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terça-feira, 28 de julho de 2026

A Lua do Guru - Guru Purnima - e a confiança no Naual

Imagem gerada por IA baseada no texto a seguir.



Guru Purnima

Na Índia, sempre se reverencia a relação de conhecimento entre o Guru (professor) e o Discípulo (aluno). Esta ocasião do Gurupurnima é celebrada no dia da Lua Cheia (Poornima) entre os meses de junho e julho. Neste ano de 2026 será no dia 29 de julho, amanhã, Lua Cheia em Aquário, que ocorre as 11h37m, horário de Brasília. Também é conhecido como Vyasa Poornima e comemorado como aniversário de Veda Vyasa, autor e personagem da sagrada epopeia do Mahabharata. 

O significado do Guru Purnima é que os buscadores espirituais, discípulos e estudantes oferecem adoração e mostram sua gratidão e respeito ao seu Guru (professor espiritual) neste dia. Budistas de todo o mundo também celebram o Guru Purnima para honrar e expressar seu compromisso e fé em seguir os ensinamentos do Senhor Buda. Acredita-se também que o Senhor Buda fez seu primeiro sermão neste dia auspicioso em Sarnath, em Uttar Pradesh. 

Em resumo, hoje é o dia de mostrarmos e expressarmos nossa gratidão àqueles com quem tivemos a bênção de aprender algo de valioso para nossas vidas, seja no campo espiritual, seja no campo secular.

Uma passagem do livro Arte do Sonhar, do naual e Dr. Carlos Castaneda:

- É apenas questão de energia, pode acreditar. A parte difícil é se convencer de que pode ser feito. Para isso você precisa de confiar no “ Nagual”. A maravilha da feitiçaria é que todo feiticeiro tem de prova tudo dentro de sua própria experiência. Estou falando sobre os princípios da feitiçaria não com a esperança de que você os memorize, mas com a esperança de que você os pratique.

Sem dúvida Dom Juan estava certo sobre a necessidade de confiar. Nos primeiros estágios dos meus treze longos anos de aprendizado com ele, a coisa mais difícil para mim foi me afiliar ao seu mundo e à sua pessoa. Para mim essa afiliação significava aprender a confiar nele implicitamente e aceitá-lo sem preconceitos como o "Nagual".

O papel de Dom Juan no mundo dos feiticeiros era sintetizado no título que lhe foi concedido pelos seus pares. Ele era chamado de o “Nagual”. Foi-me explicado que esse conceito refere-se a qualquer pessoa, homem ou mulher, que possua um tipo especifico de configuração energética, que para um vidente aparece como uma bola luminosa dupla. Os videntes acredita que quando uma dessas pessoas entra no mundo dos feiticeiros aquela carga extra de energia transforma-se numa medida da força e da capacidade de liderança. Assim, o Nagual é o guia natural, o líder de um grupo de feiticeiros.

A princípio, sentir essa confiança por Dom Juan era algo bastante perturbador para mim, quando não completamente odioso. Quando discuti isso com ele, ele me assegurou que para ele também fora igualmente difícil confiar em seu professor.     

- Eu disse ao meu professor a mesma coisa que você está me dizendo agora. Ele respondeu que sem confiar no Nagual não há possibilidade de alivio e, portanto, não há possibilidade de tirar os escombros de nossas vidas para sermos livres.

Dom Juan reiterou o quanto seu professor estivera certo. E eu reiterei meu profundo desacordo. Falei que o fato de ter sido criado num ambiente religioso opressor resultara em efeitos pavorosos em mim. Que as afirmações de seu professor e sua própria concordância me fizeram lembrar do dogma que tive de aprender quando criança, e que eu abominava. 

- Parece que você está exprimindo uma crença religiosa quando fala do Nagual - eu disse.

- Você pode acreditar no que quiser - Dom Juan respondeu impávido. - O fato é que sem o Nagual não há jogo. Sei disso, e é o que digo. O mesmo fizeram todos os Naguais que vieram antes de mim. Mas eles não o dizem do ponto de vista da auto-importância, nem eu. Dizer que não existe caminho sem o Nagual refere-se totalmente ao fato de que o homem é um Nagual porque pode refletir o abstrato, o espírito, melhor do que os outros. Mas isso é tudo. Nosso elo é com o próprio espírito, e apenas incidentalmente com o homem que nos traz sua mensagem.

Eu aprendi a confiar implicitamente em Dom Juan como o Nagual, e isso, como ele afirmara, trouxe-me uma imensa sensação de alívio, e uma capacidade maior de aceitar o que ele lutava para me ensinar.

Sobre o Silêncio e a Relação com os Santos - 03/09/1946
(Do livro Dia à Dia com Bhagavan)

O Dr. Masalavala, o Chefe Médico aposentado de Bhopal, que tem administrado temporariamente o Hospital Ashrama por mais de um mês na ausência do Dr. Shiva Rao, fez as seguintes perguntas a Bhagavan:

Bhagavan diz que a influência do jnani penetra silenciosamente o devoto. Ele também afirma que o contato (sat sanga) com grandes homens, com almas elevadas, é um meio muito eficaz de realizar nosso verdadeiro eu.

Bhagavan: Sim. Você vê alguma contradição nisso? Você encontra alguma diferença entre os termos jnani, grande homem ou alma elevada (mahatma)? O contato com todos eles é bom. Eles agem através do silêncio. Quando falam, seu poder é muito diminuído. Seu silêncio é muito mais eficaz. A fala é sempre menos poderosa que o silêncio. A melhor união (sanga) é o contato mental.

Dr.: Esse contato ainda é benéfico após a dissolução do corpo físico do jnani, ou é eficaz apenas enquanto ele está fisicamente presente diante de nós? Bhaghan: O guru não tem forma física. Portanto, o relacionamento pode ser mantido mesmo após o desaparecimento da forma física.

Dr.: O contato do devoto com seu guru continua após a morte do guru, ou termina nesse ponto? É possível que uma alma madura tenha o Si Mesmo como seu guru após a morte do guru, mas o que uma alma imatura deve fazer? Bhagavan sempre diz que um guru externo também é necessário para guiar a mente dos devotos em direção ao Si Mesmo. Deve-se entrar em contato com outro adepto? Esse contato deve ser físico ou mental? Qual é melhor?

Sobre a Forma do Guru

Bhaghan: Como já disse, o guru não tem forma física e, portanto, o contato com ele pode ser mantido mesmo após o desaparecimento de sua forma. Se um jnani existe no mundo, sua influência pode ser sentida por todas as pessoas, não apenas por seus discípulos mais próximos. As pessoas são divididas em diferentes classes: seus discípulos ou devotos, aqueles que lhe são indiferentes e até mesmo aqueles que lhe são hostis. Mas todos eles se beneficiam da presença do jnani, como afirmam os seguintes versos do Viveka Shuda Mani: “Os libertadores da consciência (Jivan muktas) beneficiam quatro classes de pessoas. Os discípulos alcançam a libertação (mukti) por meio de sua fé no jnani; aqueles que adoram o guru ganham mérito; os indiferentes, tendo testemunhado a vida sagrada do jnani, desenvolvem o desejo de viver uma vida justa; e até mesmo os pecadores são libertados de seus pecados simplesmente por estarem na presença (darshan) dos santos.”

Deus, o Guru e o Eu são um só. Quando seu amor (bhakti) por Deus amadurece adequadamente, Deus se manifesta na forma de um guru e atrai sua mente para dentro. Ao mesmo tempo, permanecendo dentro de você como o Eu, Ele a atrai de dentro. A maioria das pessoas precisa de um guru externo, embora esse não seja o caso de algumas almas raras e altamente evoluídas. Quando nosso guru morre, podemos buscar outro, mas todos os gurus são iguais porque o guru não tem uma forma fixa. O contato mental é o melhor.


terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Mergulhe no Coração

 “Dentro do Coração, em uma pequena cavidade, repousa o Universo” - 

Mahanarayashad Upanishad.

Material extraído do canal do YT Corvo Seco

O Coração é o núcleo de todo o Universo.

O Coração está aí, sempre aberto para você, se quiser entrar. 

O Coração está sempre apoiando seus movimentos, mesmo que você não perceba.

Talvez seja mais correto dizer que o Ser é o Coração.

Na cavidade do Coração, o único Brahman, brilha diretamente na forma do Ser.

O que é chamado de Coração não é outro senão Brahman.

Por “Coração” não me refiro a nenhum órgão fisiológico, nenhum plexo de nervos ou qualquer coisa do gênero.

O Coração não é físico.

Ele não está nem dentro nem fora, nem à direita ou à esquerda. 

O Coração é o centro do qual tudo surge.

Porque você vê o mundo, o corpo e assim por diante, se diz que há um centro para estes, que é chamado “Coração”.

Como uma vaca amarrada a um tronco, todo seu caminhar se centra ao redor do tronco, assim também é com o “eu”, todas as suas atividades estão sempre centradas ao redor do Coração.

Uma pessoa nunca pode se afastar dele.

O Coração é, portanto, o centro.

O Coração é o centro final.

O que você busca é a verdadeira Consciência.

Onde você pode achar isso?

Você pode alcançá-la fora de si mesmo?

Você tem que encontrá-la internamente.

Olhe para dentro.

Entre em si mesmo.

Assim como um homem mergulha para pegar algo que caiu na água, deve-se mergulhar em si mesmo, com uma mente aguçada e concentrada, controlando a fala e a respiração, e encontrar o lugar de onde surge o “eu”.

Mergulhe no Coração.

Ramana Maharshi.

“O antigo, fulgurante Ser, o Espírito que habita interiormente, sutil, profundamente oculto no lótus do Coração, é difícil de ser conhecido.

Porém, o homem sábio, que segue o caminho da meditação, conhece-o, e se torna liberto tanto do prazer como da dor”.

- Katha Upanishad.

O Coração é usado nos Vedas e nas escrituras para denotar o lugar de onde surge a noção de “eu”.

Este “eu” brota de dentro de nós, no centro do nosso Ser.

Observe em si mesmo, de onde surge o “eu”. 

Rastreie o sentimento “eu”. 

Concentre-se no ponto de onde surge este sentimento “eu”. 

Seguindo as pegadas do “eu” de volta à sua origem, experimentamos o Coração. 

Quem sou eu? 

O Eu real está no Coração. 

O ego deve trilhar o caminho de volta à sua fonte. 

Volte ao centro de onde tudo nasce. 

Retorne pelo caminho de onde você veio. 

De onde eu vim? 

De onde eu nasci? 

De onde eu sou? 

De onde surgem os pensamentos? 

Onde eu experimento a sensação essencial de ser e existir? 

Quem sou eu?

Investigue a natureza desse sentimento que se conhece como “eu”, e ele inevitavelmente o levará à sua fonte, o Coração, onde você perceberá inequivocamente a distinção entre o corpo insensível e a pura Consciência.

Ao mergulhar fundo na busca: “Quem sou eu - e de onde?”, os pensamentos desaparecem, e a pura Consciência brilha como o “Eu-Eu” dentro da cavidade do Coração de todo buscador.

Este é o Céu, esta é aquela Quietude, a morada da Bem-aventurança. 

Permaneça firmemente estabelecido neste estado que é a fonte da mente.

Permaneça no centro, apenas.

“Eu sou” – isto é tudo.

Permaneça o firme no Coração, no Absoluto Transcendental.

Ao fixar constantemente sua atenção na fonte, o Coração, o ego se dissolve nele.

Através da prática de fundir o ego no Coração, que é toda a Consciência, as tendências da mente serão subjugadas.

Quando é dito que você deve fundir-se ao Coração, não significa que isso deve ser realizado por meio do “fazer”.

“Fazer” é usar a mente ou permitir que ela funcione, ou seja, é incentivá-la a se afastar do Coração. 

Você não precisa tentar ajudar a mente a alcançar o Coração.

Qualquer coisa que você tente fazer para facilitar que a mente afunde no Coração, apenas afastará a mente do Coração.

Só existe uma maneira de alcançar verdadeiramente o Coração, que é a renúnciaao reino do fazer, de uma vez por todas.

Abandone a tentativa de fazer qualquer coisa com a mente. Mantenha a mente perfeitamente desperta e alerta, mas perfeitamente imóvel e quieta.

Somente a quietude pode extinguir o pensamento.

Somente a diminuição ou a cessação da atividade mental pode revelar o Coração. 

Se a mente é mantida indefinidamente em quietude, ela automaticamente afunda no Coração e é dissolvida lá de uma vez por todas, como uma boneca de sal que é jogada no oceano.

Quando esta experiência se torna permanente através da prática constante, diz-se que a tão desejada Auto-Realização ou Moksha foi finalmente alcançada – a ilusão “eu sou o corpo” foi quebrada para sempre.


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

O mestre do silêncio: o sábio de Arunachala

"O silêncio interior, continuou ele, é a plataforma da qual tudo o mais é projetado pela feitiçaria. Em outras palavras, tudo o que fazemos nos conduz a essa plataforma, que, como tudo o mais no mundo dos feiticeiros, não revela a si mesmo a menos que algo gigantesco nos sacuda" - Don Juan Matus em O Lado Ativo do Infinito, de Carlos Castaneda.

Certa vez um xamã nos perguntou se poderíamos definir o Xamanismo em uma palavra e alguém disse: - silêncio. 

Conhecido como o mestre do silêncio, Sri Ramana Maharshi, é um exemplo da importância central de tal estado em todas as verdadeiras tradições espirituais. A seguir temos algumas perguntas respondidas por Ramana Maharshi sobre o tema do silêncio interior seguido de um documentário sobre a vida desse mestre, o sábio de Arunachala.

Discípulo: “A Graça não é o presente do Guru?” 

Maharshi: “Deus, Graça e Guru são sinônimos e também eternos e imanentes. O Eu já não está no interior? O Guru deve concedê-Lo com seu olhar? Se um Guru acha isso, ele não merece esse nome. 

"Os livros dizem que existem muitos tipos de iniciação – pela mão, pelo toque, pelos olhos e pela mente. Eles também dizem que o Guru faz alguns ritos com fogo, água, japa, mantras, entre outras coisas, e chamam essas performances fantásticas de iniciação, como se o discípulo se tornasse maduro somente depois de tais processos terem sido realizados pelo Guru. 

"Se o indivíduo é buscado, ele não será encontrado em lugar nenhum. O Guru é assim. Dakshinamurti é assim. O que ele fez? Ele ficou em silêncio; os discípulos apareceram na sua frente. Ele continuou em silêncio; as dúvidas dos discípulos desapareceram, ou seja, eles perderam suas identidades individuais. Isso é sabedoria, e não toda o palavreado que costuma ser associado a ela. 

"O silêncio é a forma de trabalho mais poderosa. Por mais extensas e enfáticas que sejam as Escrituras, o efeito delas é ineficaz. O Guru se mantém em silêncio, e a paz prevalece em todos. O silêncio dele é mais extenso e enfático do que todas as Escrituras juntas. Essas perguntas surgem por causa do sentimento de que, após passar tanto tempo aqui, após ter escutado tanta coisa, ter se esforçado tanto, a pessoa não conquistou nada. O trabalho que acontece no interior não é aparente. Na verdade, o Guru está sempre dentro de você.” 

D.: “Bhagavan dá iniciação?” 

M.: “O silêncio é a melhor iniciação, a mais potente. Isso foi praticado por Sri Dakshinamurti. O toque, o olhar, entre outras coisas, são inferiores. O silêncio muda os corações de todos. Não existe Guru nem discípulo. O ignorante confunde seu corpo com o Eu, assim ele considera que o corpo do outro é o Guru. Mas o Guru acha que o corpo dele é o Eu? Ele transcendeu o corpo. Não existem diferenças para Ele. Assim, o ignorante não é capaz de perceber o ponto de vista do Guru e do discípulo.” 

D.: “Vivekananda também disse que o silêncio é a forma mais alta de prece.” 

M.: “Isso diz respeito ao silêncio do buscador. O silêncio do Guru é a mais alta instrução. Também é a Graça em sua forma mais elevada. Todas as outras iniciações, como toque e olhar, derivam do silêncio e, portanto, elas são secundárias. O silêncio é a forma original. Se o Guru está em silêncio, a mente do buscador se purifica por si mesma.” 

Posteriormente, um trecho do Yoga Vasistha foi lido para Sri Bhagavan, indicando a iniciação pelo olhar e pelo toque. 

Sri Bhagavan comentou: “Dakshinamurti conservava o silêncio quando os discípulos se aproximavam d’Ele. Essa é a forma de iniciação mais elevada. Ela inclui as outras formas. É preciso haver um relacionamento entre sujeito e objeto estabelecido na outra iniciação. Primeiro, o sujeito precisa emanar, e depois o objeto. A não ser que esses dois estejam presentes, como alguém pode olhar para o outro ou tocar nele? A iniciação pelo silêncio é perfeita; ela inclui o olhar, o toque e o ensinamento. Ela purifica o indivíduo de todas as maneiras e o estabelece na Realidade.” 

Ao mesmo tempo, a importância da Iniciação e da afirmação de Sri Ramana Maharshi a respeito disso pode ser compreendida pela conversa a seguir. 

D.: “Alguém pode se beneficiar da repetição de sílabas sagradas (mantras) realizada casualmente?” 

M.: “Não. A pessoa precisa ser competente e iniciada em tais mantras.” Maharshi exemplificou isso com a seguinte história: “Um rei visitou seu primeiro-ministro em sua residência. Lá, disseram a ele que o primeiro-ministro estava ocupado com a repetição de sílabas sagradas. O Rei esperou por ele e, ao encontrá-lo, perguntou quais eram as palavras. O primeiro-ministro disse que eram as mais sagradas de todas, do Gayatri. O Rei quis ser iniciado pelo primeiro-ministro. Mas o primeiro-ministro confessou que era incapaz de iniciá-lo. Portanto, o Rei aprendeu com outra pessoa, e ao encontrar o primeiro-ministro, repetiu o Gayatri e quis saber se estava correto. O primeiro-ministro disse que o mantra estava correto, mas que não era adequado que ele dissesse. Quando pressionado por uma explicação, o primeiro-ministro chamou um escudeiro que estava por perto e ordenou que ele agarrasse o Rei. A ordem não foi obedecida. A ordem foi repetida várias vezes, mas continuou sem ser obedecida. O Rei se enfureceu e ordenou que o mesmo homem agarrasse o ministro, o que foi feito de imediato. O ministro riu e disse que aquele incidente era a explicação que o Rei tinha pedido. ‘Como?’, perguntou o Rei. O ministro respondeu, ‘A ordem foi a mesma, e quem a obedeceu também, mas a autoridade foi diferente. Quando dei a ordem, o efeito foi nulo, mas quando você deu a ordem, o efeito foi imediato. É a mesma coisa com os mantras.’”

O Sr. Mac Iver fez uma entrevista com Sri Bhagavan e falou sobre iniciação. 

Sri Bhagavan perguntou: “O que é essa iniciação?” Depois de uma pausa, Ele continuou: “A iniciação tem vários tipos: por palavra, pela visão, pelo toque, e assim por diante.” 

D.: “A de Bhagavan é a iniciação silenciosa, não é?” 

M.: “Sim, é a forma mais elevada de iniciação.” 

D.: “Ela se aplica apenas ao caminho da Autoinvestigação?” 

M.: “Todos os diferentes caminhos estão incluídos no caminho da Autoinvestigação.” 

Depois de uma pausa, Sri Bhagavan falou que as pessoas que iam até lá eram trazidas por alguma Força misteriosa que cuidaria de suas necessidades. A conversa praticamente se encerrou com isso. 

D.: “Como o Guru é encontrado?” 

M.: “Deus, que é imanente, em Sua Graça se compadece do devoto dedicado e Se manifesta de acordo com o desenvolvimento dele. O devoto acha que Ele é um homem e espera um relacionamento como se fosse entre dois corpos físicos. Mas o Guru, que é Deus ou o Eu encarnado, trabalha no interior, ajuda o homem a enxergar que ele está errado e o orienta para o caminho correto, até ele realizar o Eu no seu interior.” 

D.: “Então, o que o devoto deve fazer?” 

M.: “Ele só precisa seguir as palavras do Mestre e trabalhar interiormente. O Mestre está tanto no ‘interior’ quanto no ‘exterior’, então Ele cria condições para que você se mova para o seu interior, e ao mesmo tempo prepara o ‘interior’ para arrastá-lo até o Centro. Assim, Ele dá um empurrão do ‘exterior’ e exerce uma força do ‘interior’, para que você possa se fixar no Centro.” 

D.: “Qual é a Graça do Guru? Como ela leva à Autorrealização?” 

M.: “O Guru é o Eu... às vezes, durante a vida, o homem fica insatisfeito com ela e, por não estar contente com o que tem, busca realizar seus desejos por meio de preces a Deus, entre outras coisas. Sua mente se purifica gradualmente até ele desejar conhecer Deus mais para obter a Graça d’Ele do que para satisfazer seus desejos mundanos. Assim, a Graça de Deus começa a se manifestar. Deus assume a forma de um Guru e aparece para o devoto, ensina-lhe a Verdade e, além disso, purifica a mente dele por associação. A mente do devoto se fortalece e, então, consegue se voltar para dentro. Com a meditação, ela se purifica ainda mais e permanece imóvel, sem a mínima ondulação. Essa vastidão calma é o Eu. 

"O Guru é tanto ‘externo’ quanto ‘interno’. Do ‘exterior’, ele dá um empurrão para que a mente se volte para dentro; do ‘interior’, Ele puxa a mente em direção ao Eu e ajuda a aquietá-la. Essa é a Graça do Guru. Não há diferença entre Deus, Guru e o Eu.

"Você acha que o mundo pode ser conquistado pelos seus próprios esforços. Quando você se frustra externamente e se volta para dentro, você sente ‘Ah! Existe um Poder superior ao homem!’ 

"O ego é como um elefante muito forte que só pode ser controlado por algo tão forte quanto um leão. Neste caso, o leão é ninguém menos do que o Guru, cujo olhar faz o ego-elefante estremecer e morrer. 

"No momento certo, você saberá que sua glória se encontra onde você (ego) deixa de existir. Para alcançar esse Estado, você precisa se entregar. Assim, o Mestre vê que você está no estado apropriado para receber orientação, e Ele o orienta.” 

D.: “Como posso obter a Graça?” 

M.: “A Graça é o Eu. Isso também não é algo a ser adquirido; você só precisa saber que ela existe. 

"O Sol é apenas brilho. Ele não enxerga a escuridão. No entanto, você fala de escuridão e foge da aproximação do Sol. Como o fantasma da escuridão, a ignorância do devoto também desaparece com o olhar do Guru. Você está cercado pela luz do Sol, mas para vê-lo você precisa se virar na direção dele e olhar para ele. Da mesma maneira, a Graça é encontrada pela sua abordagem correta, apesar de ela estar presente, aqui e agora.” 

D.: “A Graça não pode acelerar o amadurecimento do buscador?” 

M.: “Deixe tudo nas mãos do Mestre. Entregue-se a ele incondicionalmente. 

"É necessário fazer uma dessas duas coisas: ou você se entrega por perceber sua incapacidade e precisar de uma força superior para ajudá-lo, ou você investiga a causa do sofrimento, vai até a Fonte e se funde com o Eu. Nos dois casos, você se livra do sofrimento. Deus ou o Guru jamais abandonam o devoto que se entregou.”



Sinal de Fumaça

A Lua do Guru - Guru Purnima - e a confiança no Naual

Imagem gerada por IA baseada no texto a seguir. Guru Purnima Na Índia, sempre se reverencia a relação de conhecimento entre o Guru (professo...