O Homem da Terra - Filme

domingo, 31 de maio de 2015

O filme conta a história de um "desafiante da morte", um homem que tem milhares de anos e que a cada 30 anos desfaz-se de sua história pessoal para poder continuar vivendo. Numa conversa com amigos de formação intelectual avançada ele resolve contar o seu segredo, a sua condição de imortalidade, produzindo uma série de conflitos e questionamentos em seus ouvintes.

http://cinemanotebook.blogspot.com/2007/12/man-from-earth-2007.html

Uma festa de despedida ao professor John Oldman - e nunca um apelido descreveu tão bem o seu possuidor - muda inexplicavelmente de intento quando este decide contar aos seus amigos que tem... 14 mil anos. Dando ordem a uma larga e extensa discussão científica entre alguns dos mais conceituados professores da Universidade em que leccionava, todo o tipo de dogmas, desde dos religiosos aos científicos, são colocados sobre suspeita, num ambiente céptico e pirrónico que irá provocar algumas crispações. Baseado na última obra de uma dos mais aclamados escritores de ficção científica, Jerome Bixby, "The Man from Earth" é, mais do que um bom filme, uma grande lição sobre a história do nosso planeta.

Envolto num vulgar e ingénuo cenário, interpretado por um elenco não mais do que competente, produzido com um orçamento extremamente limitado... mas proprietário de um argumento fabuloso, mesmo que utópico, "The Man from Earth" - filme que ganhou fama devido à permissão pública do seu produtor para que qualquer cinéfilo fizesse o seu download da Internet, de forma livre - é um daqueles pequenos tesourinhos independentes que ocasionalmente aparecem na indústria e que se transformam rapidamente numa obra de culto, conquistando de forma arrebatadora milhares e milhares de admiradores. Isto porque, e como diz o povo, a mestria está na simplicidade e "The Man from Earth" - neste momento arrepiei-me com uma possível tradução lusa ao título - conquista e prende o espectador sem grandes artimanhas ou qualquer efeito especial de pós-produção. Tal como se de uma peça de teatro se tratasse. A prova de que por vezes basta uma cuidada narrativa, dois bons actores como John Billingsley e David Lee Smith e uma realização segura, para moldar um filme hábil e completo.


A fonte da visão

terça-feira, 26 de maio de 2015

O que vemos não pode ter mais poder do que aquilo que nos faz ver.

O que nos faz ver é a própria fonte da visão.

Então mesmo que vejamos o próprio "deus" o que me faz ver ainda assim é mais poderoso.

Toda a beleza do mundo que podemos ver decorre da beleza daquilo que nos faz ver.

O que vê a beleza é a própria formosura em si.

Algo tão simples como isso é tão difícil de entender, pois todo o nosso poder foi projetado para fora de nós e deu origem a religião, a cultura, a paixão e a toda a criação.

Estudar por si próprio

Ler a Bíblia é muito importante já que é um livro fundamental de nossa cultura, apenas ler, estudar por si próprio. Ler a Bíblia é revelador. Apocalipse significa revelação. Ler a Bíblia é, portanto, apocalíptico.

Normalmente a leitura de tal livro é seletiva e sujeita a interpretação tornando-a uma verdadeira babel, considerem que existem mais de 30 mil seitas em torno deste livro, por isto o estudo próprio é fundamental para identificar a verdadeira natureza desta coleção de livros que é a Bíblia.

O controle e a lavagem mental feita pelo sistema de crenças ainda assim poderá impedir que a revelação aconteça.

2 Reis 2:23-25
Então subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns meninos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo; sobe, calvo!
E, virando-se ele para trás, os viu, e os amaldiçoou no nome do Senhor; então duas ursas saíram do bosque, e despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.
E dali foi para o monte Carmelo de onde voltou para Samaria.

Toda planta que nasce no jardim é uma mensagem da Natureza para nós

sábado, 23 de maio de 2015

Dica de Saúde

Toda planta que nasce no jardim é uma mensagem da Natureza para nós.

http://www.significados.com.br/flor-dente-de-leao/

A flor Dente-de-leão possui o significado de liberdade, otimismo, esperança e luz espiritual.

Para os cristãos da Idade Média, a flor Dente-de-leão estava associada a Cristo e à Virgem Maria, possivelmente pelo formato da flor e pela cor amarelo-brilhante que lembra os raios de sol.

O nome pelo qual a planta Dente-de-leão é popularmente conhecida parece ter origem na aparência da planta: as suas folhas são muito dentadas e as suas flores amarelas parecem com a juba de um leão.

Em determinada fase, quando a flor é soprada ela se desfaz com facilidade. As sementes são levadas pelo vento, se espalham e, no período certo, florescem novamente.

Devido a essa característica é também conhecida pelo nome "esperança". A frase "abre as janelas e deixa a esperança entrar na tua casa trazida pelo vento da tarde" é uma referência ao Dente-de-leão.

Há quem diga que ao soprar uma pétala da flor deve-se fazer um pedido sobre o amor ambicionado. Se o vento trouxer de volta a pétala é sinal de que o desejo será brevemente realizado.

A planta Dente-de-leão pode ser encontrada com mais facilidade em locais úmidos e é apreciada popularmente pelos seus efeitos medicinais. O chá favorece a digestão e alivia a prisão-de-ventre. É utilizado para purificar o sangue, estimular o apetite e no tratamento de problemas de fígado e vesícula.

O Dente-de-leão pertence ao gênero de plantas "Taraxacum" palavra que deriva do árabe, "tarakshaqum", que significa erva amarga. O nome "dente-de-leão" é de origem francesa e foi atribuído pelo povo Normando. Em Francês, "dent-de-lion" tem pronúncia semelhante a "dandelion", nome pelo qual é designada em Inglês.

Outros nomes pelos quais é conhecida são: Amargosa, Amor-de-homem, Chicória Silvestre, Taraxaco.

O Dente-de-leão também pode ser utilizado como alimento. As suas folhas tenras têm forte valor nutritivo e por isso combinam muito bem com saladas. Os botões das flores são comestíveis e podem ser cozinhados de forma semelhante à alcaparra.

Quando as plantas têm 2 ou 3 anos, as suas raízes depois de secas, moídas e tostadas substituem o café, uma característica também verificada na chicória. Esta bebida beneficia o fígado e vesícula, aumenta a vitalidade e melhora a concentração mental. As flores são muitas vezes usadas na produção de vinho e de outras bebidas alcoólicas fortes.

Desapegando das experiências espirituais

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Pare de se agarrar aos momentos de pico e abra-se para a verdadeira compreensão.

Experiências e Compreensões Espirituais

Haverão todo tipo de experiências no caminho espiritual. Períodos positivos de desenvolvimento—aqueles que são encorajadores e reconfortantes—são uma parte importante do processo. É importante compreender, entretanto, que até mesmo experiências positivas irão flutuar. Nós raramente, ou nunca, percebemos um desenvolvimento estável delas, precisamente porque as experiências são inconstantes por natureza. Desfrutar de uma série de boas experiências não garante que elas continuarão indefinidamente; elas podem cessar de súbito. Ainda assim, elas permanecem com uma parte importante da prática espiritual, pois elas ajudam a manter a nossa motivação para continuar praticando.

O modo o qual essas experiências surgem também varia enormemente. Você pode ter algumas experiências incrivelmente comoventes, algo como um despertar espiritual que parece surgir do nada. Na verdade, essas experiências realmente não surgem do nada; condições psíquicas sempre as precederão, embora pareçam independentes  para nossa experiência consciente. Elas também podem desaparecer tão rapidamente como aparecem. Em outras ocasiões, certas experiências vão crescer ao longo de um período de tempo, atingirão o pico, e então gradualmente desaparecerão novamente.

Como praticantes espirituais, somos instruídos a não atribuir demasiada importância a estas experiências. O conselho é resistir à tentação de se fixar sobre as próprias experiências. Elas vêm e vão. É necessário abrir mão delas, ou a mente irá simplesmente se fechar e se fixar na experiência, deixando pouco ou nenhum espaço para novas experiências a surgirem. Isto porque a sua fixação incentivará preocupações e dúvidas que surgem na mente e interferirão com o processo de desenvolvimento. Se não houver fixação envolvida no processo, experiências espirituais positivas irão começar a levá-lo para compreensões espirituais.

No Budismo, podemos distinguir entre experiências espirituais e compreensões espirituais. As experiências espirituais são geralmente mais vivas e intensas do que as compreensões, porque eles são geralmente acompanhadas por mudanças fisiológicas e psicológicas. Compreensões, por outro lado, podem ser sentidas, mas sua experiência é menos pronunciada. Compreensão é sobre a aquisição de insight. Portanto, enquanto compreensões surgem de nossas experiências espirituais, elas não são idênticas. Compreensões espirituais são consideradas muito mais importantes, porque elas não podem flutuar.

A distinção entre experiências e compreensões espirituais é continuamente enfatizada no pensamento budista. Se evitarmos excessivamente fixar-se em nossas experiências, estaremos sob menos stress em nossa prática. Sem esse esforço, seremos mais capazes de lidar com qualquer coisa que surja, a possibilidade de sofrer de distúrbios psíquicos será bastante reduzida, e iremos notar uma mudança significativa na textura fundamental da nossa experiência.

Há muitos relatos na literatura budista tibetana de como podem surgir perturbações espirituais, mas tudo aponta para a fixação em experiências como a causa. Fixação em nossas experiências é visto como uma outra variação de fixação no self.

No contexto geral da jornada espiritual, é importante lembrar que a auto-transformação é um processo contínuo, não um evento único. Não se pode dizer, “Eu costumava ser uma pessoa não espiritual, mas agora eu fui transformado em uma pessoa espiritual. Meu velho homem está morto.” Estamos constantemente sendo transformado quando viajamos no caminho. Embora possamos ser a mesma pessoa em um nível, em outro nível que somos diferentes. Há sempre continuidade, e ainda em cada grande momento decisivo na jornada nós nos tornamos transformados porque abandonamos certos hábitos. A jornada espiritual é dinâmica e tende sempre para a frente, porque não estamos a fixar-se nas coisas.

Desapegando-se

A jornada espiritual, então, é uma jornada de desprendimento, um processo de aprender a desapegar. Todos os nossos problemas, misérias, e infelicidades são causados pela fixação—prendendo-nos em coisas e não sendo capazes de libera-las. Primeiro temos que nós desprender de coisas materiais. Isso não significa, necessariamente, descartar todas as nossas posses materiais, mas isso implica que não devemos olhar para as coisas materiais atrás da felicidade duradoura. Normalmente, a nossa posição na vida, nossa família, nossa posição na comunidade, e assim por diante, são percebidos como a fonte de nossa felicidade. Esta perspectiva tem de ser invertida, de acordo com os ensinamentos espirituais, abrindo mão de nossa fixação em coisas materiais.

Abrir mão da fixação é efetivamente um processo de aprender a ser livre, porque cada vez que deixamos algo ir, ficamos livres dele. O que quer que nós fixamos irá nos limitar porque a fixação nos torna dependentes de algo além de nós mesmos. Cada vez que abrimos mão de algo, nós experimentamos um outro nível de liberdade.

Eventualmente, a fim de sermos totalmente livres, aprendemos a abrir mão dos conceitos. Em última análise, precisamos abandonar nossa fixação na reificação de conceitos, de as coisas serem “isto” ou “aquilo”. Pensar nisso e naquilo nós prende a um modo particular de experimentar as coisas. Mesmo experiências espirituais não serão dadas como completas, espontâneas, sem intermédios, enquanto o tipo mais sutil de distinção conceitual estiver presente. A experiência ainda vai ser mediada, adulterada, e manchada por todos os tipos de conteúdo psíquico quando fazemos discriminações. Portanto, ele permanecerá sempre impossível de ser verdadeiramente livre.

O passo final no processo de desapego é abandonar a ideia de que a corrupção material e de liberdade espiritual são inequivocamente opostos um ao outro e que nós temos que abrir mão do primeiro para alcançar o último. Enquanto isso é uma distinção importante a observar no início da jornada espiritual, temos que superar essa dualidade. Temos que transcender tanto a sedução do prazer samsárico (N.T. Samsara, do sânscrito-devanagari: संसार: , perambulação; pode ser descrito como o fluxo incessante de renascimentos através dos mundos)—que acaba por ser tão ilusória—e a sedução de nosso objetivo espiritual que parece estar oferecendo a felicidade eterna. Uma vez que a atração entre estes dois polos esteja harmonizada e transcendida, estamos prontos para voltar para casa.

O desfrute do Caminho Espiritual

O objetivo final da jornada espiritual é compreender a união de sua mente e realidade final. Você descobre finalmente não apenas que você está na realidade, mas que você também incorpora essa realidade. Seu corpo comum torna-se o corpo de um buda (N.T. refere-se a palavra em sânscrito que significa “O  Desperto” “O Iluminado”,e não propriamente a figura histórica, Siddharta Gautama, conhecido como O Buda), o seu discurso comum torna-se o discurso de um buda, e sua mente comum torna-se a mente de um buda. Esta é a grande transição que você tem que fazer, abandonando a sua fixação sobre a separação dos seres samsáricos e budas. Quando podemos falar sobre eles como sendo essencialmente os mesmos, quando essa transformação real ocorre dentro de um indivíduo, é verdadeiramente um grande acontecimento. É notável porque um ser comum, confuso, ainda mantém a preexistência contínua entre um ser comum e um ser iluminado, no sentido de que o que você se torna é o que você sempre foi. No final da jornada, você está simplesmente voltando para casa.

No entanto, a jornada em si era absolutamente necessária. Era necessário deixar o seu ambiente familiar e se aventurar através de vários testes e atribulações. Era necessário lidar com muitas coisas inesperadas, lutar com os suas forças demoníacas interiores. Era necessário seguir através da luta espiritual e se envolver em disciplinas vigorosas. A batalha espiritual é valiosa para a purificação da mente. Sua mente tem de purificar-se dos delírios e emoções conflitantes que são o produto de seu karma, o produto dos pensamentos e ações negativas que se acumularam em seu fluxo mental durante um longo período de tempo.

Depois de um ponto, no entanto, você tem que se afastar dessa luta. Conforme o progresso é feito no caminho, as qualidades positivas exigidas para um maior avanço se tornarão parte de você, e você vai gradualmente aprender a assimilar e se tornar essas qualidades positivas, ao invés de considerá-las como algo a ser atingido e possuído. Assim, após o foco inicial em aprender a substituir vícios com virtudes, devemos aprender a desapegarmos de nossa fixação em virtudes. Temos de parar de pensar em acumular virtudes, qualidades espirituais, experiências e compreensões como se fossem uma forma de riqueza. Nós não necessitamos de riqueza espiritual; Além disso, a riqueza espiritual só pode ser acumulada pela não fixação. Todas as fixações só levam a todos os tipos de problemas—inveja, possessividade, e egoísmo, por exemplo. É então que nós realmente extraviamos e desviamos do caminho espiritual.

Conforme nossas qualidades virtuosas de amor, compaixão, alegria, coragem, determinação, resolução, mindfulness, consciência e sabedoria desenvolvem-se, nós progredimos ao longo do caminho. Em algum momento, nós temos que realizar um ato final de desapego, que é deixar de reificar todos os conceitos. Mesmo os conceitos de virtude e vício, redenção, karma, e libertação tem que ser abandonados. A título de ilustração, eu gostaria de compartilhar uma história da tradição Zen.

Não é incomum para os alunos de meditação Zen manter-se em contato regular com os seus professores relativo ao seu progresso espiritual. Nesta história particular, um estudante Zen tem uma propensão para a escrever mensalmente para seu professor mensal com um relato de seu desenvolvimento. Suas cartas começaram a tomar um rumo místico, quando escreveu: “Eu estou experimentando uma unidade com o universo.” Quando seu professor recebeu esta carta, ele apenas olhou e jogou fora. No mês seguinte, o aluno escreveu: “Descobri que o divino está presente em tudo.” Seu professor usou essa carta para iniciar o fogo. Um mês depois, o estudante havia se tornado ainda mais em êxtase e escreveu: “O mistério do Um e Muitos se revelou para o meu espanto,” em que seu professor bocejou. No mês seguinte, outra carta chegou, que simplesmente disse: “Não há nenhum self, ninguém nasce, e ninguém morre.” Nesta seu professor ergue as mãos em desespero. Após a quarta carta, o estudante parou de escrever para seu professor, e depois que um ano se passou, o professor começou a se sentir preocupado e escreveu a seu aluno, pedindo para ser mantido informado de seu progresso espiritual. O aluno escreveu de volta com as palavras “Quem se importa?” Quando o professor leu isto, sorriu e disse: “Finalmente! Ele finalmente entendeu!”

No final da jornada, você será capaz de se envolver em tudo, tanto o os planos materiais e espirituais, sem ser contaminado por eles, porque um ser espiritualmente compreendido não é mais afetado pelo mundo da mesma forma uma pessoa comum é. Sem passar pelos testes e tribulações desta jornada, no entanto, você nunca vai encontrar a sua casa. Você não pode simplesmente ficar em casa e dizer: “Eu já estou onde eu quero estar.” É apenas a jornada que fará você perceber o seu verdadeiro potencial, e só no final da jornada você vai entender que o objetivo não é se separar do ponto de partida. Essa é a obtenção do estado de Buda, o estado natural de sua própria mente.

Texto escrito por Traleg Kaybgon Rinponche, presidente e diretor espiritual do Kagyu E-Vam Buddhist Institute, com sede em Melbourne Austrália. Retirado de Mind At Ease: Self-Liberation Through Mahamudra Meditation, © 2004 de Traleg Kyabgon.

A moralidade cristã é psicótica e psicopática?

sábado, 16 de maio de 2015

Já era tempo de abolirmos de vez as religiões do livro neste eon que se avizinha: judaísmo, cristianismo e islamismo que sustentam um deus com sérios problemas psicológicos e que tem como centro do culto o sacrifício humano. Uma abolição pela razão, um conjuro de crenças absurdas pela inteligência, uma excomunhão pela sensatez, sem medo e sem culpa pois tais sentimentos são como aplicativos implantados pela programação religiosa codificada num livro tido como sagrado mas que é sangrento e vampírico. Levítico 20 revela bem a natureza do deus bíblico. É apocalíptico. Neste vídeo isto é feito - a abolição intelectual das religiões do livro - e em apenas 11 minutos com graça, com humor e elegância. É tempo da razão, do conhecimento, da educação e da liberdade de pensamento.


O vento será tua herança

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Será possível em pleno século 20 um homem, um professor de escola pública ser preso por ensinar a teoria da evolução das espécies? Sim.

A intolerância ideológica, o dogma religioso, o preconceito intelectual supera o tempo. Vemos isto ainda hoje quando o Congresso Nacional é tomado por uma bancada de parlamentares que seguem o fundamentalismo evangélico.

A batalha aqui e agora não é o bem versus o mal, é o conhecimento contra a ignorância, pois interessa aos grupos dominantes que se apossaram do Estado brasileiro manter as mentes dopadas seja pelo fanatismo religioso, pela mediocridade cultural, pela água fluoretada e clorada, por condições trabalhistas injustas (vide terceirização), pela falta de transparência com relação à produtos transgênicos.

Será o vento a nossa herança?

Que seja o vento do conhecimento.



O Vento Será Tua Herança (Inherit the Wind, 1960)

• Sinopse: Numa cidade marcada pela forte presença da comunidade religiosa, professor é preso por ensinar a Teoria da Evolução de Darwin. O caso vai para o tribunal, onde acontece uma série de inflamados debates ideológicos, que mexem com a localidade e com seus habitantes. Baseado em caso real ocorrido em 1925.
• Direção: Stanley Kramer
• Roteiro: Jerome Lawrence (peça), Robert E. Lee (peça), Nedrick Young (roteiro adaptado), Harold Jacob Smith (roteiro adaptado)
• Gênero: Drama/Histórico
• Origem: Estados Unidos
• Duração: 128 minutos
• Tipo: Longa-metragem
Elenco
• Spencer Tracy Henry Drummond
• Fredric March Matthew Harrison Brady
• Gene Kelly E. K. Hornbeck
• Dick York Bertram T. Cates
• Donna Anderson Rachel Brown

A manipulação da sua saúde: diabetes tem cura!

terça-feira, 12 de maio de 2015

Quantas pessoas você conhece com diabetes?

Quantas pessoas dependem da FARMÁFIA, do tráfico de drogas legalizado para apenas administrar a doença?

Você sabia que ela pode ser curada apenas com alimentação adequada e exercícios em 30 dias?

Você não se indigna com a máfia médica e farmacêutica que domina este país?

Você conhece um documentário chamado Simply Raw?

Saiba o que eles não querem que você saiba.

O conhecimento e a aplicação prática do conhecimento são a verdadeira cura da humanidade e sua única chance de liberdade frente a máfia médica e farmacêutica.

"Mostrar que uma das doenças mais graves e mais comuns da humanidade, a diabetes, pode ser curada através de terapia que consiste apenas na alimentação é o grande mérito desse filme, coisa que a mídia tradicional não tem interesse de divulgar.

O documentário acompanha o dia-a-dia de um grupo de pacientes de diabetes que toma insulina, colocado numa clínica que utiliza-se apenas de comida vegana crua como tratamento. Parte dos pacientes deixa de tomar insulina em 4 ou 5 dias, outros levam um pouco mais de tempo, um ou outro desiste por não se adaptar ao tipo de hábito alimentar. Mas a cura está ao alcance de todos. (docverdade)"

Transgênicos, geopolítica e doenças

sábado, 9 de maio de 2015

Por amor aos seus filhos, a sua família, aos seus parentes, aos seus amigos, por amor a nossa humanidade e a nossa Terra, divulguem isto:

Enquanto os dinamarqueses descobrem o mal que é alimentar os porquinhos com soja transgênica, pois causa diarréia que mesmo tratada com antibióticos levam à morte 30% destes belos animais, no Brasil, o Congresso Nacional permite o ocultamento das marcas transgênicas através de projeto de lei nitidamente contrário à saúde pública e ao bem-estar das pessoas. Como se já não bastasse a água fluoretada, clorada temos ainda que lidar com os OGM.

Há algo de podre no reino da Dinamarca, mas os dinamarqueses sabem disto, já os brasileiros...

Os transgênicos são hoje vistos pelo departamento de Estado ianque como uma arma geopolítica e uma questão de segurança nacional num contexto de guerra econômica.

Em várias partes do mundo os transgênicos expulsam trabalhadores do campo e adoecem as pessoas de formas até agora não explicadas.

As galinhas que comem soja transgênica produzem um ovo extremamente fedorento que não se pode comer.

Porcos deformados, crianças defeituosas, doenças misteriosas, genocídio são fatos diretamente ligados ao uso dos OGM e dos herbicidas como o glifosato.

Soja transgênica igual a glifosato (veneno) que é igual à Monsanto.

Hoje não se usa mas apenas o glifosato, pois as ervas já criaram resistência ao produto, faz-se uma mistura onde se usa até o agente laranja da guerra do Vietnã.

Ponto de Aglutinação ou Ponto de Encaixe

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Estive observando as opiniões que surgiriam sobre este tema bem complexo que é o ponto de aglutinação. É um tema que não faz parte da chamada literatura esotérica européia e mesmo na oriental nada encontraremos exato sobre tal tema, certas confusões com um pretenso chacra das costas me parecem mais associação livre que factual. O ponto de aglutinação não aparece em nenhuma outra obra além daquelas que vêem dos que estiveram em contato com a Tradição Tolteca, ou seja, Dr. Carlos Castaneda, Florinda Donner e Taisha Abelar.

Para falarmos sobre o ponto de aglutinação temos que ir aos paradigmas desse caminho e como é visto aqui o ser humano. A realidade física do ser humano é tida como uma realidade incluída num campo mais amplo, um corpo de energia que todos possuímos.

Esse corpo possui um duplo que pode ser desenvolvido.

Para os videntes Toltecas somos dois feijões incrivelmente unidos, com o lado esquerdo, ou corpo esquerdo, com um tipo de movimento na sua energia, via de regra bem adormecido e hipofuncional e o lado direito sob domínio da mente assim pulsando mais dinamicamente, mas isto não significa que haja auto consciência, há apenas consciência. É bem sutil a diferença pragmática que tal definição de ser humano coloca. Vamos mais profundamente nisso. Para os videntes Toltecas somos feitos da mesma natureza de toda a eternidade a nossa volta.

Fibras auto conscientes.

Certas porções de fibras em nós ficam despertas, entram em ressonância com as grandes fibras da eternidade e então aglutinam uma realidade. Existe em nosso corpo energético, na altura das omoplatas, a distância de um braço estendido para trás, uma bola do tamanho aproximado de uma bola de tênis. É esta bola luminosa dentro da luminosidade de nosso corpo de energia, ou mesmo na sua superfície, que escolhe um conjunto de fibras das infinitas que atravessam nosso ser luminoso. Seleciona e aglutina o que está ali, que vamos chamar de mundo, pessoas, coisas, etc. De uma forma muito tosca podemos dizer que é como um sintonizador de um rádio. Somos o rádio, com potenciais estações dentro de nós, onde este ponto para determina que tipo de consciência ali presente se manifestará, e, quando plenamente em sintonia com fibras da Eternidade teremos a percepção de um mundo completo e inclusivo. Se a percepção for errática, oscilante e sem foco diremos que aconteceram alucinações, houve a percepção, mas não o foco ou a energia necessárias para manter a percepção da nova realidade percebida.

Todos nós temos o ponto de aglutinação originalmente fixo num conjunto de fibras que determina a percepção da realidade tal qual a partilhamos. Não escolhemos isso, nos foi imposto. Faz parte do condicionamento que nos coloca num lugar da Eternidade bem limitado. Falar exatamente o que é o ponto de aglutinação ou mesmo sobre nossa natureza energética é difícil, bem difícil. Porque nosso vocabulário, a sintaxe de nossa comunicação está envolvida com outros paradigmas, assim sempre que "falamos" ou escrevemos sobre ponto de aglutinação ou outras peculiaridades de nossa realidade energética estamos sempre nos "aproximando" da realidade descrita, com maior ou menor grau de exatidão, nunca total.

Sentir efetivamente o que tudo isto que foi colocado acima significa é mudar toda a relação com a realidade, mudança que podemos comparar com a sensação que NEO em Matrix, tem quando olha pela janela do carro lugares que "vivia”, onde "comia", etc. Compreender a complexidade do ponto de aglutinação é descobrir que durante toda a vida "isto" viveu em nós, "isso olhou", "isso entendeu" , sendo "isso " um conjunto de jeitos de raciocinar, emocionar e reagir que tomamos por "eu".

A iniciação do (a) xamã é sempre um caminho no qual ele se desintegra, se desfaz de tudo que dele fizeram e então é reconstruído pela força mesma da Mãe Natureza e redivivo começa outra vida, não mais presa as antigas formas , mas nascido (a) de si, por si vai agora trilhar um caminho que quiçá, levá-lo (a) há muito, muito longe. O caminho do guerreiro Tolteca é antes de mais nada pragmático, assim só podemos mesmo dizer que entendemos algo neste campo quando praticamos por nós mesmos. Considero surpreendente a obra do novo nagual, realmente ele trás a tona um mundo coerente, estranho, mágico e assombroso. Os conceitos ali presentes têm definições que são tão precisas, simples e elegantes que se tornam verdadeiras definições fundamentais sobre a fenomenologia da existência e os mistérios da consciência. No fruto de minha própria experiência são os tratados sobre o tema que mais oferecem preciosas orientações para levar à compreensão sobre o que vivenciamos em outras realidades.

Somos um conjunto de sentimentos, de pensamentos, de jeitos de agir. Expressamos isso de acordo com o tipo de fibras (das incontáveis que somos constituídos) que ativamos. Como fibras óticas só onde a luz passa se acende. As outras ficam dormindo. Agora, nesse momento temos o poder de perceber outras realidades, de alinhar mundos completos. Estas outras possibilidades estão em nós, mas temos de treinar para desenvolvê-las. E ter energia para isso. Pensamos em "Deslocar a consciência para outros mundos, para outros estados". E não é questão de deslocar a consciência, é a percepção que vai, vamos deslocar a percepção, vamos perceber outros filamentos, outros tipos de consciência. Quando estivermos percebendo outros tipos de consciência vamos estar ressonando a eles e vamos dizer que estamos neste estado de consciência, que nossa consciência viajou até aquele mundo. Mas a sutileza é que é a percepção, o ente perceptivo que somos, viaja de um estado para outro desta vasta substância imponderável chamada consciência, matéria virgem original da qual tudo é gerado.

Por isso ficamos presos onde estamos. Por abordarmos conhecimentos novos com práticas velhas. Trazemos muitas vezes, para o xamanismo, um conjunto de crendices e concepções de mundo que nada tem a ver com a visão de realidade dos povos nativos. Trazemos crenças de escravos para um mundo onde cada um busca ser plena liberdade. Somos uma essência perceptiva. Percebemos o mundo a nossa volta. O problema é que interpretamos essa percepção em termos de um limite socialmente imposto. Energias em diferentes comprimentos de onda tocam nossos sentidos, tocam todo o nosso corpo. Mas só decodificamos aquilo que aprendemos a decodificar. Assim sendo só interpretamos do mundo aquilo que já está em nossos referenciais, deixando escapar uma amplitude de possibilidades perceptivas inimagináveis. É quando um ente de outro mundo vira “um vento estranho" ou algo "vagamente familiar".

Quando entramos na trilha do xamanismo aprendemos que cada momento deve ser vivido intensamente como se fosse o único. Cada momento é vivido intensamente como se fosse o único porque é o único, não há equivoco aqui para quem está intensamente presente. Só há o momento no qual inspiramos, expiramos e o espaço entre esses dois instantes, o aqui e agora. Isto é fundamental para ampliar nossa percepção de forma a ir além dos moldes que nos condicionaram. O que os (as) xamãs fazem é usar outra explicação, outro modelo da realidade para construir uma segunda visão do mundo, é chamado "o modo de sentir do feiticeiro". Mas a sutileza dos guerreiros Toltecas é que eles não se afundam nessa nova visão de mundo, nunca mais se permitem cair no grau de adormecimento e mecanicidade que estavam na primeira visão de mundo, chamada por eles de "Primeira atenção". Muitos povos entram na segunda visão de mundo com suas mentes lineares e emoções reativas, com seus modos de ser e agir sem nenhum trabalho maior. Assim, se vierem de povos equilibrados e autônomos, realizados e não coercivos ótimo, mas se forem egressos de sistemas sociais que os deturparam que tipo de pessoas com poderes reais teremos?

Temos cientistas que pesquisam a cura da AIDS e cientistas que pesquisam formas eficientes de matar populações selecionadas. Xamãs os (as) há em igual diversidade. Temos que tomar cuidado em não cair em ingenuidades, de mundos angelicais e seres bons nos protegendo sempre. Temos que aprender a lutar com nossa força, nossa presença e aliança com seres que saibamos lidar, para não nos tornarmos servos de servos como tantos antes de nós.

A atenção é o mistério para os Guerreiros Toltecas. A atenção está em tudo que é vivo. A primeira atenção é o aspecto da atenção que cobre o conhecido, todo ele, mesmo o que ainda desconhecemos, mas será conhecido um dia. Há algo que podemos chamar de ordem aqui, embora tenha sempre cuidado com este tipo de termo. Há outra atenção, a "Segunda Atenção". A própria palavra vastidão se encolhe em significado frente à imensidão das possibilidades cognitivas acessíveis em termos de segunda atenção. Muitos encontraram a segunda atenção e aqui viram, pela vastidão, um mundo superior ao humano. E assim em viagens sucessivas por esta vastidão classificaram de acordo com suas concepções pessoais os sete mundos visitáveis pela nossa percepção usando o corpo de energia, sete mundos inteiros que podem ser alinhados e assim vivenciados. Não sei porque 7, não sou chegado em "numerologismos" por sentir que os números são mistérios reais, não coisa para limitar ao intelecto.

A segunda atenção é a atenção do corpo energético. Este segundo corpo que temos e que um dia, em delicada manobra, temos que desgrudar do primeiro, o famoso "partir em dois" da tradição Tolteca. Os (as) xamãs guerreiros (as) se multiplicam também, mas por cissiparidade, criam a si mesmos de si mesmos. Este é um aspecto bem interessante do xamanismo guerreiro proposto pelos Toltecas e que encontraremos algo incrivelmente similar em certos caminhos Taoístas. Continuar a vida de outra forma.

Os xamãs Toltecas do clã guerreiro não geram filhos, continuam de outra forma e essa reprodução em dois, no corpo físico e "no outro", o "sósia" é uma dessas complexas fases de cissiparidade que os (as) xamãs de algumas linhagens, sabidamente a Tolteca, realizam. Vocês devem ter lido no livro da Florinda Donner, Sonhos Lúcidos, os seres Esperanza e Zelador eram seres criados no infinito por uma sonhadora do grupo de D. Juan Matus e que vivia junto com a Florinda do grupo do velho nagual. Existiam Esperanza e o Zelador por força do intento dessa sonhadora espetacular do grupo do velho nagual, que deslocou seu ponto de aglutinação a uma posição e mundo onde era possível realizar isso.

Tais idéias são anos luz de distância das "normalmente" aceitas por esoterismos.

Os (as) Xamãs de certas linhagens descobriram segredos e os vem mantendo atualizados pela sua prática por milênios. Sabem que podem expandir-se de forma muito ampla. Por isso começam o caminho lembrando-se de si. Dois, aqui e aqui, o sósia, o duplo, o "outro", corpo astral, corpo de energia, corpo de sonho, enfim, termos não faltam para tentar definir este outro estado de realização energética. E porque isso acontece? Porque praticamos algum rito, ingerimos algo, nos privamos de "n" coisas, por alguma causa aleatória? Muitas vezes sim, mas quem trilha o xamanismo tem a busca de ter um maior equilíbrio com estes movimentos da consciência este ir e vir entre mundos e possibilidades perceptivas e indo fundo nisso vai compreender que algo em si determina sua forma de ser, sentir, pensar, agir.

Este algo é o ponto de aglutinação.

Todas essas mudanças ocorrem porque o ponto de aglutinação se move e alinha novas fibras interiores com fibras exteriores. Em sua praticidade muitos (as) xamãs decidiram:

Vamos direto ao Ponto.

Ao ponto de aglutinação.

Se é ele que determina tudo, como movê-lo?

E chegaram na vontade.

E descobriram o INTENTO.

Que são meras palavras, mas que indicam portentosas realizações acessíveis a todos nós pelo uso estratégico de nossa energia vital. Mover o ponto de aglutinação. Essa bola de tênis luminosa é prenhe em luz. Onde está o ponto de aglutinação é onde está nossa consciência. E é este equívoco que os Toltecas sanam. A consciência nos foi dada, nos será tirada. Mas o ponto de aglutinação enquanto foca diferentes tipos e estados de consciência, ainda está movido por fatores mecânicos, ditos fortuitos. Entretanto podemos treinar para soltar o ponto de aglutinação, isto é soltar nossa percepção para que ela vá a outras freqüências, a outras realidades e nelas nos colocarmos de forma equilibrada e presente. O ponto de aglutinação pode levar a energia da vida que está no corpo, a força vital, a se reconhecer como força em si e aprender a ser consciente com a consciência. Este segredo sutil esteve entre os alquimistas, esteve entre comunidades templárias, entre construtores de templos, em solitários eremitérios de Hsiens taoistas, em vários tempos e lugares, entre pessoas diversas hoje, em diversos lugares.

A força vital em nós não é requerida pela Eternidade. A Eternidade absorve de volta a consciência que chocou no ovo cósmico que veio pelo espaço tempo resultar em tua vida. Tem toda uma seqüência de energias em curso no meio que estamos inseridos agora. Nós entramos numa história já acontecendo e sairemos dela antes de concluir. Somos passageiros e nos esquecemos disso. Somos nós mesmos portadores de genes que carregam uma linguagem primordial para algum dia ser lida por alguém, lá na frente. Somos um momento da vida e isto precisa ser reconhecido, nossa efemeridade frente a totalidade do universo.

Não nascemos como estrelas, seres de quasares, pulsars, não somos entes gerados a beira de um buraco negro, nossa vida tem meros 100, 120 anos de possibilidade plena neste corpo, mais que isso teríamos que recorrer a práticas de continuidade da vida que tem se mostrado como armadilhas. A efemeridade de nossa condição nos mostra muita coisa e nos coloca frente a certas questões. Fomos tornados terrivelmente servis. Adoramos servir deuses, deusas , mestres, enfim estamos sempre nos colocando na posição de seguidores. O xamanismo é ação e seguidores Reagem, não AGEM que é nosso objetivo.

Frente a uma estrela o que pode uma vela? Continuar a arder me parece o devido. Mas muitos de nós tem ido a outros mundos , entrado em contato com seres conscientes de incrível poder e voltam adorando outros entes. Muitos recebem as novas posições do ponto de aglutinação como "dons de poder", isto gera dependências e é um risco ser colocado numa posição de consciência que podemos não ter os recursos energéticos para administrar. Estar em sintonia e harmonizar-se com a natureza é distinto de cultuar entes diversos em busca de sua parceria em poder. Os cultos de pedido, de implorar, de ir em busca de algo como favor extremo é algo estranho a índole viril do xamanismo.

Há uma grande diferença. De um lado temos os cultos que lidam com as forças da natureza, que podem as vezes em virtude do povo que vieram, até antropomorfizar as forças naturais em formas, como interpretações mais desavisadas dos ritos africanos e indígenas. Noutra vertente temos os cultos que adoram seres, entes, de incrível poder, que podem se arrogar posições como criador e senhor absoluto, mas são nitidamente entes, em briga com outros entes e criando seres escravos da fé para servir em suas batalhas. Isto tem acontecido desde a antigüidade, os sacrifícios aos deuses de certos povos tinham duas naturezas bastantes distintas. Uma delas era a natureza de equilíbrio de forças. Haviam formas de equilibrar certas forças em oferta de sangue e vida, uma magia perigosa, mas que era praticada por sacerdotes e sacerdotisas experientes, frente a um vulcão, conseguindo mantê-lo inativo por um longo período, frente a desastres naturais como seca, chuva em excesso, terremotos.

Embora a ciência moderna arrogue-se a explicação "positivista" de todos esses fenômenos há princípios de incerteza, há aspectos quânticos da questão que só agora os "positivistas" tem meios de avaliar. Como em outros campos a arrogância da ciência positivista do século passado revela mais desconhecimento e inexistência de teorias amplas e sofisticadas o suficiente para abordar a complexidade do conhecimento nativo. A ciência positivista agiu como o estudante do ciclo de alfabetização que ri de um colega mais avançado resolvendo problemas matemáticos com variáveis. Dirá que está mistificando, inventando, por desconhecer as possibilidades envolvidas. A ciência positivista, com sua abordagem restrita a primeira atenção e ainda um aspecto bem limitado desta área, quis limitar a suas estreitas definições uma ciência milenar, resultante da transformação dinâmica do conhecimento por eras e eras de praticantes.

Os povos nativos foram e são herdeiros da antiga ARTE CIÊNCIA MAGIA dos povos que viveram em uma civilização ancestral, também planetária. Herdaram vários tipos de saber e muitos herdaram o que se poderia chamar de necromância (que seria mais tarde erroneamente deturpado no termo magia negra, de necro, negro,mas necro aqui quer dizer morte). A magia da morte tirava proveito da morte de outros. Sem moralismos ao julgar isso, apenas nos atendo aos fatos. Havia e há magia da vida, magia que realiza com a vida e magia da morte, magia que realiza com a força da morte. É uma forma de agir, tem poder, para quem só se preocupa com o poder, funciona, é real. E os cultos de sacrifício existiram e existem, hoje por vezes disfarçados como guerra ou o pretenso extermínio de espécimes impuros dos campos de concentração antigos e atuais. O fato é que sangue, muito sangue ainda é oferecido a vários tipos de forças, naturais e entes. E o mundo aí está, onde está, em flagrante desequilíbrio. Os impérios Incas e Maias se salvaram com seus sacrifícios de sangue? Funciona mesmo? São questões profundas a quem estuda o tema.

A consciência coletiva está caminhando rumo a auto destruição, isto é nítido para qualquer um que olhe sensatamente o mundo a sua volta. Assim sendo, frente a esses fatos evidentes, mudar o ponto de aglutinação, movimentar o ponto de aglutinação, alinhar outras realidades, ir a outros mundos deixou de ser um treinamento a mais no caminho dos (as) xamãs mas se tornou necessidade de sobrevivência.

Assim o tópico PONTO de AGLUTINAÇÃO não pode ser definido. D. Juan Matus recomenda que repitamos sem nos preocupar em entender, só intentemos:

A essência da feitiçaria é o mistério do ponto de aglutinação.

Mas a mente pode "participar" do conhecimento. Em nenhum momento os (as) xamãs desprezam a mente. Ao contrário, valorizam bastante, a ponto dos Toltecas considerarem a mente bem trabalhada o único escudo que temos contra os assaltos do infinito. O problema é a mente tacanha que ao invés de participar do conhecimento, respondendo em atos e não reagindo, se transformando sob seu mágico toque, quer congelar, analisar, dissecar o conhecimento para lineariza-lo aos limites cognitivos aos quais foi aprisionada. A mente é bem mais que esta faculdade de raciocinar que usamos. Sentimentos é algo mais amplo que o emocionar que temos. Agir é mais criativo e efetivo que o mero reagir, a estímulos conscientes ou inconscientes, estímulos que vem do meio ou nascem de combinações fortuitas de humores, hormônios, posições planetárias e outros fatores mil. A posição do ponto de aglutinação determina isto. Este é um mistério digno de meditação.

Quando compreendemos isso compreendemos a tremenda importância de desenvolver a vontade. Vontade no sentido Tolteca do termo não tem nada a ver com os sentidos que até agora demos a esse termo. É uma forma de falar sobre uma força concreta, que nasce em tentáculos abaixo de nosso umbigo, um conjunto de fibras que precisamos nos tornar sensíveis. Parte da recapitulação é sentir essas fibras como magnetos, tirando da cena recapitulada toda a energia nossa, como magnetos que desmontassem uma imagem por atrair as partículas fundamentais, inspiramos essa energia e a trazemos de volta para nossa realidade aqui e agora. Depois ao expirar é com estas fibras que enviamos como mangueiras em jato, a energia externa que ficou impregnada em nós, devolvendo-a para a Eternidade. Esse tipo de prática é deveras importante, pois é a forma que os(as) xamãs encontraram de oferecer a Eternidade o retorno do investimento que ela fez em nós. Ela nos deu consciência e junto veio a vida. A consciência foi-nos dada para que a desenvolvêssemos e refinássemos pelo processo de estar vivo. Ao final há a tomada de volta, o dissolver da consciência que estava sendo trabalhada no mistério da vida em nosso corpo, no vasto mar da Consciência vai-se a consciência. Alguns sobrevivem mais ou menos um pouco de formas diversas, mas sempre algo incompletas, sobrevida que por vezes se torna prisão. Ao recapitularmos o ponto de aglutinação se desloca para fibras dentro de nós onde estão armazenados aqueles momentos. Em nossas células e em nossas fibras ficam armazenados todos os momentos que temos. Os xamãs Toltecas usam isso para ensinar, dedicando parte do treinamento para o lado direito, o mundo comum e outro tipo de treinamento no lado esquerdo, o qual é sempre esquecido por longo período até que o lado direito tenha amadurecido e desenvolvido a sutileza e o auto controle que caracterizam os(as) xamãs guerreiros.

Neste nível de realização juntar as duas realidades, chamado "juntar os dois lados", torna um (a) xamã um homem ou uma mulher que tem "duas faces", uma olhando para cada lado. É uma forma de falar da fusão do corpo físico com o de energia, depois de separar e desenvolver amplamente as habilidades do corpo direito (primeira atenção, treinada na vida cotidiana, com tarefas e estudos) e do corpo esquerdo (treinado no sonhar, é a segunda atenção) os corpos se fundem criando um ser íntegro, que agora tem as duas possibilidades ao seu acesso, a primeira atenção e a segunda.

Aqui os (as) xamãs guerreiros (as) estão sós. Pois a forma de entrar em outros mundos é muito solitária, algumas vezes temos a sorte de termos algumas pessoas junto, na maioria das vezes os (as) xamãs guerreiros (as) entram espreitadoramente em outros mundos e ali se maravilham com o que presenciam. E tal maravilhar nos torna cientes que ali estamos porque nosso ponto de aglutinação se deslocou além de certos limites dentro do ovo luminoso e deixou de enfatizar as fibras da realidade "normal", nos colocando assim em outro mundo, totalmente inclusivo.

Assim viajamos a outros mundos, deslocando nosso ponto de aglutinação. Não há métodos e receita de bolo aqui, só INTENTO e ENERGIA. É um dado sutil que os ancestrais Toltecas nos revelaram. Não precisamos de naves para ir a outros mundos. Temos a tecnologia em nós mesmos. Não precisamos dos teletransportes da Enterprise. Temos a tecnologia em nós. E só precisamos de energia e intento para conseguir acionar tudo isso. É um desafio, é uma longa caminhada , mas durante o caminho já descobriremos tantos maravilhas...

E somos nós então uns pontos de aglutinação que tem a chance de aprender durante a vida como fazer a energia vital tornar-se consciente de si?

Para que no momento no qual a Eternidade vier receber a consciência que em nós implantou, possa ela levar tudo, e a força vital retida pelo ponto de aglutinação não se dissipe junto. Por um instante todo o mundo se desaba, tudo deixa de existir, mas o xamã, a xamã mantém-se no que chamam o último bastião da consciência, um senso de permanência além mesmo da consciência em tudo que havia se mostrado para nós. Então há uma chance, de escapar pelo meio. Deixar tudo, TUDO para a ETERNIDADE, tudo que foi conhecido, tudo que era ainda possível de ser conhecido nas esferas infindas da primeira e segunda atenção. Depois desse abandonar de tudo, desse esvaziar de si , desse morrer pleno para o que ficou, tomar então um outro tipo de consciência que parece ter sempre estado ali, mas estava eclipsada pelas outras duas. Chamam isso de Terceira atenção, nos tornamos seres inorgânicos, mas não pelo caminho antigo, onde os (as) xamãs adquiriam uma vida como seres inorgânicos, mas dentro dos túneis do mundo deles, sendo sugados em sua energia existencial. Atingir a terceira atenção é também chamado de "consciência total". Arder com o fogo interior é uma idéia interessante, complexa. Quando chega a hora de ir-se o (a) xamã libera seu ponto de aglutinação para que ele faça a última viagem, a última dança que todos temos acesso, mas só os que treinam para isso usufruem completamente.

A vida de um(a) xamã é passada em posições muito diferentes do ponto de aglutinação. Por isto os (as) xamãs desenvolvem a primeira atenção a um estado mais amplo chamado "consciência intensificada", ou ainda "sonhar acordado". Neste estado vivem os (as) xamãs. Deste estado vão e voltam de outros mundos, por vezes incrivelmente distante deste, vivendo as mais desconcertantes experiências e sempre voltando. Quando ao termo de toda uma vida de trabalho o(a) xamã decide ir além, rumo a "liberdade total" , libera seu ponto de aglutinação. Ele ricocheteia em todos os diferentes e distantes pontos dentro de seu corpo luminoso nos quais o (a) xamã vivenciou experiências efetivas. Isso gera uma energia tremenda que é mesclada a energia da consciência da própria Terra que o (a) xamã com anos de uso está pronto para usar mais uma vez.

Definitiva vez.

Pois uma mudança vai acontecer.

E a tremenda energia contida no corpo é surpreendida pela força da dissolução quando o (a) xamã se abre para o Derrubador não para que ele o lance em posição distante no nível da segunda atenção, mas para que tal força impulsione seu ponto de aglutinação a uma posição específica, que ele (a) vem intentando pela vida afora. A força do derrubador chega com a força vital ainda plena e intacta, eis uma das chaves do processo, entrar na totalidade com a força da vida intacta. ARDER com o fogo interior. LIBERDADE total. E então Arde e desaparece da face da Terra, livre como se nunca houvesse existido. Algumas abordagens indiretas ao complexo tema do Ponto de Aglutinação.

Nuvem que passa

Data: Sáb Out 21, 2000 - 07h49min

Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda: Martha Venegas

terça-feira, 5 de maio de 2015


_ Como você chegou ao nagualismo?

_ O que me levou às investigações místicas e filosóficas é entender o que estamos fazendo aqui, porque estamos no mundo. Quando era muito jovem, eu queria estudar psicologia, porque pensava que essa matéria continha respostas para minhas inquietudes; mas, por alguma razão, terminei estudando Ciências da Comunicação.

Conheci o nagual através de um amigo comum, Fausto Rosales, editor da Editora Diana, que Carlos chamava afetuosamente de “meu sobrinho”. Fausto é um tipo tremendo: com ele as coisas devem ser claras, por isso o estimo tanto. Um dia me chamou e me disse: “Venha, vou lhe apresentar Carlos Castaneda!”

Eu havia ouvido falar dele como um escritor interessante, mas não como nagual. Fui sem nenhuma expectativa ao University Club, onde Carlos estava participando de um coquetel com diversos intelectuais. Desse primeiro encontro não tenho uma impressão clara. Não me lembro exatamente o que falou; só me lembro que estava presente uma das bruxas, Florinda Donner.

A segunda reunião a que assisti foi diferente. Então já havia começado a ler sua obra, e descobri que ali se encontravam respostas para as minhas inquietudes. Desse modo, me dei a tarefa de anotar tudo o que dizia; nesta ocasião, explicou como se movia o ponto de encaixe, quer dizer, o centro onde se focaliza a percepção. Disse que todos estamos conectados com os filamentos do ser cósmico que chegam até nós, e que podemos nos mover de um grupo de filamentos a outro, se aprendemos a deslocar o ponto de encaixe. Esse deslocamento pode ocorrer, seja dentro da faixa que é acessível ao homem, ou além dela.

Explicou:

“Se se move para a direita, você se torna um nazista!” – começou a marchar pelo palco como um militar, em ângulos retos. Com isso queria dizer que o movimento da percepção à direita, à área do Tonal, solidifica nossa interpretação do mundo, enchendo-nos de convicções e fazendo-nos crer em “verdades” definidas; em conseqüência, terminamos nos comportando como verdadeiros fanáticos. “Mas se seu movimento é para a esquerda, então você se torna místico!” – ajoelhou-se no chão e começou a rezar, como se estivesse possuído de êxtase religioso.

Fiquei assombrada com sua explicação. Sempre havia acreditado que os santos e os místicos eram produto de uma vida de treinamento, de ver Deus e perceber a unidade da criação; agora compreendia que se tratava de uma escolha deliberada. Percebi que nada é verdade ou mentira; o ponto de encaixe determina o que você é, e, se aprende a movê-lo, aprende a fluir entre diversas realidades.

Estamos adaptados a interpretar que existem causas externas que nos levam a determinadas atitudes, mas não é verdade, basta um simples movimento da atenção para entrar em outro canal e captar uma gama completamente nova de percepções. É como se nos conectássemos a uma antena. Você tem aí em seu aparelho de televisão 160 ou 600 canais, e tudo depende de que conheça suas opções para que as troque. Agora vou ver Deus, e me sintonizo com o molde do homem. Mas se me dá vontade, posso ir a outra visão, outra posição do ponto de encaixe.

Os seres humanos passamos a vida inteira aferrados a um canal, digamos, ao canal das estrelas, devorando espetáculos que não nos acrescentam nada. Por que não mudar? Por que não nos darmos um descanso, mostrar-nos outras possibilidades? Você pode escolher quem quer ser.

_ Como era o caráter de Carlos?

_ A princípio, o que mais me impressionou nele foi seu histrionismo. Recordo que fiquei pensando: “Que senhor tão simpático! Se não fosse nagual, teria sido um excelente comediante.” É que o cara era genial no palco. Para fazer didático o ensinamento desempenhava papéis, fazia várias vozes e atitudes, fazendo-nos rir o tempo todo com suas brincadeiras e imitações dos outros. Envolvia-nos com personagens, situações, quase que a gente podia viver as histórias dos bruxos através do que falava. Não lhe importava deixar de lado a postura de mestre e tornar-se qualquer outra coisa.

Outra coisa que me impressionou é que ele não se escondia atrás de uma máscara de guru nem se dava importância alguma. Qualquer um podia abordá-lo e falar de qualquer coisa, que ele sempre respondia, com um sorriso nos lábios. A princípio, dava ampla margem às pessoas, tomava seu tempo para responder tudo o que quisessem perguntar. Era como se percebesse sinais do Espírito nas perguntas, agarrava um tema e fluía por ali.

Como não correspondia ao protótipo do mestre importante e inacessível, as pessoas ficavam desconcertadas com ele. Em certa ocasião, organizei uma conferência na Casa de Cultura de Coyoacán, a umas cinco quadras da minha casa. Avisei a um amigo meu, dono de uma livraria: “Fulano, venha, porque Carlos Castaneda vai dar uma conferência em tal lugar.”

O homem não acreditou, zombou de mim e disse: “Isso não pode ser! Castaneda jamais daria uma conferência pública!”

Pensou que o nagual era um desses guerreiros míticos que não se põem ao alcance das pessoas.

A princípio, era muito picaresco. Constantemente estava desafiando a moral convencional, falava de sexo e de plantas, e era muito aberto em sua linguagem. É que ainda estávamos nos anos 70, um momento desafiador da sociedade.

Depois, sua linguagem se fez mais formal. Foi como se lhe houvessem dito: não fale de certas coisas! Então adotou outra estratégia, passou do expansivo ao concreto, seu tom se tornou mais equilibrado e começou a desestimular o uso de plantas.

Teve que mudar, pois se havia formado um equívoco em torno dele. Muita gente o buscava, não por conhecimento, mas pelo mito do herói. O que queriam era um modelo de vida, alguém que lhes dissesse o que fazer em cada momento. A maioria dos que acudiam a suas conferências não lhe fazia caso quando falava sobre ser impecável; em compensação, tomavam ao pé da letra sobre o peyote. Chegou um momento em que Carlos se sentiu responsável.

_ Como foi que você se tornou a organizadora dos eventos no México?

_ Velasco Piña disse que sou a mulher-ponte, pois estou sempre conectando pessoas. Essa era minha função nos grupos naguais, avisar a todos: “Aí vem Carlos!” Assim nos reuníamos.

Começou pouco depois de tê-lo conhecido. Um dia chegou Fausto e me disse: “Carlos vai vir e preciso que você me ajude a conseguir dois lugares para dar suas conferências. É que estou muito ocupado e não tenho tempo, agradeceria muito se você o fizesse.”

Me senti muito orgulhosa com seu encargo, pois pensei que o estava ajudando deveras. Mas agora, quando penso nisso, acho que ele estava me pondo à prova para ver se eu atendia aos requisitos.

Fui correndo falar com minha amiga Maru, que tinha uma casa lá por Pedregal, com um auditório com uma tela grande. Ela não sabia bem quem era Castaneda, pois o nagualismo não era sua linha, mas ficou encantada de nos emprestar o lugar. Reuniram-se entre 100 e 150 pessoas.

Nessa oportunidade, Carlos deu uma conferência esplêndida. Falou da importância pessoal. Disse que, para um guerreiro, perder a importância era como bater no cachorro do índio.

Através de suas gesticulações, pudemos compreender o sentido desta metáfora: o índio está no extremo da escala social; pois bem, o cachorro do índio está ainda mais abaixo, e uma vez que você bate nele, ele já não pode se degradar mais! Assim é quando você perde a importância, como Jó quando perdeu tudo: está no chão, não é ninguém; nada pode lhe ofender, porque já passou por tudo; não há dor nem aborrecimento, só o que você pode fazer é dar-se conta ou morrer.

Falou também das cogidas aburridas. Afirmou que o pai e a mãe nos deixam impressos para toda a vida. Disse que ele era produto de uma cogida aburrida, mas eu não acredito, porque derramava uma energia inexplicável.

Deu como exemplo de uma vida perdida a de seu avô, um tipo peculiar, folclórico. Notei que gostava muito dele, parece que foi importante em sua vida. Em certo momento se emocionou e exclamou: “Não quero morrer como ele, babando no colchão!”

Depois dessa conferência, foi para o jardim e conversou longamente com algumas pessoas.

O medo terrível que eu sentia quando tinha que organizar uma conferência era que ele me deixasse plantada depois de ter reunido as pessoas. É que muitas vezes ele dizia que ia mas não chegava.

Algo assim aconteceu uma vez na Universidade Nacional Autônoma, em um centro dirigido por sacerdotes dominicanos. Haviam-se reunido umas 300 ou 400 pessoas; estavam todos os grupos de praticantes do México. Os minutos começaram a passar e as pessoas foram se desesperando. Então chegou correndo um amigo, todo afobado, e nos disse que o nagual acabava de ligar para avisar que não ia vir. Depois subiu à tribuna e anunciou: “Carlos Castaneda pede desculpas a vocês, mas teve uma diarréia e não vai poder dar a conferência.”

As pessoas ficaram frustradas e, para entretê-las um pouco, alguém subiu ao púlpito e começou a falar sobre a obra do nagual. Mas as pessoas não se interessaram muito e começaram a ir embora.

Eu não sabia o que pensar, mas disse para mim mesma: “Não vou até ver o que Carlos vai fazer.” É que já era escolada no assunto e conhecia o truque.

Quando restavam menos da metade das pessoas, aparece Castaneda todo sorridente, pede desculpas e explica que o problema era que havia muita gente reunida, e, como ele não gostava de usar microfone, teve que esperar que alguns se fossem para que sua voz pudesse ser escutada por todos. Acrescentou que, para sentir-se à vontade, precisava de uma audiência íntima.

Essa explicação não me convenceu: era óbvio que o nagual estava manobrando para escolher os que verdadeiramente deveriam escutá-lo. O que deteve os que ficaram, uma vez que fomos advertidos que o evento estava suspenso? Creio que foi o Espírito.

Nessa conferência, talvez porque o auditório estivesse formado principalmente por estudantes, colocou muita ênfase na responsabilidade que temos que ter para encarar a segunda atenção, sobretudo quando através de plantas. Desaconselhou expressamente seu uso, aduzindo que Dom Juan só lhe deu porque ele era muito fixo em suas rotinas.

Pouco depois se deu meu afastamento de Carlos; foi algo físico, não espiritual, e se deveu a um mal-entendido, ou pelo menos foi o que achei. Em uma ocasião correu a notícia de que o nagual tinha vindo ao México e ia dar uma conferência. Manuel Zurita, que era chamado de “o Proibido”, ligou para perguntar se eu sabia de algo. Respondi que não, que quando averiguasse lhe diria.

Por esses dias, minha filha Sandra estava trabalhando no gabinete de um conhecido jornalista, em umas pesquisas sobre fenômenos paranormais. Sem nenhuma razão aparente, eu fui visitá-la justo no momento em que Fausto ligou para avisá-la que Carlos ia falar na Editora Diana. Eu não tinha por que ter ido lá, foi uma casualidade que interpretei como um augúrio, de modo que peguei o telefone e perguntei a Fausto: “Que acha de eu convidar algumas pessoas amigas, como Toni Karam, Mariví de Teresa e Manuel Zurita?”

Respondeu-me com voz alarmada: “Convide quem você quiser, menos Manuel. Por nada deste mundo diga-lhe onde será!”

Como eu tinha ficado de avisar Manuel, liguei de volta e disse-lhe, com toda a sinceridade:

“Olha, não posso lhe convidar, porque vai ser um evento privado e o nagual não quer você lá. De modo que, por favor, não fale sobre essa ligação. Nem posso dizer onde vai ser, porque prometi a Fausto.”

Mas Manuel tinha seus contatos e se apresentou na conferência. Evidentemente, todos acharam que havia sido eu. Dizem que caí em desgraça por isso.

Um dia soube que ia ter uma reunião com Carlos na Casa Tibet. Falei com Miguel, o ajudante de Mariví, para ver porque não me haviam avisado, e ele me disse que eram rumores, que o nagual não ia vir; mas, pelo tom de sua voz, percebi perfeitamente que estava mentindo. O que mais me doeu não foi que me evitassem, mas sim que se tratou de uma conferência aberta, para a qual convidaram até pessoas desconhecidas.

Ainda estou sentida com Fausto porque, por sua causa, Carlos me relacionou com Zurita. Quando falo com ele pelo telefone, digo: “Por sua culpa nunca mais entrei nos grupos!” Mas sei que, na realidade, não é assim.

_ O que você quer dizer?

_ É difícil julgar as razões do nagual. Ele era desapiedado quando tinha que nos dar uma lição, e não gostava que misturássemos seu ensinamento. Em uma conferência, me aproximei para cumprimentá-lo. Ele me abraçou com muito afeto e me disse: “O que aconteceu com você?”

Não entendi racionalmente sua pergunta, mas não me atrevi a perguntar-lhe o que estava vendo. Baixei a cabeça e respondi: “Não sei”.

De algum modo, soube que havia visto uma mudança na minha energia. Quando me fez a pergunta, me vieram à memória certos exercícios que eu estava fazendo com o grupo de Jaime Ribas. Jaime era um instrutor de alquimia; por exigência dele, mudei drasticamente minha dieta e deixei de fumar, o que me fez engordar. Mais tarde, Mariví afirmou que Carlos se aborreceu com isso. Disse-me que a chamou à parte e falou: “Não convide mais Martha para as minhas conferências, porque está muito gorda. Nem Miguel também, porque está muito magro.”

Você pode perceber que esses não são argumentos válidos, e sim pretextos. Neste momento, acredito que o motivo real pelo qual me separou dos grupos é outro, e me custou anos entender.

Carlos cortou vários dos que estávamos mais próximos dele de uma vez. No caso de Manuel, era uma questão de energia. Ele é um homem muito vital, nota-se que teve contato com o Poder. Comigo sempre foi encantador, mas em outros provoca medo, porque seu comportamento é muito desconcertante; seus olhos redondos, como bolas de gude, têm algo de inquietante, como se escondessem algo. Também é um observador muito crítico. Sempre me advertia: “O nagual quer com você!”

Disse-me que, naquela famosa reunião, quando Carlos me abraçou, ele havia visto como puxava minha energia. Entendo porque o nagual não queria vê-lo.

Mas, no meu caso, como no de outros companheiros, o motivo da separação foi nos dar uma lição. Dei-me conta disso um dia, conversando com Fausto sobre um evento relacionado com os huicholes. Conversamos muito e confessei que estava muito afetada pela separação.

Ele fez algumas observações, e de repente ficou óbvio para mim que tudo havia sido parte de um jogo, uma nagualada de Carlos, para que nenhum de nós se achasse mais do que o outro. Os que andávamos com ele sentíamos que havia um vínculo, que éramos importantes na estratégia. Particularmente os homens não eram nada sóbrios, todos estavam loucos por ele, queriam igualar-se a ele, ser seus continuadores.

De repente, o nagual rompeu o laço, fez-nos ver da maneira mais crua que não éramos ninguém, e que o melhor que podíamos fazer era destruir nossa importância pessoal.

_ Como você reagiu à separação?

_ Me doeu muito. Eu estava acostumada aos eventos abertos, que qualquer um podia assistir. Minha visão do nagual era muito livre; nos primeiros tempos Carlos aparecia e ia embora sem compromisso, não havia possibilidade de dizer “quero ser sua aluna”.

De repente se formaram uns grupinhos herméticos, fechados com cadeado. O ensinamento se fez sistemático, e os participantes adquiriram um status social que os diferenciava do resto. Não se podia chegar até eles da rua; praticavam os passes mágicos.

O que mais me doeu foi perder os exercícios. Constantemente me recriminava, dizendo a mim mesma: justo agora, quando Carlos nos traz os exercícios, eu fico de fora! É que até então tudo havia sido conversa e um ou outro exercício isolado, mas agora estavam sendo feitas práticas formais. Tive que me resignar; fui praticar na casa de Mariví, em um grupo secundário.

Depois que caí em desgraça, a organização dos eventos ficou por conta de Mariví. Eu que a tinha apresentado a Carlos.

Foi muito engraçado, porque, apesar de ela ser prima de Carlos Ortiz e já estar há tempos investigando as coisas do Espírito, não sabia nada dos ensinamentos do nagual. Sua aproximação teve a maior transcendência no desenrolar dos acontecimentos. Carlos lhe delegou sua confiança de imediato; encarregou-a de difundir os passes mágicos, sobretudo os passes iniciais, que eram muito fortes.

Os primeiros grupos se reuniam na Quinta Colorada, onde iam praticar os membros do grupo de dança tradicional Citlalmina. Carlos tinha algo a ver com eles, pois lhes dava aulas de Tensegridade.

Devido às minhas boas relações com Mariví, voltei a encontrar-me com ele em 94. Ela havia aberto um café na Casa Amatlán. Eu a apoiei, planejamos as conversas de café, às quais foram convidados muito interessantes, como um ex-sacerdote de Guadalajara e o pessoal de Carlos de León. Foi algo muito animado.

Um dia soube que Carlos estaria ali, de modo que fui. Nessa ocasião, falou de certas práticas para mover a energia. Recordo que utilizou um balde de água para exemplificar o conceito de fluidez. Ao terminar, me cumprimentou afetuosamente, mesmo eu estando proscrita. Entendi que a separação não havia sido nada pessoal.

Meu último encontro foi na reunião do hotel Fiesta Palace. Naquela ocasião, reuniram-se umas 500 pessoas. Enquanto esperávamos que aparecesse o nagual, fui testemunha de algo que não me agradou. Toni Karam subiu ao palco e se dirigiu à multidão, gritando: Intento! Intento! Todos faziam coro com ele. Tive a impressão que isso era fanatismo, pois, pelo que entendi dos ensinamentos, o Intento é algo pessoal.

_ A que se deve a mudança de atitude de Castaneda?

_ Como lhe disse, a princípio era muito aberto. À medida que seus auditórios cresceram, suas respostas se fizeram mais breves e abstratas, e passaram do anedótico ao conceitual. Isso é compreensível, pois, quando você tem sessenta mãos levantadas, fazendo perguntas ao mesmo tempo, não pode conceder a cada um a mesma atenção. Nos últimos tempos, eram as bruxas que respondiam por ele.

Essa mudança se notou em outro assunto, por exemplo, nas estratégias de difusão. Durante muitos anos Carlos recusou o contato com o público. Os que o conheciam nos sentíamos como parte de um movimento underground. De repente ele se abriu à propaganda e começou a falar em grandes foros, cobrando a entrada. Seu nome apareceu por todos os lados. Para o evento do Sheraton, chegou a colocar um enorme outdoor na via pública, cedido por Michael Domit. Também redesenhou os passes mágicos, tornando-os mais leves e suaves, até que terminaram se transformando na Tensegridade.

_ Por que essa mudança de estratégia?

_ Não sei. O que posso dizer é que foi algo muito deliberado.

Naquela época ocorreram coisas estranhas. Por exemplo, justo no momento em que começava a Tensy, Carlos convidou vários companheiros para que se reunissem com ele em Los Angeles. Entre eles estavam Toni, Jacobo, Michael, Carlos e Mariví, entre outros. Ficaram no hotel Claremont, perto da casa do nagual.

Nessa noite, Mariví teve uma revelação. Estava dormindo e sentiu que havia uma presença na casa. Abre os olhos e vê ao pé da cama Carlos e Carol Tiggs, a mulher nagual! Afirma que a tomaram pela mão e a levaram para outro lugar, onde lhe mostraram tantas coisas que regressou completamente alterada.

Eles nunca quiseram falar desse assunto, mas sei que receberam uma informação muito especial; o nagual os iniciou ou algo assim, porque, quando voltaram, Mariví me disse, com a voz trêmula de emoção: “Vivemos algo tão forte, que nos tornamos irmãos! Agora somos uma fraternidade.”

Também me falou sobre um pacto secreto, algo assim como tornar-se cúmplices do conhecimento. Creio que Carlos moveu seu ponto de encaixe coletivamente. Em pouco tempo, cortou-os a todos, com um pretexto qualquer. No caso de Mariví, porque a havia visto fumando em uma reunião. O lugar dela foi ocupado por Marcela Gálvez.

Marcela era uma pessoa muito complicada, sempre com problemas familiares. Pensando que praticar um pouco de Tensy lhe faria bem, liguei para ela e lhe disse para ir ao grupo de Mariví que ela ia gostar.

Ela foi e então a chamaram para as aulas. No início era muito ciumenta e tinha raiva de Mariví por causa do nagual, mas logo começou a escalar degraus e finalmente foi admitida para ter aulas no grupo interno de Carlos, lá em Los Angeles.

Subiu muito rápido. Um dia, fui ao teatro Amália Hernández, onde iam se apresentar o nagual e as chacmoles, e vejo Marcela decidindo quem entrava e quem não, e revistando os convidados para que não passassem gravadores. Sua autoridade se consolidou no evento do hotel Sheraton, onde também desempenhou o papel de chefe de segurança. Esse foi um evento muito grande, chegaram mais de mil pessoas, o que requeria muita organização. Pode-se dizer que ali nasceu Cleargreen, a instituição encarregada de divulgar a Tensegridade.

_ Quando foi a última vez que viu Castaneda?

_ Com a mudança das estratégias de difusão, também mudou meu status. Apesar de não estar mais encarregada dos eventos, fui convidada para apoiar em alguns aspectos, como difusão e contatos de imprensa.

Ainda pude vê-lo no seminário organizado por Michael Domit no Sheraton. Esse foi um desafio muito interessante, porque, depois que Toni Karam levou 500 pessoas ao hotel Fiesta Palace, nós nos propomos levar mil. Além do mais, a maioria desses pertencia às novas gerações, que não sabiam quem era Carlos Castaneda. Michael ofereceu a infra-estrutura e Grisel Vasquez foi a organizadora. Por instruções diretas de Carlos, eles me pediram que os apoiasse com os meios de informação. Foi uma reivindicação para mim.

A última vez que o vi foi no dia 12 de fevereiro de 1996, no evento “Os novos caminhos da Tensegridade”, organizado no Centro Asturino por Guillermo Díaz, dono de uma fábrica de calçados. Sua esposa Lídia foi a porta-voz oficial, junto com Perla e Marcela.

Carlos estava radiante; deu uma conferência preciosa, na qual esclareceu os novos conceitos do ensinamento, respondeu a muitas perguntas e nos disse muitas coisas referentes à continuação do trabalho. Qualificou sua mudança de estratégia como uma evolução natural à qual os praticantes deviam adaptar-se, sem ceder à tendência humana de taxonomizar, quer dizer, atender a minúcias pessoais que não têm nada a ver com o Espírito. É que alguns de seus seguidores estavam investigando detalhes privados de sua vida, como se isso fosse importante.

Disse que quem se dedica a especular sem fazer acaba abandonando a busca, e que, para que as práticas naguais sejam efetivas, o interesse dos participantes deve ser abstrato. Que o centro motor da nossa busca deve ser em todo momento a consciência de uma necessidade de mudança, e não a curiosidade mórbida.

Para mim, esse evento foi muito importante, porque, como encarregada da difusão, me coube organizar uma entrevista coletiva – a única desse tipo que deu em toda a sua carreira. Um detalhe comovedor foi que o dinheiro arrecadado, mais de 150 mil pesos, foi doado a uma instituição de assistência à infância mexicana. Eu estive presente no dia da entrega do donativo.

Depois desse dia, nunca mais o vi.

_ Como recebeu o anúncio do falecimento de Carlos Castaneda?

_ Não acreditei. Não acredito que o nagual tenha morrido.

A pergunta nos conduz

domingo, 3 de maio de 2015

Eu não sou um "conspiranóico". Também não sou um pessimista. Sou como um garoto curioso, com mania de detetive, um questionador e me faço perguntas. As perguntas me conduzem, e não tenho respostas prontas, mas sinto desde quase sempre que há algo profundamente errado no nosso mundo, em nosso modo de vida. O que é espantoso, o que é incrível para mim é que as pessoas não se questionem e nem saiam em busca de respostas, mas se satisfaçam rapidamente com respostas prontas, fáceis e, normalmente, sem lógica, que não resistem a uma análise mais profunda, tal como a questão do porque bebemos uma água fluoretada, se o flúor, dentro da resposta oficial, é apenas para proteger os dentes. Talvez o flúor já tenha surtido o efeito pretendido pelo sistema e destruído por completo a capacidade de questionar de nós, pessoas, consumidores fluoretados.


Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda: Juan Yoliliztli

_ Por que você usa o nome de Yoliliztli?


_ O nome que uma pessoa recebe dos seus pais nem sempre tem poder, a maioria das vezes é totalmente arbitrário. Em mim, por exemplo, puseram o nome do doutor que atendeu minha mãe. Portanto, Juan Yoliliztli tem muito mais poder e é para mim mais o meu nome, já que me foi dado por um ancião da tradição Nahua, como conseqüência de um evento de poder. Mas essa é uma história que contarei em outra ocasião.

_ Como foi que você conheceu Castaneda?

_ Eu havia lido todos os seus livros no Brasil, minha terra de origem. O que li me convenceu, porque era diferente de tudo quanto havia lido antes; a liberdade era uma meta real. Um dia, tomei a decisão de abandonar tudo e vir ao México em busca do conhecimento. E aqui estou. Não esperava conhecer pessoalmente Castaneda, pois o considerava um guerreiro inacessível. Mas, já no México, descobri que ele costumava dar conferências públicas, de modo que busquei uma oportunidade por todos os meios ao meu alcance.

Um dia, meu amigo Carlos Ortiz convidou-me a participar de uma conferência que o nagual ia dar no apartamento do pesquisador Jacobo Grinberg. Compareci ao encontro com Heiko, um alemão que tinha vindo ao México pelas mesmas razões que eu. Entramos no carro de Heiko e fomos para a casa de Jacobo.

Heiko teve uma idéia. Disse: “Vamos espreitar o nagual!”

Então, lá chegando, ficamos esperando na rua em frente, dentro do carro, durante longo tempo, para parecer que nossa chegada coincidia com a de Carlos. Porém, enquanto observávamos outros convidados que chegavam, passou junto a nós um carro. De repente senti a pressão de um olhar, virei a cabeça e lá estava Carlos, dentro do seu carro, olhando-me! Não sei como, mas soube de imediato que era ele. Ficou me olhando fixamente e depois estacionou o carro uns metros adiante. Corremos a nos reunir a ele.

Nesse primeiro contato aconteceu algo embaraçoso, que para mim foi um augúrio. Carlos vinha carregando uma cadeira. Eu, muito emocionado, quis cumprimentá-lo ali mesmo, na entrada do edifício, e Ortiz me sugeriu: “Ajude-o com a cadeira!”

Sinceramente, a mim não tinha ocorrido oferecer-lhe ajuda, já que, segundo o que havia entendido de minhas leituras, um bruxo não deve oferecer-se assim sem mais nem menos. Essa foi a primeira de uma longa lista de mal-entendidos que se deram entre o nagual e eu.

Depois disso, subimos pelas escadas até o segundo andar e chegamos a um aposento que já estava preparado para a conferência. Grinberg havia posto uma música de fundo ao estilo New Age. Chamou-me a atenção que Carlos, fazendo um gesto de desagrado, pediu-lhe que a tirasse. Procurei sentar-me bem junto dele, já que é uma premissa dos bruxos que, se duas energias estão suficientemente próximas uma da outra, ambas interagem e podemos aprender coisas mesmo sem palavras.

Para mim, essa primeira conferência foi algo extraordinário. Pela primeira vez o ouvi falar sobre o ponto de encaixe e vi os desenhos que Carlos fez em um quadro-negro, tentando nos explicar sobre o alongamento do ovo luminoso, uma manobra que os bruxos antigos faziam para ser imortais.

Falou da importância pessoal, e de como ela nos obriga a agir de formas alheias aos nossos interesses. Também se referiu à recapitulação.

Grinberg comentou que ele já estava recapitulando por escrito e que poderia talvez publicar suas anotações algum dia. Carlos fez uma série de comentários, dando-nos a entender que a recapitulação não tinha nada a ver com isso.

No meio da conversa, chegou uma moça loura muito simpática e sorridente que usava um penteado estilo punk. Carlos nos apresentou como Florinda Donner Grau, uma de suas companheiras, discípula de Dom Juan Matus. Por aquela época eu havia lido um livro de Florinda sobre questões antropológicas, mas ainda não sabia que ela havia conhecido pessoalmente Dom Juan. Junto com Florinda chegou outra senhora que se apresentou como Dona Soledad, bruxa curandeira, discípula da mestra Magdalena.

Terminada a reunião, ficamos conversando um pouco. Quando se apresentou a oportunidade, me aproximei de Carlos, dei-lhe a mão e, olhando-o nos olhos, disse: “Quero agradecer-lhe sinceramente por haver escrito seus livros, porque me serviram muito.”

Ele ficou me olhando fixamente, mas não disse nada.

Quando tive oportunidade, pedi a Florinda que me dissesse, como vidente, qual era minha classificação luminosa dentro do esquema do nagualismo. Ela ficou nervosa, desculpou-se e disse que ver tomava muita energia, que não era assim que se faziam as coisas entre os bruxos. Perguntou-me quem eu era e o que fazia. Contei-lhe que tinha vindo do Brasil e que fazia cinco anos que esperava uma oportunidade de conhecer Castaneda. Ela pareceu saber do que eu falava, pois exclamou: “Ah! É você?”

Disse-lhe que, enquanto esperava minha oportunidade, pus em prática as técnicas de espreita aprendidas nos livros de Carlos e me estabeleci no México como empresário do setor turístico. Ela comentou: “Oh! Um homem de ação, verdade?”

Ao sair do edifício, Carlos me puxou para um canto e me perguntou meu nome. Respondi: “Sou Eddy Martinelli, às suas ordens.”

Mas ele exigiu: “Não! Seu verdadeiro nome.”

Isto me surpreendeu, pois não havia dito a ninguém como me chamava na realidade. Senti-me um pouco incomodado, mas lhe disse meu nome de nascimento. Logo quis saber de onde eu era. Disse, e ele me perguntou: “Conhece essa canção?”

E em seguida cantou em português uma toada que, desditosamente, eu não conhecia. Tive que admiti-lo: “Sinto muito, mas não a conheço.”

Segundo creio, este foi outro augúrio. Conforme eu for lhe contando, você vai ver como, pouco a pouco, meu caminho se afastava do de Carlos.

A vez seguinte que o vi foi quando me ligou Fausto Rosales, o editor dos livros do nagual no México, e me comunicou que ia celebrar uma reunião na Casa Amatlán, um centro esotérico dirigido por Carlos Ortiz e Mariví de Teresa. Não vou me estender sobre o tema da Casa Amatlán, porque seguramente outros de meus companheiros têm mais e melhores histórias a respeito.

Saí voando do escritório e corri para o encontro. Encontrei o nagual sentado em uma mesa da cafeteria no térreo, comendo um pastel e tomando seu capuccino. Saudou-me com um aperto de mãos, mas quando retribuí fez um gesto de dor, como se eu tivesse apertado muito forte.

Enquanto comia, contou histórias para os que ali estavam reunidos, que não éramos muitos. Em certo momento, Georgina Silva, uma amiga pintora que nessa época morava num quarto ali, no fundo da Casa Amatlán, disse-me que Fausto me chamava ao telefone.

Corri para atender, perguntei por que ele não vinha e me respondeu que se mantinha à parte dos demais discípulos, e me pediu que avisasse ao nagual que tinha algo para dizer-lhe.

Desci rapidamente para cumprir minha tarefa, e levei Carlos ao quarto de Georgina, onde estava o telefone. Recordo-me de ter perguntado, em proveito de Geo, o que podia nos dizer sobre o Mescalito. É que ela era conhecida como “a filha de Mescalito”, e muitos a consideravam sacerdotisa do peyote. Aparentemente, Carlos pensou que eu estava pedindo permissão para me dopar, porque, de forma cortante, respondeu que esse não era o caminho, e que Dom Juan só lhe deu plantas porque ele era muito rígido. Acrescentou que nós não necessitávamos disso.

Olhei para Georgina como que dizendo: “Ouviu?” Mas, ao observar meu gesto, Carlos pareceu interpretar que eu estava zombando dele, ou pior ainda, que pretendia apresentá-lo a Georgina como um tronado que usava drogas.

Depois de o nagual atender Fausto rapidamente, Georgina mostrou-lhe alguns de seus quadros. Ele gostou muito de suas pinturas. Em seguida, teve uma curta conversa conosco e se justificou, dizendo que tinha um encontro em outro local, e logo iam buscá-lo.

Há tempos que eu discutia com Ortiz sobre a interpretação da obra de Castaneda. No meu entender, tudo o que ele dizia em seus livros era literal, mas Carlos replicava: “Não, Eddy, são metáforas.”

Pareceu-me que aquele era um bom momento para perguntar isso ao nagual, já que Ortiz estava lá, e assim o fiz, em voz alta para que ele ouvisse:

“Ouça, Carlos, o que você escreve é literal ou são metáforas?”

Notei, pela expressão de seu rosto, que de novo havia interpretado mal minha pergunta. Lançou-me um olhar fulminante e replicou em tom mal humorado:

“Claro que é literal! O que eu escrevo é o que é!”

Ao ir embora, despediu-se de todos nós. Estendi-lhe minha mão e ele a sua, mas me olhou com medo, como se eu fosse esmagá-la. Por brincadeira, toquei-lhe só as pontas dos dedos, fazendo de conta que o cumprimentava. Já na saída, disse-lhe que gostaria muito de poder falar a sós com ele. Assentiu e me respondeu:

“Com você quero conversar durante longo tempo.”

Depois entrou em um automóvel e uma pessoa que me era desconhecida o levou.

A ocasião seguinte também foi na Casa Amatlán. Dessa vez nos ensinou algo dos passes mágicos. Foi quando conheci Carol Tiggs, a mulher nagual. Nosso encontro foi muito interessante, pois, ao cumprimentá-la, ela me perguntou como eu me chamava. Disse-lhe e ela virou o rosto. Pensei que o fazia para que eu lhe desse um beijo, e o dei em sua bochecha. Mas ela me explicou que seu gesto tinha sido porque não escutara direito meu nome. Envergonhado, mas com um sorriso, repeti.

Depois quis saber como era o outro mundo. É que, segundo contava Carlos, ela havia permanecido lá durante dez anos. Ao escutar minha pergunta, Carol ficou nervosa e me disse, em mau espanhol, com forte sotaque americano, que era um lugar difícil de descrever, e que a única coisa que podia dizer é que lá as consciências se deslocam através de linhas de energia.

Quando ia saindo, convidei Carlos para dar uma palestra em meu escritório de turismo. Minha surpresa foi enorme quando aceitou e disse:

“Amanhã nos vemos lá às quatro da tarde.”

Quis explicar-lhe onde era, mas ele me disse que só desse o endereço que ele chegaria.

No outro dia estávamos todos ali, esperando-o. Heiko havia ido comprar umas folhas para o rotafólio, com a esperança de que o nagual escrevesse algo que ele pudesse guardar. Enquanto aguardávamos, não sei como ele apareceu do outro lado da rua, bem em frente a nós, acenando com a mão. Olhamo-nos atônitos, perguntando-nos: “Como ele chegou ali?”

Atravessou a rua e cumprimentou cada um de nós. Logo entrou em meu escritório e pediu permissão para usar o banheiro. Eu tive que dizer-lhe onde estava o interruptor de luz, pois ele não conseguia achar. Depois foi com Alex até a cozinha para buscar algo; quando alguém perguntou o que buscava, respondeu:
“Alejandro e eu estamos aqui buscando um passo para a liberdade.”

Só haviam sido convidadas umas dez pessoas, mas logo chegaram outras, entre elas Marcela Gálvez, conhecida como Malini.

Foi então que nos contou a história do Bacharel, que era um famoso locutor de rádio do México e de como lhe dizia:

“Mas, Carlos, se tudo isso fosse verdade, nós já o saberíamos.”

Aconteceu que depois de sua morte ele se apresentou a Carlos em seu corpo de energia implorando-lhe que desse uma oportunidade aos seus filhos.

Também se apresentou nessa ocasião Amy Wallace, a filha do famoso escritor, amigo de Carlos.

Pouco depois apareceu Manuel Zurita; Fausto havia me advertido que não o convidasse, já que o nagual não se dava bem com ele. Quando Manuel chegou, Carlos se virou para mim e me perguntou em voz baixa: “Você o conhece?”

Eu o conhecia, mas respondi que não. Não era minha intenção mentir, e sim explicar que eu não o havia convidado, mas as coisas saíram assim.

Durante a reunião, Carlos falou mal de Grinberg. Disse que era um egomaníaco incurável, que queria comer a Carol Tiggs e lhe havia enviado uma carta de amor de doze páginas de extensão. Carol rasgou a carta, e quando ele lhe perguntou, ela respondeu que não a havia recebido. Fez isso para ser delicada com ele, mas Grinberg havia tirado cópias de sua carta, e tornou a enviar!

Enquanto Carlos nos contava essas barbaridades, entrou na sala Jacobo Grinberg. Todos ficamos em suspense, mas o nagual, levantando-se da sua cadeira, deu-lhe um caloroso abraço e o convidou a sentar-se.

Nessa ocasião, nos contou que Dom Juan e seu grupo haviam ido à cúpula dos naguais, como quase todos os da sua linhagem; o único que havia conseguido saltar à terceira atenção foi o nagual Julian. Para que entendêssemos melhor sua explicação, fez uma comparação usando a tábua de uma mesa oval de conferência que havia na sala. Disse, assinalando o ponto central da mesa:

“Dom Juan chegou até aqui; eu estive além das bordas desta mesa.”

Terminada a conferência, observei que Heiko estava triste, pois o nagual não havia anotado nada nos papéis que ele havia preparado.

Em outra ocasião em que Carlos veio nos ensinar os passes mágicos, alguém me disse que se havia hospedado no Hotel Maria Cristina. Tomei nota do endereço e fui com Alejandro na hora do café da manhã. Nós o encontramos reunido com vários companheiros e companheiras. Eu só queria entregar-lhe alguns presentes que havia trazido de minha última viagem ao Brasil, e os reparti; ao nagual dei um chaveiro com uma cabeça de piranha. Depois saímos tão rápido quanto chegamos.

No fim de semana regressei ao hotel, sozinho e sem ser convidado, pois sentia urgência de falar com ele para tomar uma decisão. Calculei o horário no qual Carlos descia para tomar seu café da manhã, de modo que me apressei e cheguei justamente quando faltavam três minutos para as nove. Ele foi exato como um relógio; não esperei nem um minuto e o vi descendo as escadas. Ao ver-me, contorceu o rosto em claro gesto de desagrado, e me dei conta de que estava sendo inoportuno. Depois de nos cumprimentarmos, pedi desculpas por incomodá-lo e disse:

“Nagual, estou desesperado. Não sinto avanço nenhum no meu caminho e quero fazer algo, porque minha vida está se indo.”

Ele comentou:

“Calma, Eddy, calminha! De fato, você está melhor que todos os outros.”

Pensei que ele estava zombando de mim, pois eu me considerava o mais idiota do grupo. Insisti em afirmar que não me sentia nada bem. Nesse instante se aproximou Carol e Carlos perguntou-lhe, apontando para mim:

“Não é verdade que Eddy está com a energia muito boa?”

Ela me observou por um instante e depois disse:

“Sim, tem as fibras muito esticadas.”

De novo pedi desculpas por irromper em seu ambiente e comecei a caminhar em direção à saída. Carlos correu atrás de mim, me alcançou e me disse:

“Recapitule, Eddy, recapitule!”

Eu disse que o faria e me despedi. Na verdade, sentia-me algo ofendido pelo gesto de desagrado com que ele me havia recebido. Tive a impressão de que ele havia se aborrecido por ter sido pego em meio a uma de suas rotinas, já que a fortaleza de um nagual consiste em não ser previsível.

Daí em diante, tive que chegar aos encontros sem ser convidado. Estava consciente de que não era bem-vindo, mas ainda assim continuei indo às práticas e conferências.

Foi por essa época que ele começou a cobrar por suas palestras. Lembro-me que, como desculpa, disse que seu contador o havia feito assinar alguns papéis que ele assinou sem prestar atenção, e logo o sujeito sumiu, roubando-lhe tudo o que tinha. Por isso estava cobrando pelos seminários. Eu, que sempre fui um buscador desconfiado, comentei com meus companheiros: “Mas ele não é um vidente? Como não viu que o enganavam?”

O tempo mais longo que passei com Carlos foi no seu primeiro seminário em Culver City High School, um lugar próximo a Los Angeles, onde passamos quinze dias escutando-o manhã, tarde e noite. Cada um que assistiu ao seminário pagou dois mil dólares, e como éramos mais de mil pessoas, para todos ficou claro que se tratava de um muito bom negócio. Creio que foi a partir dali que realmente comecei a analisar o que estava acontecendo: mais do que entrar em um caminho de conhecimento e nagualismo, me deu a impressão de que estávamos sendo explorados como qualquer crente.

No seminário tentei cumprimentar Florinda, mas ela fez um gesto de negação, ainda que tenha me dado brevemente a mão. Mais tarde, no meio dos exercícios, decidi ir ao banheiro e passei perto dela. Chamou-me e me perguntou: “Que aconteceu com você, Eddy?”

Referia-se a um terrível acidente que eu havia sofrido pouco antes; mas preferi fingir que não entendia e repliquei: “Está tudo bem, obrigado!”

Perguntou se eu estava praticando a Tensegridade e respondi que sim, todos os dias. Ela repetiu, em tom de assombro: “Todos os dias?”

Tornei a repetir: “Todos os dias!”, e sem esperar que ela continuasse falando, dei-lhe a mão em sinal de despedida e fui para o banheiro.

O que lhe disse era verdade, por aquela época eu dedicava muito tempo e esforço a praticar os exercícios. Queria corroborar com total sinceridade o que havia lido e escutado.

Em determinado momento do encontro, Carlos nos contou que a mulher nagual havia recebido de presente um chicote e o havia transformado em um objeto de poder. Depois anunciou que ela ia nos envolver a todos com seu Intento, e nos pediu que baixássemos a cabeça e fechássemos os olhos, advertindo que, depois disso, já não seríamos os mesmos. Como então eu já me sentia meio incrédulo, nem baixei a cabeça nem fechei os olhos. Pude ver como Carol passeava pelo palco, açoitando a palma da mão com o chicote. Não aconteceu nada! Escutei alguns comentários de decepção em torno de mim, mas eu mesmo não me decepcionei, porque já não esperava nada do assunto.

Entretanto, tenho que confessar que também ocorreram coisas estranhas. Por exemplo, uma das palestras foi dedicada somente às mulheres. Aproveitei o dia para visitar um amigo que vivia um pouco distante dali, numa cidade em que existem cassinos. Quando cheguei, fui jogar em um cassino. Depois peguei o avião e voltei rapidinho para a conferência do outro dia. Assim que entrei, Carlos começou a falar sobre aqueles “guerreiros” que vão a cassinos. Senti que esfriava por dentro e fiquei bem quietinho.

Ele tinha esses momentos de intuição. Recordo que, em outra ocasião, antes de ir à conferência comprei um sorvete como os que eu gosto, de baunilha por dentro e chocolate por cima. Pelo caminho, fui saboreando com total desfrute o sorvete e o terminei antes de chegar. Não sei como o nagual percebeu, mas pôs-se a dizer:

“Tem gente que vem com sua merda de sorvete grandototote... e se põe a lamber assim!”, fez uma mímica exagerada, como um cachorro lambendo um osso. “O sorvete cai em cima deles e eles continuam lambendo, lambendo... até lamberem a si mesmos!”

O sinal definitivo de nossa ruptura teve a ver com uma reunião a que eu, por questões de trabalho, não pude assistir. No entanto, os dirigentes da Cleargreen debitaram a conta no meu cartão de crédito. Fui reclamar por essa irregularidade e me devolveram a metade do dinheiro, mas com má vontade.

Algum tempo depois, Carlos deu uma série de conferências no Pawley Pavillion de Westwood, a um custo de mil e quinhentos dólares a entrada. Dessa vez sim, poderia assistir, mas, quando ia pagar o boleto, as pessoas que estavam cobrando se afastaram um instante e voltaram com a resposta: “Você não é bem-vindo aqui”. Em seguida chamaram dois seguranças e me puseram para fora.

Este incidente me doeu muitíssimo. Passei uma época muito amargurado, com a mesma sensação que se eu houvesse rompido um noivado e muitas coisas tivessem ficado mal resolvidas. Eu só pensava e falava sobre o mesmo tema, porque para mim era impossível negar as experiências pessoais que havia tido a partir da obra do nagual. Mas, ao mesmo tempo, era claro que havia algo nas atividades e no desenho dos grupos que não funcionava bem.

Foi por esse tempo que recebi um dos maiores presentes que jamais me deram. Um dia, encontrei um companheiro de práticas chamado Armando Torres, e ele notou de imediato meu estado de abatimento. Contei a ele, e me sugeriu: “Por que não se faz responsável você mesmo por sua busca?”

Essa pergunta foi como uma ducha de água fria para mim, pois era verdade que eu havia posto todas as minhas expectativas em Carlos, como se ele fosse me salvar; em conseqüência, me sentia defraudado. Armando me fez ver que o nagualismo não tem nada a ver com um grupo de fiéis reunidos, esperando com a boca aberta que lhes lancem alguma migalha de conhecimento; que eu podia seguir adiante sozinho e sem a ajuda de ninguém.

Assegurou-me que nas ações dos bruxos não há nada pessoal, porque quem toma a decisão final é o Espírito, e me aconselhou a não julgar o nagual a partir do ser humano Carlos, já que isso era injusto tanto para Carlos quanto para o nagual.

Essas palavras me foram difíceis de aceitar, mas finalmente compreendi. Desde então me tornei mais livre. Em meio ao caos, encontrei uma base surpreendentemente sólida, onde o Eu é somente uma parte de algo infinitamente maior. Minha busca deixou de ser pelo pessoal e se transformou em um intento abstrato de bruxos.

_ O que pode nos dizer sobre o ensinamento de Castaneda?

_ Veja, Carlos é um nagual da liberdade. Sua obra está além dos juízos cotidianos. Não podemos chegar até ele como quem se acerca desses mestres que tanto abundam em nossa época. Se alguém não vai ao nagualismo como guerreiro, o mais certo é que saia ofendido.

Todo ser humano em algum momento pensa: “Qual é o significado de minha existência?” O que fez Carlos foi nos dar uma resposta a essa pergunta, que é tão antiga quanto o homem mesmo. E sua resposta foi: “O significado de sua vida é que você seja livre.”

A grandiosidade da lição de Carlos não é que desse explicações razoáveis ou que fizesse milagres. Ele não fazia aparecer coelhos! Mas punha você em situações nas quais tinha que decidir entre a conduta ordinária ou a conduta impecável. Deu-me elementos concretos para ser livre, e a primeira coisa que fez foi cortar a fascinação que eu sentia por ele.

Em uma ocasião esteve falando do transitório de nossa situação como seres humanos, e nos disse:

“A única coisa que conta para mim é poder deixar algo de valor ao meu irmão, o homem. Não me importa quanto tempo leve para vocês entendam o que é que estou fazendo, porque sei que chegará o dia em que o ser humano lançará fora seu jugo perceptual e será livre.”

A mensagem de Castaneda é que sejamos honestos conosco mesmos. Se você está buscando o conhecimento, investigue, experimente. Não espere nada, nem dele, nem de ninguém. Não engula as coisas que lhe dizem assim sem mais nem menos, busque suas próprias respostas. Se lhe dizem que um mais um são dois, vai e verifique-o, porque, de outro modo, você vai se transformar em um crente, e os crentes não têm futuro.

O nagualismo não é uma congregação de crentes, é uma aliança de experimentadores. Em uma ocasião, Carlos nos ordenou que queimássemos seus livros. Isso não significa queimá-los literalmente, como entenderam alguns; significa que devemos aprender a pensar por nós mesmos. A maior mensagem que o nagual nos deixou é: vocês são livres, pensem por si mesmos.

Nesse sentido, as obras de Castaneda são uma fonte incomparável de inspiração para mim. Há uma parte que me toca em particular, e é quando ele nos pergunta por que somos tão frouxos que ficamos esperando que outros venham fazer as coisas por nós. Que grande pergunta essa! Estamos facultados por natureza para ver que o mundo é um mistério: por que temos que esperar que outro nos venha dizê-lo?

O ensinamento de Carlos também tem uma dimensão social, já que a resposta que ele deu para o enigma de nossa existência tem a ver com o conhecimento acumulado durante milhares de anos por grupos de experimentadores da América pré-hispânica. É absurdo pensar que esse conhecimento tão antigo vai se deter só porque Carlos morreu. Não! O plano da consciência ultrapassa seus participantes.

Como nagual, ele nos traçou um caminho, agora depende de nós segui-lo. Tudo o que fez foi para ampliar a consciência, e isso não terminou, está mais ativo que nunca, apesar de algumas pessoas se sentirem ameaçadas por isso.

_ O que pode nos dizer sobre os cíclicos?

_ Esse é um ensinamento que poderíamos considerar “esotérico”. Carlos não o publicou, porque o reservava para o trato pessoal. Segundo o que entendi do assunto, os cíclicos são pessoas que nascem com o mesmo selo energético, com as mesmas configurações em sua luminosidade. Isso não significa que compartilhem a personalidade ou a alma, como supõem os crentes. Por exemplo, um nagual que tem quatro divisões em seu campo energético é cíclico do nagual anterior; do mesmo modo, uma guerreira do sul, que tem a energia um pouco opaca, é cíclica da que a precede, e assim sucessivamente.

Mas os seres humanos estamos normalmente tão misturados, que poucos de nós somos puros, não somos tonais plenos, porque não cultivamos o caminho do guerreiro. Pode-se dizer que não somos “puro sangue”, e sim híbridos. O trabalho de um homem comum e corrente é limpar-se de todas as misturas, de todas as contaminações, até que o pessoal diminua ao mínimo e o indivíduo comece a ser o reflexo do seu cíclico.

Os bruxos fazem isso deliberadamente, é a essência de sua preparação. Pode-se observar esse processo em Silvio Manuel, que começou com uma cor âmbar rosado comum e terminou com o âmbar mais puro de todos. A Gorda foi identificada a princípio como uma cíclica das mulheres do sul, mas, quando se purificou, mostrou ser cíclica das mulheres do norte.

À medida que o guerreiro avança em seu treinamento sua massa energética sofre mudanças. Por isso, os organizadores de um grupo têm que ser muito afinados, têm que ser videntes para determinar. É sumamente arriscado dizer a um aprendiz: “Você é uma sul, uma norte, um erudito...”, porque a energia muda com o trabalho. É por isso que Carlos não gostava de falar desses assuntos.

_ O que opina sobre os cíclicos especiais, que vêm a cada certo tempo com um nagual de três pontas?

_ Não tenho muito clara a função desses naguais. Entretanto, de acordo com a regra, para esse tipo de líderes existe um plano muito mais amplo que tem a ver, não com as particularidades de um grupo, mas com o tonal dos tempos. Esse plano inclui a raça humana em sua totalidade, mesmo que sem perceber. Todos nós somos partes da regra, ainda que não o saibamos.

Perguntei aos companheiros que estiveram mais próximos de Carlos, particularmente aqueles que o conheceram na época em que ele se relacionava com a tradição mexicana. E o que entendi foi que os antigos bruxos tinham um calendário que servia para muito mais que somente medir o tempo; era um sistema que abarcava a energia do planeta e do ser humano, e estava em harmonia com os ciclos dos tempos, o que dentro do nagualismo se conhece como a modalidade da época. Dizem que o advento de um nagual de três pontas acontece aproximadamente a cada mil anos. Os pré-hispânicos simbolizavam as mudanças cíclicas apagando seus fogos e reconstruindo suas cidades a cada 52 anos, em sinal de renovação total.

O grupo de um nagual de três pontas, como foi o caso de Carlos, é completamente atípico dentro dos cânones de uma linhagem. De fato, não é um grupo, e sim um intento desesperado de alcançar a liberdade pelos próprios meios. Os guerreiros que se agrupam em torno de um nagual deste tipo também são atípicos e, logicamente, pertencem a uma faixa especial da energia. A maioria deles manifesta características próprias dos naguais.

Nós, que o conhecemos e tratamos com ele, somos um reflexo de Carlos, não podemos evitá-lo. Portanto, nos devemos ao público e por isso estamos falando para todos. Acredito, como disse uma de minhas companheiras, que estamos imbuídos da energia do nagual de três pontas e irradiamos suas maneiras. Somos cíclicos de pessoas que viveram na antigüidade há mil anos.

O nagualismo está iniciando uma nova etapa; de alguma maneira, as coisas começam a tomar forma.

Carlos já o havia previsto: disse-nos que o novo milênio estará dedicado à consciência com uma força nunca antes vista; será uma época em que o homem buscará a si mesmo, afastando-se mais e mais do impulso do rebanho. Afirmou que era uma questão de tempo as pessoas começarem a se fazer perguntas e a experimentar.

A abertura do conhecimento provocou um giro da energia. Conheço vários grupos bem estruturados, que estão trabalhando com seriedade para aumentar o nível de consciência de seus integrantes e preparando-se para o salto final. Embora deva advertir que a tendência geral é de que a poeira se assente, para que se possa regressar às práticas do nagualismo clássico.

_ A que se deve seu interesse em publicar as memórias de Castaneda?

_ Nós, que participamos de reuniões e conferências dadas pelo nagual Carlos, temos o compromisso, perante outros buscadores que não tiveram essa sorte, de dar a conhecer o que ouvimos. Ele nos ensinou de viva voz seu conhecimento, e nos disse que não poderíamos restringi-lo como se fosse uma propriedade pessoal, porque isso atentaria contra o objetivo da liberdade.

Isso é algo que me custou muitos anos entender, mas, uma vez que o entendi, me senti comprometido.

Meu erro com ele foi ter sonhos, expectativas, tentar interpretar seu ensinamento de acordo com a imagem que fiz dele a partir da leitura de seus livros; idealizei o que devia ser um grupo de naguais. Já me via como parte do grupo, alguém que ia participar do intento coletivo para a liberdade.

E não foi assim!

Agora, com o passar do tempo, vejo que, com efeito, havia um plano para mim, e meu plano é apoiar a divulgação do conhecimento. Por razões que contarei em outra ocasião, estou envolvido com o ramo editorial, fazendo quanto esteja ao meu alcance para manter a memória de Carlos, e aproveitando para expressar-lhe meu eterno agradecimento por me haver ensinado o caminho da liberdade.

Ofereço a todos os discípulos e não discípulos do nagual, e a todos os que tenham alguma história para contar sobre ele, a oportunidade de publicar suas memórias. Eu mesmo penso em escrever algum dia com mais detalhes tudo aquilo que testemunhei.