Operação Pandemia: a verdade por trás da gripe suína

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Destino

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Não é o destino mas a atitude diante dele que determina o sucesso.

Compreender o destino é compreender como nossas atitudes afetam o nosso presente.

Compreender o presente é a nossa chance de refazer nossa atitude frente aos desafios do destino.

Depois de anos estudando e praticando artes divinatórias como Tarot e Cartomancia perceber isso com tal clareza é uma surpresa maravilhosa.

Poder ajudar os outros e a si mesmo a perceber isso é um outro presente.

Sempre começo a "divina_ação" com uma pequena prece, que a Divindade possa me ajudar a ajudar os outros porque estarei ajudando a mim mesmo.

Olhando para a carta do destino, a Roda do Arcano 10 do Tarot, vemos no número, graficamente, o ser, o um, 1, diante da roda, o zero. É o ser diante do seu destino. Dez, 10, é o número da totalidade, assim, o ser diante do seu destino almeja a própria totalidade. Compreender o destino é compreender a si mesmo como participante da totalidade.

F.A.

Mitologia da Ayahuasca

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

A história dos índios Tukano – Primeira descrição - Dr. Ralph Metzner da Green Earth Foundation

http://nocastelo. zip.net/index. html

Os índios Tukano, da região Vaupés, na Colômbia, dizem que as primeiras pessoas vieram do céu numa canoa em forma de serpente, e o Pai-Sol prometeu-lhes uma bebida mágica que os ligaria aos poderes radiantes dos céus. Enquanto os homens estavam na Porta das Águas, tentando preparar a bebida, a primeira mulher foi para a floresta para dar à luz. Ela voltou com um rapaz que irradiava luz dourada, e ela esfregou o corpo dela com folhas.

Este rapaz luminoso era a planta trepadeira, e cada um dos homens cortou um pedaço deste ser vivo, que se tornou o seu pedaço da linhagem da planta. Numa variação deste mito pelos índios Desana (da mesma região), a canoa serpente veio da Via Láctea, trazendo um homem, uma mulher, e três plantas para as pessoas - mandioca, coca e B. caapi. Também a viram como uma oferta do Sol, uma espécie de contentor para a luz amarela-dourada do astro, que ensinou às primeiras pessoas as regras de viver e falar. (Metzner 2006)

A história dos índios Tukano – Segunda descrição - Dr. R.E. Schultes e Dr. A. Hofmann

Era uma vez, há muito, muito tempo, uma mulher que vivia com os índios Tukano, a primeira mulher da criação do mundo, que afogou os homens em visões. Para os índios Tukano o sexo é uma experiência visionária, durante a qual os homens são “afogados em visões”.

A primeira mulher engravidou do Deus-Sol, que a fecundou pelos olhos. A criança nasceu num raio de luz. A mulher, cujo nome era Yajé, cortou o cordão umbilical e esfregou o corpo do bebé com ervas mágicas que lhe moldaram o corpo. A criança tornou-se conhecida como Caapi, uma planta narcótica, e viveu até se tornar um homem velho. Ele guarda enciumadamente os seus poderes alucinógenos, a sua Caapi, a qual é a fonte do sémen dos homens da tribo Tukano.

O mito conta essencialmente a história de um casamento alquímico, no qual a mulher e o homem procuram a união com o Deus-Fonte, a força divina da criação do mundo. Por isso a experiência religiosa é sempre também sexual. Citando Schultes e Hofmann: Para o índio, “a experiência alucinógena é essencialmente sexual… torná-la sublime, passando do erótico, do sensual, à união mística com a era mítica, ao estado intra-uterino, é o objectivo final, obtido apenas por poucos mas desejado por todos”.

Mais mitos

Em “Encounters with the Amazon's Sacred Vine”, por L. E. Luna & S. F. White:

"A planta da ayahuasca tem a sua origem sobrenatural no tempo mítico: ou provém da união incestuosa do Pai-Sol com da sua filha, ou da sabedoria secreta do reino subaquático, ou do cadáver de um xamã, ou da cauda de uma serpente gigante que une o céu e a terra. Estas várias tribos índias acreditam que a planta visionária é um veículo que torna o primordial acessível à humanidade”.

"Um exempo deste fenómeno é o mito dos índios Desana (transcrito por G. Reichel-Dolmatoff) sobre a canoa-serpente que desceu da Via Láctea com os primeiros habitantes do mundo, que se transformou na canoa do rio de fogo que transportou o povo yagé (ayahuasca). "

"Foi uma mulher. O nome dela era Gaphi Mahso, a Mulher-Yajé. Foi no princípio do tempo, quando a canoa-anaconda desceu aos rios para espalhar a humanidade por toda a terra, que apareceu a Mulher-Yajé. A canoa chegara a um lugar chamado Porta das Águas, e os homens estavam sentados na primeira maloca (uma espécie de cabana central da aldeia), quando a Mulher-Yajé chegou. Ela pôs-se em frente da maloca, e ali deu à luz o seu filho; sim, foi ali que ela deu à luz.

A Mulher-Yajé pegou numa planta e com ela limpou-se a si e ao seu filho. A parte de baixo das folhas desta planta é vermelha como o sangue, e ela pegou nestas folhas e com elas limpou a criança. As folhas eram de um vermelho brilhante, assim como o cordão umbilical. Esta era vermelho e amarelo e branco e muito brilhante. Era um grande cordão umbilical. Ela é a mãe da planta de yajé".

Gentilmente enviado pelo Marcelo Bolshaw Gomes

Homenagem à Xangô e à Iansã

quarta-feira, 26 de agosto de 2009



Auto-Hemoterapia versus H1N1

Recomendo também ver o vídeo do post anterior.

A Semente de Mostarda

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Certa vez, quando o Buda discursava, uma mulher de nome Kisa Gotami correu para ele em grande desespero. Em seus braços carregava uma criança. A mulher prostrou-se aos pés do Buda:


"Senhor eu vos imploro, dê-me um remédio para meu filho".


Contudo estava visível que a criança já estava morta. Kisa Gotami havia ficado louca de dor e desvairada carregava o cadáver da criança para onde ia. O Buda ficou em silêncio por algum tempo. Em seguida ele disse:


"Se você quer a cura da criança traga-me uma semente de mostarda da cidade, mas tem uma condição. A semente de mostarda deve ser encontrada em uma casa na qual ninguém tenha morrido."

Kisa Gotami correu para a primeira casa e perguntou:



"Pode me dar uma semente de mostarda para que eu possa dar como remédio para meu filho?"


"Claro que posso."


"E já morreu alguém nesta casa?"


"Ah! Sim", responderam. "Já morreram muitos."

Na próxima casa ela perguntou:


"Esta casa está livre da morte?"


"Certamente não"


Responderam. "Já morreram muitos nesta casa."


Em todos os lugares a resposta era sempre a mesma. Os vivos eram poucos mas os mortos eram muitos. Então Kisa Gotami sentou-se descansada e sua mente foi se tornando calma. Ela pensou consigo mesma:


"Será sempre a mesma resposta em toda casa. O Buda sabia que seria assim".

E ela saiu da aldeia e foi para o cemitério. Ela enterrou a criança e pronunciou as seguintes palavras:


"O que é verdade para a aldeia é verdade para a cidade; O destino dessas pessoas não é somente delas. É para todo o mundo, inclusive para os devas no céu. Esta verdade é imortal: todas as coisas têm que morrer".


E então Kisa Gotami procurou o lugar onde o Buda estava meditando; prestou-lhe homenagem e disse:

"Senhor, o trabalho da Semente de Mostarda está feito."

Três histórias de Nasrudin

domingo, 23 de agosto de 2009

Nasrudin é um mestre sufi do século XIV que ensinava através de histórias e anedotas, que se assemelham de alguma forma as histórias zen pelo seu desfecho paradoxal, inesperado e com um toque de humor.

EM MIM

Um
monge disse a Nasrudin: "Sou tão desapegado que nunca penso em mim, só nos outros".


Nasrudin respondeu: "Sou tão objetivo que posso ver-me como se eu fosse outra pessoa; assim, sou capaz de pensar em mim".


O CÉU E O INFERNO.


Mullá Nasrudin sonhou que estava no céu e que tudo a sua volta era muito bonito e fácil. Só encontrava beleza e não precisava fazer esforço para nada, bastava desejar uma coisa - qualquer coisa - e ela aparecia.


Nasrudin tinha tudo o que queria e estava super-satisfeito, os milagres aconteciam sempre que desejava. Foi bom demais por algum tempo, até que ele começou a se entediar, deixou de achar graça naquela vida. Aí resolveu procurar algum problema, qualquer situação que lhe aborrecesse ou até lhe fizesse ficar deprimido, porque já não suportava mais tanta maravilha. Não encontrou nada que lhe perturbasse. Passou a procurar um trabalho para fazer, uma responsabilidade qualquer e não havia nada, porque era perfeito.


No seu sonho Mulla Nasrudin gritou: - Não agüento mais! Estou cheio de não fazer nada e de ter tudo! Preferiria estar no inferno!


E uma voz lhe respondeu: - E onde é que você pensa que está?


Por isso é que é isso: o céu e o inferno não são localizados geograficamente; mas emocional e psicologicamente. Cada um faz seu céu ou inferno no seu espaço interior. No momento em que você compreender que o céu ou o inferno estão somente dentro de você, poderá mudar inteiramente a sua vida. Enquanto não compreender, não haverá transformação.


O ANÚNCIO

Nasrudin postou-se na praça do mercado e dirigiu-se à mutidão: "Ó povo deste lugar! Querem conhecimento sem dificuldade, verdade sem falsidade, realização sem esforço, progresso sem sacrifício ?"

(Poderíamos colocar: vida sem morte, morte sem vida, transformação da consciência sem a consciência da transformação)

Logo juntou-se um grande número de pessoas, com todo mundo gritando: "Queremos, queremos!"

"Excelente !, disse o Mullá. "Era só para saber". Podem confiar em mim, que lhes contarei tudo a respeito, caso algum dia descubra algo assim."

A consciência da morte

sábado, 22 de agosto de 2009

Durante anos, a necessidade de entender o mundo tinha me levado a armazenar grande quantidade de explicações científicas ou religiosas sobre quase tudo, cujo denominador comum era uma grande confiança na continuidade do homem. Ao me ajudar a focalizar o universo com os olhos de bruxo, Carlos destruiu em mim essa sensação. Ele me fez ver que a morte é uma realidade inapelável e que ignorá-la com crenças de segunda mão é vergonhoso.


Em um certo momento, alguém lhe perguntou:


"Carlos, que expectativas você tem para o futuro?".


Saltou:


"Não há expectativas! Os bruxos não têm amanhã!".


Nessa noite havíamos reunido, no auditório de uma residência privada, pela região de San Jerônimo, um grupo bastante grande de interessados. Quando eu cheguei, Carlos já tinha feito seu ato de presença e se dedicava, muito sorridente, a responder algumas perguntas.


O tópico inicial foi o que definiu como "não fazer", uma atividade especialmente projetada para banir de nossas vidas todo o vestígio de cotidianidade. Afirmou que o não fazer é o exercício favorito dos aprendizes, porque os introduzem em um ambiente de maravilha e desconcerto muito refrescante para a energia, cujo efeito sobre a consciência eles chamam de "parar o mundo".


Respondendo a algumas questões, explicou que o não fazer não pode ser racionalizado.


Qualquer esforço para tentar entendê-lo, é na realidade uma interpretação do ensino e cai

automaticamente no campo de fazer.


"A premissa dos bruxos para tratar com este tipo de prática é o silêncio mental. E a qualidade de silêncio requerido para algo tão descomunal quanto parar o mundo, só pode vir de um contato direto com a grande verdade de nossa existência: que todos nós vamos morrer".


Ele nos aconselhou:


"Se vocês querem conhecer a si mesmos, sejam conscientes de sua morte pessoal. Ela não é negociável e é a única coisa que vocês realmente têm. Todo o resto poderá falhar, mas a morte não, a ela podem dar por certo. Aprendam a usá-la para produzir efeitos verdadeiros em suas vidas.


"Também, parem de acreditar em contos da carochinha, ninguém os quer lá fora. Nenhum de nós é tão importante para que hajam inventado algo tão fantástico como a imortalidade. Um bruxo que tem humildade sabe que o destino dele é o de qualquer outro ser vivo desta terra.


Assim, em vez de se iludir com falsas esperanças, ele trabalha concreta e duramente para sair de sua condição humana e tomar a única saída que nós temos: a quebra de nossa barreira perceptual”.


"Ao mesmo tempo em que escutam o conselho da morte, façam-se responsáveis por suas vidas, da totalidade das suas ações. Explorem-se, reconheçam-se e vivam intensamente, como vivem os bruxos. A intensidade é a única coisa que pode nos salvar do aborrecimento”.


"Uma vez alinhados com a morte, estarão em condições de dar o seguinte passo: reduzir ao mínimo a bagagem. Este é um mundo prisão e é necessário sair como fugitivos, sem levar nada”.


“Os seres humanos são viajantes por natureza. Voar e conhecer outros horizontes é nosso destino.


Por acaso você sai de viagem com sua cama ou com a mesa em que come? Sintetiza sua vida!".


Comentou que a humanidade de nosso tempo adquiriu um hábito estranho que é sintomático do estado mental em que vive. Quando viajamos, compramos todo o tipo de artefatos inúteis em outros países, coisas que, certamente, não adquiriríamos em nossa própria terra.


Uma vez que voltamos para casa, os amontoamos em um canto e terminamos esquecendo da sua existência até que um dia os descobrimos, por casualidade, e os atiramos ao lixo.


"Assim acontece com nossa viagem pela vida. Nós somos como asnos carregando um fardo de porcarias.


Não há nada valioso ali. Tudo o que fizemos só serve para que, no fim, quando a velhice nos assalta, repitamos alguma frase, como um disco riscado”.


"Um bruxo se pergunta: que sentido tem tudo isso? Porque investir meus recursos no que não me ajuda em nada? O compromisso de um bruxo é com o desconhecido, não pode comprometer sua energia em nulidades. Em sua passagem pela terra, tire algo verdadeiramente valioso, caso contrário, não valeu a pena”.


"O poder que nos rege nos deu escolhas. Ou nós passamos a vida dando voltas ao redor de nossos hábitos, ou nos animamos a conhecer outros mundos. Só a consciência da morte pode nos dar a sacudidela necessária”.


"A pessoa comum passa a existência inteira sem parar para meditar, porque ela pensa que a morte está ao término da vida; afinal de contas, nós sempre teremos tempo para ela! Mas um guerreiro sabe que isso não é certo. A morte vive a seu lado, a um braço de distância, permanentemente alerta, olhando-nos disposta a saltar à menor provocação. O guerreiro transforma seu medo animal à extinção em uma oportunidade de prazer, porque ele sabe que tudo aquilo que ele tem é este momento. Pensem como guerreiros, todos vamos morrer!"


Um dos presentes lhe perguntou:


"Carlos, em uma conferência passada você nos falou que possuir o ânimo de um guerreiro consiste em ver a morte como um privilégio. O que significa isso?"


Respondeu:


"Significa sair de nossos hábitos mentais”.


"Estamos tão acostumados à coexistência que, até mesmo diante da morte nós continuamos pensando em termos de grupo. As religiões não falam do indivíduo em contato com o absoluto, mas de rebanhos de ovelhas e de cabras que vão para o céu ou para o inferno, de acordo com seu merecimento. Até mesmo se nós somos ateus e não acreditamos que aconteça nada depois da morte, esse 'nada' é genérico, é o mesmo para todos. Nós não podemos conceber que o poder de uma vida impecável possa mudar as coisas”.


"Com tal ignorância, é normal que o homem comum tenha pânico de seu fim e tente conjurá-lo com orações e medicamentos ou se atordoando com o ruído do mundo”.


"Os humanos têm uma visão egocêntrica e extremamente simplista do universo. Jamais paramos para considerar nosso destino como seres transitórios. Porém, a obsessão pelo futuro nos delata”.


"Não importa a sinceridade ou o cinismo de nossas convicções, no fundo, todos sabemos o que acontecerá. Por isso, todos deixamos sinais. Nós construímos pirâmides, arranha-céus, fazemos filhos, escrevemos livros ou, no mínimo, desenhamos nossas iniciais no tronco de uma árvore. Atrás desse impulso subconsciente está o medo ancestral, a convicção calada da morte”.


"Mas existe um grupo humano que pôde enfrentar esse medo. Ao contrário do homem comum, os bruxos estão ávidos de qualquer situação que os leve além da interpretação social.


Que melhor oportunidade que a própria extinção? Graças às suas freqüentes incursões pelo desconhecido, eles sabem que a morte não é natural, é mágica. As coisas naturais estão sujeitas a leis, a morte não. Morrer é sempre um evento pessoal, e por essa única causa, é um ato de poder”.


"A morte é o pórtico do infinito. Uma porta feita sob medida a cada um de nós que a cruzaremos um dia para voltarmos à nossa origem. Nossa falta de compreensão nos impele a vela como o redutor comum. Mas não, não há nada de comum nela; tudo ao seu alcance se torna extraordinário. Sua presença dá poder à vida, concentra os sentidos”.


"Nossas existências estão repletas de hábitos. Ao nascermos, já estamos programados como espécie e nossos pais se encarregam de estreitar ainda mais esse programa ao nos conduzir àquilo que a sociedade espera de nós. Mas ninguém pode morrer como rotina, porque a morte é mágica. Ela faz você saber que é sua inseparável conselheira e lhe diz: 'seja impecável; a única opção é ser impecável'".


Uma mocinha que participava da reunião, visivelmente emocionada pelas palavras dele,comentou que a presença obsessiva da morte em suas lições era um detalhe que contribuía para obscurecê-las. Ela teria gostado de uma posição mais otimista, mais focalizada na vida e suas realizações.


Carlos sorriu e replicou:


“Ah coração de melão!, em suas palavras se nota uma profunda falta de experiência com a vida. Os bruxos não são negativos, eles não procuram o fim. Mas eles sabem que o que lhes dá valor à vida é ter um objetivo pelo qual morrer”.


"O futuro é imprevisível e inevitável. Algum dia você já não estará aqui, assim já se foi.


Você sabe que a árvore de seu caixão provavelmente já foi cortada?”.


"Tanto para o guerreiro como para o homem comum a urgência de viver é a mesma, porque nenhum dos dois sabe quando seus passos terminarão. Por isso é necessário estar atento ante à morte; pode nos surpreender de qualquer canto. Eu soube de um tipo que subiu numa ponte e urinou sobre um trem elétrico que ia passando. A urina tocou os cabos de alta tensão, lhe deu uma descarga e o queimou ali mesmo.


"A morte não é brincadeira não, é de verdade! Se não fosse por ela não haveria força alguma no que os bruxos fazem. Ela o envolve pessoalmente, queira ou não. Você pode ser tão cínico a ponto de descartar outros tópicos dos ensinamentos, mas você não pode debochar de seu fim, porque está além de sua decisão e é implacável”.


"A carroça do destino nos levará a todos igualmente. Mas há dois tipos de viajantes: os guerreiros que podem partir com sua totalidade, porque eles afinaram cada detalhe de suas vidas; e as pessoas comuns, com existências enfadonhas, sem criatividade, cuja única espera é a repetição de seus estereótipos de agora até o final; pessoas cujo fim não encontrará diferença alguma, aconteça hoje ou em trinta anos. Todos estamos ali, esperando na plataforma da eternidade, mas nem todos sabem disso. A consciência da morte é uma arte maior”.


"Quando um guerreiro põe em cheque suas rotinas, quando já não lhe importa estar acompanhado ou estar só, porque tem escutado o sussurro silencioso do espírito, então a pessoa pode dizer que, verdadeiramente, está morto. A partir dali, as coisas mais simples da vida se tornam para ele extraordinárias”.


"Por isso um bruxo aprende uma nova maneira de viver. Saboreia cada momento como se fosse o último. Não se consome em desgostos nem joga fora sua energia. Não espera ficar velho para meditar sobre os mistérios do mundo. Se adianta, explora, conhece e se maravilha”.


"Se vocês querem dar espaço ao desconhecido, dêem entrada à sua extinção pessoal.


Aceitem seu destino como o fato inevitável que é. Purifiquem esse sentimento, fazendo-se responsáveis pelo incrível evento de estarem vivos. Não implorem à morte; ela não é condescendente com os que hesitam.


Invoquem-na conscientes de que vieram à este mundo para conhecê-la. Desafiem-na, ainda sabendo que, façamos o que façamos, não temos a menor possibilidade de vencê-la. Ela é tão gentil com o guerreiro como é impiedosa com o homem comum".


Depois desta conferência, Carlos nos deu um exercício.


"É inventariar seus entes queridos e todo mundo que lhes interesse. Uma vez que os classifiquem, de acordo com o grau de sentimentos que vocês têm por eles, vão pegar um por um e passá-los pela morte".


Eu pude notar um murmúrio de consternação que sacudiu seus ouvintes.


Fazendo um gesto tranqüilizador, Carlos acrescentou:


“Não se assustem! A morte não tem nada de macabro. O macabro é que não possamos enfrentá-la com deliberação”.


"Vocês devem levar a cabo o exercício à meia noite, quando a fixação de nosso ponto de aglutinação se move e estamos dispostos a acreditar em fantasmas. É muito fácil, vocês evocarão os seus entes queridos através de seu fim inevitável. Não pensem em como ou quando eles morrerão. Simplesmente, tomem consciência de que algum dia eles já não estarão aqui. Um por um eles partirão, só Deus sabe em que ordem, e não importará o que você possa fazer para evitá-lo”.


"Ao evocá-los assim, vocês não os prejudicarão, pelo contrário, estarão os colocando na perspectiva apropriada. O ponto de enfoque da morte é prodigioso, restabelece os verdadeiros valores da vida".


Encontros com o Nagual, de Armando Torres. Baixe o livro AQUI!

Meu, seu e outros possessivos

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Você não tem nada que possa chamar de seu, a começar pela vida que pode ser finalizada a qualquer momento sem qualquer aviso prévio.

Você não pertence ao mundo das coisas, pois ao pensar que você possui algo esse algo te possui.

Você pertence ao mundo do ser, pertence a si mesmo. Pertencer a si mesmo é estar consciente de sua própria morte. Então você estará livre de toda possessividade, ciúme, ambição, sofreguidão, ira e ânsia.

Poderá agir livremente porque não terá nada a perder.

F.A.

Uma história sufi

Como o senhor entrou na vida espiritual? - perguntou um dos discípulos ao mestre sufi Shams Tabrizi.


- Minha mãe dizia que eu não era bastante louco para ser internado num hospício, nem bastante santo para entrar num mosteiro - respondeu Tabrizi. - Então resolvi dedicar-me ao sufismo, onde aprendemos através da meditação livre.


- E como explicou isso a sua mãe?


- Com a seguinte fábula: alguém colocou um patinho para que uma gata tomasse conta. Ele seguia sua mãe adotiva por toda parte até que, um dia, os dois foram parar diante de um lago. Imediatamente, o patinho entrou na água, enquanto a gata gritava da margem: "Saia daí! Você vai morrer afogado!"



"E o patinho respondeu: "não, mamãe, descobri o que me faz bem, e sei que estou no meu ambiente. Vou continuar aqui, mesmo que a senhora não saiba o que significa um lago."

Tantrismo: uma religião do Sagrado Feminino - 7ª parte

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A Vênus física é a morte travestida e mascarada de cortesã - Eliphas Levi.

Importante notar que sutilmente E.L. refere-se a Vênus física tão somente, apontando apenas para um aspecto mas querendo que percebamos a totalidade da Vênus, da Mulher, do Amor.

Depois de um tempo sem dar continuidade ao tema eis que voltamos com um dos assuntos que mais gera confusão: Tantrismo. O texto a seguir é de autor desconhecido - A.D.

A imagem que combina beleza e terror foi escolhida de propósito pois esse é um caminho de iniciação extremamente perigoso, por isso alguns o chamaram de senda do fio da navalha - S.A.W. No xamanismo é conhecido como o Caminho dos Ventos, segundo o nosso amigo Nuvem que Passa.

Mulher: a iniciadora do amor


Todas as culturas antigas com uma forte base esotérica tem tradições que louvam o poder de iniciatico da mulher.


Egito, Grécia, Arábia, Índia, Tibete e China compartilhavam desta crença. A mulher era considerada a personificação da sexualidade e a protetora do potencial criador. Todo ser humano nasceu através da Yoni de uma mulher; todo homem esforça-se para entrar outra vez neste reino de feminilidade pelo contato sexual. Sócrates procurou instruir-se na Arte do Amor com Diotima. Ao iniciá-lo, ela enfatizou a importância da beleza no companheiro, pela sua capacidade de primeiro estimular a paixão e depois elevá-la do plano sensual para o espiritual.


Os ensinamentos Tântricos acentuam a mesma coisa. Embora a beleza física seja altamente valorizada, ela sozinha, no entanto, não basta. A força e o significado da beleza da alma suplantam a beleza superficial, como nos mostra o exemplo do próprio Sócrates. Os ideais de beleza estão delineados em certos textos indianos como o Kama Sutra e o Ananga Ranga. Os diferentes tipos de mulheres e homens são classificados segundo características físicas, emocionais e mentais. O Nayika Sananda Tika declara que a mulher com quem alguém deseja praticar a Arte do Amor deve ser de esplendida beleza e ter semelhante corpo e mente. Seu aparecimento súbito abrirá a porta da emoção e cativará a mente. Um outro texto afirma poeticamente que a mulher deve estar na plenitude da juventude, com olhos que refletem flechas de amor, traços expressivos de todas as coisas boas, lábios cheios de néctar, um corpo que se assemelha a uma planta trepadeira delicada e cheia de curvas, e vestida com sedas muito coloridas.


Na tradição chinesa as mulheres também guardavam e transmitiam os segredos sexuais. 0 Taoísmo refere-se a três arquétipos diferentes de mulheres iniciadoras: a Moça Simples, a Moça Escura e a Moça Escolhida. Os manuais eróticos mais completos da China, tais como o Classic Of the Secret Methods of the Plain Girl (Clássico dos Métodos Secretos da Moça Simples), o Sexual Handbook of the Dark Girl (Manual Sexual da Moça Escura) e Sexual Recipes of the Plain Girl (Receitas Sexuais da Moça Simples), tem a forma de um diálogo íntimo onde uma mulher inicia o homem nos segredos do sexo. No que se refere à escolha de uma mulher adequada como parceira sexual mágica e potente, a Moça Simples declara: ”Tal mulher é naturalmente meiga e gentil, seus cabelos são sedosos, a pele macia e os ossos delicados; não sendo nem muito baixa nem muito alta, nem muito magra nem muito gorda, os lábios do seu órgão sexual devem ser grossos e sua Gruta do Prazer naturalmente úmida, durante o ato sexual, deve produzir uma secreção abundante e mexer com o corpo de tal forma que o homem fique continuamente excitado. Sua idade ideal situa-se entre 25 e 30 anos. O Hevajara Tantra, um importante texto indiano, afirma: ”Aquele que é bem versado em ioga deve honrar a mãe e a irmã da mesma forma que a dançarina, a lavadeira, a mulher proscrita e a mulher nobre. Deve combinar o Cetro dos Seus Meios com o Lótus da Sabedoria da Mulher, com este ritual, obtêm-se a libertação.” Esta dedaração aparentemente enigmática destaca na verdade o poder de iniciação das mulheres.


Mais adiante, ocorre a seguinte explicação: ”Gnose é chamada a “mãe”, pois ela dá a luz ao mundo; do mesmo modo, e conhecida como “irmã”, por sua afeição constante; “dançarina”, por causa de sua natureza agitada; “lavadeira”, pois ela colore todos os seres, e “mulher proscrita” porque sua essência interior é intocável.


Mesmo no cristianismo, uma religião notadamente hostil a sexualidade e a ”carne”, surgiu a tradição do amor cortejador, no qual o amor ideal de uma cortesã converge e conduz ao amor beatífico a Deus. Para ser correta, esta tradição baseia-se na repressão e sublimação da energia sexual, porém esta energia sublimada, servia a um fim transcendental. É curioso que o próprio Mohamed, o profeta do Islamismo, que tinha nove esposas (seu privilégio especial) nunca se tivesse referido ao poder de iniciação da mulher. Uma tradição já aceita estabelece que ele próprio declarou numa ocasião: ”Fui premiado com quatro favores que os outros não têm, são as qualidades de generosidade e coragem, a capacidade para freqüentes uniões sexuais e a capacidade de regenerar minha força muito rapidamente”. Há até um exemplo memorável, quando ele teve relação sexual com cada uma das nove esposas separadamente numa só noite, realizando um ato de lavagem ritual após cada encontro sexual. Infelizmente, ele nunca atribuiu esta sua extraordinária capacidade de regeneração ao poder múltiplo e iniciatório de suas esposas.


Este poder feminino está muito bem confirmado em numerosas tradições mágicas arcaicas. Acreditava-se que os imperadores chineses, por exemplo, tinham nove consortes comuns a cada noite e a Imperatriz por duas noites durante a Lua cheia. 0 poder de iniciação da mulher é enorme, e baseia-se essencialmente na atitude mental quanto ao misticismo sexual. Assumindo um papel ativo e explorando toda uma variedade de segredos sexuais durante o ato sexual, a mulher pode conceder poder transcendental a seu amante. Este poder, a forma elevada de Shakti, e a expressão direta da intuição aberta, uma “energia da Sabedoria”, espontânea e alegre, que pode romper todas as barreiras. A mulher deve confiantemente iniciar o seu homem na experiência mística. O sucesso depende de pura espontaneidade, da capacidade de confiar e render-se a ideais mais elevados, e ao desejo sincero de dar “algo especial” ao seu amor. A autoconfiança e o ingrediente essencial em todos os rituais de iniciação, e é a deusa interior de cada mulher que dá a iniciação.


A mulher faz a iniciação através da mesma Yoni da qual, numa vida anterior, o homem nasceu. A mulher inicia através dos mesmos seios que, numa vida anterior, o homem sugou. A mulher inicia com aquela mesma boca que em certa ocasião acalmou gentilmente o homem. A mulher é a iniciadora suprema do Tantra.


KAULARAHASYA


A rainha Dakini Secreta absorveu todas as divindades pacíficas e iradas dentro do seu corpo, Ela transformou o Iogue Padma em um som-semente que descansou em seus lábios, onde ela conferiu a Benção Duradoura. Ela então engoliu este som-semente e, dentro do seu estômago, Padma recebeu a iniciação secreta da Compaixão Infinita. Na região da Kundalini, no centro sexual, ela conferiu a iniciação do corpo, da fala e da mente.


A.D.