As Testemunhas do Nagual - Prólogo

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O editor solicitou meu testemunho para um livro sobre Carlos Castaneda. Minha opinião é que já entreguei tudo o que podia em meu livro “Encontros com o nagual”. De maneira que, no lugar de lhe conceder uma entrevista, me ofereci para realizar o prólogo desta obra.


Antes de tudo, gostaria de felicitar aos participantes pela decisão de tornar públicas as memórias e experiências vividas com Castaneda. No meu modo de ver, essa é uma forma de lhe agradecer o que recebemos, e ao mesmo tempo reconhecer o titânico trabalho que ele levou a cabo para nos ajudar a tomar consciência de nossas possibilidades ocultas.


Carlos nos ensinou que somos livres para empreender nossa própria batalha pela evolução, e que o que importa é saber escolher em quais batalhas nos convém entrar e quais não. Nesse sentido, ele trabalhou ativamente, tentando nos convencer a aceitar o caminho dos guerreiros, o caminho da atitude impecável diante da vida. Também aplicou em nós técnicas que foram elaboradas pelos antigos feiticeiros do México para nos ajudar a apagar nossa importância pessoal, entrando num caminho de economia energética e auto-realização.


Um de seus ardis favoritos era nos cortar da lista de convidados. Creio que, a esse respeito, quase todos que estivemos próximos a ele temos nossas histórias. A minha aconteceu justamente no início de nossa relação, numa época em que eu andava buscando mestres para me orientarem. Sentia-me muito feliz de poder assistir a suas palestras, e também orgulhoso porque, de alguma forma, tinha ou acreditava ter um acordo secreto com ele.


Tudo aconteceu repentinamente, quando soube que Carlos havia estado no México e dado uma conferência na catedral, e eu não tinha sido avisado. O incidente se repetiu outras duas vezes.


Primeiro, tive uma terrível sensação de desconcerto, de abatimento. Lembro-me que passei longas horas conjecturando qual poderia ser o motivo pelo qual o nagual estava me dando as costas dessa maneira. Tinha eu feito algo de errado?


Um dia, bateram à minha porta e, para minha completa surpresa, era ele. Convidou-me a jantar numa churrascaria de que gostava muito. Enquanto conversávamos, queixei-me de que ele já não me chamava para suas reuniões. Ele riu, falou sobre o pássaro da liberdade, e me deu a entender que, se eu não levasse a sério seus conselhos, poderia perdê-lo para sempre.


Desde esse dia, aprendi a dar o melhor de mim no que quer que o nagual me sugerisse. Nunca lamentei essa decisão, já que me ajudou de forma determinante em meu caminho.


Meu conselho aos buscadores do conhecimento é que não sejam apenas guerreiros de escritório, envelhecendo ao som de contos de poder protagonizados por outros. Atrevam-se a experimentar! Carlos nos deixou seu conhecimento, nos presenteou com os exercícios de Tensegridade para preparar nossos corpos físicos e energéticos para o que virá, e nos disse que a liberdade não é um objetivo teórico, mas uma possibilidade real ao alcance da mão.


Ainda que não acreditemos em todos os postulados dos naguais, isso não tem nenhuma importância, porque o que nos liberta não são as crenças, e sim o fato de começarmos a agir, economizando energia e sendo impecáveis. Isso modifica tudo.


Uma das coisas que aprendi em meus passos por esse mundo é que cada um de nós é um bruxo em potencial, quer saibamos ou não. No mais profundo de nós há um ser que sabe com uma voz silenciosa. Já conhecemos o caminho, fomos testemunhas de eventos prodigiosos e basta recordá-los para recuperar nossa dimensão mágica.


Também aprendi que, para que nossa vida valha a pena, é preciso fazer dela algo especial, porque viver de forma medíocre e tediosa não é nosso destino. O que nos impede de dar um passo além do comum? O que importa é converter nossos sonhos em realidade, e viver a vida forte do guerreiro que tem um propósito e sabe como alcançá-lo.


Nunca é tarde para empreender a batalha pela consciência. Enquanto estamos vivos, sempre há uma possibilidade para retornar no caminho e reclamar de volta aquilo que por direito nos pertence: nossa plenitude energética, a herança guerreira, a capacidade de nos assombrar e maravilhar, para assim penetrar na aventura do desconhecido.


Tomar a decisão de aceitar os preceitos do caminho dos bruxos é somente a metade. Depois disso, vem o trabalho duro: nos transformar, de simples humanos, cheios de debilidades, em guerreiros impecáveis com pleno controle sobre si mesmos. Isso se consegue através de uma revolução interna, em que o ser que vai morrer luta destemidamente para cumprir com sua parte na tomada de consciência.


Deixo meu reconhecimento a cada um dos amigos que narram aqui suas histórias junto ao nagual. Carlos dizia que enquanto há memória, há consciência, e eu creio firmemente que, com esses relatos, não só estamos reconhecendo o que dele recebemos, como também contribuindo para o engrandecimento da obra que ele começou. Estou certo de que ele gostaria de verificar como seus aprendizes se põem de acordo para reconstruir “o mapa”, e empreendem um trabalho conjunto que só pode ser qualificado como o ressurgimento do nagualismo como um fenômeno social.


Agradeço ao Espírito por me haver dado a oportunidade de participar deste trabalho e poder compartilhar o conhecimento do plano cósmico para a evolução da nossa espécie. Vejo a chegada de um tempo quando o ser humano poderá buscar livremente, experimentar sem pressões e encontrar seu caminho neste labirinto de energia. Vejo nascer um homem novo, mais preocupado com seu destino como ser que vai morrer do que com as exigências da ordem social.


O nagual não morreu. Carlos partiu para essa fantástica viagem em que todos nós embarcaremos algum dia, mas o nagual permanece, posto que é imortal.


Com desejo de plenitude para todos,


Armando Torres.

Sonhos de Menino

O que sonha um menino? Em tornar-se homem? Em nunca crescer, como Peter Pan? Como diz o sábio e querido "aborrecente" J.P., meu enteado: "kids forever".

Ou será outro tipo de super-herói? O Homem-Aranha, o Batman ou o Super-Homem? Lembro-me que queria ser tão somente uma síntese triádica de Bruce Lee, Doutor Spock e Sidarta Gautama... modesto rapaz sou eu... afinal sonhar nada custa. Sonhos de menino. Mas quem alimenta esses sonhos? De que seios oníricos bebe o imaginário do menino? Da TV? Do pai? Da mãe?

E quando percebemos que esses sonhos não se realizaram, ainda assim sonhamos, fantasiamos e feito homens o que queremos, que tipo de heróis somos? Será que nos tornamos heróis ao realizar nossa virilidade saciando, satisfazendo, amando a mulher? Nos tornamos James Bond com licença apenas para amar? E será que o fazemos como deve ser feito? Ou somos como os heróis de filme de ação onde a mulher sempre morre e acabamos sós? Além de qualquer avaliação de performance, ficamos satisfeitos com o que somos? Sim, porque até quando a virilidade é desafiada ou falsamente sustentada pela pílula azul que heróis somos? Mas a questão parece ser justo essa velha: quem somos?

Excelente programa - Café Filosófico - que discute a identidade masculina, a construção social do macho. Os links estão disponíveis logo abaixo.

F.A.

"A psicanalista Ana Verônica Mautner fala sobre Os Sonhos de Menino – a ilusão dos garotos de se transformar em heróis e a frustração de crescer como homens comuns. Junto com o também psicanalista Contardo Calligaris comenta sobre o assuntoafirmando que são nas fantasias sexuais que os homens encontram uma maneira de realizar seu destino de super-herói. O ator Ricardo Bittencourt também participa do programa encenando trechos da peça "O Homem da Tarja Preta" que trata das expectativas elevadas dos homens e das frustrações que os acompanham".

Florinda, Taisha e Carol

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Trechos de uma entrevista com Florinda Donner-Grau, Taisha Abelar e Carol Tiggs por Concha Labarta Traduzido do Espanhol. Publicada inicialmente naMas Alla,em 1 de Abril de 1997, Espanha

Todas respostas foram dadas por Carol Tiggs, Taisha Abelar e Florinda Donner-Grau.

Pergunta: Assim como Carlos Castaneda, vocês foram alunas de dom Juan Matus e seus colegas xamãs. Entretanto, permaneceram no anonimato por vários anos, e só recentemente decidiram falar sobre seu aprendizado com don Juan. Por que o longo silêncio e a mudança de atitude?

Resposta: Antes de mais nada gostaríamos de esclarecer que cada uma de nós encontrou o homem que Carlos Castaneda chama de nagual don Juan Matus sob um nome diferente:

Melchior, Yaoquizque, John Michael, Abelar e Mariano Aureliano. Para evitar confusão, sempre o chamamos de velho nagual; não velho em relação a idade, mas sim no sentido de respeitabilidade e acima de tudo para diferencia-lo do novo nagual, Carlos Castaneda.

Discutir nosso aprendizado com o velho nagual não era de forma alguma parte da tarefa a qual planejou para nós. Por isso ficamos em completo anonimato.

A volta de Carol Tiggs em 1985 marcou uma mudança total em nossas metas e aspirações. Ela estava tradicionalmente encarregada de nos guiar através de algo que, para o homem moderno, poderia ser traduzido como espaço e tempo, mas que, para os xamãs do antigo México, significava consciência. Eles concebiam uma jornada através de algo que denominavam o mar escuro da consciência.

Tradicionalmente, o papel de Carol era guiar-nos na consecução dessa travessia. Quando ela retornou, transformou automaticamente a meta de nossa jornada particular em algo de alcance mais amplo. Eis por que decidimos sair do nosso anonimato e ensinar os passes mágicos dos xamãs do antigo México.

P: Os ensinamentos que vocês receberam de don Juan foram similares àqueles narrados por Castaneda? Se não foram, quais foram as diferenças? Como vocês descreveriam don Juan e suas companheiras e companheiros ?

R: Os ensinamentos que recebemos não foram em absoluto similares aos recebidos por Castaneda pela simples razão de que somos mulheres. Nós temos órgãos que os homens não tem: os ovários e o útero, Órgãos de tremenda importância. As instruções que o velho nagual nos passou consistiu de ação pura. Quanto à descrição dos integrantes masculinos e femininos do grupo de don Juan, tudo que podemos dizer neste momento de nossa vidas é que eles foram seres excepcionais. Falar deles como seres do mundo cotidiano seria insano para nós neste momento.

O mínimo que podemos dizer deles, eram dezesseis incluindo o velho nagual, é que se encontravam num estado de extraordinária vitalidade e juventude. Todos eram velhos, mas simultaneamente não o eram. Quando, sem ser movidas pela curiosidade ou pelo espanto, perguntamos ao velho nagual a razão do seu exuberante vigor, ele nos respondeu que o que os rejuvenescia a cada passa do caminho era sua ligação com o Infinito.

P: Enquanto várias tendências modernas sociológicas e psicológicas proclamam o fim do distanciamento entre o masculino e o feminino, lemos em seus livros que há notáveis diferenças entre homens e mulheres no modo pelo qual cada um dos sexos obtém acesso ao conhecimento. Poderiam explicar isso? De que forma vocês e suas experiências como companheiras femininas diferentes daqueles de Carlos Castaneda?

R: A diferença entre feiticeiros homens e mulheres na linhagem do velho nagual é a coisa mais simples do mundo. . Como todas as mulheres do mundo temos um útero. Temos órgãos diferentes dos existentes nos homens: o útero e os ovários, os quais, segundo os feiticeiros, nos facilitam a entrada em áreas exóticas da consciência. Os feiticeiros dizem que há uma força colossal no universo; uma força constante, perene, que oscila mas não muda à qual chamam de consciência ou o mar escuro da consciência e asseguram que todos os seres vivos estão ligados a ela. Eles chamam esse ponto de ligação de ponto de aglutinação, e sustentam que, devido a presença do útero em seu corpo, as mulheres tem facilidade em deslocar o ponto de aglutinação para uma nova posição.

Os feiticeiros acreditam que o ponto de aglutinação de qualquer ser humano está situado no mesmo lugar, 90cm atrás das omoplatas. Quando vêem os seres humanos como energia, os feiticeiros percebem este ponto como um conglomerado de campos de energia na forma de um ovo luminoso.

Feiticeiros dizem que desde que os órgãos sexuais masculinos são externos ao corpo, homens não tem a mesma facilidade. Portanto, seria absurdo para os feiticeiros tentar apagar ou encobrir essas diferenças energéticas. Quanto ao comportamento dos feiticeiros masculinos e femininos na ordem social, ocorre quase o mesmo. A diferença energética leva os praticantes de cada sexo a comportar-se de modos diversos. No caso dos feiticeiros, essas diferenças são complementares. A grande facilidade das feiticeiras em deslocar o ponto de aglutinação serve como base para as ações dos feiticeiros, as quais são caracterizadas por uma maior resistência e um propósito mais firme.

P: Lemos também nos seus livros que Florinda Donner-Grau e Taisha Abelar representam cada uma categorias diferentes no mundo xamânico. Uma é uma sonhadora e a outra, uma espreitadora São termos atraentes e exóticos mas muitas pessoas os usam de forma indiscriminada e interpretam a seu modo. Qual é o significado real de tal classificação? Quando se trata de ação, quais as implicações para Florinda Donner-Grau ser sonhadora e para Taisha ser uma espreitadora?

R: Como na questão anterior, mais uma vez, a diferença é simples porque é ditada por cada uma de nossas energias.

Florinda Donner-Grau é uma sonhadora porque desloca o ponto de aglutinação com enorme facilidade. Segundo os feiticeiros, quando se desloca o ponto de aglutinação, que é nosso ponto de ligação com o mar escuro da consciência, um novo aglomerado de campos energéticos é reunido , um conglomerado similar ao habitual, mas diferente o bastante para garantir a percepção de um outro mundo que não é o cotidiano.

O dom de Taisha Abelar como espreitadora é sua facilidade de fixar o ponto de aglutinação na nova posição para onde ele foi deslocado. Sem esta facilidade a percepção de outro mundo é muito fugaz, algo comparável ao efeito produzido por certas drogas alucinógenas: uma profusão de imagens sem pé nem cabeça. Os feiticeiros pensam que as drogas alucinógenas deslocam o ponto de aglutinação apenas de modo muito caótico e breve.

P: Em seus livros recentes, Sonhos Lúcidos e A Travessia das Feiticeiras , vocês falam sobre experiências pessoais que são difíceis de aceitar. Acessar outros mundos , viajar pelo desconhecido, contatar seres inorgânicos são experiências que desafiam a razão. Fica-se tentado a descrer por completo de tais relatos, ou de considerá-las seres que estão além do bem e do mal, invulneráveis à doença, a idade ou à morte. Qual é a realidade cotidiana de uma feiticeira? E como a vida no tempo cronológico se adequa à vida no tempo mágico?

R: Essa questão é muito abstrata e extravagante, Srta. Labarta. Por favor perdoe a nossa franqueza. Não somos seres intelectuais e não somos de nenhuma forma capazes de participar em exercícios nos quais o intelecto utiliza palavras que na realidade não tem significado. Nenhuma de nós, em hipótese alguma, esta além do bem e do mal, da doença ou da idade.

O que aconteceu conosco foi que fomos convencidas pelo velho nagual de que há duas categorias de seres humanos. A grande maioria de nós são seres que os feiticeiros denominam (pejorativamente, poderíamos acrescentar) “os imortais”. A outra categoria é a dos seres que vão morrer.

O velho nagual nos contou que , como seres imortais, nunca tomamos a morte como ponto de referência, e assim nos damos ao inconcebível luxo de viver nossas vidas envolvidas em palavras, descrições, acordos e desacordos.

A outra categoria é a dos feiticeiros, que nunca podem, sob qualquer circunstância, dar-se ao luxo de fazer asserções intelectuais. Se somos algo, somos seres sem nenhuma importância. E se temos algo, é nossa convicção de que somos seres que estão caminhando para a morte e que um dia teremos que encarar o Infinito. Nossa preparação é a coisa mais simples do mundo: nos preparamos 24 horas por dia para encarar esse encontro com o Infinito.

O velho nagual conseguiu apagar em nós nossa confusa idéia de imortalidade e nossa indiferença a vida, e nos convenceu de que, como seres que estamos caminhando para a morte, podemos ampliar nossas opções de vida. Para os feiticeiros, os humanos são seres mágicos, capazes de atos e realizações estupendas uma vez que se livrem das ideologias que os tornam seres comuns.

O que narramos são na verdade descrições fenomenológicas de feitos de percepção acessíveis a todos nós, especialmente mulheres, feitos ignorados em virtude do nosso hábito de auto-reflexão. Os feiticeiros afirmam que a única coisa que existe para nós seres humanos é Eu, Eu, e somente EU. Sob tais condições o único possível é o que se refere a MIM.. E por definição qualquer coisa que me diga respeito, o ‘Eu ‘pessoal , só pode conduzir à raiva e ao ressentimento.

P: A presença física de um mestre talvez não seja indispensável mas, em qualquer caso, é de grande ajuda. Vocês receberam instruções diretas de don Juan e de seus colegas para guia-las na feitiçaria. Vocês pensam realmente que esse mundo é acessível a maioria das pessoas, mesmo quando elas não têm um mestre particular?

R: De certo modo, a insistência em ter um mestre é uma aberração. A idéia do velho nagual era a de que ele nos estava ajudando a romper a dominação do Eu. Com suas piadas e seu aterrorizante senso de humor ele conseguiu nos fazer rir de nos mesmas. Neste sentido acreditamos piamente que a mudança é possível para todos, uma mudança similar à nossa, por exemplo, através da prática de Tensegridade, sem a necessidade de um mestre particular e pessoal.

O velho nagual não estava interessado em transmitir seu conhecimento. Ele nunca foi um mestre ou guru, e não poderia ter se importado menos em ser um. Estava interessado em perpetuar sua linhagem. Se ele nos guiou pessoalmente, foi para inculcar em nós todas as premissas da feitiçaria que nos permitiria continuar sua linhagem. Ele esperava que, algum dia, chegaria a nossa vez de fazer o mesmo.

Circunstâncias fora de nosso alcance, ou do dele, conspiraram contra a continuidade de sua linhagem. Em vista do fato de que não podemos arcar com a função tradicional de dar continuidade a uma linhagem de feitiçaria, desejamos tornar esse conhecimento acessível. Uma vez que os praticantes de Tensegridade não são convocados a perpetuar qualquer linhagem do gênero, os praticantes tem a possibilidade de realizar o que realizamos, mas numa trilha diferente.

P: A possibilidade de uma forma alternativa de morte é um dos pontos mais polêmicos dos ensinamentos de don Juan Matus. De acordo com o que vocês falaram, ele e seu grupo atingiram essa forma alternativa de morte. Qual é sua interpretação do desaparecimento deles, quando se transformaram em consciência?

R: Isto pode parecer uma pergunta simples, mas é muito difícil responder. Somos praticantes dos ensinamentos do velho nagual. Nos parece que, através de sua pergunta, você esta pedindo uma justificativa psicológica, uma explicação equivalente à explicação da ciência moderna.
Infelizmente não podemos dar uma explicação fora do que somos. O velho nagual e suas companheiras tiveram uma morte alternativa, que é possível para qualquer um, desde que se tenha a disciplina necessária.

Tudo que podemos dizer é que o velho nagual e seu grupo levaram suas vidas profissionalmente, o que significa que eram responsáveis por todos os seus atos, ate mesmo os mais pequenos, por que eram extremamente conscientes de tudo que faziam. Sob tais condições, morrer uma morte alternativa não é uma possibilidade tão distante.

P: Vocês estão prontas para encarar o salto final? O que esperam desse universo, o qual vocês entendem como impessoal, frio e predatório?

R: O que esperamos é uma luta infindável e a possibilidade de testemunhar o infinito, seja por um segundo ou por cinco bilhões de anos.

P: Alguns leitores de Castaneda criticaram-no pela ausência de uma maior presença espiritual em seus livros, por nunca ter usado palavras como “amor”. O mundo de um guerreiro realmente é assim frio? Vocês sentem emoções humanas? Ou dão um significado diferente a elas?

R: Sim, nós lhe damos um significado diferente, e não usamos palavras como “amor” ou “espiritualidade” porque o velho nagual nos convenceu de que são conceitos vazios. Não o amor ou a espiritualidade por si próprios, mas o uso dessas palavras. Eis sua linha de argumentação: se realmente nos consideramos seres imortais que podemos dar-nos ao luxo de viver entre contradições enormes e um egoísmo infindável, se tudo que conta para nós é a satisfação imediata, como poderíamos fazer do amor ou da espiritualidade algo autêntico? O velho nagual nos disse que a cada vez que somos confrontados com tais contradições nós a resolvemos dizendo que , como seres humanos, somos fracos.

Segundo ele, como regra geral, nós, humanos, nunca fomos ensinados a amar. Fomos ensinados apenas a sentir emoções gratificantes, pertinentes apenas ao Eu pessoal. O infinito é sublime e sem piedade, ele disse , e não há lugar para conceitos falaciosos, não importa quão agradáveis eles nos possam parecer.

P: Parece que a chave para expandirmos nossas capacidades de percepção reside na quantidade de energia que temos à nossa disposição, e que a condição energética do homem moderno é muito pobre. Qual seria a premissa essencial para armazenar energia? Isso é possível para alguém que tem que cuidar de uma família, trabalhar todo o dia e participar plenamente de uma vida social? E sobre o celibato como meio de economizar energia, um dos pontos mais controversos da seus livros?

R: O velho nagual nos disse que o celibato é recomendado para a maioria de nós. Não por razões morais, mas porque não temos energia suficiente. Ele nos fez ver como a maioria de nós foi concebido no meio de um relação marital monótona. Como um feiticeiro pragmático, ele afirmava que a concepção é algo de suprema importância. Ele dizia que se a mãe não foi capaz de ter um orgasmo durante o momento da concepção, o resultado era o que chamava de “transa chata”. Não há energia nessas condições. O velho nagual recomendava o celibato para os que foram concebidos sob tais circunstâncias.

Uma outra coisa que ele recomendava como meio de estocar energia era a dissolução dos padrões de comportamento que levam ao caos, tais como a incessante preocupação com o namoro romântico, a defesa do self na vida cotidiana, as rotinas em excesso e sobretudo a tremenda insistência nas preocupações do self.

Se essas sugestões são implementadas, qualquer um de nós pode ter a energia necessária para usar o tempo , o espaço e a convivência social de maneira mais inteligente.

P: Os passes mágicos da Tensegridade , aos quais vocês atribuem grande importância, são sua contribuição mais recente para os interessados no mundo de don Juan. O que a Tensegridade pode trazer aos seus praticantes? Ela pode ser relacionada a outras modalidade físicas ou tem suas características próprias?

R: O que a Tensegridade traz àqueles que a praticam é energia. A diferença entre Tensegridade e os outros sistemas de exercícios físicos é que o intento da Tensegridade é algo ditado pelos xamãs do antigo México. O intento é a liberação do ser que esta caminhando para a morte.

Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda: Juan Yoliliztli

los testigos del nagual[1]

Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda

_ Por que você usa o nome de Yoliliztli?

_ O nome que uma pessoa recebe dos seus pais nem sempre tem poder, a maioria das vezes é totalmente arbitrário. Em mim, por exemplo, puseram o nome do doutor que atendeu minha mãe. Portanto, Juan Yoliliztli tem muito mais poder e é para mim mais o meu nome, já que me foi dado por um ancião da tradição Nahua, como conseqüência de um evento de poder. Mas essa é uma história que contarei em outra ocasião.

_ Como foi que você conheceu Castaneda?

_ Eu havia lido todos os seus livros no Brasil, minha terra de origem. O que li me convenceu, porque era diferente de tudo quanto havia lido antes; a liberdade era uma meta real. Um dia, tomei a decisão de abandonar tudo e vir ao México em busca do conhecimento. E aqui estou. Não esperava conhecer pessoalmente Castaneda, pois o considerava um guerreiro inacessível. Mas, já no México, descobri que ele costumava dar conferências públicas, de modo que busquei uma oportunidade por todos os meios ao meu alcance.

Um dia, meu amigo Carlos Ortiz convidou-me a participar de uma conferência que o nagual ia dar no apartamento do pesquisador Jacobo Grinberg. Compareci ao encontro com Heiko, um alemão que tinha vindo ao México pelas mesmas razões que eu. Entramos no carro de Heiko e fomos para a casa de Jacobo.

Heiko teve uma idéia. Disse: “Vamos espreitar o nagual!”

Então, lá chegando, ficamos esperando na rua em frente, dentro do carro, durante longo tempo, para parecer que nossa chegada coincidia com a de Carlos. Porém, enquanto observávamos outros convidados que chegavam, passou junto a nós um carro. De repente senti a pressão de um olhar, virei a cabeça e lá estava Carlos, dentro do seu carro, olhando-me! Não sei como, mas soube de imediato que era ele. Ficou me olhando fixamente e depois estacionou o carro uns metros adiante. Corremos a nos reunir a ele.

Nesse primeiro contato aconteceu algo embaraçoso, que para mim foi um augúrio. Carlos vinha carregando uma cadeira. Eu, muito emocionado, quis cumprimentá-lo ali mesmo, na entrada do edifício, e Ortiz me sugeriu: “Ajude-o com a cadeira!”

Sinceramente, a mim não tinha ocorrido oferecer-lhe ajuda, já que, segundo o que havia entendido de minhas leituras, um bruxo não deve oferecer-se assim sem mais nem menos. Essa foi a primeira de uma longa lista de mal-entendidos que se deram entre o nagual e eu.

Depois disso, subimos pelas escadas até o segundo andar e chegamos a um aposento que já estava preparado para a conferência. Grinberg havia posto uma música de fundo ao estilo New Age. Chamou-me a atenção que Carlos, fazendo um gesto de desagrado, pediu-lhe que a tirasse. Procurei sentar-me bem junto dele, já que é uma premissa dos bruxos que, se duas energias estão suficientemente próximas uma da outra, ambas interagem e podemos aprender coisas mesmo sem palavras.

Para mim, essa primeira conferência foi algo extraordinário. Pela primeira vez o ouvi falar sobre o ponto de encaixe e vi os desenhos que Carlos fez em um quadro-negro, tentando nos explicar sobre o alongamento do ovo luminoso, uma manobra que os bruxos antigos faziam para ser imortais.

Falou da importância pessoal, e de como ela nos obriga a agir de formas alheias aos nossos interesses. Também se referiu à recapitulação.

Grinberg comentou que ele já estava recapitulando por escrito e que poderia talvez publicar suas anotações algum dia. Carlos fez uma série de comentários, dando-nos a entender que a recapitulação não tinha nada a ver com isso.

No meio da conversa, chegou uma moça loura muito simpática e sorridente que usava um penteado estilo punk. Carlos nos apresentou como Florinda Donner Grau, uma de suas companheiras, discípula de Dom Juan Matus. Por aquela época eu havia lido um livro de Florinda sobre questões antropológicas, mas ainda não sabia que ela havia conhecido pessoalmente Dom Juan. Junto com Florinda chegou outra senhora que se apresentou como Dona Soledad, bruxa curandeira, discípula da mestra Magdalena.

Terminada a reunião, ficamos conversando um pouco. Quando se apresentou a oportunidade, me aproximei de Carlos, dei-lhe a mão e, olhando-o nos olhos, disse: “Quero agradecer-lhe sinceramente por haver escrito seus livros, porque me serviram muito.”

Ele ficou me olhando fixamente, mas não disse nada.

Quando tive oportunidade, pedi a Florinda que me dissesse, como vidente, qual era minha classificação luminosa dentro do esquema do nagualismo. Ela ficou nervosa, desculpou-se e disse que ver tomava muita energia, que não era assim que se faziam as coisas entre os bruxos. Perguntou-me quem eu era e o que fazia. Contei-lhe que tinha vindo do Brasil e que fazia cinco anos que esperava uma oportunidade de conhecer Castaneda. Ela pareceu saber do que eu falava, pois exclamou: “Ah! É você?”

Disse-lhe que, enquanto esperava minha oportunidade, pus em prática as técnicas de espreita aprendidas nos livros de Carlos e me estabeleci no México como empresário do setor turístico. Ela comentou: “Oh! Um homem de ação, verdade?”

Ao sair do edifício, Carlos me puxou para um canto e me perguntou meu nome. Respondi: “Sou Eddy Martinelli, às suas ordens.”

Mas ele exigiu: “Não! Seu verdadeiro nome.”

Isto me surpreendeu, pois não havia dito a ninguém como me chamava na realidade. Senti-me um pouco incomodado, mas lhe disse meu nome de nascimento. Logo quis saber de onde eu era. Disse, e ele me perguntou: “Conhece essa canção?”

E em seguida cantou em português uma toada que, desditosamente, eu não conhecia. Tive que admiti-lo: “Sinto muito, mas não a conheço.”

Segundo creio, este foi outro augúrio. Conforme eu for lhe contando, você vai ver como, pouco a pouco, meu caminho se afastava do de Carlos.

A vez seguinte que o vi foi quando me ligou Fausto Rosales, o editor dos livros do nagual no México, e me comunicou que ia celebrar uma reunião na Casa Amatlán, um centro esotérico dirigido por Carlos Ortiz e Mariví de Teresa. Não vou me estender sobre o tema da Casa Amatlán, porque seguramente outros de meus companheiros têm mais e melhores histórias a respeito.

Saí voando do escritório e corri para o encontro. Encontrei o nagual sentado em uma mesa da cafeteria no térreo, comendo um pastel e tomando seu capuccino. Saudou-me com um aperto de mãos, mas quando retribuí fez um gesto de dor, como se eu tivesse apertado muito forte.

Enquanto comia, contou histórias para os que ali estavam reunidos, que não éramos muitos. Em certo momento, Georgina Silva, uma amiga pintora que nessa época morava num quarto ali, no fundo da Casa Amatlán, disse-me que Fausto me chamava ao telefone.

Corri para atender, perguntei por que ele não vinha e me respondeu que se mantinha à parte dos demais discípulos, e me pediu que avisasse ao nagual que tinha algo para dizer-lhe.

Desci rapidamente para cumprir minha tarefa, e levei Carlos ao quarto de Georgina, onde estava o telefone. Recordo-me de ter perguntado, em proveito de Geo, o que podia nos dizer sobre o Mescalito. É que ela era conhecida como “a filha de Mescalito”, e muitos a consideravam sacerdotisa do peyote. Aparentemente, Carlos pensou que eu estava pedindo permissão para me dopar, porque, de forma cortante, respondeu que esse não era o caminho, e que Dom Juan só lhe deu plantas porque ele era muito rígido. Acrescentou que nós não necessitávamos disso.

Olhei para Georgina como que dizendo: “Ouviu?” Mas, ao observar meu gesto, Carlos pareceu interpretar que eu estava zombando dele, ou pior ainda, que pretendia apresentá-lo a Georgina como um tronado que usava drogas.

Depois de o nagual atender Fausto rapidamente, Georgina mostrou-lhe alguns de seus quadros. Ele gostou muito de suas pinturas. Em seguida, teve uma curta conversa conosco e se justificou, dizendo que tinha um encontro em outro local, e logo iam buscá-lo.

Há tempos que eu discutia com Ortiz sobre a interpretação da obra de Castaneda. No meu entender, tudo o que ele dizia em seus livros era literal, mas Carlos replicava: “Não, Eddy, são metáforas.”

Pareceu-me que aquele era um bom momento para perguntar isso ao nagual, já que Ortiz estava lá, e assim o fiz, em voz alta para que ele ouvisse:

“Ouça, Carlos, o que você escreve é literal ou são metáforas?”

Notei, pela expressão de seu rosto, que de novo havia interpretado mal minha pergunta. Lançou-me um olhar fulminante e replicou em tom mal humorado:

“Claro que é literal! O que eu escrevo é o que é!”

Ao ir embora, despediu-se de todos nós. Estendi-lhe minha mão e ele a sua, mas me olhou com medo, como se eu fosse esmagá-la. Por brincadeira, toquei-lhe só as pontas dos dedos, fazendo de conta que o cumprimentava. Já na saída, disse-lhe que gostaria muito de poder falar a sós com ele. Assentiu e me respondeu:

“Com você quero conversar durante longo tempo.”

Depois entrou em um automóvel e uma pessoa que me era desconhecida o levou.

A ocasião seguinte também foi na Casa Amatlán. Dessa vez nos ensinou algo dos passes mágicos. Foi quando conheci Carol Tiggs, a mulher nagual. Nosso encontro foi muito interessante, pois, ao cumprimentá-la, ela me perguntou como eu me chamava. Disse-lhe e ela virou o rosto. Pensei que o fazia para que eu lhe desse um beijo, e o dei em sua bochecha. Mas ela me explicou que seu gesto tinha sido porque não escutara direito meu nome. Envergonhado, mas com um sorriso, repeti.

Depois quis saber como era o outro mundo. É que, segundo contava Carlos, ela havia permanecido lá durante dez anos. Ao escutar minha pergunta, Carol ficou nervosa e me disse, em mau espanhol, com forte sotaque americano, que era um lugar difícil de descrever, e que a única coisa que podia dizer é que lá as consciências se deslocam através de linhas de energia.

Quando ia saindo, convidei Carlos para dar uma palestra em meu escritório de turismo. Minha surpresa foi enorme quando aceitou e disse:

“Amanhã nos vemos lá às quatro da tarde.”

Quis explicar-lhe onde era, mas ele me disse que só desse o endereço que ele chegaria.

No outro dia estávamos todos ali, esperando-o. Heiko havia ido comprar umas folhas para o rotafólio, com a esperança de que o nagual escrevesse algo que ele pudesse guardar. Enquanto aguardávamos, não sei como ele apareceu do outro lado da rua, bem em frente a nós, acenando com a mão. Olhamo-nos atônitos, perguntando-nos: “Como ele chegou ali?”

Atravessou a rua e cumprimentou cada um de nós. Logo entrou em meu escritório e pediu permissão para usar o banheiro. Eu tive que dizer-lhe onde estava o interruptor de luz, pois ele não conseguia achar. Depois foi com Alex até a cozinha para buscar algo; quando alguém perguntou o que buscava, respondeu:
“Alejandro e eu estamos aqui buscando um passo para a liberdade.”

Só haviam sido convidadas umas dez pessoas, mas logo chegaram outras, entre elas Marcela Gálvez, conhecida como Malini.

Foi então que nos contou a história do Bacharel, que era um famoso locutor de rádio do México e de como lhe dizia:

“Mas, Carlos, se tudo isso fosse verdade, nós já o saberíamos.”

Aconteceu que depois de sua morte ele se apresentou a Carlos em seu corpo de energia implorando-lhe que desse uma oportunidade aos seus filhos.

Também se apresentou nessa ocasião Amy Wallace, a filha do famoso escritor, amigo de Carlos.

Pouco depois apareceu Manuel Zurita; Fausto havia me advertido que não o convidasse, já que o nagual não se dava bem com ele. Quando Manuel chegou, Carlos se virou para mim e me perguntou em voz baixa: “Você o conhece?”

Eu o conhecia, mas respondi que não. Não era minha intenção mentir, e sim explicar que eu não o havia convidado, mas as coisas saíram assim.

Durante a reunião, Carlos falou mal de Grinberg. Disse que era um egomaníaco incurável, que queria comer a Carol Tiggs e lhe havia enviado uma carta de amor de doze páginas de extensão. Carol rasgou a carta, e quando ele lhe perguntou, ela respondeu que não a havia recebido. Fez isso para ser delicada com ele, mas Grinberg havia tirado cópias de sua carta, e tornou a enviar!

Enquanto Carlos nos contava essas barbaridades, entrou na sala Jacobo Grinberg. Todos ficamos em suspense, mas o nagual, levantando-se da sua cadeira, deu-lhe um caloroso abraço e o convidou a sentar-se.

Nessa ocasião, nos contou que Dom Juan e seu grupo haviam ido à cúpula dos naguais, como quase todos os da sua linhagem; o único que havia conseguido saltar à terceira atenção foi o nagual Julian. Para que entendêssemos melhor sua explicação, fez uma comparação usando a tábua de uma mesa oval de conferência que havia na sala. Disse, assinalando o ponto central da mesa:

“Dom Juan chegou até aqui; eu estive além das bordas desta mesa.”

Terminada a conferência, observei que Heiko estava triste, pois o nagual não havia anotado nada nos papéis que ele havia preparado.

Em outra ocasião em que Carlos veio nos ensinar os passes mágicos, alguém me disse que se havia hospedado no Hotel Maria Cristina. Tomei nota do endereço e fui com Alejandro na hora do café da manhã. Nós o encontramos reunido com vários companheiros e companheiras. Eu só queria entregar-lhe alguns presentes que havia trazido de minha última viagem ao Brasil, e os reparti; ao nagual dei um chaveiro com uma cabeça de piranha. Depois saímos tão rápido quanto chegamos.

No fim de semana regressei ao hotel, sozinho e sem ser convidado, pois sentia urgência de falar com ele para tomar uma decisão. Calculei o horário no qual Carlos descia para tomar seu café da manhã, de modo que me apressei e cheguei justamente quando faltavam três minutos para as nove. Ele foi exato como um relógio; não esperei nem um minuto e o vi descendo as escadas. Ao ver-me, contorceu o rosto em claro gesto de desagrado, e me dei conta de que estava sendo inoportuno. Depois de nos cumprimentarmos, pedi desculpas por incomodá-lo e disse:

“Nagual, estou desesperado. Não sinto avanço nenhum no meu caminho e quero fazer algo, porque minha vida está se indo.”

Ele comentou:

“Calma, Eddy, calminha! De fato, você está melhor que todos os outros.”

Pensei que ele estava zombando de mim, pois eu me considerava o mais idiota do grupo. Insisti em afirmar que não me sentia nada bem. Nesse instante se aproximou Carol e Carlos perguntou-lhe, apontando para mim:

“Não é verdade que Eddy está com a energia muito boa?”

Ela me observou por um instante e depois disse:

“Sim, tem as fibras muito esticadas.”

De novo pedi desculpas por irromper em seu ambiente e comecei a caminhar em direção à saída. Carlos correu atrás de mim, me alcançou e me disse:

“Recapitule, Eddy, recapitule!”

Eu disse que o faria e me despedi. Na verdade, sentia-me algo ofendido pelo gesto de desagrado com que ele me havia recebido. Tive a impressão de que ele havia se aborrecido por ter sido pego em meio a uma de suas rotinas, já que a fortaleza de um nagual consiste em não ser previsível.

Daí em diante, tive que chegar aos encontros sem ser convidado. Estava consciente de que não era bem-vindo, mas ainda assim continuei indo às práticas e conferências.

Foi por essa época que ele começou a cobrar por suas palestras. Lembro-me que, como desculpa, disse que seu contador o havia feito assinar alguns papéis que ele assinou sem prestar atenção, e logo o sujeito sumiu, roubando-lhe tudo o que tinha. Por isso estava cobrando pelos seminários. Eu, que sempre fui um buscador desconfiado, comentei com meus companheiros: “Mas ele não é um vidente? Como não viu que o enganavam?”

O tempo mais longo que passei com Carlos foi no seu primeiro seminário em Culver City High School, um lugar próximo a Los Angeles, onde passamos quinze dias escutando-o manhã, tarde e noite. Cada um que assistiu ao seminário pagou dois mil dólares, e como éramos mais de mil pessoas, para todos ficou claro que se tratava de um muito bom negócio. Creio que foi a partir dali que realmente comecei a analisar o que estava acontecendo: mais do que entrar em um caminho de conhecimento e nagualismo, me deu a impressão de que estávamos sendo explorados como qualquer crente.

No seminário tentei cumprimentar Florinda, mas ela fez um gesto de negação, ainda que tenha me dado brevemente a mão. Mais tarde, no meio dos exercícios, decidi ir ao banheiro e passei perto dela. Chamou-me e me perguntou: “Que aconteceu com você, Eddy?”

Referia-se a um terrível acidente que eu havia sofrido pouco antes; mas preferi fingir que não entendia e repliquei: “Está tudo bem, obrigado!”

Perguntou se eu estava praticando a Tensegridade e respondi que sim, todos os dias. Ela repetiu, em tom de assombro: “Todos os dias?”

Tornei a repetir: “Todos os dias!”, e sem esperar que ela continuasse falando, dei-lhe a mão em sinal de despedida e fui para o banheiro.

O que lhe disse era verdade, por aquela época eu dedicava muito tempo e esforço a praticar os exercícios. Queria corroborar com total sinceridade o que havia lido e escutado.

Em determinado momento do encontro, Carlos nos contou que a mulher nagual havia recebido de presente um chicote e o havia transformado em um objeto de poder. Depois anunciou que ela ia nos envolver a todos com seu Intento, e nos pediu que baixássemos a cabeça e fechássemos os olhos, advertindo que, depois disso, já não seríamos os mesmos. Como então eu já me sentia meio incrédulo, nem baixei a cabeça nem fechei os olhos. Pude ver como Carol passeava pelo palco, açoitando a palma da mão com o chicote. Não aconteceu nada! Escutei alguns comentários de decepção em torno de mim, mas eu mesmo não me decepcionei, porque já não esperava nada do assunto.

Entretanto, tenho que confessar que também ocorreram coisas estranhas. Por exemplo, uma das palestras foi dedicada somente às mulheres. Aproveitei o dia para visitar um amigo que vivia um pouco distante dali, numa cidade em que existem cassinos. Quando cheguei, fui jogar em um cassino. Depois peguei o avião e voltei rapidinho para a conferência do outro dia. Assim que entrei, Carlos começou a falar sobre aqueles “guerreiros” que vão a cassinos. Senti que esfriava por dentro e fiquei bem quietinho.

Ele tinha esses momentos de intuição. Recordo que, em outra ocasião, antes de ir à conferência comprei um sorvete como os que eu gosto, de baunilha por dentro e chocolate por cima. Pelo caminho, fui saboreando com total desfrute o sorvete e o terminei antes de chegar. Não sei como o nagual percebeu, mas pôs-se a dizer:

“Tem gente que vem com sua merda de sorvete grandototote... e se põe a lamber assim!”, fez uma mímica exagerada, como um cachorro lambendo um osso. “O sorvete cai em cima deles e eles continuam lambendo, lambendo... até lamberem a si mesmos!”

O sinal definitivo de nossa ruptura teve a ver com uma reunião a que eu, por questões de trabalho, não pude assistir. No entanto, os dirigentes da Cleargreen debitaram a conta no meu cartão de crédito. Fui reclamar por essa irregularidade e me devolveram a metade do dinheiro, mas com má vontade.

Algum tempo depois, Carlos deu uma série de conferências no Pawley Pavillion de Westwood, a um custo de mil e quinhentos dólares a entrada. Dessa vez sim, poderia assistir, mas, quando ia pagar o boleto, as pessoas que estavam cobrando se afastaram um instante e voltaram com a resposta: “Você não é bem-vindo aqui”. Em seguida chamaram dois seguranças e me puseram para fora.

Este incidente me doeu muitíssimo. Passei uma época muito amargurado, com a mesma sensação que se eu houvesse rompido um noivado e muitas coisas tivessem ficado mal resolvidas. Eu só pensava e falava sobre o mesmo tema, porque para mim era impossível negar as experiências pessoais que havia tido a partir da obra do nagual. Mas, ao mesmo tempo, era claro que havia algo nas atividades e no desenho dos grupos que não funcionava bem.

Foi por esse tempo que recebi um dos maiores presentes que jamais me deram. Um dia, encontrei um companheiro de práticas chamado Armando Torres, e ele notou de imediato meu estado de abatimento. Contei a ele, e me sugeriu: “Por que não se faz responsável você mesmo por sua busca?”

Essa pergunta foi como uma ducha de água fria para mim, pois era verdade que eu havia posto todas as minhas expectativas em Carlos, como se ele fosse me salvar; em conseqüência, me sentia defraudado. Armando me fez ver que o nagualismo não tem nada a ver com um grupo de fiéis reunidos, esperando com a boca aberta que lhes lancem alguma migalha de conhecimento; que eu podia seguir adiante sozinho e sem a ajuda de ninguém.

Assegurou-me que nas ações dos bruxos não há nada pessoal, porque quem toma a decisão final é o Espírito, e me aconselhou a não julgar o nagual a partir do ser humano Carlos, já que isso era injusto tanto para Carlos quanto para o nagual.

Essas palavras me foram difíceis de aceitar, mas finalmente compreendi. Desde então me tornei mais livre. Em meio ao caos, encontrei uma base surpreendentemente sólida, onde o Eu é somente uma parte de algo infinitamente maior. Minha busca deixou de ser pelo pessoal e se transformou em um intento abstrato de bruxos.

_ O que pode nos dizer sobre o ensinamento de Castaneda?

_ Veja, Carlos é um nagual da liberdade. Sua obra está além dos juízos cotidianos. Não podemos chegar até ele como quem se acerca desses mestres que tanto abundam em nossa época. Se alguém não vai ao nagualismo como guerreiro, o mais certo é que saia ofendido.

Todo ser humano em algum momento pensa: “Qual é o significado de minha existência?” O que fez Carlos foi nos dar uma resposta a essa pergunta, que é tão antiga quanto o homem mesmo. E sua resposta foi: “O significado de sua vida é que você seja livre.”

A grandiosidade da lição de Carlos não é que desse explicações razoáveis ou que fizesse milagres. Ele não fazia aparecer coelhos! Mas punha você em situações nas quais tinha que decidir entre a conduta ordinária ou a conduta impecável. Deu-me elementos concretos para ser livre, e a primeira coisa que fez foi cortar a fascinação que eu sentia por ele.

Em uma ocasião esteve falando do transitório de nossa situação como seres humanos, e nos disse:

“A única coisa que conta para mim é poder deixar algo de valor ao meu irmão, o homem. Não me importa quanto tempo leve para vocês entendam o que é que estou fazendo, porque sei que chegará o dia em que o ser humano lançará fora seu jugo perceptual e será livre.”

A mensagem de Castaneda é que sejamos honestos conosco mesmos. Se você está buscando o conhecimento, investigue, experimente. Não espere nada, nem dele, nem de ninguém. Não engula as coisas que lhe dizem assim sem mais nem menos, busque suas próprias respostas. Se lhe dizem que um mais um são dois, vai e verifique-o, porque, de outro modo, você vai se transformar em um crente, e os crentes não têm futuro.

O nagualismo não é uma congregação de crentes, é uma aliança de experimentadores. Em uma ocasião, Carlos nos ordenou que queimássemos seus livros. Isso não significa queimá-los literalmente, como entenderam alguns; significa que devemos aprender a pensar por nós mesmos. A maior mensagem que o nagual nos deixou é: vocês são livres, pensem por si mesmos.

Nesse sentido, as obras de Castaneda são uma fonte incomparável de inspiração para mim. Há uma parte que me toca em particular, e é quando ele nos pergunta por que somos tão frouxos que ficamos esperando que outros venham fazer as coisas por nós. Que grande pergunta essa! Estamos facultados por natureza para ver que o mundo é um mistério: por que temos que esperar que outro nos venha dizê-lo?

O ensinamento de Carlos também tem uma dimensão social, já que a resposta que ele deu para o enigma de nossa existência tem a ver com o conhecimento acumulado durante milhares de anos por grupos de experimentadores da América pré-hispânica. É absurdo pensar que esse conhecimento tão antigo vai se deter só porque Carlos morreu. Não! O plano da consciência ultrapassa seus participantes.

Como nagual, ele nos traçou um caminho, agora depende de nós segui-lo. Tudo o que fez foi para ampliar a consciência, e isso não terminou, está mais ativo que nunca, apesar de algumas pessoas se sentirem ameaçadas por isso.

_ O que pode nos dizer sobre os cíclicos?

_ Esse é um ensinamento que poderíamos considerar “esotérico”. Carlos não o publicou, porque o reservava para o trato pessoal. Segundo o que entendi do assunto, os cíclicos são pessoas que nascem com o mesmo selo energético, com as mesmas configurações em sua luminosidade. Isso não significa que compartilhem a personalidade ou a alma, como supõem os crentes. Por exemplo, um nagual que tem quatro divisões em seu campo energético é cíclico do nagual anterior; do mesmo modo, uma guerreira do sul, que tem a energia um pouco opaca, é cíclica da que a precede, e assim sucessivamente.

Mas os seres humanos estamos normalmente tão misturados, que poucos de nós somos puros, não somos tonais plenos, porque não cultivamos o caminho do guerreiro. Pode-se dizer que não somos “puro sangue”, e sim híbridos. O trabalho de um homem comum e corrente é limpar-se de todas as misturas, de todas as contaminações, até que o pessoal diminua ao mínimo e o indivíduo comece a ser o reflexo do seu cíclico.

Os bruxos fazem isso deliberadamente, é a essência de sua preparação. Pode-se observar esse processo em Silvio Manuel, que começou com uma cor âmbar rosado comum e terminou com o âmbar mais puro de todos. A Gorda foi identificada a princípio como uma cíclica das mulheres do sul, mas, quando se purificou, mostrou ser cíclica das mulheres do norte.

À medida que o guerreiro avança em seu treinamento sua massa energética sofre mudanças. Por isso, os organizadores de um grupo têm que ser muito afinados, têm que ser videntes para determinar. É sumamente arriscado dizer a um aprendiz: “Você é uma sul, uma norte, um erudito...”, porque a energia muda com o trabalho. É por isso que Carlos não gostava de falar desses assuntos.

_ O que opina sobre os cíclicos especiais, que vêm a cada certo tempo com um nagual de três pontas?

_ Não tenho muito clara a função desses naguais. Entretanto, de acordo com a regra, para esse tipo de líderes existe um plano muito mais amplo que tem a ver, não com as particularidades de um grupo, mas com o tonal dos tempos. Esse plano inclui a raça humana em sua totalidade, mesmo que sem perceber. Todos nós somos partes da regra, ainda que não o saibamos.

Perguntei aos companheiros que estiveram mais próximos de Carlos, particularmente aqueles que o conheceram na época em que ele se relacionava com a tradição mexicana. E o que entendi foi que os antigos bruxos tinham um calendário que servia para muito mais que somente medir o tempo; era um sistema que abarcava a energia do planeta e do ser humano, e estava em harmonia com os ciclos dos tempos, o que dentro do nagualismo se conhece como a modalidade da época. Dizem que o advento de um nagual de três pontas acontece aproximadamente a cada mil anos. Os pré-hispânicos simbolizavam as mudanças cíclicas apagando seus fogos e reconstruindo suas cidades a cada 52 anos, em sinal de renovação total.

O grupo de um nagual de três pontas, como foi o caso de Carlos, é completamente atípico dentro dos cânones de uma linhagem. De fato, não é um grupo, e sim um intento desesperado de alcançar a liberdade pelos próprios meios. Os guerreiros que se agrupam em torno de um nagual deste tipo também são atípicos e, logicamente, pertencem a uma faixa especial da energia. A maioria deles manifesta características próprias dos naguais.

Nós, que o conhecemos e tratamos com ele, somos um reflexo de Carlos, não podemos evitá-lo. Portanto, nos devemos ao público e por isso estamos falando para todos. Acredito, como disse uma de minhas companheiras, que estamos imbuídos da energia do nagual de três pontas e irradiamos suas maneiras. Somos cíclicos de pessoas que viveram na antigüidade há mil anos.

O nagualismo está iniciando uma nova etapa; de alguma maneira, as coisas começam a tomar forma.

Carlos já o havia previsto: disse-nos que o novo milênio estará dedicado à consciência com uma força nunca antes vista; será uma época em que o homem buscará a si mesmo, afastando-se mais e mais do impulso do rebanho. Afirmou que era uma questão de tempo as pessoas começarem a se fazer perguntas e a experimentar.

A abertura do conhecimento provocou um giro da energia. Conheço vários grupos bem estruturados, que estão trabalhando com seriedade para aumentar o nível de consciência de seus integrantes e preparando-se para o salto final. Embora deva advertir que a tendência geral é de que a poeira se assente, para que se possa regressar às práticas do nagualismo clássico.

_ A que se deve seu interesse em publicar as memórias de Castaneda?

_ Nós, que participamos de reuniões e conferências dadas pelo nagual Carlos, temos o compromisso, perante outros buscadores que não tiveram essa sorte, de dar a conhecer o que ouvimos. Ele nos ensinou de viva voz seu conhecimento, e nos disse que não poderíamos restringi-lo como se fosse uma propriedade pessoal, porque isso atentaria contra o objetivo da liberdade.

Isso é algo que me custou muitos anos entender, mas, uma vez que o entendi, me senti comprometido.

Meu erro com ele foi ter sonhos, expectativas, tentar interpretar seu ensinamento de acordo com a imagem que fiz dele a partir da leitura de seus livros; idealizei o que devia ser um grupo de naguais. Já me via como parte do grupo, alguém que ia participar do intento coletivo para a liberdade.

E não foi assim!

Agora, com o passar do tempo, vejo que, com efeito, havia um plano para mim, e meu plano é apoiar a divulgação do conhecimento. Por razões que contarei em outra ocasião, estou envolvido com o ramo editorial, fazendo quanto esteja ao meu alcance para manter a memória de Carlos, e aproveitando para expressar-lhe meu eterno agradecimento por me haver ensinado o caminho da liberdade.

Ofereço a todos os discípulos e não discípulos do nagual, e a todos os que tenham alguma história para contar sobre ele, a oportunidade de publicar suas memórias. Eu mesmo penso em escrever algum dia com mais detalhes tudo aquilo que testemunhei.

[1] Tradução: Adriana Northrup

Notas sobre Recapitulação

O grande barato de recapitular é o fato de ao resgatarmos a nossa energia nossa consciência no aqui e no agora se faz natural e abundante.

Recapitular aumenta a lembrança de nós mesmos no dia a dia e assim permite uma melhor espreita de si.

O outro grande barato de recapitular é o fato psicológico muito simples e real de não termos mais preocupações, especialmente, a preocupação com o que pensam os outros, isso por que não temos mais tanto a energia dos outros em nós.

Recapitular nos torna conscientes de que tudo é energia. Inclusive essa mensagem, tão simples, feita aparentemente de bits e bytes.

Recapitular é viciante muitas vezes, pois a energia resgatada produz um aumento de energia que é muito prazeiroso de uma maneira sutil. É algo que faz você se aproximar daquela condição de completude que tínhamos quando éramos crianças.

Recapitular vai nos levar muitas vezes a nos defrontar com emoções que não saberemos precisar sua origem. Essas emoções surgirão e não conseguiremos de primeira precisar os fatos mais profundos que as detonam. Como os eventos que vivemos estão conectados entre si vai acontecer de ao recapitularmos um evento ele tocar uma fibra do nosso ser que remete a um evento mais profundo. Essa emoção desperta por um evento mais recente recapitulado, e conectado a um evento mais profundo, tornar-se-á uma camada de resistência, de mais difícil penetração. É importante dar continuidade ao processo. Uma emoção que surge aí, por vezes, é uma tristeza que não conseguimos definir a sua razão.

Recapitular eliminará o sentimento de solidão e tornará você mais sozinho, especialmente, com relação as pessoas associadas a sua socialização. Estar sozinho será reconfortante.

Para começar a recapitular de fato é necessário compreender que em nossas relações presentes temos nos relacionado muito mais com os fantasmas do passado do que com os seres reais que estão em nossa vida no momento. Descobrir isso produz um choque, uma sensação de quase horror, é como perceber que estivemos por muito tempo sonhando, nos relacionando com projeções ou efígies, quando pensávamos estar acordados.

Recapitular vai exigir de nós uma manobra paradoxal que é afastar dos outros estando com eles. Isso é espreita.

Recapitular produz uma sensação corporal que é muito particular. Sinto-a muitas vezes na altura do coração, como uma vibração. "A arte da espreita é o enigma do coração."

É fundamental começar o processo do fato mais recente ao fato mais antigo. Querer acessar memórias mais profundas é colocar-se numa situação onde não se tem energia para lidar com ela. Por não termos energia para lidar com ela certamente não vamos enfrentá-la, mas uma força externa a nós mesmos pode deflagrá-la.
Existe um risco em lidar com pessoas que tem muito mais energia do que nós. Nossa energia tenderá a se moldar pela dela e isso nos levará a vivenciar situações críticas de forma intensa. Seria bom se pudéssemos lidar com pessoas que tivessem o nosso nível de energia ou um pouco maior e que tivessem o propósito claro do Trabalho.
O nagual nos diz que a Tensegridade é a forma física da recapitulação. Eis alguns movimentos:
  • A série da cinco preocupações
  • O Homem que corre
  • Olinda
  • Os fundamentos
  • Longas Caminhadas em silêncio completo

Examinemos o seguinte fato ou façamos a nós mesmos a seguinte pergunta: Porque sonhamos mais facilmente com pessoas do nosso passado do que do nosso presente?
Há nos sonhos dicas de recapitulação importantes. Não é possível sonhar sem recapitular pois os sonhos estão cheios de ligações energéticas com o nosso passado.

Ao recapitular uma pessoa, caso ela seja uma praticante que já tiver recapitulado, você sentirá dificuldade em lembrar de seu nome e até mesmo das interações.
Uma pergunta, incômoda no início, deverá tornar-se uma obsessão para mais a frente desaparecer em você porque você mesmo fundiu-se a ela: o que eu estou fazendo agora está de acordo com meu propósito de liberdade de perceber?
Recapitular nos faz conscientes da flutuações de energia que a presença do outro nos causa.

O útero como orgão de percepção

quarta-feira, 29 de julho de 2009

EL ÚTERO COMO ÓRGANO DE PERCEPCIÓN

11
y 12 de diciembre de 1999, Westwood

Nyei Murez

Buenas tardes mujeres con matriz o úteros, quiero tomarme un momento para mirarlas.

Vamos a reconocer que hay una pequeña historia de una mujer que no tiene matriz. !No va a tener que irse! Es exquisito que esté aquí, porque tiene un propósito inflexible.

Quiero hablar1es del porqué estamos aquí hoy. ¿Como se sienten?, ¿como están?. Es muy bueno verlas a todas ustedes.

Estamos aquí porque tenernos matriz y queremos saber que es este equipo que tenemos, de modo que vamos a hablar del universo visible y del universo invisible.

¿Están sentadas en un sitio frío o en una colchoneta?, porque sino están enfriando su instrumento, su equipo. Yo quiero percibir con mi matriz. !Ayúdenla!.

Nosotras somos aprendices de los cuatro brujos que nos enseñaron los pases mágicos de tiempos antiguos y provenientes de los ensueños. A los cuatro brujos Carlos Castaneda, Carol Tiggs, Taisha Abelar, y Florinda Donner Grau se los enseñó el Nagual Don Juan Matus. Un Nagual es el líder natural de sus congéneres.

Los pases mágicos aquí enseñados son específicamente diseñados para activar la matriz.

¿Qué sintieron con los pases que ahora hemos hecho?, ¿ sintieron una limpieza?, ¿una tibieza?. Esta tibieza tenemos que mantenerla. ¿Sintieron desgarrones o apretones?, todas estas cosas son un cambio del punto de encaje.

Nunca se puede ver un grupo de esferas porqué cada uno de nosotros somos una esfera individual. Tenemos el punto de encaje que está detrás nuestro y es por donde interpretamos los datos sensoriales. Las mujeres podemos transferir el punto de interpretación a la matriz. Y la matriz toma el lugar de importancia. Tenemos los Seis centros vitales: hígado, páncreas, centro de las decisiones, renales y matriz, y la cabeza que cuando se puede silenciar la matriz ocupa su lugar y interpreta “lo” que viene del universo. Entonces hagámoslo de nuevo!!.

La gente dice: - Quiero hacer el tigre pero no tengo sitio. Entonces, adaptense al lugar donde estén . !Vamos a activar la matriz!.

Tienen que tener conciencia de la masa que nos ayuda a aprender los pases mágicos. Este, pero, es un viaje solitario. ¿Y porqué tenemos seminarios pues?, pregunta la gente. Este es un regalo de esto tiempo.

Nosotros encontrarnos que el numero de practicantes nos ayuda de un modo diferente. Somos seres luminosos individuales. Los videntes hablan de redistribuir la Energía, llevar Energía a la matriz.

Estarnos aquí navegando y por navegar entendemos mover el punto de encaje, de modo que podamos interpretar el mundo de otro modo. Somos viajeros, navegantes y ensoñadores. Estamos aquí porqué las mujeres que tienen esta enorme habilidad son indiferentes a esta capacidad. Están esperando a que alguien lo haga por ellas, alguien a quien agradar. Si pasábamos por desamparadas, el nagual no nos escuchaba y seguía con lo suyo, de modo que nosotras nos dábamos cuenta de que podíamos.

¿Qué nos impide ver?, ¿Qué nos impide ver a través del varón?. Vamos a activar la matriz y a explorar la serie de la matriz en profundidad y en detalle, y vamos a hacer un mapa de nuestro ensueño para que podamos despertar nuestra matriz.

Muchas gracias.

Nyei Murez

De modo que tomaron el sabor a otra sintaxis. Para los videntes es un modo de hablar otro idioma. Tenemos este vocabulario de los pases mágicos y podemos usarlo para comunicarnos. Vamos a hacer esta serie de la activación de la matriz hoy y mañana y vamos a hacer la serie de la matriz. Voy a disfrutar un momento: me dijeron: - hay un hombre!, hay un hombre!, y querían sacarlo a fuera.

Pero si es fantástico tener otra forma de energía por aquí!.

Queremos hacer lo que los videntes llaman pasar la niebla, Carlos Castaneda decía que las mujeres estamos nubladas. Nosotras no querernos oír esto. Los seres humanos están nublados. Que alivio no somos los únicos seres nublados!. Queremos identificar la niebla; ¿que nos detiene?. Una es nuestra complacencia.

Los videntes hablan del ojo depredador, estamos condicionados a ver solo con la perspectiva del depredador, o el interés propio. Queremos traspasar el interés propio. De modo que la matriz puede ayudar; hay momentos que tenemos esta percepción directa pero no nos damos cuenta. Queremos pasar la niebla de lo que el nagual llamaba fase depredatória.

Vamos a una conferencia y decirnos: - Oh sí!, era muy interesante!. No vamos al grano.

O bien hay algo nuevo y decimos: -! sí! ! sí! ya se de que se trata, yo ya sé !. Pues bien, los videntes queremos ir al grano.

Luego Darien Donner nos va a hablar del miedo.

Otra cosa es la competencia.. -!si! Yo quiero ensoñar pero siento que estoy trabada porque no tengo confianza en las demás mujeres. Si vas a la definición de la palabra competencia ves que está ligada con cinismo. A veces ni siquiera sabemos qué estamos diciendo al hablar de ella. sociológicamente esta palabra nos dice que es algo malo cuando en realidad es algo natural.

La evolución es mejorar en algo hasta que se pueda superar a los predecesores. Tenemos información pero no sabemos cual es el núcleo de la evolución. Para los videntes la evolución es intentar, nosotras estamos ligadas a esta fuerza, y tenemos la matriz para ello.

Por esto ¡despertémosla!

Darien Donner

Buenas tardes. Es un verdadero placer haber hecho los pases mágicos de la activación de la matriz. Soy Darien Donner y voy a hablar de estos pases mágicos que hemos hecho. Florinda me dijo que Taisha me enseñaría unos pases mágicos. Entonces fui a ver a Taisha que estaba trabajando en una computadora muy rara. Le pregunté que tipo de computadora era y me contestó que era una computadora del infinito. Ella siguió con lo suyo y yo me puse a observar, y yo no sabia si tenia que contarme algo o no. De repente la computadora empezó a moverse mucho, y la pantalla cambió de color; se puso amarillo verdosa, y Taisha dijo que el ordenador le decía que aquí hay alguien que tiene la cabeza muy ruidosa, y que aquí hay alguien que necesita ser rebobinada.

ah!, !tenemos que cambiar !. ¡ Sois demasiado ruidosa !.. ¿Ruidosa yo?, pero si yo no decía nada. ¿Porque me hablaba de rebobinar?.

Taisha se volvió a mi y me dijo que me daría algo para rebobinarme; para despertar la caja de la percepción. Y me enseñó la serie de la activación de la matriz que hemos estado haciendo. Y me dijo: - Del modo que tu te mueves es como una caja angulosa y cerrada; eres como una niña buena que quiere hacer las cosas bien. Sin la caja somos muy grandes; hacia los lados, a lo alto.… Vas a llamar al intento para despertar tu conciencia. Navegar es una cosa solitaria, tú eres la única que puede romper la caja.

El movimiento del punto de encaje. El movimiento del punto de encaje te puede asustar. Puedes volver a la caja o ensoñar. Tú sola eres la que puede poner piernas a tu ensueño.

Gracias.

Nyei Murez

Quiero hablarles de una pregunta que han hecho: ¿Si tú no tienes matriz como es que estos pases mágicos afectan?. Porque pueden aún así despertar la semillita que aun está allí. Igual que los hombres no pueden tener percepción directa pero pueden despertar esta semilla. Ellos tienen propósito inflexible.

Algunas de ustedes dicen que tienen dolor. La pregunta es:

¿Qué constantemente pueden hacerse estos pases?. La respuesta viene del cuerpo. Al cuerpo no se le puede dar más de lo que se le puede dar. Si tienen mucho dolor yo visitaría el doctor y ver qué. Al despertar la matriz queremos ver en qué estado esta este órgano. La energía de nuestro cuerpo cambia cada día. Primero debernos saber qué estamos comiendo. Estos pases mágicos la mayor parte del tiempo tienden a hacer sentir un cierto dolor o algo así. Esta bien que se paren. Es muy importante la sobriedad, debemos darle tiempo al cuerpo para absorber. Si sienten algún dolor no cepillen la energía; no toquen el cuerpo.

¿A que hora es mejor hacer esta serie?. Cada una de nosotras vemos y sentimos qué es lo que esta pasando.

Aerin Alexander

Mi nombre es Aerin Alexander y quisiera hablar de hacer un giro y ir hacia los sueños. Si podemos pasar la niebla que nos impide ver; la niebla de nuestro ruido interno y externo:

!Ah, tengo un cuerpo maravilloso! , que guapa soy yo!, ah, esto es Fantástico! , ah, es culpa de ella, yo no hice nada, ella, solo ella!, ah, si pudiera cambiar algo de mi cuerpo!, ah, soy la mejor!.. Podemos hacer una lista larguísima de estos sinsentidos. Es como los maestros de escuela que solo están pendientes de las chicas rebeldes de la última Fila y no se dan cuenta de los niños que sí están prestando atención. Lo que los navegantes quieren hacer es prestar atención a los niños de la primera fila.

Querernos despertar los sueños.

Los pases mágicos de la serie de mapear el cuerpo eran los predilectos de Amalia. Amalia era la contraparte del nagual Elias Ulloa. Ella podía recordar cada uno de sus viajes don de iba. A veces traía objetos de ese mundo, corno pañuelos con símbolos extraños, u otros objetos raros. De este modo ella creó un cuaderno de navegación de sus viajes al infinito. Al crear un mapa en nuestro cuerpo queremos recordar para tener registros de estos tesoros. De este modo estamos organizando nuestra historia personal.

Así podemos hacer un espacio en nuestro cuerpo para que pueda venir el infinito. Los videntes del México antiguo van a enseñar a hacer un mapa en el cuerpo y así cazan sus sueños.

Nyei Murez

Buenas noches seres de la matriz. ¿Como se sienten?. Aquí estamos con una luz suave. Muchas de ustedes tenían preguntas durante el intervalo: ¿De qué manera afecta la menopausia a la percepción de la matriz?.

Están entrando en una nueva posibilidad. Ya no hay el ciclo reproductivo. Antes de la menstruación hay una percepción, las mujeres con rnenstruación tienen esta posibilidad. - Del modo como abordemos el principio de la menopausia nos afectará cuando la tengamos. Lo mejor es chequearnos: ¿como interactuo con la gente?. Dicen los videntes que ¿porqué tenemos que esperar a la menopausia?, podernos tener una nueva percepción antes de entrar en la menopausia.

Con la menopausia de alguna manera salimos de la socialización. Estamos socializadas para esperar. Esperar a ver qué tenemos que hacer; esto es parte de la niebla.

Algunas preguntaban sobre el cortejo, mañana vamos a hablar de ello.

Nos dijeron que sienten una falta de competitividad. ¿Quién está sorprendida por esta falta de competitividad?. El Festejo y la competitividad están muy ligados el uno con el otro. En este seminario sienten que aquí hay un grado muy bajo de competitividad. Así que ahí está lo bueno.

Otra pregunta es: ¿las mujeres compiten por el hombre o compiten entre si?. No vamos a hacer estas generalizaciones sino que vamos a mirar muy para adentro nuestro.

Les pedimos que nos digan (que nos manden), como se sienten después de este seminario. Quisiéramos que escriban qué sienten sobre la menopausia. Los pases mágicos nos ayudan a traer conciencia de lo que nos pasa. Cuando con la menstruación estamos mal, decirnos: - son las hormonas,.. sin saber que estamos diciendo.

¿Donde están ubicados los cambios que sienten?, querernos que nos cuenten. El navegante quiere ser consciente de todo. El navegante capta el infinito porqué está preparado. Ensoñar las acciones es un trabajo diario, de cada momento. El linaje de Don Juan se terminó pero algo nuevo ocurrió. Sabemos de algunas cosas que han ocurrido, pero no sabemos qué va a cambiar si se despiertan juntos. Somos seres solitarios pero si están viajando al lado de una persona van a ver sus cambios, van a sentirse identificados o no. Cuando alguien capta algo, de repente todos captan lo mismo. Queremos saber sobre sus cambios perceptivos que hayan tenido. Y vamos a tener un teléfono para que ustedes llamen. ¿Que encontraran cuando se vayan de aquí?.

La conciencia de la luna y las estrellas. ¿Qué percibe la matriz de este vínculo con la luna y las estrellas?, Cada una de nuestras acciones se transforma en un acto mágico. Cada una de estas cosas pequeñas: un examen, una visita,… todo se hace con la máxima atención y con propósito.

Otra pregunta: ¿cuando nos van a enseñar a ensoñar? Carlos Castaneda nos hacia hacer cosas juntos. La atención de la vida diaria es la misma que la atención de ensueño. Revisen, recapitulen. Cada uno tiene que verse en su punto, Ponen todo su esfuerzo en algo pero suena una llamada y se distraen, Analicen: con qué temperamento estaba?, ¿de que color era la pared?, ¿en qué ánimo me sentía?,.. .y inspiramos y exhalamos. Se trata de ver las repeticiones. Somos perceptores y sin embargo no percibimos. La premisa de los brujos es que somos perceptores. La atención de la vida diaria produce la navegación.

Haley Alexander Van Oosten

Buenas noches. mi nombre es Haley Alexander Van Oosten. Vine esta noche para ofrecerles un mensaje de mi íntima Nuri Alexande; Blue Scout: el despertar de la segunda función de la matriz es tocar lo sublime. Es muy misterioso pero muy pragmático. Solo con escucharlo produce despertar la matriz.

Cuando los brujos hablan de disciplina no hablan de negarse a sí mismos, sino de sentir sorpresa y asombro de las personas con quienes interactuamos.

Hace un tiempo caminaba con Nuri por el desierto y dijo:

Ah,’, ¡el misterio de la luna!’ ¡Si’! ¡sí! ¡ la luna, la luna!.

La luna está en el cielo todo el día. Si dijo Haley pero es más bella de noche cuando una la puede ver. Nuri dio media vuelta y se fue. Haley se quedó sola en el desierto y no sabia como volver. Se puso a hacer dedo. Nunca había hecho dedo antes por lo que su dedo pulgar no tenía poder, y no pasó ningún coche. Se puso fresco y la luna aún estaba invisible, y recordó un gesto que Carlos Castaneda le enseño que significaba la matriz. Si alguna vez necesitamos matriz podernos hacerlo para que la conciencia de la matriz vuelva. Lo hacia allí en el desierto, pero nada pasaba, nada la jalaba para regresar a su habitación. miraba lejos y podía observar cosas raras, así que corrió a llamar a Florinda y le contó todo. Florinda no dijo nada, pero luego se puso a reír a carcajadas y le dijo que estaba loca: -!si yo no puedo conducir!. !Ah! voy a llamar a Taisha Ahelar! pero ella no podía y me dijo que llamara a Carol. Carol Tiggs le dijo ¡callate!. ye sé donde estás. En seguida yo ya me tranquilicé. Carol Tiggs la fue a buscar y enseguida le dijo que se fuera a dormir que estaba agotada. Que raro, que raro que aterricemos en la luna y sin embargo no sentimos la luna. Tú tienes matriz, tienes que sentir la luna. ¿Porqué están interesados los brujos en la función reproductiva de la matriz , dije yo. ¡ Ah, ya habla la loca!, dijo Florinda. ¿Quién te dice que los brujos estamos interesados en la función reproductiva de la matriz?.

La menstruación es cíclica y sigue los ciclos del universo. Haley se fue a su cuarto y sanó el teléfono. Era Taisha que le dijo: - Toma tu diario de navegantes (era donde yo anotaba mis excursiones) y escribe el diario de tu ciclo lunar. Haley no quena ir porqué sabia que esto le llevaría mucho tiempo. Taisha tenia su habitación llena da mapas de su navegación. Al final se fue al cuarto pensando que habría algo que no podría soportar. Escribió su diario: había momentos que se sentía agresiva, otras solitaria, otras que le gustaba estar con la gente, pero sentía que no lo hacia bien.

Taisha dijo que no hay una forma correcta. Formen un camino que sirva con el tiempo , con las estaciones, no hay bien ni ma1 en la energía de la matriz ella está siempre cambiando. La luna brilla a través de la neblina día y noche y nos puede ayudar a través de esas 25 horas diarias de atención.

Explorando este vínculo con la luna y las estrellas podemos movernos por el infinito.

Más tarde estudiando su conexión con la luna y su matriz, estaba de noche caminando con Nuri Alexander y de repente me dijo; -!Oh, oí que llamaste a Carol Tiggs!. ,¿porqué no me llamaste a mi que te viniera a buscar?. Y yo: -!Oh¡ ,es que… y Nuri dijo: -! Conecta con tu matriz!, Llamar la energía de la matriz es llamar la disciplina, y la disciplina es la maravilla del afecto abstracto que llena el universo y que ella ve reflejado en los rostros de los seres con quienes interactúa.

El mensaje de Scout: el despertar da la segunda función de la matriz es tocar lo sublime.

Vamos a hacer una forma para despertar el afecto y atención de la matriz que se llama Tocando Lo Sublime.

Nyei Murez

Antes de hablar de lo que vamos a hacer con el diario, vamos a hablar de la percepción de un zumbido en la matriz que han tenido algunas: es una sensación ideal para encontrar nuevas posiciones del punto da encaje y poder navegar.

Otras hablaron de una falta de confort; una incomodidad.

Quiero recordarles que con cualquier incomodidad que sientan se cuiden, descansen, no se afanen en hacerlo. Algunas de nosotras hemos sido educadas cono de “quejicas” Para limpiar la niebla tenemos que pasar de esas sensaciones cotidianas. Queremos salir del intento de fracaso, de sufrimiento y engancharnos con el intento abstracto…

¡Por favor no tomen notas!. ¡Nosotros les estamos hablando a su cuerpo energético! El nagual siempre estaba escribiendo ¡pero él quería ahorrarnos diez años!.

Ahora vamos a anotar en el diario de navegación durante 10 min. Acomódense en tiempo, tienen que ahorrar tiempo, no pueden complacerse en el tiempo.