A essência da sabedoria

domingo, 21 de junho de 2015

Quando o grande místico sufi Hasan estava morrendo, alguém lhe perguntou:

"Hasan, quem foi seu mestre?".

Ele respondeu: "Tive milhares deles. Se apenas enumerasse seus nomes, levaria meses, anos, e agora é tarde demais. Mas certamente lhe contarei sobre três Mestres.

"Um deles foi um ladrão. Uma vez me perdi no deserto, e quando cheguei a uma aldeia já era muito tarde, tudo estava fechado. Mas finalmente encontrei um homem, que tentava fazer um buraco na parede de uma casa. Perguntei-lhe onde poderia ficar, e ele respondeu: " A esta hora da noite será difícil, mas pode ficar comigo se for capaz de ficar com um ladrão!".

"E o homem era tão harmonioso - fiquei por um mês! E toda noite ele dizia: "Estou indo agora a meu trabalho. Vá descansar e rezar." E quando ele voltava, eu lhe perguntava: "Conseguiu algo?, e ele respondia: "Esta noite não. Mas amanhã tentarei novamente, e se Deus quiser..." Ele nunca se desesperava, e estava sempre feliz.

"Quando eu meditava e meditava por anos a fio, e nada me acontecia, muitas vezes havia momentos em que ficava tão desesperado, tão sem esperanças, que pensava em parar com toda aquela bobagem. E de repente me lembrava do ladrão que toda noite dizia: "Se Deus quiser, amanhã vai acontecer".

"E meu segundo mestre foi um cachorro. Eu me dirigia a um rio, sedento, e um cachorro apareceu, também com sede. Olhou para o rio, vendo lá outro cachorro - sua própria imagem - ficou com medo. Ele latia e se afastava correndo, mas sua sede era tamanha que acabava voltando. Finalmente, apesar do medo, simplesmente pulou na água, e a imagem desapareceu. E eu sabia que aquela era uma mensagem de Deus para mim: devemos dar o salto, apesar de nossos receios.

"E o terceiro Mestre foi uma pequena criança. Cheguei numa cidade, e uma criança estava carregando uma vela acesa. Ela se dirigia à mesquita, para lá depositar a vela.

"Apenas por brincadeira, perguntei ao menino :"Você mesmo acendeu a vela? Ele respondeu: "Sim, senhor". E continuei: " Houve um momento em que a vela esteve apagada, depois houve outro em que ela acendeu. Você pode me mostrar a fonte da qual a luz veio?".

"E o menino riu, assoprou a vela, e disse: Agora você viu a luz indo. Para onde ela foi? Diga-me!

"Meu ego e todo o meu conhecimento ficaram despedaçados. E naquele momento senti minha própria estupidez. Desde então abandonei toda a minha erudição".

É verdade que não tive Mestre. Mas isso não significa que não fui discípulo - aceitei toda a existência como minha Mestra. Meu discipulado foi um envolvimento maior que o seu. Confiei nas nuvens, nas árvores...na existência como tal. Não tive Mestre porque tive milhares deles – aprendi de todas as fontes possíveis.

Ser discípulo é uma necessidade absoluta no caminho. O que significa ser discípulo? Significa ser capaz de aprender, estar disposto a aprender, ser vulnerável à existência. Com um Mestre você começa aprendendo a aprender...e muito lentamente você entra em sintonia e percebe que, da mesma maneira, pode entrar em sintonia com toda a existência. O Mestre é uma piscina onde você pode aprender a nadar. E quando aprende, todos os oceanos são seus.

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