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sábado, 22 de fevereiro de 2025

Deus em si

O alvo é Deus em si mesmo.

Mas quem aponta também é Deus.

Tudo é deus. O único pecado é disto esquecer.

Deus em tudo, tudo em Deus.

A felicidade suprema é a suprema realização de Deus em si.

Quando se tem consciência disto todos as realizações carecem de sentido se não estiverem subjugadas na suprema realização - Ioga.

A diferença fundamental entre uma pessoa adormecida e uma desperta é apenas o esquecimento e a lembrança sobre a divindade dentro de si.

Mas lembrança aqui é um conhecimento visceral de Deus em si, presente em todo o teu ser, a partir mesmo do teu corpo, teu sangue, tua coluna, teu respirar até abranger tudo o mais.

Há níveis diferentes de despertar, mas o despertar começa pelo corpo mesmo, por isto Kundalini-Shakti encontra-se em Mooladhara, o chacra básico.

Levar esta lembrança-consciência de si para dentro do cotidiano e mantê-la é a realização das realizações.

Até lá você deve começar pelo começo, ir adquirindo mais e mais flashs destas lembranças de si até que elas atinjam um ponto crítico que promova uma mudança no ser.

Cuide-se das armadilhas do ego que irá querer fazer com que você pense que já alcançou algo. Lembre-se que o ego não pode alcançar nada, ele precisa ser dissolvido na força do amor divino ou êxtase para que possamos coagular o ser verdadeiro.

F.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Bruxaria, Magia e Xamanismo - parte 5 - por Nuvem que Passa.




"O Tao que pode ser dito não é o Tao eterno.
 O nome que pode ser nomeado não é o Nome eterno. 
O inominável é o eternamente real. 
Nomear é a origem de todas as coisas particulares. 
Livre do desejo, você percebe o mistério" 
 Tao Te Ching, primeiro verso.

O conceito de Divindade

Agora abordaremos um dos aspectos mais importantes, uma diferença fundamental entre ‘o caminho’ e tantas outras vertentes do chamado misticismo. É muito importante percebermos como o conceito que temos de divindade interfere na forma de sentirmos e percebermos o mundo.

Geralmente recebemos uma educação religiosa vinda do meio onde fomos criados, isso acontece em uma fase bem imatura da percepção. É comum aprendermos a identificar conceitos complexos como origem, criadores, poderes primordiais com projeções de nossas carências e medos.

Entre a maioria de nós, os conceitos religiosos vieram através de nossos pais e da igreja a qual estavam ligados. Mas esses conceitos têm uma historicidade, foram gerados por situações diversas, por grupos que, em sua luta pelo poder, não tiveram receio em alterar e deturpar conhecimentos, a fim de se manterem no poder.

Estes dados são importantes para melhor compreendermos o deus único, que é considerado resultado de uma evolução que ocorreu quando o gênero homo deixou de ser politeísta e ‘progrediu’ para o sistema monoteísta. Será verdade isto? Os povos ancestrais sentiam a divindade em tudo, suas várias faces, na chuva, no vento, no trovão, na Terra que dá o alimento, no Sol, na Lua. O Uno manifesto no múltiplo.

É muito importante compreender isso. Através de investigações e contatos com tradições nativas percebi que o saber ancestral se manifesta em matrizes com muitas dimensões. Certos povos têm um conhecimento que, quando comparado ao nosso, pode parecer menos sofisticado em alguns aspectos, como os Maias que não usaram a roda, mas que em outros níveis podem extrapolar muitos nossos padrões, como o calendário meso-americano.

O conceito de divindade para os povos ancestrais é bem amplo e variado. Não podemos nos limitar às crenças que algumas parcelas da população adotam, senão corremos o risco de generalizar a forma de lidar com a totalidade de todo um povo. O cidadão simples, o comerciante, o homem e a mulher do povo egípcio, com certeza, tinham uma concepção da divindade bem diferente dos sacerdotes e sacerdotisas dos templos e das escolas iniciáticas que ali existiam.

Da mesma forma, entre todos os povos vamos ter o exoterismo religioso, as crenças e cultos de domínio público, e o esoterismo, reservado a quem fosse iniciado nos mistérios. Os povos ancestrais lidavam com as várias faces da Eternidade, em suas múltiplas manifestações. Mas elencar um deus tribal de um povo¹ e promovê-lo a deus único é evolução? Um deus único exógeno à Terra, que a rege à distância, pelo lado de fora, não inspira nenhuma atitude ecológica ou equilibrada. Coisa que não acontece com os povos nativos e suas superstições. O conceito de deus é algo muito complexo. Quando falamos de um deus criador, ecoamos um paradigma. Em minhas investigações sobre estes caminhos que estamos tratando aqui, encontrei um conceito diferente, uma forma de falar da ETERNIDADE sem limitá-la a padrões antropomórficos ou fazer da mesma uma tela onde projetamos carências e medos.

Em vez de um deus que cria de fora e depois aplica testes além da capacidade dos testados para por fim os castigar e os deixar confusos. Em vez de uma família primordial onde o homem é um fraco, o filho um assassino e na qual a mulher vai atrás da primeira serpente que aparece. Uma família em que tudo dá errado, acarretando um cataclisma que gera a necessidade de se começar o mundo novamente. Em vez desta narrativa existem outras histórias de como o mundo veio a ser o que é.

Existem cosmogonias, antropogêneses e cosmogêneses que abordam outras possibilidades. Um universo que emana, que surge de uma outra realidade pré-existente e em um ciclo infindável. Quanto mais avança a Astrofísica e a Física de partículas, mais as visões de realidade, que surgem dos experimentos realizados, são similares às visões das antigas tradições dos povos ancestrais, e cada vez menos com as histórias moralistas que ensinam nas ‘religiões oficiais’. Um só deus, uma só verdade, um só rei, foram argumentos sempre usados pelos tiranos de várias épocas.

Perceber isto é perceber que a abordagem religiosa da realidade, tal qual a concebemos hoje, é destinada a alienação e controle. Basta ver o fervor com que vários homens e mulheres matam outros em vários países no mundo em nome de suas crenças². A intolerância religiosa não admite a diversidade, todos devem se reduzir a uma nauseante homogeneidade. Como se as células do fígado resolvessem converter as células do coração para que fossem como estas. Depois de cumprida a missão teríamos um corpo com dois fígados, o qual morreria por não ter um coração para fazer circular o sangue.

Esse é o perigo da conversão que é promovida por povos gananciosos que ignoram o fato de que a diversidade sempre foi necessária à vida. Somos seres que fazem parte de um vasto esquema cósmico. Estamos na periferia da galáxia, somos novos e imaturos se comparados às formas de vida que se desenvolveram bilhões de anos antes de nós. Mas mesmo assim temos nosso papel.

O que um indivíduo julga errado e fora de propósito, pode muito bem ser justamente o papel que outra pessoa deve desempenhar. Este é um perigo dos agrupamentos pseudo-iniciáticos. Quando a vontade caprichosa de um(a) líder é seguida. Isso falseia tudo. O trabalho de um grupo é para que cada indivíduo desperte sua essência e este se torne a somatória daquilo que cada um traz em seu interior. Quem auxilia nisso deve agir como um jardineiro: ajudar a desabrochar, mas nunca impor seus próprios modos.

Essa diferença sutil nos leva ao cerne deste trabalho, a concepção de divindade. Se impormos uma forma de perceber o transcendente, que de fato existe, o limitaremos a um conceito, a um dado informacional. Mas se criarmos situações para que quem aprende o vivencie por si mesmo, então teremos outro tipo de aprendizado. Por isso é equivocado tentar colocar em palavras o que está além do falar. Formas-pensamento pertencem ao campo mental, ao inventário do já estabelecido. E o novo é não vivido, tem que surgir pela experiência. Cientes da limitação das palavras, da sintaxe, vamos abordar o fato de que o reconhecimento da divindade e da vida por parte dos caminhos naturais, dos caminhos pagãos e dos caminhos mágicos parte de outra esfera, a da percepção.

Quando crianças, temos sempre a presença de um adulto por perto. Diante do sinal de qualquer perigo um adulto virá nos proteger, nos salvar. Ao crescermos, descobrimos que tal salvamento é relativo, e que papai e mamãe são também crianças. Isso muda tudo! Então surge uma carência, a qual muitas pessoas em vez de superarem, extrapolam e criam um papai do céu e uma mamãe do céu. Os messianismos diversos se utilizam disso como principal engodo, a promessa de que alguém lá fora virá para nos salvar.

Para grande parte das pessoas isso é a divindade. Uma transferência dos sentimentos confusos da relação com pai e mãe para uma pretensa entidade cósmica que nos criou e pode nos julgar, ajudar ou castigar. Esta relação imatura com a realidade é ampla e notável nas religiões seculares, as quais justificam seus atos em vista de uma divindade fora do mundo e temível. A qual cria os humanos a sua imagem e semelhança. Não seria mais correto dizer que os seres humanos criaram um deus a sua imagem e semelhança?

A Bruxaria, a Magia e o Xamanismo aos quais me refiro não pertencem a essa linha. Pois têm a noção de seres, de forças, de entes e poderes que vivem neste mundo e nos mundos além deste, e mesmo os mais poderosos, ainda que possam parecer deusas e deuses, continuam sendo nitidamente entes. Mesmo que estando na proporção similar à de uma estrela para uma vela não precisamos adorá-los, ou crer que os servindo tudo será resolvido.

Os deuses e deusas são entes amplos. Podemos fazer parte deles, podemos ser como células das vastas realidades que eles e elas compõem, mas, em todos os níveis, são seres com começo e fim, entes que também brotaram em um certo momento da existência e, cedo ou tarde, também vão chegar a um fim como nós.

A DIVINDADE em seu sentido mais amplo é algo que extrapola a compreensão, é para ser sentida diretamente. Através da experiência direta com o numinoso, do que vai além do conceitual.

Por isso, ao sentir a força de uma árvore, de uma montanha, de um rio ou do vento e expressar isso como divindades, cada qual com suas particularidades, não pode ser confundido com uma abordagem supersticiosa da realidade.

Rezar atemorizado para deuses e deusas durante uma tempestade é diferente da postura pagã de reconhecer nestas forças facetas da Amplitude se manifestando e buscar encantar tais poderes.

A relação que temos conosco mesmo, a relação que temos com as outras pessoas, a relação que temos com o mundo circundante, tudo isso está envolto em nosso conceito de divindade. É interessante refletir sobre isso e buscar perceber se ainda temos uma relação de pai psicológico ou mãe psicológica com a ETERNIDADE. Se continuamos apenas projetando carências ou se estamos mesmo começando a ir além dos medos que plantaram em nós, ousando sentir a ETERNIDADE em toda sua incompreensível vastidão.

Para mergulhar mais a fundo no âmbito da Bruxaria, Magia e Xamanismo precisamos compreender que estes caminhos abordam a questão da vida, da Divindade e da possibilidade de nos eternizarmos a partir de outra ótica. Senão poderemos cair no equívoco da moda esotérica em voga, que prega os mesmos temas já gastos e nitidamente ineficazes, fantasiados com outras roupagens. Pecado se tornou carma. Reencarnação em outras vidas substitui o céu e o inferno. E os ascensionados são agora os novos santos e ministros de deus.

Se ficarmos presos aos conceitos estereotipados nascidos durante esta era de dominação, sempre nos escapará o sentido profundo dos caminhos que estamos tratando. Temos que ir além da sintaxe imposta pelo mundo atual. Isto não é fácil nem simples, mas pode ser feito.

A pior prisão, das muitas que nos deram neste mundo, é a perceptiva, somos instigados a concordar e participar de um só tipo de realidade, e que, mesmo sujeita a variadas interpretações subjetivas, é normatizada e linearizada em várias instâncias.

Então, questionar profundamente os pretensos dogmas, mesmo dos esoterismos de plantão, é não só um hábito saudável como necessário. Questionar! Questionar tudo e buscar uma nova resposta.

O Xamanismo, a Magia e a Bruxaria não te dão respostas prontas, mas te ensinam a fazer melhores perguntas.

Notas

¹  Faz-se referência do deus tribal Javé, entidade judaica que permeia todo o Antigo Testamento. Há uma excelente história sobre tal entidade, história que se passa num campo de concentração nazista na segunda grande guerra onde judeus condenados à morte colocam seu deus em julgamento. Pode-se vê-la no excelente filme God on trial ou Deus no banco dos réus: https://vimeo.com/284244930 . Há também muita discussão acadêmica sobre a origem de Javé e como um deus menor que fazia parte de um panteão mais rico (politeísta) veio a tornar-se único por razões de natureza política e religiosa.

²  Ver o excelente texto "A Psicopatia Bíblica de Israel", que fala sobre a psicopatia do deus tribal de Israel e como isso é relevante para entender a natureza de certas ideologias baseadas na ideia de povo escolhido, raça-mestra, os eleitos e similares: https://www.unz.com/article/israels-biblical-psychopathy/




domingo, 24 de dezembro de 2023

Feliz Natal!

Deus não tem religião, portanto nenhum ser humano deveria ter uma religião.

Deus não precisa de nós, então não precisa de religião.

A religião é uma invenção humana, uma forma de controle social, um amortecedor psicológico para o nosso medo do desconhecido e da morte.

Todas as formas religiosas são abominações que pretendendo agradar a Deus revelam a ignorância e o ego humano, causando divisões e guerras entre os humanos.

Nós precisamos de Deus, no sentido que devemos buscar a nossa unidade, e se Deus não precisa de religião nós também não. Precisamos nos unir a Deus e não à religião.

Cultuar a Deus é cultivar a Deus e só podemos fazê-lo em nós mesmos.

Sem religião o ser humano pode encontrar Deus no único lugar onde ele deve procurar: dentro de si mesmo.

 E este seria o feliz natal, o nascimento da Divindade dentro de cada ser humano para além das calendas, das datas hipócritas e das celebrações artificiais.

Ou como diria o memorável professor Hermógenes:

Na verdadeira religião
O templo é o corpo.
O altar, o coração.
O silêncio, a prece.
A oferenda, nós mesmos.
E o natal cada segundo de nossas vidas.


  




sábado, 23 de dezembro de 2023

Duas Perguntas


Mesmo que você acredite em Deus (Cria_dor) você não pode deixar de perguntar de forma bastante racional: por que a Natureza foi criada de uma forma tão predatória, onde um ser devora o outro, num ciclo infinito de sofrimento, onde o mais forte se alimenta do mais fraco? Isso é verdadeiramente de Deus (Cria_dor)?

Por outro lado, se você não acredita em Deus (Cria_dor), você também deve ser perguntar de uma maneira bastante racional como a vida surgiu, afinal, a molécula que deu origem a todos os seres vivos na Terra surgiu a 3,8 bilhões de anos com uma sequência tão complexa de genes - o DNA - que não poderia estar ali por acaso, pois isso significaria algo como um supercomputador ser produzido por geração espontânea... 

E aí?

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Conversas com o Diabo


"O diabo tem as mais amplas perspectivas sobre Deus, por isso é que se mantém tão afastado dele. O diabo, ou seja, o mais velho amigo do conhecimento" - Nietzche em Além do Bem e do Mal.

O título deste breve texto também poderia ter sido: A pura maldade, mas fiquemos com o inicial sabendo que são intercambiáveis, afinal o Diabo está sempre negociando e conspirando. Ele é o santo padroeiro dos teóricos e práticos da conspiração ;-)))

Muitos acusam o ser humano de ser, em geral, um cretino. Há amplas evidências disto.

Mas cabe a pergunta:

Quem o projetou? Sim, quem?

Independente da resposta, que dá origem à teologia, à filosofia, à mitologia e à metafísica, uma outra pergunta, que é a mais pura maldade (ou verdade?) é esta:

Será que não estamos cumprindo a finalidade do designer, do projetista?

Será que a cretinice implantada não é parte do programa, do projeto homo sapiens?

Talvez sejamos, em termos classificatórios, melhor definidos como homo cretinus, uma experiência genética que deu certo. Ou seja, nossa suposta imperfeição ou cretinice não é uma anomalia, é parte do pacote.

Não, não estranhem, tentem pensar de uma maneira diferente, abram vossas mentes para a questão. Será que não somos um projeto perfeito em nossa cretinice? Será que não fomos feitos para sermos assim como somos: cretinos.

É esta maldosa questão que vos apresento. Ela resolve todos os problemas existenciais de uma só tacada, afinal, se ela é verdadeira somos assim por que somos assim. Ponto. Sem culpas, sem medos, sem justificativas, a própria religião expressão do programa, assim como a política, faces da mesma moeda.

Vejo o Diabo empunhar a navalha de Ockham e dizer: a solução mais simples é a correta.

Agora entendo por que Gurdjieff, mestre do século passado, dizia que seu objetivo maior era deixar de ser um idiota. Eis a verdadeira revolução.

Ah, a doce ilusão de se considerar o topo da cadeia alimentar é que faz o Diabo dizer com um sorriso maroto, à la Al Pacino:

Ah, a vaidade... é o meu pecado predileto.


Sinal de Fumaça

Entre a vaidade e o medo

Quando era garoto, lá pelos anos 60 e 70, em plena ditadura militar, quase todo o dia tinha que sair na porrada por causa da provocação dos ...