O Substituto - filme

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Se amar bastasse, as coisas seriam simples. Quanto mais se ama, mais se consolida o absurdo. Mas do amor só conheço a mistura de desejo, ternura e entendimento que me liga a determinado ser. Por que seria preciso amar raramente para amar muito? - Albert Camus

Filme reflete a obra de Albert Camus usando a vida de um professor para abordar a questão da educação, do suicídio, do importar-se com o outro através de um olhar compassivo. Filme sensível, emocionante, forte, dá uma mexida das boas, vai além de qualquer entretenimento, serve para pensar e sentir a própria realidade através dela mesma.

Filme humano, com excelentes atuações!

A Corporação: mais atual do que nunca

segunda-feira, 24 de agosto de 2015


Esse é um dos documentários mais sérios e ao mesmo tempo com um certo humor, além de muito bem feito, que já assisti, explicando como funcionam as grandes empresas multinacionais, as corporações.

Ver este filme para pensar a realidade brasileira é muito interessante, pois perceberemos que boa parte dos políticos é apenas lacaio do interesse corporativo. Basta observar a votação recente sobre o financiamento privado de campanhas políticas para saber quem é quem dentro do Congresso Nacional.

Vivemos a Corporatocracia, não uma Democracia.

Há no documentário uma genial comparação entre o que é uma corporação e o que é uma pessoa física. Ora, uma corporação é legalmente uma pessoa, uma pessoa jurídica, se tal tipo de pessoa tivesse seu comportamento analisado como se fosse uma pessoa física que tipo de avaliação psicológica teríamos?

Um psicopata.

A mentalidade e o comportamento de uma empresa multinacional ou uma corporação como a Coca-Cola, a Nestlê, o JP Morgan Bank, o Citibank, a Nike, a Glaxo, a Roche, a Goodyear e tantas outras é igual em todos os sentidos ao comportamento de um psicopata. Ela age como uma máquina com um só objetivo: lucro. Como máquina é regida pela lógica fria dos números, sendo insensível, destituída de culpa ou remorso, e, como qualquer psicopata, pensa apenas em si mesmo, sendo destituída de empatia, é incapaz de relações, trata-se na verdade apenas e exclusivamente de negócios (as corporções na 2ª mundial, por exemplo, faturaram vendendo para os dois lados. A IBM produzia os cartões de controle que permitiam o assassinato em massa nas câmaras de gás por parte dos nazistas). Uma pessoa assim nada mais é que um psicopata. Mente patologicamente, a propaganda enganosa e manipulativa é uma prova dessa característica, tem um estilo de vida parasita (vide Bancos). Responsabilidade social para elas é apenas uma estratégia mercadológica.

A conclusão é inevitável, se as corporações se comportam como psicopatas e se vivemos numa corporatocracia isso significa pura e simplesmente que somos governados por grupos de psicopatas.

Somos governados por grupos de psicopatas corporativos.

Daí fica "fácil" de entender que a AIDS e a atual gripe suína, por exemplo, são doenças fabricadas para matar a população em nome do lucro dessas corporações psicopatas. Fica "fácil" entender porque o 11 de setembro foi executado pelo próprio governo estadunidense contra a sua população. Fica "fácil" entender porque a guerra é fomentada para sustentar a indústria bélica estadunidense e de seus aliados. Fica "fácil" entender toda a loucura e violência que experimentamos.

Por isso chamo essa sociedade de predadora. Com sua outra face, a sociedade consumidora, nós. Os predadores corporativistas só se sustentam porque nós os alimentamos através do consumo. Basta que paremos de dar de comer a eles. Basta que nos organizemos em associações de consumidores e realizemos protestos através de boicotes, por setor, como numa tática de guerrilha. Três ações simples, feitas em grupo, são capazes de mudar a face de nossa sociedade sem nenhuma violência, dentro da legalidade e de forma inteligente:

1 - negar-se a usar cartão de crédito.
2 - encerrar contas bancárias nos bancos privados.
3 - desligar a tv ou deixar de ver a programação da maior parte dos canais devido ao efeito pernicioso que ela exerce sobre nós e nossos filhos via propaganda, transformando-os em monstrinhos consumidores. Ver o documentário excelente: Criança, a alma do negócio. Nesse documentário há uma cena chocante onde as crianças atuais demonstram que preferem ir ao shopping do que brincar. Temos que retomar a educação de nossos filhos e não deixá-los simplesmente em frente a tv sendo programados por "eles".

O documentário é recheado de exemplos reais, entrevistas com executivos, cientistas sociais, jornalistas e economistas. É simplesmente imperdível para quem deseja compreender a fundo o mundo que vivemos. Basta considerar que esses monstros psicopatas empresariais hoje são mais poderosos que países.


No silêncio, Deus fala

domingo, 23 de agosto de 2015

Quando prometemos algo devemos cumprir.

Quando falamos algo devemos fazer.

Tanto nos pequenos atos quanto nas grandes coisas. No fundo é o mesmo para quem assim age pois trata-se de cultivar a si mesmo.

O poder (de ser) está no agir conforme a fala e o prometido, de outra forma nos tornamos fracos.

É uma pena que nossas palavras tenham se tornado vazias.

É apenas uma pena que nossos atos não tenham sido gestados a partir de nossa capacidade de agir em harmonia com a nossa fala.

Apenas neste sentido o verbo tem poder, apenas desta forma podemos, antes de tudo, honrar a nós mesmos: quando a fala se torna ato e quando o ato é eloquência.

Então, o verbo se torna criador.

Se não, é melhor guardar silêncio.

Pois no silêncio, Deus fala.

F.A.

Os assassinos econômicos da Nova Ordem Mundial

sábado, 22 de agosto de 2015

John Perkins participou de Zeitgeist 2 e explicou a mecânica básica da dominação econômica, nos dias atuais, onde empréstimos eram (e são) utilizados como uma arma sutil para lesar uma país, fazê-lo financeiramente dependente (como no caso da dívida externa do Brasil onde o ministro da economia da ditadura militar Delfim Neto teve ampla participação), extrair suas riquezas e atender aos interesses das corporações que operam por trás de organismos internacionais como o FMI, o BID e o Banco Mundial. John agora está lançando um livro onde detalha o seu trabalho como "hitman", assassino econômico, um agente operando através das corporações para corromper elites de paises do terceiro mundo. A entrevista em vídeo dá uma boa mostra das informações que poderemos encontrar em seu livro.

Zeitgeist Addendum - parte 2 (legendado)

Vale a pena ver de novo ou para quem não viu assistir e perceber como este documentário continua atual. E ele é atual pois vai na raiz da crise que vivemos, que é de natureza estrutural e parte integrante e inalienável do sistema econômico, vulgo, "capetalismo".

É parte deste documentário o vídeo que publicamos na postagem recente sobre "escravidão financeira".

Isto foi o que escrevi na época, em 17 de outubro de 2008, no auge da crise financeira da "gringolândia":

Para quem já viu o excelente e polêmico documentário Zeitgeist, eis a continuação.

Foi lançado dia 2 de outubro. É um complemento/organização de idéias do primeiro filme, Zeitgeist: The movie. Não é necessário ver o primeiro para entender este segundo. O documentário fala de economia, o sistema monetário que vivemos e suas falácias (o que se encaixa bem no momento que estamos vivendo, visto a quebra de Wall St. em NY), o capitalismo insustentável, alternativas energéticas, possibilidades, probabilidades.....


Propósito e política

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O que falta nas manifestações recentes pelo país é um foco preciso, um objetivo claro que atinja a raiz do problema e unifique a sociedade numa direção de interesse comum, pois por enquanto os manifestantes são como torcedores de futebol, torcidas fanáticas brigando entre si, acham que a culpa é do técnico ou do juiz e não percebem que quem comanda o jogo de verdade - o poder econômico - usa técnicos, juízes e jogadores como uma mera peça de jogo de xadrez que pode ser sacrificada a qualquer momento para ludibriar o adversário, no caso, nós mesmos.




Escravidão financeira

Para entender que o buraco da crise é muito mais fundo e não basta trocar um nome por outro, uma partido por outro, um governo pelo outro. É preciso ir na raiz do problema: a escravidão financeira.

"Assassinos econômicos" (AEs) são profissionais altamente remunerados cujo trabalho é lesar países ao redor do mundo em golpes que se contam aos trilhões de dólares. Manipulando recursos financeiros do Banco Mundial, da Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USA1D), além de outras organizações americanas de "ajuda" ao exterior, eles os canalizam para os cofres de enormes corporações e para os bolsos de algumas famílias abastadas que controlam os recursos naturais do planeta. Entre os seus instrumentos de trabalho incluem-se relatórios financeiros adulterados, pleitos eleitorais fraudulentos, extorsão, sexo e assassinato. Eles praticam o velho jogo do imperialismo, mas um tipo de jogo que assumiu novas e aterradoras dimensões durante este tempo de globalização. Eu sei do que estou f alando; eu fui um AE.

Escrevi este texto em 1982 como as palavras iniciais para um livro ao qual atribuí o título provisório de Conscience of an Economic Hit Man.  * O livro era dedicado aos presidentes de dois países, homens que haviam sido meus clientes, a quem eu respeitava e considerava como consciências semelhantes à minha — Jaime Roídos, presidente do Equador, e Ornar Torrijos, presidente do Panamá. Ambos acabavam de morrer em desastres aéreos. A morte deles não foi acidental. Eles foram assassinados porque se opunham àquela fraternidade de chefes de corporações, de governos e de bancos cuja meta é o império mundial. Nós, os AEs, fracassamos no nosso trabalho de cooptar Roídos e Torrijos, e os outros tipos de matadores, os chacais a serviço da CIA que vinham imediatamente depois de nós, entraram em ação.


A corrupção e o sistema da dívda

Para entender a origem da corrupção em nosso sistema econômico, sistema este que condiciona as regras dentro do jogo político.

A história da dívida interna é anterior aos governos civis e tem seu auge com a contratação de poupança externa nos governos militares, gerando o falso milagre econômico. O ministro da economia responsável em grande parte por isto chama-se Delfim Neto, o que levou o Brasil em 82 ao FMI com os desdobramentos subsequentes.

"Os investimentos realizados durante o chamado milagre econômico (anos 70, governo militar) não cobrem nem 20% da dívida escriturada no período correspondente ao dito milagre" - a partir de 18:30 minutos do vídeo.


Com gratidão ao novo nagual, aranha que agora voa pelo Infinito

A medida que navego na vastidão do universo do xamanismo, da magia, da bruxaria, do Taoísmo, mais admiro e aprecio a obra do novo nagual Carlos Castañeda, que também foi Joe Cortez, Isidoro Baltazar e Charles Spider entre outros. Não me importa muito se as "histórias" aconteceram do jeito que ele narra em seus livros, aliás ele mesmo alerta que o que importa são os cernes "abstratos" das histórias, não sua forma externa.

Na mesmice da literatura esotérica e mágica ocidental a obra de Castañeda surge como algo realmente novo, instigante, desafiante. Me impressiona a elegância e a estrutura interna de sua obra, dos conceitos apresentados e como ele é capaz de ir direto aos pontos importantes deixando de lado a fantasia e os "enchimentos".

Hoje temos um xamanismo fast food, de cursos de fim de semana, de iniciações onde se pagam fortunas, um sincretismo de crenças, cheios de achismos e palpitismos. Há uma enorme confusão onde vivências psicológicas são tidas como vivências xamânicas, assim tudo é visto como simbólico, como "união ao self" e outras interpretações alienígenas à estrutura real do xamanismo, que tem sua própria estrutura paradigmática e repudia essas interpretações.

Como já coloquei em um artigo anterior o homem branco não contente em roubar as terras e quase dizimar completamente o nativo agora rouba seus conhecimentos, os reinterpreta dentro de uma mistureba danada com pseudo-esoterismos e surge esse xamanismo insonso, cheios de interpretações equivocadas. Uso sempre como exemplo a questão do animal de poder. É um tópico importante, profundo e de grande seriedade no caminho xamânico. Entao surgem "facilitadores" que com um tambor ou mesmo com o som gravado de um pretendem em um fim de semana conectar o ser humano, criado numa sociedade coisificada, isolado por todo um condicionamento de si mesmo e da natureza, a esta dimensão selvagem e plena de poder.

SE o ser humano em seu estado "natural", sem se trabalhar, com seu ego mimado, suas neuroses e desequilíbrios se liga de fato a dimensão do animal de poder vai apenas maximizar seus desequilibrios, colocando mais combustível em uma psiquê já detonada. Existe todo um trabalho delicado de despertar o "ser" e não levar "o que fizeram de nós" a estes níveis de poder. Isso passa batido na maior parte do xamanismo fast food que está por aí. Fantasias psicológicas mil entram em cena, uma pessoa que pouco tem de auto- conhecimento, vai fantasiar várias coisas, mas que nada tem a ver com o ato xamânico de sair desse tempo e espaço e ir ao "mundo do além" , onde irá se encontrar e reatar o elo com o animal de poder, que não é nosso, como posse, mas sim, parte da realidade maior que somos, complexa.

Felizmente existem obras como a Doutor Carlos Castaneda que nos permitem discernir as coisas e encontrar com a essência dessa Arte, Ciência, Mística e Filosofia ancestrais. O xamanismo não é "revelação" , os (as) xamãs estudam usando seus métodos , durante a vida toda, o que praticam e cada xamã só pode dizer que "sabe" algo se expressa esse algo em seus atos, do contrário são apenas "contos de poder". Os(as) xamãs ao longo do tempo reavaliam seu conhecimento e podem mesmo mudar toda a estrutura de seu saber frente a novas descobertas. O xamanismo que o Novo nagual nos revela passou por isso, tanto que existe a fase dos antigos videntes e a dos novos videntes, quando o saber dos antigos foi questionado, reveladas suas falhas foi reestruturado, gerando uma nova tradição. O Xamanismo nos vem através dos povos nativos, mas também existe em vários grupos que aprenderam que para sobreviver deveriam sumir da história, então a maior parte dos grupos xamânicos hoje em ação são extremamente discretos, sutis, agindo quando necessário, em seus próprios paradigmas. Existe um livro do Doutor Carlos Castañeda que considero o manual fundamental de quem quer trilhar um caminho mágico.
Viagem a Ixtlan

Considero um manual de treinamento, um livro que se lido, "sentido" e praticado nos prepara de fato para o desafio que é, nós que nada somos, encararmos voluntariamente a vastidão e os mistérios da Eternidade que nos envolve. Faço parte de várias listas de debate sobre magia e afins e fico impressionado como surgem crises e problemas nestas listas. Volta e meia alguém se sente ofendido e tal e começa uma crise. Me lembra D. Juan Matus rindo de CC dizendo que parecia uma velha lamurienta.

Sem criticar ninguém diretamente, apenas uma questionamento que me surge, como tais pessoas que nem sabem lidar com seus semelhantes, que ainda reagem cheias de auto importância a qualquer provocação pretendem ter equilíbrio energético para entrar em outros mundos e lidar com as tremendas forças e entes ancestrais que neles existem? Um sacerdote ou sacerdotisa, um(a) magista vai entrar em mundos outros, lidar com forças e entes de extremo poder e astúcia, se não consegue ser neutro e rir da tolice de seus semelhantes, se está tão cheio de importância pessoal que reage a qualquer ataque, como pode pretender não ser mero joguete nas mãos desses poderes muito mais ancestrais e espertos que residem nestes outros mundos? Por isso considero o trabalho proposto em Viagem a Ixtlan fundamental, ali D. Juan Matus começa a ensinar a seu aprendiz a perder a importância pessoal, a cancelar suas rotinas e a apagar sua história pessoal, a ter a morte como conselheira.

Estas propostas são avassaladoras para a falsa personalidade, para o "que fizeram de nós" que é nosso estado "natural" quando chegamos do mundo. Me impressiona que muitas linhagens trabalhem já diretamente a questão de poder, de magia, de ir a outros mundos e tal sem antes trabalharem o ser humano, sem antes resolverem os profundos danos psíquicos que o ser humano egresso dessa civilização dominadora e desequilibrada possuí. Aí assistimos essas cenas de pessoas com muito conhecimento e muito ego, em crises constantes, pessoas que dizem dominar os mundos e supramundos, mas perdem a estribeira quando alguém faz "tatibitabe" e mostra a língua.

Nas tradições mais profundas que conheço o trabalho iniciático começa pelo individuo, pela sua estrutura, pela auto observação para que tenhamos o conhecimento do que somos de fato, não do que nos contaram e então, com o material da auto observação vamos permitindo que os aspectos de nosso ser sintonizados ao trabalho se manifestem e os aspectos mecânicos e deturpados em nós percam força , pela não expressão, que não é "repressão".

Viagem a IXtlan segue esta linha de trabalho, não é um livro que ensine "fórmulas mágicas" , ele trabalha com o lado comportamental, nos leva a perceber como o mundo nos alienou de nós mesmos , nos prendeu em rotinas vazias, nos colocou em uma condição onde nos sentimos, por mera defesa, seres importantes e cheios de arrogância. A leitura atenta do livro nos conduz por uma trilha iniciática real, não estaremos aprendendo "magias" ali, nem ritos, nem cerimônias, mas no praticar das idéias ali presentes vamos passar por uma avassaladora redistribuição em nossa energia vital, que deixará de ser usada para manter o acordo perceptivo que nos prende a esta realidade e então vai nos permitir perceber as outras realidades que nos envolvem. D. Juan Matus mostra que podemos mudar, que podemos cortar qualquer coisa de nossas vidas, a qualquer momento, é só querer.

Depois ele vai em cima da história pessoal, essa falsa continuidade egóica na qual nos apoiamos e que então arrumamos brigas e crises para defender "quem eu sou" quando de fato nem individualidade temos, somos um aglomerado de jeitos de agir e emocionar e sentir que tomamos por eu, que de manhã querem uma coisa, a tarde outra e vão dormir prometendo coisas que dificilmente realizarão. Perder a importância pessoal é fundamental a um(a) xamã guerreiro. Sentir-se mais importante, diferente, é uma das armadilhas que mantém o ser humano isolado da realidade. Um (a) guerreiro (a) xamã não é nada, nada tem a defender. E quando abandonamos a história pessoal, essa necessidade de explicar a todos o que fazemos e tal, descobrimos que estamos livres , que ninguém nos prende mais com seus pensamentos e expectativas. Entao o mundo deixa de ser algo certo e previsível, não sabemos mais de nada, temos de estar alertas. Don Juan Matus mostra que a narcisista cultura humana nos faz sentir importantes, centros do mundo, matamos e morremos para fazer isso valer, só quando deixamos de nos sentir centro de tudo, importantes, podemos realmente apreciar o mundo tal qual é, não como nos disseram. Só quando aprendemos a rir de nós mesmos estamos livres, aí começa a aventura, antes podemos ser apenas joguetes nas mãos de quem sabe manipular nossa importância pessoal tremenda. A idéia da morte como companheira é monumental, quando meditamos profundamente no nosso elo com a morte, sem medo, sem ressentimentos, ela se revela a grande conselheira, quando estamos na maior crise e aparentemente sem saída é só nos ligarmos a morte, quando ela disser " não te toquei ainda amigo" então tudo está pleno.

São conceitos que o falar limita muito a gente tem que praticar mesmo para entender como ter um elo limpo e pleno com a certeza da morte nos deixa plenos e ousados. Vamos morrer , isso é um fato, então porque temer algo? A idéia de assumir a responsabilidade por cada um de nossos atos é outra premissa do caminho, não importa qual o ato, importa ir até o fim e usar todos nossos recursos para cumprir o que nos prometemos. Vacilar constantemente não cumprir nossos compromissos é o que enfraquece e mina nossa vontade. Existem pessoas que vivem fazendo promessas : Vou fazer isso, vou parar de fazer aquilo, mas nunca cumprem. Isto as enfraquece tremendamente. Melhor é não prometerem, pois ao menos não estarão minando seu poder pessoal. No mundo que a morte é o caçador não há tempo para dúvidas ou timidez, só temos tempo para decisões, não há decisões mais ou menos importantes.

Depois o velho nagual ensina sobre ser disponível e não ser disponível, ensina que é tolice um guerreiro se esconder quando todos sabem disso, como é loucura se tornar disponível e permitir que as situações e as pessoas suguem toda sua energia. Então ser inacessível é tocar o mundo com carinho, com cuidado, com atençao, não se espreme e esgota o mundo ou as pessoas, muito menos as que amamos. Preocupar-se é se entregar, é ficar preso, um(a) xamã guerreiro(a) confia em si e nos seu poder pessoal, assim não se esgota se preocupando. Um (a) guerreiro(a) caçador(A) toca de leve o mundo onde vive, usa o que precisa e depois segue em frente, com tranquilidade, sem obsessões ou posses. Um (a) guerreiro(a) caçador não tem rotinas, rotinas esgotam o poder pessoal, ter rotinas é ser prisioneiro, tornar-se um(a) xamã guerreiro(a) é tornar-se leve, fluido, imprevisível.

Um (a) xamã guerreiro é um navegante no vasto mar escuro da consciência, flui livre, por este e por outros mundos, logo nao pode estar preso a rotinas pesadas, não pode ter posses, isto atrapalharia seu vôo. O ser humano comum ou vê o mundo como tédio ou como opressivo. O(a) guerreiro(a) xamã vê o mundo como misterioso, maravilhoso e assume a responsabilidade de estar aqui, agora, neste tempo único, mágico, estupendo, cheio de desafios.

Para um (a) guerreiro (a) xamã todos os atos contam, todos, não há atos importantes e outros de menor importância, vamos ficar muito pouco tempo aqui neste mundo maravilhoso, na verdade pouco demais para presenciar todas as maravilhas que aqui existem, assim cada segundo é importante, cada ato é final. Todo ato tem poder, especialmente quando quem age sabe que tal ato pode ser sua última açao neste mundo. Como não sabemos quando nem como a morte vai chegar cada ato, como ler este texto, pode ser seu último momento na terra, assim não tem sentido manter estados de espirito tolos e caprichosos, cada ato deve ser pleno, com a certeza que pode ser o ultimo. Os (As) xamãs guerreiros tiram uma estranha felicidade em agir e colocar em cada ato toda sua força, como se fosse este ato seu último sobre a Terra.

Este estado de espírito enche de poder um (a) praticante. Considero tais ensinamentos fundamentais a quem vai navegar em outros mundos, outras realidades, entrar em contato com entes de outras naturezas. Neste momento que tanta fantasia, tanto achismo, tanta brincadeira se confunde com xamanismo vale o alerta de D. Juan Matus: "um(a) guerreiro(a)-xamã é um caçador(a) imaculado que caça o poder; não é bêbado, nem doido, nem tem tempo ou disposição para fingir ou mentir a si próprio e fazer um movimento errado. A Questão é muito decisiva para isso. Ele (a) está arriscando a própria vida ordenada que levou tanto tempo para ajustar e aperfeiçoar. Ele (a) não vai jogar tudo fora cometendo um erro de cálculo tolo , tomando uma coisa por outra."

Seguem algumas idéias fundamentais do livro Viagem a Ixtlan:

Quando percebemos que nosso espírito está distorcido, que estamos perdidos, nada mais importa a não ser consertar isso, recuperar nosso elo com a Totalidade, nos tornar plenos. Não agir assim é procurar a morte e como vamos morrer de qualquer jeito procurar a morte é procurar nada.

A busca constante, disciplinada e inflexível do espírito de um(a) xamã guerreiro(a) é um desafio de fato. Uma das coisas mais difíceis é conseguir a disposição de um (a) xamã guerreiro(a). Sempre nos justificamos alegando que estão fazendo algo para nós, nos atacando, nos agredindo, ficamos melindrados e em nossos melindres nos sentimos virtuosos. Os (as) xamãs guerreiros sabem que ninguém pode fazer nada a ninguém, muito menos a um (a) guerreiro (a).

O treinamento de um(a) xamã guerreiro(a) lhe ensina a sobreviver e é isto que ele (a) faz sobrevive da melhor forma possível. Aprende a calcular tudo, avaliar todos os prós e contras, como um caçador(a) sabe avaliar profunda e estrategicamente sua situação, este é seu controle, mas depois de tudo avaliado se solta, deixa que os poderes o levem. Isso é abandono.

Não importa como se é criado, o que importa é nosso poder pessoal, o poder pessoal é a energia que acumulamos, erradicando hábitos desnecessários, posturas auto afetadas e canalizando a energia que íamos gastar com caprichos para nos fortalecer. Um ser humano é a soma de seu poder pessoal, essa soma determina como vive e como morre. O poder pessoal é como ter sorte, algo que se adquire, algo que vem de uma vida inteira de luta. Para os(as) xamãs não é um rito, uma arma de poder ou algo assim que conta, mas o poder pessoal do xamã. Um(a) xamã guerreiro(a) age sempre com uma auto confiança tremenda, como se soubesse de tudo, como se soubesse plenamente o que está fazendo, mas na realidade, frente a vastidão da realidade e sua efemeridade, não sabe nada.

Um(a) xamã guerreiro(a) não tem remorsos , nem arrependimentos de nada que tenha feito, isolar atos é dar importância indevida ao "eu". O truque está naquilo que damos importância, podemos nos tornar fracos e lamurientos ou fortes e plenos, o trabalho é o mesmo. O mundo é como é porque nos descreveram como tal, aceitamos uma convenção perceptiva e ficamos presos nesta "bolha de realidade" o caminho dos guerreiros xamãs é romper com essa "sociedade" com esse acordo perceptivo sem se destruírem com isso. "A ARTE do(a) guerrreiro(a) é equilibrar o terror de ser humano com a maravilha de ser humano. "

Nuvem que passa

Cumplicidade entre governos e aliens?

domingo, 16 de agosto de 2015

Assunto polêmico e fascinante.

Há uma explicação bastante plausível para a negativa oficial sobre a interferência alienígena em nosso planeta e na humanidade, interferência que implica em sequestro de humanos, chamados de abduzidos, com implantes metálicos, extração de esperma e óvulos, experiência de hibridização entre humanos e aliens: cumplicidade.

A cumplicidade de governos envolvendo alianças com aliens seria uma razão bastante lógica para a negativa pois há muitos relatos, testemunhos, memórias obtidas por hipnose que indicam em operações de laboratório com abduzidos a presença não apenas de aliens mas também de humanos e, especificamente, de militares.

Estas são questões bastante incômodas mas quem conhece a história humana antiga e recente sabe que os governos não defendem uma agenda a favor da humanidade: o 11 de setembro de 2001, reconhecidamente um trabalho interno do governo estadunidense segundo pesquisas feitas com o próprio povo dos EUA e segundo evidências apontadas por diversas organizações civis, cientistas e pesquisadores que transformaram suas investigações em documentários atestam isto.

Seria a revelação entre as elites governamentais e aliens o autêntico apocalipse?

Projetos como o MK Ultra revelam como um governo pode trabalhar contra seu próprio povo, obedecendo a uma agenda que é estranha ao humano.

A negativa dos governos com relação a presença alienígena só indica uma coisa em função de todas as evidências, relatos e testemunhos de milhares de abduzidos e contatados pelo mundo à fora: uma aliança espúria entre as elites deste mundo e certos grupos alienígenas, fato este abordado por séries de TV e filmes, o que dá um contorno ficcional ao tema, mas uma coisa é certa: a realidade é muito mais incrível que a ficção e cabe a cada um de nós investigá-la em vez de esconder-se em racionalizações e negativas que atendem aos interesses de uma agenda contrária a toda a humanidade.


História sobre a auto-importância

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A ordem trapista costumava ter uma regra de absoluto silêncio nos mosteiros. Os monges podiam comunicar-se apenas por sinais, que, mesmo assim, eram usados somente em casos excepcionais. Um padre trapista conta a seguinte história: Uma situação confusa surgiu no coro e ainda continuou por algum tempo. O irmão que ficava ao lado de um sacerdote vivia prostrando-se, e isso começou a incomodar o sacerdote. A prostração era chamada de "articulação": a pessoa submetia-se a ela para expressar humildade ou para pedir perdão a Deus por alguma imperfeição ou pecado. Era assim chamada porque a pessoa prostava-se de quatro com as juntas das mãos no chão e a cabeça nos joelhos. Aquele irmão vivia prostrando-se, e o sacerdote em questão começou a pensar que aquelas prostrações ocorriam por causa de alguma coisa que ele, o sacerdote, estava fazendo - ou que alguma coisa a respeito dele incomodava o irmão que se prostrava. Eles cantavam ou dançavam e, de repente, o irmão punha-se naquela posição. O sacerdote ficou imaginando se haveria alguma coisa errada com ele: estaria desafinando? Ou talvez seu corpo estivesse exalando algum odor, ou talvez tivesse mau hálito.

O sacerdote estava cada vez mais certo de que era ele a causa da constante prostração do irmão, porque achava que devia estar fazendo algo de que o irmão se ressentia - ressentimento do qual o irmão sentia-se culpado. Essa dúvida ficou atormentando o sacerdote por muito tempo, pelo menos durante seis meses. Parecia ainda mais tempo porque, naquela época, os monges passavam dias inteiros no coro, e ele não tinha com quem conversar a respeito.

Finalmente, decidiu que já tinha aguentado o bastante e tomou a decisão de ir até o fim da questão. Então, resolveu falar com o padre superior e pediu a ele para descobrir o que tanto perturbava o irmão. Em poucos dias, o padre superior chamou-o ao escritório para dar-lhe a resposta. E disse ao sacerdote: "Ele não sabe que você existe."

Do livro: A Prática do Zen e o Conhecimento de Si Mesmo de Albert Low.

Os governantes não governam, gerenciam; quem governa tá atrás

"Os governantes não governam, gerenciam; quem governa tá atrás", não dá a cara à tapa - grandes bancos e empresas -, os cartolas do mundo financeiro.

Dica excelente do Marcelo Juchem Manes, mostra um ser humano questionador, que valoriza o ser mais que o ter, um guerreiro que assumiu sua própria forma de viver no mundo.


Quem sou eu? - final

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Há, porém, um outro aspecto da busca: o desenvolvimento de si. Vejamos um pouco como as coisas se apresentam nesse campo. É evidente que, entregue a si mesmo, um homem não pode aprender por dá cá aquela palha como desenvolver a si mesmo e muito menos aquilo que precisamente deve desenvolver.

Entretanto, pouco à pouco, ao encontrar pessoas que buscam, falando com elas, lendo livros sobre o desenvolvimento de si, ele é atraído para a esfera dessas questões.


Mas o que vai encontrar aí?

Primeiro um abismo de charlatanice desavergonhada, baseada inteiramente na avidez, no desejo de uma vida mais fácil mistificando as pessoas crédulas que procuram sair de sua impotência espiritual. Antes que tenha aprendido a separar o joio do trigo, passará muito tempo, durante o qual seu desejo de descobrir a verdade corre o risco de vacilar e se extinguir, ou se perverter. Privado do seu faro, pode então se deixar levar a um labirinto que desemboca diretamente nos cornos do diabo. Se conseguir escapar desse primeiro atoleiro, o homem corre o risco de cair num novo pântano, o do pseudo-conhecimento.

A verdade lhe será servida de forma tão vaga e indigesta, que produzirá a impressão de um delírio patológico. Indicarão a ele a maneira de desenvolver poderes e capacidades ocultos que – lhe serão prometidos, com a condição de que se for perseverante – lhe darão, sem muito trabalho, o poder e o domínio sobre tudo, tanto sobre as criaturas animadas quanto sobre a matéria inerte e os elementos. Todos esses sistemas, baseados nas mais diversas teorias, são extraordinariamente sedutores, sem dúvida devido ao seu caráter vago. Atraem de modo muito especial as pessoas "semi-educadas", parcialmente instruídas em matéria de conhecimento positivo.

Considerando que a maioria das questões estudadas do ponto de vista das teorias ocultas ou esotéricas ultrapassam os limites das noções acessíveis à ciência moderna, essas teorias consideram essa última com ares de superioridade. De tal forma, que embora rendendo justiça a ciência positiva, minimizam, por outro lado, a sua importância e deixam entender que a ciência é um fracasso e bem pior ainda.

Portanto, para que ir à universidade e se esgotar com os manuais oficiais, se teorias dessa espécie permitem desdenhar todos os outros saberes e se pronunciar sem apelação sobre todas as questões científicas?

Há, no entanto, uma coisa importante que o estudo dessas teorias não dá: menos ainda do que a própria ciência, ele não dá origem à objetividade em matéria de conhecimento. Ele tende a obscurecer o cérebro do homem e a diminuir sua capacidade de raciocinar e pensar de maneira sã, conduzindo-o dessa forma a psicopatia. Tal é o efeito dessas teorias sobre o homem semi-educado, que as toma por verdadeiras revelações. Aliás, sua ação não é muito diferente sobre os próprios cientistas, que podem ter sido tocados, mesmo levemente, pelo veneno da insatisfação com as coisas tais como existem.

Nossa máquina de pensar tem a propriedade de ser persuadida de tudo que vocês quiserem, quando é influenciada, por pouco que seja, de maneira repetida e persistente na direção desejada. Uma coisa que pode parecer absurda no momento, acabará por ser racional à medida que é repetida com insistência e convicção suficientes. Certo tipo de homem repetirá frases feitas que lhe permanecem no espírito, outro irá procurar provas e paradoxos sofisticados para justificar suas afirmativas. Ambos são igualmente lamentáveis. Todas essas teorias enunciam afirmações que, tais como os dogmas, não podem ser verificadas – pelo menos através dos meios que dispomos.

São então sugeridos certos meios e métodos de desenvolvimento de si, que se supõem, conduzam a um estado no qual essas afirmações possam ser verificadas. Em princípio não haveria nada a censurar nisso. Mas, de fato, a prática prolongada desses métodos põem o pesquisador exageradamente zeloso em risco de ser levado a resultados muito indesejáveis. Um homem que adere as teorias ocultas e que acredita ser dotado nesse domínio será incapaz de resistir a tentação de colocar em prática os métodos que estudou, isto é, passará da teoria à ação. Talvez aja com prudência, evitando os métodos, a seu critério, que contenham riscos, e escolhendo os meios mais seguros e autênticos. Talvez os examine com o maior cuidado. No entanto, a tentação que sentirá de empregá-los, a insistência do seu ambiente sobre a necessidade de que faça uso deles, sobre a natureza miraculosa dos seus resultados, enquanto os aspectos danosos são cuidadosamente dissimulados, tudo isso o levará a experimentá-los.

Talvez que, experimentando-os, descubra métodos inofensivos para si. Talvez até tire daí algum benefício. Mas, geralmente, os métodos de desenvolvimento de si que se propõem para serem experimentados, quer como meios, quer como fins, são contraditórios e incompreensíveis. Como são aplicados a uma máquina tão complexa e tão mal conhecida como o corpo humano e, ao mesmo tempo, a esse aspecto de nossa vida intimamente ligado a ele e que chamamos de psiquismo, o menor erro de aplicação, o menor excesso de pressão, podem causar danos irreparáveis à máquina. Feliz daquele que escapar quase ileso de tal enrascada!

Infelizmente, a maior parte dos que se dedicam ao desenvolvimento dos poderes psíquicos terminam a carreira num sítio de alienados, ou arruínam a saúde e o psiquismo a ponto de se verem reduzidos a enfermos, incapazes de se adaptarem à vida. Suas fileiras são engrossadas por aqueles a quem a nostalgia do mistério e do miraculoso levam ao pseudo-ocultismo. Há ainda os indivíduos com uma vontade excepcionalmente débil e que são fracassados na vida, e que, visando a ganhos pessoais, sonham desenvolver em si o poder e a capacidade de subjugar os outros. E, finalmente, há os que procuram simplesmente a novidade na vida, um meio de esquecer as preocupações ou então de encontrar uma diversão para seu tédio, a sua rotina diária e escapar assim a todo o conflito.

A medida que se dissipam suas esperanças de obter as qualidades com que contavam, eles caem facilmente num charlatanismo mais ou menos intencional. Lembro-me do exemplo clássico de certo buscador de poder psíquico, um homem abastado e muito instruído, que havia corrido o mundo à procura do milagroso. Finalmente, se arruinou e, ao mesmo tempo, ficou completamente desiludido com suas pesquisas.

Para encontrar novos meios de vida, teve a idéia de utilizar o pseudo-conhecimento em que havia gasto tanto dinheiro e energia. Dito e feito. Escreveu um livro, dando-lhe um desses títulos que enfeitam as capas dos livros de ocultismo, algo como Método de Desenvolvimento das Forças Ocultas do Homem.

A obra consistia de sete conferências e constituía pequena enciclopédia de métodos secretos para o desenvolvimento do magnetismo, do hipnotismo, da telepatia, da vidência, da clariaudiência, das incursões pelo mundo astral, da levitação e outras atividades sedutoras. Lançado com grande publicidade, esse método foi posto à venda por um preço excessivamente elevado, embora no fim tenha sido concedido um desconto apreciável de 95% aos compradores mais recalcitrantes ou mais acanhados, com a condição de que o recomendassem aos amigos.

Devido ao interesse geral despertado por esses assuntos, o sucesso ultrapassou todas as expectativas do autor.

Pouco tempo depois, ele recebeu numerosas cartas em termos entusiasmados de compradores, que respeitosos, reverentes, se dirigiam a ele como "Caro Mestre" e "Mui Sábio Iniciador" ( hahaha...), exprimindo a mais profunda gratidão por sua notável exposição das preciosíssimas instruções que lhes haviam permitido desenvolver diversas faculdades ocultas, de maneira espantosamente rápida.

Em pouco tempo, ele reuniu uma considerável coleção dessas cartas e cada uma delas era uma surpresa para ele. Finalmente, chega uma carta informando-o de que, graças ao seu método, alguém chegara, em menos de um mês, a levitar. Foi a gota d’água que transbordou seu espanto.

Eis palavra por palavra o que ele disse nesse momento:

"Estou estupefato com o absurdo que ocorre. Eu, o autor desse método, já não tenho uma idéia clara da natureza dos fenômenos que ensino. E esses idiotas, não só saem dessa embrulhada, como dão um jeito de tirar dela qualquer coisa. E agora eis que um super-idiota aprendeu até a voar. Que inépcia...que vá para o inferno! Dentro em pouco vão vestir-lhe uma camisa de força em plena levitação e será bem feito. Vive-se melhor sem tais imbecis."

Senhores ocultistas, apreciaram bem as conclusões do autor desse manual de psico-desenvolvimento? Em casos semelhantes, não está excluído o fato de que se possa encontrar acidentalmente algo numa obra desse gênero, porque acontece com freqüência que um homem, embora ignorante, seja capaz de falar com singular justeza sobre diversas coisas, sem saber como. Ao lado disso, realmente, ele diz tantas tolices, que todas as verdades que possa exprimir ficam completamente enterradas e é absolutamente impossível extrair a pérola de verdade desse monte de disparates.

"Como compreender esse enigma?" perguntarão vocês.

A razão é simples. Como já disse, não temos conhecimentos que nos sejam próprios, quer dizer, conhecimentos fornecidos pela própria vida e que não nos possam ser tirados. Todos os nossos conhecimentos que não passam de simples informações, podem ter ou não valor. Absorvendo-os como uma esponja, podemos facilmente restituí-los e falar deles de maneira lógica e convincente, embora sem compreender nada deles. É igualmente fácil perdê-los, porque não nos pertencem, mas foram despejados em nós como um líquido num recipiente. Migalhas de verdade estão espalhadas por toda a parte e, para os que sabem e compreendem, é espantoso como as pessoas vivem perto da verdade e como, no entanto, são cegas e impotentes para penetrar nelas. Para o homem que a busca, é preferível não se engajar de nenhum modo nos sombrios labirintos da estupidez e da ignorância humanas a se aventurar por eles sozinho, pois, sem orientação de alguém que saiba, ele pode sofrer a cada passo um imperceptível deslocamento de sua máquina, que obrigaria depois a passar muito mais tempo a repará-la do que o despendido para danificá-la.

O que vocês pensariam de um homem corpulento que se apresentasse como um "ser de doçura angelical", acrescentando que ninguém a sua volta é capaz de julgar seu comportamento, visto que ele vive num plano mental a que não se aplicam as normas da vida física? Na verdade, há muito que esse comportamento deveria ter sido submetido ao exame de um psiquiatra: eis um homem que "trabalha" sobre si mesmo com consciência e perseverança, todos os dias durante horas, isto é, que dedica todos os seus esforços a aprofundar e reforçar uma deformação psíquica já tão séria que, estou convencido, irá levá-lo em breve a um asilo de loucos.

Poderia citar centenas de exemplos de buscas mal dirigidas e mostrar a vocês a que isso conduz. Poderia dar o nome a vocês de pessoas bastante conhecidas na vida pública que ficaram malucas por causa do ocultismo e que vivem entre nós e nos surpreendem por suas excentricidades. Poderia lhes dizer exatamente qual o método que as desequilibrou, isto é, em que domínio "trabalharam" e se "desenvolveram", como e porque esses métodos afetaram o psiquismo delas.

Essa questão constituiria por si só assunto de uma longa conversa e, por falta de tempo, não me permitirei nela me deter agora.

Quanto mais um homem se dá conta dos obstáculos e enganos que o espreitam a cada passo nesse terreno, mais se convence de que é impossível seguir o caminho do desenvolvimento de si segundo instruções dadas ao acaso por pessoas com que cruza, ou segundo certas informações colhidas aqui e ali em leituras e conversas fortuitas.
Começa ao mesmo tempo a distinguir de início como um tênue clarão, depois cada vez com mais clareza, a luz viva da verdade que não cessou de iluminar a humanidade através dos tempos. As origens da iniciação se perdem na noite dos tempos. De épocas em épocas, surgem culturas e civilizações saídas das profundezas dos cultos e dos mistérios, que, em perpétua transformação, aparecem e desaparecem para reaparecer novamente.

O Grande Conhecimento é transmitido sucessivamente, de época à época, de povo à povo, de raça à raça. Os grandes centros de iniciação na Índia, na Assíria, no Egito, na Grécia, iluminam o mundo com uma Luz Viva. Os nomes venerados dos grandes iniciados, portadores vivos da verdade, são transmitidos com reverência de geração à geração. A verdade, fixada por meio de textos simbólicos e lendas, é transmitida às massas para ser conservada sob a forma de costumes e cerimônias, de tradições orais, de monumentos, de arte sacra, pela mensagem secreta da dança, da música, da escultura e dos ritos diversos. Ela é comunicada abertamente, através de provações determinadas, àqueles que a buscam e é guardada intacta por transmissão oral ao longo da corrente daqueles que sabem. Mas, no fim de certo tempo, os centros de iniciação se extinguem uns após os outros e o antigo conhecimento se retira para subterrâneos, dissimulando-se aos olhos dos buscadores.

Os portadores desse conhecimento também se dissimulam, fazendo-se desconhecidos daqueles que os cercam, mas não deixam de existir. De tempos em tempos, vêm à tona correntes isoladas, mostrando que em algum lugar das profundezas, mesmo em nosso dias, FLUI a poderosa corrente do antigo conhecimento do ser.

Abrir passagem até essa corrente, encontrá-la, é a tarefa e objetivo da busca; porque, depois de tê-la encontrado, o homem pode confiar-se com audácia ao caminho em que se engaja; em seguida resta-lhe apenas "conhecer" a fim de "ser" e de "fazer".

Nesse caminho o homem não estará inteiramente só;

Nos momentos difíceis receberá apoio e orientação, porque todos os que seguem esse caminho estão ligados a uma cadeia ininterrupta.

Talvez o único resultado positivo de ter vagado nos meandros dos atalhos e dos caminhos do ocultismo será que, se tiver preservado a capacidade de pensar e julgar corretamente, desenvolverá em si a faculdade especial de discernimento que se pode chamar de FARO. Recusará os caminhos da psicopatia e do erro e procurará incansavelmente os caminhos autênticos. E nisso, como no conhecimento de si, o princípio que já mencionei continua soberano: "Para fazer, é preciso saber, mas, para saber, é preciso descobrir como saber ." Deve, inicialmente, encontrar aquele ao lado de quem poderá aprender o que significa de fato "fazer", quer dizer, um guia esclarecido, experimentado, que se encarregará de dirigi-lo espiritualmente e se tornará seu mestre.

E é nesse ponto que o FARO do homem adquire toda a sua importância.

ELE ESCOLHE um guia para si mesmo.

Naturalmente, a condição indispensável e que ele escolha um homem que sabe; do contrário, todo o sentido de sua busca estará perdido.

Quem sabe onde pode conduzi-los um guia que não sabe!

Todo aquele que busca no caminho do desenvolvimento de si sonha com um guia que SABE. Sonha com este guia, mas é raro que se pergunte objetiva e sinceramente:

"Sou digno de ser guiado? Estou pronto para seguir o caminho?"

Saia à noite, sob um vasto céu estrelado, e levante os olhos para esses milhões de mundos acima de sua cabeça. Em cada um deles provavelmente formigam bilhões de seres semelhantes a você, talvez de constituição superior. Olhe a Via Láctea, a Terra não pode ser chamada se quer de grão de areia nessa infinidade. Ela se dissolve , desaparece e, com ela, você também.

Onde está você?
Que quer você?
Aonde quer ir?
O que você empreende não será pura loucura?

Diante de todos esses mundos, interrogue-se sobre suas metas e suas esperanças, suas intenções e seus meios de realizá-las, sobre o que pode ser exigido de você, e pergunte a si mesmo até que ponto está preparado para responder essas perguntas.

Espera-o uma viagem longa e difícil; você se dirige a um lugar estranho e desconhecido. O caminho é infinitamente longo. Você não sabe se poderá descansar nem onde isso será possível.

Deve prever o pior.

Leve consigo tudo o que for necessário para a jornada.

Trate de não esquecer de nada, porque depois será muito tarde para reparar o erro: você não terá tempo de voltar para buscar o que tiver esquecido. Avalie suas forças. São suficientes para toda a viagem? Quando é que você poderá partir?

Lembre-se de que quanto mais tempo passar a caminho mais provisões precisará carregar, o que retardará proporcionalmente sua marcha e alongará até a duração dos preparativos. E cada minuto é precioso.

Uma vez que decidiu partir, porque perder tempo?

Não conte com a possibilidade de voltar. Essa experiência poderá lhe custar muito caro. O guia só se comprometeu a conduzi-lo; não é obrigado a reconduzi-lo. Você será abandonado a si mesmo e ai de você se fraquejar ou perder o caminho; jamais poderá voltar. E , mesmo que o reencontre, fica a pergunta : "Você poderá voltar são e salvo?"

Desventuras de toda espécie aguardam o viajante solitário que não conhece bem o caminho, nem as regras de conduta que ele impõe. Convença-se de sua vista tem a propriedade apresentar objetos distantes como se estivessem próximos. Iludido quanto à proximidade da meta para a qual você se encaminha, cego por sua beleza e ignorando a medida de suas próprias forças, você não se dará conta dos obstáculos que estão no caminho; não verá as múltiplas valetas que atravessam a senda. Numa pradaria verde, juncada de flores deslumbrantes, o mato espesso oculta um profundo precipício. É muito fácil tropeçar e cair nele, se seus olhos estão fixos em cada passo que está dando.

Não se esqueça de concentrar toda a atenção no que o cerca de perto.

Não se ocupe com metas distantes, se não quiser cair no precipício.

Entretanto, não se esqueça de sua meta. Lembre-se dela sem cessar e mantenha vivo seu ardor por atingi-la, para não perder a direção certa. E, tendo partido, esteja atento; o que você atravessou ficou para trás e não tornará a se apresentar: o que não observou num dado momento, não o observará nunca mais.

Não seja curioso demais e não perca tempo com o que atrai sua atenção, mas não vale a pena. O tempo é precioso e não deve ser desperdiçado com coisas sem relação direta com a sua meta.

Lembre-se de onde está e porque está ali.

Não se poupe e lembre-se de que jamais qualquer esforço é feito em vão.

E agora pode iniciar a caminhada.

Do livro "Gurdjieff fala a seus alunos" , Capítulo "Quem sou eu ?", Editora Pensamento .

Ho'oponopono e a Filosofia Kahuna

segunda-feira, 10 de agosto de 2015


(Download do livro A Cura Havaiana AQUI!)


Os Sete Princípios do Xamanismo Havaiano, seus Atributos e Talentos

IKE: O mundo é o que você pensar que ele é.
Kala: Não existem limites.
Makia: Para onde for a atenção para lá irá a energia.
Manawa: O momento do Poder é agora!
Aloha: Amar é estar feliz com...
Mana: Todo o poder vem do seu interior.
Pono: A verdade é medida por sua efetividade.

(COROLÁRIO – é o que se deduz de uma verdade estabelecida)

1º. Ike - O mundo é o que você pensa que é.
Corolário: Tudo é sonho. Todos os sistemas são arbitrários.
Utilização do poder do pensamento.
Cor branca

2º. Kala - Não há limites.
Corolário: Tudo está interligado.
Tudo é possível.
Separação é apenas uma ilusão útil.
Utilização das ligações energéticas.
Cor vermelha

3º. Makia - A energia segue o fluxo do pensamento.
Corolário: A atenção segue o fluxo energético.
Tudo é energia.
Utilização do fluxo de energia.
Cor laranja

4º. Manawa - Seu momento de poder é agora.
Corolário: Tudo é relativo.
Utilização do momento presente.
Cor amarela

5º. Aloha - Amar é compartilhar.
Corolário: o amor aumenta quando o julgamento diminui.
Tudo está vivo, atento e reativo.
Utilização do poder do amor.
Cor verde

6º. Mana - Todo poder vem de dentro.
Corolário: Tudo tem poder.
O poder vem da permissão (da criação).
Utilização do poder da permissão (da criação).
Cor azul

7º. Pono - A efetividade é a medida da verdade.
Corolário: Existe sempre outra forma de se fazer algo.
Utilização do poder da flexibilidade.
Cor lilás

A cada princípio, corresponde um atributo; representam qualidades especiais a serem desenvolvidas e são percebidos de maneira diferente do que comumente fazemos.

Os Talentos

Os princípios e seus Talentos são:

1º. Ike - Visão; é uma maneira diferente de se perceber as coisas; é a visão metafísica da realidade.

A visão comum das coisas chama-se Ike Papakahi; é a visão do primeiro nível. A visão metafísica chama-se Ike Papalua; é a maneira de se perceber a realidade atuando num segundo nível, de onde se controla o primeiro.

2º. Kala - Esclarecimento; é a maneira que se tem para agir fazendo com que se consiga claramente a união do seu eu com o universo; é a transformação do homem em um ser holístico.

3º. Makia - Focalização; focalizar em sua mente suas intenções, objetivos, metas e propósitos são os modos de se conseguir uma revisão permanente de suas motivações, o que lhe dá maior eficiência em suas ações e uma maior capacidade de frustrações. Isso é possível quando se consegue sentir que na focalização existe uma segunda situação, que só é percebida, quando a percepção se torna inconsciente transformando a linguagem de analítica em intuitiva. Nessa fase não há separação: nós somos o todo.

4º. Manawa - Presença; sendo o presente o nosso tempo, o aqui/agora e o agora/aqui são situações das quais tiramos todo proveito para nosso entendimento e compreensão e quanto mais atentos estivermos, mais presentes nos faremos e mais frutos colheremos de nossas ações.

5º. Aloha - Bênção; em todas nossas intenções, atitudes e ações, se conseguirmos reforçar o bem presente ou potencial, quer pela palavra, imagem ou ação, poderemos sentir a bondade, enxergar a beleza e apreciar a perícia com que se age. Assim, estaremos abençoando. O Xamã age de maneira diferente porque é capaz de abençoar o bem potencial através de desejos de sucesso às pessoas a quem se dirige.

6º. Mana - Permissão; para que qualquer coisa tenha poder, é necessário que lhe atribuamos este poder que queremos transmitir, isto é, autorizamos que tenha este poder. Isto pode ser feito com pessoas e objetos. Só se consegue isto com a energização do que queremos atribuir poder.

Assim como podemos dar poder, também podemos tirar.

O Xamã guerreiro personifica o mal lhe dando poder, aprendendo como conquistá-lo. O Xamã destemido tira o poder do mal o despersonificando e aprendendo sobre ele, conseguindo a harmonia, fazendo assim, que o mal desapareça.

7º. Pono - Tecelão de sonhos; o Xamã tece seus próprios sonhos desenvolvendo suas habilidades e assim, poderá ajudar os outros a tecerem seus sonhos. Ele usa esta habilidade para fazer suas curas que têm um sentido diferente das curas comuns. Por exemplo, um massagista, massageando o corpo de um paciente está usando suas mãos para curar o corpo físico do paciente. O Xamã massagista, massageando, estará usando o corpo físico como ferramenta para tecer um novo sonho e curar o espírito. São duas situações em que as ações são semelhantes, mas as intenções e atitudes são diferentes.

COMPLEMENTANDO:

1º IKE - Como você se sente depende de como você pensa. Sua realidade é criada pelo que você pensa e sente.

2º KALA - Tudo ouve o que você diz e sente o que você sente. Sua realidade é criada pelo que você sente, ouve, diz e pensa!

3º MAKIA - O que você quer é mais importante do que o que você não quer. Reafirme sempre o que quer, dando força e reafirmando todo o tempo a vibração do que quer para você. Quando pensamos no que não queremos damos força e reafirmamos o que não queremos para nós mantendo a vibração próxima, não nos afastando e sim nos aproximando do que não queremos!

4º MANAWA - As coisas não acontecem ontem e elas não acontecem amanhã; elas só podem acontecer agora. Não pense no que já aconteceu, pois não há como refazer, não pense em como seria bom se tivesse, pois se usar seu presente só pensando no que seria, não construirá agora o que quer para você!

5º ALOHA - Quanto mais feliz você é, mais sorte você tem. A felicidade vibra numa freqüência que aproxima mais felicidade e mais sorte para quem a sente!

6º MANA - Sempre há alguma coisa que você pode fazer. Não há problema insolúvel, não há estrada sem saída! Tudo sempre tem uma saída, tudo sempre tem uma solução!

7º PONO - Sempre faça o que funciona. Se você fizer algo que não funcione, faça diferente! É necessário aprender a diferença entre persistência e teimosia!

Sebastião de Melo

O primeiro ocidental que começou a desvendar os segredos da filosofia de vida dos havaianos tenha sido o americano Max Long. O cotidiano ancestral já havia sido destruído por missionários religiosos e pela invasão de valores ocidentais há um bom tempo quando ele chegou ao Havaí, em 1917. Depois de 18 anos mergulhado em seus estudos nas áreas da psicologia e da etimologia, Long, chegou à conclusão de que havia uma filosofia psico-religiosa por traz do dia-a-dia ancestral e do simples ato de surfar.

A língua havaiana não é apenas um idioma, e sim um verdadeiro raciocínio lingüístico. Cada palavra é um "cacho" de significados, indicados pelos contextos em que se encaixam. Não existia um profano dissociado do sagrado, ou vice-versa. Um exemplo: em nossa sociedade, ora buscamos dinheiro, ora buscamos Deus, numa proporção cada vez mais descompensada.

Os havaianos buscavam os dois o tempo inteiro. "Tudo que eles faziam era com devoção.


Eles viviam na eternidade do agora, como sugeririam Eckhart Tolle, Deepak Chopra, Dalai Lama e os demais gurus de hoje. Na sabedoria havaiana, o aqui e o agora de cada tarefa do cotidiano é o único território onde a fusão entre o profano e o sagrado pode ser efetivamente realizada e perpetuada. Talvez a maior prova disso seja o fato de que na língua havaiana não há termos para o futuro ou o passado.

As atividades do cotidiano (plantar, colher, construir, surfar…), por mais diversas que aparentem ser, são unidas no plano sagrado por "segundas intenções" espirituais que todas as tarefas têm em comum. Elas são a busca de uma energia metafísica que o havaiano chama de "mana". Essa energia, ignorada pelo mundo ocidental, é cultuada pelo mundo oriental na forma de "prana" na Índia, e de "chi" na China. Cada uma dessas três tradições considera essa energia vital, o alimento primordial da alma, que também sustenta o corpo.

A Filosofia

Huna quer dizer: Segredo, não no sentido de manter algo oculto, mas sim de descobrir um sentido mais profundo da nossa existência.

Conhecimento oculto ou realidade secreta é a realidade mais difícil de ser vista. Também significa princípio feminino, mais princípio masculino, o que corresponde´à manifestação da vida.

Leinani Melville diz que Huna é "profundidade". Serge Kahili King define Huna como “o que é oculto ou o que não é obvio; nome dado ao conhecimento dos Kahunas, filosofia de realização, utilizada em qualquer contexto, pessoal,científico, religioso".

Max Freedom Long assegura que "qualquer associado da Huna não deve desistir de sua fé tradicional, pois Huna é uma ferramenta que pode ser usada por todos a qualquer hora em qualquer contexto." E esta definição é a mais correta e a que é mais aceita pelos que praticam o Kahuna!

Conceitos

1. A parte teórica nos diz que o ser humano é formado de três espíritos ou aspectos independentes entre si, mas interligados nas ações, quando um depende do outro para se desenvolverem e de um corpo físico quando reencarnados. Existe uma energia que chamamos de “mana” que é o elemento de coesão entre os três, tendo cada um sua própria mana. O corpo é uma imagem manifestada dessa coesão por meio de uma substância. Essa substância de origem divina permeia todo o universo e em consonância com a mana torna possíveis as manifestações – a qual se denomina “substância aka”. Para que isso ocorra, cada espírito possui um corpo-aka que lhe é peculiar e tem funções determinadas. Sendo a Huna uma teoria de transformações, costumamos denominar cada um desses elementos pelos seus nomes na Língua Havaiana.

Esses conceitos chegaram até nós por intermédio dos estudos de Max Freedom Long, Serge King e outros que buscaram na antiga tradição havaiana os elementos teóricos. Essa conceituação teórica se sintetiza na prática no que se denomina “Prece Ação”.

Como todo sistema é arbitrário e relativo por ser interpretativo, a Huna também o é. Isso nos dá a liberdade de sermos ou não adeptos da Huna, conforme nossa interpretação desses ensinamentos.

2. Na parte prática, temos entre outros elementos, a Prece Ação já citada acima, com a qual obtemos bons resultados. Ela é usada principalmente, para curas e alívio de qualquer tipo de sofrimento. Obtemos resultados eficazes, pelo fato de trazer um enfoque diferente de como se deve fazer uma prece. Isso só se torna possível depois de conhecermos os conceitos da Huna. A leitura atenta e livre dos Evangelhos nos mostra que esses princípios da Huna não foram esquecidos por Jesus.

A parte prática da Huna está concentrada no xamanismo. O xamanismo ensinado pela Huna refere-se ao Xamanismo Havaiano. Tudo começou quando se reuniram grandes mestres Kahuna para sintetizarem os ensinamentos em alguns princípios que pudessem traduzir o pensamento e as atitudes que deveriam ter aqueles que se dedicassem a usar a Huna.

Princípios

O princípio básico da Psicofilosofia Huna é não ferir, isto é, não causar sofrimento a si mesmo, aos outros e à natureza.

Podemos evitar isso não nos omitindo nas situações que exigem de nós atitudes coerentes, que promovam o nosso equilíbrio e do meio em que vivemos. Não devemos nos exceder em ocasiões em que depende de nós um bom senso para que tudo transcorra serenamente. Não podemos permitir que sejamos usados para ações que causem prejuízos por exacerbação das mesmas. Qualquer ação que pratiquemos depende de uma intenção; assim, é a intenção a mãe de todos os problemas e virtudes que acontecem. Concluímos então, que é na intenção que está tudo que praticamos na vida e é nela que devemos focalizar toda nossa atenção para que não caiamos na omissão ou no excesso que nos conduzem ao desequilíbrio físico e mental, quando praticamos ações que provocam sofrimento e danos a nós mesmos e em geral.

Assim sendo, é a intenção o alvo de nosso “orai e vigiai” para que possamos crescer e evoluir na constante busca da felicidade. A Huna tem princípios e ensinamentos que nos ajudam nessa busca de uma maneira mais suave e simples, deixando de ser o sofrimento o paradigma de crescimento e evolução.

“O mistério da vida está além de toda concepção humana. Tudo o que conhecemos é limitado pela terminologia dos conceitos de ser e não ser, plural e singular, verdadeiro e falso. Sempre pensamos em termos de opostos, mas Deus, o Supremo, está além dos pares de opostos, já contém tudo em Si”.
Joseph Campbell
Abraham Fornander, que morava no Havaí no Século XIX, fez extensos estudos da cultura e da lingüística desse povo na tentativa de provar que o berço da civilização Polinésia foi o Oriente Próximo.

Max Freedom Long também estava convencido disso, e alegava ter recebido confirmação para sua hipótese de Stewart, que viveu entre os berberes no norte da África. Atualmente, antropologistas mantêm opinião de que os Polinésios vieram da Índia ou do sudeste da Ásia e Thor Hyerdahl acredita que a origem foi na América do Sul.

Os havaianos, no entanto, reivindicam que seu conhecimento e sua cultura são originários da região do Pacífico e que dali expandiram para o resto do mundo. Assim pensam Leinani Melville, James Churchward e Serge Kahili King.

Existem inúmeras coincidências de nomes e significados em diversos lugares da terra, que fazem os estudiosos pensarem na antiguidade e difusão dos ensinamentos polinésios.

No Antigo Testamento há muito conhecimento Huna oculto nos nomes de pessoas e lugares. Um bom exemplo é a historia do Jardim do Éden que possui uma gama de significados ocultos que descrevem o processo para se manter um elevado estado de prosperidade e alegria e os efeitos que ocorrem quando se permite que pensamentos e atitudes negativas dominem. O Jardim do Éden é um estado de consciência e não um local que existiu na terra.

Compreender a essência das filosofias ocultas requer uma completa mudança no pensar por parte do estudante
e são poucos os que realmente se interessam. A maioria das pessoas é preguiçosa e deseja a lua, mas não quer se esforçar esperando milagres sem conseguir a necessária transformação interior.

A pessoa que idealizou o símbolo da Huna devia conhecer ocultismo e o modo como colocar a essência de um conhecimento secreto em um desenho com algumas frases escritas. A grande dificuldade não é descrever e explicar o conteúdo do símbolo. O difícil é apreender os princípios aí implicados e praticá-los para a melhoria pessoal e da humanidade.

O símbolo Huna tem em sua parte inferior a seguinte inscrição: “IKE AO NEI”, cujo significado é “Antigas Revelações para o Mundo”.

A figura utilizada pelos desenhistas do símbolo foi o círculo. Segundo Jung, “o círculo é uma das grandes imagens primordiais da humanidade e ao nos determos nesse símbolo estamos analisando o próprio eu. As imagens circulares refletem a psique – relação entre essa forma geométrica e a real estruturação de nossas funções espirituais”.

O círculo representa a totalidade. Tudo dentro do círculo é uma coisa só, limitada e circundada – é o aspecto espacial.
O aspecto atemporal refere-se à parte que vai a algum lugar e volta sempre.

A Huna é plena de símbolos em sua mitologia e também na parte psicofilosófica. Os seus primórdios remontam à época dos primeiros habitantes de Mu, no Pacifico. Os primeiros espíritos vieram do Criador e adquiriram a veste corporal humana em Mu também chamado de Ta Rua, Havai’i-ti-Havai’i, Tahiti. Desenvolveram um sistema de vida, uma linguagem bastante aprimorada para conter os ensinamentos e prepararam indivíduos para a propagação dos conhecimentos por ele praticados (os naacals).

O povo de Mu era definido pelos kahuna como predecessores, pessoas pequenas que formaram a primeira civilização do mundo; pessoas silenciosas que se moviam tranqüilamente e trabalhavam sem barulho, pessoas reservadas que preservaram seu conhecimento em silêncio. Referem-se a eles como pessoas lendárias, que viveram no Havai’i há muito tempo.

Após o desaparecimento de Mu em um terrível cataclismo, restaram os mestres do sistema em outros continentes e nas ilhas Polinésias.

Esse conhecimento não se perdeu porque transmitiram oralmente a muitos seguidores toda a mitologia, lendas e conhecimentos sobre a psique humana.

Teria sido essa a forma que as divindades encontraram para transmitir os ensinamentos psicofilosóficos?
Se assim foi, muitos pesquisadores das civilizações da Polinésia estavam certos, pois acreditavam que a maioria dos preceitos existente provinha das lendas e narrativas transmitidas pelos Deuses. As ilhas do Havaí não poderiam fugir à regra, pois os kahuna sabiam muito sobre a mente humana, talvez mais do que possamos imaginar.

Apesar de ser uma tradição oral, de ter ocorrido grandes mudanças de ordem política e religiosa, a história e a mitologia ainda nos proporcionam muitas áreas de estudo.

Como no círculo simbólico a Huna caminhou bastante e voltou aos princípios básicos existentes na tradição secreta, na mitologia e no conhecimento da mente com explicações psicológicas que só foram desenvolvidas no século XX.

As grandes revelações muito antigas deixadas para o mundo foram: a mitologia havaiana, o Tumuripo ou Cântico da Criação (embora faça parte da mitologia deve ser estudado separadamente, devido à importância do conteúdo para esclarecimento na história da humanidade) e a tradição secreta.

Mitologia

Todos os mitos são verdadeiros em diferentes sentidos. Toda mitologia tem a ver com a sabedoria da vida, relacionada com uma cultura específica, numa época específica. Integra o individuo na sociedade e a sociedade no campo da natureza. Une o campo da natureza à natureza individual. É uma força harmonizadora.

A mitologia havaiana se integra perfeitamente dentro desse conceito.

O Criador Supremo era a figura mais importante da mitologia havaiana e seu símbolo era um círculo com um ponto no centro. O panteão da mitologia havaiana possuía doze divindades principais.

No plano celestial mais elevado encontra-se o Supremo, Teave ou Ra que tinha em seu pensamento a essência da futura polaridade (Eri Eri e Uri Uri).
Teave Eri Eri e Uri Uri formam a Trindade Suprema. A seguir Tane e Na’Vahine que são manifestações dos filhos diletos de Teave (Eri Eri e Uri Uri) deram origem à primeira trindade manifestada Teave, Tane e Na’Vahine. As manifestações seguintes são as dos filhos de Tane e Na’Vahine, os príncipes Tanaroa, Tu e Rono. Tanaroa é o regente do Pacífico Sul onde reina sobre as águas; é também o Deus da noite que zela pelas crianças do arco-íris depois que o sol se põe.

Tu, Deus das colheitas e da agricultura e também membro da justiça do tribunal divino. É o guardião dos mistérios da natureza.

Rono é o Deus do sol terrestre e o Tumuripo foi composto em homenagem a ele. Rono é também o Deus da medicina, responsável pelas plantas que irão curar as crianças de Tane quando adoeceram. Responsável pelas crianças do arco-íris no período diurno.

Tane e Na’Vahine tiveram mais três filhas Rata, Tapo e Hina. Formavam a terceira trindade celestial. Rata tornou-se a companheira de Rono e a principal senhora do sol dessa Terra. Tapo tornou-se a esposa de Tanaroa e a deusa do Pacífico Sul. Hina casou-s e com Tu, tornando-se a deusa da agricultura e chefe da justiça do tribunal das leis do céu.

A outra trindade era formada por Vatea, Papa e Miru.

Vatea era o rei de Nu’umearani, o reino dos deuses e deusas da natureza. A deusa Papa, esposa de Vatea e regente feminina do quinto céu. Papa era conhecida por Haumea e às vezes mencionada como Ta Ruahine (senhora da cratera) era a mãe terra, a mãe da natureza dessa Terra.

Miru foi designado como o “Senhor do Mundo dos Espíritos”, onde vivem as almas dos homens após a morte física e tornou-se conhecido como o “Rei do Mundo dos Mortos”.

Na religião popular do Havai havia muitos deuses, deusas, fantasmas, gnomos, duendes e espíritos que mudavam de forma de acordo com suas vontades e que poderiam ser amigos ou inimigos dos homens. No entanto, esse aspecto era apenas uma distorção do verdadeiro conhecimento Huna.

Deus para a população e os missionários era akua. A verdade para a compreensão da psicofilosofia é de que akua significa “idéia pronta, totalmente em ação”.
Uma idéia totalmente ativa que provoca efeitos. A deusa Pele, por exemplo, é um akua.

O Tumuripo (Kumulipo no vernáculo moderno).

Muito da filosofia dos Kahuna, está contida no chamado cântico da Criação – Tumuripo, que está mais próximo de uma bíblia kahuna do que qualquer outra coisa. Originalmente era parte de uma tradição oral transmitida por kahunaS treinados em memorização e foi compilada na forma atual, em 1700 pelo Kahuna Keaulumoku. Todas as traduções que foram feitas, são de um manuscrito que era propriedade do Rei Kalakaua, muito interessado na origem divina dos reis do Havaí, na preservação das tradições havaianas, inclusive nos segredos da Huna e o papel dos kahuna como curandeiros.

Na filosofia kahuna tanto o mundo espiritual quanto o material adquirem forma, como resultado de uma interação entre forças relativas, freqüentemente representada por um macho e uma fêmea. Para cada Deus no panteão havaiano com pouquíssimas exceções, há uma complementação feminina para ajudar na criação. Muitos são nomeados nas primeiras sete seções do Tumuripo, juntamente com versos que falam sobre a formação das plantas e da vida animal na Terra. O oitavo e o nono cântico relatam o nascimento do homem com percepção consciente e sua multiplicação sobre a face da terra. As outras dezesseis seções na versão Kalakaua tratam das principais genealogias, com exceção de uma narrativa sobre um herói cultural Mauí.

Muitos estudiosos não concordam com a forma que foi traduzido. Em uma tradição oral, numa língua como a havaiana, é difícil traduzir fielmente o sentido das coisas ensinadas, pois há muitas sutilezas na pronúncia o que dificulta a transmissão do contexto para a palavra escrita.

Há no Tumuripo uma descrição muito bonita sobre o aparecimento do primeiro Ser. Isso aconteceu depois dos sete primeiros cânticos, chamados de “A Noite da Criação Espiritual”, que é o significado oculto do Tumuripo.

Na aurora do primeiro dia, quando os raios do sol dissiparam a longa noite, o primeiro Ser pousou na terra no Jardim do Sol Brilhante, Rarovaia. Era a deusa Ra’i Ra’i filha de Eri e Uri. Era o antepassado de Mu. Suas crianças foram concebidas imaculadamente porque o pai delas era o Rei que veio do Céu, o Deus Tane.

Através dos versos estruturados para rimar e terem ritmo, o poeta revela uma incrível compreensão dos poderes criadores do Deus e da Deusa. O Tumuripo eleva-se a altitudes de divina magnitude e é de fato a principal obra oriunda do Havaí.

A Tradição Secreta

O primeiro homem que revelou o código Huna para o ocidente foi Max Freedom Long. Professor no Havai durante vários anos, era fascinado pelos poderes dos kahuna. Possuíam técnicas de cura e de controle do meio ambiente que realmente funcionavam, mas não revelavam seus métodos a quem não fosse kahuna. Na busca do conhecimento dos kahuna Max Freedom Long observou três elementos: uma forma de consciência (no’ono’o), uma forma de energia (mana) e uma forma de substância (aka). No entanto, demorou muitos anos para decifrar o código oculto no radical das palavras e isso formava uma outra linguagem.

A idéia fundamental na psicofilosofia Huna é de que criamos nossa experiência pessoal de realidade, por nossas crenças, interpretações, ações e reações, pensamentos e sentimentos. Somos co-criadores com o universo.

A Filosofia kahuna e o xamanismo havaiano podem ser sintetizados em sete princípios que conduzem o homem ao ser trino.

Cada um deles é simbolizado por apenas uma palavra chave da Língua Havaiana.

1. Ike – O mundo é o que penso que ele é.
A experiência pessoal é adquirida através das crenças, expectativas, medo, julgamento, interpretação, desejos, sentimentos, intenções e pensamentos constantes ou persistentes.
2. Kala – Não há limites.
Não há fronteiras para sua individualidade, nem entre você e seu corpo, você e o mundo ou você e Deus. Divisões usadas para esclarecimentos são termos funcionais ou convenientes, pois a separação é apenas uma ilusão útil.
3. Makia – A energia segue o curso do pensamento.
Você adquire aquilo em que se concentrou. Os pensamentos e sentimentos revividos conscientemente ou não formam as imagens que trazem para a sua vida, a mais próxima experiência disponível, equivalente aos mesmos pensamentos ou sentimentos.
4. Manawa – Seu momento de poder é agora.
Você não é limitado por qualquer experiência do passado ou qualquer percepção do futuro, porque o passado é apenas uma lembrança e o futuro uma mera possibilidade.
5. Aloha – Amar é compartilhar com...
Aloha é a palavra havaiana que significa amor e este existe à medida que você é feliz com o objeto do seu amor.
6. Mana – Todo poder vem de dentro.
Não há poder fora de você porque o poder divino trabalha através de você na sua vida. Você é o canal ativo para o poder e é direcionado por suas escolhas e decisões. Ninguém tem poder sobre você e seu destino, a não ser que você dê permissão para isso. Quando esse poder é direcionado para as ações, surge a mana energia vital de onde se origina todas as formas de manifestação.
Todos e tudo têm poder e se você aprende a trabalhar respeitosamente com esses poderes, mais do que tentar impor sua vontade, eles poderão ser muito úteis.
7. Pono - A efetividade é a medida da verdade.
Em Pono os meios determinam o fim e não os fins justificam os meios. A cura é a meta e a eficácia é o critério e não a prova de um sistema particular ou método.
A flexibilidade é um dos atributos de Pono; há várias maneiras de se fazer as coisas.

Mana
Mana é o sopro divino que organizou Po e que permeia todo o universo.
A Mana Poder Divino é apanágio de Teave que em sua bondade transforma-a em mana energia vital, através de seus filhos (forças criadoras e geradoras do universo).
A manifestação de mana energia se dá pela força coesiva que forma toda substância e mantém a estrutura de todo kino, e, como fé, tem o poder de transformar uma energia em outra, fator que propicia as curas e a evolução pela permissão do talento do principio xamânico havaiano Mana.

Aka
Aka é a substância básica do universo físico e dela é formada toda manifestação. A palavra tem vários significados como sombra, espelho, reflexo, luminosidade transparência, semelhança, essência e embrião no momento da concepção.
Age como um espelho para refletir padrões de pensamentos nos níveis físico e psíquico.
Em relação ao pensamento é uma simples sombra. Os kahuna acreditam que essa substância pode ser formada e moldada pelo pensamento consciente e inconsciente(dedutivo) e que age como um continente para mana. Quanto mais mana contém, mais densa se apresenta.
Algumas formas de aka são conhecidas pelos sensitivos como matéria etérica ou astral, como em uma percepção mental quando aparece como transparente luminosidade. São as características refletivas dessa matéria que capacitam o curandeiro kahuna, como tecelão de sonhos, a mudar condições mudando o modo de sonhar.
Segundo a interpretação de embrião no momento da concepção, vemos que ai se deu uma transformação adquirindo esse futuro kino, características próprias com uma substancia aka que lhe é peculiar, formando sua própria luminosidade.

Kinoo corpo físico
De acordo com as raízes quer dizer: Uma forma-pensamento altamente energizada.
Em Huna o corpo físico é um pensamento materializado do Aumakua pessoal, modificado por hábitos e atitudes adquiridos pelo uhane e unihipili.
O corpo físico é kino, mas também o é seu mundo físico. Ou seja, seu mundo pessoal, seu ambiente particular como você o experiência, não é apenas percebido por você – é formado por você, especialmente por seus pensamentos, sentimentos, crenças, expectativas, medos e julgamentos sobre ele. Um dos mais importantes segredos sobre você ensinado na Huna é sua habilidade para formar e reformular sua experiência pessoal no mundo.
Conclui-se que sendo uma forma-pensamento possui unihipili e uhane no ser humano e unihipili em qualquer forma manifestada, tendo sempre o Aumakua como guia.

O ser trino
O ser trino na psicofilosofia Huna é um ser espiritual com três aspectos, representados por Aumakua, Uhane e Unihipili em estado de harmonia. A desunião entre Uhane e Unihipili que estão no corpo pode ocorrer e provoca a interrupção da comunicação harmônica entre eles e a perda da efetividade na vida. A descoberta interior do conhecimento da tradição Huna restabelece pela eficácia das ações a união dos três espíritos, terminando com a ilusória separação criada pela individualização do unihipili e uhane, desde o início da longa jornada, através das vidas sucessivas pela compreensão e apreensão simbólica dos sete princípios. É a volta a Po como imagem e semelhança de Tane.
Nós somos únicos. Cada um de nós experiência a vida de forma diferente e nem dois de nós expressam a mesma combinação de talentos e técnicas, a não ser no estado de um ser trino.

Maria Therezinha Mendes de Melo

Bibliografia Campbell, Joseph – O Poder do Mito Churchward, James – O Continente Perdido de Mu Melville, Leinani – Children of the Rainbow Melville,Leinani - Dictionary King, Serge – Kahuna Healing King, Serge – Urban Shaman Long, Max Freedom – A Ciência Secreta em Ação Long, Max Freedom – Milagres da Ciência Secreta Melo, Sebastião – Artigos diversos sobre Huna Pukui e Elbert – Hawaiian Dictionary