Obviedades pouco óbvias

segunda-feira, 2 de maio de 2016


O segredo de um xamã e de um mago não é ter poder para atingir certos objetivos concretos.


O segredo consiste simplesmente em acumular, manter e recanalizar este poder.

Há em cada um de nós poder suficiente para produzirmos estados xamanísticos de consciência. Basta redistribuir tal poder.

Tal poder é nosso brilho da consciência. É a nossa semente. Nosso sêmen. Nossa essência.

Pode-se traduzir poder por estado interior. Poder é a capacidade de acessar certos estados interiores que nos levam a acumular mais poder, poder sobre nós mesmos.

É o poder que permite a manifestação externa, seja de um aliado ou de uma situação.

Isto parece tão óbvio que chega a ser uma tautologia, mas é como algo que está tão próximo de nossa visão que não percebemos.

Um xamã, um mago visa a conquista de si mesmo, do estado interior correto para a manifestação adequada.

A primeira das posições a ser conquistada em si é a implacabilidade, saber que um é igual a tudo.

Tal conquista reflete-se no brilho do olhar, os olhos do intento, reflexo do brilho da consciência no corpo do xamã.

Ao invocar ou evocar certas forças buscamos o estado interior adequado para a manifestação pretendida, ou seja, a posição do ponto de aglutinação para a manifestação concreta adequada.

A magia do xamã é tornar-se um poder em sintonia com outros poderes. Podemos chamar isso de ALINHAMENTO. Ou de ressonância.

A falha do aprendiz ou do iniciante é não ter a PACIÊNCIA (inclusive consigo mesmo) e a persistência para fixar o estado interior adequado. Ao ver que a manifestação não ocorre de pronto o aprendiz entra, as vezes, num estado de frustração que sabota sua intenção.

A conquista de si mesmo, o domínio de certos estados interiores, a fixação deliberada do ponto de aglutinação, é um processo que pede disciplina, controle, paciência e senso de oportunidade.

Sejam pacientes consigo mesmos, tenham bom-humor, a vitória é certa para quem não desiste: intento inflexível.

Lembremos que para um xamã-guerreiro a vitória ou a derrota é menos importante que dar o melhor de si mesmo.

A energia equilibrada produz uma efervescência tranqüila, alegre, como uma vibração em nosso corpo, ao longo de seu centro, que dá inteligência para resolver problemas e em si mesma um prazer que por sua natureza é desconhecido da maioria. Nessa energia prazerosa e tranqüila ouvimos a voz de ver, nosso mestre interior, o próprio sussurro do espírito em nós mesmos.

Observação:

A importância das palavras e do silêncio é algo que precisamos compreender dentro do ensinamento do xamanismo guerreiro.

Seu uso adequado segue a dualidade entre tensão e integridade, relaxamento e tensão, que existe na Tensegridade. O silêncio e a palavra são as forças duais da arte da espreita, a arte do relacionamento, que permite que possamos extrair energia e poder em nossas interações cotidianas pelo conhecimento de nós mesmos.

Formular o nosso intento a partir do silêncio interior torna o nosso comando o comando que emana da própria Águia ou Espírito.

Sabemos que as palavras são o instrumento de poder do espreitador, o nagual expressa isso em O Poder do Silêncio, conforme:

"Primeiro o nagual Elias explicou a Don Juan que o som e o significado das palavras eram de suprema importância para os espreitadores. As palavras eram usadas por eles como cha­ves para abrir tudo que estivesse fechado. Os espreitadores, por­tanto, tinham de afirmar seu objetivo antes de tentar alcançar. Mas não podiam revelar seu alvo verdadeiro no início, de modo que deviam verbalizar as palavras com cuidado para esconder a intenção principal".

Até aqui as palavras do nagual Carlos Castaneda. É bom dizer que quando cito o nagual o faço dentro do espírito de respeito e admiração pelo mesmo e não por algum tipo de vaidade intelectual ou ostentação teórica.

As palavras daquele texto me foram vertidas dentro de um determinado estado interior, um alinhamento do meu poder com outro poder. Por mim mesmo ou em meu estado usual de consciência não as teria conseguido formular. E, contudo, aquele poder não era diferente daquilo mesmo que SOU. Refiro-me aqui a totalidade do ser, aspectos da consciência que qualquer um de nós pode acessar. Por exemplo, alguém que fosse adepto do espiritismo acreditaria estar mediunizando uma entidade, psicografando um texto. Não se trata disso. Como pessoas e poderes individuais estamos conectados a poderes muito mais vastos que nós mesmos, mas não temos consciência disso e não acreditamos que isso seja possível. Mas é.

F.A.

Ce la vie

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Qualquer semelhança não será mera coincidência: ce la vie.

Imagina que você fez um coliforme federal, está num mato sem cachorro, com a corda no pescoço pronto para ser engolido pelo cadafalso, bem no pelotão de fuzilamento parecendo não ter mais saída, aquele momento dramático onde o herói está literalmente fornicado e mal pago. A morte está sorrindo para você e te chamando de meu bem e a única coisa que você pode fazer é sorrir de volta. Aquele momento luminoso onde você percebe a luz no fim do túnel e trata-se de um trem.

É como na história do juiz sacana que desejando parecer misericordioso pede para o herói escolher entre dois pedaços de papel dobrados onde está escrito em ambos: CULPADO.

Sacou bem o drama?

Então, como por encanto a roda gira e você percebe uma oportunidade de escapar da situação. Mas você tem que ser preciso, esperto, astuto e você não tem nada a perder e tudo a ganhar... então você agradece, respira, promete não repetir velhos erros e arrisca... pois você tornou-se o Mago e a jogada para livrar-se de um destino tão terrível está em suas mãos.

Eis a história de cada um de nós que já nascemos neste mundo condenados como pecadores pela doutrina religiosa dominante que considera este mundo um mundo de prova, de expiação ou pecaminoso quando é justamente ao contrário, cabe a nós realizar a nossa própria salvação pela compreensão.

Conta uma antiga lenda que na Idade Média um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher.

Na verdade, o autor era uma pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.

O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado: a forca. Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.

O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem a morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência. Disse o juiz:

- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. Você sorteará um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. O Senhor decidirá seu destino, determinou o juiz.

Sem que o acusado percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca.

Não havia saída. Não havia alternativas para o pobre homem. O juiz colocou os dois papéis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.

O homem pensou alguns segundos e pressentindo a "vibração" aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papéis e rapidamente colocou na boca e engoliu. Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.

- Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredicto?

- É muito fácil - respondeu o homem -, basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei Engolindo o contrário. Imediatamente o homem foi liberado.

Com o Mago sucedendo a Roda da Fortuna nós temos a chance de realizar algo completamente diferente frente ao nosso destino se não formos eclipsados pelos nossos hábitos, fica esperto, não se repita, surpreenda, faça o novo, o inusitado! O passado é passado, não precisa ser reeditado, mude a faixa do disco, mude a si mesmo, surpreenda-se!

F. A.

O que é esoterismo? 3ª parte

sexta-feira, 8 de abril de 2016

A comprovação do poder das palavras, vibrações, pensamentos e intenções?


Eis uma possível metáfora visual da dualidade (aparente) esotérico / exotérico (olhando para o símbolo, criação nossa inspirada no trabalho Mensagens da Água do Dr. Masaro Emoto) vemos um cubo que surge das três linhas centrais do hexágono interno, e conforme olhamos para o ponto central, a singularidade, podemos ver o cubo por dentro ou por fora.

Qual a fronteira entre dentro (esotérico) e fora (exotérico)?

Isso não é um koan. Ou será?

Abaixo um vídeo bem esclarecedores sobre o trabalho do Dr. Masaro Emoto. O símbolo gráfico acima baseou-se no cristal formado na água pela palavra OBRIGADO.