Dica de filme: Um Buda

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mais um excelente filme argentino, produzido em 2005.

“O Buda” é a história de um jovem que vive numa cidade grande e luta para fugir de sua profunda necessidade espiritual: a de descobrir quem ele é. Perdas, desilusões e tragédias, o levam a severas práticas espirituais, abandonando completamente sua vida, seu mundo, sua alimentação e afetando profundamente o mundo das pessoas que o rodeiam. 


Seu irmão, professor universitário de filosofia, sua noiva, atriz e filha de uma empresária do ramo televisivo, serão os interlocutores de sua exótica viagem em busca por seu mestre em um templo Zen nas montanhas. Ele o encontra, mas nem tudo acaba como se poderia esperar...

O despertar invariavelmente está onde menos se espera...

Uma bela mensagem sobre como a busca espiritual não pode tornar-se uma forma de escapar de nós mesmos e de nossa realidade social, até por que seria transformada numa forma de alienação existencial.


Download Via Torrent - AQUI

Como baixar pelo Torrent? Veja AQUI!

Quando mil gatos(as) sonharão?

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Data: Ter Jan 30, 2001 10:44 am.

Gostaria de participar de uma inquietação com vcs.

Estava meditando, procurando sentir a Terra, sentir como os movimentos sísmicos na India foram no Ser Terra.

Meditando sobre isso me senti unido ao Ser Terra e estava então nos mares do Pacífico e Índico.

Já os sintonizei antes, quando das explosões nucleares, os testes, da França, em suas "colônias". Nosso clã, em conjunto com outros, trabalhou magicamente para ajudarmos o SER Terra a metabolizar a tremenda energia que é liberada com a explosão.

O ser humano que enverada por este caminho dos senhores da guerra acaba perdendo toda a noção de decência e respeito a vida, pois testar algo com tal poder com a clara intenção de que isto seja uma arma, isto é, destruir vidas, é estar por demais distanciado de qualquer chance de se dizer humano, em coisa foi transformado, em coisa que odeia a vida, que provavelmente desconhece o amor e então odeia toda sua espécie e faz da guerra, antes um confronto entre heróis, um jogo de mercenários, onde a vida, a VIDA, com toda sua singularidade, com toda sua magia, é posta a serviço de interesses mesquinhos e sacrificada.

O que me preocupa agora?

Os testes nucleares são feitos em poços submarinos. Como é esse teste? Um fosso é aberto, lá dentro uma bomba instalada e sensores são colocados, depois tudo é lacrado com materiais que devem deter a radioatividade.

Explodem a bomba.

E dentro do poço lacrado, por coisa de 500.000 anos, (QUINHENTOS MIL ANOS tem noção o que é isso? PERPLEXIDADE!!!!!!) a radiação vai ficar ali, pronta a contaminar tudo que é vivo. Testes criam containers de radiação, fora os efeitos que tem sobre a estrutura energética do planeta, aspecto que é completamente ignorado.

Temos todos em nós resíduos das experiências nucleares feitas em desertos e áreas como florestas na antiga URSS, onde se conta que soldados foram mandados marchar sobre a área ainda em chamas após a explosão da bomba, para avaliarem os os efeitos da radiação.

A realidade da vida nem é levada em consideração.

Imaginem um desses soldados, um jovem, cheio de vida, de curiosidade sobre o mundo e seus mistérios, devia amar alguém, ser amado e então vai a um treinamento, lhe dizem que vão treinar combate em meio a um incêndio. A adrenalina ferve com seus amigos, seu bando, a energia jovem que flui em suas veias, o poder do sonho que tem então vão ao treino, alguns se machucam, outros julgam que se saem bem, mas então.

Cabelos caem, feridas abrem e não fecham, cânceres dos mais diversos e horrendos tipo, demência, perda imediata da vista, dores que nem a morfina remove.

Seres humanos passando por isso.

Algo mais recente, Guerra do Golfo.

Ali usaram um tal de urânio empobrecido, para revestir munição, aumentando seu poder de furar blindagens.

Soldados estão morrendo, doentes, vidas condenadas e o governo dos EUA não os indeniza porque oficial-mente esta doença não existe. Isto é imoral e está agora acontecendo na chamada "Pátria da Liberdade" que em breve estará enviando tropas para invadir a floresta, onde nossos povos irmãos ainda vivem.

Vamos deixar que transformem a Amazônia em seu novo oeste?

Que novos generais Custers venham dizimar o que ainda resta dos povos nativos?

Temos muitas coisas acontecendo ao nosso redor que precisam de um pouco de nossa atenção, no sentido ativo da palavra, no sentido de agirmos de alguma forma coerente para que geremos ondas de energia rumo a uma outra possibilidade existencial.

Isto é o que os (as) Xamãs da Tribo do Arco Íris propõe.

Uma ação focada, objetiva e mágica.

Temos a realidade a nossa volta, uma das muitas realidades que podemos abarcar.

Mas no xamanismo guerreiro, não nos deslocamos fugindo desse mundo antes de resolvermo-nos aqui e agora.

A estratégia de treinamento dos(as) xamãs da atualidade começa pelo desabrochar de suas habilidades na realidade que estão inseridas.

Por um conjunto de fatores que nunca mensuraríamos todos, vc nasceu num certo ponto do tempo e do espaço.

Teve um familia com toda uma história e tem toda uma históricidade que te traz até este momento existencial, no qual está lendo este mail.

Este conjunto de situações aos quais vc foi exposto foram gerados pelo TAO, pelo INTENTO, em si mesmo, sem nenhuma interferência.

Assim, os (as) xamãs sacaram que o primeiro e mais eficiente campo de treino e teste é a vida cotidiana, é o conjunto de eventos , de situações que ocorrem conosco que foram ali colocadas pelo próprio TAO.

Dentro desta idéia sempre me ocupo com a realidade do mundo circundante e este foi o tema que me levou a escrever este mail.

Os testes nucleares em fossos.

Agora toda esta radiação está dentro de um fosso cavado em rocha e revestido e tal.

Os últimos testes da França foram nos atóis que tem certa proximidade com a Índia, local de forte terremoto.

Não poderão terremotos deslocar e mesmo desmoronar a proteção desses poços criando fissuras que podem liberar a radiação no mar?

Imaginem a potência das bombas que esses loucos testam nesses lugares.

E o efeito nas placas tectônicas e seus delicados equilíbrios.

As vezes gostaria de acreditar que existe mesmo um governo secreto, uma conspiração oculta para destruir a humanidade ou impedir que nos equilibremos para receber focados e consciente a energia que está vindo de Hunab Ku, por que a opção a esta hipótese, de um governo em conluio com forças que são hostis a vida, é perceber que tudo isso é pura estupidez humana, movida pelo orgulho e arrogância de alguns.

E conivente com esta destruição toda a humanidade, tornada estúpida e alienada de si, por ato ou omissão colabora com esta agenda de esgotamento do Ser Terra.

Quando mil gatos/as sonharão?

Nuvem que passa

Dica de filme: Trilogia Matrix

A trilogia Matrix para baixar através do programa Torrent! Basta clicar nos títulos abaixo.

(download do arquivo Torrent - necessário ter o programa Torrent. Veja AQUI como fazer para baixar)


Matrix

Matrix Reloaded

Matrix Revolution

Ser Guerreiro, a visão tolteca

sábado, 26 de setembro de 2015

Paralelo a este tema quero abordar a questão de "ser guerreiro(a)" que algumas pessoas em privado me escreveram questionando. Cada um desses temas daria um tratado, mas vamos ousar abordá-los juntos, mesmo sabendo que palavras são sempre limitadas e expressam muito pouco do que queremos realmente expor.

Nascemos numa determinada condição. Temos uma família, amigos e amigas que vão se agregando com o passar dos anos, relacionamentos, por vezes, constituímos família e vêm os filhos e filhas e, de repente, nos descobrimos já enredados em toda uma história de vida, composta por nossos atos, por nossas vivências. Temos nosso trabalho, nossa vida social, nossas buscas... Na maior parte das vezes não notamos isto acontecer, somos levados pelas situações de vida, uma após a outra e de repente descobrimos que somos "o que fizeram de nós". O primeiro e mais difícil passo na trilha dos (as) guerreiros (as) é lidar com o "que fizeram de nós".

É muito difícil isso, mesmo quando pregamos que devemos mudar e tal e tal estamos usando toda uma sintaxe e modo de agir e um portar-se completamente escravizado ao que "fizeram de nós".

Passamos a vida repetindo as mesmas histórias, as mesmas rotinas, as mesmas frases, costumo dizer que a maioria das pessoas só apresenta novidade nas duas primeiras horas que a gente conhece, depois é uma enfadonha variação sobre o mesmo tema, muitas vezes nem tão ampla assim, apenas o repetir e o repetir dos mesmos diálogos, dos mesmos medos, das mesmas carências, dos mesmos conceitos prontos.

Este é o primeiro ponto que o caminho dos (as) guerreiros (as) toca, somos criaturas de inventário. Vivendo construímos uma vida, relacionamentos, geramos uma imagem que as pessoas se fiam, a ponto de poderem mesmo prever como vamos reagir numa situação. E gostamos disso. Dizemos : "Sou assim" , ou ainda "é meu jeito" , "sou desse jeito" , "me conheço".

Quando nos dedicamos a uma sincera e profunda observação de nós mesmos vamos descobrir que o pretenso "eu" inexiste enquanto tal, isto é enquanto entidade singular, somos é aglomerado, uma aglomerado de sentimentos, de jeitos de reagir, de emocionar e raciocinar que de manhã quer uma coisa, de tarde outra e a noite outra.

Isto não é um tema para "crer" é algo para se observar e constatar. Muitos caminhos propõe vários exercícios de auto observação para que possamos constatar o fato dessa multidão disfarçada de "eu" que somos, assim como a inexistência, até que trabalhemos para, de um ente singular e consciente em nós.

Vou sugerir um exercício simples, nos próximos sete dias tente se lembrar de acordar cada dia colocando primeiro um pé no chão, isto é, se amanhã ao acordar colocar o pé esquerdo, lembre-se de depois de amanhã colocar o pé direito e assim variando.

Há duas formas de abordar o caminho dos (as) guerreiros (as). Podemos usar as informações dele oriundas para melhorar nossas vidas, como podemos usar as informações médicas para viver com mais saúde. Mas isso não nos faz guerreiros (as) ou médicos, nos faz pessoas mais espertas que a média, que usam de conhecimentos mais especializados para viver com mais qualidade.

Ótimo isso, usamos tensegridade, usamos alguns conceitos do caminho que realmente tiram as bobeiras de nossa vida e nos tornam mais fortes e determinados no mundo, menos bobos e menos mimados.

Agora, pretender SER um (a) guerreiro (a) é outra coisa, outro departamento e não é para espíritos fracos, indecisos, que querem apenas melhorar sua "condição de vida" mas não tem as "vísceras de aço" e o "amor a vida" que os videntes vêem como condição básica para a ousadia de enfrentar a imensidão que nos envolve.

Por isso é importante deixar claro que existem muitos caminhos de Xamanismo, caminhos que exigem muito menos que o Xamanismo Guerreiro.

Não são caminhos "menores", "menos evoluídos", "mais fracos", não, nada dessas bobeiras comparativas, apenas são outros caminhos e tem todo seu valor, devem ser respeitados, tem suas metas, mas não devemos confundir o XAMANISMO GUERREIRO com toda sua exigência de disciplina e dedicação com outros caminhos.

Por isso considero bastante engraçado quando as pessoas ficam questionando a Taisha, a Florinda com suas colocações diretas e incômodas, o que elas falam não é para todos(as), as propostas que Taisha e Florinda, assim como CC, apresentam em seus livros iniciais, quando narram suas próprias trilhas iniciáticas, não são "verdades", são caminhos, são questões práticas que todo praticante efetivo encontra em seu caminho. Digo isso com a convicção de quem encontrou os mesmos questionamentos e experiências em outros caminhos, bem antes de ter acesso a obra do novo nagual.

O primeiro passo para quem pretende iniciar-se na árdua trilha do (a) guerreiro (a) é saber que a vida comum ficou para trás. Não adianta querer ser mais ou menos, querer ficar com um pé em cada canoa, ou tu passas a dimensão mítica do (a) guerreiro (a) que é um estado de sonho acordado, um mito que foi gerado alhures, na imensidão desconhecida do espaço-tempo e chega até nós ou é melhor assumir que queremos apenas tirar dicas desses conhecimentos para melhor viver, como alguém que lê obras médicas para se informar sobre um viver saudável, mas não quer ter o trabalho de se formar médico(a). Tu podes saber muito de medicina e isso te ajudar bastante em tua vida, mas isso não te expõe a ter que sair de madrugada para atender alguém.

Um (a) xamã guerreiro (a), por exemplo, tem que apagar a própria vida e a própria rotina, por exemplo, para poder entrar e sair dos mundos vários que visita sem chamar a atenção.

Alguém que tem filhos, família, meio social, vida profissional rígida e exigente crê que pode fazer isso?

Não há como conciliar a medíocre vida "comum" e a avassaladora proposta do caminho do (a) guerreiro (a) Tolteca.

E o paradoxal é que o começo do caminho passa pela resolução do aqui e agora onde estamos, da vida cotidiana que vivemos, mas não se limita nela.

A vida comum pode ser usada como campo de treino e combate, como campo de desenvolvimento, mas isto já significa uma mudança imensa de nossa relação com a vida e com as pessoas do mundo que nos cercam.

Um homem ou mulher que começa a trilhar o CAMINHO vai notar que sua vida "comum" ficou prá trás e cada vez mais é distante qualquer coisa que nela estava.

Por isso é dito que a morte é o passaporte para o estado de guerreiro (a) e não é nada simbólica essa morte, é real, total, completa, o velho ser, que nasce para servir a desígnios vários que não o seu, tem mesmo que morrer, para que haja o renascimento completo e surja o novo ser.

Aprender a agir pelo prazer de agir é um dos pontos fundamentais nessa mudança. É muito mais difícil que parece, eu convivo com pessoas que dizem a todo instante que aprenderam isso, mas basta observar o vocabulário que usam para notar que interiormente ainda estão em busca de aprovação, de recompensas, por mais "espirituais" que pintem essas recompensas.

Raramente entendemos quando o INTENTO nos envia alguém como seu elo, ficamos presos a nosso eu mesquinho, desconfiado e nem percebemos a imensa sorte que temos.

Uma das maldições dos seres humanos é essa, só perceberem as coisas depois que elas já não estão mais ao seu alcance.

Não ter história pessoal é uma conquista que precisa ser cuidadosamente trabalhada, mal direcionada pode levar a uma esquizofrenia completa, onde a pessoa não sabe para onde vai nem onde fica, o popular "onkotô", "pronkovô", " kenkosô".

Tem gente que não combina com a família, com o meio onde vive e quer usar de desculpas místicas para "fugir" desses desafios.

Isto é totalmente contrário à idéia do CAMINHO, que pretende mesmo usar os pequenos tiranos de nossa vida para a manobra sofisticada de tirar nosso ponto de aglutinação da posição auto-reflexiva da importância pessoal e levá-lo ao ponto da implacabilidade.

E o CAMINHO não é de confusão, nem de atrapalhações, muito menos de fuga, neste sentido de perder o equilíbrio existencial, justamente o contrário, só um profundo estabelecer de um equilíbrio existencial pode nos colocar em sintonia com as energias mais amplas que nos abrem portas para mundos outros que não esse.

Assim, quando falo que a vida "comum" não combina com o Caminho, paradoxalmente também digo que só resolvendo e atravessando a vida comum poderemos "entrar no caminho" , pois nosso desafio é o mundo onde estamos, os maiores obstáculos estão na vida cotidiana e só quando eles forem vencidos poderemos ter certeza que estamos prontos a nos aventurar na vastidão.

Pois este tem sido o desafio, nós que nada somos, suportarmos, sem sermos destruídos, enfrentarmos a absoluta solidão da ETERNIDADE.

Sonhar não é fantasiar.

Sonhar é transformar o sonho em um local efetivo e pragmático de ação.

Sonhar tem poder porque podemos morrer nele, isto é uma frase fantástica para ser meditada.

Para um (a) xamã guerreiro(a) o sonhar é seu campo de ação e trabalho, tanto quanto o mundo cotidiano é seu campo de ação e trabalho.

Assim, tem valor, os momentos que estamos auto conscientes, tudo mais é fantasia e escapismo, quer neste mundo, quer em outros, com o agravante que o mundo dos sonhos pode nos iludir muito mais com imagens e vivências cheias de fantasias nas quais as pessoas adoram chafurdar.

Quando começam a me contar sonhos rocambolescos pergunto apenas: estavas aguda e totalmente consciente de si?

Se sim, o valor tá só nisso, se não nem esse valor tem.

Espreita não é fingimento.

Repito isso muito porque canso de ver pessoas que representam papéis apenas para "acariciar" seus egos já enormes e chamam isso de espreita. Fico ouvindo termos como "vou dar uma espreitada em fulano", "espreitei isso e aquilo" e não noto nem um nanomilésimo de deslocamento do ponto de aglutinação, então onde a espreita?

Pois a espreita é o deslocamento e conseqüente nova fixação do ponto.

Espreita é um movimento ordenado e a conseqüente fixação do ponto de aglutinação em outra posição que não a usual, você nasce de novo, é um novo ser.

Muda teu jeito, teus hábitos, teu linguajar, tua história, tudo e de tal forma isso ocorre que tudo que acontece na tua vida focaliza ainda mais o que está sendo espreitado, pois a espreita para um (a) guerreiro (a) do abstrato, que não tem propósitos ulteriores, que age pelo prazer de agir e é apenas reflexo do espírito é guiada pelo próprio INTENTO, cabendo-nos apenas fluir com as diretrizes, os sinais que o INTENTO claramente coloca em nossas vidas.

Um (a) guerreiro (a) do abstrato, do INTENTO, não fica escolhendo, vou espreitar isso agora, aquilo depois, apenas sente os sinais e vai, vai e vai e então as coisas acontecem e os sinais lhe mostram como agir e reagir e quando chega o momento encerra o seu papel e desaparece de cena, apenas isso.

Por isso mesmo se tudo que foi armado numa situação não der certo, mesmo que as pessoas envolvidas numa complexa espreita falhem miseravelmente, optando por ceder a seus medos, voltando a sua forma antiga de agir e perdendo (temporariamente que seja) tudo que foi trabalhado, um (a) espreitador (a) em nada se apoquenta, pois desde o começo não esperava nada mesmo, apenas vai rir ( se este for seu estilo) e se recolher em si mesmo, aguardando o próximo desígnio do INTENTO, que nos enviará a outras plagas, para novas aventuras.

Desejar o PODER, pretender trilhar o CAMINHO é algo muito, muito sério, porque é avassalador.

É uma pretensão sem volta, quando pretendemos, sinceramente, ir ao CAMINHO, o CAMINHO vem até nós também, o mesmo tanto que lutamos pelo CAMINHO o CAMINHO luta por nós.

Ser um (a) guerreiro (a) não é uma decisão que tomamos, é algo que é decidido lá fora, nesta imensidão incomensurável da qual somos parte ínfima e insignificante.

Um (a) guerreiro (a) não se aventura no desconhecido por cobiça, isto seria tolice, a cobiça não funciona nesta vastidão.

D. Juan Matus dizia que só por AMOR, amor ao que intriga, ao mistério, a vida, isto é que motiva um (a) guerreiro (a) a esta tremenda aventura. O pragmatismo de um (a) guerreiro (a) vem da constatação de que o pior que podia acontecer é morrer e isto é a única certeza que temos, daí que nós que já perderam tudo, o que mais temeríamos perder?

Um (a) guerreiro (a) nada tem, para nada ter a perder, assim sem apegos pode se lançar livre e voluntariosamente ao desconhecido, as vastidões da ETERNIDADE e suportar mesmo o frio olhar da INFINITUDE.

Um (a) guerreiro(a) sabe que a parte humana da TOTALIDADE é pequena demais, assim não há como "pedir", "rezar", "barganhar" com esta TOTALIDADE, como fazem as religiões, assim tudo que temos é nosso poder pessoal, nem mais nem menos.

Um (a) guerreiro (a) sabe que é efêmero, nada mesmo, que só tem este tempo mágico sobre a Terra e vai viver tempo de menos para presenciar todas as maravilhas possíveis, assim isto é uma pena, mas só isso ,uma pena e ser um (a) guerreiro (a) é justamente usar esta constatação não para autocomiseração ou auto piedade, mas para tornar mais forte seu propósito de trilhar com sabedoria e desapego o caminho da vida, regalando-se com cada detalhe, com cada momento.

Que prazer inenarrável há em assim viver, fazer de cada instante o único, cada tecla aqui tocada momento único e final dessa aventura chamada vida.

Assim não há espaço na vida de um (a) guerreiro (a) para estados de espíritos imbecis, limitantes, depressivos ou algo assim, isto tudo é pura frescura, pura bobagem que só cabe em quem se acha eterno e imortal.


Quem sabe que a morte está sempre caçando, que nada nos garante o próximo instante, quem disso está ciente nunca vai se entregar a tais estados de espírito, vai lutar bravamente para ter sempre o melhor de si presente.

Se tiver fome, dá um jeito , se estiver triste dá um jeito, se se machucar, dá um jeito, pois a imensidão de nossa sorte, em sabermos da trilha dos (a) guerreiros(as) não pode ser nunca deixada de lado.

Entregar-se a qualquer estado de espírito debilitante é ofensivo ao ser total, é tolice rematada e um(a) guerreiro está sempre em guarda com isso, mesmo sabendo que pode as vezes falhar e cair nesta armadilha ainda assim não se preocupa, ri, ri de si mesmo(a) e segue em frente.

Um (a) guerreiro(a) não se prende a nada , nem a ninguém, quando está num lugar todos a sua volta dizem que vai ficar ali para sempre tal a dedicação e seriedade com que se envolve com tudo e todos.


Traça planos, age como se tivesse encontrado seu lugar definitivo, mas interiormente sabe que faz aquilo pelo ESPÍRITO, é o ESPÍRITO que vai continuar ali, ele (a) guerreiro (a) apenas é um elo naquele momento, mas como uma nuvem vai passar e passar sempre.

Quem olha de fora vê o (a) guerreiro se dedicando e agindo com foco total onde está, podem indagar o que realmente ele (a) quer com isso, quais são seus "interesses", pois dirão "ninguém age só por agir", todo mundo quer ganhar algo", mas o que não sabem é que tal agir dedicado é só sua impecabilidade, quando chega a hora, quando os ventos do INTENTO sopram, um(a) guerreiro (a) apenas parte, livre, como se nunca tivesse existido o ontem, o que foi válido para sua condição de guerreiro (a) guarda em seu álbum de "momentos valorosos", o mais é recapitulado, a energia do lugar, dos eventos e das pessoas que ficaram no (a) guerreiro(a) são devolvidas e a energia própria tomada de volta e assim inteiro, livre e pleno solta-se novamente nas correntes do vasto mar da ETERNIDADE ciente que um novo e desafiante momento está a caminho.

Não importa se os resultados de seus atos aparentem ser vitórias ou derrotas a olhos outros, interiormente, por ter seu elo de conexão limpo, sabe que agiu sempre pelo ESPÍRITO e isto é o que importa, é tudo mesmo que tem sentido e valor.

A testemunha silenciosa que temos, nossa única platéia, com um gesto especial o (a) xamã guerreiro (a) quando percebe que um ciclo de sua vida se encerra oferece tudo ao ESPÍRITO e segue em frente, livre, como poeira na estrada.

Só existe um tempo para um (a) guerreiro (a): o agora.

Só existe um lugar para um (a) guerreiro (a) : o aqui.

Tudo mais apenas pode dissipar seu poder e esvaziar sua chance de atingir a única meta que tem , uma meta tão abstrata, que o (a) guerreiro (a) sabe que mesmo tendo sua vida dedicada a ela , pode mesmo não alcançá-la, por isso, podemos realmente dizer que um (a) guerreiro (a) age pelo prazer de agir, pela sua impecabilidade e nunca por nenhum propósito ulterior.

Por isso o que está nos livros de Taisha, Florinda, Castaneda é para nós totalmente real, não uma bíblia inquestionável, mas um Mapa, um mapa preciso de um território que só podemos percorrer como mitos.

Mas não é imitar que nos compete, imitar a forma é trair o ensinamento , é negar o conteúdo, o que buscamos é a compreensão dos cernes abstratos, pois são eles tudo que importa.

O que Taisha, CC, Florinda e outros viveram foram suas próprias formas de se relacionar com a ETERNIDADE.

Temos que sonhar um sonho de poder de nós mesmos, temos que crer que isso é possível, não cair na mediocridade das pseudo justificativas, das pseudo interpretações do "isto eu aceito", "isto não aceito" pois não estamos falando de dogmas ou verdades, nem de princípios religiosos, estamos falando do agir estratégico para atingir um estado de sonho acordado, uma configuração energética precisa que foi intentada pelos ancestrais xamãs que habitaram este mundo e que ainda vivem alhures.

O estado do (a) GUERREIRO (a) é um desafio imenso, mas há algo mais importante que este desafio, para nós, efêmeras criaturas fadadas a morrer e se dissolver na vastidão do mar escuro da consciência?

Há algo mais importante para dedicarmos cada inspiração, cada expiração e o espaço entre elas a esta meta?

Eu julgo que não e procuro ter nessa certeza a força motriz de meus atos.


Nuvem que passa

Reflexões Enteógenas

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Adquirir um estado de serenidade, equanimidade e equilíbrio é sempre uma questão de treino. Eis a práxis da atenção e da consciência. Consciência é estar ciente de si.

A prática da serenidade é uma oferta generosa do próprio viver pois a oportunidade de treino se apresenta a todo o momento em nossas relações e cotidiano.

Cada irmão(ã) ao nosso lado é nosso mestre, nosso treinador, neste sentido. Mesmo nosso aparente inimigo ou adversário é nosso mestre e precisa ser amado e reverenciado como uma oportunidade de treino de nossa mente.

Tal prática se faz num ambiente que lhe é oposto. Não se pratica a serenidade na paz, antes na confusão. Da mesma forma que a ordem só é praticada a partir do caos. Da confusão pode surgir a fusão, a união com o divino em nós. A confusão é o estado do ego, da mente identificada consigo mesma.

A serenidade é uma prática que exige o seu oposto, é dialética.

Nossa mente comum precisa de ordem, os pensamentos na mente comum e sem treino se dão de forma caótica.

Pare por uns instantes. Observe sua mente. Quantos pensamentos atravessam o espaço da mente? Quem pensa? Por que pensamos independente de nossa vontade para tal? Por que temos dificuldade em nos concentrar? Conseguimos ficar em paz e em silêncio com nós mesmos?

A própria mente é o espaço de prática inicial para a serenidade, é o nosso ambiente interno que o espírito precisa organizar para poder expressar-se em toda a sua plenitude.

Nossa casa física é o ambiente externo onde moramos. A mente é o ambiente interno onde residimos em tempo integral.

A mente é como a casa do espírito, precisa ser limpa e organizada, decorada e enfeitada, precisa ter espaços e ser bem ventilada.

Uma casa sem ordem, sem paz, sem limpeza, onde qualquer um entra e sai é a condição da mente comum. Para que a mente se torne uma casa adequada para viver ela precisa da prática da serenidade, da atenção, da meditação e da presença no aqui e no agora.

Uma mente desorganizada reflete-se num comportamento caótico, inquieto, angustiado.

A realização da enteogenia exige ordem na casa interior que é o templo do Divino em nós. Enteogenia é estabelecer-se em Si mesmo, manifestar a Divindade em nós, o Eu Sou.

O uso de plantas de poder é uma ferramenta dentro da Enteogenia. A Enteogenia não se baseia apenas no uso de plantas de poder, pois a auto-realização de sua própria Divindade exige uma disciplina, um método e um conjunto de técnicas comportamentais que levam a serenidade da mente e ao crescimento gradual de nossa energia interior que nos permite lograr não apenas um eventual estado xamânico ou enteôgenico de êxtase mas alcançar o objetivo maior de alcançar o estado desperto, o estado búdico, o estado crístico, o estado permanente de união e de ioga com a nossa Divindade interior.

Precisamos, sobretudo, incorporar a nós mesmos, o nosso Eu Superior. E o caminho para tal é o treino da mente que o Mestre nos oferece generosamente a cada instante, basta que mudemos a nossa visão de mundo e percebamos que a nossa própria vida é o nosso campo de treino e todas as pessoas que dela fazem parte são nossos gurus, encerrando lições preciosas que se bem aproveitadas nos levarão a tão aspirada serenidade, equanimidade e equilíbrio em todas as esferas da existência.

F.A.

Não há um caminho, a não ser ver o caminho em tudo

sábado, 19 de setembro de 2015

A vida de um dos mestres do Zen Budismo: Dogen. A realização do paraíso na Terra através da vivência do presente, do aqui e do agora.

A realidade é uma interpretação

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Consciência não é mero saber, é estar ciente de si e da relatividade de seu próprio olhar sobre a realidade.

A realidade é uma interpretação que se faz de acordo com o conteúdo mental e emocional de cada um.

Cada um vê a si mesmo, é preciso ir além disto, se não ficamos como a Mariângela, a seriema aqui de casa que ataca os vidros da janelas pois não se reconhece no próprio reflexo.

Não se reconhecer (no outro) é a fonte de boa parte de nossos sofrimentos. Dá origem a fanatismos, intransigências, brigas, violências e carma.

A consciência de si é a percepção da própria interpretação e da interpretação do outro a respeito da realidade.

A realidade do consenso é tão somente a interpretação dominante, pode ser chamada de matrix. Cada um tem uma matrix dentro de si, um sistema de interpretação.

A comunicação entre duas pessoas que possuem sistemas de interpretação diferentes (religiões, ideologias, filosofias diferentes) se dá quando ambas tem consciência de si, quando possuem uma percepção mais ampla que  permite trafegar entre diferentes sistemas interpretativos e, portanto, são capazes de perceber uma situação de forma mais aberta, com uma percepção mais flexível.

Assim é muito importante cultivar mente e coração com uma diversidade de sistemas de interpretação, perceber sua relatividade e, sobretudo, ser capaz de observar, espreitar, olhar para si mesmo através da meditação e do silêncio interior, pois esta é a chave principal para ir além da matrix pessoal e coletiva.

Os três monges

É uma velha tradição dos mosteiros budistas do Japão.

Sempre que um monge viajante deseja passar a noite num mosteiro, deve passar numa prova. Deve vencer um debate sobre budismo com um dos monges residentes. Mesmo que vença o debate, poderá passar apenas uma noite. Isso é simbólico e muito bonito, num debate intelectual pode-se gerar muito fogo sem nenhuma luz. Pois a "mente" discursiva, mesmo que seja brilhante, não é capaz de compreender a Verdade, assim o monge deve, após o pernoite, seguir em sua viagem em busca do Conhecimento.

Certa feita, um monge viajante chegou a um mosteiro onde haviam dois irmãos. Um mais velho e sábio e outro mais moço, caolha e um verdadeiro idiota.

O mais velho e sábio dos irmãos naquele dia estava muito cansado para debater, tinha estudado muito, e quis colocar o irmão mais novo frente à frente com o monge viajante. Contudo, o monge viajante devia ser um homem muito vivido e experiente, devido as suas inúmeras viagens e o irmão mais velho pensou se não existiria alguma maneira de equilibrar as condições do debate, já que seu irmão caolha não passava de um idiota.

Até que teve uma brilhante idéia . O debate seria efetuado em silêncio.

Ao terminar o debate o monge viajante sai para cumprimentar o irmão sábio.

Seu irmão é um homem maravilhoso ! Venceu o debate brilhantemente! - disse o viajante.

Mas como? Ele não passa de um idiota! - pensou o estudioso consigo mesmo.

- Diga-me, como foi o debate - perguntou o estudioso monge.

Bem, - disse o viajante - assim que vi seu irmão, levantei um dedo, para simbolizar Buda. Seu irmão levantou dois dedos para simbolizar Buda e seus discípulos. Então eu levantei três dedos para simbolizar Buda, seus discípulos e seus ensinamentos. Seu irmão levantou o punho fechado em minha face para simbolizar que os três vêm de uma única realização. Então, vencido, retirei-me da sala de debates.

O monge viajante teve, então, que dormir ao relento.

Sai logo depois o monge caolha e idiota em altos brados.

- Parabéns, irmão ! Soube que venceu o debate brilhantemente ! - disse o irmão estudioso.

- Qual que nada! Aquele monge era um grosseirão!!! Imagine que assim que me viu, levantou um dedo para acusar-me de possuir apenas um olho. Ora, como eu sou muito educado, levantei dois dedos cumprimentando-o pôr ter dois olhos. Imagine que ele teve a petulância de me mostrar os três dedos, como que dizendo que os dois olhos perfeitos que possuía e mais o meu único olho formam três ! Então, sem mais agüentar a humilhação, levantei meu punho fechado em sua face para dar-lhe um soco e ele saiu espavorido ! - disse o idiota.

O irmão mais velho apenas sorriu.

Extraído de memória do excelente livro: "Dez Contos Zen - Nem Água, nem Lua" - Osho

F.A.

O vento

sábado, 12 de setembro de 2015

O vento que abre as portas

O vento que escancara as janelas

O vento que desfaz nossos abrigos

O vento que traz a tempestade

O vento que nos leva embora desse mundo

O vento que sempre está de passagem

O vento que não tem começo e nem fim


Esteja pronto pois um dia ele virá

E lá estava eu dormindo

Agarrado na imensa noite de minha cegueira

Foi quando, em meus pequenos delírios

Eu o chamei

E ele veio

E me levou embora

Feito folha desgarrada

À mercê de um suspiro do Infinito

Assim eu fui

E o que voltou já não é mais o mesmo

Hoje vislumbro outras possibilidades

Apesar que apenas uma realmente importa

Hoje tenho muitos nomes

E por isso não tenho nenhum

Hoje posso escolher

Apesar de não ter mais escolha

Pois o vento está sempre indo e vindo

Logo estará chegando

Esteja pronto pois um dia ele virá.


(Grande abraço à todos! - Jean).

A imagem veio DAQUI.

Da horta para a floresta

"A vantagem do nosso tempo é que quem busca, encontra."

A agenda Gotsch: exemplo de um homem que está a mais de 30 anos implantando este sistema no Brasil.

Excelente mini-documentário sobre agro-floresta dando ênfase num modelo que pode ser aplicado em 80% dos espaços brasileiros.

Da horta à floresta - From garden to forest from Agenda Gotsch on Vimeo.

Mundos internos, mundos externos

sexta-feira, 11 de setembro de 2015



Belo documentário voltado para o tema do conhecimento de si mesmo, gnosis nosce te ipsum.

Qual a ponte entre o mundo interior e o exterior?

O segredo de Esculápio, o arcano do Espírito Santo, o mistério de Quetzalcoatl.

O poder de Shakti Kundalini.

https://www.youtube.com/watch?v=HBmhc_IxViE

Uma reflexão sobre a realidade a partir de múltiplas referências buscando atingir um único alvo: nós mesmos.

A compreensão de nosso poder interior através do campo sutil e misterioso que sustenta e organiza todos os fenômenos.

F.A.

Arco-Íris e 11 de setembro

Ontem - 10/09/2015 - um arco-íris surgiu no exato local onde as torres gêmeas do World Trade Center foram derrubadas no trágico 11 de setembro.

O fato em si pode não significar nada, mas a tentação de atribuir um significado é grande.

São 14 anos de um atentado que ainda não foi esclarecido e que deixam muitas dúvidas. Uma dessas dúvidas é a queda do Building 7, prédio de 47 andares que estava na mesma região das Torres e que não foi atingido por nenhum avião. Por que tal prédio caiu da mesma forma como caíram as Torres Gêmeas?

Para alguém que estuda Tarot o arco-íris que surgiu ontem no local das Torres Gêmeas associa-se ao arcano 14, a Temperança. Isto nos faz pensar na sequência de arcanos, então temos para hoje, 11 de setembro, o arcano 15 do Tarot, o Diabo, santo-padroeiro de todos os conspiradores e arquetípica expressão de nossa sombra interior. E, na sequência, obviamente, a próxima carta é o arcano 16, conhecida como a Torre.

O arcano 14 nos fala de uma aliança entre o céu e a terra.

O arcano 15 representa aquele que testa o valor desta aliança, como Satanás que testa Jó e sua aliança com Javé.

O arcano 16 representa o poder que põe por terra tudo aquilo que não é capaz de sustentar esta ligação.

O arcano 16 tem uma relação direta com o atentado as torres gêmeas pois tal arcano é conhecido como Torre Fulminada.

Temos esperança, arcano 17, que passados 14 anos, ainda surja uma luz que possa revelar quem realmente promoveu os ataques terroristas do 11 de setembro, pois as suspeitas de ataque de falsa bandeira possuem evidências, que por mais chocantes que sejam, clamam por esclarecimento.

Que o arco-íris represente de fato a nossa aliança com a Divindade, pois não há nada mais divino que a verdade.



Psicologia da Evolução Possível do Homem - 1ª parte

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Vou falar do estudo da psicologia, mas devo preveni-los de que a psicologia a que me refiro é muito diferente do que pos­sam conhecer por esse nome.

Antes de tudo, devo dizer que nunca, no curso da história, a psicologia se encontrou em nível tão baixo. Perdeu todo con­tato com sua origem e todo o seu sentido, a tal ponto que hoje é difícil definir o termo “psicologia”, isto é, precisar o que é a psicologia e o que ela estuda. E isto, apesar de, no curso da história, jamais se ter visto tantas teorias psicológicas nem tantos livros sobre psicologia.

A psicologia é, às vezes, chamada uma ciência nova.
Nada mais falso. Ela é, talvez, a ciência mais antiga;
infelizmente, em seus aspectos essenciais, é uma ciência esquecida.

Como definir a psicologia? Para compreender isso, é pre­ciso dar-se conta de que, exceto nos tempos modernos, a psico­logia jamais existiu com seu próprio nome. Por vários motivos, sempre foi suspeita de apresentar tendências falsas e subversi­vas, de caráter religioso, político ou moral, e sempre teve que se ocultar sob diferentes disfarces.

Durante milênios, a psicologia existiu com o nome de filo­sofia. Na Índia, todas as formas de Ioga, que são essencialmente psicologia, são descritas como um dos seis sistemas de filosofia. Os ensinamentos sufis, que são, antes de tudo, de ordem psico­lógica, são considerados em parte religiosos, em parte metafí­sicos. Na Europa, até pouco tempo atrás, nos últimos anos do século XIX, muitas obras de psicologia eram citadas como obras de “filosofia”. E embora quase todas as subdivisões da filoso­fia, tais como a lógica, a teoria do conhecimento, a ética e a estética, refiram-se ao trabalho do pensamento humano ou ao dos sentidos, considerava-se a psicologia inferior à filosofia e relacionada somente com os aspectos mais baixos ou mais tri­viais da natureza humana.

Ao mesmo tempo que subsistia com o nome de filosofia, a psicologia permaneceu por mais tempo ainda associada a uma ou outra religião. Isso não significa que religião e psicologia jamais tenham sido uma única e mesma coisa, nem que a rela­ção entre religião e psicologia tenha sido sempre reconhecida. Mas não há dúvida de que quase todas as religiões conhecidas — evidentemente não falo das pseudo-religiões modernas — desenvolveram esta ou aquela espécie de ensinamento psicoló­gico, acompanhado, muitas vezes, de certa prática, de modo que freqüentemente o estudo da religião comportava, já por si mesmo, o da psicologia.

Na literatura religiosa mais ortodoxa de diferentes países e diversas épocas encontram-se excelentes obras sobre psico­logia. Por exemplo, esta compilação de autores que datam dos primeiros tempos do cristianismo e que se conhece pelo título geral de Philokalia, livros que ainda hoje estão em uso na igreja oriental, onde são reservados principalmente para a instrução dos monges.

No tempo em que a psicologia estava ligada à filosofia e à religião, ela existia também sob a forma de Arte. Poesia, Tra­gédia, Escultura, Dança, a própria Arquitetura, eram meios de transmissão do conhecimento psicológico. Certas catedrais góti­cas, por exemplo, eram essencialmente tratados de psicologia.

Na antiguidade, antes que a filosofia, a religião e a arte adotassem as formas independentes sob as quais as conhecemos hoje, a psicologia encontrava sua expressão nos Mistérios, tais como os do Egito e da Grécia antiga.

Mais tarde, desaparecidos os Mistérios, a psicologia sobre­viveu a eles sob a forma de ensinamentos simbólicos, que ora se encontravam ligados à religião da época, ora não, tais como a Astrologia, a Alquimia, a Magia e, entre os mais modernos, a Maçonaria, o Ocultismo e a Teosofia.

Aqui é indispensável observar que todos os sistemas e dou­trinas psicológicos, tanto os que existiram ou existem abertamente, como aqueles que permaneceram ocultos ou disfarçados, podem dividir-se em duas categorias principais.

Primeira: as doutrinas que estudam o homem tal como o encontram ou tal como o supõem ou imaginam. A “psicologia científica” moderna, ou o que se conhece por esse nome, per­tence a essa categoria.

Segunda: as doutrinas que estudam o homem não do ponto de vista do que ele é ou parece ser, mas do ponto de vista do que ele pode chegar a ser, ou seja, do ponto de vista de sua evolução possível.

Estas últimas são, na realidade, as doutrinas originais ou, em todo caso, as mais antigas e as únicas que podem fazer compreender a origem esquecida da psicologia e sua significação.

Quando tivermos reconhecido como é importante, no estu­do do homem, o ponto de vista de sua evolução possível, com­preenderemos que a primeira resposta à pergunta:

o que é psicologia? deveria ser:
psicologia é o estudo dos princípios, leis e fatos relativos à evolução possível do homem.

Nestas conferências, colocar-me-ei exclusivamente em tal ponto de vista. Nossa primeira pergunta será: o que significa a evolução do homem? E a segunda: ela exige condições es­peciais?

Devo dizer, antes de tudo, que não poderíamos aceitar as concepções modernas sobre a origem do homem e sua evolução passada. Devemos dar-nos conta de que nada sabemos sobre essa origem e de que carecemos de qualquer prova de uma evolução física ou mental do homem.

Muito ao contrário, se tomarmos a humanidade histórica, isto é, a dos dez ou quinze mil últimos anos, podemos encontrar sinais inconfundíveis de um tipo superior de humanidade, cuja presença pode ser demonstrada por múltiplos testemunhos e monumentos da antiguidade, os quais os homens atuais seriam incapazes de recriar ou imitar.

Quanto ao “homem pré-histórico” ou a essas criaturas de aspecto semelhante ao homem e, todavia, tão diferentes dele, cujos ossos se encontram, às vezes, em depósitos do período glacial ou pré-glacial, podemos aceitar a idéia muito plausível de que essas ossadas pertenciam a um ser bem distinto do ho­mem, desaparecido há muito tempo.

Ao negar a evolução passada do homem, devemos recusar--lhe toda possibilidade de uma evolução mecânica futura, isto é, de uma evolução que se operaria por si só, segundo as leis da hereditariedade e da seleção, sem esforços conscientes por parte do homem e sem que este tenha compreendido sequer a possibilidade de sua evolução.

Nossa idéia fundamental é a de que o homem, tal qual o conhecemos, não é um ser acabado. A natureza o desenvolve até certo ponto e logo o abandona, deixando-o prosseguir em seu desenvolvimento por seus próprios esforços e sua própria iniciativa, ou viver e morrer tal como nasceu, ou, ainda, dege­nerar e perder a capacidade de desenvolvimento.

No primeiro caso, a evolução do homem significará o de­senvolvimento de certas qualidades e características interiores que habitualmente permanecem embrionárias e que não podem se desenvolver por si mesmas.

A experiência e a observação mostram que esse desenvol­vimento só é possível em condições bem definidas, que exige esforços especiais por parte do próprio homem, e uma ajuda suficiente por parte daqueles que, antes dele, empreenderam um trabalho da mesma ordem e chegaram a um certo grau de desenvolvimento ou, pelo menos, a um certo conhecimento dos métodos.

Devemos partir da idéia de que sem esforços a evolução é impossível e de que, sem ajuda, é igualmente impossível.

Depois disso, devemos compreender que, no caminho do desenvolvimento, o homem deve tornar-se um ser diferente e devemos estudar e conceber de que modo e em que direção deve o homem converter-se num ser diferente, isto é, o que significa um ser diferente.

Depois, devemos compreender que nem todos os homens podem desenvolver-se e tornar-se seres diferentes. A evolução é questão de esforços pessoais e, em relação à massa da humani­dade, continua a ser exceção rara. Isso talvez possa parecer estranho, mas devemos dar-nos conta não só de que a evolução é rara, mas também que se torna cada vez mais rara.

Isso, naturalmente, provoca numerosas perguntas:

Que significa esta frase: “No caminho da evolução o ho­mem deve tornar-se um ser diferente”?

O que quer dizer “um ser diferente”?

Quais são essas qualidades e características interiores que podem ser desenvolvidas no homem e como chegar até elas?

Por que nem todos os homens podem desenvolver-se e tor­nar-se seres diferentes? Por que semelhante injustiça?

Tentarei responder a essas perguntas, começando pela última.

Ouspensky

Como funciona o Brasil?

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Para ser compartilhado, educação cívica.


Pesquisador brasileiro descobre a cura do câncer

sábado, 5 de setembro de 2015

A máfia médica que domina o país em mais um caso absurdo.

Pesquisador brasileiro descobre cura do câncer; homem curado por tal medicina resolve produzir gratuitamente o remédio e vai preso por falsificação de produto medicinal.

"Remedio contra cancer (fosfoetanolamina) produzidas na USP de São Carlos apesar de comprovadamente curarem o cancer, sao SISTEMATICAMENTE PROIBIDAS e pela máfia farmaceutica, inclusive com perseguicao aos envolvidos por distrubuir-las gratuitamente."




http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/09/cresce-o-n-de-pessoas-que-entram-na-justica-em-busca-de-capsula-da-usp.html

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/08/pesquisador-acredita-que-substancia-desenvolvida-na-usp-cura-o-cancer.html?noAudience=tru

Sobre a impecabilidade

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Nós não perdemos para os outros e nem para as situações, nós perdemos para as nossas próprias emoções negativas. Nós perdemos para o ódio, para a auto-importância, para a nossa inveja, gula e cobiça. E o que nós perdemos? A nós mesmos e o melhor dos outros. Perdemos a nossa impecabilidade, energia e saúde. Perdemos a nossa alma.

O filme a seguir é uma bela reflexão sobre o tema:




Uma chamada para os deuses

Deus está na assembléia divina; julga no meio dos deuses:

Até quando julgareis injustamente, e tereis respeito às pessoas dos ímpios?

Fazei justiça ao pobre e ao órfão; procedei retamente com o aflito e o desamparado.

Livrai o pobre e o necessitado, livrai-os das mãos dos ímpios.

Eles nada sabem, nem entendem; andam vagueando às escuras; abalam-se todos os fundamentos da terra.

Eu disse: Vós sois deuses, e filhos do Altíssimo, todos vós.

Todavia, como homens, haveis de morrer e, como qualquer dos príncipes, haveis de cair.

Levanta-te, ó Deus, julga a terra; pois a ti pertencem todas as nações.

Salmo 82

A Travessia das Feiticeiras

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Há mais de duas décadas Carlos Castaneda vem conquistando milhões de leitores no mundo inteiro descrevendo os ensinamentos do brujo Dom Juan sobre a realidade paralela. Agora, Taisha Abelar, guerreira do grupo de Yaqui, revela como se iniciou na secreta arte de rastejar dos feiticeiros.

Ela descreve os exercícios físicos e mentais para alcançar os estados alterados da consciência, sem utilizar plantas psicoativas. Uma narrativa fascinante e poética que desnuda a essência da alma feminina através dos planos sutis da percepção mística. Um verdadeiro manual de feitiçaria e antropologia para mulheres que desejam trabalhar profundamente a espiritualidade para despertar intimamente estados mais elevados de auto-conhecimento cósmico.

Prefácio de Carlos Castaneda

Taisha Abelar é uma das três mulheres intencionalmente treinadas por alguns feiticeiros do México, sob a orientação de Dom Juan Matus.

Tenho escrito exaustivamente a respeito de meu próprio treinamento com Dom Juan, mas nunca escrevi nada sobre este grupo específico, do qual Taisha Abelar participa. Havia um acordo tácito, entre todos os que estavam sob a orientação de Dom Juan, de que nada deveria ser dito a respeito deles.

Durante mais de vinte anos mantivemos esse acordo. E conquanto trabalhássemos e vivêssemos em íntima proximidade, jamais comentamos nossas experiências pessoais. Na verdade, nunca houve oportunidade sequer de partilharmos nossas opiniões sobre aquilo que Dom Juan ou os feiticeiros de seu grupo faziam com cada um de nós especificamente. Esta condição não se relacionava apenas com a presença de Dom Juan.

Depois que ele e seu grupo deixaram o mundo, continuamos a respeitá-la, pois não desejáva- mos utilizar nossa energia para rever quaisquer acordos anteriores.

Todos nosso tempo e energia disponíveis eram dedicados a corroborar para nós mesmos aquilo que Dom Juan tivera tanto trabalho para nos ensinar.

Dom Juan nos havia ensinado a feitiçaria como uma tarefa pragmática, por meio da qual qualquer um de nós pode perceber a energia diretamente. Afirmava ele que, para percebermos a energia dessa maneira, precisamos nos libertar da nossa capacidade de percepção normal. Libertar-se e perceber a energia diretamente constituíam uma tarefa que exigia tudo de nós.

O feiticeiro acredita que os parâmetros de nossa percepção normal nos foram impostos como parte de nossa socialização, não tão arbitrariamente, mas ainda assim formulados de maneira autoritária. Um dos aspectos desses parâmetros obrigatórios é um sistema de interpretação que transforma dados sensoriais em unidades significativas e converte a ordem social em uma estrutura de interpretação.

Nosso funcionamento normal dentro da ordem social exige uma aceitação cega e constante de todos os seus preceitos, e nenhum deles possibilita a percepção direta da energia. Dom Juan, por exemplo, afirmava ser possível perceber os seres humanos como campos de energia, semelhantes a enormes ovos luminosos, alvos e oblongos.

Se quisermos realizar a façanha de ampliar nossa percepção, precisaremos de energia interna. Assim, o problema de tornar a energia interna disponível para a realização dessa tarefa torna-se a questão básica para os estudiosos da feitiçaria.

Circunstâncias adequadas à nossa época e lugar possibilitaram que Taisha Abelar escrevesse hoje a respeito de seu treinamento, similar ao meu, embora ao mesmo tempo totalmente diferente. Ela demorou um longo tempo escrevendo porque, em primeiro lugar, tinha de lançar mão dos meios da feitiçaria para escrever. O próprio Dom Juan atribuiu-me a tarefa de escrever sobre seus conhecimentos de feitiçaria. E ele mesmo estabeleceu o tom dessa tarefa ao dizer; "Não escreva como um escritor, mas como um feiticeiro." Com isto ele queria dizer que eu tinha de escrever num estado de consciência expandida, chamado pelos feiticeiros de estado onírico (ou sonhar). Taisha Abelar precisou de muitos anos para aperfeiçoar seu estado onírico para então transformá-lo no modo feiticeiro de escrever.

No mundo de Dom Juan, os feiticeiros, dependendo de seu temperamento básico, dividiam-se em duas facções complementares: sonhadores e rastejadores (espreitadores). Os sonhadores são os feiticeiros que possuem a capacidade inata de entrar em estados de consciência expandida controlando seus sonhos. Esta aptidão é transformada, com o treiname nto, em uma arte: a arte do sonho. Os rastejadores, por outro lado, são os feiticeiros que possuem a capacidade inata de lidar com os fatos e adentrar em estados de consciência expandida manipulando e controlando seu próprio comportamento. Com o treinamento da feitiçaria, esta aptidão natural se transforma na arte de rastejar.

Embora todos no grupo de feiticeiros de Dom Juan possuíssem o conhecimento completo de ambas as artes, eles eram distribuídos em uma das facções. E Taisha Abelar foi colocada no grupo dos rastejadores e treinada por eles. Seu livro traz a marca de seu formidável treina- mento como rastejadora.

Apresentação

Dediquei minha vida à prática de rigorosa disciplina, a qual, na falta de um nome mais adequado, chamamos de feitiçaria. Também sou antropóloga e recebi meu Ph.D. neste campo de estudo. Menciono minhas duas áreas de especialidade nesta ordem porque meu envolvimento com a feitiçaria veio em primeiro lugar. De modo geral, uma pessoa se torna antropóloga e depois então realiza um trabalho de campo sobre determinado aspecto da cultura — por exemplo, estuda as práticas da feitiçaria. No meu caso, aconteceu o contrário: já estudava feitiçaria quando fui estudar antropologia.

Em fins da década de 1960, eu morava em Tucson, no Arizona, e conheci uma mexicana chamada Clara Grau, que me convidou a hospedar-me em sua casa no estado de Sonora, no México. Lá, ela fez o possível para introduzir-me em seu mundo, pois Clara Grau era feiticeira e fazia parte de um grupo coeso de dezesseis feiticeiros. Alguns deles eram índios yaqui; outros eram mexicanos das mais variadas origens, formações e idades, e de ambos os sexos. A maioria era de mulheres. Todos perseguiam com sinceridade o mesmo objetivo: romper as tendências e preconceitos perceptivos que nos aprisionam nos limites da vida
cotidiana normal e nos impedem de entrar em outros mundos perceptíveis.

Para os feiticeiros, ultrapassar tais tendências perceptivas possibilita atravessar uma barreira e saltar para o inimaginável. Eles chamam este salto de "a travessia dos feiticeiros". Às vezes referem-se a ele como “o vôo abstrato”, pois este salto implica voar do lado concreto e físico para o lado da percepção expandida e das formas abstraías impessoais.

Esses feiticeiros se interessaram em ajudar-me a realizar esse vôo abstrato, para que eu pudesse participar de seus esforços básicos.

Para mim, o treinamento acadêmico tornou-se parte essencial de minha preparação para A Travessia das Feiticeiras. O líder do grupo de feiticeiros ao qual me associei, o nagual, como ele é chamado, é uma pessoa profundamente interessada pelo conhecimento acadêmico formal. Assim, todos aqueles que se encontravam sob sua responsabilidade tinham de desenvolver a capacidade para o abstrato, o tipo de pensamento lúcido que só é obtido em uma universidade moderna.

Como mulher, eu tinha a obrigação ainda maior de cumprir esta condição.

As mulheres, de maneira geral, são condicionadas desde a infância a depender de membros do sexo masculino de nossa sociedade para conceptualizar e iniciar as mudanças. Os feiticeiros, a cujo treinamento me submeti, tinham opiniões bastante definidas a este respeito. Consideravam indispensável que as mulheres desenvolvessem seu intelecto e ampliassem sua capacidade de análise e abstração, a fim de obterem uma melhor compreensão do mundo à sua volta.

Da mesma maneira, treinar o intelecto constitui um subterfúgio de boa fé dos feiticeiros. Mantendo deliberadamente a mente ocupada com a análise e o raciocínio, os feiticeiros ficam livres para explorar, sem obstáculos, outras áreas da percepção. Em outras palavras, enquanto o lado racional está ocupado com a formalidade das atividades acadêmicas, o lado energético ou não-racional, chamado pelos feiticeiros de “o duplo”, é mantido ocupado com o cumprimento das tarefas da feitiçaria. Dessa maneira, a mente analítica e desconfiada tem menos probabilidade de interferir ou mesmo perceber o que está acontecendo num nível não-racional.

O complemento de meu desenvolvimento acadêmico foi a ampliação de minha capacidade de percepção e consciência: juntas, essas duas características desenvolvem nosso ser total. Trabalhando juntas, como uma unidade, afastaram-me da vida “certinha.”, para a qual eu havia nascido e fora socializada como mulher, e lançaram-me numa nova área, de maiores possibilidades perceptuais do que o universo normal me reservava.

Isto não significa que apenas meu compromisso com o mundo da feitiçaria foi o bastante para assegurar meu sucesso. A atração da vida cotidiana é tão forte e constante que, não obstante seus treinamentos mais assíduos, todos os profissionais encontram-se repetidas vezes mergulhados no mais abjeto terror, imbecilidade e condescendência, como se nada houvessem aprendido. Meus professores alertaram-me de que eu não era exceção. E que apenas a batalha implacável e contínua pode neutralizar a própria insistência, natural mas
insensibilizante, em não mudar.

Após atenta análise de minhas metas finais, eu, juntamente com meus colegas, cheguei à conclusão de que preciso descrever meu treinamento, a fim de enfatizar para os buscadores do desconhecido a importância do desenvolvimento da capacidade de perceber mais do que nos possibilita nossa percepção normal.

Esta percepção ampliada deve ser uma nova forma de percepção, moderada e pragmática. De forma alguma pode ser tão-somente uma continuação da maneira de perceber o mundo na vida cotidiana.

Os fatos por mim narrados aqui descrevem os estágios iniciais do treinamento de feitiçaria para um rastejante. Esta fase inclui a purificação da maneira habitual de pensar, agir e sentir, por meio de uma atividade tradicional da feitiçaria, a qual todos os neófitos devem realizar, chamada de “recapitulação”. Para complementar a recapitulação, ensinaram-me uma série de práticas, chamadas de “passagens da feitiçaria”, que inclui movimentos e respiração. Para que tais práticas ganhassem coerência, ministraram-me os fundamentos e explicações filosóficas associadas.

A finalidade de tudo que me ensinaram era a redistribuição de minha energia normal e sua ampliação, para que ela pudesse ser utilizada nas realizações perceptivas extraordinárias exigidas pelo treinamento da feitiçaria. A idéia subjacente ao treinamento é a seguinte: quando o padrão compulsivo de velhos hábitos, pensamentos, expectativas e sentimentos é eliminado por meio da recapitulação, a pessoa torna-se, indiscutivelmente, capaz de acumular energia suficiente para viver segundo os novos fundamentos lógicos proporcionados pela tradição da feitiçaria — e comprovar esses fundamentos, através da percepção direta de uma realidade diferente.

Taisha Abelar, Travessia das Feiticeiras, download AQUI!