Previsão de guerra no Oriente Médio feita em 2009

terça-feira, 28 de junho de 2011

Lindsey Willians, com informações de bastidores sobre a elite financeira mundial, no programa de Alex Jones feito em outubro de 2009, faz diversas previsões, inclusive sobre a guerra que está acontecendo agora, em 2011, tal como ele disse. Se ele acertou neste ponto vale a pena prestar atenção no que é dito por ele.

A Resistência e um aviso para a elite

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Acontece(u) na Islândia

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Aconteceu na Islândia, mas pergunte-se o seguinte ao ler esta postagem:

Por que isto, que é tão aparentemente incrível, não foi amplamente divulgado?

Fonte: Informação Incorrecta

Há um País que nos últimos tempos desapareceu por completo das notícias.

Ao longo de algumas semanas títulos, reportagens. Depois nada, o silêncio absoluto.

De facto, a Islândia desapareceu dos mapas.
Será que ainda existe? Ou simplesmente emigrou rumo outro planeta? Um tsunami engoliu a ilha? Foi um dos seus vulcões que vaporizou tudo?

Que aconteceu afinal?

Acontece uma coisa esquisita: a Islândia está a resolver os próprios problemas.
Como? Esta é a parte mais divertida.

Mas antes um pequeno passo atrás.
Vamos lembrar.

2008

Em Setembro o maior banco é nacionalizado, o Banco Glitnir. O colapso da moeda e da Bolsa de Valores suspende todas as actividades: o País declara falência.


2009

Em Janeiro os protestos dos cidadãos em frente ao Parlamento causam a renúncia do Primeiro Ministro, Geir Haarde, e de todo o governo, a Aliança Social-Democrata (Samfylkingin), forçando o País para as eleições antecipadas.

A situação económica continua a ser precária. O Parlamento propõe uma lei que prevê o pagamento da dívida em relação à Grã-Bretanha e à Holanda através do pagamento de 3,5 mil milhões de Euros: uma verdadeira taxa paga por cada família da Islândia, mensalmente, por um período de 15 anos e uma taxa de juros de 5,5%.

2010

Os cidadãos voltam a ocupar as ruas e exigem um referendo acerca da medida mencionada acima.

2011

Em Fevereiro, o presidente Olafur Grímsson veta a ratificação da lei e escolhe o referendo consultivo.

A votação tem lugar em Março e implica a grande vitória do NÃO ao pagamento da dívida, com 93% dos votos.

Enquanto isso, o governo ordena investigações para determinar a responsabilidade civil e penal da crise.

São emitidos os primeiros mandados de captura que atingem vários banqueiros e membros do executivo.

A Interpol é responsável pela busca e captura dos procurados, pois todos os banqueiros envolvidos tinham abandonado a Islândia.

Neste contexto de crise, é eleita assembleia para redigir uma nova Constituição que deve incorporar as lições aprendidas durante a crise e substituir a actual Constituição (redigida com base no modelo dinamarquês).

Para o efeito, 25 pessoas são eleitas entre os comuns cidadãos, sem afiliação política, entre os 522 membros do Parlamento. Os dois únicos requisitos para ser eleitor são, além de não ser ligados a nenhuma formação política, a maior idade e ter o apoio de pelo menos 30 cidadãos.

A Assembleia Constitucional inicia os seus trabalhos em Fevereiro e tem um projeto chamado Magna Carta, que reúne a maioria das "Directrizes" surgidas por consenso durante as diversas reuniões públicas que ocorreram em todo o País.

A Magna Carta será aprovada no Parlamento imediatamente após a próxima eleição legislativa.


Resumindo, estamos perante um País que:
  • nacionalizou os principais bancos privados;
  • recusou pagar a dívida, nas mãos dos "especuladores" de turno;
  • obrigou o próprio Governo a demitir-se;
  • abriu um inquérito para determinar as responsabilidades locais da crise;
  • prendeu os responsáveis políticos e banqueiros;
  • aproveitou a crise para pôr ordem em casa, começando com uma nova Constituição redigida com a participação activa de todos os cidadãos.
Tudo isso de forma absolutamente pacífica.

E nós quase nada sabemos.
Não é curioso?

Agora, os mais perversos pensarão logo em censura. Mas Informação Incorrecta não gosta desta palavra e prefere outra: distração.

Isso mesmo, foi uma distração.
Os nossos media estão empenhados com outros assuntos, apenas isso.

Logo que os outros assuntos estejam resolvidos, de certeza amplo espaço será dedicado à situação da Islândia.
Será feito porque é importante.

É importante perceber que quando um País quer, pode. É importante porque a fria ilha demonstra claramente que há uma outra estrada, que há uma saída.

E se o leitor pensar "Ah, mas isso foi possível só porque a Islândia é pequena, é tão diferente", então fique descansado, pois os media demonstrarão que não é o tamanho que conta (estou a falar do País, malandros...), que são as ideias e os princípios que contam.

Que os espectros que nos assustam e impedem a acção, qualquer acção, são apenas isso: espectros.

Isso dirão os nossos media.
É só esperar. 200 ou 300 anos talvez.

Mas vale a pena.


Ipse dixit.

Fonte: Nexus

O falo de Osíris: análise de um mito pagão

quarta-feira, 22 de junho de 2011


Quando Osíris é assassinado por seu irmão Seth seu corpo é desmembrado em 14 partes, segundo a versão mais aceita do mito. Ísis, esposa de Osíris, sai em busca das partes do esposo na intenção mágica de fazer com que Osíris ressuscite, só que apenas 13 partes são recuperadas, menos o falo, que fica perdido.

O falo de Osíris não recuperado por Ísis é um símbolo do que estava por vir: uma profecia.

O falo de Osíris é o símbolo do princípio masculino perdido. Assim não é só o resgate do feminino que precisa ser feito hoje em dia, o masculino, o homem verdadeiro precisa ser recuperado, pois está castrado, destituído de poder em si.

No mito egípcio, Ísis é capaz de conceber mesmo sem o falo de Osíris mostrando que o princípio feminino é capaz de gerar por si mesmo. A partenogênese prova isso.

Osíris foi desmembrado (Olha o duplo sentido! Que Freud me desculpe, mas não parece que a inveja do pênis é uma coisa entre homens?) por Seth e reconstituído por Ísis e Néftis. O mito indica que o princípio feminino não só gera a vida, mas também é capaz de restabelecê-la e reorganizá-la.

Assim o mito revela seu caráter profético ao indicar a queda do masculino e ao mostrar como restabelecer o poder do masculino em nossa época: através do feminino.

No mito Ísis pede ajuda de sua irmã, Néftis. E Néftis é a esposa de Seth, portanto a sua contraparte feminina. Se foi Seth que matou e fragmentou Osíris, é Néftis que auxilia Ísis a recuperar o poder do marido morto.

Assim não podemos ver Seth como o mal, porque a sua contra-parte não o é.

Tenho visto análises do mito como se os deuses fossem expressões da mente humana e não forças impessoais da Natureza, assim nessas análises os deuses são cumulados com qualidades típicas de humanos (inveja, ira, luxúria, violência, etc) que incapazes de verem algo além de si mesmos tomam as forças impessoais da Natureza como se extensões suas fossem. Humanos...

Cada Deus ou Néter, como uma força impessoal da Natureza, cumpre uma função no mito.

Seth cumpre a função do destruidor, da morte.

Ísis cumpre a função da vida, da restauradora.

E Néftis media entre um e outro ficando no limite entre a vida e a morte, pois ela é esposa de Seth e irmã de Ísis.

Ver Seth como o mal é separar e fragmentar o entendimento do mito, pois não há o mal absoluto, se assim fosse Seth não teria nascido da mesma fonte dos outros Néteres.

Ver Seth como o mal é alijar a força da morte do processo da vida. E tal não pode ser feito porque a vida é o caminho onde a morte nos desafia, permitindo-nos a renovação.

O processo de demonização de diferentes mitos tem como objetivo o controle mágico, ideológico e religioso, pois o mal torna-se sempre o outro, o outro culto, o outro deus, o adversário. Como disse Levi: o Diabo é um Deus de refugo.

Isso ocorre com Seth, com Exu e com Pã ao serem identificados com o diabo cristão. Não é deus uma invenção do homem dito civilizado e sim o diabo, pois expressão de seu próprio ego auto-importante e fragmentado. Não há conceito de diabo ou mal personificado nas tradições em harmonia com a Terra. O diabo nasce da desarmonia do homem com a própria Terra da qual é fonte.

Seth, Pã e Exu personificam forças que lidam diretamente com esse mundo, com essa realidade. Uma elite mística, religiosa e mágica identificou esses mitos com o mal apenas para que as massas ficassem alijadas do uso de tal poder enquanto eles mesmos executavam e executam ritos de magia com tais poderes. Um ponto cantado tradicional de Umbanda diz que "na batina do padre tem dendê", indicando como os antigos xamãs afro-brasileiros percebiam as manobras ocultas dos curas católicos. Vemos os padres vestidos de preto e vermelho, em especial os cardeais. Dizem que a própria Igreja Universal que persegue os cultos afro-brasileiros celebra em segredo os mesmos, basta para isso ver que adotam formas e práticas algo disfarçadas muito semelhantes em várias ocasiões. Eles usam essa vibração e conquistam posições no mundo material e alijam a massa de tal força.

Osíris e Seth são dois aspectos da mesma força. “Osíris é um deus negro”.

Há um ponto na Umbanda que revela a seu modo, sob a linguagem sincrética e misturada, o fato de Osíris ser um deus negro.

Exu que tem duas cabeças

Mas ele olha a sua banda com fé

Se uma é Satanás no inferno

A outra é de Jesus Nazaré.

É claro que tal ponto arrepia até a alma aqueles que não tem a compreensão da Unidade.

Alguns ouvirão no fundo da mente o coro inquisidor gritar: - Blasfêmia, heresia!

Mas a maior blasfêmia é a heresia da separatividade.

Quando separamos essas forças uma fragmentação ocorre e perdemos a conexão com o princípio masculino que fica em desequilíbrio.

Esse desequilíbrio tem dois pólos:

Osíris morto representa a espiritualidade morta e Seth assassino é a sexualidade exacerbada e descontrolada porque destituída de espírito. Sim, podemos ver Osíris como o espírito em nós e Seth como a sexualidade em nós, dois aspectos de uma mesma força. O mito mostra isso pois o falo é a única parte não recuperada do corpo de Osíris, pois ele pertence na verdade á Seth, que como Exu, é uma entidade fálica.

Assim recuperar a sexualidade sagrada é reconciliar Osíris e Seth, permitindo a ressurreição de um homem verdadeiro, capaz de honrar o feminino, a Deusa e a mulher porque integra em si o desejo sexual e espiritual. A sexualidade sagrada é uma relação entre o masculino e o feminino, que não pode ocorrer se o homem mantém-se fragmentado. Um homem fragmentado torna-se um padre ou um monge que odeia o feminino porque vê na mulher a imagem do pecado e da tentação ou um machista que tenta se impor pela agressividade, pela violência, pelo dinheiro, pelo poder que ostenta de diferentes formas, que vão de um carrão até a construção de monumentos como obeliscos gigantescos imitando um poder que não possui em si e que vê na mulher um objeto de consumo.

Há no machista e no monge que nega a si mesmo uma espécie de raiva da mulher, porque há uma inveja de seu enorme poder sexual e capacidade multi-orgástica. Essa inveja fez com que nossa cultura limitasse o poder do feminino em dois estereótipos: a virgem mãe e a prostituta arrependida. São tentativas desesperadas do macho fragmentado de tentar controlar a fêmea porque incapaz de fazer frente, pelo auto-domínio, ao poder sexual da mulher, ainda mais da mulher plena.

As 13 partes de Osíris recuperadas nos indicam o arcano 13, a morte do Tarot. A 14ª parte indica, se recuperada, a possibilidade de uma transição para uma era de regeneração, 14 é o número do Tarot para a Temperança, que tem óbvias semelhanças com Aquário, signo da nova era, regido por Urano, regente no corpo humano das glândulas sexuais, onde está a força do espírito, a força feminina e regeneradora, a Energia Criadora, Shakti, Kundalini, Néftis, a Ísis velada e oculta em nosso corpo. No arcano 14 do Tarot vemos um anjo hermafrodita, símbolo da harmonia e da reconciliação do feminino e do masculino.

Assim cada homem é um Osíris assassinado que pode recuperar-se ao juntar em si o poder de Seth, sexualidade, e o poder de Osíris, o espírito, por intermédio do feminino: Néftis como o poder oculto de Kundalini e Ísis como esse mesmo poder revelado e restaurado em nosso corpo, a serpente expressa pelo terceiro-olho dos iniciados egípicios.

Para tal Osíris – o homem - e Ísis – a mulher - devem celebrar o casamento mágico e alquímico.

obs: texto em construção - F.A.

O guerreiro e a morte

terça-feira, 21 de junho de 2011

Meu benfeitor dizia que, quando um homem toma os caminhos da feitiçaria, torna-se consciente, aos poucos, de que a vida comum ficou para trás para sempre; que na verdade o conhecimento é uma coisa assustadora; que os meios do mundo comum não são mais um escudo para ele; e que tem que adotar um novo modo de vida, para poder sobreviver. A primeira coisa que ele deve fazer nesse ponto é desejar tornar-se um guerreiro, um passo e uma decisão muito importantes. A natureza assustadora do conhecimento não nos deixa outra alternativa se não nos tornarmos um guerreiro.

Quando o conhecimento se torna uma coisa assustadora, o homem também compreende que a morte é o companheiro insubstituível, que se senta ao lado dele na esteira. Cada pouquinho de conhecimento que se torna poder tem a morte como sua força central. A morte dá o último toque, e o que for tocado pela morte torna-se realmente poder.

Um homem que segue os caminhos da feitiçaria se defronta com a aniquilação iminente a cada passo do caminho, e é inevitável que tome fortemente consciência de sua morte. Sem a consciência da morte, ele seria apenas um homem comum, praticando atos comuns. Não teria a necessária potência, a necessária concentração que transforma o tempo comum da pessoa na Terra num poder mágico."

Uma Estranha Realidade , pg. 174 , Carlos Castaneda

O caminho se faz no caminhar: Espanha em polvorosa

segunda-feira, 20 de junho de 2011

'Marcha dos Indignados' parte de Valência rumo a Madri

MADRI, Espanha — Uma nova "Marcha dos Indignados" saiu nesta segunda-feira de Valência para percorrer 500 km em 34 dias e finalizar em 23 de julho em Madri, anunciou o movimento no dia seguinte às manifestações que reuniram pelo menos 200.000 pessoas em toda a Espanha.

Esta marcha de 34 dias é o início de outras mobilizações dos chamados "indignados". Está previsto que mais grupos partam de outras cidades, como Barcelona, em 25 de junho, e Cádiz, dia 23, para seguir para Madri, onde será realizada um novo megaprotesto em 24 de julho.

O grupo que partiu de Valência (leste) tem a intenção de passar por 29 cidades e povoados.

Milhares de manifestantes protestaram no domingo nas ruas de Madri e em quase uma centena de cidades espanholas, na primeira grande manifestação do Movimento 15-M desde seu surgimento há um mês.

A praça Netuno, no centro da capital espanhola, perto da Câmara de Deputados, foi o ponto de encontro de seis marchas multitudinárias que partiram de vários pontos da cidade até reunir entre 35.000 e 40.000 pessoas, segundo a polícia, enquanto em Barcelona até 50.000 manifestantes caminharam no centro da cidade, segundo números da polícia regional catalã.

As seis "colunas" se encontraram na praça Netuno, reunindo pessoas de todas as idades, de crianças em carrinhos de bebê a idosos, em frente a barreiras colocadas por um cordão de policiais para impedir que os manifestantes pudessem chegar até as portas da Câmara.

O pacto de estabilidade da zona do euro e o rigor orçamentário que ela impõe, os políticos acusados de corrupção e de ignorar os cidadãos, e o desemprego que afeta 21,29% da população e cerca da metade dos menores de 25 anos foram os grandes motes do protesto.

O movimento 15-M, que acabou ficando conhecido como o dos "indignados", nascido espontaneamente no dia 15 de maio e que tem reunido milhões de jovens espanhóis exasperados pelas consequências da crise econômica, organizou várias mobilizações no último mês, especialmente acampamentos de protesto em várias cidades.

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Documentário: O Homem mais perigoso da América

domingo, 19 de junho de 2011

Assim ficou conhecido nos anos 70 um homem que teve a coragem de trazer a público documentos TOP SECRET do governo estadunidense que revelavam a mentira por trás do guerra do Vietnã. O nome deste homem é Daniel Ellsberg.

Daniel Ellsberg é uma versão antiga e mais poderosa de Julian Asange, até por que foi um funcionário do pentágono.

Este caso histórico, devidamente documentado serve para nos lembrar das mentiras que contam os governos para justificar ações que atendem aos interesses de grupos específicos:

1 - invasão do Iraque, desculpa mentirosa: armas de destruição em massa

2 - morte de Bin Laden, desculpa mentirosa: o mais perigoso terrorista do mundo. Mas que matou 1 milhão de iraquianos e dois milhões de vietnamitas, fora as baixas provocadas entre os próprios soldados americanos, vítimas do complexo indiustrial militar que lubrifica suas máquinas com sangue.

3 - ataque terrorista do 11/09/2001, desculpa mentirosa: Al Qaeda. Mas são evidentes as imagens de demolição controlada dos prédios, especialmente do anexo que caiu sem ser atingido por nada.

No documentário são reveladas falas aterradoras de Richard Nixon e que a quantidade de bombas jogadas sobre o Vietnam equivaleu a de 10 bombas atômicas!



Sinopse

“O Homem mais perigoso da América” é Daniel Ellsberg. Ele foi chamado assim pela primeira vez em 1971 por Henry Kissinger, conselheiro de segurança do presidente Richard Nixon. Isso porque Daniel Ellsberg, ex-funcionário do Pentágono, decidiu revelar aos americanos – com a ajuda do tradicional jornal New York Times – documentos secretos mostrando como cinco presidentes mentiram à nação sobre a Guerra do Vietnã, que matou milhares de americanos. Suas denúncias – e os documentos de que dispunha – foram determinantes para a queda do presidente Nixon no escândalo de Watergate. Documentário indicado ao Oscar 2010.

Informações do Filme

Titulo Original: The Most Dangerous Man in America
Título Traduzido: O Homem Mais Perigoso da América
Gênero: Documentário
Duração: 92 Min
Diretor: Judith Ehrlich, Rick Goldsmith
Ano de Lançamento: 2010
Tamanho: 700 / 302 Mb
Formato: AVI / RMVB
Qualidade de Audio: 10
Qualidade de Vídeo: 10
Idioma: Inglês
Legenda: Português (Baixar)

DVDRip AVI
Fileserve / Megaupload / Hotfile

RMVB Legendado
Fileserve / Megaupload / Hotfile

Carta do Cacique Mutua a todos os povos da Terra

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O Sol me acordou dançando no meu rosto. Pela manhã, atravessou a palha da oca e brincou com meus olhos sonolentos.

O irmão Vento, mensageiro do Grande Espírito, soprou meu nome, fazendo tremer as folhas das plantas lá fora.


Eu sou Mutua, cacique da aldeia dos Xavantes. Na nossa língua, Xingu quer dizer água boa, água limpa. É o nome do nosso rio sagrado.

Como guiso da serpente, o Vento anunciou perigo. Meu coração pesou como jaca madura, a garganta pediu saliva. Eu ouvi. O Grande Espírito da floresta estava bravo.

Xingu banha toda a floresta com a água da vida. Ele traz alegria e sorriso no rosto dos curumins da aldeia. Xingu traz alimento para nossa tribo.

Mas hoje nosso povo está triste. Xingu recebeu sentença de morte. Os caciques dos homens brancos vão matar nosso rio.

O lamento do Vento diz que logo vem uma tal de usina para nossa terra. O nome dela é Belo Monte. No vilarejo de Altamira, vão construir a barragem. Vão tirar um monte de terra, mais do que fizeram lá longe, no canal do Panamá.

Enquanto inundam a floresta de um lado, prendem a água de outro. Xingu vai correr mais devagar. A floresta vai secar em volta. Os animais vão morrer. Vai diminuir a desova dos peixes. E se sobrar vida, ficará triste como o índio.

Como uma grande serpente prateada, Xingu desliza pelo Pará e Mato Grosso, refrescando toda a floresta. Xingu vai longe desembocar no Rio Amazonas e alimentar outros povos distantes.

Se o rio morre, a gente também morre, os animais, a floresta, a roça, o peixe tudo morre. Aprendi isso com meu pai, o grande cacique Aritana, que me ensinou como fincar o peixe na água, usando a flecha, para servir nosso alimento.

Se Xingu morre, o curumim do futuro dormirá para sempre no passado, levando o canto da sabedoria do nosso povo para o fundo das águas de sangue.

Hoje pela manhã, o Vento me levou para a floresta. O Espírito do Vento é apressado, tem de correr mundo, soprar o saber da alma da Natureza nos ouvidos dos outros pajés. Mas o homem branco está surdo e há muito tempo não ouve mais o Vento.

Eu falei com a Floresta, com o Vento, com o Céu e com o Xingu. Entendo a língua da arara, da onça, do macaco, do tamanduá, da anta e do tatu. O Sol, a Lua e a Terra são sagrados para nós.

Quando um índio nasce, ele se torna parte da Mãe Natureza. Nossos antepassados, muitos que partiram pela mão do homem branco, são sagrados para o meu povo.

É verdade que, depois que homem branco chegou, o homem vermelho nunca mais foi o mesmo. Ele trouxe o espírito da doença, a gripe que matou nosso povo. E o espírito da ganância que roubou nossas árvores e matou nossos bichos. No passado, já fomos milhões. Hoje, somos somente cinco mil índios à beira do Xingu, não sei por quanto tempo.

Na roça, ainda conseguimos plantar a mandioca, que é nosso principal alimento, junto com o peixe. Com ela, a gente faz o beiju. Conta a história que Mandioca nasceu do corpo branco de uma linda indiazinha, enterrada numa oca, por causa das lágrimas de saudades dos seus pais caídas na terra que a guardava.

O Sol me acordou dançando no meu rosto. E o Vento trouxe o clamor do rio que está bravo. Sou corajoso guerreiro, não temo nada.

Caminharei sobre jacarés, enfrentarei o abraço de morte da jiboia e as garras terríveis da suçuarana. Por cima de todas as coisas pularei, se quiserem me segurar. Os espíritos têm sentimentos e não gostam de muito esperar.

Eu aprendi desde pequeno a falar com o Grande Espírito da floresta. Foi num dia de chuva, quando corria sozinho dentro da mata, e senti cócegas nos pés quando pisei as sementes de castanha do chão. O meu arco e flecha seguiam a caça, enquanto eu mesmo era caçado pelas sombras dos seres mágicos da floresta.

O espírito do Gavião Real agora aparece rodopiando com suas grandes asas no céu.

Com um grito agudo perguntou:

Quem foi o primeiro a ferir o corpo de Xingu?

Meu coração apertado como a polpa do pequi não tem coragem de dizer que foi o representante do reino dos homens.

O espírito do Gavião Real diz que se a artéria do Xingu for rompida por causa da barragem, a ira do rio se espalhará por toda a terra como sangue e seu cheiro será o da morte.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. O dia se abriu e me perguntou da vida do rio. Se matarem o Xingu, todos veremos o alimento virar areia.

A ave de cabeça majestosa me atraiu para a reunião dos espíritos sagrados na floresta. Pisando as folhas velhas do chão com cuidado, pois a terra está grávida, segui a trilha do rio Xingu. Lembrei que, antes, a gente ia para a cidade e no caminho eu só via árvores.

Agora, o madeireiro e o fazendeiro espremeram o índio perto do rio com o cultivo de pastos para boi e plantações mergulhadas no veneno. A terra está estragada. Depois de matar a nossa floresta, nossos animais, sujar nossos rios e derrubar nossas árvores, querem matar Xingu.

O Sol me acordou brincando no meu rosto. E no caminho do rio passei pela Grande Árvore e uma seiva vermelha deslizava pelo seu nódulo.

Quem arrancou a pele da nossa mãe? gemeu a velha senhora num sentimento profundo de dor.

As palavras faltaram na minha boca. Não tinha como explicar o mal que trarão à terra.

Leve a nossa voz para os quatro cantos do mundo clamou O Vento ligeiro soprará até as conchas dos ouvidos amigos ventilou por último, usando a língua antiga, enquanto as folhas no alto se debatiam.

Nosso povo tentou gritar contra os negócios dos homens. Levamos nossa gente para falar com cacique dos brancos. Nossos caciques do Xingu viajaram preocupados e revoltados para Brasília. Eu estava lá, e vi tudo acontecer.

Os caciques caraíbas se escondem. Não querem olhar direto nos nossos olhos. Eles dizem que nos consultaram, mas ninguém foi ouvido.

O homem branco devia saber que nada cresce se não prestar reverência à vida e à natureza. Tudo que acontecer aqui vai voar com o Vento que não tem fronteiras. Recairá um dia em calor e sofrimento para outros povos distantes do mundo.

O tempo da verdade chegou e existe missão em cada estrela que brilha nas ondas do Rio Xingu. Pronta para desvendar seus mistérios, tanto no mundo dos homens como na natureza.

Eu sou o cacique Mutua e esta é minha palavra! Esta é minha dança! E este é o meu canto!


Porta-voz da nossa tradição, vamos nos fortalecer. Casa de Rezas, vamos nos fortalecer. Bicho-Espírito, vamos nos fortalecer. Maracá, vamos nos fortalecer. Vento, vamos nos fortalecer. Terra, vamos nos fortalecer.


Rio Xingu! Vamos nos fortalecer!


Leve minha mensagem nas suas ondas para todo o mundo: a terra é fonte de toda vida, mas precisa de todos nós para dar vida e fazer tudo crescer.


Quando você avistar um reflexo mais brilhante nas águas de um rio, lago ou mar, é a mensagem de lamento do Xingu clamando por viver.

Cacique Mutua - o texto/carta abaixo foi redigido por Mônica Martins, jornalista e criadora da personagem fictícia Cacique Mutua.

De repente...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

De repente, eu parei e me deparei com a felicidade, ali, dentro de mim. Não esperava por aquilo, não ansiava. Estava ali, sempre, e surgiu. No silêncio da mente, no relaxamento do corpo em diamante, ela vibrava pelo centro de mim. Não era preciso esperar, não era preciso ter esperança. Estava ali. Está aqui. Agora. Basta não me agitar na esperança do futuro nem na culpa do passado. E é tão simples que parece incrível mentira. O reino de Deus está dentro. E quando mais enxergo é quando fecho os olhos, então mais eu vejo a vastidão em mim. E isso fica claro sem precisar ser formulado, apenas sentido. Eu sei, não faz sentido pra você, mas faz sentido para mim e compreendo por que o porquê é maldito.

Porque a felicidade é a sua própria razão de ser.

Então é isto que é parar o mundo... Compreendo por que a Divindade se definiu como "Eu sou o que sou" e compreendo a loucura de querer expressar Isto. Tudo é loucura. O mistério é loucura. A loucura não é o oposto da razão, porque a loucura é muito mais ampla que qualquer explicação, e, assim, até a própria explicação é uma loucura. Uma loucura organizada.

E isso é todo o conhecimento humano:

A organização da loucura na busca ávida por construir (ou transmitir) um significado e um sentido.

O zero, o nagual, o vazio é a fonte de tudo o que é e por isso permeia a tudo como um curinga (in)sano que pode substituir qualquer carta e arcano. Sim, eis a metamorfose ambulante. Mas o que é Isto/Aquilo que se metamorfoseia? O que é o telesma universal? Para que tantas rezas, tantos pedidos? Está aqui e em todo o lugar. Não podes senti-lo? Silencia. Para. Te acalma. E mesmo que teu corpo trema de medo ou de ansiedade, suporta, pois esse silêncio irá conjurar em você o demônio de um desejo incompleto e sempre faminto. Não desiste, permanece dia após dia em silêncio, nada mais importa, até que possa ouvir a voz que brota do silêncio, como uma vibração, como uma corda que é tangida misteriosamente em teu corpo. Tens em ti tudo o que precisas e se pudesse enunciar profanamente (porque toda enunciação é profana) a fórmula deste êxtase diria que ela é feita da equação do silêncio e da energia. Tão simples, tão simples...tão justa, tão precisa.

F.A.

Eduardo Galeano: Não quero ser apenas uma cabeça que gira

terça-feira, 14 de junho de 2011

A lei e os riscos dos transgênicos

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A agricultura baseada nos transgênicos não contribui para acabar com a fome no mundo, que hoje alcança a casa do bilhão, ainda mais se formos pensar que a fome é na verdade sinônimo de desnutrição, e como bem sabemos pessoas podem estar bem gordinhas e desnutridas, porque mal alimentadas. A agricultura orgânica devidamente organizada, com uma política adequada, tem condições reais de aumentar a produção mundial, segundo estudos, em até 300%! Isso é o afirma um dos maiores especialistas do mundo, o jornalista Jeffrey Smith, em entrevista para o programa Roda Viva da Tv Cultura, conforme segue, mas antes veja o vídeo de alerta sobre os transgênicos e veja se você tem conhecimento desta lei sobre tais produtos geneticamente modificados.





A realidade como um tecido conectado ou entrelaçamento quântico

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A ciência prova e reconhece o que já foi tantas e tantas vezes provado sob diferentes nomes: mediunidade, poderes paranormais, capacidade extra-sensorial, mas as provas esbarram sempre no paradigma estabelecido e nos fazem lembrar a frase de Einstein: é mais fácil fender um átomo do que romper um preconceito.

Para quem vê, tal como os xamãs definem VER, não há prova maior sobre a natureza da realidade, chamada pelos físicos atuais de entrelaçamento quântico e pelos budistas de interdependência do vazio (shunyata), mas quem quer se dedicar a provar isto por si mesmo aceitando as condições rigorosas da disciplina xamânica e espiritual?

Meio para ação: medit-ação

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Esse vídeo apresenta uma síntese de várias pistas que temos deixado aqui por este blog, dando ênfase na questão da meditação. Vale a pena lembrar e ressaltar que meditação não é uma técnica de concentração que visa a reclusão, a introspecção e o afastamento do mundo, pelo contrário, é uma técnica que visa a inserção no mundo e a cura do mundo, e não apenas no momento em que realizamos uma meditação "ritual", mas no preciso instante quando trazemos para as nossas relações e agir do dia a dia aquele estado de paz, de foco, de equilíbrio, de clareza que obtivemos na meditação "ritual", assim a meditação se torna o ato sagrado de estar presente neste preciso instante, nesse momento que é, espargindo a vibração harmônica da consciência situada no presente, em vez de sitiada no passado ou no futuro ;-) - F.A.

A Doutrina do Choque: MKUltra "Holístico"

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Muito oportuno reeditar esta postagem pois ela ilustra como a mídia e os governos usam a doutrina do choque para implementar suas políticas. Uma crise, um choque coloca a mente das pessoas em letargia, deletando suas memórias, apagando sua narrativa intelectual e capacidade de pensar. Usa-se o medo como arma de paralisia mental. Dois exemplos: a gripe porcina veiculada como pandemia não faz muito tempo e a maneira como os apresentadores de tv dão início aos manchetes do jornal - vide Jornal Nacional e o tom de voz inicial e a velocidade da fala com as quais eles adentram pelos seus sentidos.

O vídeo é uma verdadeira aula dada por Naomi Klein sobre como o sistema nos manipula. Agora apresentamos ele de forma completa, contribuindo para divulgar a estratégia usada pela chamada Velha Nova Ordem Mundial de perpetuar-se no pode através de crises induzidas.

A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.



A Doutrina do Choque. Livro da ativista Naomi Klein - baixe o livro (versão parcial) AQUI!

Outro livro de Naomi Klein - A Tirania das Marcas num Planeta Vendido - AQUI!

O golpe de Pinochet no Chile. O massacre da Praça de Tiananmen. O Colapso da União Soviética. O 11 de setembro de 2001. A guerra contra o Iraque. O tsunami asiático e o furacão Katrina. O que todos esses acontecimentos têm em comum?

É o que a ativista canadense antiglobalização Naomi Klein explica em seu novo livro The Shock Doctrine: The Rise of Disaster Capitalism [A doutrina do choque: O auge do capitalismo do desastre]. Naomi Klein em uma longa entrevista para o sítio La Haine, 27-09-2007, afirma que a história do livre-mercado contemporâneo foi escrita em choques e que os eventos catastróficos são extremamente benéficos para as corporações. Ao mesmo tempo a autora revela que os grandes nomes da economia liberal, como Milton Friedman, defendem o capitalismo do desastre. A tradução é do Cepat.

Acompanhe trechos da sua entrevista.

O que é exatamente a doutrina do choque?

A doutrina do choque como todas as doutrinas é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma janela e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de terapia do choque econômico.

É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de um reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Explique quem é Milton Friedman, a quem ataca energicamente nesse livro?

Bem, ataco Milton Friedman porque é o símbolo da história que estou abordando. Milton Friedman morreu no ano passado. Morreu em 2006. E quando morreu, vimos como o descreveram em tributos pomposos como se fosse provavelmente o intelectual mais importante do período pós-guerra. Não apenas o economista mais importante, mas o intelectual mais importante. E é verdade que se pode construir um argumento contundente nesse sentido. Foi conselheiro de Thatcher, de Nixon, de Reagan, do atual governo Bush. Deu aulas a Donald Rumsfeld no início de sua carreira. Assessorou Pinochet nos anos setenta.

Também assessorou o Partido Comunista da China no período chave da reforma ao final dos anos oitenta. Sendo assim, teve uma influência enorme. Falei outro dia com alguém que o descreveu como o Karl Marx do capitalismo. E acredito que não é uma comparação ruim, mesmo que esteja segura de que Marx não gostaria nem um pouco. Mas foi realmente um popularizador dessas idéias.

Tinha uma visão de sociedade na qual o único papel aceitável para o Estado era o de implementar contratos e proteger fronteiras. Tudo o demais deve ser entregue por completo ao mercado, seja a educação, os parques nacionais, os correios, tudo o que poderia produzir algum lucro. E realmente viu, suponho, que as compras a compra e a venda constituem a forma mais elevada de democracia, a forma mais elevada de liberdade. O seu livro mais conhecido é Capitalism and Freedom [Capitalismo e liberdade].

Quando da sua morte no ano passado, percebemos o como essas idéias radicais de livre mercado chegaram a dominar o mundo, de como varreram a antiga União Soviética, a América Latina, a África, de como essas idéias triunfaram durante os últimos trinta e cinco anos. E isso me impressionou muito, porque já estava escrevendo esse livro. Nessas idéias - que tanto se falou quando da morte de Friedman -, nunca ouvimos falar de violência, nunca ouvimos falar de crises e nunca ouvimos falar de choques. Ou seja, a história oficial é de que estas idéias triunfaram porque desejávamos que assim o fosse, que o Muro de Berlim caiu porque as pessoas exigiram ter seus Big Macs junto com a sua democracia. E a história oficial do auge dessa ideologia passa por Margaret Thatcher dizendo:

Não há alternativa, à Francis Fukuyama afirmando que a história terminou, o capitalismo e a liberdade caminham juntos. Portanto, o que procuro fazer nesse livro é contar a mesma história, a conjuntura crucial nos qual essa ideologia entrou com força, mas re-introduzo a violência, re-introduzo os choques e, digo que existe uma relação entre os massacres, entre as crises, entre os grandes choques e os duros golpes contra vários países e a capacidade de imposição de políticas que são rejeitadas pela grande maioria das pessoas desse planeta.

Você fala de Milton Friedman. Qual a relação com a Escola de Chicago?

A influência de Milton Friedman provém do seu papel como o popularizador real do que é conhecido como a;Escola de Chicago. Ele foi professor na Universidade de Chicago. Estudou na Universidade de Chicago e na seqüência foi professor nessa instituição. O seu mentor foi um dos economistas mais radicais do livre mercado da nossa época, Friedrich Von Hayek que foi professor na Universidade de Chicago.

A Escola de economia de Chicago representa essa contra-revolução contra o Estado de bem estar social. Nos anos cinqüenta, Harvard e Yale e as oito escolas mais prestigiadas dos EUA estavam dominadas por economistas keynesianos, pessoas como John Kenneth Galbraith, que acreditava que depois da grande depressão, era crucial que a economia funcionasse com uma força moderadora do mercado. E foi a partir daí que nasceu um novo contrato, a do Estado de bem estar social e tudo isso que faz com que o mercado seja menos brutal e se tenha uma espécie de sistema público de saúde, seguro desemprego, assistência social, etc.

A importância do Departamento de Economia da Universidade de Chicago é que realmente ele foi um instrumento de Wall Street, que financiou muito, muito consideravelmente a Universidade de Chicago. Walter Wriston, o chefe do Citibank era muito amigo de Milton Friedman e a Universidade de Chicago se converteu em uma espécie de ponto de partida da contra-revolução contra o keynesianismo e o novo contrato social com o objetivo de desmanchá-lo.

Qual a relação da Escola de Chicago com o Chile?

Depois da eleição de Salvador Allende, a eleição de um socialista democrático, em 1970, houve um complô para derrubálo. Nixon disse genialmente: Que a economia grite. E o complô teve numerosos elementos, embargos, etc e finalmente o apoio para o golpe de Pinochet em setembro de 1973. Escutamos muito falar nos Chicago Boys no Chile, mas não sabemos detalhes sobre o que foram na realidade.

O que faço no livro é contar esse capítulo da história. (...) Em 11 de setembro de 1973, enquanto os tanques rodavam pelas ruas de Santiago e o palácio presidencial ardia e Salvador Allende era morto, um grupo dos assim chamados Chicagos Boys, assumia o controle da economia. Economistas chilenos que haviam sido levados para a Universidade de Chicago para estudar com bolsas do governo dos EUA como parte de uma estratégia deliberada para orientar a direita latino-americana.

Tratou-se de um programa ideológico financiado pelo governo dos EUA, parte do que o ex-ministro do exterior chama de um projeto de transferência ideológica deliberada, ou seja, levar esses estudantes a uma escola distante, na Universidade de Chicago e doutriná-los num tipo de economia que era marginal nos EUA na época e enviá-los de volta para casa como guerreiros ideológicos.

Falemos do choque no sentido da tortura...

Começo o livro estudando dois laboratórios para a doutrina do choque. Como disse anteriormente, considero que há diferentes formas de choque. Um deles é o choque econômico e o outro o choque corporal, os choques nas pessoas. E nem sempre acontecem juntos, mas estiveram presentes em conjunturas cruciais. Assim que um dos laboratórios para essa doutrina foi a Universidade de Chicago nos anos cinqüenta, quando todos esses economistas latino-americanos foram treinados para se converter em terapeutas do choque econômico. Outro e não se trata de uma espécie de grandiosa conspiração foi a Universidade McGill nos anos cinqüenta.

A Universidade McGill foi o ponto de partida para os experimentos que a CIA financiou para aprender sobre tortura.

Quero dizer, foi chamado ‘controle da mente’ na época ou ‘lavagem cerebral. Agora compreendemos, graças ao trabalho de gente como Alfred McCoy, que consta em seu programa que o que realmente pesquisavam nos anos cinqüentas sob o programa MK-ULTRA, foram experimentos de eletrochoques extremos, LSD, PCP, extrema privação sensorial, sobrecarga sensorial, tudo isso que vemos hoje utilizados em Guantánamo e Abu Ghraib. Um manual para desfazer personalidades, para a regressão total de personalidades. (...) McGill realizou parte dos seus experimentos fora dos EUA, porque assim considerava melhor a CIA.

Em Montreal?

Sim. McGill em Montreal. Na época então, o chefe de psiquiatria era um individuo chamado Ewen Cameron. Na realidade se tratava de um cidadão estadunidense. Foi anteriormente chefe da Associação de Psiquiatria Estadunidense. Foi para McGill para ser chefe de psiquiatria e para dirigir um hospital chamado de Allan Memorial Hospital, que era um hospital psiquiátrico. Recebeu financiamento da CIA e transformou o Allan Memorial Hospital em um laboratório extraordinário para o que agora consideramos técnicas alternativas de interrogatório. Dopava os seus pacientes com estranhos coquetéis de drogas, como LSD e PCP. Os fazia dormir, uma espécie de estado de coma durante um mês.

Colocou alguns dos seus pacientes em uma situação de privação sensorial extrema e a intenção era que perdessem a idéia de espaço e tempo. Ewen Cameron dizia acreditar que a doença mental poderia ser tratada tomando pacientes adultos e reduzindo-os ao estado infantil. (...) Foi esta a idéia que atraiu a atenção da CIA, a de induzir deliberadamente uma regressão extrema.

Você falou do Chile, falemos do Iraque da privatização da guerra no Iraque - O governo iraquiano anulou a licença da companhia de segurança estadunidense Blackwater.

Esta é uma notícia extraordinária. Quero dizer, é a primeira vez que uma dessas firmas mercenárias é realmente considerada responsável. Como escreveu Jeremy Scahill em seu incrível livro, o verdadeiro problema é que nunca houve processos. Essas companhias trabalham em uma zona cinzenta, ou são boy scouts e nada lhes acontecia. (...) Isso significa que se o governo iraquiano realmente expulsar Blackwater do Iraque, poderia ser um fato e tanto para submeter essas companhias à lei e questionar toda premissa de porque até agora se permitiu que se tivesse lugar este nível de privatização e de ilegalidade.

(...) Algo em que eu penso pela pesquisa que eu fiz para o livro No Logo se entrecruza com esta etapa do capitalismo do desastre em que estamos metidos agora. Rumsfeld [ex-Secretário de Defesa de Bush] aproveitou a revolução de percepção das marcas dos anos noventa, na qual a projeção de marcas corporativas no sentido do que descrevo em No Logo em que essas companhias deixaram de produzir produtos e anunciaram que já não produziam produtos, mas produziam marcas, produziam imagens e deixam que outros, terceirizados, façam o trabalho sujo de fabricar as coisas. E essa foi a espécie de revolução na sub-contratação e esse foi o paradigma da corporação.

Rumsfeld se encaixa nessa tradição. E quando se tornou Secretário de Defesa, agiu como age um novo executivo da nova economia que se viu na tarefa de reestruturações radicais. Mas o que fez foi adotar essa filosofia da revolução no mundo corporativo e aplicá-la à forças-armadas. (...) essencialmente o papel do exército é criar a percepção de marca, é comercializar, é projetar a imagem de força e dominação no globo porém sub-contratando cada função, da atenção à saúde administrando a atenção de saúde aos soldados à construção de bases militares, que já estava acontecendo durante o governo de Clinton, ao papel que Blackwater desempenha e companhias como DynCorp, que como se sabe, destacou Jeremy, participam realmente em combates.

Comente a destruição do Iraque, do Choque e Pavor, da terapia econômica do choque de Paul Bremer, o choque da tortura, assim como a junção de todas essas coisas no Iraque.

Como já disse, no Chile, vimos esta fórmula do triplo choque. E eu penso que vemos a mesma fórmula do triplo choque no Iraque. Primeiro foi a invasão, a invasão militar de choque e pavor’ – muitas pessoas pensam no tema apenas como se tratasse de um montão de bombas, um montão de mísseis, mas é realmente uma doutrina psicológica que em si é um crime de guerra, porque se diz que na primeira Guerra do Golfo, o objetivo foi atacar a infraestrutura de Sadam, mas sob uma campanha de choque e pavor, o objetivo é a sociedade em escala maior. É um princípio da doutrina choque e pavor.

Agora, o ataque de sociedades em escala maior é castigo coletivo, o que constitui crime de guerra. Não é permitido que os exércitos ataquem às sociedades em escala maior, apenas é permitido que ataquem os exércitos. A doutrina é verdadeiramente surpreendente, porque fala de privação sensorial em escala massiva. Fala de cegar, de cortar os sentidos de toda uma população. E o que vimos durante a invasão, o apagão de luzes, o corte de toda a comunicação, o emudecimento dos telefones e logos os saques, que não acredito que façam parte da estratégia, mas imagino que não fazer nada faz parte da estratégia, porque sabemos que houve uma série de advertências que falava em proteger os museus, as bibliotecas e nada se fez. E depois temos a famosa declaração de Donald Rumsfeld quando foi confrontado com este fato: Essas coisas passam.

(...) O objetivo, usando a famosa frase do colunista do New York Times, Thomas Friedman, não é o de construir a nação, mas sim criar a nação, que é uma idéia extraordinariamente violenta.

Nova Órleans?

Nova Órleans é um exemplo clássico do que eu chamo de doutrina do choque do capitalismo do desastre porque houve um primeiro choque que foi o alagamento da cidade. E como se sabe, não foi um desastre natural. E a grande ironia do caso é que realmente foi um desastre dessa mesma ideologia de que estávamos falando, o abandono sistemático da esfera pública. Eu penso que cada vez mais vamos ver acontecimentos assim. Quando se têm vinte e cinco anos de contínuo abandono da infra-estrutura pública e do esqueleto do Estado o sistema de transporte, as estradas, os diques. A sociedade de engenheiros civis estadunidense calculou que colocar em condições o esqueleto do Estado custaria 1,5 bilhões de dólares. Portanto, o que temos é uma espécie de tormenta perfeita, na qual o debilitado Estado frágil se entrecruza com um clima cada vez pior, que diria que também faz parte desse mesmo frenesi ideológico em busca de benefícios a curto prazo e crescimento a curto prazo. E quando estes dois entram em coalizão, vem um desastre. É o que ocorreu em Nova Órleans.

O que a mais horrorizou ao pesquisar a doutrina do choque?

Horrorizou-me o fato que se tem por aí muita literatura que eu não sabia que existia e que os economistas a admitem. Uma quantidade de citações de propugnadores da economia de livre-mercado, todos desde Milton Friedman a John Williamson, que é o homem que cunhou a frase Consenso de Washington, admitindo entre eles, não em público, mas sim entre eles, como em documentos tecnocráticos, que nunca conseguiram impor uma cirurgia radical do livre-mercado se não acontece uma crise em grande escala, ou seja, as mesmas pessoas que propugnam que o mito central da nossa época, que a democracia e o capitalismo caminho juntos, sabe que se trata de uma mentira e o admitem por escrito.

Fonte: IHU - Instituto Humanitas UNISINOS