domingo, 23 de março de 2025

Naves (ufos) sencientes, conscientes e biológicas

Em meio as mentiras e as verdades relativas aos governos e seus agentes, o assunto pseudo-revelação alienígena vai soltando aqui e ali alguns elementos/informações que chamam a atenção por trafegarem entre o mito e isso que chamam, não se uma certa arrogância, de realidade. Eis que surge então o assunto das naves sencientes, naves que não são um aparato mecânico, mas entes conscientes ou decorrentes da consciência, como vemos no mito hindu relativo as eras (treta e dvapara) antes de cairmos na atual era, kali yuga.

F.
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Sencientes são seres que têm a capacidade de sentir e perceber através dos sentidos. A palavra senciente vem do latim sentiens, particípio presente de sentio, que significa sentir. 

O que é senciência?

Senciência é a capacidade de sentir sensações e sentimentos de forma consciente

É a capacidade de ter percepções conscientes do que lhe acontece e do que o rodeia. 

É a capacidade de ter experiências positivas e negativas causadas por afetações externas ao nosso corpo ou por sensações interiores. 

Senciência animal 

A senciência animal é um tema que já é considerado na construção de legislações de vários países, como Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Austrália, Suécia, Colômbia, Peru, Canadá, Nova Zelândia, França, Estados Unidos e Países Baixos.

A legislação brasileira para animais de criação reconhece a capacidade de sentir dor e sofrimento, além de algumas necessidades comportamentais. 

Gerado por IA.













sábado, 22 de março de 2025

Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda: Juan Yoliliztli


As Testemunhas do Nagual

Entrevistas com parceiros de Carlos Castaneda

_ Por que você usa o nome de Yoliliztli?

_ O nome que uma pessoa recebe dos seus pais nem sempre tem poder, a maioria das vezes é totalmente arbitrário. Em mim, por exemplo, puseram o nome do doutor que atendeu minha mãe. Portanto, Juan Yoliliztli tem muito mais poder e é para mim mais o meu nome, já que me foi dado por um ancião da tradição Nahua, como consequência de um evento de poder. Mas essa é uma história que contarei em outra ocasião.

_ Como foi que você conheceu Castaneda?

_ Eu havia lido todos os seus livros no Brasil, minha terra de origem. O que li me convenceu, porque era diferente de tudo quanto havia lido antes. a liberdade era uma meta real. Um dia, tomei a decisão de abandonar tudo e vir ao México em busca do conhecimento. E aqui estou. Não esperava conhecer pessoalmente Castaneda, pois o considerava um guerreiro inacessível. Mas, já no México, descobri que ele costumava dar conferências públicas, de modo que busquei uma oportunidade por todos os meios ao meu alcance.

Um dia, meu amigo Carlos Ortiz convidou-me a participar de uma conferência que o nawal ia dar no apartamento do pesquisador Jacobo Grinberg. Compareci ao encontro com Heiko, um alemão que tinha vindo ao México pelas mesmas razões que eu. Entramos no carro de Heiko e fomos para a casa de Jacobo.

Heiko teve uma idéia. Disse: “Vamos espreitar o nawal!”

Então, lá chegando, ficamos esperando na rua em frente, dentro do carro, durante longo tempo, para parecer que nossa chegada coincidia com a de Carlos. Porém, enquanto observávamos outros convidados que chegavam, passou junto a nós um carro. De repente senti a pressão de um olhar, virei a cabeça e lá estava Carlos, dentro do seu carro, olhando-me! Não sei como, mas soube de imediato que era ele. Ficou me olhando fixamente e depois estacionou o carro uns metros adiante. Corremos a nos reunir a ele.

Nesse primeiro contato aconteceu algo embaraçoso, que para mim foi um augúrio. Carlos vinha carregando uma cadeira. Eu, muito emocionado, quis cumprimentá-lo ali mesmo, na entrada do edifício, e Ortiz me sugeriu: “Ajude-o com a cadeira!”

Sinceramente, a mim não tinha ocorrido oferecer-lhe ajuda, já que, segundo o que havia entendido de minhas leituras, um bruxo não deve oferecer-se assim sem mais nem menos. Essa foi a primeira de uma longa lista de mal-entendidos que se deram entre o nawal e eu.

Depois disso, subimos pelas escadas até o segundo andar e chegamos a um aposento que já estava preparado para a conferência. Grinberg havia posto uma música de fundo ao estilo New Age. Chamou-me a atenção que Carlos, fazendo um gesto de desagrado, pediu-lhe que a tirasse. Procurei sentar-me bem junto dele, já que é uma premissa dos bruxos que, se duas energias estão suficientemente próximas uma da outra, ambas interagem e podemos aprender coisas mesmo sem palavras.

Para mim, essa primeira conferência foi algo extraordinário. Pela primeira vez o ouvi falar sobre o ponto de encaixe e vi os desenhos que Carlos fez em um quadro-negro, tentando nos explicar sobre o alongamento do ovo luminoso, uma manobra que os bruxos antigos faziam para serem imortais.

Falou da importância pessoal, e de como ela nos obriga a agir de formas alheias aos nossos interesses. Também se referiu à recapitulação.

Grinberg comentou que ele já estava recapitulando por escrito e que poderia talvez publicar suas anotações algum dia. Carlos fez uma série de comentários, dando-nos a entender que a recapitulação não tinha nada a ver com isso.

No meio da conversa, chegou uma moça loura muito simpática e sorridente que usava um penteado estilo punk. Carlos nos apresentou como Florinda Donner Grau, uma de suas companheiras, discípula de Dom Juan Matus. Por aquela época eu havia lido um livro de Florinda sobre questões antropológicas, mas ainda não sabia que ela havia conhecido pessoalmente Dom Juan. Junto com Florinda chegou outra senhora que se apresentou como Dona Soledad, bruxa curandeira, discípula da mestra Magdalena.

Terminada a reunião, ficamos conversando um pouco. Quando se apresentou a oportunidade, me aproximei de Carlos, dei-lhe a mão e, olhando-o nos olhos, disse: “Quero agradecer-lhe sinceramente por haver escrito seus livros, porque me serviram muito.”

Ele ficou me olhando fixamente, mas não disse nada.

Quando tive oportunidade pedi a Florinda que me dissesse, como vidente, qual era minha classificação luminosa dentro do esquema do nawalismo. Ela ficou nervosa, desculpou-se e disse que ver tomava muita energia, que não era assim que se faziam as coisas entre os bruxos. Perguntou-me quem eu era e o que fazia. Contei-lhe que tinha vindo do Brasil e que fazia cinco anos que esperava uma oportunidade de conhecer Castaneda. Ela pareceu saber do que eu falava, pois exclamou: “Ah! É você?”

Disse-lhe que, enquanto esperava minha oportunidade, pus em prática as técnicas de espreita aprendidas nos livros de Carlos e me estabeleci no México como empresário do setor turístico. Ela comentou: “Oh! Um homem de ação, verdade?”

Ao sair do edifício, Carlos me puxou para um canto e me perguntou meu nome. Respondi: “Sou Eddy Martinelli, às suas ordens.”

Mas ele exigiu: “Não! Seu verdadeiro nome.”

Isto me surpreendeu, pois não havia dito a ninguém como me chamava na realidade. Senti-me um pouco incomodado, mas lhe disse meu nome de nascimento. Logo quis saber de onde eu era. Disse, e ele me perguntou: “Conhece essa canção?”

E em seguida cantou em português uma toada que, desditosamente, eu não conhecia. Tive que admiti-lo: “Sinto muito, mas não a conheço.”

Segundo creio, este foi outro augúrio. Conforme eu for lhe contando, você vai ver como, pouco a pouco, meu caminho se afastava do de Carlos.

A vez seguinte que o vi foi quando me ligou Fausto Rosales, o editor dos livros do nawal no México, e me comunicou que ia celebrar uma reunião na Casa Amatlán, um centro esotérico dirigido por Carlos Ortiz e Mariví de Teresa. Não vou me estender sobre o tema da Casa Amatlán, porque seguramente outros de meus companheiros têm mais e melhores histórias a respeito.

Saí voando do escritório e corri para o encontro. Encontrei o nawal sentado em uma mesa da cafeteria no térreo, comendo um pastel e tomando seu capuccino. Saudou-me com um aperto de mãos, mas quando retribuí fez um gesto de dor, como se eu tivesse apertado muito forte.

Enquanto comia, contou histórias para os que ali estavam reunidos, que não éramos muitos. Em certo momento, Georgina Silva, uma amiga pintora que nessa época morava num quarto ali, no fundo da Casa Amatlán, disse-me que Fausto me chamava ao telefone.

Corri para atender, perguntei por que ele não vinha e me respondeu que se mantinha à parte dos demais discípulos, e me pediu que avisasse ao nawal que tinha algo para dizer-lhe.

Desci rapidamente para cumprir minha tarefa, e levei Carlos ao quarto de Georgina, onde estava o telefone. Recordo-me de ter perguntado, em proveito de Geo, o que podia nos dizer sobre o Mescalito. É que ela era conhecida como “a filha de Mescalito”, e muitos a consideravam sacerdotisa do peyote. Aparentemente, Carlos pensou que eu estava pedindo permissão para me dopar, porque, de forma cortante, respondeu que esse não era o caminho, e que Dom Juan só lhe deu plantas porque ele era muito rígido. Acrescentou que nós não necessitávamos disso.

Olhei para Georgina como que dizendo: “Ouviu?” Mas, ao observar meu gesto, Carlos pareceu interpretar que eu estava zombando dele, ou pior ainda, que pretendia apresentá-lo a Georgina como um tronado que usava drogas.

Depois de o nawal atender Fausto rapidamente, Georgina mostrou-lhe alguns de seus quadros. Ele gostou muito de suas pinturas. Em seguida, teve uma curta conversa conosco e se justificou, dizendo que tinha um encontro em outro local, e logo iam buscá-lo.

Há tempos que discutia com Ortiz sobre a interpretação da obra de Castaneda. No meu entender, tudo o que ele dizia em seus livros era literal, mas Carlos replicava: “Não, Eddy, são metáforas.”

Pareceu-me que aquele era um bom momento para perguntar isso ao nawal, já que Ortiz estava lá, e assim o fiz, em voz alta para que ele ouvisse:

“Ouça, Carlos, o que você escreve é literal ou são metáforas?”

Notei, pela expressão de seu rosto, que de novo havia interpretado mal minha pergunta. Lançou-me um olhar fulminante e replicou em tom mal humorado:

“Claro que é literal! O que eu escrevo é o que é!”

Ao ir embora, despediu-se de todos nós. Estendi-lhe minha mão e ele a sua, mas me olhou com medo, como se eu fosse esmagá-la. Por brincadeira, toquei-lhe só as pontas dos dedos, fazendo de conta que o cumprimentava. Já na saída, disse-lhe que gostaria muito de poder falar a sós com ele. Assentiu e me respondeu:

“Com você quero conversar durante longo tempo.”

Depois entrou em um automóvel e uma pessoa que me era desconhecida o levou.

A ocasião seguinte também foi na Casa Amatlán. Dessa vez nos ensinou algo dos passes mágicos. Foi quando conheci Carol Tiggs, a mulher nagual. Nosso encontro foi muito interessante, pois, ao cumprimentá-la, ela me perguntou como eu me chamava. Disse-lhe e ela virou o rosto. Pensei que o fazia para que eu lhe desse um beijo, e o dei em sua bochecha. Mas ela me explicou que seu gesto tinha sido porque não escutara direito meu nome. Envergonhado, mas com um sorriso, repeti.

Depois quis saber como era o outro mundo. É que, segundo contava Carlos, ela havia permanecido lá durante dez anos. Ao escutar minha pergunta, Carol ficou nervosa e me disse, em mau espanhol, com forte sotaque americano, que era um lugar difícil de descrever, e que a única coisa que podia dizer é que lá as consciências se deslocam através de linhas de energia.

Quando ia saindo, convidei Carlos para dar uma palestra em meu escritório de turismo. Minha surpresa foi enorme quando aceitou e disse:

“Amanhã nos vemos lá às quatro da tarde.”

Quis explicar-lhe onde era, mas ele me disse que só desse o endereço que ele chegaria.

No outro dia estávamos todos ali, esperando-o. Heiko havia ido comprar umas folhas para o rotafólio, com a esperança de que o nawal escrevesse algo que ele pudesse guardar. Enquanto aguardávamos, não sei como ele apareceu do outro lado da rua, bem em frente a nós, acenando com a mão. Olhamo-nos atônitos, perguntando-nos: “Como ele chegou ali?”

Atravessou a rua e cumprimentou cada um de nós. Logo entrou em meu escritório e pediu permissão para usar o banheiro. Eu tive que dizer-lhe onde estava o interruptor de luz, pois ele não conseguia achar. Depois foi com Alex até a cozinha para buscar algo, quando alguém perguntou o que buscava, respondeu: “Alejandro e eu estamos aqui buscando um passo para a liberdade.”

Só haviam sido convidadas umas dez pessoas, mas logo chegaram outras, entre elas Marcela Gálvez, conhecida como Malini.

Foi então que nos contou a história do bacharel, que era um famoso locutor de rádio do México e de como lhe dizia:

“Mas, Carlos, se tudo isso fosse verdade, nós já o saberíamos.”

Aconteceu que depois de sua morte ele se apresentou a Carlos em seu corpo de energia implorando-lhe que desse uma oportunidade aos seus filhos.

Também se apresentou nessa ocasião Amy Wallace, a filha do famoso escritor, amigo de Carlos.

Pouco depois apareceu Manuel Zurita. Fausto havia me advertido que não o convidasse, já que o nawal não se dava bem com ele. Quando Manuel chegou, Carlos se virou para mim e me perguntou em voz baixa: “Você o conhece?”

Eu o conhecia, mas respondi que não. Não era minha intenção mentir, e sim explicar que eu não o havia convidado, mas as coisas saíram assim.

Durante a reunião, Carlos falou mal de Grinberg. Disse que era um egomaníaco incurável, que queria comer a Carol Tiggs e lhe havia enviado uma carta de amor de doze páginas de extensão. Carol rasgou a carta, e quando ele lhe perguntou, ela respondeu que não a havia recebido. Fez isso para ser delicada com ele, mas Grinberg havia tirado cópias de sua carta, e tornou a enviar!

Enquanto Carlos nos contava essas barbaridades, entrou na sala Jacobo Grinberg. Todos ficamos em suspense, mas o nawal, levantando-se da sua cadeira, deu-lhe um caloroso abraço e o convidou a sentar-se.

Nessa ocasião, nos contou que Dom Juan e seu grupo haviam ido à cúpula dos nawais, como quase todos os da sua linhagem, (mas) o único que havia conseguido saltar à terceira atenção foi o nagual Julian. Para que entendêssemos melhor sua explicação, fez uma comparação usando a tábua de uma mesa oval de conferência que havia na sala. Disse, assinalando o ponto central da mesa:

“Dom Juan chegou até aqui, eu estive além das bordas desta mesa.”

Terminada a conferência, observei que Heiko estava triste, pois o nawal não havia anotado nada nos papéis que ele havia preparado.

Em outra ocasião em que Carlos veio nos ensinar os passes mágicos, alguém me disse que se havia hospedado no Hotel Maria Cristina. Tomei nota do endereço e fui com Alejandro na hora do café da manhã. Nós o encontramos reunido com vários companheiros e companheiras. Eu só queria entregar-lhe alguns presentes que havia trazido de minha última viagem ao Brasil, e os reparti. Ao nawal dei um chaveiro com uma cabeça de piranha. Depois saímos tão rápido quanto chegamos.

No fim de semana regressei ao hotel, sozinho e sem ser convidado, pois sentia urgência de falar com ele para tomar uma decisão. Calculei o horário no qual Carlos descia para tomar seu café da manhã, de modo que me apressei e cheguei justamente quando faltavam três minutos para as nove. Ele foi exato como um relógio; não esperei nem um minuto e o vi descendo as escadas. Ao ver-me contorceu o rosto em claro gesto de desagrado, e me dei conta de que estava sendo inoportuno. Depois de nos cumprimentarmos, pedi desculpas por incomodá-lo e disse:

“Nawal, estou desesperado. Não sinto avanço nenhum no meu caminho e quero fazer algo, porque minha vida está se indo.”

Ele comentou:

“Calma, Eddy, calminha! De fato, você está melhor que todos os outros.”

Pensei que ele estava zombando de mim, pois eu me considerava o mais idiota do grupo. Insisti em afirmar que não me sentia nada bem. Nesse instante se aproximou Carol e Carlos perguntou-lhe, apontando para mim:

“Não é verdade que Eddy está com a energia muito boa?”

Ela me observou por um instante e depois disse:

“Sim, tem as fibras muito esticadas.”

De novo pedi desculpas por irromper em seu ambiente e comecei a caminhar em direção à saída. Carlos correu atrás de mim, me alcançou e me disse:

“Recapitule, Eddy, recapitule!”

Eu disse que o faria e me despedi. Na verdade, sentia-me algo ofendido pelo gesto de desagrado com que ele me havia recebido. Tive a impressão de que ele havia se aborrecido por ter sido pego em meio a uma de suas rotinas, já que a fortaleza de um nawal consiste em não ser previsível.

Daí em diante, tive que chegar aos encontros sem ser convidado. Estava consciente de que não era bem-vindo, mas ainda assim continuei indo às práticas e conferências.

Foi por essa época que ele começou a cobrar por suas palestras. Lembro-me que, como desculpa, disse que seu contador o havia feito assinar alguns papéis que ele assinou sem prestar atenção, e logo o sujeito sumiu, roubando-lhe tudo o que tinha. Por isso estava cobrando pelos seminários. Eu, que sempre fui um buscador desconfiado, comentei com meus companheiros: “Mas ele não é um vidente? Como não viu que o enganavam?”

O tempo mais longo que passei com Carlos foi no seu primeiro seminário em Culver City High School, um lugar próximo a Los Angeles, onde passamos quinze dias escutando-o manhã, tarde e noite. Cada um que assistiu ao seminário pagou dois mil dólares, e como éramos mais de mil pessoas, para todos ficou claro que se tratava de um muito bom negócio. Creio que foi a partir dali que realmente comecei a analisar o que estava acontecendo: mais do que entrar em um caminho de conhecimento e nawalismo, me deu a impressão de que estávamos sendo explorados como qualquer crente.

No seminário tentei cumprimentar Florinda, mas ela fez um gesto de negação, ainda que tenha me dado brevemente a mão. Mais tarde, no meio dos exercícios, decidi ir ao banheiro e passei perto dela. Chamou-me e me perguntou: “Que aconteceu com você, Eddy?”

Referia-se a um terrível acidente que eu havia sofrido pouco antes, mas preferi fingir que não entendia e repliquei: “Está tudo bem, obrigado!”

Perguntou se eu estava praticando a Tensegridade e respondi que sim, todos os dias. Ela repetiu, em tom de assombro: “Todos os dias?”

Tornei a repetir: “Todos os dias!”, e sem esperar que ela continuasse falando, dei-lhe a mão em sinal de despedida e fui para o banheiro.

O que lhe disse era verdade, por aquela época eu dedicava muito tempo e esforço a praticar os exercícios. Queria corroborar com total sinceridade o que havia lido e escutado.

Em determinado momento do encontro, Carlos nos contou que a mulher nawal havia recebido de presente um chicote e o havia transformado em um objeto de poder. Depois anunciou que ela ia nos envolver a todos com seu Intento, e nos pediu que baixássemos a cabeça e fechássemos os olhos, advertindo que, depois disso, já não seríamos os mesmos. Como então eu já me sentia meio incrédulo, nem baixei a cabeça nem fechei os olhos. Pude ver como Carol passeava pelo palco, açoitando a palma da mão com o chicote. Não aconteceu nada! Escutei alguns comentários de decepção em torno de mim, mas eu mesmo não me decepcionei, porque já não esperava nada do assunto.

Entretanto, tenho que confessar que também ocorreram coisas estranhas. Por exemplo, uma das palestras foi dedicada somente às mulheres. Aproveitei o dia para visitar um amigo que vivia um pouco distante dali, numa cidade em que existem cassinos. Quando cheguei, fui jogar em um cassino. Depois peguei o avião e voltei rapidinho para a conferência do outro dia. Assim que entrei, Carlos começou a falar sobre aqueles “guerreiros” que vão a cassinos. Senti que esfriava por dentro e fiquei bem quietinho.

Ele tinha esses momentos de intuição. Recordo que, em outra ocasião, antes de ir à conferência comprei um sorvete como os que eu gosto, de baunilha por dentro e chocolate por cima. Pelo caminho, fui saboreando com total desfrute o sorvete e o terminei antes de chegar. Não sei como o nawal percebeu, mas pôs-se a dizer:

“Tem gente que vem com sua merda de sorvete grandototote... e se põe a lamber assim!”, fez uma mímica exagerada, como um cachorro lambendo um osso. “O sorvete cai em cima deles e eles continuam lambendo, lambendo... até lamberem a si mesmos!”

O sinal definitivo de nossa ruptura teve a ver com uma reunião a que eu, por questões de trabalho, não pude assistir. No entanto, os dirigentes da Cleargreen debitaram a conta no meu cartão de crédito. Fui reclamar por essa irregularidade e me devolveram a metade do dinheiro, mas com má vontade.

Algum tempo depois, Carlos deu uma série de conferências no Pawley Pavillion de Westwood, a um custo de mil e quinhentos dólares a entrada. Dessa vez sim, poderia assistir, mas, quando ia pagar o boleto, as pessoas que estavam cobrando se afastaram um instante e voltaram com a resposta: “Você não é bem-vindo aqui”. Em seguida chamaram dois seguranças e me puseram para fora.

Este incidente me doeu muitíssimo. Passei uma época muito amargurado, com a mesma sensação que se eu houvesse rompido um noivado e muitas coisas tivessem ficado mal resolvidas. Eu só pensava e falava sobre o mesmo tema, porque para mim era impossível negar as experiências pessoais que havia tido a partir da obra do nawal. Mas, ao mesmo tempo, era claro que havia algo nas atividades e no desenho dos grupos que não funcionava bem.

Foi por esse tempo que recebi um dos maiores presentes que jamais me deram. Um dia, encontrei um companheiro de práticas chamado Armando Torres, e ele notou de imediato meu estado de abatimento. Contei a ele, e me sugeriu: 

“Por que não se faz responsável você mesmo por sua busca?”

Essa pergunta foi como uma ducha de água fria para mim, pois era verdade que eu havia posto todas as minhas expectativas em Carlos, como se ele fosse me salvar, em consequência, me sentia defraudado. Armando me fez ver que o nawalismo não tem nada a ver com um grupo de fiéis reunidos, esperando com a boca aberta que lhes lancem alguma migalha de conhecimento, que eu podia seguir adiante sozinho e sem a ajuda de ninguém.

Assegurou-me que nas ações dos bruxos não há nada pessoal, porque quem toma a decisão final é o Espírito, e me aconselhou a não julgar o nawal a partir do ser humano Carlos, já que isso era injusto tanto para Carlos quanto para o nawal.

Essas palavras me foram difíceis de aceitar, mas finalmente compreendi. Desde então me tornei mais livre. Em meio ao caos, encontrei uma base surpreendentemente sólida, onde o Eu é somente uma parte de algo infinitamente maior. Minha busca deixou de ser pelo pessoal e se transformou em um intento abstrato de bruxos.

_ O que pode nos dizer sobre o ensinamento de Castaneda?

_ Veja, Carlos é um nawal da liberdade. Sua obra está além dos juízos cotidianos. Não podemos chegar até ele como quem se acerca desses mestres que tanto abundam em nossa época. Se alguém não vai ao nawalismo como guerreiro, o mais certo é que saia ofendido.

Todo ser humano em algum momento pensa: “Qual é o significado de minha existência?” O que fez Carlos foi nos dar uma resposta a essa pergunta, que é tão antiga quanto o homem mesmo. E sua resposta foi: 

“O significado de sua vida é que você seja livre.”

A grandiosidade da lição de Carlos não é que desse explicações razoáveis ou que fizesse milagres. Ele não fazia aparecer coelhos! Mas punha você em situações nas quais tinha que decidir entre a conduta ordinária ou a conduta impecável. Deu-me elementos concretos para ser livre, e a primeira coisa que fez foi cortar a fascinação que eu sentia por ele.

Em uma ocasião esteve falando do transitório de nossa situação como seres humanos, e nos disse:

A única coisa que conta para mim é poder deixar algo de valor ao meu irmão, o homem. Não me importa quanto tempo leve para vocês entendam o que é que estou fazendo, porque sei que chegará o dia em que o ser humano lançará fora seu jugo perceptual e será livre.”

A mensagem de Castaneda é que sejamos honestos conosco mesmos. Se você está buscando o conhecimento, investigue, experimente. Não espere nada, nem dele, nem de ninguém. Não engula as coisas que lhe dizem assim sem mais nem menos, busque suas próprias respostas. Se lhe dizem que um mais um são dois, vai e verifique-o, porque, de outro modo, você vai se transformar em um crente, e os crentes não têm futuro.

O nawalismo não é uma congregação de crentes, é uma aliança de experimentadores. Em uma ocasião, Carlos nos ordenou que queimássemos seus livros. Isso não significa queimá-los literalmente, como entenderam alguns, significa que devemos aprender a pensar por nós mesmos. A maior mensagem que o nawal nos deixou é: vocês são livres, pensem por si mesmos.

Nesse sentido, as obras de Castaneda são uma fonte incomparável de inspiração para mim. Há uma parte que me toca em particular, e é quando ele nos pergunta por que somos tão frouxos que ficamos esperando que outros venham fazer as coisas por nós. Que grande pergunta essa! Estamos facultados por natureza para ver que o mundo é um mistério: por que temos que esperar que outro nos venha dizê-lo?

O ensinamento de Carlos também tem uma dimensão social, já que a resposta que ele deu para o enigma de nossa existência tem a ver com o conhecimento acumulado durante milhares de anos por grupos de experimentadores da América pré-hispânica. É absurdo pensar que esse conhecimento tão antigo vai se deter só porque Carlos morreu. Não! O plano da consciência ultrapassa seus participantes.

Como nagual, ele nos traçou um caminho, agora depende de nós segui-lo. Tudo o que fez foi para ampliar a consciência, e isso não terminou, está mais ativo que nunca, apesar de algumas pessoas se sentirem ameaçadas por isso.

_ O que pode nos dizer sobre os cíclicos?

_ Esse é um ensinamento que poderíamos considerar “esotérico”. Carlos não o publicou, porque o reservava para o trato pessoal. Segundo o que entendi do assunto, os cíclicos são pessoas que nascem com o mesmo selo energético, com as mesmas configurações em sua luminosidade. Isso não significa que compartilhem a personalidade ou a alma, como supõem os crentes. Por exemplo, um nagual que tem quatro divisões em seu campo energético é cíclico do nagual anterior, do mesmo modo, uma guerreira do sul, que tem a energia um pouco opaca, é cíclica da que a precede, e assim sucessivamente.

Mas os seres humanos estamos normalmente tão misturados, que poucos de nós somos puros, não somos tonais plenos, porque não cultivamos o caminho do guerreiro. Pode-se dizer que não somos “puro sangue”, e sim híbridos. 

O trabalho de um homem comum e corrente é limpar-se de todas as misturas, de todas as contaminações, até que o pessoal diminua ao mínimo e o indivíduo comece a ser o reflexo do seu cíclico.

Os bruxos fazem isso deliberadamente, é a essência de sua preparação. Pode-se observar esse processo em Silvio Manuel, que começou com uma cor âmbar rosado comum e terminou com o âmbar mais puro de todos. A Gorda foi identificada a princípio como uma cíclica das mulheres do sul, mas, quando se purificou, mostrou ser cíclica das mulheres do norte.

À medida que o guerreiro avança em seu treinamento sua massa energética sofre mudanças. Por isso, os organizadores de um grupo têm que ser muito afinados, têm que ser videntes para determinar. É sumamente arriscado dizer a um aprendiz: “Você é uma sul, uma norte, um erudito...”, porque a energia muda com o trabalho. É por isso que Carlos não gostava de falar desses assuntos.

_ O que opina sobre os cíclicos especiais, que vêm a cada certo tempo com um nawal de três pontas?

_ Não tenho muito clara a função desses nawais. Entretanto, de acordo com a regra, para esse tipo de líderes existe um plano muito mais amplo que tem a ver, não com as particularidades de um grupo, mas com o tonal dos tempos. Esse plano inclui a raça humana em sua totalidade, mesmo que sem perceber. Todos nós somos partes da regra, ainda que não o saibamos.

Perguntei aos companheiros que estiveram mais próximos de Carlos, particularmente aqueles que o conheceram na época em que ele se relacionava com a tradição mexicana. E o que entendi foi que os antigos bruxos tinham um calendário que servia para muito mais que somente medir o tempo, era um sistema que abarcava a energia do planeta e do ser humano, e estava em harmonia com os ciclos dos tempos, o que dentro do nawalismo se conhece como a modalidade da época. Dizem que o advento de um nawal de três pontas acontece aproximadamente a cada mil anos. Os pré-hispânicos simbolizavam as mudanças cíclicas apagando seus fogos e reconstruindo suas cidades a cada 52 anos, em sinal de renovação total.

O grupo de um nawal de três pontas, como foi o caso de Carlos, é completamente atípico dentro dos cânones de uma linhagem. De fato, não é um grupo, e sim um intento desesperado de alcançar a liberdade pelos próprios meios. Os guerreiros que se agrupam em torno de um nawal deste tipo também são atípicos e, logicamente, pertencem a uma faixa especial da energia. A maioria deles manifesta características próprias dos nawais.

Nós, que o conhecemos e tratamos com ele, somos um reflexo de Carlos, não podemos evitá-lo. Portanto, nos devemos ao público e por isso estamos falando para todos. Acredito, como disse uma de minhas companheiras, que estamos imbuídos da energia do nawal de três pontas e irradiamos suas maneiras. Somos cíclicos de pessoas que viveram na antiguidade há mil anos.

O nawalismo está iniciando uma nova etapa e de alguma maneira, as coisas começam a tomar forma.

Carlos já o havia previsto: disse-nos que o novo milênio estará dedicado à consciência com uma força nunca antes vista, será uma época em que o homem buscará a si mesmo, afastando-se mais e mais do impulso do rebanho. Afirmou que era uma questão de tempo até as pessoas começarem a se fazer perguntas e a experimentar.

A abertura do conhecimento provocou um giro da energia. Conheço vários grupos bem estruturados, que estão trabalhando com seriedade para aumentar o nível de consciência de seus integrantes e preparando-se para o salto final. Embora deva advertir que a tendência geral é de que a poeira se assente, para que se possa regressar às práticas do nawalismo clássico.

_ A que se deve seu interesse em publicar as memórias de Castaneda?

_ Nós, que participamos de reuniões e conferências dadas pelo nagual Carlos, temos o compromisso, perante outros buscadores que não tiveram essa sorte, de dar a conhecer o que ouvimos. Ele nos ensinou de viva voz seu conhecimento, e nos disse que não poderíamos restringi-lo como se fosse uma propriedade pessoal, porque isso atentaria contra o objetivo da liberdade.

Isso é algo que me custou muitos anos entender, mas, uma vez que o entendi, me senti comprometido.

Meu erro com ele foi ter sonhos, expectativas, tentar interpretar seu ensinamento de acordo com a imagem que fiz dele a partir da leitura de seus livros, idealizei o que devia ser um grupo de nawais. Já me via como parte do grupo, alguém que ia participar do intento coletivo para a liberdade.

E não foi assim!

Agora, com o passar do tempo, vejo que, com efeito, havia um plano para mim, e meu plano é apoiar a divulgação do conhecimento. Por razões que contarei em outra ocasião, estou envolvido com o ramo editorial, fazendo quanto esteja ao meu alcance para manter a memória de Carlos, e aproveitando para expressar-lhe meu eterno agradecimento por me haver ensinado o caminho da liberdade.

Ofereço a todos os discípulos e não discípulos do nawal, e a todos os que tenham alguma história para contar sobre ele, a oportunidade de publicar suas memórias. Eu mesmo penso em escrever algum dia com mais detalhes tudo aquilo que testemunhei.

sexta-feira, 21 de março de 2025

As 4 Faces da Deusa: Tantra e Sexo, por Nuvem que Passa.




Quando vamos abordar a questão do feminino temos que levar em consideração muitos aspectos.

Por esta razão nos artigos anteriores procurei localizar o tema dentro de um contexto mais amplo, demonstrando que estamos dentro de uma cultura de valores patriarcais.

Essa cultura patriarcal é um fenômeno histórico, que se desenvolve no tempo e no espaço numa interação dialética entre vários fatores, fatores esses que, a meu ver, estão relacionados em diversos graus de complexidade.

Quando as novas gerações em seu processo de amadurecimento absorvem os valores que lhe são transmitidos pelas gerações no poder, via de regra, o fazem por imposição.

Sendo mais claro.

Raramente permitem a uma criança que escolha de fato sua linha de pensamento, sua forma de ser.

O que acontece é que a criança vai absorvendo e reagindo aos estímulos externos.

O modo de viver do pai e da mãe, do ambiente familiar, a classe social, as condições de vida e a linha religiosa que o grupo familiar segue vão dando a criança referenciais sobre como deve agir no mundo.

Há um discurso educacional, informal no lar e formal na escola, mas este discurso está muitas vezes em grande contradição com os atos que as pessoas praticam.

Assim a criança aprende que mentir é errado, mas a medida que cresce surpreende seus pais em mentiras e há ainda contradições mais fortes, como a mãe que certa vez vi gritando para a filha: “Não grita!”.

No ambiente escolar temos ainda problemas mais sérios pois ainda é raro o número de escolas que, de fato, são centros de “educação”.

A maioria pode ser enquadrada como centros de condicionamento.

A questão da sexualidade é um tema polêmico pois é uma das áreas onde o ser humano mais encontra bloqueios.

Não podemos nos esquecer que a cultura dominante sempre considerou o sexo sinônimo de pecado.

A educação sexual na civilização dominante é tremendamente artificial e tardia, na maioria dos lares não há um diálogo aberto e franco quanto a esta temática. A relação entre emoção e sexo é apenas uma das facetas desta multifacetada questão.

No ato sexual encontramos o homem novamente preocupado em exercer seu poder dominador e com os modismos recentes há agora uma exigência do homem para que a mulher sinta prazer, uma cobrança, pois sente o macho que sua condição de conquistador estará ameaçada se não conseguir produzir prazer na parceira.

As muitas faces da dominação masculina.

Antes era pecaminoso e vergonhoso a mulher sentir prazer, agora ela “tem” que ter prazer para o parceiro sentir-se o poderoso sedutor.

Assim, o homem cobra da mulher o prazer, o gozo para garantir que seu papel é perfeito, ele não apenas possuí a mulher, mas é tão poderoso que a faz sentir prazer.

Esse é o enfoque para muitos.

“Eu dou prazer a minha parceira”.

Aliás, os termos associados ao ato sexual denotam bem como ele é encarado. “Possuir uma mulher”, “fazer amor”; são dois termos que revelam a profunda incompreensão por detrás da sexualidade. Pensem nos outros!

Não podemos deixar de lembrar que existe um componente biológico, instintivo no sexo, regulado por hormônios e mecanismos outros puramente ligados a continuidade da espécie.

Como tantrista gostaria de abordar a sexualidade neste artigo.

O renascimento do feminino pode nos levar a um novo enfoque da questão sexual.

Novamente gostaria de lembrar que considero o renascer do feminino como algo muito importante não só às mulheres, mas também a nós homens que podemos recuperar o contato com nossa anima em toda sua amplitude e assim recuperar nossa condição de homens, perdida quando a civilização dominante nos limitou a sermos machos.

Mas o homem ao dominar o mundo impôs também quais seriam os arquétipos permitidos a mulher, assim a mãe se tornou a via predominante, ao lado da virgem.

A mulher pode então ser mãe, ou ser pura e virgem, mas é desprezada, de forma explicita ou implícita se ousa aderir a outros arquétipos, não oficiais.

Antes de mais nada o que é o Tantra?

Sob este termo existem linhas tão contraditórias que seria bom começarmos por estabelecer o que entendemos por Tantra.

Ao contrário das religiões que conhecemos, alguns ramos orientais não colocam o sexo como algo pecaminoso ou maligno.

Consideram que o sexo, como algo dotado de poder, pois é capaz de gerar uma vida, coisa que você nunca conseguiria rezando, por exemplo.

Como dizia um ocultista que conheci, com seu jeito irreverente:

- “Reze trinta terços ao lado de uma mulher e ela quando muito dormirá, mas uma única relação sexual concluída e o milagre da vida se manifesta.”

Para entendermos o Tantra temos de compreender certos paradigmas das culturas que o adotam.

A visão do ser humano é um dos pontos fundamentais.

Para o mundo racionalista o ser humano é um conjunto de átomos que se organizaram em moléculas que se organizaram em organelas, que se organizaram em células, que se organizaram em tecidos, que se organizaram em órgãos que se estruturaram num organismo.

No artigo anterior citamos a visão mecanicista ainda dominante no pensamento científico, dentro da qual somos apenas máquinas complexas, compostas de partes que se juntam e criam um corpo.

Assim faz parte dos instintos, uma espécie de “programa” dessas máquinas, estabelecer um conjunto químico de estímulos e respostas que levam um homem a procurar uma mulher e a liberar dentro dela seu sêmen para que os genes se encontrem e a vida continue.

Essa abordagem nada tem a ver com a visão de outros povos que consideram presente no ser humano um outro aspecto, algo que podemos chamar de espiritual, embora este termo também tenha sido muito deturpado.

Note que as religiões mais conhecidas apenas citam que existe um algo a mais no ser humano, confusamente chamam esse algo a mais de “alma” ou “espírito” e o contrapõe ao corpo.

Nas religiões oficiais a alma é algo que pode se salvar ou se perder pela eternidade se o seguidor acata ou não as verdades prontas que a religião lhe dá.

“Aceite sem questionar nossas verdades e será salvo, questione e penará no fogo eterno.”

No fundo esse é o regulamente implícito na maior parte das religiões.

Ainda, para uma grande maioria dos seres, mesmo entre os tidos por “esotéricos” o corpo é o veículo impuro e imperfeito onde a alma está “presa” neste mundo de dor e sofrimento.

Assim negar o corpo e seus “desejos” impuros é o objetivo mais ou menos confesso de muitos, e, por extensão, o sexo faz parte das impurezas a serem “sublimadas”.

Para os xamãs e certos ramos do misticismo oriental somos muito mais que isso.

Somos um todo complexo, energia em vários graus de manifestação.

Essa energia é dual, não em oposição, mas em complementação.

Assim o corpo físico é a densificação de uma outra realidade, uma realidade que podemos chamar de energética sutil.

Dentro do conceito físico moderno, que matéria é apenas energia condensada, fica mais claro, quer falemos do corpo físico quer de sua contraparte energética, que estamos apenas falando de dois aspectos de um mesmo fenômeno.

Num mundo onde sabemos que a luz e o elétron é um fenômeno complexo que se manifesta ao mesmo tempo partícula e onda fica mais fácil lidar esse aparente paradoxo.

Assim como o gelo e a água num copo são dois estados diferentes da mesma substância o corpo de energia e o corpo físico são dois estados diferentes da mesma energia universal, atuando em meios distintos, mas mutuamente equilibrados.

Mas cada um desses dois planos tem suas leis e suas peculiaridades, entretanto não se opõe, complementam-se.

Em nenhum momento o puro misticismo apoia a divisão esquizofrênica que se estabeleceu entre corpo e espírito.

Para podermos de fato entrar em níveis mais amplos de consciência, nos chamados estados amplificados de consciência, ou ainda, nos estados de consciência intensificada precisamos de energia.

E aqui uma analogia pode nos ser útil.

Os elétrons ao redor dos núcleos atômicos não estão aleatoriamente distribuídos, mas existem áreas que eles tem a tendência de existir.

Essas áreas são chamadas de orbitais.

Para um elétron passar de um orbital mais perto do núcleo para outro mais distante ele precisa ter energia para isso.

Analogamente dizemos que a percepção para ir a níveis mais amplos de consciência precisa ter energia.

Sabendo o imenso poder do sexo fica claro que podemos dele tirar essa energia que necessitamos.

Estamos num campo científico, não o cientificismo estreito, mas ciência no sentido de conhecimento acumulado por observação e experimentação.

As religiões conhecidas são extremamente moralistas e se baseiam apenas em dados morais absolutos para falar de evolução.

A ciência dos iniciados, dos yogues, dos budistas esotéricos, dos lamas e dos xamãs tem um aspecto ético sem dúvida, mas vai muito mais além.

Sabe que estados mais amplos de consciência são atingidos por trabalhos específicos que envolvem a ampliação da energia pessoal.

Dois caminhos existem àquele que deseja ir a estes níveis mais amplos de consciência, não ocasional e acidentalmente, mas de fato nele mergulhar e aí viver.

Um é o celibato.

É um caminho válido para alguns e caracteriza-se pelo abrir mão da sexualidade, levando assim a energia a fluir para dentro e a sustentar os novos estados perceptivos.

Entretanto existem aqueles que mesmo sem abrir mão da sexualidade continuam no caminho da ampliação da consciência.

A estes o Tantra é a ferramenta adequada para que possam aprender a canalizar sua energia ao invés de desperdiçá-la inconscientemente.

O Tantra tem sido usado atualmente por muitos como desculpa para uma sexualidade desequilibrada por parte de indivíduos que possuidores da preguiça e da arrogância típica não desejam fazer nenhum trabalho sobre si mesmos e acreditam que a evolução acontece por inércia.

O aspecto sexual é um dos lados desse complexo caminho.

A meditação, os pranayamas (exercícios respiratórios) e outros tantos exercícios, além de um profundo trabalho psicológico são partes importantes e inseparáveis do Tantra, sem os quais teremos apenas desequilíbrio.

Não há como aprender Tantra em livros.

Como todo os conhecimentos profundos e dotados de grande poder o Tantra exige estudo e supervisão.

Aprender Tantra por livros é tão tolo e perigoso como se alguém tentasse aprender a nadar em um rio de forte correnteza a partir de um curso por correspondência.

Fomos criados em uma civilização muito desequilibrada e é óbvio que nossa psique ficou muito afetada por isso.

Portanto temos que trabalhar com nossa própria realidade interior antes de dar qualquer passo nesse caminho.

Certo dia, quando estava no começo de meus estudos, preparávamos um canteiro para plantar.

Cavamos um buraco e peneiramos toda a terra antes de montar o canteiro.

Quando estávamos colocando o adubo orgânico a pessoa que nos orientava nos alertou para o fato de que se não houvéssemos antes peneirado a terra, liberado das ervas que não serviam aos nossos propósitos, aquela adubação estaria na verdade fortalecendo da mesma forma as ervas medicinais que plantávamos e as ervas que iriam sufocá-las.

Essa imagem volta agora a minha mente intensamente quando abordo a questão de prepararmos nosso terreno psíquico antes de o adubarmos com a potente energia sexual.

Como homem não compreendo o treinamento feminino para o Tantra, embora saiba que é profundamente diferente do nosso.

Mas sei que nesta primeira fase ele é idêntico.

Homens ou mulheres temos que começar nosso trabalho pelo psicológico.

Temos que remover aquilo que não somos, que foi imposto pelo condicionamento desequilibrante que chamamos de educação.

Homens ou mulheres somos entidades complexas, essências adormecidas envoltas por personalidades que se desenvolveram em respostas aos estímulos do meio.

Se concordamos que o meio é desequilibrado diferente não pode ser o estímulo que dele recebemos e menos pior não é o efeito.

Fica pois o alerta aos que dominados por uma imaginação doentia veem no Tantra uma nova forma de satisfazer suas taras sexuais.

Para um tantrista a mulher é o mistério supremo.

Gosto de comparar o Tantra ao surf.

No surf convencional você está ali, esperando antes da rebentação sua onda.

De repente ela vem, te leva, você faz parte da onda, flui com ela, mais e mais e mais e de repente ela se vai e acaba.

É uma rápida queda.

Como no sexo, quando vem a ejaculação.

Mas no Tantra é como se a onda não acabasse, mas em uma possibilidade espiral se tornasse mais e mais ampla, engolfando sua percepção num êxtase sublime, onde a mente concreta se cala, onde somem as fantasias e cada célula do corpo entra numa ressonância orgástica incapaz de ser expressa em meras palavras, estas toscas ferramentas nas quais nos apoiamos para descrever o que vai tão além delas.

Nada mais distante da vida que a fantasia.

Quando fantasiamos ao invés de estarmos presentes aqui e agora estamos jogando pela janela este dom maravilhoso, mágico que é o momento presente, único, irrecuperável.

Também no Tantra a fantasia inexiste.

É a contemplação entre os amantes, o observar do que são de fato, o brilho do olhar trocado, progredindo para as carícias, que vão pouco a pouco alimentando o fogo alquímico do sexo.

A mulher tem uma característica que noto é ignorada por grande parte delas.

Enquanto nós homens desde a puberdade até a andropausa somos sempre férteis, as mulheres todo mês tem um período no qual não são férteis.

Isso é muito revolucionário.

Vocês mulheres tem um período no qual estão livres do domínio biológico do instinto, não há um estímulo hormonal gritando:

“ Misturem os genes, continuem a espécie.”

A profundidade dessa informação não foi ainda suficientemente compreendida pela maioria.

Eu posso apenas dizer o que vejo nas mulheres xamãs com as quais convivo, que sabem ser a famosa T.P.M. (tensão pré menstrual) apenas um sinal da imensa porta que pode se abrir para todas as mulheres nesse período.

O nível de poder que observo nas minhas companheiras nesse período é algo que não posso descrever aqui, apenas citar, numa pálida alusão a este ser maravilhoso chamado mulher que felizmente pude aprender a respeitar e amar me libertando do condicionamento desta cultura decadente que ainda nos domina.

Portanto para um verdadeiro tantrista a mulher é o mistério supremo.

É a face amante da Deusa, que nos permite ir além de nossos limites, que nos nutre de uma nova energia, a qual não temos como encontrar em outra fonte.

Se a face mãe da Deusa nos amamentou quando éramos indefesas crianças é a amante que nos dá esse novo alimento que nos torna homens de fato, orgasticamente felizes.

A felicidade é profundamente ligada a realização orgástica, mas a realização orgástica não é apenas sexual.

Sugiro uma leitura atenta da obra de W. Reich para os que desejam ir mais fundo nessa questão partindo do enfoque psicanalítico.

Reich é importante porque ele é um cientista, que esteve dentro da psicanálise tradicional e depois foi se ampliando, indo mais longe, constatando e descobrindo o lado concreto do processo, o corpo, a energia, os “nós” que o corpo pode apresentar interrompendo o fluxo equilibrado da energia da vida.

Reich e Osho foram dois grandes nomes que abordaram a sexualidade de forma ampla e aberta e ambos foram mortos por esta coisa terrível, esse sindicato das sombras que mantém o poder nos Estados Unidos da América.

Nossa relação com a energia pessoal é muito equivocada.

Se não temos energia nos sentimos enfraquecidos, sem resistência.

Mas quando a energia está presente muitos se sentem agitados, sem saber o que fazer com ela.

Quantas vezes ouvimos frases do tipo: “Preciso descarregar um pouco, estou com muita energia.”

E para muitos o sexo é essa via de descarregar.

Note assim que tais pessoas praticam o sexo no sentido oposto do tantrista.

Eles se “descarregam” com o sexo, enquanto um Tantrista carrega-se.

Este carregar é importante e aqui está uma das chaves que os Xamãs vêm quando tentam entender a subjugação da mulher pelo homem.

Grande parte dos homens não conhece o prazer além do prazer animal, puro instinto.

Como já citei atrás o homem tem uma constância do período fértil.

É a velha justificativa masculina para o comportamento volúvel e infiel que a grande maioria apresenta.

Eu entendo bem isso...

Assim muitos homens vão ao sexo para “descarregar” tensões.

Exercer sua vontade de poder, domínio ou manifestar outros pontos de desequilíbrio, pois não podemos deixar de considerar uma análise fundamental da sociedade dominante.

Ela é neurótica.

E essa neurose vem implantada em todos os cidadãos e cidadãs ajustados e ajustadas ao sistema.

Ajustados!

Neste sexo feito com muita fome, com sede terrível, num jogo onde fantasmas interiores, fantasias e projeções acompanham o estimular dos corpos em níveis crescentes de tesão quem comparece para a grande fusão, que é o orgasmo, não é a essência mas os egos, as máscaras, as personalidades.

Qual o problema?

Temos também muitas personalidades, a social, a familiar, a do trabalho, a de amantes.

Como somos como amantes?

Temos essa clara noção dessa face do Deus e da Deusa?

Somos o Galhudo, o homem viril e guerreiro que na plenitude de seu poder e de sua vontade se funde à amante, à Terra, à mulher plena que na plenitude de seu poder e de sua vontade é parceira na dança que ambos juntos agora executam?

Esse tipo de consciência, de fusão com o Deus e a Deusa não pode ser alcançado pela personalidade.

Embora uma falsa personalidade possa ser gerada tomar contato com esses arquétipos dessa falsa personalidade é um perigo.

Por isso se recomenda antes de ir para a fase de trabalho no Tantra o estudo atento de si mesmo, para que saibamos como somos de fato e avaliarmos com segurança se temos disciplina e estrutura para o que representa o Tantra.

Pois o subir das energias pela espinha, pelos 3 canais que ali estão, é apenas um aspecto do processo.

Há muito mais que isso.

Depois que o cérebro é ativado é que começa o trabalho mais profundo.

O cérebro também é um útero e se for fecundado pela energia que não mais se perde na ejaculação permite a entrada da consciência em outros níveis, uma volta ao Jardim.

Mas isto são mistérios que palavras não conseguem abranger.

E é importante entender que se não há um trabalho consciente com a energia acumulada é melhor nunca se aproximar do Tantra, pois seria o mesmo que aumentar a pressão dentro de um recipiente frágil.

A explosão seria o resultado final.

Para os que criticam os celibatários, inclusive certas correntes que negam a possibilidade de desenvolvimento espiritual por este caminho gostaria de lembrar que a Terra também é mulher e assim é não apenas mãe, mas também amante e um xamã pode dela ter o mesmo que um tantrista tem de uma mulher.

Pelo que sei as mulheres podem também ter no Sol seu parceiro (ver a história de Kunti), mas aqui também entramos no campo dos mistérios.

Não segredinhos tolos, jogos de poder com palavras, mas quando falo mistérios falo de níveis de conhecimento que só podem ser vivenciados, onde todo falar é apenas aludir, nunca explicar.

Isto é dito de forma muito superficial, pois é parte do mistério que os Xamãs dominam.

Mas estou falando do celibatário equilibrado, não do reprimido.

O Tantra pode ser usado como perversão e o celibato como repressão, mas o fato de poderem ser deturpados não torna esses caminhos, quando equilibradamente praticados, menores.

Como tudo pode ser deturpado o Tantra também o pode de forma consciente ou inconsciente.

Uma das afirmações mais polêmicas que os videntes toltecas fazem é de que a mulher não apenas mantém a vida biologicamente gerando e amamentando suas crias.

Quando um homem se relaciona sexualmente com uma mulher no momento da ejaculação ele deixa tentáculos energéticos dentro dela, que o alimentam de energia por 7 anos.

Dado a complexidade deste tema apenas o cito, como alerta para as mulheres que ainda não associaram sua condição de subjugação energética em nossa sociedade com o fato de os homens a possuírem.

A liberdade sexual é algo bem distinto da libertinagem.

Não somos moralistas, repudiamos mesmo essa abordagem, apenas estamos falando de equilíbrio.

A sexualidade é um tema sagrado, no mais puro sentido deste termo.

Estes raciocínios são importantes para aqueles que desejam trilhar um caminho de desenvolvimento mais profundo, iniciático.

Para uma vida “comum” não têm nenhum valor, não estão nessa esfera.

Assim como a disciplina de um atleta é desnecessária a uma pessoa de vida “normal”, mas ainda assim uma caminhada e uma alimentação balanceada ajuda a todos.

Insisto: liberdade é algo bem diferente de libertinagem.

A famosa frase: “Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei” tem sido citada como os crentes citam frases da Bíblia.

Fora do contexto onde foi gerada.

Há que existir um “Tu” pleno em vontade, que não é desejo.

E a maioria das pessoas é um amontoado de egos em conflito, de estilos de agir, emocionar e pensar que lhes foi imposto.

Quando estamos num caminho iniciático, como o é o Tantra, outras considerações se fazem presentes que vão muito além do senso comum dominante em nossa cultura consumista.

O poder da mulher é fascinante.

A aparente fragilidade e desequilíbrio que encontramos em muitas mulheres tem a mesma fonte do aparente subdesenvolvimento que as populações negras estão presas em nosso mundo ocidental.

A linha dentro da qual foram criadas leva a este estado.

Há um absurdo citando o atraso das populações negras como karma de lemurianos.

Isso é apenas preconceito disfarçado.

Cada ser é o momento e pode pelo momento trabalhar o que vem até ele nos fluxos do existir.

Mas se é criado dentro de um contexto que não lhe permita o pleno desenvolvimento de suas capacidades e mais, reprime e cria condições para prejudicar esse desenvolvimento é óbvio que a causa desse efeito não precisa ser buscado em passados tão remotos.

O mesmo ocorre com a mulher. Uma mulher é enfraquecida desde cedo, limitada e muitas vezes tem pobres exemplos submissos e frágeis dentro do seu lar para se espelhar.

Como a população negra, ainda se recuperando da condição desumana a qual foi exposta por tanto tempo, isolados de sua linha cultural e doutrinados para se sentirem inferiores.

A analogia devia ser bem meditada sobre quem quer entender técnicas de dominação e limitação do desenvolvimento.

Embora usem agora outras tecnologias será que os donos do mundo nos vêm de forma diferente?

A energia sexual é a mais alta energia que o organismo gera em condições naturais.

A alquimia do Quarto Caminho a chama de “H Si 12”.

Assim é óbvio que este tremendo poder deve ser melhor compreendido.

A tremenda energia envolvida no sexo pode ser canalizada ao invés de ser apenas gasta.

O homem durante a relação sexual vai se estimulando mais e mais, vai sendo estimulado mais e mais até que em um dado momento uma resposta neuro-química libera uma descarga do fluído seminal, onde os espermatozóides são lançados no interior da mulher começando a misteriosa e bela viagem da qual, apenas um dos milhares envolvidos, vai fecundar o óvulo dando início a uma nova vida.

Este é o caminho comum.

Mas aquele que pretende seguir o caminho da iniciação deve saber que terá que ir muito além disso.

A natureza nos preparou para irmos até um certo ponto, onde atingimos um estado de desenvolvimento de acordo com o nosso papel a ser desempenhado dentro do grande organismo cósmico.

Pense nisso, ser parte de um grande organismo cósmico.

É assim que cada xamã ou um iniciado de qualquer caminho profundo se sente.
Se quisermos ir além temos que trabalhar para isso.

Com dedicação e disciplina.

A sexualidade é um campo muito importante dentro deste contexto.

No homem a condição de excitação é observável, pois se caracteriza pela ereção do pênis.

Assim o homem só consegue realizar o ato sexual completo se estiver excitado, mesmo que fantasie para atingir essa excitação quando a parceira não o estimula.

A mulher pela sua condição receptiva pode participar do ato sexual mesmo não estando estimulada.

A famosa cena na qual o homem afoito “possuí” uma mulher, que enquanto geme e pede mais olha no relógio para saber se o ‘tempo’ cobrado já passou, faz parte do folclore cinematográfico de nossa cultura.

Esse aparente domínio do homem sobre o ato sexual também permite a mulher ser vítima de violências inconcebíveis por parte do macho dominador nas mais diferentes culturas.

O homem macho, que é diferente do homem masculino, tem no sexo uma de suas bases de afirmação.

Desde a adolescência é a quantidade de conquistas e não a qualidade que os homens costumam apresentar como prova de sua “virilidade”.

Me lembro de meu próprio exemplo, da necessidade que tinha e a via em meus amigos, de “catar umas minas”.

Era um jogo social, uma atividade em que nos reuníamos em certos lugares determinados, impostos socialmente também, depois armávamos o que ia rolar e íamos caçar.

No outro dia na piscina do clube, na casa de alguém ou num bar era o momento dos comentários sobre o que tinha ocorrido, o que tinha “ rolado”.

Noto em grande parte dos homens com os quais convivo que não houve um amadurecer dessa fase.

Pelos papos, pela forma que colocam suas “conquistas” fica claro que ainda abordam o tema sobre o mesmo enfoque.

Aliás. insisto sempre que poucos homens abandonam a adolescência, pois as questões que observamos ser o centro de gravidade nas questões masculinas são as mesmas desde a adolescência, apenas mudando matizes, mas permanecendo na mesma cor.

E é a maturidade que marca o momento no qual a qualidade vale mais que a quantidade.

Assim tenho percebido como tantrista que a mulher foi tragada pela famosa revolução sexual e como em outros campos acredita que sua liberdade é apenas imitar o homem em seus desatinos.

Depois de se sentir o prazer tântrico o outro nível se torna muito insonso.

A feminilidade não é fragilidade, muito pelo contrário, é um outro nível de manifestação de um poder sublime.

Uma mulher plena que tive o verdadeiro prazer de conhecer certa vez me deu um exemplo da força feminina, comparando-a a luz do sol.

O mesmo poder que mantém planetas girando ao seu redor é capaz de atravessar a vidraça sem quebrá-la e tocar suavemente a face da criança que dorme.

É esse poder que sentimos acordar no sexo tântrico, quando nos unimos num nível muito profundo a parceira, quando nossas almas comungam e nossos corpos se fundem.

Quando junto com o prazer das zonas erógenas se estimulando, cada célula do corpo descobre ser também erógena, cada respiração, cada murmúrio é ampliar o prazer que cala a mente, traz paz ao coração e na coluna ereta, que não é reta, pois o próprio mundo é curvo, flui o poder seminal.

Olhos se tornam também fogueiras, onde mergulhamos no mistério do feminino, que pode ser citado, mas só é compreendido se experimentado.

E não tenho dúvidas que muitos homens ainda fazem a guerra por nunca terem sido amados por nunca terem sido felizes, em seu desequilíbrio é como se vingam de nós que o somos.


Guerrero/Nuvem que passa


Sinal de Fumaça

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