Arcano 13

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Você está morrendo. Agora mesmo você está morrendo. Cada minuto é um passo na direção do fim. Atingir um fim ou meta ou finalidade é morrer. Alexandre, o grande, conquistou em sua época o mundo conhecido, e chorou. Ali, de certa forma, ele morreu. Mas já não estava morrendo antes? Esse instante mesmo pode ser o seu último instante. Morte. Isso significa que a morte não é algo que vai lhe acontecer no futuro. A morte é algo que já está lhe acontecendo. Acontece agora mesmo. Está aí, presente, viva e atuante. Não é apenas o fim, é o processo do próprio viver.

"A vida é o processo pelo qual a morte nos desafia".

O viver é o campo de batalha. A morte é a desafiadora. O guerreiro é aquele que compreende o desafio, que compreende que o viver só vale à pena pelo desafio da morte. Esse é o caminho dos desafiadores da morte. Caminho para poucos.

A morte é algo que acontece no presente, aqui e agora. A morte é iminente, presente, está a um braço de distância a nossa esquerda, é nossa companheira e testemunha, mesmo que não estejamos conscientes disso.

Isso não é para ser pensado ou projetado como um evento futuro. É um fato energético: morte.
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Não é algo para ser pensado ou para ficarmos obsedados e deprimidos. Isso é uma armadilha do ego. O ego sempre situa a morte no futuro, porque ele mesmo é incapaz de viver no presente. Isso é típico do ego, pois ele é incompetente para viver a intensidade do presente. Então ele manipula o conhecimento de nossa efemeridade de forma tal a ficarmos obsedados com o fim, como algo distante e, portanto, nos levando à um tipo de paralisia deprimente. Encarar a morte como fim da vida expressa uma sintaxe da morte como o último ponto, a parada final da linha da vida, típico de uma ideologia que quer dissociar a morte da vida, que quer alijar a todo custo a certeza da morte colocando-a no fim e até mesmo ignorando-a ou mascarando-a.

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A morte não é o ponto final da vida, não há um trajeto pré-determinado onde a vida termine, tal como um terminal rodoviário, pois o ônibus mesmo pode encontrar seu fim em qualquer ponto do caminho. A vida e a morte se entrelaçam, não podem ser dissociadas, na verdade. Dissociá-las, dividi-las, separá-las é típico de uma visão de mundo que aliena o ser de sua natureza básica: a mutação, a transformação, o fluir, o morrer. Tal como o Tao. Forças opostas e complementares.

Consciência-Tempo-Morte-Vida

domingo, 28 de agosto de 2016

(Recomendação: coloquem o vídeo que está no fim do texto para carregar enquanto lêem, assim poderão sentir melhor a carga emocional do mesmo.)

Saudações!

O saber Tolteca, ao contrário do que o senso comum e opinião corrente crê, não foi transmitido ao mundo apenas pelo Nagual de 3 pontas. Outros naguais, de outros clãs também se juntaram a mesma força que ainda se manifesta de tempos em tempos, quando uma tradição que se julga extinta subitamente floresce e dá uma bela e inspiradora flor.

Como se agitam e se incomodam os que pensaram ter derrubado todas as árvores floridas de nossas terras e deixado apenas aquelas espécies que parasitam, cultivadas em regime de plantation.

O povo nativo dessas terras, isto é, aqueles que em alma e/ou corpo nasceram nestas terras sempre foi explorado em função de Impérios externos. Esta forma de viver existe há tanto tempo...Esse sonho foi imposto ao mundo num lento processo que se torna evidente com Júlio César queimando uma parte da biblioteca de Alexandria e importando para Roma o estilo faraônico de governar e dominar pela religião.

Religião e exército, a força ideológica e das armas se unem sob a égide dos ideais de uma sociedade escravocrata, estamental e já em decadência. O resto é história. Depois de criarem um cristianismo para seus interesses, despindo a doutrina de tudo que pudesse levar a auto consciência, perseguiram todos os grupos que mantinham interpretações mais ligadas "ao espírito".

Cátaros, Albigineses, Templários, Cristãos Celtas estes e muitos outros grupos que se recusaram a conversão, foram trucidados. Durou séculos esta histeria e magicamente, necromanticamente, impuseram um "trauma" a alma do mundo. A consciência coletiva do mundo foi "imprimida" , "traumatizada" com os ritos necromantes dos Inquisidores, que atuaram no "novo mundo " tanto quando no velho.

Depois de destruir a cultura e a tradição ancestral se organizaram em feudos poderosos, alianças instáveis foram feitas e se lançaram a conquista de outros lugares, para manter o modelo de colônias produtoras de matéria prima a baixo custo, possessões fornecedoras de escravos. A descoberta deste continente e sua invasão, genocidio de sua população nativa e saque de suas riquezas ainda continua, mas há os que querem comemorar os "500 anos", data da qual pateticamente quiseram fazer uma data "histórica" revelando a natureza das elites dominadoras, capatazes dos verdadeiros lordes feudais, que ainda estão sobre o muro que separa mundos, viventes de sobreviventes.

Vieram, destruíram os povos e os apagaram da história. Foi tal a sentença de morte traçada aos povos nativos que falamos dos índios como se nào mais existissem. Vejam as abordagens tidas por histórias: "os ''indios foram..." quase sempre citados no passado e como algo já destruído, ocultando o fato que as populações nativas ainda tem muitos núcleos sobreviventes, agora, neste momento, lutando tenazmente pela vida e continuidade, contra multinacionais, garimpeiros, madeireiros e fazendeiros que querem apenas um pouco mais de dinheiro para seus luxos e sacrificam culturas inteiras. Vidas, preciosas vidas perdidas para sempre.

Dos gelados pólos às florestas equatoriais esse continente já era habitado. Povos dos mais diversos aqui viviam. Civilizações de uma complexidade tal que a mais simples delas tornaria muito pálida a chamada ofuscante civilização helênica ou qualquer outra que seja usada ainda como base da cultura hora dominante. Na Península de Yucatã, nos contrafortes andinos, nos desertos, nas planícies de onde hoje está os EUA, nos norte gelado, no extremo sul em muitos lugares floresceram civilizações que apenas seus monumentos de pedras, seus inquietantes sinais grafados ao solo, só passíveis de serem lidos de grande altitude, são resquícios silenciosos da outrora exuberante e sofisticada cultura que aqui vivia.

Civilizações que eram herdeiras de outro tempo, do qual é muito difícil falar. Nossa percepção de mundo é fruto de uma "leitura" que fazemos da realidade. Usamos como referenciais para esta leitura informações da memória. A memória compõe nosso repertório em cima do qual fazemos associações com as experiências que já temos para garantir nossa "compreensão". Falar destes outros tempos entra numa esfera de vivências que não existe na memória fornecida por essa civilização. Essa era tem forte a imagem cinematográfica. E criam outras épocas com vestes e cenários, maquiagem e expressões, mas esquecem que a percepção do mundo em outras 'épocas é diferente. Os toltecas chamam isso de Tonal dos Tempos. O tonal coletivo de uma era. Nestes outros tempos uma civilização planetária havia existido, como essa, na qual eu, do interior de Minas escrevo para vocês em pontos diferentes do planeta. Mas esta outra civilização planetária tinha conhecimentos ao que parecem mais arrojados e a maior prova disso é a falta de vestígios dessa ancestral civilização.

Notem que há uma tendência de só conhecer um povo do passado, usando os métodos modernos, pelos vestígios que deixaram. Assim, um povo ecológico, harmônico com o meio, que desenvolveu uma tecnologia limpa e não poluente, que reintegrava tudo que gastava na natureza mantendo um equilibrio ideal com o meio, não deixa vestígios. E os métodos oficiais de pesquisa não terão "provas palpáveis" de sua existência. Mas existem outras qualidades de "vestígios".

As lendas e tradições de todos povos deixam sobreviver os que nem rastro nem poeira na estrada da história deixaram. O caminho interior de cada povo nativo é uma certeza de vida e continuidade. Frente a efemeridade, a inconstância, a mutabilidade constante de tudo que foi criado , de tudo que "existe" os povos naturais criaram linhas de transmissão de seu saber. Saber para um povo natural é conseguir expressar em atos concretos o que diz conhecer.

Não tem sentido teoria separada da prática na abordagem da realidade dos povos naturais, onde cada dia é um desafio, onde não se compra comida e água em supermercado, mas depende-se completamente da habilidade e do poder pessoal para as mais básicas necessidades. Ir no mato aliviar os intestinos pode ser um risco de vida se você não sabe andar no mato ou não está em harmonia com ele. Povos dessa mentalidade criaram o que chamamos "caminhos naturais."

Naturais porque aprenderam com a própria natureza. E a natureza, a fonte de tudo, a sagrada natureza que os(as) xamãs de todas as épocas tem por fonte de seu poder e sua sustentação era também um limite. Essa foi o primeiro paradoxo que encontraram. Sabiam que a natureza só desenvolveu o ser humano até um certo ponto, até o ponto que lhe interessa. O ser humano é como uma enzima no organismo do ser Terra. Temos uma função, captar energias cósmicas e transmutá-las para a absorção do ser Terra que como todo organismo só pode absorver energia dentro de um espectro.

Como a celulose pode ser digerida pelos ruminantes e não por nós, há substâncias que vem da Eternidade e são fundamentais a vida do ser Terra, como a glicose ou certos aminoácidos ao nosso organismo, mas que não podem ser absorvidos em sua forma original. Assim como as proteínas tem que ser decompostas em seus aminoácidos fundamentais para serem absorvidas nutricionalmente pelo organismo, nós, através de nossa respiração , do alimento que ingerimos captamos e transformamos elementos.

O que os (as) xamãs sabem é que também todas as nossas vivências, tudo que nosso corpo experimenta, estão transmutando energias vindas da Eternidade. O que vemos, o que sentimos tatilmente, o que cheiramos, o que ouvimos, o que degustamos tudo isso nos "alimenta" também.

A qualidade de nossa energia interior é a somatória de tudo isso.

E estamos a todo instante com nossos atos, emoções e pensamentos processando substâncias de naturezas diversas e transformando-as em novas classes de substâncias que serão absorvidas pelo Ser Terra. Os(as) xamãs Toltecas perceberam que os ritos eram formas sofisticadas que os antigos usavam para criar certos alinhamentos de energia que potencializavam a entrada em estados alterados de consciência. Eles usavam os ritos como mapas. Pelo rito sabiam a "trilha energética" que tinham seguido para chegar no mundo ao qual se projetavam, pelo rito podiam assegurar a volta. Por sorte muitos dos ritos que os imitadores praticam hoje estão incompletos, ou seus praticantes se veriam jogados subitamente em mundos estranhos sem terem o suficiente treinamento para lidar com isto. Pois outro fato que os (as) xamãs toltecas perceberam foi a natureza predadora da Realidade. Quem já passou um tempo em florestas sabe disso, cai por terra a bobeira patética dessa crença civilizada em mundos de seres bonzinhos a nos consolar e ajudar.

É engraçado o civilizado julgar os índios "ingênuos" e "crianças". É interessante observar como o civilizado vive apenas numa camada da cebola, trancafiado em suas celas conceituais e ignorando o incontável número de realidades alternativas que o bordejam a cada instante. E este civilizado tem uma alta perfomance de dominio desta realidade. O civilizado é ultra especializado em sua cultura, mas como a cultura dominante é alienada da realidade natural, como a cultura dominante é escravizadora e limitante perceptualmente, uma cegueira produzida pelo excesso de luz que existe ao tentar se super especializar , ser um expert desta cultura não nos prepara para a verdadeira viagem à ETernidade que nos cerca, a outras ilhas de realidade tonal na vastidão do Nagual.

Foi aí que os povos nativos tiveram parte de sua derrota. Os povos nativos tinha sua magia em FM. Os conquistadores, desde os primeiros aos facínoras e assassinos cruéis vindos de além mar, eles funcionavam em AM, apenas. Quando os xamãs vieram usar sua magia para defender seus povos dos invasores não viram os jaguares mágicos, não viram as criaturas mágicas evocadas, não perceberam os ataques energéticos dos xamãs. O poder dos invasores era sua visão limitada de mundo. Assim, desde o começo do contato o civilizado tira o nativo de sua multivisão e o restringe. Exemplo claro: " Esqueçam seus Deuses e Deusas. Só existe um "O nosso", só uma verdade: "A nossa".

E é pela imposição de sua cultura com a aculturação quase total do nativo que os conquistadores tem conseguido criar um só estado de consciência padrão em todo o mundo. Com uma banda ampla de variação, mas o mundo está preso. Na antiga Bagdá tapetes voadores não voam mais. As bruxas ainda temem voar a luz da lua. Aos românticos sonhadores que me responderam que ainda voam pergunto quantas viu, concretamente, nesta sua vida?

O mundo está dominado por um estado de consciência implantado. Junto com suas armas , suas doenças os conquistadores trouxeram seus credos de culpa, medo, insegurança e ausência de si mesmo. Doutrinaram nossos antepassados e implantaram um condicionamento que tem algo de atávico , por isso complexo de se livrar. Assim compreender o caminho do Xamanismo Tolteca, especialmente dos clãs guerreiros, exige uma mudança de paradigmas. E esta mudança não é apenas conceitual. A mudança que os guerreiros e guerreiras Toltecas buscam é a mudança mais radical, mais profunda possível. Buscam mudar todo seu SER no mundo.


Se voltarmos a nossa analogia de enzimas, todos seres humanos fazem parte de um organismo. Vivemos nossas vidas, nos emocionamos, aprendemos, enfim acreditamos que temos um "EU" que criamos nossa vida e estamos sempre fazendo algo. Os(as) espreitadores(as) Toltecas mirando os seres humanos em seu dia a dia concluíram exatamente o oposto. Para os (as) espreitadores (as) os seres humanos agem como agem dentro de um esquema pré montado. Não há agir, há reagir. Tudo mecânico e cheio de hábitos. Tudo dentro de um esquema. Um esquema vasto é verdade, que permite muitas combinações e permutas entre seus elementos, criando uma ilusão de criatividade e inovação, mas um sistema fechado.


Isto chocou os(as) miradores(as) espreitadores(as). Levou-os(as) a profundas considerações. E perceberam que a consciência é dada ao ser humano para ser enriquecida pelo processo de existir, mas depois é tomada.
Como um rio que desagua no mar. Como uma nuvem que atinge seu nível limite de densidade e se desfaz em chuva. Pode voltar diretamente para o mar, ou atravessar terras, plantas, seres e ventos, mas voltará ao mar. Como tantos seres sobrevivem após o fim do Tonal, porém espectros, não mais totalidades e ainda assim no final, entregam a consciência ao mar escuro de onde ela veio. Os(as) videntes perceberam que existia outro aspecto no ser humano. A energia vital. Esta energia vital era a que animava a célula ovo. Esta energia vital surgia como resultante de "n" vetores. A energia dos genes no óvulo e esperma, a energia da relação sexual que geraria aquele novo ser, as conjunções astrológicas daquele momento, a energia telúrica presente no local e tantas outras forças que agiriam sobre aquele ser nascente.


A energia vital pode ser enriquecida e desenvolvida. E então os (as) Videntes fizeram a descoberta que é considerada por nós que os estudamos e trabalhamos com seu saber, a mais importante descoberta, se é que podemos colocar gradações quando falamos do incomensurável. A energia vital pode aprender a ser consciente. A consciência que temos usando da consciência que a Eternidade nos empresta é sempre fragmentária, é composta de multiplicidade. Mas a consciência de nós mesmos pode surgir una. Sim, ela pode brotar única focada. Essa condição de singularidade não é a separatividade dos muitos egos que nos compõe. Estes sim tem uma postura seccionada da realidade na qual se acham inseridos. Desenvolver essa consciência de si mesmo" é o trabalho desenvolvido pelos Toltecas sobre várias formas. O importante é enfatizar isso. Quando conseguimos nos tornarmos conscientes de nós mesmos, independente da situação vivida, quando não estamos diluídos na experiência ou no ambiente, quando estamos focados estamos funcionando a partir de uma auto consciência que raramente, muito raramente se desenvolve naturalmente. Este desenvolvimento não é natural, no sentido de que a natureza nunca vai produzi-lo.

A esfera onde a natureza atua só precisa nos desenvolver até o ponto que lhe serve. E somos enzimas, outros aspectos não fazem parte do papel original. Entretanto no passado remoto homens e mulheres esbarraram em outras possibilidades existenciais. E as explorando corajosamente criaram esta TRADIÇÃO que resistindo a tanta destruição ainda floresce, no desértico mundo deixado pelos conquistadores. Quando criamos um corpo de energia, algo que os xamãs toltecas insistem em dizer que deve ser desenvolvido, construído mesmo, esta essência perceptiva que somos pode se apoiar não apenas na consciência que nos foi dada e será tirada, mas também nesta energia vital que aprendeu a ser consciente.

Os(as) videntes Toltecas insistem que um conjunto de comportamentos estratégicos forjam uma qualidade essencial de alto valor. Implacabilidade, Astúcia, Paciência e Gentileza são conceitos que os(as) videntes Toltecas redimensionaram para abranger o estilo de comportamento estratégico que eles apontavam como ideal para levar-nos a um estilo de agir, pensar e sentir que continuariam sendo válidos mesmo quando penetrássemos nos mundos mais distantes e bizarros. Mesmo onde nossas referencias nenhum valor tem , esse conjunto de comportamentos, tendo sido trabalhdo nos mínimos atos cotidianos, em cada instante, criam uma linha de agir sóbria que predomina em qualquer âmbito da vastidão da ETernidade.

Além do que, agir com foco e consciência no aqui e agora ao invés de dissipar a energia, como os atos "comuns" fazem, pelo contrário ampliam a energia. E energia acumulada é poder pessoal. Cada ato de um (a) xamã é ritualístico. Cada palavra é um canto de poder. Não em sentidos rebuscados ou pomposo, não cerimoniosos. Um (a) xamã, se lida com o Mito gerado pelos Toltecas, sabe que a morte é sua conselheira, que seu encontro com a mesma é inevitável, que um dia terá que morrer e abandonar a consciência que lhe foi emprestada para elaborar em tramas mais complexas suas fibras constituintes. Buscamos mudar o matiz desse quadro, mas o desafio permanece. Assim não temos o dia seguinte, nem mesmo o instante seguinte. Temos apenas a plenitude do aqui e agora , onde procuramos ser tudo que somos, sem esperar nenhum "momento especial" ou "sinal prodigioso" que nos convença que o momento chegou e devemos agir com a plenitude de nosso ser e todos nossos recursos.

Num mundo onde a Morte é a caçadora tempo para perder é algo que não temos. E precisamos morrer, só quando morrermos para o que nos condicionaram a ser poderemos renascer neste outro plano. A porta de entrada do Caminho Tolteca é a Morte. A morte e o sacrifício. Sacrificar toda a infelicidade e todo o desequilíbrio que o mundo civilizado lhe deu. Morrer para tudo que impede o encontro consigo. Acordar desse sonho. Leiam esta mensagem do xamã tolteca D. Miguel Ruiz:

Antes de nascermos, o que existiriam anteriormente a nós criaram um grande sonho externo que denominamos sonho da sociedade ou sonho do planeta. Este sonho é um sonho de bilhões de sonhos pessoais menores, que juntos formam o sonho da família, da comunidade e toda humanidade. O sonho inclui todas as regras da sociedade, suas crenças, suas leis, suas religiões, suas culturas e formas de ser. Quando somos crianças até os três anos, não vivemos esses sonhos. Somos livres deles, mas logo somos aprisionados por eles quando começam o processo de socialização e cobrança sobre nós. É aí que começa as regras que irão governar o nosso sonho, que é o sonho de todos. Quando crianças não temos a oportunidade de escolher nossas crenças, mas concordamos com a informação que nos foi passada sobre o sonho do planeta por intermédio de outros seres humanos. Assim, somos capturados pelos sonhos exteriores, concordamos, com tudo que dizem os adultos, e isso é chamado de fé. Ter fé é acreditar incondicionalmente. Era melhor esse processo ser chamado de domesticação do que socialização, pois é isso que ele é. E é através dessa domesticação que aprendemos como viver e sonhar. O sonho da sociedade passa então a gerar todas nossas ações, e passamos a viver por um processo de recompensa, pois quando fazemos algo que é certo para o sonho geralmente recebemos algum elogio ou presente como recompensa, se fazemos o contrário somos crucificados e chamados de rebeldes.

Já quando estudamos o caminho Tolteca para a liberdade, descobrimos que eles possuem um verdadeiro mapa para libertar-se da domesticação. Eles comparam o Juiz, a Vítima e o Sistema de Crenças a um parasita que invade a nossa mente humana. Do ponto de vista Tolteca, todos os seres humanos domesticados são doentes. São doentes porque existe um parasita que controla a mente e o cérebro. A comida para os parasitas, são as emoções negativas produzidas pelo medo. Se repararmos na definição parasita, descobrimos que um parasita é um ser vivo que vive de outros seres vivos que vive de outros seres vivos, sugando sua energia sem nenhuma contribuição útil em troca e machucando o hospedeiro pouco a pouco. O Juiz, a Vítima e o Sistema de Crenças se encaixam bem nessa descrição. Uma das funções do cérebro é transformar energia material em energia emocional. Nosso cérebro é uma fábrica de emoções. E temos dito que a função da mente é sonhar. Os toltecas acreditam que os parasitas controlam nossa mente e nosso sonho pessoal. Os parasitas sonham pela nossa mente e vivem sua vida por intermédio de seu corpo. Sobrevivem nas emoções que vêm do medo, e se alegram com o drama e o sofrimento. A liberdade que procuramos é usar nossa própria mente e corpo para viver nossa vida, em vez da vida do Sistema de Crenças.

Quando descobrimos que a mente é controlada pelo Juiz, a Vítima, e o "nós" verdadeiro fica num canto, temos duas escolhas. Uma escolha é continuar vivendo da forma que somos, e continuar vivendo o sonho do planeta. A segunda escolha é fazer como quando éramos crianças e os pais nos tentavam domesticar. Podemos nos rebelar e dizer "Não!". Podemos declarar uma guerra contra os parasitas, uma guerra pela nossa independência, uma guerra pelo direito de usar nossa própria mente e nosso cérebro.

Por isso nas tradições xamânicas em todas as América, as pessoas chamam a si de Guerreiros, pois estão em guerra contra os parasitas em suas mentes.

Esse é o real significado de um Guerreiro. O Guerreiro é o que se rebela contra a invasão dos parasitas. Mas sermos Guerreiros, não significa que sempre iremos ganhar a guerra; podemos ganhar ou perder, mas sempre damos o melhor de nós e temos uma chance de ser livres outra vez. Escolher esse caminho nos dá, no mínimo, a dignidade da rebelião e nos assegura que não seremos vítimas inocentes de nossas emoções frívolas ou do veneno emocional de outros.

Na melhor das hipóteses, ser Guerreiros nos fornece uma oportunidade de transcender o sonho do planeta e alterar o sonho pessoal para um sonho que chamamos céu. Assim como o inferno, o céu é um local que só existe no interior de nossa mente. É um lugar de alegria, onde podemos ficar felizes, onde somos livres para amar e ser quem realmente somos. Podemos alcançar o céu enquanto somos vivos; não precisamos esperar até a morrer. O Criador está presente e os reinos dos céus se encontra em toda parte, mas primeiro precisamos ter olhos e ouvidos para enxergar e escutar de verdade.

Precisamos estar livres dos parasitas. O parasita pode ser encarado com um monstro de mil cabeças. Cada cabeça do parasita é um dos medos que temos. Se queremos ser livres, temos de destruir o parasita. Uma das soluções é atacar o parasita de frente, o que significa enfrentarmos cada um dos nossos medos um por um. Esse é um processo lento, mas funciona. Uma segunda abordagem é para de alimentar o parasita. Senão dermos comida a ele, podemos mata-lo de fome. Para fazer isso temos que controlar nossas emoções, precisamos nos abster de alimentar as emoções que derivam do medo. Isso é muito fácil de falar, mas difícil de realizar. É difícil porque o Juiz e a Vítima ontrolam nossa mente. Uma terceira solução é chamada de Iniciação dos Mortos. Essa iniciação é encontrada em muitas escolas esotéricas e tradições xamânicas ao redor do mundo, como no Egito, Índia, na Grécia e nas Américas. Trata-se de uma morte simbólica, que mata o parasita sem magoar nosso corpo físico. Quando morremos simbolicamente, o parasita tem de morrer. É uma solução mais rápida do que as duas primeiras, porém muito mais difícil de executar. Precisamos de muita coragem para enfrentar a morte. Precisamos ser fortes. E sinceramente, espero que todos Nós consigamos enfrenta-la de frente."

Sempre me sinto tocado pela urgência quando leio estas palavras. Notem que me refiro a uma urgência não ansiosa, falo de um estado de foco onde não resta nenhuma dúvida que tudo o que está contido aí , nestas palavras , são realidades que busco trabalhar a cada instante para que sejam realidades efetivas em minha vida.

O tempo é agora, o lugar é onde você está. Não racionalize, sinta, pense de verdade. Entre em sintonia, flua. O momento trás em si o infinito. Basta começar a sair do sonho do mundo. Basta começar a sonhar outro sonho. Na realidade de sua vida. Comece a deixar sua condição de escravidão e subjugação. Há outros sonhadores que já fizeram isso. Sinta a trilha e venha. Há um mundo novo aqui, acontecendo, fora da "Matrix" onde você é pilha e engrenagem. Ele já começou. Não é um "estado abstrato e fugidio". É uma realidade vivenciada e manifesta. A ponte do Arco Íris já está plena. Ela conduz a este novo estado de consciência. Os que sabem atravessá-la já estão vivendo neste novo mundo. O novo sol está desabrochando. Sacrifique o arcaico e ultrapassado, o condicionado e limitado, o medo e a culpa, os limites e a tristeza em seu interior. A vaidade e a importância pessoal são seus maiores inimigos, não perca tempo criando falsos fantasmas e se assombrando com eles. Não jogue seu Tempo fora. Você não tem a ETERnidade, não tem vidas ou algo assim. Somos efêmeros seres, os Toltecas sabem que vão morrer e criam nesse saber uma das fontes de sua força ao invés de fugir desta constatação com teorias consoladoras. Tempo. Um mistério.

Tempo

Time
video


(Aqui o autor colocou a letra da música de Pink Floyd e nós tomamos a liberdade de colocá-la em vídeo)

Vale meditarmos um pouco no sentido e intensidade que damos ao Tempo mágico de nossa estadia sobre este mundo mágico e maravilhoso.

ps - O texto em destaque no meio da mensagem é de D. Miguel Ruiz, xamã Tolteca e um dos reveladores deste ciclo.

A música "Time", Pink Floyd .
Nuvem que passa

A questão da Sombra - 4ª parte

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Esta cena de Star Wars ilustra de certa forma o trabalho de integração da Sombra. Ela representa o contato com um nível da verdade, uma revelação chocante depois do enfrentamento inicial da sombra na cena da caverna. Está escrito que a verdade tem o poder de nos libertar, mas primeiro ela nos intrigará, depois nos aterrorizará, para, então, libertar. Na seqüencia a última parte do texto do nosso amigo Nuvem que passa.




Feito esse primeiro rito, prático, real, efetivo de se resolver com os ancestrais imediatos, que te deram o dom da vida, sem eles não estarias aqui, vamos ao mais profundo: nos resolvermos com nossos ancestrais remotos, com a força tremenda das linhagens feminina e masculina que vem de além das névoas da manhã do tempo e espaço e que chega em nós.

Já sentiram isso?

Há dois filamentos de energia que saem de nós, que brotam em cada gene, que mergulham na ancestralidade humana, indo para antes da história, antes do mito, antes da lenda...

Somos a manifestação de todo esse poder.

Ser pagão (ã) é lembrar disso.

Não somos crias de um deus, somos emanções da ETERNIDADE.

Sondas avançadas de consciência, vivendo a ETERNIDADE.

ELA, vive em nós, nossa consciência é DELA, vem DELA, um dia voltará para ELA.

Enriquecemos a consciência DELA, pelo maravilhoso mistério do Existir.

Podemos realizar esse trabalho de harmonização da nossa ancestralidade com um rito, um rito simples.

Rito de harmonização com nossos ancestrais femininos e masculinos:

Um lugar tranquilo, certifique-se que não vai ser interrompido, de preferência a noite, vamos olhar para as cavernas gêmeas que trazemos em nós, uma caverna tem em si toda nossa ancestralidade feminina, outra toda nossa ancestralidade masculina.

Abrir o círculo, posicionar as quatro energias dos quadrantes.

Sentir as quatro colunas de energia nos quatro cantos do círculo, eu gosto de mentalizar os quatro poderes (terra, água fogo e ar) como vastas colunas do Elemento, vindo do Infinito e entrando até as profundezas da Terra.

Depois me foco como o ponto no centro do quadrado e do círculo.

Me sinto então indo para outra realidade, como numa pirâmide, os quatro cantos me apóiam e sou o ponto que vai para o alto da pirâmide.

Ao chegar ao alto o poder do círculo, que realizou a quadratura nos quatro pilares de energia se manifestam me apoiando para que possa então sentir a energia da Deusa, a Fonte de onde tudo emana e para onde tudo volta.

Ela se manifesta como uma constante brisa que sopra trazendo fina e sutil energia.

Deixe que os atributos tranquilos da Deusa lhe impregnem o ser e permita te sentires o mais profunda- mente tu mesmo.
O que tens de mais singular, mais teu, aquilo que é mesmo tua essência, deixe que se apresente aqui.

Nesta energia sutil evocar a presença de seus antepassados masculinos, depois das antepadassadas femininas e se harmonizar com eles.

"Eu vos chamo além do tempo e do espaço, na beirada desse círculo mágico, vós, todos meus antepassados masculinos.

Eu sou o(a) que está aqui agora.
Meus olhos são, por vezes, janelas por onde olham para a existência.
Mas meus braços e minhas mãos, meu coração e meus pés minha língua e meu destino me pertencem, sou o (a) novo(a), sou quem está aqui agora, ficarei sempre grato(a) por seus conselhos e ajuda em momentos de grande necessidade, mas me respeitem e permitam que eu construa sabia e livremente minha vida. "

"Eu vos chamo além do tempo e do espaço, na beirada desse círculo mágico, vós, todas minhas antepassadas femininas.

Eu sou o (a) que está aqui , agora.

Meus olhos são, por vezes, janelas por onde olham para a existência.

Mas meus braços e minhas mãos, meu coração e meus pés, minha língua e meu destino me pertencem, sou o (a) novo(a), sou quem está aqui agora, ficarei sempre grato(a) por seus conselhos e ajuda em momentos de grande necessidade, mas me respeitem e permitam que eu construa sabia e livremente minha vida" .

Se encerra o ritual pedindo que cada poder que ali se apresentou retorne de onde veio, que o equilíbrio entre os mundos se restabeleça e faça sua forma pessoal de fechar o círculo.

Esse rito é muito profundo, se feito com uma preparação legal, num momento adequado, que a gente deve prestar atenção, tipo lunação, hora do dia, cada hora tem uma regência planetária. A gente pode alcançar um estado de muita harmonia com as forças ancestrais em nós.

Isso é trabalhar a Sombra também, como disse acima temos poderosas forças que estão em nós, até a nível físico, em nossos genes.

Percebem que quando falamos a abordagem dos bruxos(as) e xamãs não tem nada a ver com a cristista não é que a gente está sendo radical, brigando e tal, é que não tem mesmo.

No paganismo a gente vai as questões com outro estado de espírito.

Sem medo, não somos pecadores com medo de um pai psicológico que pode nos condenar a infernos, castigar.

O que temos em nós são vivências e toda vivência plena tem seu valor.

No paganismo temos outra realidade, vamos ao encontro da Deusa, de quem fomos apartados, como o galho quebrado da árvore vai sequioso à terra.

Já viram dessas plantas que a gente tira um galho, põe na terra e ele brota e se torna nova árvore?

Pois este me parece nosso caminho agora.

Um galho que se torna promessa de nova árvore.

Que vai puxar da terra uma certeza de vida e então, o galho realiza uma magia profunda, se torna árvore.

Nós fomos podados da árvore da vida por um sistema tolo, que nos alienou de nós mesmos, que nos condicionou a chamar de realidade uma descrição de mundo totalmente tacanha.

Mas como galhos ainda com a VIDA podemos ousar nos conectar a DEUSA, a ELA, a TERRA e como árvores plenas renascermos.

E resolver a Sombra, integrá-la é parte dessse trabalho, pois é a Sombra que ficará sob a Terra e que se transmutará de parte, de galho partido, em raiz...

A magia da Sombra resolvida, dá chances ao galho que ia secar e ser queimado em algum forno da sociedade industrial, em tornar-se nova e vigorosa árvore.

Que tal magia se realize em nós...

A cada dia

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

"A cada dia tomo um tempo para pensar e sentir que direções eu necessito na minha vida, sobre os principais aspectos:
1º minha vida interior,
2º Minha vida Familiar,
3º Minha vida profissional.
Quando vejo algo claro anoto e começo a fazer um plano geral para organizar minha vida, dando a cada aspecto a importância que ele merece.
Que atividade sustento agora que não são necessárias, que não correspondem às direções que necessito?
Que atividade necessito?
No meu plano abro espaço para estas."

A questão da Sombra - 3ª parte

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Um monte de gente vive preso a seus antepassados interiores e nem sabe.

Seus antepassados interiores lhe ditam como agir, como fazer tudo em sua vida e o "nós mesmos" é apenas um vozinha ainda frágil em nosso interior, por falta de uso, quase não é ouvida.

Mas é essa voz ainda nascente que é a única coisa que somos e se lhe dermos atenção, se começarmos a ser mais "nós mesmos" do que "o que fizeram de nós" vamos ampliar muito essa singular presença.

Temos que tomar muito cuidado para não sermos marionetes nas mãos das forças ancestrais que trazemos em nós.

Podemos ser uma vasta janela, pela qual nossos ancestrais masculinos e femininos espiam para a existência, mas não podemos ser fantoches manipulados pelas lutas e batalhas que quem nos antecedeu criou.

Somos livres para gerar um mundo novo e neste sentido precisamos de energia e de coragem.

A tremenda força que vem da Sombra pode ser usada, pode ser canalizada para este tremendo propósito, gerar uma nova realidade existencial para nós.

Isso é magia pura, parar de tentar mudar o mundo e mudarmos de mundo.

A sutileza da ARTE é que quem está ao nosso lado, pouco ou nada deve perceber disso.

Se estiverem mesmo entendendo o que estou escrevendo aqui verão que a proposta de "mudar de mundo" passa por mudar nossa relação com o mundo a nossa volta.

A forma pela qual nos relacionamos com o mundo a nossa volta revela muito se estamos mesmo prontos (as) ou não para trabalhar nossa Sombra.

Se tu és agressivo (a) responde no soco com as pessoas, mesmo que sejam só algumas, se tudo te irrita, se tem vontade de agredir pessoas, tudo isso indica uma personalidade que está precisando se trabalhar antes de ir ao encontro da Sombra.

A Sombra é para ser visitada quando já resolvemos estes lados mais superficiais nossos.

Podemos dizer que estes conflitos são a "ponta do iceberg" do que é a Sombra, resolve-los é gerar energias tremendas que serão fundamentais no processo de integração da Sombra.

O xamanismo, em sua praticidade, levou os (as) xamãs a investigarem muito sobre o comportamento humano.

Descobriram algumas coisas úteis.

Quem melhor nos revela se tamos bem ou não?

Nossa família.

Lidar com nossa família e as pessoas próximas é o mais complicado.

Por que nos conhecem, porque sabem usar tons de voz, expressões, tudo que pode ir além das barreiras que sabemos ter com os "de fora".

Um Sifu me contou que lutadores de certos clãs no antigo Cantão quando tinham um oponente muito forte procuravam antes estudar o tom de voz da mãe deste (na época era fácil isso, as famílias viviam juntas, numa mesma casa várias gerações).

O tom de voz da mãe atravessa as barreiras defensivas em nós porque o ouvíamos como vibração, quando estávamos no útero.

Assim é preciso a gente estar bem tranqüilo com a gente (mesmo) prá ter uma boa relação com a mãe e o pai, entender nossos ancestrais não quer dizer que cedemos e somos o que eles querem, significa que conseguimos harmonizar em nós a energia deles.

Se seus pais são crentes é claro que eles nunca vão ficar numa boa pelo fato de seres um (a) bruxo(a) mas podes evitar a crise agindo com equilíbrio, agindo com uma esperteza que a sombra, quando integrada e bem trabalhada nos dá.

Eu sempre que posso passo uns dias perto da minha família prá sacar como é importante ter resolvido isso.

Temos muita influências de nossos pais.

Me parece que numa época isso gera certos atritos, quando cada um quer impor seu caminho.

A forma de lidar com isso precisa ser harmônica, quando conseguimos entender que nossos pais sempre querem o melhor prá gente, mas o melhor deles nem sempre é o nosso, a gente passa a respeitar aquela insistência que parece chata de nos "aconselharem" sobre certas coisas.

Um dos segredos para ir além dessas crises é ver, além da forma às vezes chata e insistente que apresentam suas propostas de vida, que ali está um desejo sincero de nos ajudar, ver que além da forma está uma chama de verdadeiro amor por nós, isto pode mudar tudo, é sutil, muito sutil compreender isso.

Especialmente nós da Bruxaria, vejam só o termo, imagine o que muitos dos pais e mães pensam quando vêem que o (a) filho (a) tá envolvido com "bruxaria".

E tem gente que num show de insensibilidade, querem "sentir elementais", se dizem "unidos a Deusa" mas não sacam o quanto são agressivos (as) quando querem obrigar que os pais e outras pessoas "aceitem" que são "bruxos(as)".

Sério, dava prá rir se não fosse tão caótico o resultado.

Acham que eles vão entender como a gente entende o que é bruxaria?

Claro que não.

Eles passaram a vida sendo condicionados que o mal, o diabo, tudo que é de mais ruim tem chifres e tal, aí entra no quarto encontra o filho ou filha com um caldeirão, fogo aceso, imagem do diabo na parede.

Dá prá rir, mas prá cabeça deles é terrível, agora tem certeza que o próximo passo é algo muito ruim e é claro que vão brigar de unhas e dentes para que "saiam dessa".

E qualquer zica que acontecer na área, culpa de quem?

Então quando a gente tá falando de resolver nossas energias ancestrais o primeiro passo é não dar bobeira de viver em crise com os pais é ir com calma , é explicar o que dá prá explicar, mostrar que a bruxaria não vai te fazer mal, não vai te levar a ser um(a) "louco"(a), um(a) "drogado" (a), que são esses os medos que pintam nas cabeças de quem foi criado numa sociedade cristã e descobre que o (a) filho (a) crê em Deus chifrudo, usa caldeirão e se diz pagão.

Bom senso e canja de galinha não faz mal a ninguém (quem for vegetariano (a) tira a galinha da canja e faz uma sopa de legumes).

Engraçado que tem gente que acha que tem um ritual para lidar com a sombra, até tem, vou passar mais a frente, mas o primeiro passo é o ritual do dia a dia, o mais forte, pode ter certeza que é o mais poderoso.

Se harmonizar com seus ancestrais que tão aí, vivos, seus pais.

Este é um desafio verdadeiro com o qual não dá prá se enganar, ou dá certo ou não dá.

Por que tu podes fazer um rito todo pomposo para seus ancestrais, viajar que conseguiu harmonizar essa energia e ficar nessa, mas o fato de estar numa sintonia mais fina com sua família imediata é algo que ou é real ou não, sem fantasia.

Tem muito de vaidade em toda crise com os pais, quando a gente controla a importância pessoal e a vaidade e consegue estabelecer uma relação harmônica com os pais, tivemos que nos trabalhar muito, para falar certas coisas, não falar outras tantas, tudo isso reflete na nossa energia interior e na nossa VONTADE, então fique claro que trabalhar harmonia com os pais é um trabalho mágico de verdade, que gera energia e mexe mesmo com a realidade de nossa existência, é um fato.

Temos que cuidar bem da nossa energia ancestral, na magia sabemos que o poder da energia ancestral deve estar em harmonia prá gente trabalhar completamente a sombra.

E agora vamos ao rito, um rito prá ser feito quando a gente já trabalhou esta harmonia com os nossos pais.

Esse gerar harmonia com os pais não deve ser forçado, deve ser "cultivado", sem pressa, com tranqüilidade, deixar atos, momentos irem semeando este novo estilo de relação.

Estou falando de uma magia que tem o espírito das árvores e tudo que tem o espírito das árvores é assim, lento, mas profundo.

Não é amanhã fazer um discurso ou hoje mesmo sair correndo, acordar todo mundo ou invadir a sala de TV e dizer : "daqui prá frente, tudo vai ser diferente" risos...

É sutil, é se tocar todo dia de não "reagir" apenas, mas procurar gerar outro clima na relação, coisa que vão ver como às vezes é difícil, pois ninguém tá dizendo que pai e mãe as vezes não são muito chatos.

Só estamos descobrindo que a gente também às vezes é muiiiiito chato.

Então dá prá ser mais compreensivo com pessoas que foram educadas noutro século, noutro milênio.

Continua....
Nuvem que passa

A questão da Sombra - 2ª parte

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Estamos entrando em outro paradigma quando trilhamos os caminhos do Xamanismo.

Precisamos despertar plenamente nossa natureza pagã, ser de corpo e alma um (a) pagão(ã), alguém que sente a VIDA sem intermediários, diretamente.

Recomendo muito ler Fernando Pessoa e seus textos e poemas pagãos para sentir o que estou querendo colocar como "ser pagão".

Os poetas, FP em especial, conseguem dar uma elasticidade a palavra que ela se torna mais ampla, capaz então de conter em si verdadeiras definições deste complexo estado que é ser pagão (ã).

É um estado de espirito onde vamos direto a ELA, a natureza, onde vamos além do que nos disseram ser a realidade para realmente SENTIR o que é a realidade.

Nós pagãos(ãs) nos sabemos parte DELA, sentimos em nós o Deus e a Deusa em seus movimentos.

Por isso um (a) pagão sente os ciclos da vida e os celebra, as luas cheias e novas, os trabalhos da crescente e da minguante, sabe quando o sol nasce, o meio dia, o crepúsculo que nos é porta e a noite escura,véu que nos permite atravessar as fronteiras e nos aventurarmos em outros mundos pelo SONHAR.

Há uma mudança profunda que se opera em nós quando deixamos de lado o condicionamento, o "que fizeram de nós" e ousamos ser "o que somos".

O xamanismo coloca que neste caminho de auto-descobrimento e auto-realização, passamos por uma caverna, um lugar onde enfrentamos nossos fantasmas interiores, um lugar onde temos que aprender a integrar nossa sombra ao todo que somos.

A sombra quando não integrada gera uma turbulência na nossa totalidade e aspectos nossos não resolvidos podem vir à tona.

Meditem comigo, somos os (as) filhos (as), dos (as) pais, dos (as) avós, dos (as) bisavós, dos (as) tataravós e por aí vai.

Temos em nós a ancestralidade masculina e feminina que remonta a épocas além da concepção humana.

Temos todo tipo de estilos de ser nessa nossa ancestralidade, assim precisamos de fato harmonizar toda esta tremenda carga informacional que trazemos em nós, da qual somos manifestação.

Temos uma visão muito pobre do passado, do que são nossos ancestrais.

Os (as) verdadeiros (as) construtores(as) dos monumentos de pedra que intrigam a humanidade, ainda são desconhecidos, mesmo com as explicações simplistas e positivistas dos que ainda se arvoram donos do saber, que julgam que suas teses são verdades que podem se sobrepor a realidade da existência.

Estamos querendo analisar o passado com olhos do presente, o passado tinha outros paradigmas, outra percepção da realidade.

Um jarro que tinha azeite não era só um vaso que tinha azeite como hoje uma lata de azeite numa mesa é prá nós.

Tudo tinha outra textura, outra época, temos que tomar cuidado para não embarcar no Helmman's Airlines e fazer uma leitura cinematográfica do passado.

Tem gente que crê mesmo que o passado é como Xena e Hércules mostram e que magia é o que Charmed "revela".

São até interessantes e muito bons tais seriados, antes que alguém venha em sua defesa, estou apenas citando como exemplo.

Legais, ótimos, bem feitos, mas são leituras de nossa época de uma época que era completamente diferente.

Os tempos mudam; mesmo recentemente.

Pensem como era sobreviver na Idade Média, pestes, ladrões nas estradas, senhores feudais temíveis, padres em suas diligências contra a "heresia" e o "demônio" com livre trânsito para acusar quem quisessem e não apenas matar, mas torturar de forma atroz quem fosse acusado (a).

Os vencedores sobrevivem em maior número, os que perdem as batalhas de conquista só o fazem porque abrem mão de seus referenciais de vida.

Os que perdem as batalhas sobrevivem em corpo, mas sua história e sua continuidade existencial lhes é negada, agora continuam para construir a realidade com os paradigmas dos vencedores.

Assim temos um mundo formado pelos referenciais dos vencedores das várias batalhas onde impérios mercantilistas foram conquistando e destruindo, quer completamente quer em parte, os povos nativos.

Quer os matando, quer os convertendo.

E isto continua acontecendo, agora , subjugados à miséria que lhes foi imposta, são presas fáceis para os que lá vão convertê-los à fés que lhes são estranhas.

E é isto que ocorre agora, povos nativos, pagãos, sofrendo a subjugação, talvez mais atroz, agora que lhes escravizam as almas, lhes prometem paraísos futuros enquanto lhes roubam o que tem.

São outros seres humanos que estão fazendo isso, quer a violência de lhes negar sua tradição milenar, que a violência ainda mais terrível de lhes negar vida, terra, liberdade, pois a exploração e a morte de nativos é uma triste realidade em todo nosso continente.

Quem está destruindo vidas pelo lucro, que queima a floresta, que draga o rio, mata um rio inteiro para tirar minérios (há barcos que fazem isso, passam uma draga no fundo do rio e separam os minérios que querem e devolvem o "restolho" para o fundo do rio, pensem os nichos do fundo do rio que foram destruídos, isso está acontecendo aos montes agora. Estão MATANDO rios e ninguém nem liga...) tudo isso acontecendo é uma manifestação temível desta mesma sombra, seres humanos negam sua sensibilidade e destroem a vida em todas as formas em busca de lucro.

Por isso é muito importante resolver a Sombra, para não nos tornarmos partidários da destruição que este sistema propõe em várias estâncias.

Temos toda essa tremenda energia dentro de nós, temos forças ancestrais em nós que foram sábias e magnânimas, mas também temos forças ancestrais em nós que foram atrozes.

Por isso temos que harmonizar essas forças ancestrais em nós e uma parte da Sombra que falamos aqui é composta dessas forças ancestrais de tremendo poder, mas que podem nos deturpar com seus preconceituosos conselhos, podem usar toda sua habilidade para levar nossa percepção a focar o "jeito" de ser de alguém que já viveu, em outra época, outro momento, quando o desafio é sermos nós, entes singulares e vivermos do NOSSO jeito.


Nuvem que passa

Sobre o mal

terça-feira, 9 de agosto de 2016

É normal que as pessoas não queiram ver a realidade do mal, pois ela questiona paradigmas que são muito caros para quem foi formado na idéia de que Deus é bom e de que todos os humanos são essencialmente bons.

Bem, isto não é absolutamente verdadeiro se olharmos a mitologia dos diferentes povos, em especial a matriz cultural judaico-cristã, e a realidade do comportamento psicopata.

O mal não tem ideologia, mas pode ser manipulado ideologicamente.

O mal não tem partido, mas os lados opostos se satanizam mutuamente.

O mal pode ser relativizado enquanto conceito, mas isto não significa que ele não exista.

Mas o que é a realidade do mal?

O mal que não quer se ver (em si mesmo ou na sociedade) já é um mal inicial.

E este mal inicial, que nega-se a ver a realidade do mal, permite que aqueles que operam nas sombras nunca sejam efetivamente percebidos, antes são justificados socialmente ou até por uma falsa espiritualidade.

O humano atual pensa que em sua inconsciência age mal, mas o que ele não percebe em sua inconsciência é a existência de um sistema e de agentes deste sistema que agem como predadores de humanos.

E há exemplos disso em abundância sem precisarmos entrar em assuntos espirituais, esotéricos ou ocultistas. O próprio sistema capitalista é altamente predador e valoriza o estilo do predador.  Assim como foi o sistema escravagista e o servil. O capitalismo é um upgrade deste sistema predador que vigora há séculos e séculos na humanidade.

Negar a existência do mal, mesmo no campo desta realidade, não nos faz menos responsáveis pelas suas manifestações. Antes é esta ingenuidade e negação ingênua que propicia as condições necessários para o florescimento de um sistema predador cada vez mais sofisticado e organizado.

F.

A questão da Sombra - 1ª parte

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Abordar a questão da sombra como pagãos (ãs) é entrar no assunto por outros campos.

É chegar já sem medo, sem crer em "mal", sem crer em pecados, que são crenças crististas que nada tem a ver com o paganismo.

Lembrando que chamamos de Cristista aqui o que fizeram do Cristianismo, pois a abordagem cristã da realidade também tem seus méritos, mas as religiões dogmáticas e dominantes, com sua necessidade de poder mundano acabaram deturpando a mensagem do Cristianismo reduzindo-o a um sistema muito tacanho e opressor, que, para diferenciar, chamo de cristismo.

Ir às questões fundamentais, como a Sombra, pela via do paganismo é outra realidade.

É outra abordagem, percebem, é uma história não para gente ficar explicando como às vezes temos mania, pegar um conto xamânico, uma lenda pagã, não é para ficar "interpretando": "isso e aquilo, tal coisa simboliza tal coisa, o osso é a tipificação do signo que é uma metalinguagem, sdroboWW!!!..."

O paganismo nos desafia a outro tipo de percepção, com o corpo da gente, é sentir o que está lendo, é sentir e não apenas raciocinar. Estas histórias falam para partes profundas de nós e temos partes profundas de nós que estão nas Sombras.

Não é iluminar as sombras, sombra é sombra, luz é luz, cada uma tem seu papel.

Nossos ancestrais estão nesta sombra, temos que resolver nossa relação com nossos ancestrais.

Muitas pessoas nunca conseguem se equilibrar porque seus ancestrais não estão em harmonia com sua realidade de aqui e agora.

Galera, vamos acordar, vamos parar de querer fazer leituras crististas do paganismo.

Não é que o cristismo é errado não, cada um na sua. Acredito que a realidade é muito ampla, cabe todo mundo, mas alguém que quer mesmo trilhar o caminho do paganismo, é bom ir além desses paradigmas.

Senão a gente fica igual os movimentos nova era da Califórnia. Tem exceções, fique claro, mas tem aqueles caras que falam as mesmas coisas, pecado, céu, inferno, culpa, medo, Jesus, um deus pai e tal, mas usam palavras novas, termos novos. Temos que ir além de só mudar os nomes, apenas dar novos nomes aos bois não muda o fato que são bois.

Se estamos num grupo de pagãos, vamos ser pagãos em nossa proposta de entender o mundo.

Vamos olhar com novos olhos nossa ARTE.

Caminhos como o Xamanismo e a Wicca são caminhos pagãos e neo pagãos, assim merecem ser abordados com outro conjunto de paradigmas.

Digo isso porque, como xamã, considero a Wicca uma prima, uma "iba dïbï saï" ("os meus de verdade" termo usado pelos Sanumá, grupo da nação conhecida como Yanomani, para designar parentes próximos).

Pensem, este povo está sendo dizimado. Agora, enquanto teclo, tem um monte de povos nativos sendo dizimados nesse continente, a guerrilha do sub-comandante Marcos, na Colômbia, Peru, Bolívia, o narcotráfico e os agentes norte-americanos, há tanta coisa levando o povo nativo à destruição.

Toda essa crise no mundo.

Por que esta guerra no mundo?

Porque antigos ódios não foram esquecidos, porque os (as) filhos (as) continuam as lutas de seus pais ao invés de buscarem novos caminhos.

Cada um que está hoje num desses conflitos está lutando por causas que vem alimentando gerações de mortes e destruição.

Esta Sombra que os impulsiona vem do fato que não vivem suas próprias vidas, continuam a luta de seus ancestrais.

O primeiro passo de transformação da Sombra precisa é o trabalhar com nossos ancestrais.

Pois temos muitos jeitos de reagir, de emocionar e de raciocinar que não são "nossos" de verdade, trazemos coisas de nosso pai, nossa mãe e de nossos ancestrais também, porque nossos pais trazem dos pais deles e estes dos deles e aí vai.

Temos de estar atentos se vamos mesmo lidar com nossa Sombra, temos de lidar com os fatos que somos, sem fantasias sobre nós mesmos.

A tradição xamanística diz que só gente de verdade pode andar nas trilhas da Sombra interior e não ser devorado por ela, por isso a vida é um dom tão raro, ensinam os(as) xamãs, só na trilha da vida podemos andar pela Sombra e integrar seu tremendo poder em nós.

Depois que alguém passa pela avó morte dizem que é quase impossível um homem ou mulher conseguir mais andar pela trilha da Sombra sem ser por ela devorado.

Pois a Sombra deve estar integrada a nós, não dominando, pois qualquer parte da vasta totalidade que somos que "domine" já está exercendo um tipo de poder que acaba se mostrando no final sempre nefasto.

Neste ponto é interessante lembrar que na Wicca, como no Xamanismo, a gente não tem aquela história de "dominar" os elementais, de ser "o senhor"(a) dos elementos.

Nós "encantamos", e a magia da Deusa, encantamento, outra forma de abordar o poder, com a mesma VONTADE.

Da mesma forma vamos "encantar" a energia tremenda de nossos antepassados que faz parte de nossa Sombra.

Precisamos falar sobre isso também de forma clara.

Vejam as briguinhas que surgem nas listas de debate de tempos em tempos, A fala algo B entende outro algo, C se sente ofendido.

Aí começam ataques e contra ataques, brigas, separações, quantas histórias assim vocês conhecem?

Tudo isso indica que ainda reagimos demais, que temos muita ansiedade e nos colocamos em guarda ao menor sinal (real ou imaginário) de ataque.

Sem trabalhar isso antes, querer trabalhar a Sombra é dar uma bomba atômica para um suicida religioso...

Portanto vamos ser bem realistas conosco mesmo.

Estamos mesmo nos trabalhando para estarmos mais em harmonia com a gente e com realidade ou tenho uma vida em crises com tudo e todos (as) a minha volta?

Da sinceridade desta resposta, que no silêncio do ler este texto, pelo menos por um instante vai passar pela tua consciência, vem a também a resposta se é hora ou não de lidar com esta questão da Sombra.

Nuvem que passa