Canção da Paixão

segunda-feira, 28 de março de 2016

Adiante,
quem quer que esteja
tocando as portas da alma .
Adiante,
que quero que veja como estou chorando de amarga dor.
É tão difícil sentir tanta amargura
que não me importa terminar na loucura.
Se já morreu meu velho amor, agora te digo:
se já não tenho valor,
se já não tenho valor,
de nada sirvo.
Adiante,
quem quer que esteja tocando as portas da alma.
Adiante,
que quero que veja como estou sofrendo,
como estou morrendo pelo meu velho amor.

Esta canção está dedicada a algo abstrato, o velho amor que o bruxo sente por navegar:
a paixão do guerreiro.
Todos sabemos que isso é o único que temos.
Faz muitíssimos anos que o homem interrompeu sua viagem ao infinito que é o único que queremos.
Estamos envoltos nesta vida que nos rouba tudo o que podemos ser.
Temos que lutar para apagar o eu pessoal.

Conferência de Taisha Abelar - México 1996

A paixão é um dos fundamentos do caminho do guerreiro. Sem paixão não somos nada. Não é uma das premissas principais, mas é um centro que pode unificar os diferentes postulados do caminho do guerreiro . O caminho do guerreiro é um postulado filosófico. A força coesiva desses princípios é a paixão.

Dom Juan falou de outra força coesiva, a força vibratória que mantem as coisas juntas. Dizia que os seres humanos estão formados por muitos conjuntos de energia que a força vibratória mantem junta, já que sem ela tudo se desintegra. Esta força mantem tudo unido, não apenas o que tem vida, mas também as rochas, as galáxias, etc... Os bruxos chamaram a esta força de "força aglutinante vibratória". Os bruxos demoraram a compreender esta força e quiseram controlá-la, porém não puderam, apenas puderam usá-la como modelo para explicar o caminho do guerreiro, porém agregaram um elemento que fez possível a coesão do conceito: A PAIXÃO.

A paixão pode destruir aos bruxos. Os bruxos podem passar através de tudo, exceto por esse centro que é a paixão, quando a encontram se desmantelam, chegando a desmembrar-se . A paixão pode cortar qualquer coisa. A paixão não tem que ser sagrada para destruir. Quando o bruxo fala de paixão não é de algo sagrado e sim de um sentimento engendrado com um propósito, é uma fixação contínua.

Não é a ira, a cólera ou a vingança, que são explosões momentâneas de emoções no ser humano que duram apenas um instante. A verdadeira paixão não pode vir seguida de remorsos e nunca pede desculpas. É bom que estas explosões de paixão não sejam tão comuns, já que se vão seguidas de importância pessoal tornam-se destruidoras. Todos os recursos dos bruxos estão voltados para que a paixão não se misture com a importância pessoal. Os bruxos querem usar a paixão para romper com o habitual. O máximo esforço está em permitir que a força da paixão permita ao bruxo viajar, viajar com uma força que não tem definição. A paixão é uma amálgama, uma mescla de sentimentos: curiosidade, alegria por conhecer...

O velho nagual estabelecia qualquer tarefa para que seus discípulos alcançassem a paixão. O romance com o conhecimento é uma forma de acercar-se da paixão.

Transa aborrecida

Para noventa e nove por cento das pessoas é muito difícil sentir paixão. Se não fomos concebidos com paixão como vamos chegar a senti-la? A condição prévia para a paixão é não ter ego, para isso, o primeiro passo é cuidar de algo ou de alguém.

No caso de Castaneda, Dom Juan o encarregou de cuidar de uma criança de 5 semanas de vida até os cinco anos. Então a família real do menino foi à sua procura e o levou. Castaneda lutou para ter o menino com ele, encontrava-se desolado, e perdeu a batalha legal pela posse do menino. O velho nagual disse que era inútil lutar contra possibilidades avassaladoras. Disse que Carlos havia conseguido sua tarefa por que o menino havia forjado nele o fogo da paixão. Este fogo estaria presente para sempre, já que é perene, nunca se extingue.

Taisha foi incumbida de estabelecer amizade com objetos. Para fixar a paixão com objetos inanimados não há limites. Ela sentia paixão por seu pequeno quarto aonde ninguém podia entrar se ela não estava. Também com seu rádio e com sua televisão, que cuidava e conversava, não permitindo veicular programas desagradáveis ou ruins, via apenas programas agradáveis. A televisão só funcionava para ela, apenas quando pedia por favor é que a tv punha-se a funcionar para outra pessoa.

Em uma ocasião emprestou-a a uma amiga pedindo-lhe que funcionasse, porém a usou outra pessoa e ela não funcionou; esta pessoa, pensando que a tv encontrava-se escangalhada, jogou-a no lixo, onde Taisha a encontrou . Ela sentiu uma pena muito grande ao ver sua tv no lixo, a recolheu, a limpou , e sua tv voltou a funcionar. Mais adiante a tv foi roubada e Taisha foi lamentar-se com Dom Juan pela sua má sorte. Dom Juan lhe disse que ela apenas poderia fazer uma coisa por sua tv: dizer-lhe em voz alta que onde estivesse, funcionasse.

O propósito da linhagem de Dom Juan era reconstruir algo do nada. Os bruxos, à princípio, eram apenas lixo humano, porém pelo intento e pela paixão vão reconstruindo a si mesmos. Dom Juan reconstruiu a seus discípulos guiado pela paixão do guerreiro e logo os deixou livres. Tal como Taisha fez com sua tv. Antes de deixa-los ir, lhes disse: Vão, recordem o que construíram e façam o melhor que puderem.

Da paixão pelos objetos, Taisha passou a paixão pelos seres humanos e então entendeu por que a paixão pode destruir uma pessoa, por que pode converte-la em cinzas.

Dom Juan começou a falar da arte da espreita, para Taisha, explicando antes que a arte do sonhar está relacionada como uma configuração energética específica. A arte da espreita é a capacidade de fixar o ponto de aglutinação em uma nova posição dentro do ovo luminoso. Se o ponto de encaixe não está fixo, a percepção no sonhar não é coerente, podem haver flashes porém não há coerência.

O treinamento do espreitador começa através da personificação de papéis. Dom Juan chamava isto de atuar no teatro do real. Não é o trabalho de um ator, e sim do bruxo que não tem para onde ir, já que qualquer lugar é sua casa. Personificar o papel até o limite produz paixão, porque a espreita fixa o ponto de encaixe em uma posição distinta, que é a da paixão, qualquer que seja esta posição aonde o ponto de encaixe se fixe.

Taisha conta a estória da espreita de Ricky. Seu mal comportamento com o dono de uma casa em que vivia fez com que o mesmo adoecesse. O homem havia tratado-o sempre muito bem, apesar da impertinência e arrogância de Ricky, porém como o homem era amável e gentil, por natureza, o permitiu. Taisha estava tranquila porque pensava que esse senhor era do grupo de Dom Juan e ela era apenas um pequeno tirano. Quando o senhor adoeceu, ela se deu conta de que não era bem assim e de que, em realidade, existe gente boa, de fato. Ela não esteve atenta ao que se passava, não espreitou ao senhor, do contrário, haveria evitado a sua enfermidade.

Na paixão o tempo não conta, só existe o momento. Os bruxos se preparam para sentir paixão para a viagem definitiva.

A história de um guerreiro não é de auto-compaixão. A auto-compaixão nos debilita, nos adoece, nos dissipa. A história dos guerreiros são histórias de ação, de mudança e realização. A mudança não sucede, de repente, tem-se que lutar a cada momento.

A história de Ricky é um símbolo que se aplica. Sempre existe alguém que nos ajuda livremente, sem interesses, com o benfeitor de Ricky. No caminho do guerreiro tudo são símbolos que se aplicam a nós mesmos. Qualquer um pode vender as "ferramentas" do nagual, se não estamos vigilantes, assim como Taisha vendeu as ferramentas do seu benfeitor. Atuamos por interesse pessoal, conforto, descuido, covardia, desejo de ser amado, porém quando se vê o infinito frente à frente se entende que essas razões são inúteis.

Todos temos o infinito diante de nós, mas não o percebemos, necessitamos valentia, valor para seguir adiante. A canção recorda como somos inúteis. Se não temos paixão então para nada servimos.

Transcrito do seminário do México em 1996 - T.A.
EXTRAÍDO DE UMA CONFERÊNCIA DE FLORINDA DONNER- GRAU / MÉXICO 1996

Reflexões sobre a volta dos que não foram: geopolítica, geoengenharia e novo império.

quinta-feira, 24 de março de 2016


Há um cerco sobre o Brasil que vem de longa data, são bases militares estadunidenses espalhadas pela América Latina, são praticamente como o desenho de uma ferradura envolvendo o Brasil. Ferradura nos lembra o general Figueiredo, adorador de cavalos, o ditador da transição política lenta e gradual feita sob a batuta do General Golbery, chefe do antigo SNI, devidamente assessorado pela CIA - http://www.defesanet.com.br/pensamento/noticia/18221/Geopolitica-do-Cerco----Tese-de-Moniz-Bandeira-/

Não ignorar este fato é dar-se conta que a guerra fria não acabou, assumiu outras formas e expressões. Aqui estamos no plano da geopolítica que nos leva diretamente a questão da geoengenharia do clima. "A guerra fria acabou e tornou-se aquecimento global" - - https://www.youtube.com/watch?v=N5S70XEEcJU

Já existem tecnologias de guerra capazes de manipular o clima. Desestabilizar países e economias usando tais armas climáticas é uma possibilidade tão real quanto o acordo que existe impedindo o seu uso - http://pistasdocaminho.blogspot.com.br/2011/02/secretario-de-defesa-dos-eua-defende.html

Usar os próprios eventos climáticos naturais e ampliá-los e redirecioná-los é uma das possibilidades da geoengenharia e de seu uso militar - https://www.facebook.com/pistasdocaminho/posts/789286527860881

O Brasil nunca deixou de ser um objeto de desejo do Império que tem traçado uma série de políticas em diversos níveis para golpear o país e mantê-lo submisso, mesmo que seja sob o tacão da ditadura. O famoso atentado do Rio-Centro é um exemplo clássico, uma conspiração militar frustrada que tentou restaurar o regime de exceção no país - https://www.youtube.com/watch?v=B9OiDrZGZE8

Mas o que derrubou o regime militar foi a própria crise econômica gerada pela má gestão, pela corrupção e por uma política econômica subserviente aos interesses financeiros do Império - https://www.youtube.com/watch?v=PgOmd7fzEJs

E ainda hoje há gente querendo retornar ao passado e instituir a volta dos que não foram através de um golpe orquestrado em vários níveis: jurídico, midiático e criminoso usando políticos comprados e agentes infiltrados em movimentos pretensamente democráticos tais como o MBL e outros - http://www.viomundo.com.br/denuncias/irmaos-koch-magnatas-do-petroleo-e-financiadores-da-extrema-direita-nos-eua-ajudam-a-bancar-os-meninos-do-golpe-no-brasil.html

A energia livre e ilimitada - Nicola Tesla

quarta-feira, 16 de março de 2016

Um homem, um simples homem, sonha com um suprimento inesgotável de energia, originada de uma fonte infinita e realiza o seu sonho. Este homem é Nicola Tesla, o mestre dos raios, mas sua realização suprema foi impedida por um outro homem, um banqueiro, um criminoso de lesa-humanidade.


Somos pontes

sábado, 12 de março de 2016

A grandeza do homem consiste em que ele é uma ponte e não um fim; o que nos pode agradar no homem é ele ser transição e queda - Nietzche.

Aloha!


Ultimamente tenho questionado algumas abordagens intelectuais ou fantasiosas da realidade a nossa volta e sobre nós mesmos.

Faz já um tempo isso, mas ultimamente estive com uma pessoa ligada ao Taoísmo e nestes meses fiquei muito chocado em perceber que os conceitos, as definições, todas elas, desde as mais chãs as mais transcendentes, todas são emanadas de um nível, emoções ou raciocínios.

É muito forte perceber isso, perceber que a maior parte do que chamamos "nosso jeito de agir" é um movimento de reação.

A ação brotando da gente mesmo, de nossa própria vontade, de nossa intenção é algo raro ainda, a maior parte da humanidade planetária segue modelos prontos, tem paradigmas impostos, não escolhidos e a flexibilidade perceptiva está endurecida.

Raciocinar e emocionar lida com tipos de comportamento que respondem a uma programação ideológica de vários grupos. O que chamam de "mundo oficial" , a abordagem da realidade que temos por final e determinante precisa ser contemplada, meditada, observada com foco para irmos além do repetir daquilo que já existe, que já se mostrou insuficiente para o tamanho do desafio de ajudar este planeta como um todo a se curar, a voltar ao seu estado de equilíbrio com o meio e consigo mesmo.

Há um novo tempo começando, após a noite está raiando a manhã.

Hunab Ku ressurge.

Estamos numa dimensão da realidade que nos colocaram.

A opção do xamanismo é mostrar como mudar a realidade sem nos desviar de um caminho de liberdade.

SENTIR e PENSAR são formas diferentes de usar aquilo que treinamos usando o emocionar-se e o raciocinar.

Podemos atravessar toda a existência limitando-nos a apenas nos emocionarmos dentro dos estímulos que vem da "realidade", podemos ficar nos conceitos racionais que explicam o mundo dominante atual, podemos por toda a vida apenas teorizarmos sobre questionamentos ao modelo vigente mas na realidade cotidiana servir de várias formas a manutenção do mundo tal qual ele é, tal quais os conquistadores nos impuseram.

Escolher deixar de fato, em ato, de manter esse sistema destrutivo que domina ainda o cenário mundial é reconhecer que os conquistadores ainda estão no poder, que o mundo virou de fato um grande mercado onde o mais importante para grande número de pessoas é o gerar de capitais e poder de controle em comportamento.

Mas há outras opções por aí.

Há outros caminhos, caminhos sutis, que não se impõe, apenas se revelam existentes, apenas emanam o que são, como o sol surgindo na cinzenta cidade.

Perceber a realidade em outros níveis.

Me parece que esta energia de Hunab Ku que está chegando agora ao planeta, está impregnada de novas e desafiantes formas de existência, mas dentro de uma perspectiva equilibrada em relação ao meio.

Estar em harmonia é um caminho para o Ser.

Estou trabalhando com consultoria para projetos sustentáveis e dentro de uma proposta de Melhoria Contínua. Tem empresa que entro uma vez por semana as 5:30, para passar o treinamento na entrada do pessoal na linha de produção. O tempo , o horário, a tal 5:30. Uma vez por semana este horário está lá e a gente tem que chegar no horário.

Neste momento é irônico ler "tempo não existe". Às vezes LEIO TEXTOS com uma abordagem sobre o tempo que me parece perdida em uma abordagem racional.

Creio que o xamanismo guerreiro propõe uma outra relação com o tempo e neste sentido o tempo de fato não existe, mas nesse mundo, gerado por esta posição comum que o ponto de aglutinação foi fixado, há um tempo acontecendo

Quem trabalha em qualquer setor da economia oficial em algum momento está ligado ao tempo, tendo que cumprir horários, efetivos.

Horários, são 7:10, daqui a pouco estarei num escritório, uma empresa, pessoas focadas nos desafios do mercado ali.

Tantas influências, mas o que chamam de realidade ali é um conceito de "realidade" de uma sociedade.

É complexo isso, entender que nossa "abordagem da realidade" é no começo fruto dos condicionamentos que recebemos e continuamos recebendo.

Este primeiro momento, quando reconhecemos que somos um ente perceptivo, que somos um ponto perceptivo, ponto adimensional, isto muda muita coisa. Pois podemos deixar de nos identificar com o que "fizeram de nós" e podemos de fato mergulhar nesse lugar interior, silencioso, singular, de onde podemos brotar sinceramente como novidade e não mera repetição do que já foi realizado. O papel dos caminhos é mostrar a liberdade e a relação direta nossa com a Fonte.

Isto é fantástico, somos ponte, ponte entre mundos diversos que se encontram pelo nosso existir.

Somos pontes.

A diferença da proposta de observar a realidade que o xamanismo faz permite entrar numa linha de existência singular, própria e nesta "unidade" podemos ir além das programações que herdamos enquanto membro de uma espécie cumprindo funções para o metabolismo do organismo cósmico onde estamos inseridos(as).

Observar o mundo como ele é em si.

Sentir a realidade que nos envolve pelo que ela passa de fato, estar atento no aqui e agora do momento onde estou.

O Xamanismo guerreiro restaura uma linha que permanece secreta há eras, trás a possibilidade de entendermos um pouco mais, mesmo racionalmente, outra forma de abordar o mundo, a ação impecável, astuciosa, paciente e gentil.

Esta combinação de estilos de agir faz com que realmente ocorra um "agir" e não um mero reagir, que às vezes até vem disfarçado de atividade, de conhecimento, de sistema , de caminho, mas não o é.

A ação brota da vontade, sem vontade não "há ação de fato", só reação, estaremos agindo por causas que foram deflagradas em outros tempos, estamos respondendo ao contexto social onde estamos inseridos representando um papel ao qual fomos acostumados desde que nos tornamos "maduros e auto-suficientes". Ser maduro e auto-suficiente é uma forma de se colocar das pessoas que neste mundo conseguem "se manter".

É um desafio se manter nesse mundo, de fato, com equilíbrio, existem várias formas, na realidade toda pessoa que está na sociedade de alguma forma está se mantendo enquanto "indivíduo".

É interessante observar isso, todos têm nomes, profissões, aparências, enfim cada uma das pessoas do mundo de hoje, cada indivíduo onde quer que esteja, é uma possibilidade humana, cada ser humano que nasce hoje está exposto a uma descrição de mundo que, em linha gerais, se tornou impressionantemente comum por este estranho fenômeno que alguns chamam de "globalização".

Desde umas 10.500 voltas do Sol atrás que não acontece uma civilização global e integrada como esta que estamos.

Agora estamos de novo, sintonizados com vários tipos de estilos de vida que podemos adotar como resposta constante, como ação base mesmo.

Atitude.

Mas será que é só isso o "me manter", será que não estamos presos num jeito de agir e relacionar, tanto com o meio como com a gente mesmo?

Será que não temos que rever todas as nossa verdades constantemente, ampliando a percepção da realidade?

É este ponto que tenho percebido, os outros mundos, as experiências advindas do trabalho mágico, revelam realidades que não dá nem prá aludir com palavras.

É tão ampla a mudança resultante de um caminho de autonomia existencial e são tão restritas as propostas fruto desse mundo condicionado, doutrinado, limitado, conquistado que nos ensinaram a perceber como "única" realidade.

O desafio nestes caminhos é trilhar com foco, evitar "naufragar" no tempestuoso mar que às vezes surge, tão pouco se deixar prender pelos mares paradisíacos. Para os (as) xamãs guerreiros (as) há a aventura da Eternidade, sem ficar preso em nada, mesmo os Deuses e Deusas ao fim do Mahavantara ou mesmo do Kalpa, se verão dissolvidos, frente a este fim, este dissolver em tantas possibilidades há uma liberdade diferente acenando da 3ª porta, sutil.

Há uma era de comércio e comerciantes e algumas classes outras que ainda gravitam em torno do dinheiro também, assim, acabamos restritos a um planeta onde indústrias de armas e destruição desenvolvem tecnologias para garantir o poder aos grupos que servem.

E por diversos meios há um domínio, mas agora questionado, sobre nossas vidas e os destinos do mundo.

O importante é reconhecer que estamos em outro tempo, outro espaço, a era de dominação acabou, o domínio de grupos não justifica mais, há uma realidade muito ampla vindo do Centro da Galáxia.

Dentro de mais ou menos 10 voltas ao redor Sol estaremos recebendo o pulsar do coração da galáxia, o momento no qual a força do centro da galáxia emite pulsos de sua presença, o mundo se vê perante o abismo e tem a coragem de saltar, livre, só, pleno.

Há mundos novos voltando e dizem que muitos dos que se foram na última pulsação voltam, trazendo novas amizades.

A Tribo do Arco Íris está em ação.

Chegou o tempo mágico.

Começou, não há mais tempo de investir a energia nossa em modelos de realidades que vieram dos conquistadores.

É chegado o momento de vestirmos nossas cores reais e começarmos a ousar, a agir, para manifestar na realidade o que sabemos estar vindo de outros mundos.

Os grupos dominantes continuam desenvolvendo suas estratégias para que o mundo inteiro tenha uma uniforme e pouco variante percepção da realidade, para que nesta visão programada se adapte a esse modelo de produção global que estes(as) neo senhores(as) feudais, alguns comerciantes, militares e mais algumas facções como igrejas e outras, estão impondo aos seres humanos como visão única de realidade.

Observar isso com foco é muito importante, é momento de entender que tudo que chamamos de realidade é apenas uma descrição, a descrição que a Igreja com os Invasores trouxeram até este continente, se aproveitaram de disputas tolas das tribos aqui viventes e impuseram um modelo de civilização.

Hoje estamos tendo a chance de saber um pouco mais, de conhecer mais as formas de viver de povos nativos ancestrais, quando estavam em contato com a VIDA, consigo mesmos, então viviam de forma harmônica, presenciando mistérios de todo escopo.

Prá mim é claro que esta sociedade que aí está é uma sociedade gerada pelos conquistadores, tem muitos valores de uma sociedade de escravos (as) por isso para de fato compreender e trilhar o caminho do (a) guerreiro(a) do Arco Íris é necessário compreender os fatos que nos levaram a ser membros de uma sociedade de escravos (as) e trabalhar ativamente para sair dessa.

Parece-me que o começo de tudo é observar, observar a gente mesmo e tudo a nossa volta, para descobrir o que as coisas e eventos, as pessoas e situações, são de fato, não nos limitarmos a uma descrição de mundo que nos dão pronta, mas ousar construir outra abordagem da realidade.

É fundamental observarmos a nós mesmos, lembrar de nós mesmos, é fundamental deixarmos de ser um conjunto de estilos de reagir, emocionar e raciocinar e chamar esse aglomerado de "eu".

Uma chave que as tradições nos trazem é a percepção que devemos ter sempre um trabalho eficaz no corpo Tonal, o tonal, o dia a dia, a chamada realidade, deve ser bem resolvida, precisamos viver plenamente nesta realidade, antes de ir para outras realidades, a Tradição ensina que se lidamos satisfatoriamente no mundo "real" já estamos preparando nossas habilidades da segunda atenção para operar com eficiência em outras realidades.

Há um mundo acontecendo a nossa volta, um mundo composto de muitos mundos, cada ser humano é um "parente da mesma fonte" como alguns chamam, toda a vida é nossa "parenta", estamos ligados ao respirar e fluir da Eternidade através de nós, por nós, além de nós...

A percepção de realidade que um Caminho nos desperta permite que mudemos completamente nossa relação com a realidade, não apenas conceitualmente mas efetivamente.

Um dos conceitos fundamentais do xamanismo é a ligação com a Terra, enquanto energia, feminina, manifesta na Natureza, em suas facetas amplas, do brilho dos olhos do predador na floresta, a sutileza de um beija-flor numa flor rica em néctar, o mistério da vida, em todas suas formas.

Conectar-se a Vida é uma necessidade do Xamanismo, no Xamanismo aprendemos que somos parte da Terra, desligados (as) por ação bitolante do sistema dominante e seus vetores.

Assim o primeiro desafio além de observarmos a nós mesmos é estarmos conectados a essa energia de forma plena, algo que está muito longe do que julgamos ser isto.

Parece-me que o começo de tudo é aprender que podemos de fato "vir a existir" enquanto ser singular e a necessidade de guardarmos energia para que nossa percepção possa captar realidades outras além das que nos foram condicionadas.

É muito importante lembrar que Xamanismo vem de uma civilização distinta com paradigmas distintos, então os valores que damos as palavras que usamos não tem acesso direto aos valores destas civilizações, que ao contrário dessa civilização escravizada e restrita, possuíam uma abordagem da realidade ampla, complexa, dinâmica.

A tradição mágica está aí, apenas visível aos que "olham envesgados”.

Alguns mitos já bem "popularizados" e algumas lendas sobreviventes da tremenda perseguição que a história e os fatos desses povos sofreram ainda estão por aí, mas nos caminhos secretos nunca o saber deixou de fluir, como límpido rio da tradição espiritual .

É importante lembrar disso, ritos e conhecimentos de vários povos foram destruídos na tentativa de assegurar a escravização que continua de forma acentuada, basta olhar com atenção o mundo a sua volta.

Há uma conexão diferente de um (a) xamã com a Terra.

Esta conexão não surge por "fantasia", ou por apenas reinterpretarmos todos os conceitos que assimilamos nesse período de vida exposta a "educação" do sistema.

Não adianta apenas mudar os títulos, não adianta mudar nomes, falar as mesmas coisas com conceitos diferentes, o mergulho em nós mesmos tem de ser profundo, além de toda programação, até chegar naquela dimensão silenciosa que está apta a expressar não "o que fizeram de nós" , mas o que de fato somos, entes perceptivos, atiçando o brilho da consciência com nossa percepção.

Percebemos.

Algo é percebido.

Mas não precisamos interpretar esse algo como determina nossa educação, podemos ir em busca de outras interpretações da realidade, oriundas de desafios de vida com intenções mais amplas, mais profundas, ao invés de servir grupos de poderosos, servir modelos prontos de realidade gerados por pessoas, dentro da forma humana, ousar ir além, em busca de uma fugidia liberdade, que até na palavra apenas alude a algo que está noutro estado, noutra realidade.

É muito importante para quem trilha a proposta Tolteca reconhecer que a força e a magnitude da civilização Tolteca não foi um dado racial, falamos de um xamanismo aberto a todas as correntes humanas, a todas as correntes vivas, o velho nagual fala das árvores no quintal de uma das casas do grupo, como árvores guerreiras que também estão no grupo.

Portanto, as possibilidades do Caminho Guerreiro são surpreendentes e além de nossa imaginação, já sempre algo que brota, espontaneamente, insights que revelam linhas de agir e existir, que nos colocam em sintonia com outras esferas da existência, mundos completos, onde podemos escapar da escravidão e construir vidas completamente satisfatórias.

A civilização dominante, mesmo em seus aspectos espiritualizados coloca que os minerais "evoluem" em vegetais , os vegetais em animais e os animais em seres humanos.

É um consenso entre a maior parte dos caminhos conhecidos por espirituais, que existe uma "evolução" e cada reino está num "nível evolutivo diferente”.

O Xamanismo que estamos estudando aqui faz parte de outra abordagem da realidade, uma abordagem onde pedras, plantas, animais, nós, somos formas distintas da manifestação da mesma Fonte, da mesma origem emanamos, cada um de nós está singularizando porções de energia e consciência que ganhamos ao nascermos, que vieram da fonte.

O foco é ir além.

Assim existe energia e consciência em minerais, vegetais e animais, como também nos seres inorgânicos, que tem consciência e energia, mas não forma orgânica, assim , nessa diversidade é importante profundo foco no aqui e agora, onde quer que seja esse aqui e agora, neste mundo ou em "mundos outros que não este".

Essa mudança de foco perceptivo permite nos relacionarmos com o "PODER" com nossos sentimentos, não com descrições racionais, também longe de emocionalismos, assim como o PENSAMENTO, o pensar pode surgir como uma nova forma de lidar com o mundo, além do racional, o Sentir também pode ser empregado no lugar de emocionalismos vãos, ao invés de agirmos em procedimentos que reforçam o sono e a inconsciência podemos agir nos mínimos detalhes, em cada momento, para irmos além dos limites que nos impuseram e resgatar nossa liberdade perceptiva, a liberdade fundamental para um ser perceptivo.

Parece-me que à medida que conseguimos entrar em outras descrições de realidades nossas possibilidades existenciais vão além do descritível em palavras.

O tal Silêncio que tanto falam, é um estado indescritível, não é vazio embora nada ali exista.

Somos seres perceptivos, percebemos, mas o que interpretamos da interpretação veio de um condicionamento, daí que considero muito importante podermos conscientemente trabalhar nossos condicionamentos interiores, através da auto observação para começar detectando-os.

Parece-me fundamental essa percepção que precisamos começar nos libertando dos limites e condicionamentos perceptivos que nos impuseram ao nos "educar", os condicionamentos que recebemos de nossos pais e parentes e meio social da infância.

É muito importante estudar ao meio do qual viemos, há muita coisa que julgamos "nossas" e vamos descobrir que foram apenas respostas, imitando ou brigando, com padrões que foram impostos.

No caminho de irmos mais ao fundo em nós mesmos vamos vencendo níveis com os quais nos identificamos, Gurddjieff chama de "falsa personalidade", o conjunto de estilos de reagir, emocionar e raciocinar que nos enganamos acreditando que é um "eu" quando é apenas um aglomerado, forjado pela educação e situações de vida.

Temos tantos condicionamentos que geralmente quem impõe apenas repete o que acredita certo, perpetua sua visão de mundo mesmo sem se identificar com ela.

Um caminho com coração busca outros desafios.

É, apenas, é.

Não há como trilhar o desafio Tolteca e não trilhar apenas caminhos com coração, apenas...

As propostas Toltecas utilizam muita energia, é vital descobrirmos caminhos que não dissipem nossa energia, assim agir aqui e agora com foco em atitudes com "coração" é uma forma de atingir outra forma de participar da realidade, uma forma tão mais ampla que num certo momento a interação com níveis fora desta realidade se torna possível, estar aqui e agora começa a ser praticado.

Parece-me que é neste momento que precisamos mais de equilíbrio, pois a partir desse instante nenhuma explicação, nenhum amortecedor vai mais fazer efeito, podem disfarçar de vez em quando, mas a liberdade completa de perceber a essência infinita da realidade, não permite mais que nos limitemos a explicações racionais da realidade.

A razão é uma dimensão da realidade, é fruto de uma posição do ponto de aglutinação, se mudamos o ponto de lugar vamos alinhar mundos de outras realidades, com outras formas de relação.

Este o desafio que todos enfrentam, aprender a entrar em outras descrições da realidade, aprender a "funcionar'" em outras realidades.

É um tema que voltaremos neste alvorecer de Hunab Ku.



Nuvem que passa

Dividir para conquistar

terça-feira, 8 de março de 2016

Indo na contra-mão e fazendo um contra-ponto as datas que o próprio sistema desumano - A ONU oficializou a data, justo a ONU que é um organismo internacional sob o comando das grandes potências - cria para manter a família humana dividida, mas sem negar a violência que há contra mulheres, mas que existe contra todos os humanos, de diferentes maneiras.

Hoje esta data como tantas outras adquiriu um caráter festivo e comercial, quando sua origem está no movimento de 130 mulheres tecelãs por melhores condições de trabalho que morreram incendiadas numa fábrica em Nova York no ano de 1832.

É interessante como o sistema cria e se apropria de datas específicas para segmentar, fatiar, separar e dividir o humano, impedindo-nos que nos levantemos como uma só raça, um só povo, uma só humanidade.

Todo o dia é dia do ser humano. Mas o sistema encobre esta percepção e assim oculta a natureza desumana do próprio sistema, fragmentando a percepção humana em diferentes categorias, criando assim uma luta interna dentro da própria família humana.

Isto prova a natureza alienígena deste sistema que explora o ser humano seja ele homem, mulher, branca, negra, da religião A, B, C... O que nos falta é uma compreensão de nossa própria humanidade em meio as diferenças, unidade na diversidade.

Enquanto isto eles, ocultos nas sombras de um falso conflito, continuam a sustentar a sua bandeira:

Dividir para conquistar.

F.A.

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve.

Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Consciência no sonho

segunda-feira, 7 de março de 2016

Por mais interessante que um sonho seja  o sonho mais interessante é aquele que não é sonho, é aquele onde você está consciente, onde você se movimenta conscientemente dentro do sonho ou da realidade onírica.

É neste tipo de evento onde objetivamente podemos avaliar se há um despertar da consciência, nele não há simbolização ou mensagens do inconsciente, pois o próprio inconsciente tornou-se consciente. Contudo como o despertar é um processo, até que ele se complete, ainda haverá assombro e assombrações.

 

A farsa do aquecimento global pelo CO2 ou o Mistério das Nuvens

sábado, 5 de março de 2016

Compreenda por que o aquecimento e o resfriamento do planeta não tem nada a ver com ações empreendidas pelo homem, que só pode afetar o clima localmente. Assim cai por terra em definitivo a farsa do aquecimento global antropogênico (CO2) graças ao estudo de um cientista dinamarquês chamado Henrik Svensmark.

Muito esclarecedor este documentário. Demonstra várias coisas:

1 - como é difícil superar um paradigma estabelecido.

2 - como a política é danosa à ciência.

3 - formula uma tese elegante para a origem do núcleo de condensação das nuvens.

4 - permite uma visão histórica do clima.

5 - permite ver que os raios cósmicos e o sol são os grandes determinantes do clima.

6 - como o resfriamento/aquecimento do planeta tem a ver com nossa viagem pela galáxia e a nossa passagem pelos 4 braços da espiral da via láctea.

Geoengenharia, poluição aérea e dinheiro público

sexta-feira, 4 de março de 2016

Vídeo produzido por este amador ao som de Slow Ride.



Não vou nem falar da geoengenharia, manipulação climática que ocorre sobre nossas cabeças, mas vou ficar no básico feijão com arroz da poluição para que mais pessoas possam entender a gravidade da situação. O que faz durante duas horas e meia um avião militar KC390 sobre a Bacia do Tietê além da poluição aérea que ele promove e que mata mais gente que os acidentes aéreos?

Pouca gente sabe, mas o KC390 saiu de Araraquara, cidade onde teve origem em 1940 a geoengenharia através do gênio desconhecido e idealista do Dr, Frederico De Marco - F.A.

Poluição causaria mais mortes que acidentes

Os céus andam turbulentos para as empresas aéreas. Um novo estudo diz que a poluição de aviões causa mais fatalidades que os acidentes. O estudo afirma que a exposição a poluentes tóxicos emitidos por aviões é a causa principal.

A pesquisa diz que desastres de avião custam mil mortes por ano, mas que as emissões respondem indiretamente um número muito superior de mortes prematuras a cada ano. E não se trata apenas da exposição a poluentes quando os aviões decolam ou aterrissam.

O chefe do estudo, Steven Barrett, engenheiro aeronáutico do Massachusetts Institute of Technology, em Cambridge, diz: "Descobrimos que emissões não reguladas acima de mil metros foram responsáveis pela maioria das mortes."

A causa e efeito são semelhantes à poluição de escapamentos de veículos. Pequenas partículas de dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio entram em nossos pulmões e na corrente sanguínea, causando danos irreparáveis. Câncer de pulmão e doenças cardiovasculares e respiratórias são as principais doenças.

A pesquisa rastreou a poluição do ar de aviões em altas altitudes correlacionando dados de rotas de vôo, a quantidade média de combustível queimado durante os vôos, as emissões estimadas e colocou tudo em um complexo sistema de computador. O computador modelou as rotas de vôo e, consequentemente, como os poluentes provavelmente se movimentam, onde eles mais provavelmente chegam ao solo, e onde as pessoas os respiram.

O estudo calculou que cerca de 8 mil mortes ocorrem por ano da poluição de aviões que voam a mais de 10 quilômetros de altura, e duas mil como resultado da poluição durante decolagens e aterrissagens, informa o About My Planet. O trabalho foi publicado pela National Geographic.

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O USO RITUALÍSTICO DO RAPÉ

quarta-feira, 2 de março de 2016

O USO RITUALÍSTICO DO RAPÉ


Por Vinícius Casagrande Fornasier – Kumahu (Yawanawa)

      Este artigo é um apanhado de todo conhecimento a respeito do uso terapêutico e espiritual do rapé. Muitas informações citadas neste texto são relatos das minhas experiências, juntamente com as experiências de nosso grupo de estudo (Sol da Manhã – Espaço Rapa Nuy) de Porto Alegre. Percebemos a importância de esclarecer, orientar e conscientizar a toda pessoa que faz uso desta poderosa medicina de cura, de forma a não cair na banalização ou mau uso.

O Espaço Rapa Nuy, em Porto Alegre, é referência no Brasil em trabalhos espirituais junto aos povos indígenas, unindo os povos, trocando conhecimentos e proporcionando ao público, a oportunidade de conhecer um pouco da cultura e das tradições dos povos indígenas de toda América.

Uma das particularidades deste grupo é um estudo aprofundado junto à medicina do rapé. Um trabalho iniciou-se a mais de 10 anos. Nos últimos dois anos, o espaço tem realizado alianças, trocas culturais e espirituais com as etnias Huni Kuin (Kaxinawa) e principalmente junto à etnia Yawanawa – ambas localizadas no estado do Acre.

O que é rapé?

A palavra rapé vem do francês “râper” (raspar). Basicamente, é tabaco moído, raspado ou pilado, inalado ou aspirado via nasal. Até o início do século XX, era bastante comum o uso de rapé no Brasil. Costumava ser vendido em caixinhas (semelhantes às de fósforo) ou estojos. Seu uso, neste caso, não é ligado a rituais (espirituais). O rapé elaborado puramente de tabaco está associado ao tabagismo e pode causar dependência e doenças associadas ao seu uso demasiado. Porém, o rapé utilizado para fins espirituais é composto por outras plantas – neste artigo será enfatizado o uso da cinza da casca de pau pereira (Geissospermum vellosii), utilizado por povos indígenas no norte do Brasil.

O tabaco sob o ponto de vista espiritual

            De maneira espiritual (xamânica ou ritualística), o tabaco é considerado uma planta de poder, sagrada e usada apenas para fins espirituais e/ou religiosos. Dentro de muitas tradições nativas, é considerada como uma planta mestre, também vista como um pai ou avô que contém toda sabedoria ancestral da floresta.

            O tabaco pode ser utilizado dentro dos quatro elementos. O tabaco do fogo é o tabaco queimado em cachimbos (e similares) e apenas baforado, sem tragá-lo. Neste caso é muito utilizado para rezar. Considera-se que a fumaça lançada ao ar carrega a oração até o Grande Espírito (Deus).

Foi através da civilização ou do “homem branco” que o tabaco tomou outra dimensão (viciante, cancerígeno, etc.).  Na maior parte das tradições que fazem uso ritualístico do tabaco, ele jamais é tragado – é considerado um desrespeito com o espírito ancestral desta planta sagrada.

O tabaco d’água é o tabaco preparado pela sua infusão em água (por alguns dias) e inalado via nasal ou oral (de acordo com o ritual). O tabaco da terra é tabaco seco mascado e cuspido (ritual da mascada) e o tabaco do ar é uso ritualístico do rapé (aspirado via nasal). O tabaco ainda é muito utilizado para oferenda (para a terra/Terra e para o fogo), considerado como uma forma de agradecimento ou oração.

Quando o tabaco é utilizado espiritualmente, traz purificação, centramento, transforma energias negativas em positivas, serve de mensageiro.

O rapé indígena

            No norte do Brasil, povos indígenas usam o rapé há séculos (antes da chegada do homem branco). Algumas etnias, tais como a Huni Kuin – Kaxinawa e a Yawanawa, tem o rapé como uma “medicina” (associada ao uso terapêutico e espiritual).

            O tabaco utilizado para a elaboração do rapé é cultivado (orgânico) pelo próprio povo (e geralmente rezado em todas suas fases: plantio, cultivo, colheita, preparo). O tabaco mais conhecido é do tipo “mói”, que é preparado em corda.

            O rapé neste caso é constituído de tabaco (pilado) e cinza (pau pereira, cumaru, canela, canela de velho, entre outras).

            Para esses povos, o rapé é uma medicina que contém um espírito com grande poder, trazendo curas, proteção e afastando todo tipo de males. Outro ponto a salientar, é que o rapé não é aspirado, mas sim soprado nas vias nasais através de uma espécie de canudo, chamado de “tepi”.  Também pode ser autoaplicado através de um instrumento chamado de “curipe”.

Detalhe do Tepi à esquerda e Kuripe à direita

            No passado, o rapé era utilizado apenas pelo pajé da tribo, para que pudesse se “conectar” ou integrar-se à natureza, podendo identificar males que pudessem atingir seu povo ou então, em rituais de cura, com o propósito de proteção espiritual, identificação da doença e, trazendo o poder do espírito desta medicina para curar.

            Atualmente, há uma maior difusão do uso do rapé para fins ritualísticos, não só nas tribos, mas também pelo Brasil a fora – por associações religiosas, grupos espirituais, terapeutas xamânicos, entre outros. Seu uso é associado ao ritual com Ayahuasca (Hoasca, Uni, Nixi pae, Santo Daime). As etnias Huni Kuin e Yawanawa, tradicionalmente usam o rapé em rituais com ayahuasca. Outro fato é que estas etnias há alguns anos, vem difundindo suas tradições, não só pelo Brasil, mas pelo mundo a fora. Deste modo, vários grupos religiosos que fazem uso ritual da ayahuasca (até mesmo o Santo Daime), vêm introduzindo o rapé em seus cerimoniais.

            O rapé e a ayahuasca possuem uma grande intimidade. A união destas energias gera maior luz, curas e alinhamento espiritual.

O rapé Yawanawa

            Nesta tradição, o rapé é elaborado tradicionalmente com as cinzas de cascas de pau pereira, chamado de “tsunu”. Há também, opcionalmente, a adição de pequenas quantidades de canela.
            De acordo com Almeida (et al., 2007), o pau pereira (Geissospermum vellosii) está entre as plantas mais estudadas pela medicina popular (há indícios para tratamento de Alzheimer e comprovada ação analgésica), utilizado desde meados do século XIX para tratar malária, má digestão, inapetência, febres, tonturas, prisão de ventre, entre outras. Trata-se de um poderoso alcaloide (geissospermina, entre outros em menor quantidade) que é extraído das cascas do pau pereira. As primeiras publicações médicas sobre o alcaloide surgiram em 1837, no Brasil. Atualmente existem vários estudos a respeito o uso medicinal deste alcaloide.

            O feitio do rapé é simples, porém, não deixa ser um ritual. Primeiramente deve-se ter tabaco seco e cinza de tsunú. O principal ritual da elaboração é o pilar (pilão) do tabaco. A pessoa que realiza este processo deve estar concentrada (em silêncio), pois, considera-se que grande parte da força do rapé vem da intenção de quem pilou. O feitio pode ser cerimonial, com cantos e orações. O tabaco pilado é peneirado e, então, surge a alquimia: a mistura da cinza com o tabaco. A proporção é variável, definida muito intuitivamente.

            Para os Yawanawa, o rapé tem o poder de expulsar qualquer malefício que a pessoa possua. Serve também para auxiliar em processos de cura, protegendo e integrando o curandeiro às forças da natureza. O seu uso é muito associado aos rituais cerimoniais com Uni e também com o Sepá (resina natural que é queimada – usada como defumação, com grande poder em trabalhos de cura).

Rituais com o rapé

            O rapé usado em rituais, chamado de “roda de cura” é um cerimonial voltado a um uso terapêutico do rapé. A cerimônia pode ser constituída de vários rituais, tais como defumações, orações, cantos e a aplicação do rapé (usa-se a expressão “tomar rapé”).

            Para pessoas inexperientes, o rapé pode causar uma forte impressão a respeito (assustar-se com a sensação ou vivenciar uma forte experiência) e por isso, cabe a quem está aplicando e conduzindo o ritual, explicar e proporcionar um ambiente seguro para que a pessoa possa realmente se entregar ao processo. Além disso, para uma primeira vez, geralmente é aplicado doses menores e sopros moderados. Para pessoas experientes com esta medicina, a aplicação pode ser muito variada, de acordo com as necessidades e objetivos.

            O rapé é uma medicina basicamente de conexão. Trata-se de um poderoso alterador de consciência (enteógeno). Saliento isto, pois o rapé, espiritualmente falando, tem o poder de abrir inúmeros portais e a pessoa pode acessar diferentes dimensões. Por esse motivo, é imprescindível estar em ambiente seguro e próprio para tal experiência. Os cantos, assim como em rituais com ayahuasca, tem um papel muito importante para conduzir a pessoa a um caminho de cura e iluminação.

            Rapé é coisa séria! O uso desta medicina deve sempre estar alinhado a um propósito espiritual. É preciso estar concentrado, em oração, procurando a firmeza, juntamente à entrega, para poder receber a cura ou a instrução espiritual.

Qualquer pessoa pode aplicar rapé?
         
      Não é qualquer pessoa que pode aplicar (soprar) rapé. Existe a diferença entre se autoaplicar e aplicar em outra pessoa. A autoaplicação é voltada às pessoas que fazem estudo com o rapé e, neste caso, é fundamental para que a pessoa possa identificar o próprio poder pessoal junto a esta medicina. Recomenda-se a autoaplicação para quem já passou por um ritual de cura com rapé e possua consciência e conhecimento desta poderosa medicina. Para os experientes, a autoaplicação é feita antes de aplicar em outras pessoas (como forma de estar conectado e protegido).

            Dentro das tradições indígenas, a pessoa que quer aplicar rapé precisa fazer um estudo profundo, com aplicações fortes de rapé (para poder conhecer profundamente a medicina), seguido de uma dieta especial, onde, basicamente, é retirado o açúcar (inclusive frutas) e as relações sexuais (entre outros como carne vermelha e sal).

Segundo as tradições, o açúcar gera uma falsa energia (como uma droga) e por ser estimulante, deixa a pessoa menos sensível (portanto gera uma dificuldade de conexão espiritual), além de estimular a energia sexual, durante o período de estudo (que é de no mínimo 15 dias e, podendo se estender a um mês ou mais). Reter a energia sexual durante o estudo é fundamental e, uma vez que isso seja quebrado, o estudo precisa ser recomeçado do zero.
Durante o período de estudo a pessoa usa o rapé diariamente, orando e pedindo a instrução e a benção do espírito desta medicina. O processo de estudo é também uma cura. Para uma pessoa que vive de forma mundana, esta dieta pode ser um real caos, gerando uma grande mudança em sua vida. Por isso, é importante que a pessoa esteja sob a orientação de uma pessoa experiente.

            É fundamental compreender que o motivo principal do estudo para aplicação de rapé é por algo muito simples: quando a pessoa assopra o rapé em outra pessoa há uma forte troca energética entre ambas (principalmente para quem recebe) e então pergunto: que tipo de energia a pessoa está recebendo?

            A medicina do rapé e baseada na intenção. Segundo as tradições indígenas, o rapé pode tanto curar como gerar doença e males espirituais, tudo depende da intenção de quem o usa e/ou aplica. Aplicar rapé é uma grande responsabilidade. Devemos conhecer e confiar plenamente em quem irá nos aplicar, pois estamos dando nossa vida nas mãos de outra pessoa. Quem aplica também recebe a energia da pessoa que recebe e, neste caso, não tendo um prévio estudo com o rapé, poderá estar recebendo energias densas que podem gerar inúmeros males e até doenças. Portanto, o estudo (dieta) é fundamental para ancorar e compreender a poderosa energia do rapé. Somente pessoas experientes (que possam orientar e ancorar) podem passar este estudo a alguém.

Sintomas e benefícios do rapé

            A experiência com o rapé é muito intensa. A pessoa vivência uma série de reações físicas, psicológicas e espirituais em pouquíssimo tempo.

            Os sintomas diretos da aplicação forte de rapé são: forte ardência de toda face nasal, sensação de queimação nas cavidades, forte pressão na cabeça, tontura, acelera os batimentos cardíacos, falta de ar, náuseas, vômitos, sensação de paralisação corporal, entre outras. Porém, isto é o extremo, pois um sopro moderado pode ser bastante tranquilo, apenas sentido leve tontura e relaxamento do corpo.

            O rapé deve ser soprado em ambas às cavidades nasais. Quando iniciamos um trabalho cerimonial, destacamos muito esta informação. Cada uma das faces nasais representa um meridiano do corpo. O lado direito é associado ao masculino (racional) e o lado esquerdo o feminino (intuitivo). A pessoa que vai receber um sopro pela primeira vez deve estar ciente disto. Algumas experiências que tivemos, demonstraram que a pessoa que não se propõe receber o segundo sopro (medo), acaba entrando em um processo tão ou mais forte que o habitual. Isso basicamente se deve pelo fato da pessoa não se entregar ao processo de cura e/ou também rejeitar a medicina, o que, de certa forma é como rejeitar o espírito do rapé.

            O rapé, psicologicamente falando, trata principalmente dos medos. Uma aplicação forte de cura pode levar a pessoa a vivenciar sua própria sombra e acessar os medos mais obscuros. Inúmeras experiências comprovaram a eficiência no trato de depressões, medos obsessivos, insônia, ansiedade, entre outros.

            Há indícios que a cinza de pau pereira neutralize parte da nicotina do tabaco, o que torna o rapé um meio de curar tabagistas. Comprovadamente pude conhecer várias pessoas que largaram o vício (cigarro) após fazer ritual com uso de rapé. Particularmente venho estudando o rapé há algum tempo e, costumam me perguntar: “rapé vicia?” A resposta é simples: o uso ritualístico (dentro do sagrado – espiritual) do rapé não vicia. Porém, mesmo este rapé com cinza de tsunu pode viciar àqueles quem fazem o mau uso (usam rapé sem um propósito espiritual) desta medicina.

            Sob a óptica espiritual, o rapé pode expandir muito a consciência e a mediunidade. Pessoas com forte mediunidade vivenciam intensas experiências com o rapé, recebendo com clareza informações, orientações e curas. Para quem trabalha com esta medicina, ela é excelente para trazer o centramento, conexão, instruções para o trabalho espiritual e, além disto, protege nosso corpo e espírito.

            O rapé também é muito eficiente para tratos do sistema respiratório e digestivo. Eu mesmo curei minha sinusite e inúmeras pessoas já se curaram de renites, tiveram maior imunidade contra resfriados e outras disfunções respiratórias. O rapé é muito poderoso para tratar o sistema digestivo.

Energeticamente, ele atinge de forma direta o plexo solar (região do estômago – também associada aos medos, ansiedade, etc.), fazendo com que a pessoa arrote ou até mesmo vomite, eliminando energias densas desta região. É também muito eficaz para tratar a constipação (efeito imediato). O rapé ainda traz curas rápidas de dores (cabeça ou no corpo), desperta o corpo (quando sonolento e preguiçoso), traz relaxamento, e sensação de frio (baixa a pressão).

O povo Yawanawa tem como costume tomar rapé no final da tarde, após o trabalho para resfriar o corpo e relaxar, seguido de um banho de rio. O rapé tem energia predominante da terra. Por ser uma energia densa, quando estamos sob o efeito forte do rapé, a forma mais simples e rápida de diminuir o efeito é banhar-se com água fria.

Recomendações para quem faz o uso terapêutico/espiritual do Rapé

            O rapé é uma medicina sagrada – um espírito poderoso da floresta e, deve ser tratado como tal. É uma medicina muito forte que como já disse anteriormente, pode trazer o bem ou o mau, tudo depende de como é utilizado.

                        Não se toma rapé a toda hora. Para quem estuda o rapé, recomenda-se usá-lo de manhã (antes do café da manhã), final de tarde (após trabalho) e a noite, antes de dormir (para trazer bons sonhos e ter uma noite tranquila de sono). Em trabalhos cerimoniais, podem-se tomar vários sopros, de acordo com a necessidade e o propósito.

            Não é recomendado tomar rapé sob o sol (principalmente nos horários em que o sol está mais intenso). A força do rapé é acentuada nesta situação e, além disto, é dito que é como desafiar o espírito do Sol.

            O rapé usado muito frequentemente causa moleza, fraqueza, dores nas articulações. Por isso, mesmo para quem estuda, é importante fazer pausas durante alguns dias e fazer tratamento com kapun (vacina do sapo), seguida de dieta (sem açúcar, sexo e rapé). Segundo os Yawanawa, o kapun limpa toda a energia do rapé e renova a energia corporal.

            Deve-se evitar usar e/ou aplicar rapé em público (que não conhece tal prática). Segundo os Huni Kuin, a pessoa que está aplicando pode contrair algum tipo de doença ou mal, devido à energia gerada por quem observa.

            É dito por ambas às etnias que aplicações muito fracas ou muito fortes não são boas nem para quem aplica nem para quem recebe. Rapé é medicina de cura; se tomar deve ser forte o suficiente para tal, mas não mais forte que o necessário (por isso a importância do estudo e experiência com o rapé).

            Não se recomenda emprestar instrumentos de aplicação (principalmente o curipe – aplicação pessoal), a não ser para pessoas que trocam rapé com você e que você confie plenamente.

            Só tome rapé de quem você conhece e confie. Evite também receber ou se autoaplicar rapé de procedência desconhecida.

            Essas são apenas algumas recomendações importantes para quem quer ter boas experiências com a medicina do rapé. Desfrute com consciência e sempre lembrando que o rapé é uma medicina de pajé (de cura) e, portanto, deve ser utilizada com respeito.

             HAUX!
             Vinícius Casagrande Fornasier

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Márcia Rosa de; LIMA, Josélia Alencar; et al.PEREIRINHA – O primeiro alcaloide isolado no Brasil. Revista Fotoquímica – Ciência Hoje, Rio de Janeiro, RJ. 2007, 6 pag.

TAVARES, Juliana de Abreu Werner. AVALIAÇÃO DA ATIVIDADE ANTINOCICEPTIVA DO EXTRATO BRUTO, DAS FRAÇÕES DOS COMPOSTOS OBTIDOS DE Geissospermum vellosii. Dissertação de Mestrado, programa de pós graduação da UFSM. Santa Maria, RS, 2008. 78 pag.

VINNYA, Aldaiso Luiz. Ochoa, Maria Luiza Pinedo. Teixeira, Gleyson de Araújo. (Orgs.) Costumes e Tradições do Povo Yawanawá. Comissão Pró-Índio do Acre / Organização dos Professores Indígenas do Acre. – Rio Branco, 2006. 180p.