejar uma coisa - qualquer coisa - e ela aparecia. Nasrudin tinha tudo o que queria e estava super-satisfeito, os milagres aconteciam sempre que desejava. Foi bom demais por algum tempo, até que ele começou a se entediar, deixou de achar graça naquela vida.

Aí resolveu procurar algum problema, qualquer situação que lhe aborrecesse ou até lhe fizesse ficar deprimido, porque já não suportava mais tanta maravilha. Não encontrou nada que lhe perturbasse. Passou a procurar um trabalho para fazer, uma responsabilidade qualquer e não havia nada, porque era perfeito.

No seu sonho Mulla Nasrudin gritou:

- Não agüento mais! Estou cheio de não fazer nada e de ter tudo! Preferiria estar no inferno!

E uma voz lhe respondeu: - E onde é que você pensa que está?

Por isso é que é isso: o céu e o inferno não são localizados geograficamente; mas emocional e psicologicamente. Cada um faz seu céu ou inferno no seu espaço interior. No momento em que você compreender que o céu ou o inferno estão somente dentro de você, poderá mudar inteiramente a sua vida. Enquanto não compreender não haverá transformação."

 F.A.