Da Decisão

terça-feira, 14 de julho de 2015

Decisão. Momento de decisão. Uma tensão paira no ar. Escolha. Escolher entre um caminho ou outro, entre uma profissão ou outra, entre um amor ou outro, entre uma carreira ou outra, entre ficar sozinho ou não. Escolha. Eleição. Opção. Momento de encruzilhada onde nos perguntamos por qual caminho seguir. Qual será o melhor caminho? Esse momento de encruzilhada é um momento de paradoxo, de questionamento, de dúvida.

Escolher alguma coisa é renunciar a outra.

Você ganha algo e perde algo ao mesmo tempo. A vitória e a derrota se encontram de alguma maneira. Não se pode ganhar sempre. Não se pode perder sempre. Sempre estamos ganhando e/ou perdendo. Por isso as vezes é tão difícil escolher, algo será perdido, a segurança do passado mesmo que sofrido. Algo será ganho, mas a incerteza do futuro pode ser um sofrimento que se antecipa, uma ansiedade do que está por vir.

Talvez a escolha sábia surja da seguinte pergunta: como eliminar o sofrimento? O problema com que Buda se deparou: a questão do sofrimento.

Porque parece que independente da escolha o sofrimento está presente de diferentes formas, e de uma tal forma que alguns optam pela não opção, por não escolher.

Mas não escolher ou não ter a capacidade de decidir também é uma forma de escolha. Uma forma de escolha muito estranha, que traz a marca da indecisão, da espera ou da omissão.

Não decidir é apenas permitir que as decisões passadas cumpram o seu efeito de inércia.

As vezes uma pausa é necessária, um momento de espera é necessário onde aguardamos um sinal ou uma oportunidade, mas não se pode esperar sempre, a decisão de agir se apresentará em função do sinal ou da oportunidade.

De uma forma ou de outra escolhemos, mesmo quando ficamos em cima do muro e quando o muro por ventura cair, cairemos juntos. Não escolher é escolher ser um com o muro. Estático, parado, rígido, imobilizado por tensões que se opõem, mas que acabam por se desequilibrarem. Ao não escolher, escolhemos ser o muro. A divisão, a fronteira entre possibilidades, uma condição que a própria vida acabará por deitar ao chão.

"A maneira mais eficaz de se viver é como um guerreiro. Um guerreiro pode se preocupar e pensar antes de tomar uma decisão, mas uma vez que a tomou, segue seu caminho, livre de preocupações ou pensamentos; haverá mil outras decisões ainda à sua espera. Esta é a maneira do guerreiro" - Roda do Tempo, Carlos Castaneda.

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