Pistas do Caminho

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Completamente diferente do estado normal em que vivia, na agitada grande cidade, ele rememorava antigas sensações, sensações esquecidas da infância, odores, texturas, percepçoes de um passado presente e submerso, pronto para emergir caso uma chance lhe fosse dada, caso a ansiedade fosse afastada.

Agora, ao adentrar a floresta, percorria a trilha que o levava ao antigo templo. Muito relaxado ele caminhava, o corpo tinha uma pulsação de pura satisfação, o coração vibrava com sintomas de felicidade, não havia o menor traço de ansiedade, em sintonia com tudo. O vento lhe acarinhava a pele, ondas de prazer percorriam-no, o sol da manhã o acalentava como se fosse um abraço sutil.

Então uma dúvida o sacudiu: psicose?

Sorriu, o leve assalto da mente foi percebido sem conflito.

Trafegando entre realidades, a sua mente percebia a viagem entre mundos, o mundo cotidiano dos homens, a realidade do consenso social e aquele outro mundo, natural, onde a felicidade resultava apenas da consciência do aqui e do agora permitida pelos  raios de sol que penetravam a folhagem da floresta formando um jogo de luz e sombra.

Ele precisava viver entre esses mundos, entre a neurose coletiva e a consciência da paz, entre a psicose do homem atual e a psicose do xamã, num misto de compaixão estranha abraçava a dor dos outros para não se perder naquela estranha felicidade.

Nirvana?

Esta dualidade percebida revelou dentro dele uma síntese sentida no corpo todo, aquilo que poderia parecer loucura fazia todo o sentido e, então, o mistério da cruz lhe foi revelado de uma só vez, como uma onda transversal entre o humano e o divino, entre o céu e o inferno, entre o samsara e o nirvana.

Estremeceu por completo, tremor de prazer pela compreensão e de dor pela partilha inevitável e ao mesmo tempo impossível.

F.

Da obsessão

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Todo mundo acha que a obsessão ocorre de uma pessoa em relação a outra ou a um objeto, como a inveja de Salieri em relação a Mozart ou a cobiça fatal de Midas por ouro, mas a obsessão é como um buraco negro dentro da pessoa, um desejo da alma, um defeito psicológico e uma emoção negativa que foi tornada tão forte que galvaniza toda a vida da criatura naquela direção, fazendo-a entrar em desequilíbrio, fazendo com que todas as áreas de sua vida sejam destruídas e desequilibradas, já que o buraco negro criado na mente da pessoa é tão forte que tudo o mais não possui força frente ao poder de atração, frente a força gravitacional daquele desejo que a tudo galvaniza, a pessoa não pensa em outra coisa, não sente nada mais, fica antes de tudo obcecada por si mesma e por seu desejo fortalecido numa escala exponencial, exatamente como se houvesse um buraco negro na alma.

Assim a obsessão é antes de tudo uma forma de auto-obsessão e o obsessor mais forte é justo a pessoa que foi engolida por si mesma, por um desejo desequilibrado, por uma emoção negativa fortalecida ao longo do tempo, por um defeito psicológico que simbolicamente é como um demônio que tragou-lhe a alma.

Os casos mais flagrantes, pois são públicos, são os de políticos que ao longo do tempo, ao envolverem-se em esquemas de corrupção e no jogo do poder movidos pelos desejos mais torpes, tem a própria face desfigurada, como um reflexo da alma possuída pelo próprio desejo em desequilíbrio, sua aura aparenta desvitalização e seu olhar perde o brilho, tornando-se frio e opaco.

Mas não faltam exemplos de amigos e conhecidos que desequilibraram o seu viver movidos pela obsessão, na verdade pela auto-obsessão. Sejam motivações espirituais, políticas e pessoais, a obsessão nesses casos assumem contornos grandiosos, como causas, ideais ou projetos que por transcenderem o indivíduo o alienam de si, funcionam como um droga que fazem o indivíduo não ver seus próprios problemas para viver os problemas alheios e até os problemas da humanidade.

Aliás, a origem da palavra obsessão é latina, vem de OBSEDERE,  “sitiar um local”. Já obcecado vem de OBCAECARE, “tornar cego”, de OB, “à frente”, mais CAECARE, “cegar”.

A pessoa está cega para tudo o mais, está fascinada pelo próprio desejo, como, por exemplo, no caso do invejoso, que tem mais interesse na infelicidade alheia do que na própria e não vê que isto o leva a própria infelicidade e destruição. A inveja é o próprio obsessor, um obsessor abstrato, e seu possuidor, na verdade possuído, é o obcecado, Isto configura a auto-obsessão.

Assim toda a emoção negativa cultivada, todo defeito psicológico fortalecido é a caverna do dragão, é o útero psíquico gerador de obsessores e obcecados.

Curiosamente um dos componentes da palavra obsessor e obcecado, OB, é o termo usado em magia (cabala hebraica) para indicar a corrente fatal, como nos diz Eliphas Levi em seu O Grande Arcano:

“Ob representa a vida fatal. É por isso que diz o legislador hebreu: Infelizes dos que adivinham por Ob, pois evocam a fatalidade, o que é um atentado contra a providência de Deus e contra a liberdade do homem.”

Assim todo o médium, adivinho, sensitivo fascinado por suas próprias previsões segue a corrente da fatalidade é está impregnado de Ob, vítima da corrente astral negativa.
Junte-se numa pessoa a sensibilidade mediúnica, a obsessão de que natureza for e uma personalidade em desequilíbrio e temos aí um obsessor encarnado, um portador de um buraco negro psíquico, um devorador, nas palavras da Bíblia.

O homem ímpio cava o mal, e nos seus lábios há como que uma fogueira. Provérbios 16:27

Amas todas as palavras devoradoras, ó língua fraudulenta. Salmos 52:4

Romper o círculo obsessivo e viciado na própria alma depende do quão a vontade possa estar enfraquecida e se a vontade estiver muito debilitada a única salvação é uma ajuda externa suficientemente forte para fazer frente ao buraco negro dentro da alma da pessoa (auto) obcecada, antes que ela seja devorada por si mesma.

Daí provavelmente o ditado hindu: o mal destrói a si mesmo.

Shiva, o destruidor de mundos, passeava com sua esposa Parvarti, quando de repente surgiu um monstro e disse:
- Quero que sua esposa seja minha mulher!
Ultrajado com aquele insulto, o deus Shiva criou então um monstro dez vezes maior e mais ameaçador que o primeiro, forçando este a lhe pedir clemência.
Shiva, então, poupou a vida do primeiro monstro, que passou a ser seu devoto discípulo e disse ao segundo monstro:
- "Kirtimukha", ou seja: que o mal consuma a si mesmo!
E o monstro se auto-devorou.
Hoje, a máscara do demônio Kirtimukha (imagem em anexo) serve como escudo de proteção nas casas e templos dedicados ao deus Shiva.

F.

Sobre a atenção - 2ª parte: Carlos Castaneda e Xamanismo

quinta-feira, 20 de outubro de 2016


Está você a ponto de entrar em uma área do conhecimento humano que apresenta uma concepção do homem e do universo completamente diferente da que tradicionalmente você conhece e aceita .

A origem desses conhecimentos atribui-se aos Toltecas, um povo indígena que habitou a parte central do México em tempos muito remotos .

***Salvo engano, Dom Juan dá um sentido diferente ao termo Tolteca, um sentido bruxo e não antropológico, referindo-se ao mesmo como significando o "homem de conhecimento".

Esse povo indígena existiu talvez a centenas ou milhares de anos antes da chegada dos espanhóis à América .

Seu conhecimento era passado de geração à geração, entre pequenos grupos, formados por pessoas que devido a sua disciplina eram conhecidos como guerreiros.

Que por sua vez eram guiados neste conhecimento por um líder denominado de o Nagual.

Foi um indígena yaqui chamado Dom Juan Matus, que morava distintamente em Sonora, Oaxaca e Tula, quem revelou este conhecimento a um antropólogo chamado Carlos Castaneda.

Dom Juan era o líder, o nagual de sua geração de guerreiros .

Carlos Castaneda era o cientista social que a partir de seu conhecimento acadêmico, completamente ocidentalizado, acreditava inicialmente estar tratando com um indígena inculto e cheio de supertições.

Até que através da experiência direta dos conceitos toltecas compreende que tal conhecimento é tão real que decide revelá-lo.

Carlos Castaneda durante seu aprendizado com Dom Juan teve que passar por várias etapas que iam desde a negação completa de tais possibilidades até o pleno convencimento de que tais possibilidades eram fatos reais e verdadeiros.

Existem duas formas pelas quais Carlos Castaneda nos faz partícipes de seus descobrimentos. Através dos doze livros escritos ao longo de trinta anos e por meio de uma série de seminários onde são ensinados uma série de movimentos chamados de Tensegridade ou Passes Mágicos.

Nos primeiros seminários Carlos Castaneda denominou esta MUDANÇA que ele deu ao conhecimento tolteca como uma NOVA TRILHA.

Nessa NOVA TRILHA não tem nada a ver com a experimentação de plantas de poder. Os praticantes atuais devem adotar novos procedimentos, diferentes daqueles adotados em seus primeiros livros.

Este conhecimento poderia ser enquadrado como misterioso.

Alguns o chamariam de xamanismo, outros de bruxaria, porém talvez o conceito que nos poderia dar uma compreensão do mesmo, seria considerá-lo como o conhecimento das peculiaridades de nossa ATENÇÃO.

Nós não aproveitamos todo o potencial contido em nossa ATENÇÃO. O que chegamos a descobrir no fundo deste conhecimento é que nossa ATENÇÃO, pode abarcar mais do que imaginamos.

Existem muitos conceitos neste conhecimento. Podemos citar alguns como o diálogo interno enfocado na auto-reflexão do eu, o silêncio interno para combater essa reflexão, Espreita, "Sonho", outras realidades perceptivas, etc...

Porém o elemento comum que encontramos em todos os conceitos é o conceito de ATENÇÃO.

Nossa ATENÇÃO se mingua ou se enfraquece quando o processo mental que conhecemos como pensamentos, só a enfoca em determinados elementos de nossa forma de vida atual (a satisfação de nossos desejos e a contínua exaltação do ego).

Outro dos elementos que influem de maneira decisiva em nossa atual forma de perceber é que nossa ATENÇÃO requer mais ENERGIA para poder perceber outras realidades que existem e que são possíveis para o ser humano.

Talvez outra forma de descrever este conhecimento é que o conhecimento tolteca é a DISCIPLINA DA ATENÇÃO e seus praticantes são os guerreiros da ATENÇÃO.

Um ser humano com baixo nível de ATENÇÃO só pode estar enfocado na auto-reflexão, enquanto outro com maior nível de ATENÇÃO, pode enfocar esta em outras particularidades de sua existência.

O despertar das potencialidades de nossa ATENÇÃO pode nos assustar e não ser nada agradável para muitos.

Estamos educados em todo um conjunto de valores pré-estabelecidos e é normal que o desconhecido nos gere medo.

Podemos dizer que esse conhecimento permite DUAS alternativas aos que o sigam.

Primeiro: aquelas pessoas que sigam as premissas do "caminho do guerreiro", todo um conjunto de normas de conduta e pratiquem Tensegridade, podendo assim redistribuir e guardar energia, que lhes permitirá viver uma vida mais plena, mais produtiva, com mais paz interna. O seguir o caminho do guerreiro não implica em ter nenhum tipo de percepção desconhecida, pois por si mesmas não são suficientes.

Segundo: Para aqueles que se decidiram a ir mais além e explorar as peculiaridades de nossa ATENÇÃO e que, portanto, tem que encarar essa disciplina como uma forma de vida, onde é necessário empregar muitos esforços, como seguir "o caminho do guerreiro", realizar a recapitulação, executar os passes mágicos, guardar a energia sexual, guardar a energia que se gasta em nossas reações emocionais compulsivas, intentar permanentemente o silêncio interno e estar decididos a enfrentar o desconhecido.

Essa segunda alternativa requer disciplina total, uma tenacidade de aço, uma paciência sem fim e como Don Juan diria, "temple de acero". E mesmo que sigamos todos esses pré-requisitos não há garantia de que logremos algum tipo de percepção diferente das usuais. Talvez o ponto final para poder lograr a percepção de outras realidades é a IMPECABILIDADE que tem que ser uma indispensável norma de conduta nesse caminho.

Por último, esse caminho promove o bem-estar físico e mental. Se depois de conhecer um pouco ou muito deste conhecimento alguém sente que não deveria segui-lo, então que não o faça. O que menos necessita qualquer pessoa é uma obsessão que lhe produza problemas ou dano mental.

Texto originalmente em Espanhol extraído de um site na internet de autor desconhecido.

Atenção - 1ª parte

sábado, 15 de outubro de 2016

ATENÇÃO

«Segundo uma antiga história zen um aluno teria dito ao mestre Ichu: "Por favor, escreva-me algo com grande sabedoria". O mestre Ichu tomou de seu pincel e escreveu uma só palavra: "Atenção".

O aluno indagou:"É tudo?". O mestre escreveu então: "Atenção. Atenção".

O aluno ficou irritado. "Não me parece que seja profundo nem sutil." Em resposta, o mestre escreveu simplesmente: "Atenção. Atenção. Atenção". Frustrado, o aluno exigiu: "O que significa essa palavra 'atenção'?". E o mestre Ichu disse: "Atenção signfica atenção".

Em lugar de 'atenção' poderíamos usar 'percepção consciente'. Atenção ou percepção consciente é o segredo da vida, o cerne da prática. Como o aluno nessa história, consideramos esse ensinamento uma decepção; é árido e desinteressante. Queremos algo excitante em nossa prática! A simples atenção entedia! Perguntamos: a prática é só isso? Quando os alunos aparecem para falar comigo, ouço queixas e mais queixas: o horário do retiro, o alimento, o serviço, eu mesma, e assim por diante. Mas as questões que as pessoas estão me trazendo não são mais relevantes ou importantes do que um evento "trivial" como esfolar um dedo. Como colocamos as nossas almofadas? Como escovamos os nossos dentes? Como varremos o chão ou fatiamos uma cenoura? Pensamos que estamos aqui para dar conta de questões "mais importantes", como os problemas que temos com nossos cônjuges, nossos trabalhos profissionais, nossa saúde etc.

Não queremos nos incomodar com as "pequenas" coisas, por exemplo como seguramos nossos talheres ou onde pomos a colher. Mesmo assim, são esses atos que constituem o estofo de nossa vida, de um momento a outro. Não é uma questão de importância; é uma questão de prestar atenção, de estar conscientemente perceptivo. Por quê? Porque cada momento da vida é absoluto em si. E isso é tudo o que existe. Não existe mais nada além deste momento presente; não existe passado, não existe futuro, não existe nada além disto. Por isso, quando não prestamos atenção a cada pequeno 'isto', perdemos tudo. E o conteúdo do 'isto' pode ser qualquer coisa. 'Isto' pode ser endireitar nossos colchonetes de praticar, fatiar uma cebola, visitar alguém que não desejamos visitar. Não importa o conteúdo do que seja o momento; cada momento é absoluto. É só isso que existe e que jamais existirá.

Se conseguíssemos prestar totalmente atenção, nunca ficaríamos contrariados. Se estamos contrariados, é axiomático que não estamos prestando atenção. Se perdemos não apenas um só momento, mas um momento depois do outro, estamos em apuros. Vamos supor que fui condenada a ser decapitada na guilhotina. Agora estou caminhando e subindo os degraus que levam ao cadafalso. Consigo manter minha atenção no momento? Consigo estar consciente de cada passo, passo a passo? Consigo colocar minha cabeça na guilhotina cuidadosamente para assim servir bem ao algoz? Se eu conseguir viver e morrer dessa maneira, não surgem quaisquer problemas. Nossos problemas aparecem quando subordinamos este momento a alguma outra coisa, a nossos pensamentos autocentrados: não é só este momento, mas o que 'eu quero'. Revestimos o momento com as nossas prioridades pessoais, o dia inteiro. E é assim que começamos a ter dificuldades.

Uma outra história antiga diz respeito a um grupo de ladrões que invade o estúdio de um mestre zen e lhe diz que iam decepá-lo. Ele comentou: "Por favor, aguardem até amanhã de manhã. Preciso concluir um certo trabalho". Assim, passou a noite completando o trabalho, bebendo chá e desfrutando. Escreveu um poema simples no qual comparava sua cabeça decepada a uma brisa primaveril e o entregou aos ladrões como um presente quando eles voltaram. O mestre entendia bem o que era praticar. Temos dificuldade em compreender essa história porque temos todos um imenso apego à nossa cabeça, que queremos que permaneça sobre nossos ombros. Não é nosso desejo particular que nossas cabeças sejam decepadas. Estamos determinados a que a vida prossiga do jeito como 'nós' queremos que prossiga. Quando isso não acontece, ficamos com raiva, confusos, deprimidos, ou de alguma forma contrariados. Não é ruim em si ter esses sentimentos, mas quem quer uma vida comandada por eles?

Quando a atenção ao momento presente é desviada para alguma versão de "Eu tenho de conseguir as coisas 'ao meu modo', cria-se uma distância entre nossa percepção consciente e a realidade tal como é, neste momento preciso. Nessa distância ou fosso despejamos todos os males de nossa vida. Criamos uma distância atrás da outra, em seqüência, o dia inteiro. A finalidade da prática é anular essas distâncias, é reduzir o tempo que passamos ausentes, prisioneiros de nosso sonho autocentrado. No entanto, cometemos um erro se pensamos que a solução está em que 'eu' presto atenção. Não é "EU varro chão", "EU fatio a cebola", "EU dirijo o carro". Embora essa prática seja necessária nos estágios preliminares, ela continua alimentando os pensamentos autocentrados ao denominar a pessoa como um "EU" para o qual a experiência está presente. Um jeito melhor de entender é a simples percepção consciente: apenas vivenciar, vivenciar, vivenciar. Na simples percepção consciente, não há distância, não há espaço para pensamentos autocentrados aparecerem.

Em alguns centros zen, os alunos são solicitados a se envolver em ações em câmera exageradamente lenta, por exemplo abaixando objetos e erguendo-os muito devagar. Essa atenção autoconsciente é diferente da simples percepção consciente, do apenas fazer o abaixa-levanta. A receita para se viver é simplesmente fazer o que estamos fazendo. Não estando autoconsciente do que faz; só fazendo. Quando ocorrem os pensamentos autocentrados, então erramos de bonde e aparece a distância. Essa distância ou fosso é o local de nascimento dos problemas e transtornos que nos atormentam.»

Não há certezas absolutas, apenas aprendizado infinito.

Quando uma postagem feita aqui questiona certezas muito bem estabelecidas a contra-argumentação que ela produz, as vezes, vem de uma maneira muito reativa, uma tentativa por vezes agressiva de defender seus próprios pontos de vista, o que revela que um pilar de sustentação do ego foi abalado.

Como o nosso ego, estruturado em certezas que lhe são próprias foi abalado nos tornamos generosos com adjetivos e não conseguimos fugir da lógica de nossas próprias certezas, queremos manter a nossa zona de conforto intelectual, mental e ideológica.

Mas o fato é que o balanço foi sentido e ocorreu um terremoto interno. Ficamos felizes por isso, pois é como sempre escrevemos aqui: não há certezas absolutas, apenas aprendizado infinito.

Foi dito que a verdade nos libertará. Mas a verdade que liberta não é justamente aquela que questiona as nossas crenças, os nossos dogmas, as nossas falsas certezas e revela a nossa ignorância fundamental. Esta verdade libertadora não é justamente a tomada de consciência socrática sobre a nossa ignorância fundamental?

Viver sem certezas absolutas exige uma coragem e um desapego que é para poucos, afinal o medo sempre se apega fortemente a objetos, sejam eles materiais ou mentais.

E como diria Nietzche: derrubar ídolos é o meu ofício.

A reencarnação é uma escravidão?

sábado, 1 de outubro de 2016

 
Eu tenho muitos amigos espíritas e nesse texto há uma série de questões incômodas, inclusive a idéia de que a reencarnação é uma forma escravidão. E se for? Faz anos que abordamos este tipo de questão aqui no blog e que é o tipo de questão que nos leva a questionar com uma certa lógica paradigmas muito bem estabelecidos e pouco colocados em xeque. Segue o texto, a fonte é citada ao final.

A Reencarnação é uma Escravidão

Roda do Samsara – O ciclo de nascimento e morte

Já alguma vez te perguntaste porque reencarnamos?
Porque é que temos vidas tão curtas e, na maioria das vezes, os únicos caminhos espirituais são oferecidos apenas por religiões ou professores muito duvidosos?
Ou porque essas religiões são construídas sobre estruturas hierárquicas?
Já te perguntaste porque há tanta maldade no mundo?
E porque que essas pessoas más, tornam-se os líderes dos homens?
E a grande pergunta sobre a reencarnação:

Porque não nos lembramos das nossas vidas passadas?
Como podemos resolver a nossa vida passada, se nem sequer nos lembramos dela?
Vivemos as nossas vidas, sendo perseguidos pelas nossas vidas passadas e, no entanto, não podemos vê-las.

Carregamos os hábitos residuais e características dos nossos antigos Eus, no entanto, não temos a mínima ideia de onde vieram. Na maioria das vezes, não temos ideia de como eles nos afectam no presente.

Portanto, como podemos resolver os nossos problemas do passado? Especialmente  porque nos afectam, mesmo nesta vida?

Qual foi a pessoa religiosa ou professor espiritual, ou canalizador ou iogue que já respondeu a esta pergunta de forma satisfatória:

Porque não nos lembramos das nossas vidas passadas?
A resposta pode ser assustadora.

Está escrito nos textos védicos e purânicos, que a humanidade viveu longos períodos de vida durante a era dourada. Eles passavam a vida em meditação profunda e estavam em equilíbrio e harmonia com a mãe natureza. Então, algo aconteceu.

Nas lendas, mitos e textos antigos, descreve-se a queda do homem.

“O homem é perfeito em sua origem, um ser divino que se degenerou naquilo que somos.” A. Schwaller de Lubicz (O Milagre Egípcio)

” … O homem primitivo era o modelo mais verdadeiro e representante do homem e, todo o progresso humano desde então, embora ascendente em algumas coisas, tem estado em grande parte em incessante deterioração … Todo o mundo que veio a seguir depois do homem primitivo, honrou e até mesmo adorou os seus primeiros pais como próprios deuses de luz, conhecimento e grandeza”. Joseph A. Seiss (Evangelho nas estrelas)

“Em seguida, ela acrescentou uma profecia na qual previu o fim da Era Divina e o início de um nova, em que os Verões seriam sem flores, as vacas dariam menos leite e as mulheres seriam desenvergonhadas e os homens sem forças, uma Era onde as árvores não teriam frutos e os mares sem peixes, quando os idosos dariam falsos conselhos e os legisladores fariam leis injustas, quando os guerreiros se trairiam uns aos outros e os homens seriam ladrões e não haveria mais virtude no mundo”. ( Profecia de Badb, Rainha Guerreira da Irlanda ) 

Então, o que causou essa “queda”?

Podemos ver que em um determinado momento, os deuses vieram do céu  e, os seres humanos aprenderam a agricultura e a pecuária, que é a escravidão dos animais. Com esse conhecimento, vieram as cidades, os reis, os sistemas hierárquicos de controlo, os exércitos, a guerra, escravidão e a adoração e sacrifícios dos deuses.

Esta foi a queda do homem. A humanidade saiu do equilíbrio e harmonia com a Mãe Natureza e, assim, começou a perder a virtude.

Então, quem eram esses deuses que vieram e deram este conhecimento a humanidade? De onde vieram? Eles não são da Terra. Eles vieram para escravizar a humanidade, para exigir sacrifícios de carne e osso, inclusive sacrifícios humanos.

Eles exigiram que fossem adorados. E, como lemos no Antigo Testamento, Jeová destruía raças inteiras, ou ordenava que o seu “povo escolhido” destruísse por ele.

Os gnósticos chamavam esses deuses de Arcontes.

Don Juan chamou-lhes de Predadores …

Esses deuses têm se alimentado da humanidade há milhares de anos …

Eles nos consideram seu rebanho, assim como consideramos os animais da fazenda. Como acima, assim abaixo. Eles alimentam-se das nossas emoções e energias negativas e alimentam-se da nossa adoração a eles. Eles gostam especialmente de sangue e sofrimento, então criam conflitos, violência e guerras entre os homens.

Observe que a maioria das guerras foram entre religiões…

Mas também nos controlam através das,

religiões
ideologias
governos
sociedades
propaganda
a imprensa, etc.
Outra maneira de nos controlar é através da reencarnação.

A Reencarnação é uma forma de escravidão. Após a queda, a duração de vida do homem foi drasticamente reduzida. Antes da era actual, os homens apenas viviam uma vida média curta, de 25 a 40 anos. Isso não é tempo suficiente para descobrir o que é a vida, especialmente se tudo o que recebiam era as religiões dos deuses.

Tinham que trabalhar o dia todo, criar as suas famílias e em seguida morriam.

E depois surge a pergunta, porque não nos lembramos das nossas vidas passadas.

Nascemos constantemente na ignorância e o único conhecimento disponível, era o que os deuses nos deram – religiões e ideologias. Depois de poucos anos, morremos na ignorância e, em seguida, voltamos de novo. Isso mantém o rebanho em ordem.

Sem qualquer recordação, estamos presos na ignorância, sem as ferramentas adequadas para nos libertarmos. Ocasionalmente, algumas grandes almas foram capazes de se libertar, mas os sacerdotes tomaram o controlo dos seus ensinamentos. Eles os deturparam e os transformaram em religiões.

Vivemos numa matriz, onde uma construção artificial de luz foi sobreposta sobre o mundo real.

Assim como no filme, Matrix, somos simplesmente baterias que alimentam os deuses. Esta é a nossa situação, onde nascemos e morremos numa matriz e somos alimento para entidades malignas. E claro, eles têm os seus lacaios aqui na Terra que mantêm o rebanho em linha.

Portanto, a próxima pergunta é:

O que acontece quando morremos?

Quando morremos, entramos na matriz cósmica, uma outra construção de luz falsa que chamamos de céu.

As nossas almas estão presas nesta prisão dos deuses. Depois de passarmos algum tempo no falso céu, voltamos novamente no mesmo ciclo. Isso é chamado a roda de samsara, o ciclo de nascimento e morte.

A única saída desta prisão é despertar para quem realmente somos.

Abandonar todas as falsas crenças, deuses, anjos, gurus, etc. e, parar de alimentar esses falsos deuses com a nossa adoração, com o nosso sangue, com as nossas emoções e pensamentos negativos e, abandonar todo o jogo.

“Para ver o universo como ele é, deves avançar um passo para além da rede. Não é difícil fazê-lo, porque a rede está cheia de buracos. Observe a rede e as suas inúmeras contradições.Tu o fazes e o desfazes a cada passo. Tu queres paz, amor e felicidade e, trabalhas duro para criar dor, ódio e guerra. Desejas longevidade e comes em excesso. Desejas ter amigos e os exploras. Veja a sua rede feita de tais contradições e remove-as – a sua própria visão fará com que desapareçam”. Nisargadatta Maharaj
Veja a Matriz por aquilo que é. Parece todo-poderosa, sem qualquer via de fuga, mas ela está cheia de buracos.

Se tiveres uma mente aberta, discernimento e os olhos para ver, todo este jogo não é nada mais do que um castelo de cartas. Através de perguntas simples, pude dar muitos exemplos de como toda essa matriz está caindo aos pedaços.

A pergunta é,

Vais acordar, ou  vais permitir ser arrastado na rede, para continuares na roda de nascimento e morte?

Imagine o quão sortudo és de teres tido contacto com as chaves para escapar desta prisão.

Podes ver o quão confuso podem ser todas,

as religiões
as filosofias New Age
falsos professores e ensinamentos
Vejo que existem alguns grandes mestres que brilham acima de toda essa confusão. Aprenda deles o que puderes, mas prepare o seu próprio caminho em direcção ao seu Ser interior.

Liberte-se da prisão.

Fonte:

Reincarnation Is Enslavement by Greg Calise / https://gracianoconstantino.com/2016/04/15/a-reencarnacao-e-uma-escravidao/