O que eu não faço para ser notado...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Falar em humildade é muito difícil, é uma qualidade rara, extinta.

Falar em vaidade é muito fácil, por sua vez, é como uma planta luxuriosa, uma praga que dá em todo lugar, erva daninha que enfeita todo o jardim, como erva de passarinho, quer sempre ocupar a copa das árvores e extrair a seiva a custa dos outros.

A humildade seria o oposto da vaidade, mas como ela está praticamente extinta,  pelo menos não conheço ninguém humilde(a vaidade quem sabe me cega), a não ser na terra dos pés juntos, onde todos estão rentes ao chão, menos a Dercy Gonçalves, enterrada em pé, ninguém mais sabe o que é a tal humildade e se alguém sabe não fala, pois teme, talvez, que ela seja logo presa da erva daninha da vaidade, falemos, então, de outro algo raro mas que ainda se vê por aí: a discrição.

Digamos, então, que a vaidade é o oposto da discrição. Não há vaidade discreta, o diabo sempre quer aparecer, devido ao rabo, mas o anjo também, devido as asas. Diabo e anjo são duas faces da mesma vaidade, não? Já viram as imagens pintadas de anjos com cabelos feitos em salão, pele alva e olhos azuis reluzentes com o céu do meio-dia?

Olha, mas mesmo o monge com sua brilhante careca e seus longos mantos manifesta outra vaidade... já dizia Sócrates sobre a vaidade dos supostos renunciantes: Eu vejo a tua vaidade através dos buracos do teu manto!

Quanto paradoxo, quanta dissonância cognitiva, a vaidade escorre aqui, acolá e mais além...

Fica a questão, podemos dizer, em completo paradoxo, que a discrição é a vaidade de quem deseja passar despercebido? É isto um exemplo de uma boa vaidade?

F.A.

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