‘Cesse todo desejo ardente;
deixe o mofo crescer nos seus lábios;
torne-se como um pedaço perfeito de seda imaculada;
deixe que seu único pensamento seja a eternidade;
permita-se ser como cinzas apagadas, frias e sem vida;
mais uma vez permita-se ser como um velho incensório num templo de um vilarejo deserto!’
Sekiso (Shih Shuang)
“Colocando sua fé nisso, discipline-se de acordo; deixe que seu corpo e sua mente se tornem um objeto inanimado da natureza como uma pedra ou um pedaço de madeira; quando um estado de imobilidade perfeita e inconsciência for obtido, todos os sinais da vida partirão e também todo traço de limitação desaparecerá.
Nem uma única ideia irá perturbar sua consciência, quando, de repente, você perceberá uma luz plena de total contentamento.
É como encontrar uma luz na mais profunda escuridão; é como receber um tesouro na pobreza.
Os quatro elementos e os cinco agregados não são mais sentidos como fardos; tão leve, tão natural, tão livre você se torna.
Sua própria existência foi libertada de todas as limitações; você se tornou aberto, leve e transparente.
Você ganha uma compreensão luminosa da própria natureza das coisas, que agora parecem a você flores deslumbrantes que não têm realidades palpáveis.
Aqui está manifesto o eu não sofisticado que é a face original do seu ser; aqui está desnuda a mais bela paisagem do seu local de nascimento.
Há apenas uma passagem direta, aberta e sem obstáculos em toda extensão.
É assim quando você renuncia a tudo – seu corpo, sua vida e tudo o que pertence ao seu eu mais íntimo.
É aí que você ganha paz, bem-estar, não fazer, um deleite inexprimível.
Todos os sutras (instruções) e sastras (livros) não são mais do que comunicações desse fato; todos os sábios, antigos e modernos, não exauriram seu engenho e imaginação por outro propósito a não ser o de apontar o caminho para isso.
É como destrancar a porta para um tesouro; quando se consegue entrar, cada objeto
que aparece à sua visão é seu, cada oportunidade que se apresenta está disponível para seu uso; porque, por mais que sejam numerosas, não são todas as posses obtidas no seu ser original?
que aparece à sua visão é seu, cada oportunidade que se apresenta está disponível para seu uso; porque, por mais que sejam numerosas, não são todas as posses obtidas no seu ser original?
Cada tesouro que existe está apenas esperando seu prazer e utilização.
É isso o que se quer dizer com ‘uma vez ganho, eternamente ganho, mesmo até o fim dos tempos’. Mas na verdade não há nada ganho; o que você ganhou não é ganho e ainda assim há algo verdadeiramente ganho nisso.”
