Deus no banco dos réus - filme

sexta-feira, 19 de junho de 2015

A questão religiosa está na pauta do dia por causa da política. O fundamentalismo evangélico tomou posse do Congresso Nacional com demonstrações que violam o Estado de Direito em nome de uma fé específica. A pergunta que nos cabe fazer é:

Qual a ideologia que ampara tal fundamentalismo? Ela se encontra na Bíblia, em interpretações específicas e na natureza do deus bíblico indicada no Antigo Testamento, pois é sabido que o discurso fundamentalista evangélico se ampara mais no antigo do que no novo testamento.

Se entendermos a natureza do deus bíblico do a.t., Javé, se conhecermos sua história mítica, se entendermos que se trata de um deus tribal, e não o verdadeiro deus (dentro de uma visão religiosa), mas uma divindade menor que por questões de diversas naturezas usurpou a condição de verdadeiro deus, veremos também que todo o evangelismo fundamentalista que hoje ocupa o Congresso é de natureza usurpadora, violenta e falsa, desejosa apenas de uma coisa: impor o seu ponto de vista e isto é a essência do autoritarismo, portanto, vemos um golpe disfarçado, o golpe político dos saduceus e fariseus, que possuem um projeto de poder que tem por objetivo dar fim à diversidade de opiniões, visões, opções e religiões em nome de um deus que é um muito questionável como mostra o excelente filme Deus no Banco dos Réus:




                                          

"No campo de concentração nazista de Auschwitz, um grupo de judeus coloca Deus no banco dos réus, sob a acusação de romper sua aliança com o povo judeu. Excerto do filme "God on Trial", da BBC escocesa".

A natureza de deus revelando a natureza do homem e a natureza do homem revelando a si mesma num filme que questiona a mais arraigada crença da cultura judaico-cristã: deus.

Este é um filme excelente! No estilo de 12 homens e uma sentença! O que muda é a natureza do réu. Judeus prestes a serem assassinados num campo de concentração alemão, em plena 2ª guerra mundial, colocam o seu deus em questão, por descumprimento do contrato com aquele que é tido como o povo escolhido. Colocar deus em questão é colocar a justiça divina em xeque e o filme é brilhante neste sentido, com diálogos primorosos, argumentações bem embasadas e um desfecho inesperado.

Não é um filme para quem tem crenças arraigadas ou profundo apego religioso. É um filme profundamente humano, onde na verdade quem está em questão não é deus, mas o homem e suas crenças, sua ideologia, sua visão de mundo diante dos fatos. Imperdível este filme!

Uma observação importante. A palavra deus como usada no contexto da cultura religiosa judaico-cristã é apenas um conceito, uma crença, devidamente estruturada através de um processo histórico que começa dentro de um culto tribal. A palavra portanto não pode expressar Aquilo que é por sua própria natureza indescritível. É como dissem os taoístas:

O Tao que pode ser pronunciado não é o verdadeiro Tao.


Um comentário:

Joao Franco disse...

Não gosto da ideia do ´´Deus tribal''. A Biblia simplesmente é uma compilação do pensamento humano e religioso. Grande parte foi escrito após a vinda da Babilónia.
Não há ali , fora os ditos profetas nada de muito esoterico. Todos os anos vemos maluquinhos a matarem pessoas por crenças loucas.

Deus manifesta-se no mesmo espaço de sempre - O coração. Mas o coração não fala, apenas a mente que poluida polui a mensagem que recebeu.

Um bem haja