Arcano 6

terça-feira, 28 de maio de 2013

Você não veio aqui por que está em dúvida, você veio aqui apenas para compreender a decisão que já tomou.

Não há nada para decidir, a decisão já foi tomada, mas a sua mente racional ainda não sabe e é dela que surge o falso conflito, porque na ilusão de querer ter os pés na realidade você não percebe que a realidade é muito mais vasta que o conceito de realidade estabelecido em sua razão.

Se você conseguir ir além da razão e tocar o seu coração, o coração do outro, o próprio coração das coisas e dos seres, então, você saberá que a decisão já foi tomada e acenderá uma nova luz no teu ser (desculpem o trocadilho!), porque o teu ser, aquilo mesmo que você é, já sabe antes mesmo de pensar aquilo que deve ser e já é.

Sinto muito, me perdoa, te amo, sou grato.

F.A.


Entes e outros mundos

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A questão é ampla e de grande seriedade de fato. Vou procurar partilhar um pouco das minhas vivências neste campo e das conclusões que cheguei, um campo que ainda estudo, portanto, são colocações deste momento, para serem vistas como alusões e hipóteses, jamais como a palavra final sobre o tema que é amplo demais para isso.

Quando começamos a nos aventurar conscientemente a outras dimensões da realidade, através do estado acessível pelo "sonhar" vamos nos deparar com outros seres que também navegam pela Eternidade. Assim como visitamos outros mundos, seres de outros mundos também nos visitam. Da mesma forma que conseguimos nos mover em outros mundos, em alguns deles sem sermos detectados pela maioria desses seres, aqui também, com muito mais facilidade , eles se movem sem serem detectados. Eu aprecio muito um termo usado pelo Nagual Mariano Aureliano para se referir a pessoas que estão, normalmente sem chamar a atenção, no meio das grandes multidões e, no entanto, quando as "miramos" elas revelam que: "não são gentes". Os que não são gente andam entre nós. Seres dos mais diversos, que tem também os mais diversos motivos para estarem navegando pelos mundos.

Eu prefiro usar o termo "entes" a "espíritos". O termo espirito está muito carregado de significados e pode gerar confusões. Muito do que se criou chamando de mundo dos espíritos vem de um desses mundos, desses "viajantes" entre dimensões. Seres inorgânicos, que vivem num mundo gêmeo ao nosso, contraparte do nosso, nos visitam desde o ínicio de nosso amadurecer pela consciência. Lidando com esses seres, que possuem uma consciência profunda e um manejar eficiente do ponto de aglutinação, antigos feiticeiros e feiticeiras estabeleceram vários graus de relação.

Alguns (as) entenderam de fato com o que estavam lidando, entes alienígenas conscientes. Outros (as) fantasiaram muito, projetando uma ideoforma que ainda é usada para decodificar esses e outros entes que nos visitam. Vamos pensar, por exemplo, nos duendes e gnomos, que tantos dizem ver. Pensem no vestuário clássico que apresentam. São roupas de lenhadores antigos no continente Europeu. O saci, negrinho, de toca vermelha, fumando cachimbo. São diferentes dos Vampiros e Lobisomens. Nos primeiros estamos nos referindo a entes de outras dimensões, ou moradores noutra freqüência desta mesma realidade. Os segundos são, ou foram humanos, que se aliaram a exóticas formas de buscar certas metas. Os primeiros são entes. Entes que nossa percepção, limitada pela "forma humana" decodifica o que vê em termos conhecidos. É fundamental compreender isso, pois quando viajamos a outras dimensões da realidade podemos ter o mesmo vício perceptivo.

Limitar a Eternidade a nossos tacanhos limites perceptivos é no mínimo uma tolice sem par, além de nos expor a riscos enormes. Nos deixamos enredar pela mente instalada e seus estados de medo, angústia, morbidez, auto piedade mas tudo isso é pura tolice. São estados não estratégicos de ser. Considerando estratégia como a arte de usar nossos recursos em prol da meta que nos propomos. Sentimentos que não tem ressonância real em nós se não nos identificarmos com eles.

Para ser mais exato não são sentimentos, são emoções. Emoções que não foram geradas pela nossa mente, nossa real mente, mas pela instalação alienígena que chamamos de mente. Por este motivo as Escolas e linhagens que descendem das antigas civilizações Mesopotâmica e Transhimalaianas tem as mesmas propostas das Escolas Nativas, quer deste continente quer de qualquer outro. Começar o trabalho pelo foco em si, pelo encontrar do lugar silencioso que todos temos em nós, onde a voz do silêncio fala conosco. Pois é assim que alguns videntes contemplam a ETernidade. Um avassalador silêncio, que ecoa em nós. E do centro mesmo do silêncio, silenciosa voz sussurra. A voz do silêncio. O som do Mar Escuro da Consciência bordejando nossas praias perceptivas.

Mas esse contato com a Fonte é deturpado quando estamos presos a forma humana, isto é, aos limites cognitivos que nos impuseram. E cognitivo aqui no sentido real de GNOSE, não apenas apreensão intelectual. Por isso nas culturas nativas ancestrais o (a) aprendiz trilha a roda dos quatro cantos do Mundo. Saindo do Leste e indo ao Sul os (as) que trilham tais caminhos trabalham em si estes aspectos, inclusive morrendo para tudo que foi um dia. Essa morte é totalmente necessária, sem morrer para o que nos disseram que éramos, estaremos ainda sócios de uma proposta existencial que nos impuseram. Uma das tantas colocações brilhantes do Nagual Mariano Aureliano é que “os guerreiros não honram compromissos que não foram firmados por eles". Após a morte e o renascimento que ela encerra o novo ser se encontra voltado para o Sul. A vastidão gelada e desconhecida o espera. Onde sopra o vento intenso e frio, que pode fustigar alguém menos preparado até a loucura ou a morte. MAs onde inevitavelmente temos que ir, em busca da única porta estratégica para a eternidade. A porta que nos lança ao além depois de termos nos encontrado e despertado, deixado de lado o estado robótico e sonâmbulico que estávamos presos.

Raros saem por essa porta. A ansiedade, o orgulho, a arrogância e a vaidade muitas vezes empurram o (a) buscador (a) a lançar-se precocemente a outros mundos que não esse. O resultado é que existem barreiras reais para ir a outros mundos, barreiras energéticas, criadas pela própria configuração energética da ETernidade. Dizer que algo é criado pela própria configuração da ETernidade , significa que não é algo convencionado, específico a uma visão da realidade. É dizer que em termos de energia pura a coisa é assim.

Portanto, tais barreiras para serem vencidas exigem energia e habilidades específicas. São barreiras que funcionam como armadilhas sutis, quem não se preparou cai inevitavelmente e nelas ficam.

Logo no começo da viagem rumo a Eternidade existe uma primeira armadilha. Os seres inorgânicos ao redor deste mundo têm armadilhas fabulosas para capturar pessoas mal resolvidas, usando de sua irresolução existencial de forma ardilosa. Esta a armadilha de muitos xamãs e tantos magistas de todo este mundo. A partir de certo momento alguns conseguiram ir mais longe e perceberam que o que chamavam de mundo espiritual, o mundo para onde iriam depois da morte, onde estava a terra "sagrada", o país de verão dos povos nórdicos, o jardim das delicias dos povos do deserto, Matatu Araracanga, Asgard, Avalon, este lugar mítico de efetiva existência, era também apenas mais uma camada da realidade. Perceberam que os outros mundos são apenas outro aspecto desta realidade. Deixaram de crer na anterior definição de mundos "inferiores" e munods "superiores" e questionaram as hierarquias que haviam dado aos seres que encontraram em suas viagens.

Perceberam então o profundo equívoco que tinham cometido. Sua crença foi mais forte que sua miração. Começaram então a se libertar de suas crenças e a explorar as outras realidades com o mais amplo sentido de observação imparcial. Descobriram para seu espanto e horror que estavam presos a uma limitada abordagem da realidade. Isso só aconteceu quando os primeiros povos já escravizados pelos "Predadores" começaram a invadir as aldeias dos povos ainda livres. Enquanto dotados apenas de suas mentes a percepção de todos era livre e fluída. Com o mínimo de energia um (a) xamã deslocava o ponto de aglutinação de quem quisesse, mesmo de grupos grandes e os levava a perceber a realidade dentro de freqüências outras. Nestas um ser inorgânico podia tomar a forma de monstros, de seres mágicos, um jaguar mágico, e assim assustar e defender o (a) xamã.

Mas com a "instalação alienígena", a "mente do predador " partilhada com a nossa, isto fazia a primeira atenção ganhar uma força diferente. Essa mente instalada fixou nosso ponto de aglutinação numa posição apenas. E essa fixação era também uma defesa. Como se todos fossem fixados em AM e a magia da maior parte dos Xamãs só operasse resultados em FM. Esta nova dimensão da realidade porém não era totalmente invulnerável ao poder dos (as) xamãs. Muitos (as) houveram que conseguiram materializar seus aliados nessa dimensão da realidade e serem defendidos por eles, outros (as) tantos (as) foram capazes de sumir e reaparecer alhures, longe do perigo. Muitas tribos foram avisadas e sabemos que populações inteiras deixaram esse mundo a partir dessa invasão, que ainda hoje acontece com os últimos povos nativos, onde os missionários protestantes são apenas as armas biológicas, vetores inconscientes de inconsciência programada, vetores do condicionamento que limita a percepção ampla e livre dos povos nativos e nos restringe a ruminantes intelectualóides, esboçando planos que nunca se realizam e afirmando coisas que não temos a energia para realizar.

Os que sobreviveram neste mundo começaram a se reunir em segredo e a questionar:

Por que o poder tinha funcionado com eles e com os outros não?

Por que eles sobreviveram e os outros não?

Investigando com a aguda consciência que a quase destruição provoca em nós, os (as) Xamãs perceberam a falácia de suas crenças. Criam que os seres inorgânicos com os quais partilhavam seus poderes, que os ensinavam, eram entes todo poderosos capazes de salvaguardar seus pupilos em qualquer situação. Um fato só constatado por alguns poucos até então se tornou evidente. Cada um de nós é o resultado de seu poder pessoal. E poder pessoal é energia concentrada. O poder pessoal determina a habilidade de um (a) xamã. Os (as) que haviam sobrevivido só tinham uma coisa em comum. Tinham uma estrutura de vida que lhes ampliava a energia ao invés de desgastá-la. Isso lhes garantia amplo poder pessoal.

Não existe nenhuma divindade pessoal lá fora, pronta a atender todos nossos pedidos. Tudo que alcançamos é resultado direto de nosso poder pessoal. Tal constatação mudou tudo, sua forma de interagir com a realidade se modificou. Cada ato se tornou importante, não havia mais um momento que fosse melhor que outro, um rito não era mais importante que um momento qualquer da vida. Em cada ato, no foco de cada ato, no agir estratégico estava a chave do poder pessoal. E o poder pessoal era a base de tudo. Daí foi fácil perceber que os seres inorgânicos de qualquer procedência só podem auxiliar diretamente um xamã, fazendo uso da nossa energia. Isso mudou completamente a relação entre os (as) xamãs e tais seres. Mudou também a relação dos (as) xamãs consigo mesmo.

Uma nova Era de busca e desenvolvimento surgiu. Sob a pesada opressão dos grupos que imitavam o comportamento dos já dominados pelo estado mental alienígena , a criação de impérios e a abominação da escravidão se tornaram práticas usuais. Esta nova sociedade tinha acesso a alguns dos conhecimentos tirados dos dominados. Xamãs poderosos (as) passaram a criar impérios para ter escravos a construir estruturas de poder que ampliassem sua própria energia permitindo que praticassem manobras sofisticadas de consciência, mas desprovidas de toda sobriedade. Estes ainda tinham muito saber ao lado do poder. Mas os que viriam depois eram desprovidos dos dois. Mas na maior parte, imitavam a forma sem entender o conteúdo. Mas o tipo de poder que buscavam era sobre outros, era o poder deste mundo, dos reis e imperadores de todos os tempos, sob quaisquer títulos que se ocultassem.

E surgiram os sacrifícios de sangue. No começo o sangue usado para certos ritos era o sangue menstrual da mulher, pois as sociedades eram matriarcais, matrifocais e matrilineares. Para um povo de hábitos livres envolvido em festas que muitas vezes se tornavam o que hoje chamaríamos de orgias, embora este termo esteja carregado de sentidos desequilibrados, saber de quem era o filho ou filha podia ser difícil, mas a mãe é sempre conhecida. A própria divindade era vista como feminina, algo que nós xamãs ainda hoje sabemos, que a ETernidade é Feminina. Nestas Eras o Sangue ritualístico não vinha de sacrifícios. Então, com a tomada do poder por outros grupos, a busca de mais poder, mágico inclusive, levou grupos, de homens e mulheres, a buscar mais sangue, o sangue do sacrifício.

Isto degenerou nas práticas que já são registradas pelas histórias. Isto atraiu certa classe de seres ao planeta, e num mundo onde os seres humanos são hipnotizados, vivendo em um transe robótico suas vidas, inconscientes de si, atrair este tipo de energia não podia significar menos que mais uma espécie a sugar a energia que poderia ser nossa. E assim, pela força desses primeiros seres humanos, diversas classes de seres foram se ligando a humanidade. Lembrem-se que éramos poucos milhares nestas eras, sim, no mundo inteiro...

Após essa abordagem, para nos colocarmos sob mesmos paradigmas, podemos começar a falar dos entes, dos seres que nos visitam e como lidar com eles e onde colocaríamos nesta classificação os guias de umbanda. No xamanismo em várias expressões, o paganismo de forma geral, o Taoísmo, algumas escolas do hinduísmo, ramos do budismo, ramos esotéricos do Islã vamos encontrar uma abordagem interessante da realidade. Para estas linhagens não temos uma alma imortal só porque nascemos.

Somos gerados para cumprir um papel duplo:

Ser célula da terra, enzima que processa substâncias para que sejam absorvidas pelo SER Terra.

Ser maturadores e transmutadores da própria energia da consciência , através de nossas experiências de vida.

Para isso viemos à existência. Como alguém já bem colocou, servir a um esquema cósmico. A consciência que nos é emprestada no momento da fecundação ao final da vida nos é tomada de volta. Óbvio que os (as) Miradores (as) não se contentaram com tal estado de coisas e sempre buscaram a continuidade. Seus pactos com os seres inorgânicos tinham como objetivo continuar a viver enquanto consciências singulares pelo mais longo tempo possível. Vários caminhos foram tentados, alguns deles conduziram a condições que superam todos os filmes de Terror já feitos, outras apenas adiaram a dissolução. Um desses caminhos foi alcançado por xamãs nativos (as) deste nosso continente. Yayés, Shabonos e tantos outros (as) xamãs conseguiram atingir e despertar o segundo corpo, o corpo de energia. Alimentaram esse corpo durante uma vida de poder e impecabilidade. Isto lhes permitiu continuar existindo em corpo de energia mesmo quando seu corpo físico se foi. É uma sobrevida, uma armadilha sutil.

São esses seres, ao lado de xamãs de linhagem africana, que lograram alcançar o mesmo feito, que estão por trás do que se chama umbanda em nosso país, como em outros ritos como o Voodo nas Antilhas e outros lugares. É claro que isto é muito raro, a maior parte dos lugares que dizem praticar estas linhas lidam com outra coisa, com egrégoras e cascões do astral, manipulados por entes de outras esferas , que ali vão só para "roubar " energia. Mas nos casos raros e autênticos onde esses seres, organizados em verdadeiras confrarias , se comunicam , vamos ter uma relação simbiótica.

A energia que precisam para continuar existindo singularmente lhes é dada, em troca auxiliam os que buscam seu apoio. De acordo com a natureza do magista ele está numa "linha" onde usa os poderes dos elementos.

O ponto frágil do elo é o médium. Essa condição de passividade a que ele se presta pode ser perigosa, sua energia pessoal é a mais comprometida. Se for bem orientado, em um lugar que realmente tenha conhecimento para o que está fazendo vai saber usar a energia para ampliar-se também. Senão será desgastado e sugado.

E com isso percebemos a vastidão de possibilidades as quais estamos expostos quando entramos em contato com a ETernidade que nos envolve e o porquê de insistirmos tanto que o mais importante é, antes de mais nada, encontrar sua essência perceptiva, desgrudá-la do que lhe disseram que era e reencontrar a si mesmo. Dessa base segura em si, sem muletas, sem dependências, lançar -se a aventura do desconhecido, ampliando-se pouco a pouco até abrir-se para a ETernidade. E ainda assim permanecer singular. Em busca da terceira ponta do triângulo, onde nos revelamos a outra possibilidade, impensada, nova, ousada.

O tema é amplo, apenas algumas colocações sobre...

Nuvem que passa

A Terra como ser vivo, inteligente e auto-consciente

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Para quem curte uma plantinha. Para quem percebe como a tecnologia muda completamente a nossa percepção do mundo. Para quem quer entender como a Terra é um ser vivo, consciente e inteligente.

Uma verdade inconveniente

terça-feira, 21 de maio de 2013

A simples idéia do ser humano ser gado, ser alimento e rato de laboratório na mão de outras espécies, espécies que chamaremos de alienígenas, é tão incômoda para o nosso ego que chega a ser inconcebível como fato, mas não como ficção.

Daí a popularidade de séries, filmes e histórias sobre vampiros, zumbis, aliens que encontram um eco no inconsciente coletivo e que são exploradas pela mídia hollywoodiana. Exemplos em filmes: Cidade das Sombras, Eles vivem, Predador. Aliás, Cidade das Sombras foi uma das fontes inspiradoras de Matrix. A outra fonte foi 13º andar.

Estas espécies que predam a espécie humana em termos de energia e consciência são capazes de operar nesta e em outras faixas de realidade. Este conhecimento está expresso em algumas tradições esotéricas e pode ser encontrado, por exemplo, nos escritos do antropólogo e nagual Carlos Castaneda, no livro Mensageiros do Amanhecer de Bárbara Marciniak e em várias outras fontes de conhecimento.

O fato disto parecer loucura indica o nível de adestramento e alienação ao qual fomos submetidos pela educação, cultura e religião.

Há tantas religiões e seitas no mundo e quanto mais religiões maior a confusão e a divisão entre os humanos.

Dividir para reinar.

E nenhuma religião fala claramente sobre o fato de sermos dominados e predados por espécies que se fazem nossos senhores e a razão é a mais simples do mundo. As religiões foram criadas pelas espécies predadoras para que nos mantivéssemos submissos e divididos. Exemplo, a mensagem libertadora de Jesus tornou-se a ideologia dominadora das diferentes igrejas.

O fundamental é o ser humano apossar-se de si, de sua mente, incorporar a si mesmo, pois é através da mente que somos submetidos à vontade de seres, que graças a cultura do medo, se apropriam da nossa energia da mesma forma que nos apropriamos do sangue e da vida de diferentes espécies animais.

F.A.

Manipulação genética e predadores (reptilianos)

"Durante milênios, os voadores prepararam planos para nos coletivizar. Houve um tempo em que eram tão descarados que até se mostravam em público e as pessoas os representaram em pedra. Esses eram tempos escuros, pululavam por todos os lados. Mas agora a estratégia deles se fez tão inteligente que nem sabemos que existem. No passado, nos enganchavam pela credulidade; hoje em dia, pelo materialismo. São os responsáveis pelo fato de que a aspiração do homem atual seja de não ter que pensar por si mesmo; não precisa de mais nada, observe quanto tempo alguém agüenta em silêncio!"

"Por que essa mudança na estratégia deles?".

"Porque neste momento, eles estão correndo um grande risco. A humanidade está em um contato muito rápido e qualquer um pode se informar. Ou eles enchem nossa cabeça, bombardeando-nos dia e noite com todo o tipo de sugestões, ou haverá alguns que perceberão e avisarão aos outros".

Encontros com o nagual, de C. Castaneda - BAIXE-O AQUI!

"Eu quero atrair a sua mente analítica", don Juan disse. Pense por um momento, e me diga como você explica a contradição entre a inteligência do homem engenheiro e a estupidez de seus sistemas de convicções, ou a estupidez de seu comportamento contraditório. Os feiticeiros acreditam que os predadores nos deram nosso sistema de crenças, nossas idéias de bem e mal, nossos costumes sociais. Foram eles que programaram nossas esperanças e expectativas e sonhos de sucesso ou fracasso. Eles nos deram ambição, ganância, e covardia. São os predadores que nos fazem complacentes, rotineiros e egomaníacos".

"Mas como eles podem fazer isto, don Juan?" eu perguntei, de alguma maneira mais irritado com o que ele estava dizendo. "Eles sussurram tudo isso em nossos ouvidos enquanto estamos adormecidos? " "Não, eles não fazem assim. Isso é idiota!" Don Juan disse, sorrindo. "Eles são infinitamente mais eficientes e organizados que isso. Para nos manter obedientes, submissos e fracos, os predadores empreenderam uma manobra estupenda - estupenda, claro, do ponto de vista de um combatente estrategista. Uma manobra horr
enda do ponto de vista dos que a sofrem. Eles nos deram sua mente! Entende? Os predadores nos dão a mente deles que se torna a nossa mente. A mente dos predadores é grotesca, contraditória, taciturna e cheia de medo de ser descoberta a qualquer momento."

(...)

Os feiticeiros do México antigo ficavam facilmente doentes com a idéia de quando teriam feito seu aparecimento na Terra. Eles achavam que o homem deveria ter sido em certo ponto um ser completo, com insights estupendos e feitos de consciência que são hoje em dia lendas mitológicas. E então tudo parece desaparecer, e nós temos um homem sedado agora”.


O Lado Ativo do Infinito, de Carlos Castaneda - download do livro AQUI!.



De que maneira uma espécie pode dar a outra uma característica que lhe é própria?

Manipulação Genética (http://pt.wikipedia.org/wiki/OGM)


OGM é a sigla de Organismos Geneticamente Modificados, organismos manipulados geneticamente, de modo a favorecer características desejadas. OGMs possuem alteração em trecho(s) do genoma realizadas através da tecnologia do DNA recombinante ou engenharia genética.
Na maior parte das vezes que se fala em Organismos Geneticamente Modificados, estes são organismos transgênicos. OGMs e transgênicos não são sinônimos: todo transgênico é um organismo geneticamente modificado, mas nem todo OGM é um transgênico.
Um transgênico é um organismo que possui uma sequência de DNA, ou parte do DNA de outro organismo, pode até ser de uma espécie diferente.
Enquanto um OGM é um organismo que foi modificado geneticamente, mas que não recebeu nenhuma região de outro organismo. Por exemplo, uma bactéria pode ser modificada para expressar um gene bem mais vezes. Isso não quer dizer que ela seja uma bactéria transgênica, mas apenas um OGM, já que não foi necessário inserir material externo. Sempre que você insere um DNA exógeno em um organismo esse passa a ser transgênico.
OGM é, segundo o art. 3º, inciso V, da Lei Federal brasileira nº 11.105, de 24 de março de 2005, organismo cujo material genético (DNA/RNA) tenha sido modificado por qualquer técnica de engenharia genética, excluídos desta classificação aqueles organismos "resultantes de técnicas que impliquem a introdução direta, num organismo, de material hereditário, desde que não envolvam a utilização de moléculas de DNA/RNA recombinante ou OGM, tais como: fecundação in vitro, conjugação, transdução, transformação, indução poliplóide e qualquer outro processo natural.
Existe uma grande discórdia relativamente a este assunto, uma vez que os seus efeitos no Homem, nos animais e na terra ainda não são conhecidos a longo prazo. Assim, poderão resultar irreversivelmente na poluição genética da Vida, sem contar com o facto de os alimentos do mundo inteiro se encontrarem nas mãos de algumas multinacionais. A perda da soberania alimentar das populações é, então outro dos graves problemas da proliferação dos OGM.
Os defensores dos transgênicos argumentam que os transgênicos são usados com o objetivo de aumentar a produtividade e reduz o uso de agrotóxico. No entanto, uma matéria publicada na revista Valor Econômico no dia 23/04/2007 intitulada "Avanço da soja transgênica amplia uso de glifosato", revelou que o uso de transgênico amplia o uso de glifosato [1]. Além disso, um estudo na Universidade de Kansas, nos EUA, descobriu que a soja transgênica produz 10 por cento menos do que os alimentos convencionais e a própria Monsanto admitiu que "a soja não tinha sido projetada para aumentar os rendimentos" [2].


Não mencione os répteis


O programa de cruzamentos (via sexo e tubos de ensaio) é descrito nas Tabuinhas Sumerianas e no Velho Testamento (os Filhos de Deus que cruzaram com as filhas dos homens). Estas linhas híbridas humano-reptilianas carregam o código genético reptiliano e deste modo podem ser muito mais facilmente possuídas pelos reptilianos do nível mais baixo de quarta dimensão. Como veremos, estas linhagens tornaram-se a aristocracia européia e britânica e as famílias reais e, graças ao Grande’ Império Britânico, elas foram exportadas para o mundo todo para governar as Américas, África, Ásia, Austrália, Nova Zelândia etc... Estas linhas genéticas (indivíduos das linhas) são manipuladas para posições de poder político, militar, de mídia, bancário e negócios e deste modo estas posições são tomadas por reptilianos do mais baixo nível da quarta dimensão escondidos atrás de uma forma humana ou por mentes "marionetizadas" (mind-puppets) por estas mesmas criaturas. Eles operam através de qualquer raça, mas predominantemente a branca.

Como é bem sabido, há uma área no cérebro humano até hoje conhecida como o cérebro réptil. Dentro do cérebro é o segmento primitivo para qual todas outras partes são acréscimos. E, de acordo com o neuroanatomista, Paul Maclean, esta antiga área do cérebro é dirigida por um outro segmento pré-histórico que alguns neuroanatomistas denominam de complexo-R. (22) R é a abreviação para reptiliano porque nós compartilhamos isto com os répteis. MacLean diz que este Complexo-R desempenha um importante papel no comportamento agressivo, territorialidade, ritualismo e estabelecimento de hierarquias sociais’ (23). Este é precisamente o comportamento padrão dos reptilianos e seus híbridos humano-reptilianos como exposto neste livro. O astrônomo, Carl Sagan, sabia muitíssimo mais do que ele divulgava para o público e de fato ele consumiu muito de sua carreira guiando as pessoas para longe da verdade. Mas seu conhecimento da verdadeira situação casualmente vinha a baila, como quando ele disse: "...não faz bem de qualquer maneira ignorar o componente reptiliano na natureza humana, particularmente nosso comportamento ritualístico e hierárquico. Ao contrário, o modelo deve nos ajudar a entender tudo sobre o que os seres humanos são." (24) Ele acrescenta em seu livro, The Dragons Of Eden (Os Dragões Do Éden), que até mesmo o lado negativo do comportamento humano é expresso em termos reptilianos, como em assassinos de sangue frio. Sagan (o nome invertido forma a palavra Nagas, os deuses reptilianos dos índios do leste) claramente conhecia o assunto, mas escolheu não revelar abertamente o que ele sabia. Enquanto o feto humano está transformando-se em um bebê ele passa por muitos estágios que se conectam com os maiores pontos evolucionários no desenvolvimento da presente forma física. Estes incluem conexões com mamíferos não primatas, répteis e peixes. Há um ponto em que o embrião desenvolve guelras, por exemplo. O embrião humano é muito parecido com o dos pássaros, carneiros e porcos até a oitava semana quando ele segue seu próprio caminho evolucionário. Ocasionalmente as instruções genéticas falham em lembrar o último script e alguns bebês nascem com caudas. Estes são chamados caudal appendages (apêndices caudais) e se formam na parte mais baixa da região lombar. A maioria é imediatamente removida pelos doutores, mas em alguns países mais pobres onde tal assistência médica não está acessível, há pessoas que vivem por todas suas vidas com caudas. (25) Feromônio é uma substância secretada e liberada por animais para que eles possam ser detectados por membros de uma mesma espécie. Os feromônios na mulher humana e iguanas são um casamento químico (chemical match). (26)
O maior segredo do mundo, David Icke - download AQUI!

Reptilianos em Dulce

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Para quem acha que esta história de ETs reptilianos (intraterrenos seria o termo mais adequado neste caso) é fruto da mente transtornada da tribo dos conspiranóicos uma entrevista traduzida com o ex-chefe de segurança da base de Dulce, nos EUA.

Quando a verdade é absurda demais para os padrões de condicionamento mental impostos à maioria ela parece mentira.

A meditação é uma forma de revolução psíquica

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Texto longo mas de imenso valor para todos que se interessam pela espiritualidade, pela mudança comportamental e por uma revolução da consciência humana.

"Eis por que a meditação é uma forma de revolução psíquica. A crise está na psique e, portanto, tem de ser resolvida na psique."
Meditação e concentração

do livro "Meditação - Uma maneira de viver
de Vimala Thakar

Palestra realizada em Matheran, a 29 de novembro de 1971

Esta manhã, pediram-me para falar sobre a meditação. Como há pessoas nesta reunião que não estão familiarizadas com a oradora e com sua forma de expressão, com o seu modo de falar a língua inglesa, eu gostaria de pedir, logo de início, que sejamos muito cuidadosos com o uso das palavras e também com o ato de escutar. Cada palavra tem uma associação de idéias e de emoções. E extremamente difícil encontrar uma palavra, em qualquer língua do mundo, que não esteja impregnada de associações.

Ora, a palavra "meditação" tem uma variedade infinita de associações, e eu gostaria, portanto, de solicitar a todos que prestem atenção especial às conotações da palavra. Eu não vou usar a palavra "meditação" como derivada do verbo "meditar a respeito de", "meditar sobre". Na língua inglesa, "meditar" significa uma atividade mental ou cerebral na qual há uma relação de sujeito e objeto. Eu, um indivíduo, cogito acerca de, medito sobre algum objeto, algum ponto predeterminado por mim, ou por alguém mais, para mim. Nesse sentido, "meditar" seria focalizar a atenção exclusivamente sobre um ponto predeterminado, por um certo tempo, e envolveria esforço consciente para manter a atenção, para focalizar a atenção nesse ponto. Assim, as pessoas estão prontas a acreditar que a meditação é uma atividade mental para enfocar toda a atenção em algum ponto, e mantê-la ali tenazmente. Essa atividade mental deveria ser chamada "concentração" e não "meditação".

Na língua sânscrita, há duas palavras diferentes: dharana e dhyana. Dharana significa manter, conservar a atenção, cujo equivalente, em inglês, é a palavra concentration [concentração]. Procurarei traduzir para a língua inglesa as conotações do termo dhyana. Vou usar a palavra "meditação" como uma palavra paralela, em inglês, à palavra sânscrita dhyana.

Dhyana, ou meditação, é um estado de ser no qual existe uma percepção sem esforço, sem escolha, do que a vida é em si e ao seu redor. E, portanto, um estado de ser, não uma atividade. Há um mundo de diferença entre os dois. A pessoa pode desabrochar nesse estado de ser. Em outras palavras, a meditação é um modo de viver em atenção dinâmica, numa percepção dinâmica do que a vida é; é um movimento desinibido, descondicionado da consciência individual, em harmonia com o ritmo da vida universal.

Portanto eu gostaria de escoimar a palavra "meditação" de uma série de associações. Trata-se de um movimento não-cerebral, de um movimento da consciência individual, mas não do cérebro condicionado, não daquela parte do cérebro que é inibida pelo condicionamento através da educação, da cultura, da civilização e do conteúdo sócio-econômico da vida, O cérebro, que é um órgão físico - uma parte do organismo biológico-, é tão condicionado quanto o resto do organismo físico. Há padrões cerebrais de comportamento. Há uma espécie de corpo cerebral cristalizado- um corpo psicológico. Ele é invisível e se expressa através de palavras, através de movimentos físicos, etc.

A meditação é um movimento não-cerebral da consciência humana, em harmonia com o ritmo da vida interior, da vida exterior e daquilo que a cerca. Não pode ser um meio para um fim. A concentração pode ser um meio para um fim. A concentração pode relaxar os nervos, tranqüilizar a psique perturbada, criar um equilíbrio químico no corpo, estimular os poderes latentes da mente e experiências não-sensoriais. Tudo isso pode ocorrer através da concentração. E as pessoas que vivem numa sociedade altamente industrializada, experimentando uma tremenda fadiga nervosa todos os dias, vivendo sob uma variedade de tensões, de pressões neurológicas e químicas, sentem necessidade mesmo da arte da concentração para desenvolver poderes, adquirir experiências, afinar e elevar a sensibilidade, refinar e sofisticar os órgãos cerebrais. Se a pessoa deseja isso, pode seguir esse caminho. Tal concentração, resultando no desenvolvimento de poderes, pode não levar a uma transformação radical na qualidade de vida. Pode não ter nenhum valor para a base da nossa relação com outros entes humanos.

Portanto a concentração pode estimular poderes, experiências, tornar uma pessoa poderosa; e os que estão perturbados, os que estão cansados dos prazeres sensuais, os que vivem em segurança econômica e política gostam realmente de viajar e vagar no astral, no oculto , para obter experiências não-sensuais, para adquirir poderes transcendentais, e assim por diante. Trata-se de um jogo no mundo psíquico, e o espírito de aventura cria uma compulsão interna para buscar essas experiências. Não há nada de errado nisso, uma vez que a pessoa esteja bem esclarecida em relação ao fim que tem em vista. A vida é para aventuras e experimentações. A concentração não tem nada a ver com religião, com espiritualidade, com a descoberta da verdade, com meditação, com libertação ou Nirvana. Ela se encontra absolutamente na direção oposta -fortalecendo a consciência do eu, aumentando a sensibilidade da consciência do eu, alargando a esfera das experiências e aprofundando a esfera da penetração cerebral. Portanto a pessoa tem de esclarecer a própria mente sobre o que a meditação realmente significa. Não há o que romancear a respeito disso. Trata-se de uma transcendência do cérebro condicionado. Trata-se do despontar de uma pessoa numa dimensão de consciência inteiramente nova, onde o próprio experimentar chega a um fim; onde o experimentador, a consciência do eu, a consciência do ego, é mantida em completa inatividade; onde as fronteiras de tempo e espaço, nas quais a consciência do eu se move, de momento a momento, se desvanecem no nada; onde a dualidade chega a um fim e a relação fragmentária de sujeito/o b -jeto com a vida cessa completamente.

A não ser que sinta uma compulsão para descobrir o que está além da mente, a não ser que se sinta impelida para descobrir o que esta além do cérebro condicionado, o que está além do ato de observação e do observador, do pensamento e do pensador, do que está além do espaço e do tempo, do que está além de todos esses símbolos, do que está além das maneiras cerebrais de comportamento; a não ser que haja uma paixão inata para achar, para descobrir por si mesma, a pessoa não estará preparada para viver de uma forma meditativa.

A meditação é todo um modo de viver; não uma atividade parcial ou fragmentária. Não sei se existe uma maneira oriental ou ocidental de considerá-la. A vida não é nem ocidental nem oriental. A vida é pura existência. Ela apenas é. Os limites de raça, país e religião, as fronteiras de tempo e espaço são absolutamente irrelevantes para a vida e o viver.

E, então, sinto acaso uma compulsão para descobrir o que é tempo, o que é espaço e o que está além disso; o que é mente, o que é pensamento, e o que está além? Sinto acaso uma compulsão - não como uma reação às frustrações, aos insucessos ou desapontamentos da vida; não como uma reação à ambição aquisitiva, para obter algo diferente da aquisição material, econômica ou política? Se sé trata de uma reação às ambições, frustrações ou fracassos na vida, então a busca me conduzirá somente até onde me leve o impulso da reação. Eu terei de ultrapassar o ímpeto do desapontamento, da frustração, ou da ambição. E, portanto, absolutamente necessário possuir a chama pura, sem fumaça, da investigação, que é a compulsão para achar, para descobrir, para aprender, não para qualquer outro fim senão pela própria plenitude de descobrir o significado da vida; pela graça, pela alegria que está inerente a tudo isso.

Quando existe essa chama de indagação para aprender, para descobrir, para ver, paraprocurar, pela alegria em si, as inibições dos motivos, das intenções e ambições fenecem. Tal estado não-motivado é vitalmente necessário no começo do descobrimento. Como vocês sabem, cada motivo cria uma inibição e carrega um medo em sua própria sombra. Cada ambição carrega no seu ventre o medo do insucesso e da frustração. A pessoa tem que se preparar para o estado de meditação, para o estado de indagação pura. Uma investigação genuína é absolutamente necessária; este é um ponto a ser enfatizado ao máximo. A indagação não só elimina a inibição dos medos reprimidos, mas uma indagação genuína cria a flexibilidade da humildade - não a rigidez da ambição. A consciência do eu é muito rígida.

Assim, a brandura, a flexibilidade, que vão nos ajudar muito, serão imprescindíveis. O destemor não pode surgir, a não ser que haja a flexibilidade da humildade. Vocês sabem como as crianças são flexíveis e ternas. Todo o seu ser é uma chama de interrogação. Olhem para os seus olhos, seus movimentos; elas querem aprender e crescer. A humildade libera uma energia que não é nem física nem cerebral. Eis por que eu gostaria de chamar a atenção de vocês para a dimensão da humildade que acompanha uma busca genuína. A brandura, a flexibilidade liberam muitas energias latentes - a muscular, a nervosa, a glandular, a cerebral e a não-cerebral - que estavam enclausuradas e bloqueadas devido à rigidez da consciência do eu. Elas são liberadas no momento em que somos flexíveis no espírito de indagação, e desejamos conhecer, descobrir, aprender através dos olhos, dos ouvidos, do nariz, através de cada nervo do ser. Estar no estado de indagação é estar no estado de bem-aventurança, porque a indagação irá explodir na realização. A realização, ou a descoberta, nada mais é que o amadurecimento dessa indagação. A indagação e a realização não são duas coisas separadas. A pessoa é abençoada se está interessada numa indagação genuína, não numa indagação falsa, nem numa atração, fascinação ou excitação intelectual ou emocional. Não há excitação num verdadeiro pesquisador; há uma profundeza de intensidade, não a superficialidade da excitação entusiástica. A excitação, o entusiasmo, o estímulo das emoções e dos sentimentos perturbam o equilíbrio químico do ser. Portanto é preciso assentar a base correta desse estado de meditação, no qual o mecanismo físico e biológico da pessoa está em equilíbrio químico e relaxamento nervoso.

Eu me pergunto se vocês já observaram como as crianças, na idade entre 3 e 6 anos, e aquelas acima dessa idade, aprendem. Vocês as observaram nas classes, no lar, quando fazem os deveres de casa, o modo como se sentam, como tocam a lousa, a delicadeza, a flexibilidade e o desenvolvimento gradual e a manifestação da rigidez de seus modos, conforme elas vão avançando em anos? O pesquisador é como uma criança flexível eterna. Ele é vulnerável ao toque da vida, está exposto, de qualquer ângulo, à realidade da vida, sem qualquer mecanismo de defesa. Na criança, o mecanismo de defesa não funciona, exceto no nível físico; no nível psicológico, a criança está exposta às vibrações da vida. Do mesmo modo, o pesquisador está exposto às vibrações da vida.

Por certo, a meditação requer que a pessoa esteja sadia de corpo e mente. Ë por isso que a cultura ioga física, a ioga pranaiama - que ajuda a oxigenar o sangue - e as asanas - que ajudam a manter todo o corpo, os sistemas todos, muscular, glandular e nervoso, numa condição muito flexível e branda - são necessárias. O desabrochar numa dimensão não-cerebral é precedido pelo encontro com a mente condicionada, com a mente consciente, a subconsciente e a inconsciente; e não é fácil passar por esse encontro, a não ser que se tenha a força do aço nos nervos. Se não, a pessoa pode fracassar e o sistema nervoso pode ser destruído. Enfrentar face a face o conteúdo do subconsciente e do inconsciente, as discrepâncias, as deficiências e as deformações neuróticas em nossa maneira de comportamento não é fácil. É necessária uma força tremenda para passar por esse encontro. Eis por que é preciso assentar as fundações corretas e ter um organismo físico puro e saudável. Do contrário, o mais leve encontro pode excitar e provocar as lágrimas, a ansiedade, a dança ou o choro. Todos esses acontecimentos são causados pela incapacidade de o sistema nervoso suportar o encontro. Como temos que examinar tantas coisas em tão curto tempo, só lhes posso falar a respeito dos fundamentos.

Pessoas há que se precipitam em despertar poderes, sem equipar seus sistemas nervoso e muscular com a força da pureza, sem assentar a base de uma ordem interna. Elas se lançam a estimular poderes e experiências, seja através de drogas para a expansão da consciência, como o LSD, a mescalina e outras, ou cantando mantras, concentrando ou aceitando a ajuda de alguns tantras, e se viciam em shaktipat para estimular e despertar a kundalini e abrir os chacras. Qualquer que seja o caminho que sigam, se elas se lançam a estimular poderes sem equipar seu sistema nervoso com a força da pureza, elas se lançam em algo muito perigoso, nada científico. Por isso, a minha primeira advertência é: assentar as bases corretas. Precisamos descobrir se este corpo, este belo, complexo e magnífico instrumento que temos, encontra-se em estado de suportar a intensidade da meditação, desse movimento desinibido da consciência em harmonia com a consciência universal.

A intensidade desse movimento desinibido não pode ser comparada com a intensidade dos pensamentos e das emoções. Estes são movimentos cerebrais, são pulsações, e têm sido medidos e controlados. O movimento da meditação, o infinito movimento da vida, tem um impulso de natureza inteiramente diversa. t qualitativamente diferente do movimento de impulsos tais como o desejo sexual, o apetite, o sono. Os pensamentos, as emoções, os sentimentos têm o seu próprio movimento, o seu próprio mecanismo incorporado ao sistema, em reflexos biológicos. A meditação tem um "momentum" qualitativamente diferente dos pensamentos. É muito mais intenso; sua profundidade e sua intensidade não podem ser medidas pela mente. Eis a razão por que esta base da purificação de todo o sistema é absolutamente necessária; não num sentido puritano, mas com o auxílio de uma abordagem científica. Tudo isso tem de ser descoberto pela própria pessoa; não é possível padronizar regras e regulamentos para todos os seres humanos,

Tomando-se por assente que já se tenha conseguido isto, o segundo passo consiste em familiarizar-se com o movimento da mente. O movimento físico, ou a capacidade para o movimento físico, não constitui uma barreira no caminho da meditação, mas o movimento cerebral pode ser um obstáculo; assim, é preciso que se entenda o que é a mente. É preciso familiarizar-se com a anatomia da mente, com a química dos pensamentos e das emoções; como um pensamento se move; como os reflexos se movem, como eles controlam a nossa percepção, as nossas reações às situações, como eles governam as nossas relações com as outras pessoas. E para isso é preciso aprender o que é observação. Se eu sou um experimentador, então estarei envolvido no processo de experimentar e não serei capaz de vigiar o movimento da mente. Portanto e preciso aprender a ciência e a arte da observação: não interpretar, não analisar, não comparar, não julgar, mas ter a percepção do movimento da mente, da mesma maneira que temos a percepção do pôr-do-sol. Enquanto estivemos sentados por poucos minutos em silêncio, vocês devem ter notado o choro da criança. A mente resistiu a ele? Se a mente resiste, então há um atrito, e o atrito resulta numa reação. Assim, a resistência leva ao atrito e o atrito resulta em contrariedade, irritação, e então perde-se o estado de observação. Toda reação nasce de uma resistência. Não existe reação se não há resistência à vida; assim, não cabe resistir, nem experimentar, sendo a experimentação uma forma muito sutil de resistência. Notaram vocês, alguma vez, as resistências aos acontecimentos da vida? Eles são convertidos em experiências porque a emoção cria uma resistência, uma divisão. Vocês querem interpretar o acontecimento, identificá-lo, reconhecê-lo, avaliá-lo, dar-lhe um rótulo e pô-lo na memória, debaixo de uma categoria, a fim de que a experiência lhes seja útil para posteriores interpretações dos acontecimentos. A pessoa quer ter defesa, e as experiências são uma parte do mecanismo de defesa, da mesma forma que o conhecimento. A pessoa tem medo de se expor à vida, de viver num estado de inocência, de absoluta e incondicional vulnerabilidade ao toque puro da vida como ela é, e deixar que as respostas venham. A pessoa quer cultivar resistências, adquirir respostas em forma de experiências, guardá-las na memória, a fim de que possa abrir a gaveta ou o arquivo da memória, reportar-se a ele, logo que surge um desafio, e buscar a resposta condicionada. A memória é uma espécie de saldo bancário. Assim como as pessoas querem um saldo bancário na forma de dinheiro, elas querem um saldo bancário na forma de experiências; não importa se compram, se pedem emprestadas ou se roubam experiências!

Vocês notaram o crescimento desequilibrado do homem? Ele sofisticou o cérebro e perdeu a elegância da simplicidade; perdeu a capacidade de olharas coisas sem um motivo, inocentemente, sem converter o ato de observação e o objeto da observação em meio para algum fim. A elegância, a beleza da simplicidade e da inocência estão perdidas para o homem. A pessoa tem que florescer na vulnerabilidade, na ternura, na flexibilidade da meditação; então o homem será digno desse nome.

Hoje, todos nós nos tornamos desequilibrados. Eis por que existe tanta esquizofrenia. O homem vive mais ou menos num estado de neurose. Nossas respostas são inibidas, nossas percepções condicionadas. Não há espontaneidade na vida. Há apenas um processo mecânico de reação, de acordo com o condicionamento, a tradição, as ambições pessoais, os motivos, etc., etc. A beleza da ação está perdida. A espontaneidade também está perdida. Portanto hoje a meditação tornou-se relevante para a vida, para ajudar o homem a se descondicionar, para ajudá-lo a ver o quanto ele se tornou neurótico, para estimular nele o desejo de se desenvolver numa dimensão de consciência inteiramente nova.

Consequentemente, toda pessoa tem de aprender a observar os pensamentos conforme eles surgem, tem de devotar algum tempo a isso, sentando-se sossegadamente - se você se senta à maneira oriental ou ocidental, isso não vem ao caso. O único requisito é que a coluna e o pescoço estejam eretos, a fim de que o ritmo da respiração e a circulação do sangue não sejam perturbados. A pessoa tem de estar a sós, quieta, por algum tempo, para observar o movimento do pensamento, para entrar num estado de observação. Ela tem de aprender isso, porque, no momento em que se põe no estado de observação, o antigo hábito de introspecção, de avaliação, surge. Mesmo numa fração de segundo, o estado de observação pode ser dissipado; você se torna juiz, agente, experimentador. Dia a dia, a pessoa tem de se auto-educar. Chame você isso de disciplina, sadhana ou autocontrole, ou qualquer outro nome de que goste, o fato é que a pessoa tem de passar por essa educação de si mesma, aprendendo como observar. No começo, por uma fração de segundo, há o estado de observação e, então, o experimentador se intromete, e o estado de observação se dissipa. Isso acontece muitas vezes e pode continuar assim por algum tempo. Não é fácil esse estado de observação onde você não faz nada, onde você não está nem se abandonando, nem fazendo coisa alguma, nem ativo, nem inativo; onde a atividade mental dualista é mantida em suspenso e só a observação é ativa, não ocorrendo o mesmo nem com o agente nem com o experimentador. Então esse estado de observação começa a permear as horas de vigília. Se você está cozinhando, se vai ao escritório ou enquanto está conversando, o estado de observação permeia todas as atividades das horas de vigília.

Quando o estado de observação se mantém nas horas de vigília, a pessoa se torna constantemente cônscia, de manhã à noite, dos desafios objetivos - as árvores, os pássaros, os sons, os edifícios em volta e o tráfego que se move na rua. A pessoa se torna consciente da situação objetiva - intensamente consciente; atualmente, nós não estamos conscientes; não estamos atentos, mesmo quando tomamos as refeições, quando usamos as roupas; estamos simplesmente flutuando na espuma da desatenção, da distração, das perturbações; executamos apaticamente todas as atividades do dia, do sono, do despertar, e as coisas nos escapam. Estamos atentos somente para os nossos motivos, e, portanto, nossa percepção é desviada por esses motivos. Assim, a cada momento, é dada atenção apenas a uma parte da percepção; mas, quando o estado de observação se mantém, a sensibilidade aumenta e, de manhã à noite, você está muito mais atento do que antes.

Primeiro, não havia consciência do fato. A percepção e a atenção apareciam ocasionalmente a você. Agora você está constantemente consciente, constantemente atento, a atenção é intensificada, a sensibilidade é aguçada e se torna ágil. Você está a par do que está acontecendo exteriormente, bem como do que está acontecendo interiormente. Se o estado de observação não resultar nessa consciência ágil, na sensibilidade intensificada e na atenção acurada, então não estamos observando; estamos apenas passando para algum estado entorpecido de consciência. Isso não é observação, não é silêncio. A observação abre novas avenidas de energia, novas avenidas de atenção e percepção, de modo que o estado de observação, permeando as horas de vigília, resulta numa decolagem da consciência. Antes, tínhamos a percepção apenas de um fragmento do objeto, qualificado e modificado pelos nossos motivos, e as reações também eram condicionadas pelos motivos.

Agora, vejam o que acontece: a pessoa está a par da total unidade da percepção, sem motivo, sem inibição alguma. Você tem a percepção simultânea dos dois: para isso, tem de haver uma decolagem da consciência do estado anterior de desafio e reação. O impulso da mente subconsciente - de raiva, de ciúme, de repressões do pensamento, surgindo em forma de reações - está lá, mas ele perde o seu aguilhão, perde o poder sobre você de deformar e torcer as suas reações.

Se e quando o estado de observação permeia as horas de vigília, ele começa então a se infiltrar no que chamamos de sono. O estado de observação, que se infiltra até no sono profundo, que se infiltra através dos sonhos, é algo maravilhoso - estar consciente do sono, como você está das horas de vigília - e isso não é poesia, é um fato. Acontece mesmo. A meditação éo repouso do sono profundo nas horas de vigília. É uma percepção sem esforço, tanto do sono como das horas de vigília. As horas de vigília e de sono causam um movimento porque deixam de ser duas dimensões diferentes.

Consequentemente, o estado de observação é então mantido dia e noite, e somente quando ele se mantém assim é que o conteúdo do subconsciente começa a surgir e a dar sugestões, na forma de visões e de experiências diferentes. Contemos em nós o conhecimento e a experiência de toda a humanidade. Os psicólogos ocidentais, a começar por William James, Freud, Jung, Adler e James Martin, descobriram o que acontece nas camadas mais profundas da consciência. Toda a experiência e o conhecimento da humanidade, a despeito das raças, estão contidos na consciência individual. Quando o estado de observação se mantém, essas experiências brotam, manifestando-se, para serem expostas àsua atenção, à sua observação, enquanto os poderes ocultos da psique - tais como a clarividência, a visão de acontecimentos passados ou a de acontecimentos futuros, a telepatia, a leitura de pensamentos, etc. - começam a se manifestar. Todos esses poderes tornam-se possíveis. Essas exigências internas, não-sensuais, têm um tremendo efeito embriagador, muito mais do que quaisquer experiências sensuais. Trata-se de uma experiência sem a dualidade da relação sujeito/objeto. isso cria a ilusão de liberdade, você não tem de estar relacionado com qualquer coisa fora de você mesmo. O estimulo é interno, a experiência também é interna. Eis por que é tão embriagadora.

A descoberta das experiências ocultas e transcendentais resulta na libertação de novas capacidades, de novos poderes. A pessoa se torna poderosa. Seus olhos se tornam diferentes; o modo de ela andar é diferente. Existe nela uma nova força, um novo senso de libertação, embora não seja ainda a libertação - pois ainda está no âmbito da psique. E ia se torna qualitativamente diferente das outras pessoas e, na maioria das vezes, o estado de observação é perdido logo que ocorre o estimulo de novos poderes e experiências. O homem perde o sono. As conseqüências são demasiadas para ele, o sistema nervoso enfraquece e ele se curva novamente aos ditames da consciência do eu, da consciência do ego. A ambição volta. A lascívia passa a imiscuir-se nas experiências ocultas. Tal pessoa pode sacrificar qualquer coisa para satisfazer esse apetite. E perde o equilíbrio.

Manter o estado de observação enquanto se passa através das experiências não-sensuais é extremamente difícil. Para não sermos tirados do equilíbrio, precisamos da flexibilidade e da humildade de um pesquisador. Estou falando isso com grande agonia. Tenho observado, nos últimos seis anos, como as pessoas se entusiasmam facilmente, como se tornam prisioneiras das experiências psíquicas - jovens dos Países Baixos, da Califórnia, da Irlanda, da Noruega, do Nepal, do Japão, do Havaí -; quanto mal esse apego aos prazeres não-sensuais faz a elas! É a angústia de uma amiga sensível que está falando, não como uma critica. Também neste pais, com todas as suas associações espirituais, é o chamariz das experiências não-sensuais que tem atraído muitas pessoas para o oculto; assim, a pessoa tem de ser extremamente sensível, humilde e flexível para manter o estado de observação. Há que se passar através desse túnel; o encontro entre o subconsciente e o inconsciente é o túnel através do qual cada pesquisador tem de passar. Não há que suprimir essas experiências, mas deixá-las acontecer.

Quando a ternura do coração começa a fluir através dos olhos, chegou a estação chuvosa da pesquisa. Quando tudo começa a acalmar-se e a pessoa se sente desapegada internamente, é o outono e, assim, emocionalmente, há que se atravessar o ciclo completo das estações dentro de si mesma. Se a pessoa se fixa nas expressões do processo que ocorre ao passar através desse túnel, ou se se apega aos poderes da mente, então a indagação é sustada. Você não estará em condições de levar a indagação mais além. Portanto a pessoa precisa de toda humildade e toda delicadeza e, se a pessoa preserva e mantém assim o estado de observação, então não há mais nada a ser observado. Todas as experiências captam o impulso do subconsciente e o inconsciente se exaure. Ele aflora, manifesta-se e se exaure por si mesmo. As experiências de Jesus de Nazaré, de Gautama, o Buda, na índia, de Lao-tsé, na China, e de outros, sustentam esta verdade.

Essas experiências podem subir à camada superior da consciência. Há tão-somente que se observar, que olhar; olhar como se olham as nuvens do céu ao entardecer. Então, quando elas se exaurem através desse movimento, nada mais há para ser visto, nada mais para ser observado. O observador não tem mais nenhum papel a desempenhar, e fica inativo. Você não tem de fazer nada contra o observador. Quando o impulso das associações é exaurido, não resta nenhum papel para o observador desempenhar. A expressão final da consciência do eu entrou em inatividade e a pessoa se encontra no reino do silêncio. Até então, não há silêncio. No estado de observação, não há atividade e, no entanto, não há o silêncio como dimensão da consciência, porque a pessoa está observando, está no processo de observar; mas agora há uma dimensão de sHêncio no pensamento, na experiência, nas visões. O transcendental foi ultrapassado; a pessoa foi além do oculto. Isto é mais fácil de se dizer do que fazer, mas estou desenhando um mapa da coisa toda para vocês. Em palavras, isso é tudo o que se pode fazer. As palavras nada mais são que um meio de arrebatamento; se a pessoa apreende o seu significado, ela é arrebatada. Se é seduzida pelas palavras, não é arrebatada.

Portanto a pessoa está agora no reino do silêncio; não há consciência do eu no centro. Trata-se de uma consciência sem fronteiras, de uma consciência sem centro. O homem não pode fazer qualquer coisa agora. Existe apenas silêncio. Portanto a energia nas raízes de nosso ser - as raízes do ser estão no ponto central; a energia que estava dividida, espalhada e fragmentada em pensamentos e emoções em conflito, na dualidade de sujeito e objeto, de observador e observado, de experimentador e de experimentado - está agora no reino da não-dualidade; não mais fragmentada; ela está lá, no ponto fundamental, em sua inteireza, em sua totalidade, voltando a unir-se a si mesma em sua fonte. A energia não é estática. É um movimento infinito. Assim, pela primeira vez na vida do homem, é dada à totalidade da energia uma oportunidade para mover-se. Ela não tem de acompanhar o "momentum" dos impulsos, dos pensamentos, das emoções etc. de vocês. Agora ela está livre para expressar-se em sua totalidade.

Então, o silêncio começa a se mover, o silêncio começa a operar, a funcionar. Como não há movimento de dualidade do cérebro, do pensamento, da emoção, não há perturbação química no corpo, não há divisão nos nervos. O sistema nervoso entra em completo repouso e, quimicamente, há um equilíbrio. Isso é absolutamente necessário. Se o silêncio não resulta nisso, não é silêncio. É um pensamento desejoso de silêncio, e o ego está por trás, escondido em alguma parte; ainda está operando. Portanto a pessoa está quimicamente equilibrada e com os nervos repousados, e a totalidade da energia se move. Você verá como é essa totalidade. Somente a totalidade de nosso ser é que cura todas as feridas. Assim como a totalidade da energia se move em sono profundo, não perturbada por sonhos, da mesma maneira a totalidade da energia se move agora no estado de meditação. Energia é sensibilidade, é inteligência. Portanto a sensibilidade do ser total, não a sensibilidade do cérebro, do órgão físico, mas de todo o ser, a inteligência, como uma força, se torna operante. Hoje nós não sabemos o que é a sensibilidade, não sabemos o que é a inteligência. Conhecemos o intelecto, as funções cerebrais. A inteligência é um caminho de natureza diferente, um elemento diferente de vida. O movimento da energia total não pode ser descrito. Trata-se de um movimento na não-dualidade, de um movimento do ser inteiro.

Assim, a totalidade responde, percebe e elimina a divisão entre o indivíduo e o universo. A divisão ilusória, a divisão enganosa, criada pela consciência do eu, entre o individual e o universal, desaparece nessa dimensão do silêncio. Você não é nem o individual nem o universal: você é apenas vida. A totalidade da vida olha então através da totalidade dessa pessoa. O silêncio dos olhos responde através da totalidade dessa pessoa. A moldura de carne e ossos estará lá enquanto durar o impulso herdado, mas os movimentos dessa pessoa não são individuais, pois não são motivados. Chame-se a isso a imersão do indivíduo no universal. Não se pode descrevê-lo. O fato é que desaparece a divisão entre o um e os muitos, entre o interior e o exterior, entre o individual e o universal. A pessoa é, então, consciência sem esforço, sem escolha, do infinito movimento da vida. Vida é viver constantemente através do nascimento e da morte, através da dor e do prazer; a vida opera através do dia e da noite, a vida respira o tempo todo - o nascimento é a vida inspirando, enquanto a morte é a vida expirando.

A vida se move, então, além da dualidade. Este é o estado de meditação. Chame-o samadhi, se quiser, ou nirvana, se preferir. Tal pessoa torna-se então uma manifestação, em carne e osso, da unidade, da totalidade da vida, e para mim isso é a consumação do crescimento humano, O homem ainda não está maduro para ela. Ele aprimorou o corpo, o cérebro, mas tem que atingir ainda a maturidade da consciência que a meditação abre para ele. Atualmente, somos seres humanos apenas na forma, e não no conteúdo. A divindade para mim é a humanidade aprimorada e purificada. O homem tem que atingir a condição na qual venha a existir uma sociedade baseada no amor, na amizade e na cooperação, na ordem social, econômica e política, livre da exploração, da corrupção e da violência.

Eis por que a meditação é uma forma de revolução psíquica. A crise está na psique e, portanto, tem de ser resolvida na psique.

Quem não Ama a Solidão, não Ama a Liberdade

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Nenhum caminho é mais errado para a felicidade do que a vida no grande mundo, às fartas e em festanças (high life), pois, quando tentamos transformar a nossa miserável existência numa sucessão de alegrias, gozos e prazeres, não conseguimos evitar a desilusão; muito menos o seu acompanhamento obrigatório, que são as mentiras recíprocas.

Assim como o nosso corpo está envolto em vestes, o nosso espírito está revestido de mentiras. Os nossos dizeres, as nossas acções, todo o nosso ser é mentiroso, e só por meio desse invólucro pode-se, por vezes, adivinhar a nossa verdadeira mentalidade, assim como pelas vestes se adivinha a figura do corpo.

Antes de mais nada, toda a sociedade exige necessariamente uma acomodação mútua e uma temperatura; por conseguinte, quanto mais numerosa, tanto mais enfadonha será. Cada um só pode ser ele mesmo, inteiramente, apenas pelo tempo em que estiver sozinho. Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre.A coerção é a companheira inseparável de toda a sociedade, que ainda exige sacrifícios tão mais difíceis quanto mais significativa for a própria individualidade. Dessa forma, cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exacta do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Ademais, quanto mais elevada for a posição de uma pessoa na escala hierárquica da natureza, tanto mais solitária será, essencial e inevitavelmente. Assim, é um benefício para ela se à solidão física corresponder a intelectual. Caso contrário, a vizinhança frequente de seres heterogéneos causa um efeito incómodo e até mesmo adverso sobre ela, ao roubar-lhe seu «eu» sem nada lhe oferecer em troca. Além disso, enquanto a natureza estabeleceu entre os homens a mais ampla diversidade nos domínios moral e intelectual, a sociedade, não tomando conhecimento disso, iguala todos os seres ou, antes, coloca no lugar da diversidade as diferenças e degraus artificiais de classe e posição, com frequência diametralmente opostos à escala hierárquica da natureza. 


Nesse arranjo, aqueles que a natureza situou em baixo encontram-se em óptima situação; os poucos, entretanto, que ela colocou em cima, saem em desvantagem. Como consequência, estes costumam esquivar-se da sociedade, na qual, ao tornar-se numerosa, a vulgaridade domina.

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'

A questão da Loucura

sábado, 11 de maio de 2013

Permitam-me divagar um pouco sobre a loucura.


Já acompanhei esta questão algumas vezes.


Vi pessoas saindo da realidade convencionada.


O que caracteriza-se por loucura a meu ver é a perda da capacidade de retornar a estes paradigmas usuais, de integrar neste contexto que vivemos as descobertas dos estados mais amplos de consciência.


A sua colocação de liberdade como critério é interessante e real. Dharmicamente a loucura estaria na nossa crença no ilusório, na nossa tentativa de nos apegarmos ao mundo e as situações do mundo dando-lhe uma continuidade que na realidade não possui.


Me parece que a percepção da impermanência de tudo é um dos batentes da porta do despertar e o apego a qualquer coisa um dos grilhões mais fortes. Essa falta de liberdade é algo inquietante, profundo.


Trabalho com vários projetos educacionais e a idéia piagetiana que educar é fornecer subsídios para permitir ao ser tornar-se moral e intelectualmente autônomo fica terapêutica dentro dessa abordagem.


Um ser moral e intelectualmente autônomo é então um ser saudável? Alguém um dia me falou a respeito da colocação de certo lama sobre o equívoco de se confundir a mera loucura com algum tipo de iluminação. Creio que esta confusão vem do fato que ambos, o louco e o iluminado, deixaram os limites que lhes foram impostos enquanto entes perceptivos, isto é, ambos conseguiram ir além dos limites perceptivos que lhes foram impostos pelo sistema. A diferença que o louco afundou, apenas saiu desse espectro perceptivo e sem controle algum está a vagar por sensações e percepções confusas não integradas de outros mundos, enquanto o que desperta para a luz consegue de fato ampliar a percepção da realidade, integrando sua experiência num todo complexo, que parecerá por vezes desconexo a quem observa a partir dos paradigmas ainda limitados do que chamamos realidade.


Assim concordo que a semelhança entre a loucura e a iluminação é só aparente, por tratarem-se de estados onde a cognição opera fora das faixas convencionais, mas enquanto na loucura há uma imersão não integrada na totalidade, na iluminação há o atingir de um estado.


Opinião pessoal:


Fora do silêncio, estamos sempre na "falação", tão contaminada de preconceitos, condicionamentos, etc... etc... etc... que a verdade só poderia aparecer nesta lista na forma de computadores desligados, sem mensagens.


Mas dentro dessa "falação", talvez compense dirigir um pouco nossa atenção aos arquétipos místicos, se tentarmos juntar os pedaços, expor claramente que tipo de representação arquetípica o ataman, atma men, anataman, buda, isso ou aquilo, Nossa Senhora da Aparecida, etc... etc... etc... representam.


No fundo, do que se trata?


O que nos une é a pergunta mais difícil de responder, parece que preferimos enfocar as diferenças óbvias que nos distinguem.


Certa professora titular de cadeira de biologia na USP comentava que, vez por outra, obriga pesquisadores briguentos a usarem modelos matemáticos universais ao exporem suas teorias, em especial quando há claras divergências. Diz a mesma que é muito engraçado verificar depois dessa transposição que a briga acadêmica de meses termina quando os beligerantes (que chique...) percebem que estavam falando a mesma coisa...


Devemos avaliar com profundidade a qualidade dos termos que estamos usando e os sentidos efetivos que queremos dar, para evitar esses comuns mal entendidos.


Uma sugestão:


Existem dificuldades emocionais com pessoas que se dispõe a realizar meditação. Digo melhor, existem contra-indicações, existem vivências perigosas.


Gostaria de ouvir dos leitores se já tiveram experiência pessoal com pessoas que de algum modo "pioraram" ou "não toleraram" a meditação.


Este tema é interessante e já tive oportunidade de trabalhar muito com ele.


Todos os trabalhos mais sérios que conheço na linha de auto-desenvolvimento começam por uma reestruturação da psiquê.


Quando alguém se aproxima de um desses caminhos embasados para o auto-conhecimento noto que a escola procurada sempre expõe o (a) neófito (a) a um processo de reavaliação da própria vida e de como está agindo.


Paralelo a isso acontece sempre um trabalho de equilíbrio orgânico e psicológico. Certos exercícios, que noto enfatizarem o equilíbrio nas glândulas endócrinas e uma reavaliação muito similar a proporcionada por uma boa terapia são comuns a vários caminhos que estudei.


Daí que a pessoa só vai ser levada a lidar com estados alterados de consciência quando estas fases preliminares forem de fato trabalhadas.


Ai entra a questão. Meditar.


Encarando meditar como ampliar a sensibilidade ao aqui e agora não creio que existam contra-indicações.


Toda e qualquer psicopatia é antes de mais nada uma interpretação desequilibrada da relação com o aqui e agora. Concorda?


Assim levar o ser a perceber melhor sua relação com o momento pode ter um valor terapêutico imenso. Assim como um organismo doente não pode se alimentar de qualquer coisa como faria um corpo saudável, tendo que se submeter a uma dieta adequada ao tipo de enfermidade que padece e ao tipo de tratamento que está tendo, creio que uma psique muito desequilibrada também pode ser mais instabilizada por certas práticas, que a outros seriam no máximo inócuas.


Estudando a alquimia dos sufis aprendi que temos 3 tipos de alimento, o ar, o alimento sólido/líquido e as impressões.


O ar e os alimentos são óbvios, o que poucos percebem é que tudo que recebemos pelos 5 sentidos nos alimentam também. Esse triângulo de nutrição precisa ser mantido bem equilibrado. Qualquer alteração na qualidade e/ou quantidade de um dos 3 tem que ser compensada. Pranayamas, exercícios respiratórios alteram a entrada do ar em nosso corpo. Realizá-los sem a orientação de um expert é perigoso e pode ser danoso a saúde e ao equilíbrio. Alterar a qualidade das impressões também causa mudanças efetivas na nossa "química" corporal. Creio que a meditação atua diretamente aí, portanto ela pode de fato causar problemas a praticantes já com quadro anterior de desequilíbrio psicológico.


Entretanto sempre que aplicada por alguém experiente acredito ser antes um caminho de cura do que de desequilíbrio.


Paz Profunda!!!


Nuvem que passa

Loucura controlada

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Enfim, a loucura controlada implica em ser um palhaço consciente, um bobo profissional, sem nunca esquecer-se de seu papel, destituído de toda a auto-importância, dançando com a morte e assim logrando extrair o melhor de tudo e de todos - F.A.





Sonho de liberdade

terça-feira, 7 de maio de 2013

Hoje lembrei de um sonho onde praticava Passes Magicos ou Tensegridade, praticava com grande vigor uma das séries fundamentais e a mais antiga série praticada em conjunto pela linhagem de Don Juan: a masculinidade, quando uma compreensão muito clara e não meramente intelectiva explodiu em todo o meu ser, uma tradução conceitual desta percepção é a da liberdade como um poder de transcender as leis do universo e não de transgredir as leis do universo. O guerreiro não é um criminoso ou um marginal, ele usa da inteligência para superar a lei pela lei, ou dito de outra forma:

Os guerreiros não conquistam suas vitórias batendo suas cabeças contra os muros, mas ultrapassando os muros. Os guerreiros saltam sobre os muros; eles não os derrubam - Roda do Tempo, de Carlos Castaneda.