Xamanismo e Magia - Uma perspectiva histórica - 1ª parte

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Para abordar as relações entre Xamanismo e Bruxaria seria interessante começarmos por uma breve retrospectiva da nossa história, da história dessa sociedade na qual vivemos, suas bases, suas origens.

Enquanto vc lê esta mensagem está usando os resultados de inúmeros campos de estudo que foram se desenvolvendo, até chegar a esta maravilha moderna, pura magia cibernética que é o computador e a net.

Nossa sociedade se desenvolveu a partir de toda uma série de influências e efeitos e temos que estar atentos a este ponto, pois o paganismo, a bruxaria, a magia é um retorno, uma mudança de paradigmas rumo a outro estado de consciência.

Um retorno que não é uma regressão, mas um resgatar de uma visão orgânica, holística e plena da vida, perdida nessa sociedade fútil de consumistas.

A sociedade contemporânea é completamente utilitarista em relação a natureza. Uma floresta é vista como reserva de madeira, a terra é rasgada e violentada para que tirem metais, os animais são apenas fonte de alimentos, os rios fonte de água e por aí vai. Esta tendência de ver a natureza como algo morto, algo mecânico é antiga. A briga, para nós no ocidente começa na Grécia antiga. Na Ilha de Creta a Sociedade era matriarcal. Então vieram os nômades pastores, conquistaram o local e impuseram sua estrutura patriarcal. Vejam um exemplo do que acontece: Em Creta as deusas principais eram Hegéia e Panacéia. Então os povos patriarcais mudaram tudo, impuseram Asclépio como o deus da cura e transformaram Hegéia e Panacéia em deusas menores.

Isto aconteceu em muitas mitologias e as Deusas passaram a ser mulheres e filhas dos Deuses, que passaram a ser dominantes. Isso aconteceu em muitos povos, aqui mesmo no Brasil em certas tribos eram as mulheres que presidiam as festas sagradas, como a festa das flautas. Conta a lenda que veio Jurupari e tomou das mulheres esse sacerdócio e as proibiu de participar da festa das flautas, com a pena de morte para as que ousassem desafiar tal proibição.

Hoje sabemos que as primeiras estátuas de culto a divindade não eram de Deuses mas de Deusas.

E é fácil entender.

Imagine para o homem simples, primevo, que nada sabia de "óvulo", " espermatozóide" ,"genética", ver, de repente, a mulher inchando, inchando e de repente "brotava" um ser humano novo... Magia pura.

Com as sociedades influenciadas pelos povos pastores a posse do rebanho e mais tarde nas sociedades agrícolas, a posse da Terra era o sinal de poder. Tais sociedades desenvolvem a luta como forma de se firmar e assim, como dono do rebanho, dono da terra, guerreiro e senhor dos exércitos o homem vai firmando seu poder. A mulher é relegada cada vez mais a uma posição servil e secundária.

Mas a ligação com a Terra e seus ciclos ainda é profunda.

A magia ainda é presente nessas sociedades.

O problema é que a história que temos foi quase toda adulterada, principalmente, pela Igreja Católica Romana, que era uma das únicas a dominar a escrita na Idade Média. Queimando e matando os herdeiros do saber, adulterando os livros, assim a Igreja Católica Romana deturpou a história profundamente.

Só hoje estamos começando a recuperar um pouco a verdadeira história do passado.

Assim para realmente mergulharmos na história desses povos antigos temos que entrar nas tradições orais dos mesmos.

Os grandes ritos pagãos são antes de mais nada festas da natureza, comemorando a época da colheira, a época das chuvas, a época do plantio...

Em harmonia, Terra e humanos.

E outra coisa muito importante. Existe uma diferença em ritualizar para celebrar e adorar.

Quando um religioso moderno se ajoelha está sendo subserviente, se humilhando frente a um deus que pune, que castiga, temível.

Uma das frases: Ser Temente a deus!

Para um pagão é totalmente diferente.

Ajoelhar-se é aninhar-se, ficar mais perto da terra, como uma criança no colo da mãe. Nunca com medo, nunca servil, mas parte integrante.

Há dois níveis para a religião de todos esses povos, dos Egípcios aos Caldeus, dos Babilônicos aos Sumérios, dos Celtas aos Vikings, dos Maias aos Toltecas.

Um nível é a religião "popular" aquela praticada pelos camponeses em geral. Cheia de simbolismos mas também cheia de superstições própria de um povo simples e de vida sem muitos questionamentos.

Mas em cada uma dessas tradições há também o aspecto oculto, iniciático destas religiões.

Este aspecto é passado de boca para ouvido, transmitido sob a capa da iniciação.

Os festivais sagrados no Egito e na Grécia e em Roma antes da decadência, tinham dois momentos.

Um momento aberto ao público, em ritos e procissões.

As procissões católicas são cópias diretas dessa parte, apenas tiraram o lado esotérico das mesmas, trocando os deuses por santos.

Segundo os estudiosos mais profundos toda a ritualística católica é imitação direta das egípcias, inclusive a morte do deus feito carne e sua ressurreição.

Quando o catolicismo ri dos seguidores dos cultos africanos, por terem eles sincretizado seus deuses com os santos católicos deveriam se lembrar que foram eles, os católicos, que primeiro fizeram isso, pegando os deuses e deusas e transformando em seus santos.

Como devem saber Jesus não nasceu no dia 25 de dezembro, tal data foi adotada pela igreja para fazer frente aos ritos da luz dos pagãos.

A diferença é que nos antigos ritos, presididos por verdadeiros (as) iniciados(as) cada ato, cada cor, cada canto, tinha um rico simbolismo que mexia de fato com as energias grupais dos envolvidos.

Os que participavam dos rituais tinham sua psiquê trabalhada, através de símbolos arquetipais, o rito era uma reatualização do mito.

É importante lembrar que todos os povos, egípcios, babilônicos, sumérios, gregos, romanos, passam por uma fase de ápice, apogeu e outra de decadência. No período da decadência grupos de sacerdotes só interessados no poder tomam o controle dos mistérios menores e os deturpam, tendo os adeptos dos mistérios maiores que fugir e se transformar em sociedades secretas para fugir da corrupção e da perseguição.

Vou dar alguns exemplos dessa deturpação.

Um dos xamãs com os quais estudei, na Guatemala, me contou que os antigos Olmecas e Toltecas quando lançavam uma virgem num poço sagrado, esta NÃO chegava ao fundo do mesmo. Era levada para outro mundo, outra dimensão diríamos hoje, pois era este rito um momento iniciático que após todo um período levava a iniciada a este grau de realização.

Mais tarde os invasores destas terras, outros povos índios que invadiram Tula e destruíram o império Tolteca, tendo visto a forma, mas não sabendo da essência, tentaram repetir os ritos toltecas, em busca do poder dos mesmos, iniciando assim uma era de sacrifícios sangrentos que ia ficar mais forte com os Astecas.

Operações médicas registradas em pinturas, como uma que o sacerdote tira o coração de um doente o mostra ao sol, cura o mesmo e depois o coloca de volta, foram interpretadas pelos invasores como uma "oferenda" ao deus sol e aí começam os sacrifícios reais. Vejam que para nossa cultura ainda é difícil entender o grau de magia que possuíam esses antigos povos.

Pois bem, quando Roma caí surge um novo Império.

Sabendo que não conseguiriam mais dominar pela força das armas os "bárbaros" os líderes do Império Romano mudam de estratégia. Criam uma nova religião, misturando várias crenças, misturando ritos pagãos e crenças outras. Usam a figura de Jesus, o nazareno, para seus próprios fins e adulteram os escritos que existiam sobre ele na época.

Criam assim a Bíblia como ela é conhecida hoje.

Quem teve acesso aos chamados manuscritos do mar morto e aos evangelhos apócrifos sabe como foi deturpado tal livro para servir aos interesses desse grupo dominante. Roma cai, mas surge então a poderosa Igreja Católica Apostólica Romana. E ela persegue todos que ameaçam seu poder, mesmo dentro de sua doutrina. Cátaros, Albiginenses e os lendários templários são perseguidos e mortos.

A magia , o conhecimento ancestral é tido por diabólico.

Basta ler Brumas de Avalon para perceber a influência nefasta da Igreja sobre as antigas tradições.

Mais tarde vem algo pior.

A Inquisição, que tortura com requintes de crueldade e mata os que ousam questionar. Com a Inquisição a magia é ameaçada de ser expulsa do mundo ocidental. Mas secretamente, os bruxos e bruxas continuam transmitindo de boca para ouvido seus segredos. É na cozinha, com seus caldeirões e colheres de pau, que muitas mulheres mantém a magia viva, escondendo ervas mágicas entre seus temperos, transmitindo, com o risco da própria vida, aquilo que aprenderam.

As grandes festas de celebração da vida são proibidas.

A alegria dos camponeses é invejada pelos senhores feudais.

A igreja teme a alegria, quem ri não tem medo do deus punitivo dos cristãos. Vejam : "O nome da rosa" como exemplo. Agora surgem novos cultos: Culpa, medo, submissão. Servem melhor aos senhores feudais. Domesticam o povo para que sejam servos mais dóceis aos seus senhores. O elo parece quase rompido.Mas secretamente, em clareiras enluaradas, em cavernas secretas, correndo risco de vida, alguns homens e mulheres continuam a transmitir a arte, continuam a praticar seus encantos.

Continua.

Sobre a Lua

Como meu papel no meu grupo de xamanismo é ser um contado de histórias e um transmissor da tradição procuro observar muito e estudar muito para ser fiel nesse transmitir do que me ensinam.

E o mais difícil é transmitir algo que vc só observa.

É o caso dos aspectos femininos da tradição.

Homens e mulheres tem aspectos muito próprios nesse aspecto. A mulher tem o útero e os ovários que lhe dão um poder extra e uma sintonia tão profunda com a vida e com a Terra e a natureza. Nós homens precisamos de muito, muito treino para desenvolver esta sensibilidade a natureza e as forças da vida que as mulheres tem quase naturalmente. Com certeza observar o céu, olhar para o céu é algo vital para quem quer de fato fluir com a magia, já que a sintonia com a natureza é a base da magia. Segundo meus estudos é isso que um sacerdote e uma sacerdotisa aprendem durante sua iniciação.

A compreender em si, a sentir em si como a natureza, em suas fases e mudanças, age sobre nosso mais sagrado templo. Por isso nada substitui o tempo no processo iniciático. Os (as) aprendizes da ARTE são levados a perceber como se sentem em cada fase da lua por exemplo, a sentir como é diferente uma lua cheia na primavera de uma lua cheia do Outono, uma lua cheia no Verão, com toda a chuva que nele há, de uma lua Cheia no Inverno, época de seca. Entre os antigos magistas conhecer astrologia e música era vital para se tornar um(a) magista. Creio que o mesmo vale para hoje em dia.Por exemplo, você acorda se sentindo de tal ou qual jeito. Vai na tábua de efemérides, ou mesmo num jornal que tenha onde os planetas estão. A partir destes dados interpreta seus próprios sentimentos e assim vai aprendendo a linguagem pela qual sua mente, seu corpo e seus sentimentos dialogam com o cosmos.

No Xamanismo, para um aprendiz ou uma aprendiz que começa bem nova na arte, com 16, 17 anos, consideramos que só aos 28, 29 anos (retorno de Saturno) o processo atingiu uma primeira etapa, pois aí quem está aprendendo tem bagagem para entender em si o que é influência da lua, influência das estações, ação das forças dos astros, matéria prima com a qual o(a) magista trabalha.

Como estou colocando no meu artigo sobre xamanismo não há diferenças reais entre xamanismo e magia. São ambos caminhos naturais, oriundos de povos que não perderam a visão orgânica com Terra e com a vida.

O xamanismo é a magia de povos índios, assim como a bruxaria vem de celtas, vikings e outros povos. Por isso, na minha opinião, um (a) guia durante o aprendizado é muito importante. É alguém que pode ajudar a desenvolver essa habilidade de observação. O (a) verdadeiro (a) mestre não impõe suas idéias ou estilos ao(a) aprendiz. Ao contrário, ajuda que desabroche o mais profundo e singular que cada um traz em si.

Nuvem que passa

As origens do Nagualismo: a organização da serpente

sexta-feira, 24 de julho de 2015


Quais são as origens do Nagualismo? Como surgiu o conhecimento da linhagem de xamãs guerreiros trazida à público pelo nagual Carlos Castaneda?

Segundo o mestre do nagual Carlos Castaneda, o nagual Juan Matus, o Nagualismo é uma tradição milenar, com milhares de anos, aproximadamente 10 mil anos!

A linhagem do nagual Carlos Castaneda, encerrada nele mesmo, é uma das linhagens do Nagualismo. O Nagualismo interessa-se apenas pela reprodução xamânica das linhagens, isso significa que não é um movimento baseado em proselitismo. As linhagens são constituídas por pessoas que possuem certas configurações de energia em função daquilo que é chamado de "o regulamento da águia".

Os primeiros praticantes, os primeiros videntes, conhecidos como os Antigos, os antigos feiticeiros, começaram no caminho do conhecimento pela experimentação de plantas de poder.

As plantas de poder foram as primeiras mestras da tradição xamânica dos toltecas.

Partindo desse ponto inicial pode-se dizer que o Nagualismo é uma sabedoria advinda dos efeitos perceptivos causados pelas plantas de poder nos primeiros toltecas. Dizer isso equivale a dizer que a sabedoria dos toltecas nasceu como uma Sabedoria Verde, uma sabedoria que advém do verde, das plantas, dos fungos e da Terra. Bebendo do cálice da Terra as substâncias produzidas pelas plantas de poder e por seu espírito, os toltecas foram impregnados com sua sabedoria. Como um graal verde as plantas de poder abriram a visão daqueles homens à mundos até então inconcebíveis.

Por terem as plantas de poder permitido o acesso dos primeiros toltecas a sabedoria infinita de outras realidades pode-se se dizer que essas plantas de poder ou plantas-mestras, foram para esses homens e mulheres o Nagual.

No Regulamento da Águia ou no Regulamento do Nagual está:

"Com a finalidade de guiar as coisas humanas até essa abertura, a Águia criou o Nagual. O Nagual é um ser duplicado para quem o regulamento foi revelado. Seja na forma de um SER HUMANO, um ANIMAL, uma PLANTA, ou qualquer coisa VIVA, o Nagual, em virtude de sua duplicidade é levado a buscar aquela passagem secreta ".

Então, conforme o Regulamento, o Nagual pode ser humano, animal, vegetal ou mineral, enfim, qualquer coisa VIVA, que possua a configuração apropriada em termos energéticos.

É interessante observar como a bebida Ayahuasca ou Runipan é formada pela junção de duas plantas, consideradas macho e fêmea. Assim também a bebida sagrada da Jurema é formada pela Jurema e uma outra planta, por exemplo, a Arruda da Síria. Aliás, segundo me informaram a Jurema Preta, cresce em dois locais no mundo, México e Nordeste do Brasil, e forma trazidas de lá para cá em tempos ancestrais pelo povo da Maia.

Vemos também uma forte ligação do Nagualismo com determinados animais tais como a Águia, a Cascavel, o Jaguar, o Coiote, o Veado e a Mariposa.

O Nagual não tem limites em suas formas de expressão.

No caso dos toltecas o Nagual apresentou-se inicialmente na forma e através das plantas de poder.

Há nas diferentes tradições xamânicas relatos, contos, mitos, estórias de como o Espírito sempre enviou mensageiros aos seres humanos em diferentes formas.

No próprio Regulamento da Águia está que o próprio Espírito deu origem ao primeiro par nagual e ao seu grupo de guerreiras e guerreiros.

"O modo como os toltecas começaram a seguir a trilha do conhecimento foi consumindo plantas de poder " – Don Juan, em O Fogo Interior, de Carlos Castaneda.

É bom colocar que o termo tolteca aqui não alude sobre uma cultura ou sobre um império, mas sim sobre mulheres e homens que por terem atingido um determinado nível de consciência e energia se chamavam de mulheres e homens de conhecimento, toltecas, videntes e guerreiros capazes de VER. Toltecas é um sinônimo para "homens de conhecimento" ou para xamãs que são capazes de ver a energia tal como ela flui no Universo.

Após um tempo consumindo plantas de poder eles aprenderam a VER, a perceber a energia diretamente tal como ela flui no Universo. Puderam aprender muito com sua capacidade de percepção ampliada. Lançaram as bases do conhecimento tolteca. Viram o ponto de aglutinação e seu brilho, viram que os seres humanos são bolhas de energia e luz, com configurações específicas, viram outros mundos e conceberam o Universo como um cebola, formado por diferentes camadas que interagem entre si sem se confundirem, perceberam que o ser humano é antes de tudo um ser de percepção e de energia, um viajante do infinito numa viagem de percepção, viram e travaram relacionamento com os seres inorgânicos chamando-os de aliados, perceberam a Terra como um ser vivo, estudaram as emanações da Águia e muito mais. Analisaram e sistematizaram seu conhecimento, passando a ensinar à outros, começaram a formar gerações de videntes. Ficaram fascinados com o que viram e não puderam fugir da atração que sua visão portentosa provocava.

O fascínio do que viram permitiu que eles aprendessem muito sobre as outras realidades, além da realidade de nosso mundo cotidiano, mas isso constituiu-se numa falha fatal para eles. Sabiam lidar muito bem com as outras realidades mas não tinham condições de expressar e manifestar seu poder e conhecimento nessa realidade. O fascínio de sua visão fez com que se descuidassem dessa camada da realidade e quando sofreram ataques ou invasões de outros povos conquistadores, seus aliados inorgânicos não puderam ajudá-los, eles não tinham suficiente poder pessoal para utilizarem-se de seus aliados nesse plano da realidade. 

Muitos sucumbiram. Alguns poucos se salvaram. Esses que se salvaram começaram a rever seu conhecimento diante do abalo que a invasão e a conquista de outros povos significou. Eles se perguntavam: Por que nós conseguimos sobreviver, invocando a força de nossos aliados e outros não? A resposta estava no poder pessoal. Assim o poder pessoal é compreendido pelos videntes que vieram a formar o novo ciclo:

Para adentrar ao nagual é necessário reforçar o tonal. O nome desse reforço é poder pessoal.
O uso de plantas de poder e o fascínio da visão provocado por esse uso tornou os primeiros videntes extremamente dependentes do poder das plantas-mestras e quando tiveram que enfrentar um desafio, como a invasão, nessa realidade, não tinham poder próprio, poder pessoal para vencerem o desafio. Os poucos videntes que sobreviveram compreenderam isso, compreenderam que foi seu uso sóbrio de plantas de poder, o poder pessoal que conseguiram acumular através do uso da espreita, do sonho e da intenção que lhes permitiu invocar o poder dos aliados de maneira tal a surtir efeito sobre seus inimigos, a manipular a consciência de seus inimigos de tal forma que eles puderam por essa manipulação sofrerem o impacto do poder xamânico daqueles videntes ou, simplesmente, os xamãs que dispunham de tal habilidade empreenderam a manobra de deslocar-se para uma outra realidade adjacente a esta evitando o ataque invasor.

Após revisar seu conhecimento e suas práticas diante do efeito devastador da invasão por parte de outros povos indígenas esse videntes, que ficaram conhecidos como os NOVOS VIDENTES, deram início a um novo ciclo do conhecimento tolteca, um novo começo onde o uso de plantas de poder foi diminuído e a ênfase estava na prática da espreita, do sonho e da intenção.

Logo, os novos videntes depararam-se como um novo, terrível e maior desafio: A Conquista Espanhola. Só o fato de terem dado ênfase ao poder pessoal via espreita, sonho e intenção permitiram que eles sobrevivessem a esse duro teste histórico. A arte da espreita levada as últimas conseqüências permitiu mesmo que eles se usassem das instituições conquistadoras, como a Igreja Católica, como refúgio e proteção, via infiltração secreta no corpo de membros da Igreja.

A partir do século XVI os novos videntes visando sua segurança fundaram várias linhagens, dividindo-se afim de preservarem a si e ao seu conhecimento. A linhagem do nagual Carlos Castaneda e do nagual Juan Matus surge nessa época.

Eis a linhagem de Don Juan e Carlos Castaneda a partir do (a) desafiador (a) da morte – 1723 (século XVIII).
  1. Nagual Sebastian – " o nagual que perdeu o céu", segundo Florinda Matus. O Nagual que era sacristão e que primeiramente foi abordado pelo desafiador da morte em uma igreja.
  2. Nagual Santiestaban – mistério !
  3. Nagual Lujan – o marinheiro e praticante de artes marciais que no porto de Vera Cruz topou com o nagual Santiesteban. Recebeu do desafiante da morte 50 dons de poder !
  4. Nagual Rosendo – o nagual que foi enganado pelos seres inorgânicos e teve que resgatar seus pupilos Elias e Amália.
  5. Nagual Elias – o sonhador e artista que reproduzia os estranhos objetos que via em suas viagens no sonhar.
  6. Nagual Julian – o nagual que caminhava à beira do abismo, um tuberculoso que precisava continuamente espreitar a si mesmo para não sucumbir à sua auto-indulgência e sensualidade vivendo até à idade de 107 anos até que partiu para o Infinito, num ousado salto direto à terceira atenção, já que os outros naguais não deram um salto direto, segundo consta no texto recente sobre a Regra do Nagual de 3 pontas.
  7. Nagual Juan Matus – um modelo de sobriedade e elegância.
  8. Nagual Carlos Castaneda – o nagual de três pontas que revelou o conhecimento tolteca ao mundo em suas 11 obras de poder, "literatura" e "feitiçaria".
Antes houveram 8 naguais, perfazendo um total de 16 gerações incluso o Nagual Carlos Castaneda. Essa linhagem de 16 gerações teve seu início já no ciclo dos novos videntes, mas sofreu uma mudança profunda devida a relação simbiótica estabelecida com o Inquilino ou a "Desafiadora da Morte", um dos antigos videntes, que por um misterioso processo de fechamento da fenda de seu casulo luminoso, utilizando-se da energia produzida pelos naguais, e por uma movimentação específica do ponto de aglutinação, conseguiu manter-se vivo por muitos séculos operando nessa e em outras realidades com a totalidade de seu ser mágico, segundo relatos da linhagem de Carlos Castaneda.

Os números 4, 8, 12 e 16 parecem ser números básicos e importantes na estruturação de um grupo nagual.

A abertura do conhecimento propiciada pelo nagual de três pontas Carlos Castaneda inaugura um novo ciclo no conhecimento tolteca. Qual a característica desse novo ciclo ou do ciclo dos novíssimos videntes?

O novo ciclo se caracteriza pelo seu caráter ABERTO. O conhecimento está aí para aqueles que tiverem a decisão e a coragem de agarrarem seu cm cúbico de sorte.

A linhagem de Don Juan encerrou, mas o novo nagual deixou à porta do conhecimento aberta através de uma nova trilha: OS PASSES MÁGICOS.

A divulgação do conhecimento permite a prática por milhares de pessoas em todo o mundo. A prática em massa inaugura uma nova possibilidade: A MASSA CRÍTICA .

A característica essencial do novo ciclo é a possibilidade de uma REVOLUÇÃO DA PERCEPÇÃO NUMA ESCALA AMPLA.

As novas gerações de videntes tem apresentado uma mudança na cor de sua luminosidade, uma predominância do matiz VERDE, que os aproxima dos antigos videntes.

Há também a possibilidade de as linhagens que se extinguiram ou que passaram por um processo de descontinuidade serem retomadas, se houver praticantes suficientemente impecáveis para reestabelecer o "link" com tais linhagens.

Nos foi revelado recentemente o Regulamento do Nagual de 3 pontas que resumidamente nos diz :

Um grupo nagual é formado por guerreiros e guerreiras impecáveis que atuam como membros harmônicos de um corpo, como recíprocos energéticos, seres humanos que possuem características luminosas que os complementam.

Existem quatro matrizes luminosas básicas com doze variantes sintetizadas no homem e na mulher nagual. À medida que um tonal se aproxima do ideal de sua classe, manifesta um grau de consciência superior.

Quando os modelos ideais se encontram , tendem a combinar-se. Os sentimentos de atração entre os seres humanos podem explicar-se como resultado da fusão de seus moldes energéticos. O normal é que tal fusão seja parcial, porém as vezes ocorre uma repentina e inexplicável onda de simpatia; um vidente diria que ocorreu um ato de reciprocidade energética.

Os guerreiros de um grupo se combinam de um modo tal que sua relação produz ótimos resultados no sentido de acumular e ganhar poder.

Um grupo nagual é um organismo de massa crítica. Também chamado de organização da serpente, tal nome é inspirado na forma quadriculada da serpente cascavel.
F.A.

Caminhos da Terra - 3ª parte

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Olá a todos.

Ampliando o tema.

O ramo do xamanismo que estudo e sei que o mesmo ocorria em muitas das chamadas escolas de mistérios na Grécia antiga e no Egito, Índia e China levam vc a viver o que está estudando.

O conceito de estudar e aprender algo no xamanismo e em tais escolas é diferente da abordagem hoje existente no ocidente.

Hoje se trabalha com idéias, com palavras, com textos, com informações.

Quando falamos que a iniciação é de boca para ouvido, podemos, equivocadamente pensar, que seja a transmissão de conhecimentos verbais.

Nada mais distante.

No xamanismo, nos ramos de magia e em algumas escolas que conheço quem lhe inicia cria condições, cria o "cenário" no qual vc vai presenciar diretamente o tema que está estudando. Um (a) iniciador é alguém que já vivenciou o tema estudado e agora vai te expor ao mesmo tema.

Para nós aprender magia por livros seria tão "sensato" como aprender a nadar no mar, via curso de correspondência. Como dificilmente o autor do curso vai receber uma carta do "afogado" avisando das falhas do método, pode até acreditar e fazer outros crerem que funciona, mas nada mais distante da realidade.

O problema é que tem muita gente presa na visão moralista da evolução.

Evoluir é ser bom, é ser "santo" e por aí vaí. Mas eu gosto mais de uma definição que ouvi alhures:

"Evoluir é transformar vida energia em vida consciência".

Tem riscos, é um caminho árduo e trabalhoso. Como chamei a atenção em outro mail, parece que muitos esqueceram completamente que as antigas escolas de sabedoria tinham (e ainda tem) testes iniciáticos, provas, para testar a têmpera de quem se propõe a trilhar tais caminhos. Nada mais distante da realidade que essa idéia que o "esoterismo é para todos (as) e que "basta ter boa vontade".

Nem os cristãos com toda sua pataquada falam isso, ou se esquecem do "muitos os chamados, poucos os escolhidos" e da "porta estreita"? Não se trata de uma eliminação do esoterismo, é outra coisa, é a percepção clara que um caminho precisa de base para ser trilhado e se não nos propusermos a gerar esta base em nós, vamos ficar sempre na periferia do esoterismo ou pior, caindo nestas pseudo escolas e pseudo linhagens que tem muita fantasia e frisson, mas pouco agem em relação a profunda e avassaladora transformação que nos permite abandonar o que fizeram de nós e ir em busca da auto construção.

Um sheik que conheci dizia: O CAMINHO deve ser algo decepcionante quando encontrado, algo assustador no princípio, pois se corresponde exatamente ao que se busca só pode ser falso, pois quem busca? A falsa personalidade, com todas suas angústias e carências. Assim uma certa perplexidade sempre toma aquele (a) que se defronta com o CAMINHO, perplexidade que logo se desvanecerá a medida que caminhante e caminho se tornarem mais e mais unos".

O sábio Yaqui D. Juan Matus também afirmava que o "benfeitor" logra o aprendiz, fazendo-o crer que o importante é algo sem valor, mas que lhe é posto a frente, enquanto o verdadeiro trabalho está sendo feito. Assim de nada adianta ficar lendo sobre elementais, o valor está em vivenciá-los, na prática.

Não que a leitura seja sem valor, ao contrário, a leitura pode te alimentar com a experiência acumulada de gerações de magistas e evitar que erros sejam cometidos, mas vc só poderá dizer que compreendeu o tema dos elementais quando conviver com eles, quando operar no mundo dos mesmos e for além das formas fantasiosas que eles adotam para quem ainda está começando na arte.

A magia é um campo infinito, amplo e em expansão e como seria diferente se vivemos num universo amplo e em expansão e tão vasto que para nossos referenciais o termo infinito é o único que se adequa a qualquer mensuração?

Há muitas armadilhas que podem desviar alguém do caminho, que podem nos deixar presos a um detalhe quando a totalidade nos espera. Há uma analogia interessante. Nosso estado normal de vida é estar preso a um quarto de uma vasta casa. A magia nos revela que há uma porta. Há outros quartos, há uma cozinha, uma sala, alguns chegam até a sala onde a lareira está acesa e o frio do quarto pode ser esquecido. Mas o que poucos percebem é que, fascinados com a imensidão da casa, apenas ampliaram sua prisão, agora não mais presos no quarto estão, mas continuam presos na casa.

A tradição mágica profunda tem aí seu valor. Nos ensina a encontrar a janela, ou a porta da rua, que nos permitirá não apenas sair de um quarto para ficar preso noutro, por mais confortável e agradável que o novo quarto ou sala possa parecer, mas nos ensina como escapar definitivamente da casa, audaciosamente indo além do humano, além dos limites.

Para os magistas com os quais estudo esta é a maior armadilha dos praticantes modernos, a mesma que em outros tempos tantos caíram. Após ficarem presos por tanto tempo em escuro e apertado quarto, o fascínio de encontrar um corredor, outros quartos, outras dependências é muito forte e passaram a chamar esses outros cômodos de "plano espiritual", "níveis mais elevados" , crendo que apenas se deslocar para estes outros "cômodos da casa" era "evolução", era "espiritualizar-se".

Mas o desafio profundo continua, fora da casa, nos esperando, esperando aos (às) poucos(as) que tem a coragem para ir além e abandonar as armadilhas antropomorfizadas que é o legado que nos prende por eons e realmente prosseguir na aventura da evolução, indo além dos mundos humanos ou dos deuses.

Assim os magistas que tenho partilhado vivências consideram que no princípio é um caminho válido treinar nos outros quartos, podemos encontrar roupas mais quentes para enfrentar o clima inóspito de fora da casa, podemos encontrar mantimentos na dispensa que nos sustentarão até aprendermos a conseguir nosso próprio alimento fora da casa, enfim podemos ir aos outros cômodos da casa como treino, como desenvolvimento, mas nunca nos prendermos e nos limitarmos a eles.

Assim, visitar os mundos que nos cercam, as várias realidades que nos interpenetram, tudo isso tem valor de treino. Mas o verdadeiro mistério da morte não pode ser assim resolvido, esta iniciação é final, é plena e a verdadeira partida é sem volta. Antes disso estaremos apenas nos limites do conhecido, quer o percebamos ou não.

A verdadeira morte ainda não ocorreu e não resta dúvida que muitos são capazes de continuar vivos depois da morte, quando são vivos na vida, pois que estranha mania essa de considerar que morrer dá vida e identidade a quem nunca teve isso, a quem passou pela vida como autômato, como extensão biológica de máquinas e sistemas. Me lembro quando, ainda espírita, tive meu primeiro contato com estas concepções. Fiquei revoltado, pois tinha forte a idéia de "justiça cósmica", um "deus justo que ajuda seus filhos" e outros conceitos profundamente imaturos. Rindo, uma psiquiatra que me iniciou em certa linhagem rosa-cruz comentou comigo quando lhe expus minha perplexidade:

"Enquanto não estiver pronto para abandonar estes brinquedos não estará pronto para amadurecer".

Hoje entendo o que ela quis dizer. O problema é que buscamos conforto em muitas explicações e a Eternidade é vasta demais, ampla demais, o Caos envolve o Cosmos e precisamos ser fortes e corajosos para realmente ir mais longe que as "visões consoladoras".

Nuvem que passa

Sobre o 2º vetor resultante das regras de espreita

quarta-feira, 22 de julho de 2015


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Um garotinho bateu a porta do paraíso e quando São Pedro chegou, ele pediu permissão para entrar. São Pedro disse-lhe para esperar um pouco, enquanto ia consultar Deus. Enquanto esperava, o menino olhou em volta, para a ampla paisagem que o rodeava. Como era fim de outono, as árvores estavam cobertas com folhas douradas, avermelhadas, alaranjadas e verdes. Até onde o olhar podia alcançar, havia árvores fulgurantes, umas atrás das outras, colinas e colinas de beleza flamejante.

São Pedro então retomou. - Eu tenho a resposta de Deus. Você vê todas aquelas árvores? - e mostrou com a mão 360 graus no horizonte. O garotinho respondeu: - Sim. Pedro continuou: - Deus disse que, quando as folhas tiverem caído dessas árvores tantas vezes quanto há folhas nas árvores, você poderá entrar no paraíso. O garotinho sentou-se sem pressa e, olhando para São Pedro, disse-lhe: -Por favor, diga a Deus que a primeira folha já caiu.

* Extraído do livro A prática do Zen de Albert Low
"...os espreitadores aprendem a ter uma paciência sem fim. Os espreitadores nunca têm pressa; nunca se afligem" - Carlos Castaneda.

Caminhos da Terra - 2ª parte

terça-feira, 21 de julho de 2015

Como já notaram não sou de escrever pouco, é que a meu ver, as palavras podem gerar tanta confusão que acredito sempre necessário localizar cada mensagem dentro do contexto adequado.

Volta e meia discutimos sobre alguns temas aqui e lá pelas tantas surge um mail: "Gente tá boa a discussão sobre o tema y, mas, pleeeeaaase, o que é o tema y?"

Por esta razão antes de falar como o xamanismo aborda a questão da reencarnação temos que lembrar como as outras correntes avaliam. A religião católica coloca que vc tem uma vida, esta nasce, cresce e se viver de acordo com um código moral tem chance de ir para o céu, um lugar estático, final, "imerso no amor de Deus", se pecar, isto é, ir contra aqueles mandamentos da lei mosaica, se não "amar seu próximo" já vai para o inferno, onde queimará, segundo os mais modernosos da igreja o queimar é simbólico, arde ficar fora do amor divino. Conta-se que para contentar os banqueiros e a burguesia nascente que cometia a usura, tida por pecado pela igreja, criou-se o purgatório, lugar intermediário, onde temporariamente paga-se os pecados e depois vai para a glória do céu.

Interessante: Céu em cima, inferno em baixo.

Céu fresco(clima), inferno quente.

Aí no século passado surgiu H. Rivail D. que ficou conhecido com o pseudônimo (segundo ele de uma encarnação druídica ou celta não me lembro bem) de Allan Kardec.

Ele, alegando influência dos espíritos, usando mesa, tábua owija, copo e alguns médiuns psicógrafos, escreveu uma série de livros que constituem até hoje as bases do que se chama de espiritismo.

O espiritismo kardecista coloca que o mundo é cercado de dimensões espirituais, as mais baixas, zonas pesadas, onde ficam os "sofredores e perturbadores”, permeia a própria terra, há uma zona de transição, o umbral (esta palavra quer dizer porta) e depois as dimensões de luz onde vivem os espíritos mais puros e evoluídos.

É uma doutrina principalmente moral, prega valores como caridade e amor. Para os espíritas somos formados de um espírito (essência sem forma) que é revestido de um perispírito, corpo fluídico e espiritual e quando nos encarnamos de um corpo físico.

Para os espíritas evoluímos vida após vida, trocando de corpo físico mas mantendo no perispírito nossas aquisições quer "boas" quer "más". Acreditam que após a morte vivemos em colônias espirituais e o estilo dessas colônias foi delineado pelo médium brasileiro Chico Xavier, em si pessoa admirável, que através do que acreditam ser o espírito de André Luiz, um médico brasileiro desencarnado, psicografou obras clássicas, como "Nosso Lar" onde descreve a vida nessas comunidades, que tem tudo igual uma comunidade daqui, só que politicamente correta. Tem até dinheiro (sim o capitalismo venceu lá também !!!!) e ônibus. Quando alguém vai reencarnar vai até o ministério da reencarnação onde através de estudos complexos, um grupo de espíritos encarregados dessa área escolhe os pais adequados ao "resgate" do carma de quem reencarna. Para os espíritas vamos ficar reencarnando e reencarnando até "pagar" todas nossas dívidas. Quando o espiritismo surgiu no século passado era bem mais rudimentar. Nem cristão era, aliás, existe um texto de Madame Blavatsky criticando o espiritismo no qual ela diz que a nova doutrina era tão confusa que ia acabar adotando os dogmas cristãos para sobreviver...

Falando na Condessa Russa, foi ela que trouxe ao ocidente outro movimento importantíssimo que também investigava essa questão sempre inquietante do "de onde viemos, quem somos e para onde vamos." Helena Petrovna Blavatsky foi daquelas mulheres admiráveis que o mundo vê surgir de vez em quando. Teve um casamento forçado com o Conde Blavatsky, de onde vem seu sobrenome e título, mas fugiu logo e passou a se aventurar no Egito, onde aprendeu com magos e iniciados, esteve lutando ao lado de Garibaldi na Itália, foi ao Tibete e andou por um grande número de locais. É ela que traz para o ocidente uma nova e fecunda visão deste tema.

A Teosofia que ela apresenta ao ocidente, através de seus livros: ÍSIS sem Véu e depois, sua obra magna: "A doutrina secreta", que é até hoje muito estudada.

Foi a primeira a falar em nomes como El Morya e Mestre Kut Hoomi e ainda em vida escreveu: "Se soubesse que o nome dos mestres seria tão vilipendiado e usado por mentes tão tacanhas para dar autoridade a mensagens tão pueris teria preferido nunca ter revelado nada sobre eles". Imagino o que escreveria se visse o que acontece hoje. Esses mestres não eram seres de outros mundos nem entidades espirituais, eram homens que viviam na Índia e no Himalaia, ela mesmo conta de que certa vez passeando num jardim em Londres qual não foi sua surpresa ao ver um de seus mestres junto com uma delegação hindu entrando no palácio para ver a rainha. Bem a Teosofia partilha de um ramo que os hindus chamam de Atmistas. Para eles existe o ATMA, a centelha espiritual, emanada da fonte no principio da existência. Como entre os hindus a existência é cíclica, tem períodos como o que estamos, chamados Manwantaras, onde existimos e outros de "não existência” chamados de "Pralaya", onde tudo cessa de existir. O Atma emana um corpo causal, um corpo onde fica impregnado cada experiência de vida que um ser tem. Esse corpo causal gera um corpo mental (manas rupa) um corpo emocional (kama rupa) um corpo etérico (linga Sharira) e finalmente surge o corpo físico.

Após uma vida o ser perde o corpo físico e o corpo etérico, pode manter o corpo astral por um tempo, é interessante que o termo astral ficou muito confuso desde então, pois esse corpo astral é o corpo emocional, nada tendo a ver com o corpo astral dos alquimistas, que tem outro sentido, como corpo formado pela energia dos astros. É no plano astral que estão as ditas cidades espíritas, e todo o tipo de ilusão possível. Quando o ser "morre" neste plano deixa o corpo astral para traz, é esse corpo que eu coloquei que alguns elementais usam para, como "fantasmas", atormentar muitos e entrar em sessões espíritas para tomar a energia dos que ali estão. O plano mental é chamado Devacã e é uma espécie de paraíso temporário. Quando perde esse corpo o ser tem toda a sua vivência captada e registrada no corpo causal.

Dali ele começa de novo o caminho gerando um novo corpo mental, um novo corpo emocional e um novo corpo etérico e físico e uma nova vida. Embora traga os "karmas" e "tendências" das vidas anteriores, seus corpos são novos, daí que nada, ou pouco, lembra de outras vidas. Ao contrário dos espíritas os Teósofos aceitam a realidade dos elementais e dos rituais, embora considerem que a magia, que chamam de "ocultismo prático" seja um campo perigoso, para só ser adentrado sob estrita supervisão de iniciados experts no assunto.

O espiritismo kardecista nega o valor da magia, dos rituais e não leva em conta a existência de elementais.

Para o espiritismo existem espíritos puros ou impuros e fica por aí.

A teosofia tem um conceito muito interessante.

Até o nível dos animais existe uma coisa chamada alma grupo, isto é, imagine uma esfera, que é a alma grupo dos cães. Uma parte dessa esfera se desprega, encarna como cão, tem uma vida e ao morrer se reintegra nessa alma grupo, partilhando com o todo a experiência adquirida.

Chegamos no Xamanismo. Para um xamã o ser humano pode ser comparado a um aglomerado. Vou usar como exemplo um balão cheio de fibras óticas. De todas essas fibras, que seriam jeitos de ser, de agir, de pensar e sentir, apenas algumas são ativadas, pelas vivências. Esse pequeno conjunto de fibras ativadas chamamos de "personalidade". Esta personalidade não é algo fixo nem final, variamos de humor, acreditamos numa coisa hoje, noutra amanhã, mudamos nosso modo de ser várias vezes, mas tudo dentro de um grupo de opções. Quando uma pessoa morre essas fibras se espalham, como na alma grupo voltam para um tanque global. Quando outra pessoa vai nascer as fibras se misturam de novo. Este novo ser que nasce vai ter fibras oriundas de vários outros.

Daí que pode ter um medo ou uma afeição que veio de um indivíduo. Se fizer uma regressão vai acreditar que "foi o fulano" na outra vida, mas não há um "eu" passando de vida para a vida, há aglomerados que se combinam e recombinam, como muitas peças de lego dentro de uma caixa que a cada vez que com ele brincam vai estar numa peça diferente, hoje monta uma casa e diz: "Oi, eu sou casa", amanhã é parte de um carrinho e diz: "Oi, eu sou carrinho".

Os sufis de algumas linhas propõe o mesmo colocando o exemplo de um tapete. Vários fios são usados para fazer um tapete e o tapete quando pronto vai para a tenda do Sheik. Então o tapete fica velho, volta para o tapeceiro que o desfaz e com os fios desse tapete, somados aos fios de outro tapete que desmanchou passa a tecer outros tapetes. Então um dia o novo tapete que dos seus 130 fios, tem uns 20 que vieram do tapete do sheik acorda e diz: Tive um sonho: Sonhei que era um tapete na tenda do Sheik. Aí vaí no tapete que faz regressões e acaba acreditando que ERA o tapete que estava na tenda do Sheik. Mas ele não "é" este tapete, ele tem "fios" desse tapete. Quem assistiu o filme "O pequeno Budha" tem aqui a chave para entender como o Lama Dordje reencarna nos 3 personagens, no menino americano, na menina e no menino hindu.

Para nossa cultura que está apegada a personalidade isso é quase uma heresia, além do que o esoterismo comum aborda sempre a visão espírita da reencarnação.

Para o xamanismo, assim como para o sufismo, o taoísmo e alguns ramos do Budhismo, não somos imortais.

Somos imortalizáveis.

Podemos, se trabalharmos arduamente, gerar em nós um centro perene e só então podemos dizer que vamos "reencarnar".

Antes disso somos aglomerados de karmas que herdamos de vários outros seres. Para o ego isso é a morte, não poder dizer: "eu já fui a rainha da França, o mago do Egito, na minha vida anterior, e tantas outras frases que servem para reforçar esse ego ilusório que, unanimemente em todas as tradições, nos mantém afastados das reais chances que temos.

Por isso toda iniciação começa pela morte.

Todo ritual tradicional começa pela morte do neófito, ou seja, sua libertação do aglomerado de "personas" que ele carrega e o início do gerar de seu centro real, permanente a partir do qual vamos começar nossa aventura de ir mais e mais além.

Aliás o termo correto não seria pois reencarnação, mas transmigração.

O mesmo tema encontrei entre pessoas que estudaram profundamente certos mistérios gregos relacionados ao Pitagorismo, pessoas que estudaram algumas escolas druídicas, vamos encontrar em várias vertentes do sufismo e do budhismo.

Vou tentar usar uma analogia física para colocar essa idéia. Existe em física um conceito chamado vetor. Um vetor é a expressão da força que atua sobre um corpo. Imagine um tijolo em cima de uma tábua estreita, na horizontal. A força da gravidade puxa o tijolo para baixo, mas a força normal mantém o tijolo em seu lugar, como soma dos dois vetores se anulam, podemos dizer que o vetor resultante é zero, daí que nada acontece, fica o tijolo onde está. Mas se colocarmos a tábua na diagonal, os vetores se alteram e o tijolo vai começar deslizar pela tábua.

A direção de deslocamento do tijolo é determinada pelo vetor resultando, que é a soma dos vetores envolvidos. Mas note que o vetor resultando, embora seja a única força notável no processo, pois determina a direção do deslocamento, não existe em si, é resultante, é a somatória de todos os vetores envolvidos. Para os xamãs e iniciados com os quais estudei o que chamamos de "eu" é este vetor resultante.

Embora pareça existir e seja mesmo o que notamos em nós como real, não tem existência em si, é fruto da interação de muitos outros fatores em nós. Basta alterar um desses fatores e tudo se altera. Assim pegamos as pessoas cada manhã acordando com um estado de espírito, com uma opinião diferente. Iniciar-se seria aprender a gerar seu próprio vetor, isto é, ser movido não mais pelo tanger de forças externas, mas desenvolver uma coisa muito falada , mas pouco presente: VONTADE.

A partir daí o ser se torna uma individualidade, a partir daí o processo de resgate e realização do self acontece, a partir daí a individuação ocorreu e então é que começa a aventura do iniciado, estar vivo e atuante, senhor (a) de si num mundo instigante e misterioso.

Antes disso somos joguetes nas mãos de forças as mais diversas, memória coletiva, memória racial, força dos planetas, karmas raciais e tantas outras forças que nos tangem prá lá e prá cá, sem esquecer a mídia, a engenharia social e religiosa que os grupos que pretendem dominar o mundo estão sempre usando.

Nuvem que passa
29/12/1999

Filme: Intruders (baseado em caso real)

domingo, 19 de julho de 2015

A realidade pode ser mais fantástica do que a ficção?

É.

Desligue a TV.

Se for para ver algo num monitor que seja algo que abra sua mente. Dê uma chance para a sua mente.

Este é o maior clássico entre os filmes que abordam a temática ufológica.


Baseado no livro de Budd Hopkins e dirigido pelo cineasta Dan Curtis, é uma trama reveladora pela vasta documentação e evidências físicas comprovadas que apresenta.

O caso de Kathie Davis, ocorrido em 30 de junho de 1983, deve ser visto como um dos mais importantes relatos de abdução de humanos por seres extraterrestres.

O filme tem como foco um destacado psiquiatra de um hospital em Los Angeles que, ao pesquisar os problemas de duas de suas pacientes, acaba penetrando em um universo de estranhas ocorrências relacionadas a ufos e alienígenas.

O missão a que se propõe empreender virá a modificar o desenrolar de sua própria vida como pessoa e médico.

Sinopse

Proeminente psiquiatra de um importante hospital de Los Angeles, ao pesquisar problemas de duas de suas pacientes, acaba penetrando em um universo de estranhas ocorrências relacionadas com OVNI's, que modificarão sua própria vida. Intruders resgata 600 casos que hoje compõem um vasto arquivo de histórias verídicas, vividas por muitas pessoas que passaram por experiências com seres extraterrestres e que neste filme colaboraram com renomados pesquisadores do assunto na reconstituição dos episódios. Um filme surpreendente para todos e especialmente apaixonante para os amantes do gênero, colocando o expectador em contato com vasta documentação e evidências físicas comprovadas

Download do filme, via Torrent, AQUI!

Legenda em PT-BR AQUI!

Via You Tube: https://www.youtube.com/watch?v=T530kCZvaBs

Filme: Blueberry

sábado, 18 de julho de 2015

Blueberry - Desejo de Vingança - (aliás esse subtítulo é bem apelativo, no estilo de quem tá de olho na bilheteria e não no filme em si) conta a história de um jovem homem branco que é encontrado por xamãs que resolvem iniciá-lo nos mistérios das plantas de poder a partir de um misterioso sinal: ele foi encontrado jogado a beira do deserto e da morte com seu corpo tomado por cobras venenosas. O jovem que passa por um rito de iniciação ainda não estava preparado para avançar no caminho do guerreiro (expressão usada no filme) e teve que antes de prosseguir na sabedoria nativa enfrentar seus próprios fantasmas. O filme é cheio de imagens belíssimas e de efeitos especiais que tentam descrever visualmente as percepções daqueles que relatam a fenomenologia dos estados alterados de consciência - F.A.

Download via Torrent AQUI!

You Tube: https://www.youtube.com/watch?v=OApkECBFadE

Caminhos da Terra - 1ª parte

Meditei bastante antes de entrar neste tema, pois é amplo e complexo. Complexo pelo fato de vir de outra linha de civilização, de um caminho que seguiu paralelo a este que chamamos de história da civilização ocidental. Estou terminando um livro onde partilho muito sobre isso na forma de ficção, conto a história de um dragão que fugindo de seu mundo entra no nosso e se disfarça em saci para escapar de seres que o estão caçando em busca de seu poder.

Como saci é caçado por dois adolescentes e começa uma interação de aprendizado entre eles. Creio que para ser claro devo contar um pouco como tais conhecimentos me foram dados. Portanto esse primeiro mail é mais uma introdução de como esses temas chegaram até meu conhecimento. Quando fui a eles exposto foi muito chocante pois batia de frente com conceitos que eu, era espírita na época, tinha como verdades absolutas.

Mas a experiência de vida e as pesquisas que realizei em outros caminhos, como o Taoismo e certos ramos de budhismo acabaram por embasar o que aprendi no Xamanismo.

Encontrei informações que apoiavam estas visões que me foram dadas em vários livros, como os livros do Doutor Carlos Castaneda e suas companheiras, a obra toda precisa ser lida para compreendê-la senão a visão da totalidade do pensamento fica prejudicada.

Nos livros de Alexandra David Neil encontrei também similitudes, especialmente seu excelente livro “O Budhismo de Buddha” que embora exista tradução para o português recomendo a leitura em espanhol , ou o original em francês a tradução para o português tem falhas que comprometem a obra. Depois conheci o trabalho de Gurdjieff através de uma senhora de 85 anos e seu irmão de 86.

Ambos conheceram G. pessoalmente em 1938 e continuaram a estudar depois da morte deste com alunos que foram bem íntimos do mesmo tendo acesso a muito do trabalho reservado desse iniciado sufi. Quando partilhei com eles o que aprendia eles me colocaram que era muito similar aos ensinamentos reservados que estudavam e passei a fazer parte de um grupo que ainda hoje se reúne as vezes. Rena já partiu, aos 92 anos, Irma continua forte e firme com seus 94 anos, lúcida e questionadora. Se tenho um objetivo focado na vida é chegar a idade dela com a mesma energia e vivacidade, física e intelectual.


Finalmente travei conhecimento com um grupo de origem francesa que tinha ligações com a famosa Ordem dos Templários, eles reforçaram meu interesse pelo misticismo de certos povos árabes e foram os que me iniciaram na ligação da Ordem Templária com os antigos celtas. Este grupo nada tem a ver com os que pretendem hoje ter a herança da linhagem Templária. Só os cito para deixar claro pontos que vão surgir no decorrer da minha exposição, são fechados e avessos a qualquer tipo de publicidade. Consideram prender-se ao passado tentar reviver a ordem com maneirismos medievais de capa e espada.Como bem colocaram: O conhecimento é vivo e deve se adaptar ao tempo e ao lugar, pois cada época tem sua egrégora própria. Em todos esses caminhos e em ramos da magia fui corroborando o que aprendi com o grupo que me iniciou.

Acho importante colocar isso para situar o contexto de onde veio esse conhecimento.

O grupo com o qual estudei vive dividido em três ramos. Um deles no interior de Minas e em Sampa, outro em alguns pontos dos Andes e outro na Amazônia.

Tem uma única ocupação: Perpetuar-se enquanto grupo. Não pretendem ter discípulos, não pretendem fundar escolas ou sociedades, não fazem proselitismo e encontrando um deles na rua a gente nunca saberia que se interessam por tais temas.

Cada um cuida de um aspecto da arte e me "adotaram" porque acreditam que neste ciclo que estamos entrando a evolução de nossa ciência e filosofia permite que as constatações deles venham à tona para os que se interessarem. E segundo a tradição deles a cada ciclo surge um "contador de histórias" que deve ser treinado por eles e depois "solto no mundo" para espalhar o que aprendeu entre outras "tribos".

Por uma série de eventos eu apareci quando eles tavam esperando alguém e me deram essa incumbência. Tenho me dedicado a um estudo profundo de física, química, matemática, semiótica e outros "n" campos da nossa ciência para poder fazer essa ponte, colocar na nossa linguagem o que eles me ensinaram.

É importante salientar que não são informações que pretendam ser "verdades finais". São apenas conclusões de homens e mulheres que através de gerações sem fim "miraram" eternidade e foram descobrindo coisas e mais coisas e ordenando tudo num corpo de conhecimento que nunca é estático, mas sempre revisto e reexplicado a cada nova geração. Feita esta localização vamos aos pontos propostos.

Para os xamãs, vamos chamá-los assim, o ser humano é parte da existência. Com isto querem dizer que não somos "as criaturas de Deus-pai criadas para dominar o mundo".

Os xamãs vêem a existência como um fenômeno complexo e contínuo. Cada aspecto da existência tem seu motivo e o mistério de uma formiga é tão grande quanto de um ser humano. Assim como cada célula em nosso organismo é ao mesmo tempo uma entidade em si, com seu metabolismo e particularidades, mas responde em conjunto por um tecido que leva a um órgão que juntos formam o organismo, cada aspecto da vida orgânica sobre a Terra, tem sua singularidade e também responde num papel cósmico.


A Terra é um ser vivo, feminino.


A Terra como ser vivo recebe e metaboliza energias vindas de toda a Eternidade. A Terra também é uma célula do tecido do sistema solar, um órgão na galáxia. Sim, Maias, Toltecas, Aimarás e outros povos sabiam da organização em planetas e galáxias.

Nunca precisaram de naves para isso, aprenderam a se deslocar num veículo muito mais eficiente que não tem os limites físicos das naves: O corpo de energia, tema complexo que voltarei depois. Assim a vida orgânica sobre a Terra, seres humanos inclusive, tem uma função na organização cósmica: Captar vibrações, metabolizá-la e enviá-la a Terra.

Para os xamãs a evolução natural do ser humano vai só até aí.

Até o ponto em que nos tornamos hábeis a representar nosso papel no organismo cósmico, como uma célula no organismo que amadurece até o ponto de sua função orgânica.

Isto é combatido a ferro e fogo pelo egocentrismo humano, tanto quanto os heliocentristas foram combatidos por tirarem a terra do centro do universo, tais abordagens da realidade tiram o ser humano do cômodo centro da existência e o colocam como uma parte, nem mais nem menos importante do que o resto da existência.

Por isso os Xamãs insistem que a humildade, tão apregoada pelas orgulhosas religiões, não é uma necessidade moral, mas uma postura existencial mínima para suportarmos compreender nosso real papel nos esquemas das coisas. Por essa razão os xamãs se sentem muitas vezes mais a vontade com os físicos e cientistas modernos que com os chamados místicos. O antropocentrismo de muitos desses últimos é estranho.

Fomos trazidos pela natureza até o ponto no qual podemos desempenhar nosso papel no organismo cósmico.

Por isso todo trabalho de ir além, de "evoluir", é TRABALHO mesmo, e para eles iniciar quer dizer quebrar as prisões energéticas que nos limitam ao papel que o esquema cósmico primeiro nos deu e renascer para poder ir mais longe. Captamos energias astrais (isto é dos astros) que estão numa freqüência que não seriam captadas diretamente pelo ser Terra. Nós as metabolizamos e então esta energia entra no campo de consciência do ser Terra. Como as enzimas em nosso organismo que quebram as macromoléculas, que não seriam absorvíveis pelo organismo, até os seus componentes básicos, estes sim passíveis de tal absorção, cada ser humano é uma enzima complexa dentro do organismo Terra, daí que os xamãs consideram uma aberração o ato de converter.

Cada um deve ser desperto para realizar sua mais profunda essência, converter, mudar outra pessoa, isto é tão absurdo para um xamã como se as células do coração tentassem convencer as do fígado a serem iguais a elas. No final teríamos dois corações no corpo, que morreriam logo, pois não existiria um fígado a trabalhar o sangue. Cada um de nós capta e transmuta certa gama de energia. Esta seria a origem primeva dos ritos. Em processos mágicos específicos energias captadas de várias fontes eram moduladas e então enviadas ao Ser Terra que recebia tais "oferendas".

Na sociedade massificada, onde os seres são condicionados a servirem de extensão biológica de máquinas e sistemas isto está muito perdido. Para os xamãs com os quais estudei existiram outras civilizações antes dessa. Esta presente civilização que se desenvolve a partir da última glaciação é um momento a mais numa longa série de civilizações que surgiram, caminharam até um apogeu e então se dividiram em dois segmentos. Um segmento que dá a volta e em espiral passa para um nível mais avançado e outro segmento que não resiste às forças entrópicas que existem nos organismos, quer biológicos quer sociais e decaem de várias formas.

Os xamãs (e eu também) estão convencidos que civilizações inteiras passaram viver em mundos paralelos e muito do que atribuímos a Ovnis e a visitantes de outras constelações vem destas dimensões paralelas, onde ramos humanos desenvolveram complexas civilizações, ainda evoluindo, ainda cumprindo seu papel.

Como um átomo tem vários orbitais, (s,p,d...) o ser Terra também tem seus níveis orbitais e como no átomo quanto mais energia um elétron tiver em um orbital mais alto ele estará, o mesmo vale para esses antigos povos, eles continuam suas linhas de vida em orbitais mais amplos.

Importante: Outras dimensões não quer dizer planos espirituais ou planos mais evoluídos. Para os xamãs a realidade é como uma grande cebola, cheia de camadas, cada camada uma realidade***.

Segundo os xamãs alguns destes mundos nos ignoram tanto quanto nós o ignoramos, outros mantém contato e outros ainda tem influência sobre nosso mundo, nem sempre benéfica...

Quando os indo-arianos começam a se espalhar pelo mundo, vão impondo um novo modelo de mundo. Já perceberam como houve uma guerra entre dois modelos de civilização. Um harmônico com o meio, outro conquistador. Isto fica mais claro com Roma e depois com os europeus. Este ramo da raça humana se torna uma praga e vem a minha memória uma frase do filme Matrix, quando um agente conversando com Morpheus coloca que a espécie humana deixou o ramo mamífero, que tem a característica de entrar em harmonia com o meio onde vive, coisa que os povos nativos faziam e se aliou ao modo de ser dos vírus.

A civilização branca, cristã e euro-burguesa se torna um vírus na terra. Um fato para quem observa. América, África, Ásia, na própria Europa, todas as culturas nativas que tinham na harmonia com a natureza sua base, são cruelmente atacadas e um novo sistema dominador e eco-agressivo é imposto. Quando os invasores chegam a este continente encontram nações das mais diversas características.

Impérios como os Astecas e Incas, mas mesmo os mais imperialistas não têm a covardia, a violência e a vileza dos mercenários de corpos como Cortez ou de almas, como os padres. Muitos povos fogem do ataque impiedoso, tentando salvar suas culturas. Alguns descobrem que precisam sumir da história para poder continuar a linhagem de conhecimento que representam. É importante salientar que o Império Asteca, por exemplo, era composto de pessoas que haviam atacado povos anteriores, como os Toltecas. Os Astecas tentaram roubar o saber de seus antepassados e conquistados, mas imitaram a forma sem entender a essência. Quando, por exemplo, uma jovem iniciada, virgem, era jogada num poço sagrado, seu corpo nunca atingia o fundo. Durante a queda ela saia dessa dimensão e entrava em outra. Era essa sua iniciação. Mas os invasores copiaram o que viam e começaram uma era de sacrifícios sangrentos. E quando os espanhóis chegam continuam uma onda que já estava isolando o saber antigo das novas gerações. Mas de boca para ouvido, de iniciado (a) para iniciando (a) a transmissão do saber continuou, o desenvolvimento da chamada "ciência das idades" prosseguiu e é sob o prisma dessas linhagens que vou, num próximo mail abordar temas como reencarnação e outros.


Nuvem que passa

29/12/1999 - Templo da Deusa

*** Documentário sobre universos paralelos ou sobre a metáfora das diferentes camadas da realidade vista como uma cebola cósmica.


Palavras sobre o Xamanismo

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Aloha!

Quando me convidaram para escrever sobre Xamanismo neste portal fiquei um tempo meditando. O que escreveria, de que forma colocar algo sobre o xamanismo que abranja o heterogêneo público que visita tais locais virtuais, pessoas com diferentes vidas singulares.

Poucos param para meditar como nossa vida , nosso dia a dia afeta profundamente nossa linguagem, nossa compreensão de mundo, poucas pessoas se detém para meditar , ao menos uma vez por dia, sobre os eventos que estão ocorrendo, sobre "sua" (?) vida, sobre o que faz, o que sente e o que pensa.

Usamos a linguagem, mas poucas vezes paramos pra meditar que somos criaturas de sintaxe, nossa compreensão do mundo está associada a forma de nossa linguagem, descrevemos um mundo, tecemos uma descrição de mundo que tomamos por "realidade".

Somos fruto de todo um processo civilizatório, recebemos influências das mais diversas e nossa "compreensão" de mundo é uma "descrição" uma descrição muitas vezes cheias de contradições interiores, muitas de nossas "teorias" de mundo pouco funcionam na realidade, os eventos nos jogam na cara que temos muitas "teorias" que na prática do dia a dia não funcionam, mas temos amortecedores que nos permitem conviver com descrições contraditórias de mundo sem perceber diretamente isso.

Não é a toa que de tempos em tempos algumas pessoas piram na sociedade, entram em choque com a visão de mundo que tem e o mundo que está de fato lá fora e então profundos questionamentos surgem, questionamentos sobre a existência em vários níveis, vários aspectos.

Algumas pessoas tentam fugir disso, usam os mais diversos recursos para se alienarem dos fatos, para manter uma "descrição" da realidade que lhes permita continuar em suas mesmas vidas, que lhes permita continuar sem muito esforço , "sobrevivendo".

Mas outras parecem ter uma inquietude interior que não lhes permite acomodar-se com "desculpas", "teorias consoladoras" , "promessas de um paraíso após a morte" , algumas pessoas querem entender melhor o mundo, este mundo,onde estamos e buscam tal compreensão mais apurada para que a partir dela possam se inserir melhor na realidade, na vida efetiva e agir de tal forma que alcancem de fato suas metas e não fiquem apenas tergiversando, apenas com justificativas e desculpas, mas tenham de fato uma vida de realização.

Isto é raro, muito raro, pessoas que realizam, pessoas que vivem como querem viver.

O xamanismo que falo aqui é um xamanismo guerreiro, um xamanismo de quem se propõe a estar no mundo de forma plena , atingir o SER e não apenas o sobreviver.

Estudando alguns caminhos xamânicos, em conjunto com outros caminhos, numa abordagem transdisciplinar, fui percebendo que existe um xamanismo que é uma tradição emanada da aurora dos Tempos, um xamanismo praticado por irmandades de homens e mulheres através de eras e eras.

E ao descobrir isso , percebi também que toda a história tal qual contam para nós tem problemas sérios em sua realidade.

Primeiro porque ouvimos a história dos conquistadores, dos povos que tiraram nativos da África e trouxeram para a América, onde já estavam destruindo, pela morte do corpo, ou convertendo e matando a alma, os nativos que aqui viviam há muito, muito tempo, milhares de anos, com culturas próprias , complexas, fascinantes culturas, dotadas de grande magia mas comprovadamente com fragilidades.

A visão de realidade restrita, bitolada mesmo, do Conquistador permitiu que tivessem êxito, levou a uma habilidade de destruir povos com amplitudes vastas de percepções, povos que foram atacados e explorados em sua ingenuidade e honra.

Se estudarmos a qualidade de vida dos povos dizimados e a do Conquistador vamos notar que os paradigmas dos Conquistadores eram muito menos eficientes para a sobrevivência frente a realidade que os dos conquistados, o Conquistador não tinha nenhuma abordagem ecológica ou sistêmica da realidade, só queria conquistar, tirar o que lhe servia e "cuspir o bagaço" , tem sido assim , desde a conquista deste continente, recursos naturais sendo levados embora e a área degradada e poluída deixada como pagamento.

Portanto , este é um dado muito interessante que nos salta a vista quando estudamos que existe todo um risco de extinção pairando sobre muitas espécies, gerado pela nossa cultura exploradora,já extinguimos um número elevadíssimo de espécies animais e vegetais, mudamos vários locais do mundo, temos um risco de extinção de toda a vida, gerada pelas armas de guerra,milhares de ogivas nucleares espalhadas pelo mundo, algumas em mãos fanáticas que não temem destruir tudo em nome de suas crenças, pensando em tudo isso fica claro que este modelo civilizatório que aí está, embora tenha desenvolvido uma tecnologia específica muito forte, embora tenha dado alguns avanços na medicina,( mas é incapaz de curar uma gripe), este sistema está superado.

Se quisermos apenas sobreviver, já precisamos questionar os estilos dominantes, politicamente, economicamente, socialmente, existencialmente, em todos os setores da vida humana sabemos que as respostas desse sistema que aí está não são satisfatórias.

Agora se quisermos mesmo "VIVER" aí sim precisamos ir longe, precisamos ousar olhar para esta porta lateral, que de vários modos o sistema dominante tenta manter oculta, despercebida, uma porta que leva para outra realidade, uma porta que pode nos levar para os paradigmas de outros povos, para caminhos com uma descrição de realidade e propostas de ação que estão muito distantes do que esse sistema dominante quer manter como "única e possível" forma de viver e compreender a realidade.

Não precisamos ler autores místicos para compreender isso, creio que até é perigoso frente a literatura escapista que há por aí sobre o tema, lendo Alvin Toffler , "A Terceira Onda" , já teremos muita informação sobre essa transição da Onda Industrial para uma "terceira onda" , com novos paradigmas, inclusive paradigmas ecológicos e espirituais.

A questão é que tanto "ecológico" como '"espiritual" foram termos açambarcados por instituições e pessoas que usaram o termo em sentidos limitados, em sentidos muito distantes de sua amplitude original, assim estes termos ficaram empobrecidos e confundem a muitos.

O Xamanismo é uma das respostas que outras culturas tem ao desafio da vida, não é apenas " habilidade de certos homens e mulheres de entrar em transe, por induçÃo do som de tambores, danças exaustivas ou ingestão de substâncias alucinógenas", é muito mais que isso, é o complexo sistema de relação com a natureza que povos diversos tiveram por eons.

Pra começar a forma destas outras culturas sentirem a vida, a si mesmas, aos outros entes existentes, considerando inclusive realidades, mundos paralelos e seus habitantes, algo que a ciÊncia oficial ainda nega, enfim, a forma de estar e ser no mundo de outros povos é bem diferente da atual , da civilização dominante, portanto o xamanismo exige mudanças perceptivas e paradigmáticas para ser realmente "praticado" e não apenas "imitado" ou ainda "seguido", xamanismo pela sua estrutura mesma não é para ser "seguido" , mas sim praticado.

Xamanismo é uma complexa teia de atitudes, práticas, tradições que remontam a milênios e que vem sendo praticadas por muitos povos, povos que estão ameaçados de sumirem da história e desta realidade pela ação invasiva e sem ética dos chamados "civilizados".

Não estou pregando o mito do bom selvagem, mas devemos entender que os jogos de poder das classes governantes , dos que se intitularam nobres, aristocracia, que por determinadas e indeterminadas razões , se arvoraram em descrever o que era certo e errado para a humanidade, geraram uma civilização interessada no saque, sem se preocupar que o genocídio de todo um povo ocorresse.

Os paradigmas predominantes na civilização dominante estão embasados em guerras de conquista, saque, genocídio, humanos conquistando e escravizando humanos, uso do ser humano como objeto, valores violentos que muitos tem por "natural" no ser humano.

É muito sério pensar sobre isso, os "donos do poder" gostam de gerar uma idéia que o mundo é "assim" , que não existe outro caminho. Mas a realidade está mudando, há pouco mais de 50 anos atrás falar de indústrias que não agredissem o meio ambiente deste a coleta de matéria prima até a entrega do produto ao cliente e ainda ajudassem a comunidade onde estavam inseridas em práticas de consciÊncia ao meio ambiente poderia parecer piada, hoje toda empresa que queira manter seu ISO 14000 age assim.

Mas não podemos esquecer que junto aos saqueadores vieram aqueles que só queriam "um novo lar" ,queriam se estabelecer aqui e gerar uma nova história de vida. Estes sempre foram explorados pelos "conquistadores" que buscavam usar dos serviços de todos (escravos e homens livres) para enriquecer logo e poder ostentar a riqueza na "corte".

Vieram também os que tinham por função e missão zelar pelo que acreditavam ser a "vontade de Deus", usando de todos os meios para "impor" sua "conversão".

Essas três classes, exploradores, fugitivos( com várias causas) e sacerdotes de um culto proselitista, que tinham o poder como " presente de Deus" e só admitiam suas idéias, levando no fogo da Inquisição e suas torturas quem insistisse em manter-se fiel aos antigos ritos, aos antigos costumes, vieram para este continente e usando armas, suas doenças para as quais os nativos não tinham defesa, usando de divisões internas nas nações nativas já expostas ao imperialismo de outras, souberam agir de forma rápida e direta e em menos de dois séculos de ação já dominavam o continente como um todo, suprimindo a presença nativa, destruindo suas histórias, o que podiam de seus monumentos, destruindo tudo que pudesse lembrar que uma civilização com respostas muito mais inteligentes e eficientes frente a realidade da existÊncia existira ali.

Todo o saber dos templos, das tradições secretas dos povos nativos foi sendo perseguido e a parte 'exoterica" caiu quase completamente, pois era mantida nas danças, nas histórias, nas tradições , nos costumes diários de uma civilização e a maior parte das povoações foram obrigadas a abandonar seus estilos milenares de vida e adotar o estilo imposto pelo conquistador, inclusive seu deus único e seus deuses menores, como os santos e anjos.

A sociedade dominante, branca, européia, cristã e mercantilista se impunha, impunha seus valores e o xamanismo fica cada vez restrito a grupos que escapam da perseguição se refugiando em locais distantes ou disfarçando-se de "convertidos" e bons "servos".

Portanto o xamanismo passou por uma época de profunda repressão durante a invasão deste continente, muitos grupos foram perseguidos, templos e livros queimados, estátuas que tinham bem mais que a representação de imagens, mas sim de princípios cósmicos, tudo destruído em nome da "Verdadeira Fé".

Dentro dessa compreensão vamos perceber que muitos caminhos xamânicos se extinguiram, assim como as civilizações que os geraram, foram ou destruídos completamente ou absorvidos em adaptações que acabaram deturpando irremediavelmente o conhecimento original e só a forma, não o conteúdo, foi mantida , gerando assim ritos e práticas que tem um "apelo" visual, mas não a função de manipular conscientemente a energia que está em tudo.

É muito importante perceber isso, existem práticas realizadas por xamãs em vários povos e tradições que estão ligadas a uma adaptação realizada nessas difíceis condições de opressão, assim há uma forma externa, tanto na prática ritualística, como nas lendas e informações transmitidas, que agrada o opressor, de acordo com sua religião e tal, e há uma prática profunda, podemos dizer "esotérica" onde os paradigmas ancestrais, onde o conhecimento em si é passado.

O Xamanismo em muitas de suas vertentes secou antes de chegar a nós, assim por vezes temos leitos secos, conhecimentos fragmentados, práticas que misturam cristianismo dos conquistadores com outras práticas suas , temos muitas vezes um conjunto de informações e saberes que estão agora numa lingugem tão diferente da original que um praticante antigo nem reconheceria.

Temos crenças católicas, crenças com paradigmas totalmente alienígenas para as tradições nativas, agora misturadas com tradições que se apresentam como xamânicas, é importante observar isso para sabermos tirar os 500 anos de opressão e conquista do saber das Idades que havia nestas terras e em muitos de seus povos.

Mas os estudos nos revelam que nem só a destruição foi presente.

Alguns grupos, formados de poucos homens e mulheres conseguiram escapar as várias fases da conquista deste continente, que começa com a ascensão de povos imperialistas aqui mesmo, culminando nos Incas e Astecas até a invasão do continente pelos Íberos e depois por povos de várias procedência da Europa.

Estes homens e mulheres começaram a reavaliar seu conhecimento, seu saber, seu poder.

Por que eles, homens e mulheres aparentemente sabedores dos mesmos "mistérios' daqueles outros homens e mulheres sobreviveram, conseguiram escapar o poder lhes foi "funcional", enquanto outros (as) não puderam salvar seus povos ,sequer puderam salvar a si mesmos?

ESta questão é fundamental, pois é uma questão de sobrevivência.

MAgistas de apartamento, que se contentam com visões astrais e experiências em "outras dimensões" , quando virem sua casa invadida por um ladrão poderão ter uma noção do que estamos falando, nÃo basta "espiritualizar".

Isso muda muito , pois ao invés de uma visão desse mundo como "inferior", mais "denso" como muito do ocultismo vindo da Europa, prega o Xamanismo vê esta realidade como "a outra face da moeda" e todos os outros mundos, todas as outras realidades, como "outra face da moeda".

Há uma descrição da realidade como vasta cebola, estamos apenas numa das camadas da cebola, nem superior nem inferior a nada, apenas mais uma camada.

E estamos aqui e agora na vida cotidiana e é aqui e agora o lugar e a hora de provar se tua magia funciona para o mínimo que se espera, te proteger de fato, te manter vivo e presente.

Muitos(as) nativos(as) não conseguiram isso, morreram de forma na maior parte das vezes cruel pela insanidade dos Conquistadores, com as benção da Cruz.

MAs os (as) que sobreviveram continuaram a Tradição, de boca para ouvido.

Aprofundaram seus estudos e práticas e descobriram um fato determinante:

"Poder pessoal"

Somos o poder pessoal que temos, quando nosso estilo de vida nos leva a armazenar e ampliar nosso poder pessoal os resultados do caminho se tornam plenos, operantes , para quem apenas gasta energia sem nenhum senso, que apenas dissipa a energia que metabolizamos em nós, para essas pessoas a vida é sempre "complicada".

Era o "poder pessoal" que salvara aqueles homens e mulheres e então o comportamento dos (as) praticantes de xamanismo se tornou uma busca de atitudes estratégicas, um agir não por princípios prontos, mas pelo uso equânime da energia pessoal.

Para tais praticantes conhecimento só existe se posso expressar o que digo conhecer em atos, pelo meu corpo, senão é só um "conto de poder" , tem seu valor, mas o que conta no Xamanismo são os "atos " de poder, não podemos esquecer que o Xamanismo vem de povos práticos, objetivos, onde a vida era um risco constante, onde sabiam da importância da harmonia dos ciclos da natureza, para o alimentar do corpo.

Entre estes povos existiam homens e mulheres, xamãs, sabiam que tínhamos um outro corpo, um corpo de pura energia e que aprendendo a desenvolver esse corpo e as percepções dele, podemos entrar em outras realidades, podemos realizar "prodígios".

E um conjunto complexo de práticas foi mantido, práticas para ampliar a consciência, para entrar com pleno controle de si em outros mundos, para aprender a lidar com plantas e animais, com minerais, com seres de outras realidades e com outras realidades, com a energia pura, para que tudo isso pudesse ser estudado e usado para os fins devidos, os fins que cada xamã sabe sentir , pois antes de mais nada o xamanismo busca harmonia com a Vida, com a existência e sabe que quando estamos em harmonia com as forças que compõe a existência tudo flui melhor, os resultados do viver são muito mais satisfatórios.

Daí que é muito difícil encontrar alguém que trilhe verdadeiramente os caminhos do Xamanismo e esteja sempre infeliz, em crise ou resmungão de si e do mundo.

Quando recuperamos nossa plena sintonia com o Ser Terra uma insatisfação profunda, um estado de carência e incompletude que a maior parte dos seres humanos parece sentir some, pois a conexão plena com o Ser Terra nos coloca em uma energia diferente, em uma condição vibratória que podemos chamar de " plenitude" tal sensação.

O xamanismo, pela sua práxis, libera conexões energéticas entre quem pratica e a natureza, desobstrui o fluir da energia tanto da natureza para conosco, como de nós mesmos para a natureza, assim sendo a energia fluindo livremente teremos um estado de SER que não permite esse tipo de emoção que apenas gasta energia, que não nos amplia ou realiza.

Agora é moda as pessoas justificarem seus comportamento com "preciso me liberar", " não posso reprimir" e tal e com essa desculpa se entregam a seus caprichos e limites ao invés de trabalha-los de forma criativa, que permita mudar o foco, que permita desenvolver estilos de Ser e Agir que lidem de forma estratégica com nossa energia pessoal.

De fato repressão não é o caminho, o xamanismo propõe um estudo de nós mesmos em primeiro lugar, antes de ir estudar o que está a nossa volta , para evitar ficar decorando fórmulas prontas ao invés de sentir.

O xamanismo trabalha com o viajar até nossas dimensões de Sombra e de Luz e integrar ambas, com total força, sem minar nosso poder pessoal.

Desenvolver a sensibilidade, o xamanismo propõe que nos tornemos primeiro conscientes de nós mesmos, de quem somos de fato, do que somos de fato capazes de FAZER e não apenas racionalizar.

Precisamos nos observar para compreender que o xamanismo é uma abordagem completamente diferente da vida como um todo, do que a abordagem que nos ensinaram nesta civilização, ainda presa em paradigmas da era industrial, paradigmas que coisificaram a natureza, tornando-a morta e mera fornecedora de matéria prima.

O xamanismo vê tudo como uma realidade viva , consciente, há vários graus de consciência na Realidade, cada um operando com suas forças e princípios.

O ser humano entrou numa linha de vida ultra especializada, decodifica e compreende cada vez de forma mais complexa a vida e suas manifestações, DNA, Mundo sub-atômico, Teoria da Supercorda, mas VIVER foi deixado de lado pelo mero "sobreviver".

Uma diferença fundamental entre os povos nativos e os civilizados é que nas aglomerações chamadas cidade a maior parte das pessoas não vive, sobrevive, geralmente em trabalhos que detesta , em situações e lugares que não gosta, sonhando que "um dia vai mudar" , mas geralmente morrendo antes de ver essa mudança, aí as crenças que tantos gostam de paraísos e promessas pós morte.

Interessante como as pessoas desta civilização foram levadas a crer que só os meios usados aqui tem valor, um defensor da atual civilização pode usar a tecnologia, as explicações cientificas e tal como mostra da "superioridade" desta civilização, pode querer mostrar uma nave espacial explorando o sistema solar, mas levaria a sério o fato que os(as) xamãs em seus corpos de energia vão não só a outros planetas como a outros mundos?

São abordagens diferentes da realidade a que hoje temos e a dos(as) xamãs ancestrais, mas só a arrogância da atual civilização pretende fazer "inferior" o saber tradicional.

Viver, transformar de uma forma radical, profunda nossa relação com a realidade circundante, isso é "PRATICAR" Xamanismo e é bem diferente de "ler algo sobre xamanismo".

O xamanismo é algo intenso, só de '' desejar" entrar em contato com tal caminho, quando efetivo o querer e real o caminho, já evocamos um tipo de energia que alimentada foi por milhares de anos por praticantes, gerações incontáveis a dinamizaram, assim, conectar com estas correntes já colocam em ação forças sutis, assim, só deve se aproximar do xamanismo quem está de fato pronto, do contrário vai gerar muita confusão em sua própria vida, quando contraditoriamente quiser manter a vida que estará sendo soprada para longe pelos potentes e mágicos ventos da tradição xamânica.

Pois podemos usar aqui uma afirmação dos alquimistas: 'Quando nos propomos a uma busca sincera da Verdade, a Verdade com a mesma sinceridade e empenho que revelamos, sai a nos buscar".

O Xamanismo tem várias vertentes, herdeiras de caminhos diferentes, alguns caminhos xamânicos se perdem na aurora dos Tempos, outros foram criados mais recentemente, alguns tem a experiência acumulada de milhares de anos, incontáveis gerações de praticantes que foram melhor elaborando o conhecimento antes de passá-lo adiante, outras tradições são interpretações recentes, feitas com alguns fragmentos que restaram após a conquista e perseguição dos povos nativos.

Vários povos deixaram profecias sobre a Tribo do Arco Íris, momento no qual, após a quase extinção do povo nativo, após a perseguição sistematizada do conhecimento ancestral, quando a Vida estivesse ameaçada, quando a Natureza houvesse sido poluída além de limites aceitáveis, uma nova tribo surgiria, com componentes de várias cores, eles herdariam o saber ancestral e juntos(as) ajudariam o Caminho da Harmonia a retornar.

Creio que estamos assistindo isso hoje, caminhos autênticos voltando a se revelar.

Claro que devemos tomar cuidado com as charlatanices também presente, com os pseudo caminhos.

Mas todas as tradições tem seu valor, cada um deve procurar aquela que lhe fala mais forte ao coração, pois só o caminho que ressona no coração vale a pena ser seguido.

Dedicar-se a prática do Xamanismo exige um trabalho sério e profundo sobre nós mesmos, o "que fizeram de nós" o conjunto de condicionamentos e reações automáticas que nos programaram para ser não serve no Xamanismo, Xamanismo é um caminho de expansão da consciência e antes de expandir a consciência precisamos "ter " consciência.

Há um modismo de xamanismo atualmente, o chamo de Xamanismo Fast Food.

Deve ter seu papel, creio que tudo na realidade tem sua função, mas o Xamanismo que estou falando aqui não é este, não é um xamanismo onde alguns "iniciados" vendem iniciações por um "preço xamânico", ou o xamanismo de fantasias e viagens psicológicas, confundindo o psicológico com o espiritual, que é algo muito mais amplo, o xamanismo de comprar objetos em lojas e acreditar que fazendo um curso de final de semana vai ganhar a carteirinha de "xamanista".

O xamanismo que estou falando aqui é uma proposta profunda, solitária, só nós e a Eternidade por testemunha.

O Xamanismo que estou falando aqui é fruto da coragem de abrir mão de tudo que nos ensinaram, de tudo que "fizeram de nós " e ousar ir além, ousar ir até aquele lugar silêncio, interior, intocado de qualquer programação, onde no silêncio , além da balburdia das teorias prontas, possamos ouvir nossa própria voz, possamos perceber as tremendas potencialidades que guardamos em nós.

É um Xamanismo que sabe que tudo que existe emanou de uma misteriosa Fonte, a Fonte que vai além de toda nossa compreensão. Este xamanismo aprendeu que o grande desafio inicial é nossa realização aqui e agora, no espaço tempo onde estamos, ou corremos o risco de cair em fantasias e projeções de nossas carÊncias e medos na realidade energia que existe fora desta realidade.

É nascer para cada dia, é ousar morrer a cada noite, recolher-se no silêncio interior para que durante o sono nossa outra metade seja capaz de viver realidades outras, sem nenhum limite e a força destas duas partes que somos nós se manifeste na plenitude de nossas vidas, em harmonia.

Sobre isso falaremos aqui de tempos em tempos, sobre o Caminho , lembrando que há enorme diferença entre falar sobre o Caminho e trilhar o caminho.

Nuvem que passa