Fênix

domingo, 4 de outubro de 2015








De mim só vêem a luz, mas em mim contemplo apenas a escuridão. Sou semente,  o fruto e a flor, em direção ao sol e ao solo cresço, floresço e enraizo, abraço o mundo por inteiro. Assim o céu e o inferno tornam-se um só em mim. Mas só revelo a luz e me fundamento nas trevas, todos vêem em mim a luz de São Miguel, mas sou também o fogo do Dragão, assim sou a brasa e as cinzas, fênix que renasce de si mesma, pois tudo é chama que incendeia, queima, apaga e renasce de si. Uma única chama faz arder o mundo inteiro: Cristo assim disse no Evangelho Gnóstico de Tomé: - Eu lancei fogo sobre a terra – e eis que o vigio até que arda.

F.A.

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A fênix, o mais belo de todos os animais fabulosos, simbolizava a esperança de a continuidade da vida após a morte, a reencarnação. Revestida de penas vermelhas e douradas, as cores do sol nascente, possuía uma voz melodiosa que se tornava triste quando a morte se aproximava. A impressão que a sua beleza e tristeza causavam em outros animais chegava a provocar a morte destes últimos.

Segundo a lenda, apenas uma fênix poderia viver de cada vez em uma região, pois era a rainha de todos os animais para os habitantes da Europa e do Oriente Médio, apesar de ninguém nunca tê-la visto, somente reinando em boatos.

Hesíodo, poeta grego do século oitavo antes de Cristo, afirmou que esta ave vivia nove vezes o tempo de existência do corvo, que já tem uma vida longa; portanto, uma fênix viveria, em média, 500 anos. Outros cálculos de contemporâneos de Hesíodo apontam que essa ave especial vivia por até 97 mil anos, entre uma ressurreição e outra.

Diz a lenda que quando a ave sentia a morte aproximar-se, construía uma pira de ramos de árvore de canela, em cujas chamas morria queimada. Mas das cinzas de aroma agradável erguia-se, então, uma nova fênix que colocava piedosamente os restos da anterior em um ovo de mirra e voava com ele rumo à cidade egípcia de Heliópolis, onde o colocava no altar dedicado ao Sol.

No Oriente Médio, acreditava-se que a mirra e o incenso fossem restos mortais de fênix recolhidos em recantos dos oásis do deserto. Na Europa, dizia-se que essas cinzas tinham o poder de ressuscitar um morto. O tresloucado imperador romano Heliogábalo, por volta de 220 a.C., decidiu comer carne de fênix para conseguir a tão sonhada imortalidade. Seus serviçais serviram-lhe faisão, uma vez que, por questões mais do que óbvias, não encontraram uma fênix para ser caçada e cozida. O governante acreditou no que havia comido, mesmo assim foi assassinado dois anos mais tarde.

Atualmente, etnólogos e folcloristas acreditam que a lenda tenha surgido no Egito e adotada pelos sacerdotes adoradores do sol de Heliópolis como uma alegoria da morte e renascimento diários do astro-rei e do faraó. Na cristandade primitiva, a fênix chegou a ser simbolizada como a ave de Jesus, por causa da Sua ressurreição no tempo de Páscoa.

Curiosamente, o seu nome pode dever-se a um equívoco de Heródoto, historiador grego do quinto século antes de Cristo, considerado “o pai da história”. Na sua descrição da ave, ele pode tê-la erradamente designado por fênix (“phoenix”) a palmeira (“foienix”, em grego) sobre a qual a ave era nessa época habitualmente representada.

*** http://fatoefarsa.blogspot.com.br/2012/09/fenix-historia-de-um-mito-mais-do-que.html

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