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segunda-feira, 20 de julho de 2026

A Revelação nunca será bem-vinda entre os ditos poderosos



"A revolução nunca será televisionada".

A revelação nunca se dará pelos canais oficiais do poder institucional.

Revelação é igual à verdade. 

Por que pessoas tidas como poderosas fariam revelações que colocariam seu poder em xeque?

Quem quer a verdade seja revelada, a quem ela interessa? 

De que verdade estamos falando? - diriam alguns. Da verdade que incomoda os ditos poderosos de plantão, que ameaçam o status quo e que mantém a humanidade escrava de uma agenda que lhe é estranha, alienígena na acepção da palavra.

Mas devemos dizer que de uma certa forma as pessoas em geral temem a verdade, amam a mentira e na maioria esmagadora dos casos escolhem a ilusão, postergando ou mascarando apenas a dor inevitável. Assim sendo vamos apresentar a resposta na forma de fábula, a face encantadora da Verdade, pois até mesmo os ditos poderosos quando querem produzem através do cinema, por exemplo, obras que apresentam algo sem que isso os comprometa, até por que a capacidade para perceber do público é bastante reduzida. como na cena emblemática do pianista cego do filme De Olhos Bem Fechados.

A fábula da verdade ou a verdade fabulosa ou quem quer a verdade nua e crua(?)

Allahur Akbar! Allahur Akbar! (Deus é grande! Deus é grande!).

Quando Deus criou a mulher criou também a fantasia. Um dia a Verdade resolveu visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.

Envolta em lindas formas num véu claro e transparente, foi ela bater à porta do rico palácio em que vivia o glorioso senhor das terras mulçumanas. Ao ver aquela formosa mulher, quase nua, o chefe dos guardas perguntou-lhe:

- Quem és?

- Sou a Verdade! - respondeu ela, com voz firme. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, o Cheique do Islã! O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, apressou-se em levar a nova ao grão-vizir:

- Senhor, - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, quase nua, quer falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid, Príncipe dos Crentes.- Como se chama?

- Chama-se a Verdade!

- A Verdade! - exclamou o grão-vizir, subitamente assaltado de grande espanto. - A Verdade quer

penetrar neste palácio! Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Verdade aqui entrasse? A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que uma mulher nua, despudorada, não entra aqui!

Voltou o chefe dos guardas com o recado do grão-vizir e disse à Verdade:

- Não podes entrar, minha filha. A tua nudez iria ofender o nosso Califa. Com esses ares impúdicos não poderás ir à presença do Príncipe dos Crentes, o nosso glorioso sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, pelos caminhos de Allah! Vendo que não conseguiria realizar o seu intento, ficou muito triste a Verdade, e afastou-se lentamente do grande palácio do magnânimo sultão Harun Al-Raschid, cujas portas se lhe fecharam à diáfana formosura!

Mas...

Allahur Akbar! Allahur Akbar!

Quando Deus criou a mulher, criou também a Obstinação. E a Verdade continuou a alimentar o propósito de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid...

Cobriu as peregrinas formas de um couro grosseiro como os que usam os pastores e foi novamente bater à porta do suntuoso palácio em que vivia o glorioso senhor das terras mulçumanas. Ao ver aquela formosa mulher grosseiramente vestida com peles, o chefe dos guardas perguntou-lhe:

- Quem és?

- Sou a Acusação! - respondeu ela, em tom severo. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Comendador dos Crentes!

O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu a entender-se como o grão-vizir.

- Senhor - disse, inclinando-se humilde, - uma mulher desconhecida, o corpo envolto em grosseiras peles, deseja falar ao nosso soberano, o sultão Harun Al-Raschid.

- Como se chama?

- A Acusação!

- A Acusação? - repetiu o grão-vizir, aterrorizado. - A Acusação quer entrar nesse palácio? Não! Nunca! Que seria de mim, que seria de todos nós, se a Acusação aqui entrasse! A perdição, a desgraça nossa! Dize-lhe que não, que não pode entrar! Dize-lhe que uma mulher, sob as vestes grosseiras de um zagal, não pode falar ao Califa, nosso amo e senhor!

Voltou o chefe dos guardas com a proibição do grão-vizir e disse à Verdade.

- Não podes entrar, minha filha. Com essas vestes grosseiras, próprias de um beduíno rude e pobre, não poderás falar ao nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid. Volta, pois, em paz, pelos caminhos de Allah!

Vendo quem não conseguiria realizar o seu intento, ficou ainda mais triste a Verdade e afastou-se vagarosamente do grande palácio do poderoso Harun Al-Raschid, cuja cúpula cintilava aos últimos clarões do sol poente.

Mas...

Allahur Akbar! Allahur Akbar! Quando Deus criou a mulher, criou também o Capricho.

E a Verdade entrou-se do vivo desejo de visitar um grande palácio. E havia de ser o próprio palácio em que morava o sultão Harun Al-Raschid.

Vestiu-se com riquíssimos trajos, cobriu-se com jóias e adornos, envolveu o rosto em um manto diáfano de seda e foi bater à porta do palácio em que vivia o glorioso senhor dos Árabes.

Ao ver aquela encantadora mulher, linda como a quarta lua do mês de Ramadã, o chefe dos guardas perguntou-lhe:

- Quem és?

- Sou a Fábula - respondeu ela, em tom meigo e mavioso. - Quero falar ao vosso amo e senhor, o generoso sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Árabes! O chefe dos guardas, zeloso da segurança do palácio, correu, radiante, a falar com o grão-vizir:

- Senhor, - disse, inclinando-se, humilde - uma linda e encantadora mulher, vestida como uma princesa,

solicita audiência de nosso amo e senhor, o sultão Harun Al-Raschid, Emir dos Crentes.

- Como se chama?

- Chama-se a Fábula!

- A Fábula! - exclamou o grão-vizir, cheio de alegria. - A Fábula quer entrar neste palácio! Allah seja louvado! Que entre! Benvinda seja a encantadora Fábula: Cem formosas escravas irão recebê-la com flores e perfumes! Quero que a Fábula tenha, neste palácio, o acolhimento digno de uma verdadeira rainha!

E abertas de par em par as portas do grande palácio de Bagdá, a formosa peregrina entrou.

E foi assim, sob o aspecto de Fábula, que a Verdade conseguiu aparecer ao poderoso califa de Bagdá, o sultão Harun Al-Raschid, Vigário de Allah e senhor do grande império mulçumano!

***


sábado, 18 de julho de 2026

O naualismo como revelação.



Imagine uma vida na qual não há mistério, encantamento, revelação, descoberta, uma vida perfeitamente segura, presa das rotinas, previsível, sem nenhuma surpresa ou fator inesperado, um disco arranhado que toca sem parar a mesma canção, eis a roda do samsara e seus infindáveis giros. Um verdadeiro saco! Uma prisão, de segurança máxima, por certo, mas de morte em vida também. Isso nos indica que a vida propriamente dita para ter graça tem que ter a marca do que é misterioso, do que é miraculoso, do inesperado

A essência da vida é um processo de revelação?

Dar à luz, fiat lux, faça-se a Luz e a luz foi feita. Tais expressões sugerem que a luz é gerada, fabricada, produzida a partir dos mistério da escuridão, do véu oculto do Espírito, do Ser, dessa enigma fundamental do olho que não pode ser visto. Nos deparamos então com o primeiro cerne abstrato do naualismo:

As manifestações do espírito (extraído do Poder do Silêncio, de Carlos Castaneda):

— A primeira história de feitiçaria que vou lhe contar é chamada “As manifestações do espírito” — começou Don Juan —, mas não deixe que o título o mistifique. As manifestações do espírito são apenas o primeiro cerne abstrato ao redor do qual a primeira história de feitiçaria está construída.

“Esse primeiro cerne abstrato é uma história em si mesma. A história diz que tempos atrás houve um homem, um homem comum sem quaisquer atributos especiais. Era, como todos os demais, um conduto para o espírito. E em virtude disso, como todos os demais, era parte do espírito, parte do abstrato. Mas não sabia disso. O mundo mantinha-o tão ocupado que ele realmente não tinha o tempo nem a inclinação para examinar o assunto.

“O espírito tentou, sem sucesso, revelar sua conexão. Usando uma voz interior, o espírito revelou seus segredos, mas o homem era incapaz de compreender as revelações. Naturalmente, ouvia a voz interior, mas acreditava que fossem seus próprios sentimentos que estava sentindo e seus próprios pensamentos que estava pensando.

“O espírito, para sacudi-lo de sua modorra, deu-lhe três sinais, três manifestações sucessivas. O espírito cruzou fisicamente o caminho do homem da maneira mais óbvia. Mas o homem estava alheio a qualquer coisa a não ser a preocupação consigo mesmo.

Até aqui a citação do livro O Poder do Silêncio, do naual Dr. Carlos Castaneda.

Pelo que lemos nos é mostrado que a história é um processo de revelação, uma relação entre o Espírito e o ser humano, uma relação na qual o Espírito é a parte ativa, pois tenta revelar sua conexão, e o humano a parte passiva e até mesmo reativa, pois incapaz de perceber a conexão devido a sua preocupação consigo mesmo.

Aqui também o naual Carlos Castaneda nos revela que todos indiscriminadamente, e não apenas os nauais, são condutos do Espírito, todo homem e toda a mulher possuem uma conexão direta com o Poder e, portanto, são expressões do Abstrato.

Assim a história de cada um e de todos nós é a história das revelações do Espírito, estejamos ou não conscientes desse processo histórico. 

As manifestações do espírito se dão através:

Da voz interior, ou seja, não precisamos necessariamente que alguém o faça por nós, tais revelações podem se dar em nosso próprio interior, em nosso espaço íntimo, sagrado, em nosso coração.

O espírito pode manifestar-se fisicamente, como um acontecimento ou evento concreto, material, que cruza o caminho do ser, ou seja, as manifestações do espírito podem ser subjetivas (no interior do humano) ou objetivas (no espaço físico).

Não limites para as manifestações do espírito. Nós somos parte do espírito, do naual, do abstrato, então, nós somos também ilimitados em nossas manifestações. Eis aí o que precisamos compreender. Eis aí também por que as histórias de feitiçaria, do naualismo, dos xamãs-guerreiros são importantes, pois elas são indicadoras do processo pelo qual o Espírito se revela ao ser humano.

Daí falar-se em uma Era da Revelação específica é muito estranho, tem um cheiro de falácia no ar, pois não há Era na História humana na qual o Espírito não se manifeste para revelar de fato os segredos mais profundos ao ser humano. A questão é ele estar atento a isto e não enredado em distrações ou preocupações cotidianas que o impeçam de vislumbrar e compreender o verdadeiramente o miraculoso, o milagroso e o mágico na vida.

A ignorância fundamental aqui é desconhecermos a nossa origem, que todos nós somos condutos do espírito, tenhamos ou não a configuração energética própria de um naual. Assim todo esforço de revelação torna-se um processo de auto-revelação ou auto-investigação na qual a pergunta fundamental é: quem sou eu? Que não se busque aqui uma resposta intelectual, no campo da mente, mas uma vivência direta no âmbito do ser que percebe em si mesmo o abstrato, o infinito, o naual.

Manifestação vem de mão (manus) e segurar (festus), mas o que segura a mão que manifesta? O levantamento do véu, do mistério, do segredo, um processo que é íntimo, pessoal, pois se dá no interior de cada ser que está suficientemente preparado para percebê-lo. Assim se a revelação é um processo dialético entre o Espírito e o ser humano, é preciso que nessa re(ve)lação, em algum momento o humano se dê conta de que ele mesmo é o Espírito. Então nos deparamos com o que poderíamos chamar de "advaita naual", só para brincar com o conceito da filosofia da não-dualidade:

Advaita Naual


Naual não é um espírito familiar, ancestral ou animal, mas pode usar de toda e qualquer aparência e parecer-se como tal. É simples_mente o Espírito, algo indefinível, indescritível, absoluto, abstrato. É abstrato não em oposição ao que é concreto, mas por ser aquilo que sustenta toda a manifestação, o substrato de tudo, a essência, aquilo que subsiste de forma irredutível depois de tudo ter sido extraído, aquilo que resta após a dissolução, aquilo que coagula após o solve alquímico, o pó, o vibhuti, o ser. Nenhuma palavra O descreverá, pode ser experimentado, pode ser conhecido além de todo conceito. Nenhuma visão poderá revelá-lo, poderá ser um dedo apontando para a lua ou o indicador levantado para o vasto céu, ou ainda, o dedo sobre o lábios: "summa iru", apenas seja.
 

O INTENTO - O ESPÍRITO - O ABSTRATO - O NAUAL - A ÁGUIA - O PODER - O INFINITO - O MAR ESCURO DA CONSCIÊNCIA  

Extraído do Poder do Silêncio, do Dr. Carlos Castaneda

A história diz que tempos atrás houve um homem, um homem comum sem quaisquer atributos especiais. Era, como todos os demais, um conduto para o espírito. E em virtude disso, como todos os demais, era parte do espírito, parte do abstrato. Mas não sabia disso. O mundo mantinha-o tão ocupado que ele realmente não tinha o tempo nem a inclinação para examinar o assunto.

***

A única maneira de conhecer o intento — replicou — é conhecê-lo diretamente através de uma conexão viva que existe entre o intento e todos os seres sencientes. Os feiticeiros chamam de intento o indescritível, o espírito, o abstrato, o naual. Eu preferiria chamá-lo naual, mas isto se sobrepõe com o nome para o líder, o benfeitor, que também é chamado naual, portanto optei por chamá-lo espírito, intento, o abstrato.

***

Ele estava dizendo que a primeira história de feitiçaria concernente às manifestações do espírito era um relato do relacionamento entre o intento e o naual.

***

O espírito manifesta-se a um feiticeiro, em especial a um naual, a todo momento. Entretanto, esta não é a verdade completa. A verdade completa é que o espírito se revela a todos com a mesma intensidade e consistência, mas apenas os feiticeiros, e os nauais em particular, estão sintonizados a tais revelações.

***

Reconheceu o vôo do falcão assim como a aparência do homem como manifestações óbvias do espírito que não podia desdenhar. 

***

— Já lhe expliquei que não há maneira de falar sobre o espírito — continuou — porque espírito pode apenas ser experimentado. Os feiticeiros tentam explicar essa condição quando afirmam que o espírito não é nada que você possa ver ou sentir. Mas está pairando sobre nós o tempo todo. Às vezes vem para algum de nós. Durante a maior parte do tempo parece indiferente.

Fiquei quieto. E Don Juan continuou a explicar. Disse que de muitas maneiras o espírito era uma espécie de animal selvagem. Mantinha distância de nós até o momento em que algo atraía-o. Era então que o espírito se manifestava.

***

— O seu problema — disse ele — é que você considera apenas a sua própria ideia do que é abstrato. Por exemplo, a essência interior do homem, ou o princípio fundamental, são abstratos para você. Ou talvez algo um pouco menos vago, tal como caráter, volição, coragem, dignidade, honra. O espírito, naturalmente, pode ser descrito em termos de todas essas coisas. E é isso que é tão confuso, é que é todas essas coisas e nenhuma delas.

Acrescentou que o que eu considerava abstrações eram ou os opostos de todas as praticidades sobre os quais eu podia pensar ou coisas que eu decidira não ter existência concreta.

— E no entanto, para um feiticeiro um abstrato é algo sem paralelo na condição humana.

— Mas são a mesma coisa — gritei. — Não vê que estamos ambos falando sobre a mesma coisa?

— Não estamos — insistiu. — Para um feiticeiro, o espírito é um abstrato simplesmente porque ele o conhece sem palavras ou mesmo pensamentos. E um abstrato porque não pode conceber o que seja o espírito. E no entanto, sem a menor chance ou desejo de compreendê-lo, um feiticeiro manipula o espírito. Reconhece-o, acena-lhe, convida-o, familiariza-se com ele, e expressa-o através de seus atos.

Sacudi a cabeça em desespero. Não podia ver a diferença.

— A raiz de sua concepção errônea é que usei o termo “abstrato” para descrever o espírito — explicou. — Para você, abstratos são palavras que descrevem status da intuição. Um exemplo é a palavra “espírito”,  que não descreve a razão ou a experiência pragmática, e a qual, naturalmente, não tem utilidade para você senão a de estimular  sua imaginação.

Eu estava furioso com Don Juan. Chamei-o de obstinado, e riu de mim. Sugeri que se eu pensasse sobre a proposição de que o conhecimento podia ser independente da linguagem, sem preocupar-me em compreendê-la, talvez pudesse ver a luz.

— Considerei isto — afirmou. — Não foi o ato de encontrar-me que importou para você. No dia em que o encontrei, você descobriu o abstrato. Mas uma vez que não podia falar a respeito, você não o percebeu. Os feiticeiros encontram o abstrato sem pensar a respeito, sem vê-lo, tocá-lo ou sentir sua presença.

***

Então lembrou-me de que eu já havia ouvido o seu relato detalhado sobre a primeira vez em que o espírito havia batido à sua porta. Por um momento não pude deduzir sobre o que estava falando.

— Não foi simplesmente o meu benfeitor quem tropeçou em mim quando eu estava morrendo do tiro — explicou. — O espírito também me encontrou e bateu à minha porta naquele dia. Meu benfeitor compreendeu que estava ali para ser um conduto para o espírito. Sem a intervenção do espírito, encontrar meu benfeitor não teria significado coisa alguma.

Explicou que um naual pode ser um conduto apenas depois que o espírito tenha manifestado sua intenção de ser usado — seja quase imperceptivelmente ou através de comandos diretos. Dessa maneira, não era possível para um naual escolher seus aprendizes de acordo com sua própria volição ou seus próprios cálculos. Mas, uma vez que a disposição do espírito era revelada através de presságios, o naual não poupava esforços para satisfazê-lo.

***

— Um aprendiz é alguém que está lutando para limpar e reviver seu elo de conexão com o espírito — explicou. — Uma vez que o elo é revivido, ele não é mais um aprendiz, mas até esse momento, para manter-se em movimento, necessita de um propósito ferrenho, o qual, naturalmente, não possui. Assim, permite ao naual que proporcione o propósito de que faça o que é necessário para renunciar à sua individualidade. Esta é a parte difícil.

***

Sentamo-nos ali e Don Juan retornou nossa conversação às histórias de feitiçaria. Avisou que agora eu sabia a história do intento manifestando-se ao naual Elias e a história do espírito assaltando a porta do naual Julian. E eu sabia como ele havia encontrado o espírito, e decerto não podia esquecer como eu o havia encontrado. Todas essas histórias, declarou, apresentavam a mesma estrutura; apenas os caracteres diferiam. Cada história era uma tragicomédia abstrata com um participante abstrato, o intento e dois atores humanos, o naual e seu aprendiz. O texto era o cerne abstrato.

***

— Os feiticeiros dizem que o quarto cerne abstrato ocorre quando o espírito corta nossas cadeias de auto-reflexão. Cortar nossas cadeias é maravilhoso, mas também muito indesejável, pois ninguém deseja ser livre.

***

— Uma vez que nossas correntes são cortadas — continuou Don Juan —, não estamos mais presos pelas preocupações do mundo cotidiano. Permanecemos no mundo cotidiano, mas não pertencemos mais a ele. Para isso ocorrer, devemos partilhar das preocupações das pessoas, e sem correntes não conseguimos.

Don Juan contou que o naual Elias explicara-lhe que o que distingue pessoas normais é que partilhamos de um punhal metafórico. As preocupações de nossa auto-reflexão. Com esse punhal, cortamo-nos e sangramos; e o trabalho de nossas cadeias de auto-reflexão é proporcionar-nos a sensação de que estamos sangrando juntos, que estamos partilhando de algo maravilhoso: nossa humanidade. Mas se fôssemos examiná-lo, iríamos descobrir que sangramos sozinhos; que não estamos partilhando nada; que tudo o que estamos fazendo é brincar com nossa reflexão, manipulável e irreal, feita pelo homem.

***

Numa voz calma, Don Juan disse-me que pela primeira vez em minha vida eu havia visto o espírito, a força que sustenta o universo. Enfatizou que intento não é algo que alguém possa usar ou comandar ou mover de algum modo — não obstante, podia-se usá-lo, comandá-lo ou movê-lo como se desejasse. Essa contradição, explicou, é a essência da feitiçaria. A falha de compreendê-lo havia levado gerações de feiticeiros à dor e à pena inimagináveis. Os nauais dos dias modernos, num esforço para evitar pagar esse preço em dor, haviam desenvolvido um código de comportamento chamado o caminho do guerreiro, ou a ação impecável, o qual preparava os feiticeiros realçando sua sobriedade e prudência.

 ***

Examinada dessa maneira, a feitiçaria torna-se uma tentativa de restabelecer nosso conhecimento do intento e recuperar seu uso sem sucumbir a ele. E os cernes abstratos das histórias de feitiçarias são sombras de realização, graus de nossa consciência do intento.
 

***

Disse que, misterioso como era o movimento para a consciência intensificada, tudo o que alguém necessitava para realizá-lo era a presença do espírito.
 

***

...saiba é que realmente não há procedimento envolvido em fazer o ponto de aglutinação mover-se. O espírito toca o aprendiz, e seu ponto de aglutinação se move. É simples como isso.

***

Os feiticeiros acreditam que, quando o homem tornou-se consciente de que sabia, e quis ficar consciente do que sabia, perdeu a visão deste saber. Esse conhecimento silencioso, que você não consegue descrever, é, naturalmente, o intento — o espírito, o abstrato. O erro do homem foi querer conhecê-lo diretamente, da maneira como conhecia a vida cotidiana. Quanto mais o desejava, tanto mais efêmero este se tornava.

— Mas o que significa isso em palavras simples, Don Juan?

— Significa que o homem renunciou ao conhecimento silencioso pelo mundo da razão. Quanto mais se agarra ao mundo da razão, tanto mais efêmero se torna o intento.

***

Transforme tudo naquilo que realmente é; o abstrato, o espírito, o naual. Não há bruxaria, nem mal, nem diabo. Existe apenas percepção.

*** 

— Não é sobre isto que estou falando — disse ele, rindo. — A ideia do abstrato, do espírito, é o único fator importante. A ideia do eu pessoal não tem valor algum. Você continua a colocar a si mesmo e seus próprios sentimentos na frente. Toda vez que tive oportunidade, agi consciente da necessidade de abstrair. Você sempre acreditou que eu pensava de modo abstrato. Não. Abstrair significa fazer você mesmo disponível ao espírito, estando consciente dele.

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Era da Revelação?


 


Está em voga a tal “Era da Revelação” desde que o governo estadunidense resolveu divulgar uma série de documentos até então sigilosos sobre a questão alienígena. Uma antiga promessa, tantas vezes descumprida, começa a se realizar. Será? Há motivos para duvidar de quem faz 80 anos mente e oculta informações sobre o tema. Por que agora, justamente quando o Império do Caos está em franco declínio tanto no campo político-econômico quanto no militar? O que está por trás da tal “Era da Revelação”? Se a fonte de tal revelação está poluída, manchada, contaminada por um passado de secretismo pode-se esperar algo de bom e verdadeiro decorrente dela?

A origem da palavra revelação vem do latim “revelatio” e significa mostrar, destapar, descobrir. O prefixo RE em revelação tem significado diferente do que possui em geral, tal como em rememorar, redescobrir ou reconhecer, pois em revelar o significado do RE é uma exceção semântica que indica oposição, assim revelar não é velar de novo, mas implica na retirada do véu. 


Os termos neste caso parecem não ser escolhidos ao acaso, a Era da Revelação tem também, no contexto ocidental, um tom profético, místico e religioso, já que revelação remete diretamente ao significado de Apocalipse, o último livro da Bíblia, que em sua introdução, 1:1, nos diz: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo;”

Pelo visto querem indicar com a expressão “Era da Revelação” um caráter místico, messiânico, transcendente para aquele que seria o porta-voz de tal revelação, no caso o presidente dos EUA, que seria assim revestido como tal atributo, no caso em questão uma liderança política sem nenhuma credibilidade, já que estaria na prática envolvida em escândalos diversos de corrupção, pedofilia, tráfico de influência, genocídio, assassinato de crianças, guerras imperiais, enfim, todas as características de um anti-cristo. Poderia a revelação nesse caso ser usada como espécie de água batismal para a purificação dos pecados de uma criatura corrompida ao extremo? Dizem que o discurso da revelação já está pronto e pode ser anunciado a qualquer momento, ainda neste ano de Nosso Senhor Jesus Cristo: 2026. Criando o contexto necessário a tal revelação temos o lançamento mundial do filme de Steven Spielberg, Dia D, e o documentário a Era do Desacobertamento, com a presença de figuras de alto escalão do governo do Império do Caos, sendo incensados pelo poder midiático da varinha mágica e manipuladora de Holly_wood.




A questão que se coloca aqui não é propriamente a da Revelação, mas de uma reedição da velha ordem, uma repaginação da Era da Enganação sob a capa da Revelação, com uma liberação controlada de informações que não coloque em xeque os interesses dominantes. Que interesses seriam estes? Podemos enumerar alguns.


1 - os interesses econômicos.


Inicialmente, quando vemos os registros feitos de naves ditas alienígenas que superam a tecnologia humana conhecida, observamos antes de tudo que elas são silenciosas, não-poluentes, não causam deslocamento de massa de ar, capazes de aceleração incrível, de manobras radicais e feitas de material extremamente leve e resistente. Ou seja, dispensam, por exemplo, o uso de combustível fóssil. Vamos ter acesso a tal tecnologia na dita Era da Revelação? Vai estar no pacote o acesso amplo e irrestrito a uma tecnologia que pode beneficiar a toda a humanidade sem que haja controle ou monopólio de patentes? Esse ponto realmente interessa à humanidade muito mais do que cenas, filmagens ou fotos de naves ou aliens, pois trata-se de algo com um benefício óbvio, concreto e pragmático não só para a humanidade como para o planeta inteiro em função do agravamento das mudanças climáticas.

2 - os interesses dos senhores da guerra: o complexo industrial militar.


Os senhores da guerra não vão querer manter o monopólio de uma tecnologia (alienígena, via engenharia reversa) tão poderosa e avançada?


3 - os interesses da ciência.

Quantos paradigmas científicos não serão quebrados se a dita revelação indicar que o homo sapiens não é o topo da cadeia alimentar, mas sim um recurso natural para usufruto de determinadas espécies alienígenas dentro da cadeia biológica universal e também um produto decorrente de modificação genética (OGM)?

4 - os interesses das instituições religiosas.


A mesma questão colocada para a ciência com as devidas adequações já que o ser humano não seria mais a joia da criação divina, mas apenas mais uma criatura dentro da hierarquia de seres criados.


5 - os interesses de grupos secretos.

Quantos segredos sujos e acordos espúrios não foram feitos onde a moeda de troca era a própria humanidade? Quantos crimes não foram cometidos contra a própria humanidade pela elite governamental? Isso fará parte do pacote da dita revelação ou ficaremos reduzidos a uma revelação seletiva baseada apenas em imagens de ovnis, fotos de seres alienígenas e documentos não indicativos dos crimes de lesa-humanidade perpetrados por sociedades secretas imiscuídas dentro do aparato estatal?

Quantas revelações já não ocorreram antes na História da Humanidade? Por que chamar justamente esse tempo de Era da Revelação? As tradições antigas das mais diferentes culturas já não indicaram amplamente tantas e tantas revelações, descobertas e mistérios? Revelação para quem, de quem e com que finalidade? Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas, diz o livro da revelação em Apocalipse 2, 17. E o que a humanidade fez a respeito dessas revelações luminosas, conhecimentos apresentados e arcanos desvelados? Qual a importância de tais revelações quando a atenção da humanidade em geral centra-se na sobrevivência ou numa Copa do Mundo? Bem, esse será o nosso próximo tema.

Modak






quinta-feira, 27 de março de 2025

Quando começamos a destruir o mundo?

Quando começamos a destruir o mundo? Isso não é de agora, é um processo histórico. O mundo vem sendo destruído sistematicamente há muito tempo. Chegamos num ponto no qual podemos destruí-lo milhares de vezes através dos estoques que temos de bombas nucleares. Chegamos a um ponto no qual só não destruímos o mundo de uma vez porque ninguém ganharia com isso, com um guerra nuclear. E o que evita a destruição é o chamado equilíbrio do terror, um equilíbrio tenebroso, feito de ameaça, medo e potencial destruição total . Mas se não destruímos o mundo de uma vez, vamos destruindo-o aos poucos, vamos destruindo a nós mesmos gradualmente, vamos destruindo a Natureza.

Natureza, palavra interessante. Consultando o novo pai dos burros, a IA, descobrimos que natureza vem de nascer ou força geradora, mas depois passou a significar a parte do mundo que não depende do homem. E aí está a nossa pista para respondermos a nossa pergunta inicial: quando começamos a destruir o mundo?

A resposta nos parece óbvia: quando nos distanciamos da Natureza, da força geradora, do poder que gera a vida. Mas não nos distanciamos apenas da natureza externa, o meio ambiente, nos distanciamos da nossa natureza interna, de nós mesmos, de nossa essência, de nosso ser. Ficamos fragmentados, divididos, alienados de nós mesmos. Aí começou o processo de destruição da Natureza, em dois vetores, para fora e para dentro.

Diferentes mitos revelam isso e todos giram em torno do distanciamento do humano de um paraíso, de um éden, da própria divindade e, portanto, de nós mesmos. Quando isso aconteceu? Quando alguém se distanciou da Natureza e se fez senhor de um pedaço de terra, de rio, de lago, de mar e chamou isso de meu? Quando o mundo tornou-se coisa, propriedade e o próprio humano se fez dono, apesar de ser mortal e não ser dono do próprio corpo? Quando houve a separação entre o humano e a Natureza? Quando essa dualidade se estabeleceu? Quando essa ignorância fundamental (avidyã) surgiu?

Também podemos perguntar: como ela surgiu? Ou ainda: quem a fez surgir? E prosseguindo: por que razão ela surgiu? E mais, como desfazer essa ignorância fundamental? Como desfazer essa separatividade entre o humano e a Natureza? Qual a própria natureza dessa separatividade? Ela é mental? É uma ilusão mental tão arraigada que nela se baseia a religião, a ciência e a filosofia do homem moderno ocidental que pensam o humano e a natureza como distintos entre si?

Lembramos de Matrix, o primeiro filme, de 1999, e lá vemos que na luta entre homens e máquinas a própria Natureza é que paga o preço dessa guerra, sendo destruída e o que resta de natureza para ser explorada é o próprio humano que torna-se um recurso para sobrevivência do império das máquinas, que criam um sonho, uma ilusão que é a base da própria Matrix.

Nesse filme há uma reflexão crítica, desafiadora e incômoda feita por um agente da Matrix, sobre a própria natureza dos humanos, que em vez de se comportarem como mamíferos, como seria natural, passam a agir como um vírus, parasitando e destruindo tudo o que tocam. Quando deixamos de ser mamíferos e passamos a nos comportar como vírus? Quando perdemos a nossa natureza primeva, original e adquirimos uma segunda natureza não humana e viral?

Por causa disso as tradições nativas, os diferentes Xamanismos, em especial o Guerreiro, dizem que o ser humano encontra-se doente. Mas qual é a nossa doença? O egoísmo, a auto-importância, a heresia da separatividade, a avidya. Mas como ela surgiu? Como fomos infectados? Como nos curarmos antes que, devido a essa doença, destruamos o mundo inteiro? Como destruir a doença sem matar o doente? Essa é uma tarefa individual, pessoal e intransferível. Uma responsabilidade individual.

Mas diante disso surge uma outra questão: é possível a cura no nível coletivo? E se tal não for possível qual seria a solução? Essa humanidade doente matou ou não deu ouvidos para os diversos homens que propuseram uma cura para a alma humana: Ishô, Buda Shakyamuni, Krishna, entre tantos outros.

Qual o destino de um doente terminal que não quer curar-se e que ameaça com a sua doença todos os seres vivos do planeta?

Modak

domingo, 9 de março de 2025

Por que a "revelação" alienígena é um "limited hangout"?

 Limited Hangout

  • O hangout limitado é usado quando os profissionais de inteligência não podem mais confiar em uma história falsa para desinformar o público. 
  • Os agentes de inteligência admitem parte da verdade, mas mantêm os fatos mais graves do caso em segredo. 
  • O público fica tão intrigado com as novas informações que não se aprofunda no assunto.

 



A fé pode ser manipulada, mas o conhecimento é perigoso. E o conhecimento não é tanto a busca por respostas, antes é encontrar perguntas melhores.

Como perguntar não ofende, vamos então às perguntas. 

1 - Por que pessoas do governo que mentiram durante tantos anos agora mereceriam créditos?

2 - Por que um documentário profissionalmente produzido, chamado a Era da Revelação, cheio de declarações de homens e mulheres da máquina do governo, teve seu diretor dando entrevistas para a mídia oficial da indústria cinematográfica, Hollywood? Hollywood (holy, sagrada; wood, madeira) não conduz a varinha mágica da ilusão?




3 - Por que mais de 24 anos depois do Disclosure Project, que ninguém no governo (do Império do Caos) deu crédito, uma reedição é feita por outras pessoas? Controle da narrativa?

4 - Militares e oficiais de inteligência estão à frente da revelação, mas que provas concretas (naves e seres alienígenas) foram apresentadas?

5 -  Qual a melhor maneira de esconder algo? Revelando aquilo que não é essencial e/ou escondendo-o à vista de todos, no melhor estilo Edgar Allan Poe?

6 - Por que a virada de posição no que tange a esta questão se sempre houve negação, ridicularização e até cancelamento de pessoas (JFK, por exemplo) que se atreveram a falar?

7 - Por que temos tantas religiões associadas ao tema? Por que temos a escolha da palavra "revelação" que significa apocalipse, termo tão caro às religiões?

8 - Como num mundo de tantas mentiras, ilusões, manipulações e enganos de repente eis que surge a verdade propagada pelos mentirosos de sempre?

9 - Não é a tal revelação uma nova forma de ocultamento?

F.






 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

A Era da Revelação

Novo documentário prestes a ser lançado traz a baila o testemunho de altos oficiais das forças militares e de agências de inteligência do Império revelando a existência, a presença e o contato com inteligências não-humanas, com naves não-humanas e com tecnologias de origem não-humana que podem revolucionar por completo o nosso modo de vida. O documentário "A Era da Revelação" cumpre um papel semelhante ao Projeto Revelação - Disclosure Project, lançado em maio de 2001 pelo Dr. Steven Greer, pouco antes do golpe de falsa bandeira do 11 de setembro nos EUA. O Disclosure Proeject encontra-se publicado AQUI.

Uma verdadeira convergência de provas documentais, testemunhas oficiais em posições de destaque na vida pública, vídeos fidedignos, aparição crescente em nossa atmosfera de naves não-humanas e de material de todas as naturezas que vem criando uma onda avassaladora que culmina no verdadeiro significado da palavra apocalipse: revelação!



Origem da palavra: APOCALIPSE:

Do Grego APOKALYPSIS, de APOKALYPTEIN, “desvendar, descobrir, revelar”, de APO-, “sobre”, mais KALYPTEIN, “cobrir, esconder”.

sábado, 20 de janeiro de 2024

A irrupção do nagual no tonal: Plutão em Aquário - 1778 e 2024


Astra inclinant, sed non cogunt. Os astros inclinam, mas não determinam.

Para ver o futuro, estude o passado, pois tudo se repete em ciclos, o que se busca é ir para oitavas mais altas, ascendendo na espiral do tempo, sem ficar preso em sua mecânica, sofrendo as consequências de uma repetição infindável.

Estamos diante do fim de um ciclo e início de outro.

Estamos diante do fim de um mundo e início de outro.

Eu disse fim de um mundo e não fim do mundo, mas será como se fosse o fim do mundo para muita gente, pois velhos paradigmas ruirão, impérios cairão, o sistema monetário será transformado e uma nova ordem mundial baseada na multipolaridade geopolítica surge.

Naturalmente a velha ordem reage e provoca guerras e conflitos pelo mundo todo. A velha ordem aqui é representada pelo Império Anglo-Americano. A nova ordem funda-se nos BRICS: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, fundadores do BRICS, que contam agora em 2024 com mais 5 países: Arábia Saudita, Etiópia, Emirados Árabes Egito e Irã.

2024 é um ano chave em termos políticos, pois teremos eleições em boa parte do mundo, 50 países irão as urnas, já em termos geopolíticos  temos o fortalecimento do BRICS e do mundo multipolar, e em termos exopolíticos temos um movimento cada vez mais intenso ocorrendo pela revelação e desacobertamento de segredos governamentais e corporativos envolvendo tecnologia alienígena como indicam audiências públicas sobre o fenômeno OVNI (UAP) ocorridas no Congresso dos EUA e do México.

Mas algo mais nos aguarda a partir de 2024 e esse algo a mais será para a maioria das pessoas surpreendente, inesperado, imprevisível, pois estamos entrando, a partir do dia 20 de janeiro, numa configuração astral que ocorreu a 246 anos atrás: a entrada de Plutão em Aquário.

Plutão é um signo lento, seu movimento em torno do Sol é de 246 anos e ele passa em cada signo uma média de + ou - 20,5 anos. Da última vez que ele esteve em Aquário o mundo foi sacudido por eventos como:

  • a queda da Bastilha; 
  • a Revolução Francesa; 
  • a Revolução Americana; 
  • a Revolução Industrial;
  • o Iluminismo; 
  • surgimento da primeira vacina: varíola.
  • o Reino do Terror na França;
  • a Inconfidência Mineira e a morte de Tiradentes;
  • a Revolução Haitiana, Haiti é o primeiro país a abolir a escravidão;
  • o rei Luís XVI é executado; 
  • início da rebelião irlandesa contra o domínio britânico;
  • a guerra Anglo-Francesa.

A palavra chave aqui é REVOLUÇÃO. Plutão em Aquário revoluciona. Se formos pesquisar a origem da palavra vamos encontrar, do latim, "revolvere", girar, virar, dar voltas, como o tambor do revólver. Assim a associação entre revolução e armas é direta, pois vem da origem da palavra. Vemos a ideia de ciclo, de giro como no arcano 10 do Tarot. Também vamos encontrar no latim a palavra "revolutio", termo usado por Copérnico para descrever o movimento dos planetas em torno do Sol em seu tratado Revolutionibus Orbium Coelestium, de 1543, outro período de Plutão em Aquário.

Revolução é transformação radical, pela raiz, em profundidade. Profundidade é justamente o habitat de Plutão, pois ele vai fundo, vai na raiz, chega ao inconsciente coletivo, abala as estruturas, por isso é considerado uma força ou um "deus" ctônico, telúrico, do submundo, das riquezas interiores, dos segredos ocultos, dos mundos intraterrenos, dos terremotos (escrito a posteriori: tivemos no dia 20 de janeiro de 2024, aqui no Brasil, o maior terremoto de nossa história, 6,6 na escala Richter, ocorrido a mais de 600 kms de profundidade. Um "olá" de Plutão).

Plutão entra em Aquário no dia 20 de janeiro¹ fazendo conjunção com o Sol. Algo das profundidades vem à tona como no arcano 20 do Tarot. Plutão fica por 20 anos em Aquário fazendo uma breve retrogradação em novembro do corrente ano para depois retornar para Aquário. A natureza surpreendente, inesperada e imprevisível de Plutão em Aquário também é bem caracterizada pelo arcano do Julgamento. O que seria algo surpreendente? Um exemplo, o contato conosco  de seres inteligentes intraterrenos como o chamado povo Formiga, conhecido por diversos povos nativos, dentre eles os Zuni, do México, e os Huni Kuin, da Amazônia brasileira. Eles fazem parte do chamado Povo Encantado, assunto abordado aqui nesse blog através de um texto do xamã Nuvem que Passa. Um contato com uma civilização alienígena vinda do interior da Terra seria algo de fato surpreendente, inusitado, inesperado, de abalar os paradigmas e toda a história conhecida. Plutão é alienígena, é estranho, está na fronteira do nosso sistema solar e toca o desconhecido cósmico. É bom ter firme em mente que o significado de alienígena não é necessariamente o que vem de fora, isso seria extraterrestre, mas sim aquilo que é culturalmente estranho, muito diferente. O que vamos presenciar é a irrupção do nagual no tonal, se formos usar a linguagem do Xamanismo Guerreiro ou do Nagualismo.

Talvez, parafraseando Aristóteles, descubramos que o homem é um animal exopolítico!

O arcano 20 do Tarot ilustra bem Plutão em Aquário, pois vemos algo emergir do submundo - Plutão - para a superfície através do chamado de uma força celeste - Urano, o céu, regente de Aquário. É o contato com outras realidades até então ocultas, escondidas, veladas. "Se contemplarmos longamente a escuridão, algo sempre aparece", diria o filósofo Arthur Schopenhauer, nascido quando Plutão entrou em Aquário (1778). Ada mais plutônico do que isso. A eventual emergência de uma civilização intraterrena seria completamente revolucionário, já que não consta da nossa história oficial.

Se é verdade que para vermos o futuro basta estudar o passado, então devemos nos perguntar que eventos passados podem representar o que hoje aponta para o futuro. Se no passado, quando Plutão entrou em Aquário, tivemos a queda da Bastilha, devemos nos perguntar o que hoje pode representar a Bastilha, o que hoje pode representar as instituições do Antigo Regime ou da Velha Ordem. O que hoje representa a Bastilha moderna e que está em xeque? 

Um palpite interessante que representa bem a velha ordem regida pelo Império Anglo-Americano é a sede das nações unidas, a ONU, pois está mais do constatado o seu anacronismo, o seu vácuo de poder e a sua incapacidade de resolver os conflitos mundiais. Ainda temos Wall Street e a Casa Branca, pois analistas geopolíticos indicam uma tensão social crescente nos EUA devido à inflação, a dívida interna de 34 trilhões, a queda do dólar como moeda internacional e aos excessivos gastos militares para sustentar a máquina de guerra do Império. O próprio complexo industrial militar do Império pode ser visto como uma nova Bastilha, já que era nela que estava a pólvora com a qual o terceiro estado pode dar início à revolução francesa. Ora, quantos segredos, quanta sujeira, quantas tramoias não há por baixo de tal complexo, responsável possivelmente pelo assassinato de muitos, inclusive de John F. Kennedy, segundo algumas versões. O fato é que as instituições do Antigo Regime ou da Velha Ordem ruirão sob os impactos da força plutônica no signo do aquadouro e muitos segredos emergirão provocando um abalo em diferentes níveis: religioso, social, político, cultural e econômico.

Teremos assim uma nova revolução industrial assentada num novo modelo energético tal como o processo de fusão nuclear ou como a energia livre de Nikola Tesla e/ou ainda a energia do ponto zero (anti-gravidade que está por trás dos OVNIs). As denuncias fundamentadas desde 2001 através do Disclosure Project do Dr. Steven Greer ou ainda as feitas pelo cientista político Dr. Michael Salla estão em vias de alcançarem repercussões cada vez maiores sobre o ocultamento, por parte de governos e corporações, de tecnologia alienígena que poderia beneficiar amplamente a humanidade por acabar com os problemas climáticos, de fome, de miséria, de saúde e outros mais. 

Mas nem tudo são flores, o que aconteceu recentemente no Equador é uma demonstração dos efeitos de Plutão em Aquário, pois tivemos o submundo da máfia das drogas colocando em xeque o estado equatoriano, indicando assim que a sombra do narcotráfico paira sobre a América Latina como um fator de desestabilização que pode ser parte de um guerra híbrida (um conceito plutônico por certo por tratar-se e uma guerra escamoteada de um Estado contra outro).

Falar em Plutão é falar em arma nuclear, não é por acaso que o material para a bomba atômica se chama plutônio, PU 94, e mais, macacos me mordam, mas outro componente importante para a fabricação de armas nucleares é o urânio, U 92, descoberto em 1789, quando Plutão estava em Aquário e adivinha por que tal elemento recebeu esse nome? Pois é, coincidência pouca é bobagem. Talvez o risco nuclear nunca esteve tão forte desde a crise dos mísseis, pois há uma potência que provavelmente tem, mas não revelou a posse domínio de bombas atômicas: o Irã, transformando o caldeirão do Oriente Médio num potencial cogumelo atômico, pois Israel também possui armas nucleares. Por outro lado, estabelece-se o chamado equilíbrio do terror, no qual o conflito nuclear é evitado, pois em tal guerra não vencedores.

Plutão entra em Aquário  fazendo conjunção com o Sol e esse processo se repetirá pelos próximos seis anos quando o Sol entrar no signo do aquadouro. Plutão e Sol, escuridão e luz. Ora, essa conjunção está expressa na origem da palavra Apocalipse, vejamos: 
Do Grego APOKALYPSIS, de APOKALYPTEIN, “desvendar, descobrir, revelar”, de APO-, “sobre”, mais KALYPTEIN, “cobrir, esconder”. Apocalipse é revelar o oculto. Plutão em conjunção com o Sol em Aquário é o rasgar do véu de Ísis, é o rasgar do véu do Templo, muitas verdades escondidas virão à tona e os sistemas de crenças em vários níveis serão colocados em xeque. Poderemos assistir um novo iluminismo, a luz da razão superando a fé cega, a magia se revela como tecnologia.

A conjunção do Sol com Plutão também pode ser vista como a manifestação de um avatar, a descida da Divindade (o Sol) na matéria densa (Plutão). Plutão guarda relações simbólicas com Shiva.

Nessa conjunção podemos ver um exemplo simbólico daquilo que Jung chamava de coincidentia oppositorum, a integração de todos os aspectos da psique, a totalidade do ser, segundo Jung, esse seria o grande problema da Psicologia e o ponto no qual a realidade divina se manifesta, permitindo que unamos em nós aspectos díspares da alma na busca da autorrealização. Surge aqui uma janela de oportunidade para os buscadores sinceros do diferentes caminhos do Ser. Nas palavras de Jung extraídas de uma entrevista dada em 1952 à Mircea Eliade:

"Para mim, como psicólogo, o estado de graça existe: é a perfeita serenidade da alma, um equilíbrio criativo, a fonte de energia espiritual. Falando sempre como psicólogo, afirmo que a presença de Deus é manifesta, na experiência profunda da psique, como uma “coincidentia oppositorum” (unidade dos opostos), e toda a história da religião, todas as teologias, dão testemunho do fato de que a “coincidentia oppositorum” é uma das mais comuns e mais arcaicas fórmulas para expressar a realidade de Deus. A experiência religiosa é numinosa, como Rudolf Otto a designa, e, para mim, como psicólogo, essa experiência difere de todas as outras de um modo que transcende as categorias ordinárias de espaço, tempo e causalidade. Recentemente, empenhei-me no estudo da sincronicidade (em poucas palavras, a "ruptura do tempo"), e estabeleci que se assemelha estreitamente às experiências “numinosas” em que espaço, tempo e causalidade são abolidas. Não aplico qualquer juízo de valor à experiência religiosa. Afirmo que um conflito interno é sempre a fonte de profundas e perigosas crises psicológicas, tão perigosas que podem destruir a integridade de um homem. Esse conflito interno manifesta-se psicologicamente nas mesmas imagens e no mesmo simbolismo testemunhados por toda e qualquer religião no mundo, e utilizados também pelos alquimistas".

"Por isso me interessei pela religião, por Javé, Satã, Cristo, pela Virgem. Entendo muito bem que um crente veja algo muito diferente nessas imagens do que eu, como psicólogo, tenho o direito de ver. A fé de um crente é uma grande força espiritual, é a garantia de sua integridade psíquica. Mas eu sou médico e estou interessado em curar os meus semelhantes. A fé e somente a fé já não tem poder, infelizmente! - para curar certas pessoas. O mundo moderno está dessacralizado; por isso está em crise. O homem moderno deve redescobrir uma fonte mais profunda de sua própria vida espiritual. Para tanto, é obrigado a lutar com o diabo, a enfrentar sua própria sombra, a integrar o diabo. Não há outra escolha. É por isso que Javé, Jó, Satã, representam situações psicologicamente exemplares; eles são como paradigmas do eterno drama humano".

O que temos aqui é a formação de uma tempestade perfeita, diversos fatores (astrológicos, geopolíticos, climáticos, econômicos, sociais e exopolíticos) atuando para a derrocada do Antigo Regime, do Velho Mundo, para o ressurgimento, tal como a Fênix Mítica, de um novo mundo, de novos valores, de novas visões, mas a luta entre o velho e o novo está sendo e será de natureza violenta na proporção da consciência dos velhos donos de poder serem capazes de aceitar a sua derrocada sem cair atirando. Algo difícil pelo que estamos vendo.





Notas

¹ Justamente hoje, 20 de janeiro de 2024, fazem 28 anos de um dos maiores casos da Ufologia brasileira e mundial: o ET de Varginha. Será que teremos um reconhecimento oficial sobre tal caso que além de envolver a queda de uma nave teve também a captura de seres alienígenas muito parecidos com os Akarts descritos no livro sobre raças alienígenas da arqueóloga Elena Danaan.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

O Apocalipse que interessa à Matrix

Cena do filme Duna - teste do medo: gom jabbar (o inimigo arrogante).



Colocar as pessoas num estado de desorientação, bombardeando-as com informações das mais diversas procedências, sem que elas estejam amparadas numa fonte fidedigna e em elementos comprováveis, submetendo-as a uma verdadeira guerra midiática, provoca a condição tão buscada pelo sistema: medo.

Como cegos perdidos num tiroteio, neste caso, tendemos a nos alinhar com o pai simbólico, a autoridade, o estado, o status quo, a igreja, a ideologia dominante por mais que saibamos que são lobos travestidos de ovelhas, pois nosso psiquismo, nosso emocional foi atacado, bombardeado e conquistado pela emoção que eles querem implantar: medo.

Eis o primeiro inimigo do homem de conhecimento, segundo o Xamanismo Guerreiro.

O estado de paranoia, medo, desorientação, angústia favorece ao sistema estabelecido, que busca através disto refundar-se e criar a malfadada nova ordem mundial.

Se é verdade que a consciência tem o poder de criar a realidade, que tipo de realidade cria o estado de medo, sofrimento psíquico, paranoia, angústia?

“O que temes sucede mais depressa do que esperas.” (Publílio Siro)

Cria a doutrina da segurança nacional, base para qualquer ditadura.

E não é verdade que aquele que teme o sofrimento já não sofre por aquilo que teme?

Então qual é a razão de temer?

É a razão dos captores, dos senhores do mundo, para manter-te aferrado, preso, aguilhoado a um estado de consciência que sustenta a realidade imposta.

“Escravo do medo: eis a pior forma de escravidão.” (G. B. Shaw)

Então se buscamos uma nova realidade temos que começar primeiro por estabelecer um estado de consciência sóbrio, equilibrado, focado e construtivo.

Todo aquele que fomenta o medo, a negatividade, a paranoia, o apocalipse no sentido pejorativo ou destrutivo é um agente em potencial da Matrix. Ver a maneira como o sistema age é ir além da Matrix e vencer os seus agentes.

Apocalipse significa isto: revelação. O medo impede que você revele a si mesmo e veja a divindade em si, com todo o seu poder de criar a realidade. A revelação é externa e interna, fora e dentro de si. O medo impede a revelação.

Quem alimenta o medo alimenta a Matrix com sua própria consciência. Despertar é ir além do medo, é encarar a realidade sem medo.

Não devo temer.
O medo é o assassino do Real,
é a pequena-morte que oblitera o Ser.
Eu enfrentarei o meu medo.
Permitirei que ele passe através de mim e quando se for,
eu olharei, com a minha visão interna, o seu rastro.
No espaço vazio que ele deixou, nada existe afinal...
Só eu permaneço!
(Frank Hebert, Duna)




Sinal de Fumaça

A Lua do Guru - Guru Purnima - e a confiança no Naual

Imagem gerada por IA baseada no texto a seguir. Guru Purnima Na Índia, sempre se reverencia a relação de conhecimento entre o Guru (professo...