A Bíblia desenterrada - Livro

domingo, 26 de abril de 2015

Lendo uma jóia rara, interessante estudo arqueológico feito por dois judeus sobre o Antigo Testamento, um livro chamado "E a Bíblia não tinha razão", excelente para rasgar o véu da ilusão e apresentar as histórias da Bíblia (os livros iniciais) dentro do seu contexto real: uma construção cultural e ideológica de uma aristocracia interessada em unificar um povo pela idéia de um só deus, uma só nação, um só rei.

Download do livro AQUI.

Israel Finkelstein, autor de importantes estudos no campo da arqueologia da Palestina, foi o Diretor do Instituto de Arqueologia Sonia e Marco Nadler da Universidade de Tel Aviv, Israel, de 1996 a 2002, e co-diretor das escavações de Tel Meguido. Atualmente, 2005, é o titular da Cátedra Jacob M. Alkow de Arqueologia de Israel nas Idades do Bronze e do Ferro da mesma Universidade, e acaba de ganhar o prêmio Dan David. Neil Asher Silberman foi Diretor de Interpretação Histórica do "Ename Center for Public Archaeology and Heritage Presentation", na Bélgica e atualmente [2011] é Professor do Departamento de Antropologia da Universidade de Massachusetts- Amherst, nos Estados Unidos.

Este envolvente livro, A Bíblia Desenterrada: Uma Nova Visão Arqueológica do Antigo Israel e da Origem de seus Textos Sagrados (no Brasil: A Bíblia Não Tinha Razão, São Paulo, A Girafa, 2003), contém 12 capítulos agrupados em três partes, um epílogo, 7 apêndices - que retomam e aprofundam temas tratados ao longo do texto - uma bibliografia, um índice de nomes e lugares, além dos tradicionais prólogo e introdução. Donos de prosa refinada, os autores tomam cuidadosamente o leitor pela mão e o conduzem em aventura fascinante através do mundo do Antigo Israel.

Um pouco do livro...


O mundo no qual a Bíblia foi criada não era um reino mítico de grandes cidades e heróis santificados, mas um pequeno reino, simples, onde as pessoas lutavam por seu futuro, contra os medos, compreensivelmente humanos, da guerra, da pobreza, da injustiça, das doenças, da fome e da seca. A saga histórica contida na Bíblia – do encontro de Abraão com Deus e sua jornada para Canãa à libertação da escravidão dos filhos de Israel por Moisés, à ascensão e queda dos reinos de Israel e Judá – não foi uma revelação miraculosa, mas um inteligente produto da imaginação humana; sua concepção teve início – como os recentes achados arqueológicos sugerem – durante o breve espaço de tempo de duas ou três gerações, há cerca de 2.600 anos. O local de nascimento do reino de Judá, região pouco povoada por pastores e fazendeiros, assentada de forma precária no meio de uma terra montanhosa, sobre estreito espinhaço, entre ravinas escarpadas e rochosas e governada por uma cidade real afastada.

Durante poucas décadas notáveis de efervescência espiritual e agitação política, perto do final do VII a.C., uma improvável coalização de oficiais da corte de Judá – escribas, sacerdotes, camponeses e profetas – se formou para criar um movimento. No seu âmago estava uma escritura sagrada de incomparável gênio literário e espiritual: era uma saga épica, composta por surpreendente coleção de escritos históricos, memórias, lendas, contos folclóricos e historietas, propaganda real, profecia e poesia antiga. Uma parte dela era composição original e a outra, adaptação de fontes e versões antigas, mas aquela obra-prima literária passaria por nova edição e elaboração, a fim de tornar-se uma âncora espiritual não apenas para os descendentes do povo de Judá, mas para as comunidades do mundo inteiro.

Nenhum comentário: